a entrevista possível, por ssru

O Jornal Destak e o Jornalista Nuno Pereira dedicaram esta semana as melhores atenções ao sítio da SSRU, incluindo-o no lote de blogues que discutem e defendem a Cidade, na rubrica “Bloguemania Invicta”. Enquanto cidadãos mais atentos ou mais sensíveis aos problemas do Porto, temos o dever, diríamos, a obrigação solene, de lutar por um lugar melhor e alertar os restantes membros da Comunidade para esses problemas, a maioria deles extremamente básicos como o direito à habitação; ou outros, mais rebuscados para certas mentalidades, como o direito ao património cultural comum.

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Fiquem com a entrevista na totalidade e, mais uma vez, o nosso agradecimento a todos.

A primeira pergunta é, quem são os nomes por detrás deste projecto? Por questões editoriais o anonimato do blogue, ainda que prejudicial à credibilidade dos assuntos, é a única opção possível. O nosso círculo de relações não permite outra situação senão a existente e o anonimato é de facto um preço elevadíssimo e o único que, neste momento, é possível pagar. Ainda que nenhum dos quatro administradores da SSRU esteja ligado a qualquer instituição pública com influência no território, as pessoas perto de nós facilmente seriam perseguidas e prejudicadas pelas considerações que fazemos. A informação que este grupo gere é imensa e tende a aumentar, mas necessita de ser duplamente confirmada para não se cometer o pior dos erros e entrar em descrédito, o que aliado ao anonimato ninguém perdoaria.

Como começou? A Porto Vivo surgiu como mais um fôlego para quem tanto esperou por uma verdadeira e cimentada reabilitação integrada do Centro Histórico – Património da Humanidade – e da Baixa do Porto. Passados quatro longos anos os resultados práticos são deveras incipientes e assentes sobre falsas premissas que consideramos importante desmontar. Assim, assistindo passivamente à extinção das poucas instituições que ainda zelavam pelo CH, considerámos importante o nascimento de um “sítio” onde se pudesse intervir e lutar pela Salvaguarda do Património Mundial, não só o edificado ou o cultural, o económico, mas sobretudo o humano.

Como viram o crescimento do blog? O sítio, que se pretende de todos, tem apenas seis meses (janeiro2009) e uma afluência que ultrapassou a nossa expectativa. No entanto o seu crescimento deve-se sobretudo à aceitação por parte dos excelentes blogues já existentes na blogosfera, que decidiram adoptá-lo e deixá-lo comungar a defesa desta fantástica cidade que é o Porto. O facto de ter como assunto principal a defesa do Centro Histórico, de alguma forma limita o interesse mais amplo que um blogue generalista poderia alcançar.

É este um importante meio de debate e discussão para a Invicta? Pretende-se que seja pelo menos para o CH e sendo este o seu berço, a nossa proposta é para que toda a Cidade sinta orgulho num Património vivo e habitado. Consideramos que neste momento o CH se encontra a saque, as propriedades mudam apenas de mãos, os maiores sacrifícios são para os particulares e a reabilitação é adiada à mercê de alguns que negoceiam de forma pouco transparente e atropelando a legislação em vigor. Alguns responsáveis pelo estado em que este se encontra, perderam totalmente a vergonha de dizer e fazer aquilo que antes pensavam com mais cuidado. Se antes não era tão notório, agora a coberto da ignorância e desinteresse da hierarquia reinante, tudo fica mais exposto.

Acham que têm impacto sobre as ‘forças vivas’ da cidade? O nosso público-alvo são os quadros técnicos que desempenham cargos públicos ou privados e que têm algum poder decisório nas suas mãos ou então que em breve poderão substituir os que agora mandam. Não nos dirigimos apenas a uma classe profissional, mas a todas as que têm influência no dia-a-dia das pessoas e que possam contribuir com o seu papel para mudanças fáceis mas duradouras. Não pretendemos mudar o mundo num dia mas apenas alguns gestos de cada vez. Acreditamos que algumas das ideias expostas poderão ser absorvidas e utilizadas para resolver o problemas das pessoas.

