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o fiel portuense, por ssru

Qualquer portuense, fiel à sua “antiga, mui nobre, sempre leal e invicta cidade”, saberá o que são amargos de boca, que de uma forma ou outra, neste ou naquele momento, já teve oportunidade de saborear. O portuense que vive a cidade e a conhece como a palma das mãos, percorre de cor as suas ruas, quer seja guiado pelas cores, pelos odores, pelos ruídos, pela intensidade da luz, pelos rostos de todos os dias e certamente saberá do que estamos a falar.

No artigo anterior referimos que a melhor forma de nos fazermos perceber seria “(…) podermos colocar em palavras aquilo que a maioria das pessoas pensa ou sente. Exemplificar uma situação, clarificá-la, torna tudo mais simples, o que nem sempre é assim tão fácil conseguir(…)”

Há pois, aqueles para quem esssa capacidade se afigura perfeitamente natural, como é o caso do jornalista Jorge Fiel, que hoje nos deixou uma crónica no Diário de Notícias a que chamou: Eu, portuense, ando triste e com boas razões para isso”.

Da nossa parte, podemos acabar aqui porque não temos mais nada a acrescentar, senão pedir para lerem estas palavras, que muito agradecemos ao seu autor por nos tornar tudo tão simples (esperando que não se incomode com a colagem).

” Os meus amigos de Lisboa ficam surpreendidos por lhes sugerir a Pousada da Juventude quando me perguntam onde devem ficar quando vêm ao Porto. Ao contrário do que o nome indica (e a generalidade das pessoas pensa), as Pousadas de Juventude estão abertas a clientela de todas as idades. E a pousada do Porto está num local magnífico, com uma vista deslumbrante do Douro e a sua foz.

Tenho formatada uma lista de recomendações para os meus amigos que visitam o Porto. Para a experiência francesinha, acompanhada por um príncipe e antecedida de um rissol de carne, aconselho o Capa Negra, no Campo Alegre.

Na Baixa, além dos incontornáveis Majestic e Lello – que se não são o café e a livraria mais bonitos do mundo pelo menos andam por lá perto -, acho imprescindível um passeio a bordo do eléctrico 22, do Carmo até à Batalha, complementado pela descida de funicular até à Ribeira, onde só tem a ganhar se visitar o Palácio da Bolsa (o Salão Árabe é de cortar a respiração) a atravessar a pé o tabuleiro inferior da Ponte D. Luiz, não se esquecendo de olhar para montante e apreciar devidamente a elegância da Ponte D. Maria, uma jóia de Eiffel.

As melhores vistas panorâmicas do Porto obtêm-se a partir de Gaia. As minhas preferidas são as das esplanadas do Bogani (Cais de Gaia) e do Arrábida Shopping. Já que está na margem esquerda, não perde nada se visitar umas caves de vinho do Porto. É um cliché turístico, mas vale a pena.

Com partida da Ribeira (onde tem a opção de embarcar num cruzeiro pelas seis pontes), junto à igreja de S. Francisco (aquela que tem o interior revestido a ouro), o eléctrico 1 percorre a marginal fluvial. Depois, a partir do Jardim do Passeio Alegre, o melhor é mesmo seguir a pé, ao nível das praias, parar a meio numa esplanada, passar o Castelo do Queijo chegar à frente marítima do Parque da Cidade e olhar a fantástica Anémona que assinala a entrada em Matosinhos.

Se os meus amigos vêm com tempo contado e não podem fazer o programa completo, eu não os deixo partir sem verem os três mais recentes tesouros que enriqueceram a cidade nos anos de viragem do século. Vir ao Porto e não visitar Serralves, ver a Casa da Música e ir de metro até ao Dragão é muito mais grave do que ir a Roma e não ver o papa.

É por isso que eu, portuense, fico triste por ter um presidente da Câmara que nunca pôs os pés no Dragão, só foi uma vez a Serralves (e porque o Fernando Lanhas o foi buscar aos Paços do Concelho e o obrigou a visitar a exposição dele) e não frequenta a Casa da Música – apesar de morar ali ao lado, a menos de cinco minutos a pé. O Porto merece melhor.”

