o impensável… também, por ssru

… também acontece!

Só existe uma explicação para isto acontecer: a mediocridade e ignorância geral dos nossos políticos. Em todo o caso avisamos de antemão que não estamos assim tão surpreendidos como isso, a tentação para a estupidez por parte dos tolos é imensa.

Às vezes precisamos de algum tempo para recuperar os sentidos, mas por fim lá acabamos por ler toda a notícia num beliscar contínuo para nos mantermos novamente acordados. Vamos lá ao assunto…

O Dr. Rui Rio ficou agradado e achou a proposta “interessante”, nomeadamente no que toca à articulação com as Juntas de Freguesia. PUDERA!

“(…) A proposta partiu da vereação socialista, mas agradou a Rui Rio. “Há muita sujidade no Porto, há ruas completamente grafitadas. Proponho que a Câmara reúna os grafiters para reabilitar estas zonas degradadas, os edifícios sujos e feios“, propôs a vereadora substituta do PS, Carla Miranda, ontem de manhã, na reunião pública do Executivo.

É possível trabalhar com esta gente“, acrescentou a socialista, considerando que o trabalho pode ser feito em colaboração com as juntas de freguesia. Carla Miranda lembrou, no entanto, que é preciso fazer a distinção entre os grafiters e os que se limitam a assinar nas paredes (tags), como forma de marcar território. (…)”

Calma, isto é muito bom, mas o melhor está aqui: “(…) “Embora a Câmara esteja a fazer um esforço para limpar as paredes da cidade, admito que a entrada de novos grafitos seja superior. Pegar nas paredes velhas e dar-lhes uma nova vida parece-me uma boa ideia”, reiterou o presidente da Câmara do Porto. (…)” O sublinhado é todo nosso.

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Sublinhado n.º 1 – ò senhora vereadora, grafiters a reabilitar? Só se for a limpar a porcaria que fizeram, para que ‘os edifícios sujos e feios’, deixem de o ser!

Sublinhado n.º 2 – ‘esta gente’ (!?) (quer dizer, estes marginais?!) assim a trabalhar também não, mas se lhes derem umas telas ou um papel de cenário para eles pintarem e a autarquia patrocinar uma exposição, pode ser que ainda ganhem uns ‘cobres’. Houve em tempos umas ideias concretizadas em pinturas de painéis de estaleiros de obras (ex. Bom Sucesso). Percebeu, senhora vereadora, estaleiros, obras, hello…

Sublinhado n.º 3 – Sr. Presidente, o senhor sabe que para nós tanto faz quem manda na Cidade, desde que as políticas de reabilitação do Centro Histórico se concretizem em algo de palpável e que nos orgulhe da herança que vamos deixar para os nossos filhos (é claro que não estamos a falar ‘daquilo’ que fizeram ao quarteirão de Carlos Alberto com o Pátio Luso). Mas se conseguir, explique-nos como é que um grafiter pode ‘pegar nas paredes velhas e dar-lhes uma vida nova’, porque nos é impossível imaginar um cenário assim, a não ser com uma verdadeira reabilitação, daquelas que incluem o estudo e requalificação do edifício para um fim útil, com pessoas e funções, etc., compreende?!

Isto vindo no contexto certo e proposto por pessoal técnico, como por exemplo pela Porto Vivo, no âmbito de uma acção temporária de reabilitação, até se compreendia melhor. Por políticos cujas responsabilidades não são propriamente as de embrulhar a má figura para parecer bem em período de eleições, não nos parece. E acredite, até temos aqui uns exemplos de grafitos muito bons, veja…

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Enquanto que noutras paragens deste País se tomam acções no sentido oposto e se procuram soluções para que o dinheiro público seja gasto com eficácia e quando (…) “até agora foram limpos mais de seis mil metros quadrados“(…) (???), surge esta ‘proposta luminosa’ [ironia] para que nos possamos entreter mais um pouco e, se calhar, até lhes comprávamos as latas de tinta com o nosso dinheiro e tudo…

Sabe o que lhe dizemos, senhora vereadora, esteja caladinha e faça-se substituir a si também, para que os nossos impostos não sejam desperdiçados, mas gastos com dignidade, a começar pelo seu salário.

nota: Há muito tempo que reparamos que o Dr. Rui Rio não precisa de se esforçar muito para ganhar eleições, com uma oposição assim! Pronto, Sr. Presidente, já pode parar de rir… vá lá!

nota a 28 de Maio de 2009: Caramba! Até os grafiters parecem ter melhorbom senso que a camarada socialista. Grafiters ao Poder, JÁ!!!

