a orientação correcta!?, por ssru

Num momento em que se avaliam os modelos de gestão e financiamento das recém-criadas Sociedades de Reabilitação Urbana, passados que estão quatros longos anos, tendo a Porto Vivo mais uma vez inovado com uma alteração (pequena, contudo) no seu Conselho de Administração, numa altura em que as condicionantes externas da sociedade, como a economia mundial, se fazem sentir da pior forma, atendendo a que a reabilitação urbana nunca foi uma das principais prioridades nacionais e a dos centros históricos ainda menos… qualquer um de nós agradeceria saber ‘para onde se dirige’ o Centro Histórico do Porto?

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Numa época em que fica a impressão que todo o autarca ou dirigente é um urbanista por inerência, em que tantos destes elegem como prioridade eleitoral e governativa as causas sociais e as desgraças do Povo, coincidindo dramaticamente frequentes discursos e conferências sobres estes temas (para os quais não possuem qualquer formação) com a propaganda política, importará reflectir para as causas de tantos e sucessivos falhanços das intervenções que têm sido propostas e que, no nosso entendimento, não se relacionam com um ou outro evento em particular (ex. Porto2001), mas antes com uma falta de visão de futuro para o Centro Histórico e zona envolvente, que não tem sido nem sustentada nem a mais conveniente.

Como podemos explicar que ruas movimentadas e cheias de vida há algumas décadas atrás, como a Rua dos Pelames ou a Rua do Ferraz, quase só sirvam hoje para esconder o tráfico de droga, a prostituição e a degradação social e fisica, assemelhando-se a qualquer bairro social da periferia, um gueto onde mais ninguém vai, nem mesmo a polícia, apenas os moradores que resistem, quem precisa de esconderijo ou um turista distraído.

Na verdade, aquilo a que chamanos Centro Histórico não passa de um pequeno Núcleo cada vez menos ‘central’, cada vez mais deserto e degradado, tal como a Baixa, embora entre estas duas áreas existam diferenças que exigem medidas diferenciadas nos programas de revitalização e reabilitação. Acreditamos que algum do insucesso destes programas se prende com o desconhecimento do que estas plataformas urbanas significam e o modo como elas se relacionam.

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A História da Cidade não tem sido devidamente consultada para que o planeamento do Futuro seja feito de forma consolidada e duradoura. Muito raramente se consultam Arqueólogos ou Historiadores de Arte nas intervenções do Centro Histórico e a maioria dos falhanços resultam de lacunas de formação em História Urbana e em Património.

Falta um PLANO DE PORMENOR, ou qualquer outro instrumento de gestão territorial que permita, a longo prazo, gerir esta porção de cidade de forma sistémica, com valores e prioridades estabelecidos, com compromissos entre todos os intervenientes, com programas de reeducação dos cidadãos em geral alertando-os para a protecção do Património que é único e de TODOS.

Há muita gente que não merece o Centro Histórico que tem…!

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