Arquivo da categoria 'pormenores'

os pormenores que contam #3, por ssru

Desde que o actual executivo tomou posse (7 anos!!!) que temos a sensação de conviver com o lixo mais perto de nós. Isto não é uma ‘figura de estilo’, referimo-nos mesmo aos detritos urbanos que produzimos e com os quais nos cruzamos diariamente. Eles agora, mais do que anteriormente, parecem fazer parte do nosso dia-a-dia, marcam presença quando saímos de casa, quando entramos no restaurante para almoçar, quando vamos buscar os nossos filhos à escola, quando andamos a pé pela cidade ao fim-de-semana (é verdade, nós ainda fazemos isso, por incrível que pareça!), em todo o lado.

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esta foto não só ilustra um contentor no passeio em frente a uma passadeira, como é uma figura de estilo, o lixo agarrado ao património da humanidade

Há sete anos atrás, como cogumelos, vimos nascer nas ruas da cidade uns verdes contentores com quatro rodinhas e um tubinho por baixo que pinga toda a espécie de líquidos vindos do seu interior. Havia contentores em passeios, entre as árvores, em lugares de estacionamento, aos pares, muitos, pareciam comprados em saldo ou coisa parecida… depois vieram as barras em aço inox para os prender ao lugar!

Depois vieram os ecopontos, todos juntos fazia impressão vê-los e numa rua longinqua deste centro, com apenas uns cento e cinquenta metros, chegámos a contar uns bonitos 21 daqueles recipientes, provavelmente porque eram necessários, indiscutivelmente.

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Desde esses tempos que o lixo passou a tema de notícia, ou pelas auditorias aos funcionários, ou pelas greves, ou pela entrega à gestão particular, ou pelo amontoado constante, cíclico, como aparece nas nossas ruas, estas ruas onde moramos e nos cobram os impostos autárquicos mais altos que podem por isso. Tememos silenciosamente por um fenómeno à americana onde as máfias consideram o lixo um bom negócio de ‘família’, tal como vemos nas séries televisivas.

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Interessam-nos menos as questões políticas e por isso não desejamos fazer “aproveitamento político” da situação, pelo que vamos debruçar-nos neste artigo sobre o mobiliário urbano, recordando como era quando colocávamos os baldes em determinadas horas da noite, antes da passagem do camião (conforme previsto ainda no regulamento municipal).

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Preocupa-nos antes a falta de rigor, a total ausência de sensibilidade, o despropósito como se lida com este assunto de importância vital para a saúde pública. Não é só o desrespeito pelo património classificado, por se colocar o equipamento em qualquer local, sem qualquer critério, sem condições de higiene e manutenção dos espaços envolventes. É também a saúde de todos, é um cartaz turístico humilhante, é a evidência que estamos a milhas de distância de saber gerir o Bem Comum, como ele deve ser gerido.

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Não sabemos resolver este problema e admitimos isso. No entanto, sugerimos que se tente o que ainda não foi feito: uma campanha educacional promovendo a utilização sustentada e cívica de todos os recursos, que se ensine nas escolas da cidade, que se promovam iniciativas lúdicas que envolvam a comunidade, por exemplo, do tipo “o meu bairro é mais limpo e bonito que o teu”.

mesmo quando o cidadão dispõe do melhor equipamento, o tratamento dado é a total indiferença...

mesmo quando o cidadão dispõe do melhor equipamento, o tratamento dado é a total indiferença...

Os políticos estão de tal forma desligados da população, que nos interrogamos se seria possível um dia termos a cidade limpa que merecemos!!!

nota a 28 Março 2009: Pelo que lemos nesta notícia do JPN, a iniciativa da população não falta. Será que os políticos saberão, desta vez, mudar a situação ou tudo se perderá para não terem de admitir que são incapazes?

os pormenores que contam #2, por ssru

Este artigo é destinado às fachadas dos edifícios e aos adereços e adornos que aí encontramos, maior parte das vezes sem darmos conta à primeira vista.

Também não é por acaso que escolhemos a Rua das Flores, porque se a memória colectiva não for muito curta, certamente alguns se recordarão da vida que este rua possuía, das suas joalharias e ouriversarias, das suas casas de fazendas e confecções, dos seus palacetes e casas nobres. Lembramos de cá vir comprar as meias e as camisolas interiores mais baratas que noutro lado, as nossas alianças de casamento, as colchas das camas, etc…

Quem ama esta cidade e este Centro Histórico é capaz de sentir um nó na garganta quando percorre a Rua das Flores, de tão maltratada que está: a maioria dos edifícios perdeu a entrada das habitações; agora a maioria encontra-se devoluta com a perda de negócios dos comerciantes; a ‘modernice’ dos revestimentos sobretudo do rés-do-chão, quer sejam licenciados ou não; o automóvel (como em todo o lado) a tomar conta do espaço público de uma forma implacável; o pavimento que não é substituído ou reparado há quatro décadas…

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O primeiro exemplo revela-nos um dos poucos comerciantes de ouriversaria que ainda resiste, sobrevivendo até um dia. Na sua fachada possui um candeeiro “a atirar para o rústico”. O segundo já foi uma importante casa comercial e embora ocupado, evidencia grande desgaste e degradação. Esta fachada é simples e de bom gosto e no cunhal tem pequenas montras (que já não abrem por causa da ferrugem).