Contudo, o que parece ninguém ter ainda percebido é que a reabilitação urbana nunca será efectiva se não se resolver, simultaneamente, o problema social do CH e da Cidade.

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as pontes suspensas, por ssru

Inaugurámos uma escultura, da autoria do arquitecto Eduardo Souto Moura, evocativa da tragédia da Ponte das Barcas, nas comemorações dos 200 anos das Invasões Francesas, aquelas mesmas em que, entre outras coisas, fomos espoliados dos melhores tesouros artísticos da época.

Mais a Nascente continuam os preparativos para as obras de conservação da Ponte Maria Pia, promovidas pela Refer. O protocolo assinado em 2004 (?) entre o Governo, as autarquias e a Refer continua a aguardar melhores dias, devido a (…) Dificuldades de diferente natureza não permitiram que se chegasse a um acordo entre as três partes envolvidas sobre o estudo prévio apresentado (…). O seu futuro continua uma incógnita para o grande público, para os portuenses e gaienses, precisamente aqueles a quem se devem os esclarecimentos. Se a isto juntarmos a habitual desresponsabilização sobre o destino do património classificado do País, facilmente imaginamos onde iremos chegar.

Vista geral do Porto, a partir da Serra do Pilar - Fotografia sem data. Produzida durante a actividade do Estúdio Mário Novais: 1933-1983. in 'biblarte'

Vista geral do Porto, a partir da Serra do Pilar – Fotografia sem data. Produzida durante a actividade do Estúdio Mário Novais: 1933-1983. in ‘biblarte’

A Ponte Luiz I continua estoicamente a resistir a tudo, já quase lhe mudamos a face, o programa funcional, a carga que sobre ela assenta e alguns ainda a maltratam dizendo que é um mostrengo comparada com a Maria Pia. Mas a verdade é que nasceu de uma necessidade biológica de aproximar os dois povos das margens do Douro e tem-no conseguido da melhor forma possível ao longo destas décadas.

Em vagas, ouvimos falar em “ponte pedonal”, umas aqui e outras mais acolá, inspiradas por políticas e engenharias que não se inibem de gastar milhões dos bolsos de todos nós e cujo objectivo, traçado num Masterplan (ou seja, Plano Principal), é “(…) repercutir o turismo das caves sobre a margem portuense e ampliar a capacidade lúdica das duas margens do Douro. No documento, aponta-se, ainda, para o desenvolvimento de cais turísticos e a criação do comércio de qualidade elevada e de estabelecimentos de animação (…)”. Respirem, vocês leram bem! Desculpem, mas isto não conseguimos traduzir…

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Assim, no momento que o nosso primeiro inquérito atinge a bonita soma de 100 votos, consideramos oportuno lançar um segundo que ausculte a opinião de todos para a necessidade de uma travessia pedestre sobre o Douro e para o qual articulamos os seguintes parâmetros:

1 – as ribeiras não necessitam de uma travessia pedestre como forma de revitalização. Talvez o Parque da Cidade;

2 – a existir uma travessia pedestre sobre o Douro que seja pela Ponte Luiz I, aproveitando as extensões de espaço público de um e de outro lado que essa opção gera;

3 – uma travessia para peões sobre o Cais da Estiva (e o Café do Cais) e sobre a Praça Sandeman é um desvario idiota que desconsidera o valor patrimonial e paisagístico em causa;

4 – muito menos sentido faz quando os argumentos são para poupar 5 minutos ou 400 metros a uma caminhada que se deseja contempladora e prazenteira (os turistas é que sabem);

5 – se pensarmos nas condições de segurança para uma travessia tão longa (imaginem a proposta por Pedro Balonas!), na altura necessária, nas condições climatéricas, na manutenção de tal estrutura…

6 – as cidades ribeirinhas necessitam de uma travessia rodoviária à cota baixa que solucione o problema do trânsito local, onde também se encaixem os TIR que se deslocam para as caves de Gaia;

Se colocarmos a equação na plataforma da necessidade poderemos obter uma visão do problema muito diferente. Essa mesma plataforma poderá possuir graus diferentes de hierarquia nas justificações encontradas.