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http://www.serralves.pt/gca/?id=319

os blogues e a cidade, por ssru

Na Gesto teve lugar o anunciado debate sobre o papel dos blogues na discussão da Cidade, na formação de opiniões e no tipo de intervenção que esta ferramenta favorece. Promovido pelo Bloco de Esquerda, contou com a participação de João Teixeira Lopes, a moderação de Paula Sequeiros e os representantes dos blogues ‘A Baixa do Porto’, ‘Os Meus Apontamentos’, ‘A Quinta Cidade’, ‘O Verde e o Cinzento’ e ‘ACdP‘. O resumo do debate pode ser consultado aqui.

A nossa participação foi previamente acordada e aceite pela organização, com o envio de um documento que focasse os temas propostos. Gostaríamos de salientar total concordância com o comentário feito pela 5ª Cidade, sobre o carácter (ainda) “elitista” dos presentes e dos leitores deste tipo de blogues, embora se note uma maior disseminação do uso da Internet. Já no começo da nossa intervenção neste sítio, chamámos a atenção para a importância da ferramenta que a Internet disponibiliza, no artigo “o enquadramento necessário“.

cavaleiros

Sem grandes surpresas aqui ficam os nossos comentários:

- que motivações para bloggar a cidade?

Contrariando as tristes palavras de um dos pilares do sistema não “existe e vegeta em nós um colunista ambicioso ou desempregado ou um mero espírito ocioso e rancoroso”. Certamente que não fomentamos “um prolongamento do magistério da opinião dos jornais”.

O tema escolhido foi certamente aquele que maiores marcas foi deixando em todos nós, ao longo dos anos – a degradação do local onde os nossos filhos vivem. Para articularmos sobre a cidade bastará por isso, debruçarmo-nos sobre ela desde a nossa janela. Cansados da nossa passividade e depois de muito debater sobre a melhor forma de intervir, tudo se conjugou num alinhamento de circunstâncias a que não é alheio o facto do Porto já contar com excelentes precursores que nos abriram o caminho e nos acolheram.

A Porto Vivo surgiu como mais um fôlego para quem tanto esperou por uma verdadeira e cimentada reabilitação integrada do Centro Histórico – Património da Humanidade – e da Baixa do Porto. Passados cinco longos anos os resultados práticos são deveras incipientes e assentes sobre falsas premissas que consideramos importante desmontar. Assim, assistindo passivamente à extinção das poucas instituições que ainda zelavam pelo CH (como foi o caso do CRUARB e da FDZHP), considerámos importante o nascimento de um “sítio” onde se pudesse intervir e lutar pela Salvaguarda do Património Mundial, não só o edificado ou o cultural, o económico, mas sobretudo o humano.

- pode um blog influenciar a maneira de pensar/viver a cidade?

A melhor forma de o conseguir é podermos colocar em palavras aquilo que a maioria das pessoas pensa ou sente. Exemplificar uma situação, clarificá-la, torna tudo mais simples, o que nem sempre é assim tão fácil conseguir.

Não aspiramos a grandes e radicais mudanças, instantâneas, mas antes, de uma forma cimentada e duradoura, a pequenas mudanças que de facto alterem o dia-a-dia daqueles que mais precisam de ajuda, desmistificando ainda esta forma de intervir na cidade como se fosse um couto privado de alguns.

Consideramos que neste momento o CH se encontra a saque, as propriedades mudam apenas de mãos, os maiores sacrifícios são para os particulares e a reabilitação é adiada à mercê da vontade de alguns que negoceiam de forma pouco transparente e atropelando a legislação em vigor. Alguns responsáveis pelo estado em que este se encontra, perderam totalmente a vergonha de dizer e fazer aquilo que antes pensavam com mais cuidado. Se antes não era tão notório, agora a coberto da ignorância e desinteresse da hierarquia reinante, tudo fica mais exposto.