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Estes dois edifícios encontram-se praticamente em frente um do outro. Ambos em bom estado de conservação, profusamente decorados com vasos de flores. O primeiro carrega o simbolismo religioso num nicho e pouco mais. O segundo tem holofotes, candeeiros rústicos, vasos pendurados nas grades das janelas e… encimado por uma gigantesca parabólica.

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Estes exemplos são bem comuns. Os andares superiores quase vazios, muitos sem entrada, à espera que o negócio feche. Mas enquanto isso não acontece, o primeiro pintou todo o rés-do-chão a vermelho e dourado ‘bombeiro’ e de tal forma entusiasmado, pintou ainda a parte inferior da varanda em granito [espectáculo]. O segundo tem tantos holofotes (?) e está tão fechado e vazio. Estas coisas serão licenciáveis.

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Este primeiro prédio cujo espaço comercial entretando fechou (?!) em vez de vasos tem um aparelho de ar condicionado na varanda. É um daqueles casos que bem podia emparcelar com o vizinho do lado uma vez que é estreito, já perdeu o acesso aos pisos superiores, e o seu vizinho do lado direito é em tudo simétrico, como um bom exemplar do século XIX deve ser. No entanto, no projecto de Documento Estratégico da Porto Vivo isso é ignorado, obrigando antes o vizinho a juntar-se ao prédio do seu lado direito, com o qual nada mais tem que o ligue. Quem será o cérebro por detrás de uma decisão destas. O segundo caso, em frente do anterior, exibe o tão famoso estendal carregado de roupinha e ao lado, a não menos famosa, parabólica da TVcabo.

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Este exemplar é bastante interessante, isto é, falta pintar as paredes, esmaltar os restantes caixilhos com madeira à vista, tirar aqueles vasinhos ‘ao dependuro’ que só ficam mal e por fim retirar aquele reclame ignóbil, junto com os holofotes e tudo. O último caso é uma pérola que guardamos para vocês todos que nos leêm. Se souberem explicar o que se passa com a fachada deste edifício, nós agradecemos antecipadamente.

os pormenores que contam #01, por ssru

Numa alegoria cinematográfia a filmes ‘western’ apresentamos alguns pequenos pormenores, cujo impacte numa edificação é deveras intenso e que poucas pessoas parecem dar importância.

Sabemos que a Câmara Municipal do Porto deixou de ter uma fiscalização digna desse nome, quanto mais uma que seja sensível a este tipo de assunto e da parte da Porto Vivo, a ter em conta alguns exemplos já anteriormente referidos, nada se poderá esperar de alguns dos técnicos desenquadrados da realidade local e de outros que tinham a responsabilidade de saber fazer (porque transitaram do CRUARB) mas que continuam a cometer os mesmos erros, com a agravante de ambos possuirem um problema de degradação cada vez maior… uma verdadeira ‘cowboiada’.

Assim, vejamos estas caixilharias:

O BOM

 

O nº49 da Rua da Reboleira é um excelente exemplo de uma primorosa reabilitação, do cuidado depositado em cada pormenor. É o caso desta porta de entrada, de tom escuro como é tradicional. Nos andares superiores optou-se por manter a mesma cor, algo que talvez pudesse ter sido mudado para cores mais claras ou o branco nos paineis que abrem e o aro escuro.

O MAU

 

Por contraste com o anterior, ao nº 19 da mesma rua não lhe bastava as obras terem sido feitas ilegalmente, mas também tinham que ser deste calibre indescritível… quase sem palavras, sufocante! Isto é Património da Humanidade?!

O FEIO

 

A qualidade dos caixilhos dos pisos superiores (tirando um descontrolo no desenho da bandeira) não foi suficiente para se reflectir na entrada do nº 73 da Rua do Infante D. Henrique, que merecia um melhor desenho de porta, ainda piorado porque foi envernizada, com ‘madeira à vista’, quando deveria ser esmaltada com cor escura.

E O VILÃO

 

Este edifício da Rua do Infante D. Henrique, onde estava a Lusitania Seguros, foi um dos primeiros do Quarteirão do Infante a ser licenciado pela SRU. Assim de longe ele “até está bestial”, mas ao perto podemos dizer que - não falando das lajes em betão, daquele último piso com um revestimento a ‘imitar’ chapa enferrujada mas que é mesmo cimento ondulado pintado e da reposição dos vãos do rés-do-chão em placagem com aresta cortada a 45 graus a imitar uma moldura tradicional de granito (?) - aqueles caixilhos têm todos um ‘postiguinho’ em cada folha, o que lhe dá um ar de aldrabão. Podemos compreender o ‘para quê’, não percebemos o ‘porquê’?

Quando todos falham – até o IPPAR - podemos contar com quem?

É que a proporção, na realidade, é muito maior do que 3 para 1…!!!


a cidade, por albano martins

Uma cidade pode ser apenas um rio, uma torre, uma rua com varandas de sal e gerânios de espuma.(...) Uma cidade pode ser um coração, um punho.

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