a eficácia da intervenção, por ssru

O JPN (Jornalismo Porto Net) publicou vários trabalhos [1] [2] [3] sobre o Morro da Sé, no âmbito das propostas da Porto Vivo SRU, cujo tema acabámos de abordar no artigo anterior.

Num excelente artigo de Pedro Rios, igualmente publicado no JPN, aborda-se mais uma vez a temática do Morro da Sé e do Centro Histórico do Porto, colocando no mesmo contexto a SRU e o movimento Cidadãos do Porto – Sociedade Aberta, que no passado mês de Dezembro teve a coragem de colocar de pé (com sacrifício dos próprios) as comemorações do “11.º aniversário da classificação do Centro Histórico portuense como património mundial pela UNESCO”, cujos convites já relançou para este ano.

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Extraímos o seguinte:

“(…) Defensores do Centro Histórico esperam que SRU faça o que ninguém consegui até aqui (…)”;

“(…) Expectativa e optimismo, mais ou menos moderado. É desta forma que dois membros do movimento Cidadãos do Porto – Sociedade Aberta, que no ano passado assinalou o 11.º aniversário da classificação do centro histórico portuense como património mundial pela UNESCO, olham para a intervenção prevista para aquela zona, apresentada no final de Junho pela Porto Vivo – Sociedade de Reabilitação Urbana (SRU) (…)”;

“(…) Há muito tempo que devia haver um serviço que se ocupasse do centro histórico, que fizesse essa coordenação. A tónica foi sempre a da recuperação urbanística”, diz Licínia Rangel, membro do movimento e chefe da Divisão de Turismo da Câmara do Porto de 1993 a 1998, actualmente a fazer uma tese de mestrado sobre o centro histórico (…)”;

“(…) Francisco Rocha Antunes, promotor imobiliário e outro dos 11 membros fundadores do Cidadãos do Porto, SA, diz que este “é um primeiro passo”, com o “enorme mérito de ser um programa partilhado, que ouviu muitas pessoas, um processo correcto, mas invulgar”. Se a “bondade e pertinência” são evidentes, Francisco Rocha Antunes tem “algumas dúvidas”: “o sucesso depende em parte dos serviços camarários”, de segurança e limpeza urbana, por exemplo, que, apesar dos anúncios de reforço, “não se sentem ao nível” que se ambiciona (…)”

O trabalho realizado por este movimento, tal como referimos, é de grande valia e permitiu, ainda que numa noite fria de Inverno, despertar as atenções para a falta de intervenção no Centro Histórico do Porto.

No entanto, preocupa-nos a eficácia de uma intervenção que possa estar comprometida, melhor dizendo, constrangida, pelo facto de alguns destes Cidadãos do Porto desempenharem um papel relevante ou possuírem uma forte ligação com a Porto Vivo.

Dos nomes inscritos no manifesto então apresentado [20071130-4dezembro1] contam-se vários colaboradores da Porto Vivo, como é o caso de Rui Loza (ex-Director do CRUARB) e de João Brás Pereira (que entretanto saiu da SRU) autores e coordenadores da própria proposta datada de Junho de 2006, “Programa de Reabilitação da Sé”, de Luísa Cardoso que colabora na Loja da Reabilitação Urbana, mas também de Francisco Rocha Antunes que representa uma empresa imobiliária que se constitui como um dos maiores parceiros da Sociedade de Reabilitação Urbana da Baixa do Porto em várias frentes.

Não colocamos em causa os propósitos, a nobreza e o mérito das acções e aquilo que aqui salientamos deverá servir apenas como reflexão, sempre como auto-avaliação.

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Não podemos levianamente adorar dois deuses, por um lado defender o Centro Histórico e a sua elevação a Património da Humanidade e por outro defender os projectos que se planeiam para os quarteirões e que envolvem a destruição dos sistemas construtivos, das tipologias, dos cadastros, quase sempre restando apenas a fachada, como, por exemplo, no Quarteirão Corpo da Guarda ou no de Carlos Alberto (que como sabemos não pertence ao Centro Histórico).

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