o ‘não-património’ #01, por ssru

A rubrica que aqui iniciamos, pretende demonstrar a carência de obras de reabilitação patrimonial, a ausência de cuidados, o vazio no património edificado do Centro Histórico.

Não podíamos ter começado por outro lado, apenas por aqui – Mercadores e Bainharia – que juntamente com a Rua Escura constituíam um dos eixos mais importantes da Cidade Medieval, ligando a zona ribeirinha e centro mercantil ao burgo episcopal e às principais vias medievais que saíam do Porto em direcção ao Minho, Douro e Trás-os-Montes, percorrendo por fora a muralha.

Foi uma das zonas mais ricas da cidade, onde os nobres, prelados e poderosos do Reino se instalavam quando se deslocavam ao Porto, rua de comerciantes e mercadores, zona de casas cuidadas, onde ainda podemos encontrar uma Casa-Torre.

Nós sabemos que tudo isto que dissemos até aqui significa ZERO para quem “cuidou” do Centro Histórico até hoje e para quem agora o diz que faz, que uma casa quinhentista (foto mercadores01) estar neste estado ou pior, é mais prédio menos prédio.

Ficam as imagens, não modificadas, da realidade…

   

Façamos a pergunta: como é isto possível, como podemos conviver com a nossa consciência, perante este espectáculo que não desaparece só porque as ruas ficam escondidas por Mouzinho ou S. João?

  

   

Falta referir que a quase totalidade destes edifícios e os restantes, nas mesmas condições, que aqui não figuram, são propriedade municipal ou de instituições públicas.


a cidade, por albano martins

Uma cidade pode ser apenas um rio, uma torre, uma rua com varandas de sal e gerânios de espuma.(...) Uma cidade pode ser um coração, um punho.

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