Mas se a uma insuficiente opção funcional adicionarmos uma má localização, a vaidade e a auto-satisfação de políticos oportunistas, medíocres  e desfasados dos valores patrimonial e histórico da Cidade (descentrando até das figuras dos dois presidentes de câmara), poderemos estar a dar de bandeja, lugar a mais um gigantesco crime contra o património do Porto/Gaia e da Humanidade.

Contamos com a vossa atenção habitual para podermos chegar a conclusões que formem opiniões saudáveis. Basta votarem na coluna lateral. Até lá ficamos em suspenso…

a tolerância zero #4, por ssru

Os incautos e os convencidos, poderão incorrer no erro de pensarem que a administração da SSRU se opõe à execução de obras nos edifícios do Centro Histórico do Porto. Não poderiam estar mais enganados.

Julgarão com facilidade que não aprovamos esta ou aquela orientação construtiva ou tipológica, este ou aquele método de intervenção proposto para o património mundial, apenas porque queremos maldizer gratuitamente. Errado de novo.

Quererão rapidamente ‘enfiar-nos’ no mesmo saco de maledicentes de que falava o Dr. Rui Moreira há pouco tempo atrás, mas podem ficar descansados porque nós não dizemos mal do Porto e também não moramos na Foz. Apenas apontamos o dedo a quem destrói a Cidade que amamos e vivemos mesmo aqui no seu coração (forma dos limites do CHP). Aliás, caro amigo José Silva, explique-nos como é que alguém que comete esta enorme gafe (pág. 008, caixa azul – [Acho que o processo tem sido bem conduzido pela Câmara e as pessoas que dizem mal são as que ainda não tiveram o cuidado de ver o que está a ser feito. O centro da cidade está muito diferente. A maior parte dos maledicentes não vive cá, vive na Foz.] sublinhado nosso), pode ser o presidente seja do que for?

Bom, mas de política também não percebemos nada!

Assim, aquilo que fazemos é diferente. O que pretendemos é alertar a Comunidade, principalmente o cidadão cumpridor dos seus deveres, que andam uns chico-espertos a desrespeitar as Leis da República, com a conivência da Porto Vivo, a cumplicidade camarária e a obscena tranquilidade do IGESPAR. Ou seja, também falamos daqueles que por voto popular foram colocados na posição de zeladores dos interesses de todos e não de apenas alguns.

O que de facto se passa é que a maioria das situações são perpetradas quase sempre pelos mesmos actores, o que levanta outras questões que merecem um artigo próprio. As imagens seguintes referem-se a edifícios na Rua de Mouzinho da Silveira: 230, 188 e 58.

A legislação aplicável ao caso concreto é o Regime Jurídico da Urbanização e da Edificação, que começa por dizer no seu “artigo 12.º – Publicidade do pedido – O pedido de licenciamento ou a comunicação prévia de operação urbanística devem ser publicitados sob forma de aviso, segundo o modelo aprovado por portaria do membro do Governo responsável pelo ordenamento do território, a colocar no local de execução da operação de forma visível da via pública, no prazo de 10 dias a contar da apresentação do requerimento inicial ou comunicação”. Isto praticamente não acontece nestas obras a cargo da Porto Vivo e nas restantes a CMP aplica, regularmente, pesadas multas a quem não cumpre.