- entendem que contribuem para a formação da opinião pública? de que forma? têm interacção com leitores?

O nosso público-alvo são os quadros técnicos que desempenham cargos públicos ou privados e que têm algum poder decisório nas suas mãos ou então que em breve poderão substituir os que agora mandam.

No entanto, verificamos cada vez mais a necessidade de escrever para um público mais abrangente, desde estudantes a simples cidadãos de todas as idades para os quais a Internet passou a ser um gesto rotineiro. Tudo começou de facto nas conversas de amigos que encontramos em muitas instituições, câmaras, jornais, televisão, bancos, etc. Neste momento temos necessidade de traduzir termos e linguagem mais técnica para uma outra que todos entendam. É talvez por isso que muitos dos assuntos nos são sugeridos por leitores que nos contactam por mail e que ainda que identificados nos solicitam o anonimato.

Consideramos por isso, enquanto cidadãos mais atentos e sensíveis aos problemas do Porto, que temos o dever, diríamos, a obrigação solene, de lutar por um lugar melhor e alertar os restantes membros da Comunidade para esses problemas, a maioria deles extremamente básicos como o direito à habitação; ou outros mais rebuscados para certas mentalidades, como o direito ao património cultural comum.

- a Net apresenta condições de liberdade de expressão? porque recorreram à Internet? quais as vantagens/limites desta tecnologia neste campo?

A expansão da blogosfera com as suas novas plataformas, como a que usamos, veio simplificar tudo. Até para os mais renitentes a facilidade de utilização desta ferramenta e a possibilidade de, com alguma sensibilidade, poder cuidar esteticamente da imagem do sítio, certamente contribuíram firmemente para a melhoria da comunicação a grande escala.

Nós somos os nossos próprios editores, os nossos próprios censores (acreditem, somos mesmo) e a mensagem que transmitimos está ainda assim sujeita a um sufrágio, que se contabiliza não só nas visitas que temos diariamente, como também em todo o retorno e interacção que mantemos com os nossos interlocutores. Evidentemente que, o facto de ter como assunto principal a defesa do Centro Histórico, de alguma forma limita o interesse mais amplo que um blogue generalista poderia alcançar.

- como se distingue essa eventual formação de opinião da que se faz com base na imprensa?

A destrinça faz-se ao nível sensorial, dentro de cada um no processo de formação de convicções. Quando lemos na imprensa que já se ouvem berbequins e martelos na Rua das Flores, indicando ao leitor que a reabilitação se encontra em marcha imparável, só mesmo descendo à rua é que poderão confirmar que a nossa contradição a esses dados é verdadeira, para além das inúmeras ilustrações que sempre nos preocupamos em fornecer.

O que é que isto quer dizer? Provavelmente aquilo que todos sabem, que a imprensa não está isenta e que também faz parte, em nossa opinião, do grande grupo silencioso de instituições e pessoas que não erguem a voz e não questionam o caminho para onde nos dirigimos.

a debater a cidade, por ssru

A convite da Dra. Paula Sequeiros e do Bloco de Esquerda, acedemos participar no debate “Bloggar a Cidade” respondendo por escrito a temas propostos, como:

- que motivações para bloggar a cidade?
- pode um blog influenciar a maneira de pensar/viver a cidade?
- entendem que contribuem para a formação da opinião pública? de que forma? têm interacção com leitores?
- a Net apresenta condições de liberdade de expressão? porque recorreram à Internet? quais as vantagens/limites desta tecnologia neste campo?
- como se distingue essa eventual formação de opinião da que se faz com base na imprensa?

