a questão política, por ssru

O ‘grande desígnio nacional’ que, por vezes, tudo justifica e que esteve presente na argumentação para a constituição das Sociedades de Reabilitação Urbana parece não ser bastante para que os líderes políticos optem por um entendimento de regime que seja supra partidário e permita a estabilidade necessária na gestão da Porto Vivo.

A reabilitação urbana das cidades portuguesas, da Cidade do Porto em particular, deveria posicionar-se acima das querelas partidárias que enfermam as nossas instituições tendo em conta a gravidade da situação. Escusamos enumerar as instituições vítimas desse flagelo, o assunto tem sido demasiadas vezes discutido e sempre ligado à necessidade da força política reinante colocar em todos os lugares possíveis alguém com quem possa contar, independentemente (a maioria) da sua competência para o cargo.

Quando dizemos todos os lugares queremos dizer desde o estafeta ao administrador, ao presidente do Conselho de Administração, todos têm um lugar, restando pouco espaço para os restantes cidadãos que apenas contam com as suas habilitações e experiência.

Com a chegada de Rui Rio ao executivo portuense nada foi diferente, principalmente para o Centro Histórico do Porto, onde deixou apenas uma instituição a actuar, a Porto Vivo, mas que nem de perto veio substituir as que entretanto extinguiu.

As diferentes facções do PSD puderam, nestes quatro anos, colocar os seus “homens-de-mão” na Porto Vivo (não esquecer que o Governo de altura era laranja). Desde Paulo Morais, Arlindo Cunha, Joaquim Branco, Rui Quelhas, Ana Martins de Sousa, todos eles o fizeram, gerando uma rede complexa de relações. Habituados que estamos a este fenómeno até desencantamos uma justificação parecida com “os eleitos têm o direito de se rodear das pessoas da sua confiança que consideram em condições para o desempenho das funções em causa”… [cansativo].

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Admitiremos que ‘está tudo certo’, pelo menos até ao ponto em que esta Torre de Babel não se vai entender e acontece aquilo que está à vista: o trabalho da Porto Vivo ainda que de grande importância, não tem tido até agora uma repercussão no terreno que mereça um elogio unânime.

Sabemos que os administradores executivos da SRU não se têm entendido muito bem, resultando em inúmeros impasses na resolução até de assuntos triviais. Como exemplo temos o Programa Viv’a Baixa que vigorou durante dois anos com algum sucesso e está (soubemos numa visita à Loja da Reabilitação Urbana) há nove meses para ser de novo aprovado. Trata-se de um incentivo muito importante e é destinado aos munícipes que desejam realizar obras de reabilitação, poderem adquirir materiais de construção a preços mais favoráveis através de parcerias que a LRU tem desenvolvido.

Neste cenário, as saídas de administradores da Porto Vivo deverão ser consideradas normais porque aqui se encontra aplicada a primeira lei da Natureza: ganha aquele que melhor se adapta (não o mais forte) e a facção que fica foi a que melhor se adaptou.

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Respondendo a uma questão que nos foi endereçada gostaríamos de referir algo que não aparecerá em nenhum jornal ou qualquer outro meio de comunicação, sobre a saída de Joaquim Branco da SRU, cuja porta foi por ele escolhida (afinal ganhava mais de 10.000,00 € base por mês).

O Dr. Joaquim Branco saiu da Porto Vivo por duas razões: 1. deve-se a ele próprio, aos erros que cometeu e que parecem desequilibrar a balança do muito que deu à SRU, mesmo antes desta existir, na Comissão Instaladora; 2. e deve-se a quem tem o poder de o avaliar, nomeadamente Rui Rio, que deve ter considerado que esses erros não poderiam ser relevados, cuja gota de água parece ter sido a história da candidatura ao QREN.

Neste magma político dificilmente a Porto Vivo poderá levar a cabo uma missão tão complexa como é a reabilitação da “Baixa do Porto e do seu Centro Histórico” (como gostam de dizer) correndo os mesmos riscos que o CRUARB ou a FDZHP e estarmos todos daqui a uns tempos a discutir o despedimento colectivo dos trabalhadores e a divisão do seu património, prolongando a agonia de quem tanto espera para ter o Centro Histórico que merece.

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