Mais à frente, na SUBSECÇÃO III – Títulos das operações urbanísticas, no artigo 78.º – Publicidade, no seu n.º 1 – “O titular do alvará deve promover, no prazo de 10 dias após a emissão do alvará, a afixação no prédio objecto de qualquer operação urbanística de um aviso, visível do exterior, que deve permanecer até à conclusão das obras.” Com este aviso e a veracidade dos seus dados, ficamos a saber que as obras que se estão a realizar estão reguladas por uma entidade licenciadora, o que de outra forma apenas nos leva ao seu oposto.

Desde o nosso primeiro artigo sobre esta matéria que nada mudou, nem mesmo um desmentido perante tão graves acusações, o que reforça o nosso sentimento (e não só) de que estaremos correctos na nossa análise. Na verdade esta necessidade de publicitar tem implicações mais profundas, como é o caso de qualquer interessado poder antecipadamente prevenir se os seus direitos estão a ser salvaguardados e não à posteriori, com o acto consumado (tão característico da natureza humana).

Bastará portanto, que aqueles que a estas obrigações se vinculam, cumpram a legislação deste País e comprovem que estamos errados, aproveitando a oportunidade para nos calarem e remeterem ao ostracismo.

nota a 23 Março 2009: Quanto ao Dr. Rui Moreira, julgamos que o seu problema possa começar mesmo aqui em casa. Preocupa-nos que à frente dos destinos da Cidade esteja alguém que, de forma gratuita e despropositada, atinja indiscriminadamente uma parte da população residente, acantonando-a num canto a Poente como se de um bando de malfeitores se tratasse. Preocupa-nos a passividade e o silêncio dos restantes habitantes perante uma preconceituosa discriminação, tola ainda por cima. Tudo se reflectirá na nossa “conta-corrente”… Conhecemos largamente o efeito das tolices dos tolos, neste cantão onde nos encontramos! Quanto à Guerra Civil nós não sabemos nada, apenas que só fala assim quem nunca esteve no meio de uma!

a obsessão pelo supérfluo, por ssru

Os prémios Secil de arquitectura e engenharia, têm merecido por parte dos Media uma exposição considerável, sobretudo devido ao prestígio angariado ao longo de quase duas décadas, pelos montantes em causa e pelas obras e renome da maior parte dos vencedores.

Para além destes, a Secil estimula a participação dos alunos finalistas dos cursos de arquitectura e engenharia a apresentarem os seus trabalhos a concurso.

Surpreendeu-nos, contudo, a exposição mediática que a ponte para peões recebeu, desenhada por um jovem aluno de engenharia para a ribeira do Douro, ligando as duas margens. Talvez mesmo por ser para aquele local.

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Antes de continuarmos façamos um desvio para um artigo de ontem, no Jornal de Notícias, dando conta da inauguração em Março de uma escultura evocativa da tragédia da Ponte das Barcas, no âmbito das comemorações dos 200 anos das invasões francesas.

(…)No processo de concepção, Souto Moura recorda que idealizou uma instalação “mais proeminente”, mas o desenho final é mais “resguardado” para salvaguardar a navegação no Douro. Uma das preocupações foi que a escultura não interferisse na paisagem.(…)

Tendo em mente o que acabamos de ler vamos continuar dizendo que já em 2006, também uma ponte pedestre pênsil ganhou este prémio e localizava-se junto à Ponte Luiz I, onde sobram as ruínas da anterior ponte pênsil.

Para além desta (e de tantas mais), uma outra também apresentada na mesma ocasião e da qual se dizia (…)A nova ponte nascerá a 500 metros da Ponte D.Luís I, à cota baixa e a jusante da Praça da Ribeira, no Porto, e da Praça Sandeman, na marginal de Gaia, num local onde o leito do rio se torna mais largo, atingindo os 250 metros de largura.(…) [em termos estéticos esta ponte, de Adão da Fonseca, é de longe a melhor!]