A SSRU, conforme expõe na sua declaração de princípios, considera estar desta forma a contribuir para a elevação e valorização do Centro Histórico do Porto, bem como de toda a Cidade. Não pretende atribuir a esta acção qualquer conotação política ou intenção de voto, cumprindo apenas o disposto no princípio nº 1 da sua declaração.

blogando gesto

as grandes confusões, por ssru

Ao lermos o artigo do deputado municipal José Machado de Castro “Porto, uma cidade saqueada“, percebemos perfeitamente que, independentemente do seu profissionalismo político, a sua mensagem tem um alvo e um objectivo. O alvo somos nós, os inúmeros leitores d’A Baixa do Porto; e o objectivo é certamente despertar a nossa atenção para uma realidade, palpável ou não, mas concreta, que se traduz na transferência da gestão do património da Cidade (mas que não é deste Executivo). Ao percorrermos a lista de bens e situações descritas, os nossos olhos fixam-se mas as nossas cabeças abanam, provavelmente porque, incrédulos, reconhecemos cada caso e o fundo de verdade que possuem. É ainda mais curioso que há cerca de 4 ou 5 anos atrás tenhamos ouvido da boca de alguém a mesma analogia feita entre as tropas de Napoleão, a guerra civil e o executivo de Rui Rio. Esse alguém acrescentava mais uma outra catástrofe… mas estas já serão suficientes para termos uma imagem!

Não duvidamos da legalidade de todos estes processos, até porque o famoso departamento jurídico camarário não ganhou o estatuto que tem hoje de braços cruzados, embora cada parecer que emitam, ou que solicitam ao exterior, tenha um reduzido valor em tribunal. Por isso é expectável ver logo a seguir o Dr. Francisco Rocha Antunes defender uma das suas damas, ofendido, apontando para o concurso público e para a legalidade do processo. Nós conhecemos os concursos públicos e eles serão sempre aquilo que cada promotor quiser. Legais certamente, mas esquisitos.

Vamos a um exemplo: O Kalu acorda uma tarde e ainda estremunhado segue o conselho de um amigo e dirige-se à Porto Vivo à procura de um espaço para instalar o Hard Club. Lá, ele encontra uns gajos porreiros que lhe dizem “porque não no Mercado Ferreira Borges, aquilo até é Quarteirão Prioritário?”. E o Kalu responde “Bora”. Falta só falar com a Câmara porque é Propriedade Municipal (por acaso também é classificado). A CMP pondera durante uns tempos, até porque é necessário fazer um concurso público de concessão e as coisas são muito difíceis, os “timings” nem sempre os melhores, a Porto Vivo ajuda, “mas tá bem”. Lá saiu um concurso público onde só aparece um concorrente. Esquisito!

Praça de Lisboa – 1 concorrente. Esquisito; Mercado do Bolhão – 2 concorrentes (o segundo só não foi desclassificado porque o Dr. Rui Rio não deixou). Esquisito. Será que tem a ver com os cadernos de encargos feitos à medida??? Nós sabemos que é tudo legal (não vá a John Neild querer processar-nos também!), nós até conhecemos a lei da encomenda pública.

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Porto - Planta de 1892

O que se passa com os Jardim do Palácio de Cristal, para além de esquisito, é também uma grande confusão. Segundo a Porto Sempre 023 as obras deverão arrancar no início do próximo ano, o que nos leva a concluir duas coisas: ou o processo está bastante adiantado; ou trata-se do “efeito de anunciar”, o tal que faz render o peixe, e tudo se desenrola ainda dentro dos prazos previstos pela execução de um concurso público. Uma característica muito comum a toda esta actuação é lançar as propostas (que é um acto de voluntarismo louvável) sem obter os devidos apoios ou concordâncias das entidades da administração central, para depois exercer pressão sobre estas, fazendo crer à opinião pública que estão a impedir o progresso, como tem sido feito com o IGESPAR.