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o convite especial, por ssru

No passado dia 14 deste mês recebemos um convite muito especial. A sua grandeza torna tudo bastante claro, dá o verdadeiro significado ao nosso esforço. O que para outros nada poderá significar, para nós, estaremos a falar do nosso “santo graal”.

Recebemos por parte de uma aluna – a Marta Pereira – da Escola Secundária de Carvalhos, o convite para apresentarmos uma intervenção no âmbito de um projecto curricular intitulado “Porto: Proteger um Berço de Ouro”. Fantástico!!!

Dada a relevância do teor da correspondência trocada, e presumindo que a Marta não se importará, consideramos que o melhor seria partilhar com todos a clareza de espírito e as preocupações dos nossos futuros reforços:

À SSRU. Estou inserida num grupo de estudantes da Escola Secundária de Carvalhos que tem vindo a abordar, como temática do projecto de final de curso, a reabilitação da Baixa portuense, nomeadamente da zona histórica classificada como Património Mundial. Uma das nossas actividades finais será a realização de um debate intitulado “Porto: Proteger um Berço de Ouro”, no qual gostaríamos de contar com a presença de oradores de áreas distintas, e que apresentassem, nomeadamente, tanto a visão que vigora na administração municipal como opiniões alternativas e de carácter mais independente. Nesse sentido, e sabendo que uma grande parte do debate em torno da protecção do património do Porto tem sido feito através da Internet em blogs como o vosso, gostaríamos de convidar a Sociedade Secreta de Reabilitação Urbana a participar (como orador) nessa actividade que decorrerá no dia 28 de Maio, pelas 15h15, na nossa escola. Aproveito desde já para informar que estão confirmadas até ao momento as presenças da Porto Vivo e da Associação de Bares da Zona Histórica do Porto.

Caso estejam disponíveis e interessados, agradecíamos imenso que confirmassem a presença até à próxima segunda-feira, dia 18 de Maio, para que possamos começar a tratar da logística.

Com os melhores cumprimentos, Marta Pereira – Escola ES/3 de Carvalhos

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Cara Marta Pereira. O convite deixa-nos bastante orgulhosos, mas como sabe, desde o início que assumimos o anonimato dos administradores deste sítio, com o conhecimento de todas as implicações e, como neste caso, dos grandes ressentimentos que isso nos causaria. A nossa vontade era estar aí…

Não sabemos se percebeu isso no nosso discurso mas um dos principais públicos-alvo da nossa mensagem são os jovens como a Marta que poderão melhor decidir o futuro, se desde logo desfolharem o leque de opções, e quanto maior este for, melhor.

Achamos que a Porto Vivo ao aceitar o vosso convite estará precisamente a concorrer para isso e a contribuir para que no futuro, os erros sobre o Património sejam menores e a reabilitação urbana seja uma realidade. Daqui enviamos as nossas saudações à Porto Vivo, para que não percam a oportunidade de fazer algo bem feito, de preferência que enviem alguém que sabia o que diz e que não vos trate de forma paternalista, como se vocês fossem ignorantes.

Por outro lado, não compreendemos a presença da ABZHP. Cremos que se terão encandeado pelas luzes da ribalta em que eles se encontram neste momento.

Ficariam melhor servidos se convidassem as Associações do CHP, como por exemplo: o Grupo Musical de Miragaia (fundado em 1926), o Rancho Douro Litoral (desde 1936), a Associação Recreativa ‘Estrela Praia’ (desde 1947), a Associação Recreativa e Desportiva de S. Pedro de Miragaia (desde 1923), o Vitória Sport Clube do Porto (fundado em 1958), o Guindalense Futebol Clube (desde 1976) ou o seu rival Clube Desportivo e Cultural dos Guindais (1977), a Associação de Moradores das Fontaínhas (1975), o Centro Social e Cultural da Sé (1975), a Associação Recreativa da Vitória (1972), entre tantas outras que possuem um conhecimento bastante detalhado dos problemas locais, parceiros importantes quando se pretende desenvolver uma estratégia de prevenção da exclusão social, prevenindo comportamentos de risco e sempre prontas para darem o seu contributo para a valorização da cultura e da imagem do Centro Histórico.

