a questão semântica, por ssru

Aquilo que dizemos adquire, cada vez mais, uma importância absoluta quer no modo como o fazemos ou no significado das nossas frases, ou seja, a semântica está no cerne da interacção comunicativa, no modo como se estruturam as nossas representações mentais e na estruturação de um texto.

«O que é vivido pelos cidadãos não pode ser iludido pelos agentes políticos. Quando a realidade se impõe como uma evidência, não há forma de a contornar», declarou Cavaco Silva no discurso que proferiu nas comemorações da revolução republicana de 5 de Outubro, em Lisboa.

Enquanto a mediocridade varre a nossa classe política, alheia que está ao que se passa ao seu redor, no seu festim interminável pelo poder, uma nova cultura política emerge e prepara-se para reagir em contrabalanço harmónico, diagnosticada neste artigo do JPN, donde extraímos:

(…) “A última, que corresponde à Nova Cultura Política, é mais comum entre “os mais jovens, urbanos e instruídos”. “Se quem vota, fá-lo em larga medida porque tem consciência de que é um dever de cidadania, já quem participa em manifestações, assina petições ou escreve em blogues sobre política tende a fazê-lo porque pretende fundamentalmente fazer valer os seus pontos de vista”(…)

e (…) “Estes modos de participação são pouco institucionalizados e, portanto, são muito mais atraentes para quem valoriza a sua autonomia. E os jovens portugueses, sobretudo os mais instruídos e urbanos, valorizam-na claramente”, refere. “Valorizam a sua autonomia muito mais, por exemplo, do que os jovens espanhóis, sinal talvez da importância que o 25 de Abril teve na criação do imaginário democrático no nosso país”(…)

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O Centro Histórico do Porto tem sido vitima de fracas opções políticas, da falta de orientações claras e sobretudo de uma mediocridade arrasadora que deixa pouco espaço a quem o gere.

Embora seja mais fácil maldizer do que elogiar, é forçoso aceitar que muito tem sido feito, muita gente dedicada tem trabalhado incessantemente neste centro histórico que é Património de todos. Muitas fachadas foram já recuperadas, muitas famílias realojadas, muitos equipamentos novos instalados e arruamentos renovados contra a corrente de um inevitável esquecimento que dura há décadas.

No caso da Porto Vivo, lamentavelmente, consideramos que o estado de graça começa a findar. Espera-se por isso um novo fôlego da nova administração da SRU, que já provou querer mudar, com as alterações que efectuou na composição do seu Conselho, diminuindo o número de cargos executivos.

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Esperamos, portanto, que não se repitam mais testemunhos de inabilidade como os expressos no discurso do Dr. Joaquim Branco, que no seu canto-de-cisne “Investir em antiguidades – o imobiliário no centro histórico do porto” [pimobiliario-10-09-08], diz:

“… O investimento, nestes edifícios degradados, muitos deles com várias gerações de transformação, só pode ser comparado com o investimento em arte, onde o tempo, em vez de causar erosão, só pode causar apreciação do seu valor.

Quem não gosta de possuir e usufruir de uma raridade? E se essa jóia ainda puder proporcionar elevadas rentabilidades?…”

Caro Dr. Joaquim Branco, o Sr. devia saber que o público a quem se dirige não é parvo e que aquilo que o senhor omite deixa-os apreensivos e aguardam impacientemente uma resposta à pergunta: o que é que o Dr. Rui Rio vai fazer com os edifícios degradados do Centro Histórico e com a população do Aleixo?

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