Já reparamos que ninguém questiona se a CMP está a violar o PDM ou não, nomeadamente o n.º 2 do artigo 38º – Áreas verdes de utilização pública: “Admitem-se obras de construção de infra-estruturas, edifícios ou estruturas de apoio à fruição destas áreas de lazer e recreio, sem prejuízo do seu valor patrimonial e da sua identidade como espaço verde urbano, em que a área de impermeabilização não pode ser superior a 5% da área verde de utilização pública em que se localizam.” Se tivermos em conta que não fazem parte desta área o pavilhão dos desportos, a biblioteca e uma grande área a Sudoeste, subtraindo ainda a capela, o Roseiral, a concha, o pavilhão da Paula Santos e o lago, só o parque de estacionamento subterrâneo e a envolvente do pavilhão já ultrapassam os 5%. O que significa que qualquer outro acrescento de área impermeabilizada… Também podemos falar no prejuízo do valor patrimonial e da identidade, ou no apoio à fruição das áreas de lazer e recreio daquelas construções (?), cumulativamente falando. O mais curioso é que nós nem somos contra a remodelação do Pavilhão dos Desportos e aquela proposta do Vitor Silva dos novos corpos serem em cima do parque de estacionamento começa a fazer mais sentido!

Sem grandes fundamentalismos dizemos que o critério para morarmos num determinado local e não noutro é a existência de espaços verdes e árvores. Acreditamos que de uma forma negligente e inocente, aquilo que o cidadão normal pensa sobre as árvores se encontra plasmado neste anúncio dos CTT, uma empresa com consciência social (seja lá o que isso quer dizer)!

Achamos merecer mais explicações do que aquelas que nos dão!

a festa popular, por ssru

As vizinhas mais idosas dizem-nos que a ‘festa do santo’ já teve melhores dias, era um verdadeiro arraial do Povo. Dizem-no de boca cheia, mão no peito e um brilho de tristeza no olho.

Os festejos do nosso passado mais longínquo incluíam uma jogatina de futebol pela manhã entre clubes rivais, logo seguida do almoço montado na rua perfumada a sardinha e pimentos assados.

À tarde os ranchos folclóricos enchiam as ruas de música e dança, toda a gente dançava, até os padres e os políticos, os novos e velhos, homens e mulheres, mulheres e mulheres, crianças, todos.

Na Rua Arménia assistíamos a um jogo de cartas ou bilhar e havia uma peça de teatro no ‘S. Pedro de Miragaia’ e a festa não parava, comíamos aqui e ali, em todo o lado havia um fogareiro a assar e vizinhos a cantar alto.

Não ligamos tanto a este palco onde nos presenteiam a Ana Malhoa e a Mónica Sintra, e ‘aquelas coisas’ brasileiras que nada têm de são-joanino.

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O fogo de artíficio, esse é sempre bonito, mesmo quando passou a ser barómetro político e motivo de disputa entre cidades irmãs.

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É verdade que já vimos famílias inteiras a subir e descer as ruas, de alho porro na mão a provocar o nariz e o pescoço de quem cruza num e noutro sentido.

Mas a festa também é do alecrim e das fogueiras feitas para saltar de bairro em bairro, do balão acesso no ar, das rusgas, das cascatas (as verdadeiras) e dos banhos de mar ao nascer do dia.

O Porto nunca virou as costas a uma boa festa nem a uma boa briga.

No meio deste colorido pagão e agora que o S. João já se acabou, gostaríamos de vos falar de um desses gestos simples que mudam muita coisa, esses de que falamos de vez em quando e que custam relativamente pouco, mas que significam uma imensidão na vida das pessoas, capaz de perdurar por muito tempo.

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foto Artur Machado/JN

Algo tão simples como o rosto estampado numa bandeirola, a enfeitar as ruas, quatro ou cinco ruas, muitos rostos de quem mora ou trabalha no coração da cidade e que abre a porta desconfiada, mas pronta a confiar…

Uma ovação em pé para a Dra. Ana Neto e a sua equipa, que soube tocar, não na vaidade, mas no orgulho e identidade das pessoas e fazê-las participar enquanto comunidade, num festejo de todos. Dá vontade a qualquer um de pertencer àquela rua e participar.