Bom, mas não queremos parecer paternalistas e por isso resta desejar-vos um bom trabalho e um melhor futuro.

da SSRU – https://ssru.wordpress.com/

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 Boa tarde. Em primeiro lugar agradecer-lhes pela resposta tão esclarecedora, coisa que temos obtido com muito pouca frequência no decorrer deste projecto. Aproveito para acrescentar que sim, numa das visitas que fizemos à Porto Vivo, a Engª Margarida Guimarães, uma das responsáveis pelo plano de gestão da área classificada, disse-nos exactamente que uma das iniciativas que gostariam de levar a cabo com maior frequência no próximo ano seria exactamente a formação e a criação de parcerias com as escolas.. Em relação à ABZHP, pensamos convidá-los devido ao recente “boom” de espaços de animação nocturna na zona histórica, que tem contribuído não só para o dinamismo nocturno como para a própria actividade artística e para a projecção da cidade. Pensamos que talvez pudessem ter uma palavra a dizer sobre isso, mas acredito que estejam mais a par da actividade (ou ausência dela) da associação do que nós. De qualquer das formas, a ABZHP terá sido talvez, dentro das que contactamos, a organização que deu uma resposta positiva com maior prontidão, afirmando têm todo o prazer em estar presentes em todas as iniciativas desta índole. Logo veremos.

Mais uma vez obrigada pela atenção e sugestões. Possivelmente, aquando da apresentação do trabalho e do debate, iremos entregar uma espécie de brochura com alguns links importantes no que diz respeito à reabilitação e revitalização do centro histórico do Porto, na qual, com toda a certeza, incluiremos a SSRU. Cumprimentos e continuem, Marta Pereira.

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Cara Marta Pereira. Agradecemos a vossa compreensão e o carinho que nos dedicam, ainda que não seja totalmente merecido.

Se a administração da Porto Vivo decidiu enviar a Eng. Margarida Guimarães como vosso interlocutor, as vossas preocupações deixaram de existir, porque (do que sabemos) ela é o único elemento com condições e competência para defender condignamente o CHP. De facto, da equipa que sobrou do antigo CRUARB e que transitou para a SRU, é certamente a única com os conhecimentos e amor à causa suficientes para vos incentivar.

A relação das Instituições com o meio escolar é demasiado importante e com implicações importantíssimas no desenvolvimento do País. Lembramo-nos das nossas visitas de estudo ao Centro Histórico do Porto (há muitas décadas atrás) e do impacte que tiveram nas nossas opções profissionais e de vida, não só moramos como trabalhamos aqui no seu coração (o CHP tem a forma de um coração!). As visitas ao Palácio da Bolsa, ao Museu Soares dos Reis, à Torre dos Clérigos, ao Convento de S. Bento da Vitória e à Cadeia da Relação, à Biblioteca Municipal, ao Mercado do Bolhão, naquele tempo em que percorremos as ruas da cidade, revelaram-se bastante importantes na nossa tomada de posição e na sensibilização que pretendemos fazer à restante comunidade perante as actuais ameaças.

Quanto à ABZHP, foi isso que nos pareceu, que as ‘luzes’ que actualmente incidem sobre ela não vos deixa ver muito para além do facto de ser uma associação que defende os interesses dos seus associados, que são os bares e as discotecas da zona.

Salvaguardar o Património é preservar os testemunhos do passado que dão Memória e Identidade a qualquer cidade, distinguindo-a de todas as outras mesmo quando está inserida num território mais vasto, como é o caso do Porto.

O nosso e vosso trabalho é salvaguardar o património do Centro Histórico do Porto, seja ele social, cultural, arquitectónico, paisagístico, etc. Estejam prontos para quando chegar a vossa vez, ela está aí à porta!

Cumprimentos da equipa SSRU – https://ssru.wordpress.com/

a posição tomada, por ssru

ou as divagações em noite de primavera, por ssru

Um dos últimos artigos publicados no JPN captou a nossa atenção de uma forma invulgar. Ao reflectirmos um pouco sobre o assunto, após uma acalorada discussão, decidimos por uma tomada de posição sobre a matéria, o que poderá ser considerado um desvio no nosso percurso editorial, ou talvez não!

O artigo da autoria da jornalista Mariana D’Orey refere-se a uma intervenção de rua, expressa no desenho de um pássaro branco, o tsuru, na forma gráfica de origami pintado, elaborado por um escultor de 29 anos, Ricardo Dias, que apresenta os seguintes argumentos:

(…) Se, à primeira vista, pode ser um “trabalho egocentrista”, depois “as pessoas podem retirar alguma conclusão, falar sobre ele”. “Vão-se questionar sobre quem o fez e por que é que o fez”, afirma, justificando a óptica da partilha da arte da rua.