No estudo que o arquitecto Pedro Balonas apresentou e com o qual ganhou o Concurso de Ideias da Frente Ribeirinha percebemos que: (…) O plano, que foi atribuído ao arquitecto portuense Pedro Balonas, vencedor do concurso público internacional lançado para o efeito, prevê também duas pontes, uma pedonal entre a zona da Alfândega e o extremo oeste do Cais de Gaia, e a outra que sairá para Gaia frente à Rua de D. Pedro V. Ambas têm como função principal aliviar os centros históricos de Porto e Gaia da pressão do tráfego automóvel de atravessamento do Douro. “Estas novas pontes serão à cota baixa, mas terão que possibilitar o trânsito dos navios de grande porte que agora circulam no rio, pelo que serão alinhadas, em termos de altura, com o tabuleiro inferior da ponte de D. Luís”, disse.(…) aqui!

Um projecto de uma ponte para peões como aquele que ganhou o Prémio Secil Universidades 2008 e para o local indicado é simplesmente intolerável. Mesmo como exercício pedagógico deixa tudo a desejar uma vez que os pressupostos (expressos no texto que acompanha o desenho) se encontram mal fundamentados e de incompreensível aplicação à realidade. Por muito transparente (?) que esta ponte seja, localiza-se num conjunto paisagístico urbano que foi classificado como Património da Humanidade e em nada contribui, nem com a necessidade da sua existência, para o enriquecimento desse património. O que significa que, estando a mais, não faz falta.

Com algum risco enunciamos a nossa visão do problema e indicamos um caminho para a sua resolução. Com risco porque é tão fácil dizer disparates e acertar é sempre mais difícil.

Cremos que um dos principais problemas do Centro Histórico e do Porto, é sem dúvida o problema do trânsito e do excesso de automóveis numa cidade espartilhada e morfologicamente acidentada como esta.

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Muitas são as soluções para a cota alta, mas para a cota baixa existe apenas a tão velhinha ponte de ferro, cujo tabuleiro superior já mudou as suas funções. Acreditamos que está na hora do tabuleiro inferior da Ponte Luiz I passar a ser a nossa “ponte pedestre”. A circulação automóvel ficaria reduzida a veículos de emergência.

Só este facto revolucionaria toda a zona envolvente de um lado e do outro da actual ponte, acabando, finalmente, o conflito de trânsito existente do lado do Porto para entrar e sair do túnel da ribeira e para os lados de Gaia e Gondomar. As zonas para peões poderiam ser alargadas até à frente ribeirinha da Gustave Eiffel, uma vez que seria necessário apenas duas faixas de rodagem (vejam o passeio junto ao funicular, ridículo!), terminando com o entroncamento.

Em sua substituição necessitamos de uma nova ponte rodoviária à cota baixa, para que, com menos conflito e mais afastada do Centro Histórico, possa melhorar a circulação automóvel entre as duas margens. Assim, talvez fosse possível construir uma ponte de tal forma “esbelta e transparente” entre o cais da Alfândega e o estaleiro de construção de barcos rabelos no cais de Gaia, com cota suficiente para as actuais embarcações poderem passar.

Em alternativa às duas pontes à cota baixa (pedestre e rodoviária), previstas no último estudo aprovado de Pedro Balonas, julgamos ver resolvida a maioria dos problemas apenas com uma. Aliás, a localização de uma ponte rodoviária junto a Massarelos e a esta cota, nada resolve em relação ao CHP, como irá impedir a realização de saudosas regatas de navios veleiros que o Porto não vê há alguns anos, podendo chegar pelo menos até à Alfândega!

Estaríamos a transferir os problemas da Ponte Luiz I para aqui? Talvez. Mas temos habilitações e tecnologia para minimizar os estragos, mais do que em séculos anteriores.

Acreditamos que é em momentos de dificuldades que a racionalidade impõe que deixemos de lado equações supérfluas, diríamos até, delinquentes, mesmo que a tendência seja para que muitas cidades de Portugal já tenham a sua ‘ponte pedonal (?)’, o que lhes tem servido de pouco quando enumeramos a longa lista de verdadeiras carências básicas de que os cidadãos vão padecendo.

a evidente prova, por ssru

Uma manhã húmida e ventosa da passada semana surpreendeu-nos com este pequeno aparato, na Rua dos Caldeireiros. Resulta como o corolário do que dizíamos aqui, dois artigos atrás.