Lemos no artigo do JN: “(…)Era preciso conhecer as pessoas, convencê-las a cederem uma fotografia ou a serem retratadas para figurar em bandeirinhas de S. João que seriam colocadas nas ruas da Fonte Taurina e da Reboleira (na Ribeira) nas Galerias de Paris e Cândido dos Reis (aos Clérigos) e na Rua das Flores (entre o Largo de S. Domingos e a Fundação da Juventude). Inicialmente, pensaram em concentrar todas as fotografias dos moradores da Ribeira em apenas uma artéria, mas ninguém quis figurar na rua do vizinho. “Avisaram-me logo: eu? nessa rua, nem pensar”, conta Ana, rindo das dificuldades que iam surgindo. “Foram dois meses de contactos diários na Ribeira”. Mas depois da dona Odete, a gestora do projecto conheceu a dona Conceição, o Nando, o Naná, o Inácio, o sr. José e por aí fora. A ideia foi ganhando forma e, de repente, já tinham duas mil fotografias para tratar, imprimir em acetato, agrafar às bandeirinhas e pendurar nas ruas (…)”

O que fica deste pequeno gesto, que portas abriu, que continuidade se poderá dar a este tipo de projectos? Perguntas que a cidade poderia responder…

o impensável… também, por ssru

… também acontece!

Só existe uma explicação para isto acontecer: a mediocridade e ignorância geral dos nossos políticos. Em todo o caso avisamos de antemão que não estamos assim tão surpreendidos como isso, a tentação para a estupidez por parte dos tolos é imensa.

Às vezes precisamos de algum tempo para recuperar os sentidos, mas por fim lá acabamos por ler toda a notícia num beliscar contínuo para nos mantermos novamente acordados. Vamos lá ao assunto…

O Dr. Rui Rio ficou agradado e achou a proposta “interessante”, nomeadamente no que toca à articulação com as Juntas de Freguesia. PUDERA!

“(…) A proposta partiu da vereação socialista, mas agradou a Rui Rio. “Há muita sujidade no Porto, há ruas completamente grafitadas. Proponho que a Câmara reúna os grafiters para reabilitar estas zonas degradadas, os edifícios sujos e feios“, propôs a vereadora substituta do PS, Carla Miranda, ontem de manhã, na reunião pública do Executivo.

É possível trabalhar com esta gente“, acrescentou a socialista, considerando que o trabalho pode ser feito em colaboração com as juntas de freguesia. Carla Miranda lembrou, no entanto, que é preciso fazer a distinção entre os grafiters e os que se limitam a assinar nas paredes (tags), como forma de marcar território. (…)”

Calma, isto é muito bom, mas o melhor está aqui: “(…) “Embora a Câmara esteja a fazer um esforço para limpar as paredes da cidade, admito que a entrada de novos grafitos seja superior. Pegar nas paredes velhas e dar-lhes uma nova vida parece-me uma boa ideia”, reiterou o presidente da Câmara do Porto. (…)” O sublinhado é todo nosso.

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Sublinhado n.º 1 – ò senhora vereadora, grafiters a reabilitar? Só se for a limpar a porcaria que fizeram, para que ‘os edifícios sujos e feios’, deixem de o ser!

Sublinhado n.º 2 – ‘esta gente’ (!?) (quer dizer, estes marginais?!) assim a trabalhar também não, mas se lhes derem umas telas ou um papel de cenário para eles pintarem e a autarquia patrocinar uma exposição, pode ser que ainda ganhem uns ‘cobres’. Houve em tempos umas ideias concretizadas em pinturas de painéis de estaleiros de obras (ex. Bom Sucesso). Percebeu, senhora vereadora, estaleiros, obras, hello…

Sublinhado n.º 3 – Sr. Presidente, o senhor sabe que para nós tanto faz quem manda na Cidade, desde que as políticas de reabilitação do Centro Histórico se concretizem em algo de palpável e que nos orgulhe da herança que vamos deixar para os nossos filhos (é claro que não estamos a falar ‘daquilo’ que fizeram ao quarteirão de Carlos Alberto com o Pátio Luso). Mas se conseguir, explique-nos como é que um grafiter pode ‘pegar nas paredes velhas e dar-lhes uma vida nova’, porque nos é impossível imaginar um cenário assim, a não ser com uma verdadeira reabilitação, daquelas que incluem o estudo e requalificação do edifício para um fim útil, com pessoas e funções, etc., compreende?!