Ainda assim lembra que a sua intervenção outside não têm uma “intenção política”. “O meu trabalho é poético. Não vincula uma ideologia reivindicativa ou reaccionária. É poético, é bonito, fala de uma lenda, a imagem é um pássaro… Onde é que ele intervém na sociedade?”, questiona. Mas a resposta vem célere:

“Intervém porque as pessoas questionam-se, dizem ‘este gajo é maluco [porque] meteu na cabeça que ia fazer mil pássaros’. Eu, aí, já estou a chocar a sociedade, há muitas pessoas que já falam do meu trabalho. Mas é sempre uma intervenção social”, justifica.(…)

Pois… a nossa posição sobre a matéria não pode ser assim tão leviana e frágil! O trabalho, como objecto estético é apreciável, tal como o seria se fosse de facto em papel, ou em folha de alumínio, ou outra coisa…

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Sem grande tolerância dizemos que se trata, aposto nos locais em que se encontra, de lixo urbano, de poluição ambiental, de vandalismo de propriedade privada e pública.

Vejamos um exemplo: o dinheiro dos nossos impostos pagou (e muito bem) as obras de conservação de que o edifício da Reitoria carecia há muito tempo. Ainda fresquinho e o Ricardo foi lá pintar no portão, provavelmente sem pedir autorização (dahh!), o seu ‘objecto de arte’, numerado e tudo. Novamente, sem sabermos quando porque pode demorar alguns anos, o dinheiro dos nossos impostos vai voltar a ser gasto para reparar e pintar o portão onde o Ricardo diz ter feito uma intervenção “poética e bonita”.

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Ó Ricardo, olha que também não é assim que pensam os proprietários dos prédios visados e os responsáveis pelos edifícios públicos em causa.

Queremos no entanto sugerir uma verdadeira intervenção poética, uma causa “à séria”, daquelas que até dá gosto:

propomos que o Ricardo e todos quantos quiserem, se juntem a nós (claro que iremos disfarçados) e abracemos uma limpeza urbana, por exemplo, da Rua de Cefofeita (tão desgraçadinha!), de toda a parte pedestre, o rés-do-chão de um lado e outro da rua, com os materiais e ferramentas certas que a CMP certamente nos emprestará (tal como fez na Ribeira) e só paramos quando aquilo explodir de tanto brilho. Os comerciantes de certeza que agradecerão, e pelo meio ainda nos servem umas cervejas e umas santochas de presunto para retemperar as forças.

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Aí sim, até dava gosto sentar naquele chão de calcário, estourados de tanto esforço e com os olhos baços, apreciarmos uma verdadeira obra de arte urbana.

Conseguem já imaginar? Conseguem ver a Rua de Cedofeita limpinha e com o sol a aquecer as montras, sem cobertura nem nada…?

e… por vezes acontece, por ssru

Por vezes, de tanto desejarmos, julgamos que por esse motivo as coisas acontecem. Neste caso não nos podemos queixar uma vez que as nossas ‘súplicas’, ainda que timidamente, foram atendidas.

Referimo-nos aos factos que a rubrica “tolerância zero” tem vindo a revelar e que no artigo o limite expectável recomendámos uma inversão na atitude seguida até aqui pela Porto Vivo e pelos serviços camarários: as placas de obras começaram a surgir.

Lamentavelmente… sim (repetimos) lamentavelmente, até temos razão nas nossas afirmações. As obras que decorrem estão a ser efectuadas sem licença ou alvará de construção. Sem dúvida, para além do desrespeito pela legislação em vigor, nomeadamente pela “Lei do Património”, estamos perante um caso de violação das regras da concorrência.

Queremos com isto dizer que uma empresa (qualquer que ela seja), aproveitando-se de um expediente ilegítimo obtém um proveito (e um currículo), que uma sua concorrente não possuirá apenas pelo simples facto de ser cumpridora.

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Mas, não fugindo nunca à nossa natureza intervencionista, gostaríamos de colocar duas questões a quem, por dever obtido pelo sufrágio popular, certamente nos concederá o privilégio:

1 – Se as obras não estão licenciadas (conforme diz a placa) porque razão se encontra o andaime a ocupar o passeio? Será por existir autorização camarária nesse sentido, algo que não deveria acontecer (conforme se lê no Código Regulamentar)? Ou por a CMP desconhecer e não fiscalizar (ou condescender, por ser para quem é), que igualmente não poderia acontecer?!

2 – A publicidade que se encontra colocada nos andaimes está sujeita a taxa municipal. Essa taxa foi cobrada?

Estamos certos que todos compreenderão que, apesar destas parecerem questões de somenos, levantam interrogações que colocam as práticas actuais num prato da balança de onde nunca deveriam ter saído.