O mau tempo, a incúria e milhentas coisas mais, deram-nos o pretexto para escrever este artigo, que serve de prova documental do que afirmámos acontecer com demasiada frequência no Centro Histórico do Porto. É apenas mais uma evidência de que aquilo que cai dos céus não é só chuva…

Nós até percebemos os nossos dirigentes em relação a esta matéria, não é nenhum terramoto que está para acontecer. A verdade é que nem foram eles que andaram a degradar os edifícios para agora lhes imputarmos qualquer tipo de culpa. Percebemos que não queiram provocar o pânico admitindo que de facto chovem parapeitos e caixilhos de alumínio, que entre outras coisas iria fazer aumentar os pedidos de indemnização. Vemos escrito por outras palavras que também “não querem espantar a caça” e dispersar os investimentos que possam surgir. Mas, é só isso que se pode fazer?

Já temos aqui nos vizinhos desta rua, os exemplos daquilo que se tem passado, prevendo-se um futuro tão ‘risonho’ como aquele que chegou à Rua do Clube Fluvial Portuense. Sem história e sem glória!

Para quem ainda não percebeu onde queremos chegar, bastará fazer um exercício relativamente simples: deve voltar a este local – Rua dos Caldeireiros – daqui a 6 meses e tirar uma fotografia. Guardá-la. Em seguida voltar passados 12 meses e depois dois anos, registando os momentos. Nessa altura, provavelmente uma luz brilhará e verá desvendado o segredo: “o porquê do estado em que o CHP se encontra”.

Desejamos imenso estar errados!!!

a não-cidadania #1, por ssru

O papel dos cidadãos revela-se ainda mais importante numa altura como esta, de crise generalizada de valores (não é só económica), pois só uma sociedade organizada e respeitadora dos direitos de todos é capaz de criar os anti-corpos necessários à sua sobrevivência e longevidade.

Daí que, com esta rubrica sobre os maus exemplos de cidadania procuremos salientar as agressões que deveriam ser evitadas, facilmente, principalmente vindas de quem vêm, quem tem a obrigação, o dever moral e profissional de mostrar o caminho.

O nosso objectivo é mudar estes hábitos que se tornam cada vez mais absorvidos e despenalizados, dada a indiferença com que a eles reagimos e a frequência com que são praticados. Pelo menos temos esperança nessa mudança… e é por isso que pouco mais há a dizer, falam só as fotografias e algumas legendas.

no passeio da Rua Nova da Alfândega, com crianças a passar ao lado!

no passeio da Rua Nova da Alfândega, com crianças a passar ao lado!

no passeio junto à Cadeia da Relação, frente à Torre dos Clérigos.

no passeio junto à Cadeia da Relação, frente à Torre dos Clérigos.

no passeio da Rua de S. Bento da Vitória, em frente ao Tribunal!!!

no passeio da Rua de S. Bento da Vitória, em frente ao Tribunal!!!

no passeio da Rua do Infante D. Henrique, frente à Igreja de S. Francisco.

no passeio da Rua do Infante D. Henrique, frente à Igreja de S. Francisco.

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numa passadeira da Rua das Flores, que já devia há muito ser destinada a peões!

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na, sempre famosa, Rua de Cândido dos Reis, em frente a uma passadeira e a um edifício com placa de identificação de património.

e por fim, na recente esplanada da Praça Guilherme Gomes Fernandes, em noite de fim-de-semana!

e por fim, na recente esplanada da Praça Guilherme Gomes Fernandes, em noite de fim-de-semana!

Vá lá meus senhores, experimentem fazer melhor do que isto, vão ver que não dói nada e que até é muito fácil! Sirvam de exemplos de CIDADANIA.