Isto vindo no contexto certo e proposto por pessoal técnico, como por exemplo pela Porto Vivo, no âmbito de uma acção temporária de reabilitação, até se compreendia melhor. Por políticos cujas responsabilidades não são propriamente as de embrulhar a má figura para parecer bem em período de eleições, não nos parece. E acredite, até temos aqui uns exemplos de grafitos muito bons, veja…

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Enquanto que noutras paragens deste País se tomam acções no sentido oposto e se procuram soluções para que o dinheiro público seja gasto com eficácia e quando (…) “até agora foram limpos mais de seis mil metros quadrados“(…) (???), surge esta ‘proposta luminosa’ [ironia] para que nos possamos entreter mais um pouco e, se calhar, até lhes comprávamos as latas de tinta com o nosso dinheiro e tudo…

Sabe o que lhe dizemos, senhora vereadora, esteja caladinha e faça-se substituir a si também, para que os nossos impostos não sejam desperdiçados, mas gastos com dignidade, a começar pelo seu salário.

nota: Há muito tempo que reparamos que o Dr. Rui Rio não precisa de se esforçar muito para ganhar eleições, com uma oposição assim! Pronto, Sr. Presidente, já pode parar de rir… vá lá!

nota a 28 de Maio de 2009: Caramba! Até os grafiters parecem ter melhor ‘bom senso‘ que a camarada socialista. Grafiters ao Poder, JÁ!!!

o modelo de gestão, por ssru

Já referimos anteriormente o modelo de gestão que se encontra em aplicação na “Baixa do Porto e seu Centro Histórico” (esta terminologia é a mais recentemente vulgarizada), da responsabilidade da equipa da Porto Vivo, com o aval do Conselho de Administração que acabou recentemente o mandato.

Trata-se de um sistema que graficamente se representa por dois eixos, um no sentido Norte/Sul e um outro no sentido Nascente/Poente, que se intersectam no Quarteirão das Cardosas, um dos ‘projectos âncora’ que permitirão um método de reabilitação do tipo ‘bola-de-neve’.

Este modelo teria força sufuciente para vingar, não fosse a particularidade de se tratar de um exemplar importado que ignora por completo a realidade do Porto e a existência de um Centro Histórico Património da Humanidade e os seus contornos. Para além disso torna-se indispensável a viabilidade dos ‘projectos âncora’, o que caso contrário provocará uma ‘avalanche’ no próprio modelo.

Digamos que desde, aproximadamente, o ano de 1325 que o modelo de desenvolvimento, expansão e gestão da Cidade se encontra determinado, como se pode perceber em “Projecto e Transformação Urbana do Porto na Época dos Almadas, 1758/1813″, do Prof. Bernardo José Ferrão:

“…Confirmando a vocação da urbe como entreposto comercial, é levada a efeito no reinado seguinte, a partir de 1325, a construção da Alfândega, que tende a dinamizar a nascente urbanização ribeirinha; para serviço desta faixa marginal executam-se então vias cujo traçado faz pressupor o seu deliberado planeamento, como sejam a Rua da Alfândega e a Rua de Congostas, com funções de drenagem portuária paralelas e alternativas à do primeiro eixo – ruas dos Mercadores e Bainharia – com o qual entroncam aliás mais a norte, junto do largo de S. Domingos, já então importante nó de articulação viária. Por outro lado, assiste-se nesta época ao aparecimento de uma significativa rede de hospitais e albergarias, que garantem, para além do seu significado específico, a generalização e estabilização da malha urbana nos contextos supra-citados…”

Arriscamos dizer que todas as propostas, todos os planos, todas as políticas que sucessivamente ignoram o modelo inicial – radial - falharam ou tendem a degenerar em algo cinzento e diferente do esperado, tantas vezes de forma irreparável.

Os diferentes estudos que nos últimos dois séculos se fizeram para o Centro Histórico, as demolições de 40″ e a abertura da Avenida da Ponte, o Plano Director orientado por Auzelle em 1962, a mais recente visão de coexistência de dois centros de cidade – a Baixa e a Boavista – que também se revelou um fracasso na década de 90″, de uma forma ou de outra têm arrastado a Cidade e o Centro Histórico para um estado de estagnação que se reflecte em todas as áreas de actividade, principalmente na que lhe deu origem, a de entreposto comercial e mais recentemente de força industrial da região e do País.

É neste contexto que nos interrogamos sobre o modelo proposto pela SRU, para tentarmos perceber quais as suas vantagens, comparando com tantos outros já anteriormente testados e francamente… julgamos que apenas assim é porque não sabem fazer melhor ou não têm a humildade suficiente para aprender com a História.

- Passamos a palavra ao actual executivo da Porto Vivo SRU…!!!

o ‘modus operandi’, por ssru

São inúmeros os pedidos para explicarmos o que pretendemos dizer com o subtítulo que acompanha o nome deste sítio.

A frase “podes até querer demolir a Torre dos Clérigos, desde que no seu lugar consigas propor algo melhor…” é aqui usada de uma forma irónica e pretende descrever a arrogância daqueles que se acham no direito ou com veleidade de ousar propor algo em substituição dos símbolos e dos valores da nossa Cidade, quando sabemos que o propor melhor está intimamente ligado à capacidade de quem propõe, à qualidade da proposta e à qualificação de quem avalia. Para nós esta coisa de propor melhor é bastante complexa e tem muito que se lhe diga, principalmente quando constatamos uma mediocridade avassaladora em matéria de salvaguarda de património cultural…

Ora, indo ao que interessa, uma das estratégias mais utilizadas desde sempre (Rui Rio não inventou esta, apenas a utilizou incessantemente) é, após a constatação que não podemos fazer algo desaparecer de repente, fazê-lo com paciência, a médio ou longo prazo e esgotando os recursos que permitem a sua subsistência. Esta teoria aplica-se na prática a empresas, a instituições, a edifícios, a cidades, a tudo o que nós quisermos.

Foi esta aplicação que na prática permitiu a substituição do Palácio de Cristal pelo Pavilhão dos Desportos, deixando-se chegar o antigo edíficio a um estado de degradação tal que não restava outra alternativa, pelo menos uma que fosse economicamente viável, claro está.

Foi o que possibilitou o encerramento recente, por este executivo camarário, de tantas instituições da Cidade, quer ligadas à cultura, ao desporto, à reabilitação urbana, à reabilitação social, demasiadas…

Já ninguém se lembra da Fundação para o Desenvolvimento do Vale de Campanhã, da Culturporto e tantas outras que em breve também estarão esquecidas como o Cruarb ou a FDZHP.

O mesmo esteve (ou estará) perto de acontecer com o Mercado do Bolhão, com o Mercado do Bom Sucesso, com o Mercado de Ferreira Borges… e depois aquela situação inexplicável da Praça de Lisboa, onde, antes daquele desastre, existia um mercado de levante, como o da Ribeira ou como o da Praça da Alegria… perdas irreparáveis.

Dizem-nos com demasiada frequência que ‘os eleitos têm a legitimidade que foi dada pelo voto para tomarem as decisões que entenderem sobre os destinos da Cidade. Será?!

Será que essa figura do direito português que é a prova de legitimidade, aqui aplicada permite a adulteração ou destruição do bem, sem que o outro ‘comproprietário’ o autorize ou disso tenha conhecimento…?

Nós o Povo, somos os proprietários do nosso Património e só por ignorância, conformismo e estupidez poderemos permitir que este modo de agir continue a delapidar o nosso Bem Comum, o nosso Património para a Humanidade.


a cidade, por albano martins

Uma cidade pode ser apenas um rio, uma torre, uma rua com varandas de sal e gerânios de espuma.(...) Uma cidade pode ser um coração, um punho.

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Adiccionamos uma nova página ao nosso sítio onde poderão consultar notícias e assuntos de interesse que vamos elegendo ao longo do percurso, procurando corresponder às vossas expectativas.

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