os políticos às vezes têm razão…, por ssru

A época é festiva e longe de nós qualquer intuito de passá-la nas habituais lamúrias e lamentos, do tipo “os políticos são todos da mesma laia”, “o ano é novo mas os políticos são velhos” e por aí adiante.

Há, certamente, nesta triste e bisonha Portugália, políticos que, às vezes, estão cobertos de razão. Portugauleses serão eles, pois então, lutando ainda e sempre contra o invasor chico-esperto!…

Pacheco Pereira é um deles. De espada em punho, o (único?) ideólogo social-democrata lá vai brandindo argumentos e desfilando causas e análises. Em algumas, vá, uma quantas, acerta. As suas teses sobre o “situacionismo” no jornalismo desta Portugália enfadonha e dorminhoca são conhecidas e, normalmente, bem fundamentadas. Descontando-lhe uma certa verve intelectualóide que roça, muitas vezes sem necessidade, alguma arrogância, Pacheco Pereira suporta as suas análises numa amostra normalmente consistente de provas de que o jornalismo que por cá se pratica participa do adormecimento da sociedade, alinha facilmente com os poderosos, não investiga, não agita, não questiona, não faz pensar. É dócil e meigo, e perpetua com isso os ignaros e a ignorância individual e colectiva, como há tempos aqui defendemos.

Mas Pacheco Pereira tem, provavelmente, um problema: as lentes. Porque mesmo que não as use, ele só se mostra interessado em ver “uma” parte da realidade. Seria interessante que observasse, por exemplo, esta notícia. Sem essas lentes pré-coloridas, ele veria certamente o ridículo de uma cópia barata e mal arranjada do trabalho de levantamento analítico que ele mesmo faz, na qual alguém pago pelo dinheiro dos contribuintes se distraiu e nos quis distrair com uma argumentação sem pés nem cabeça, talvez própria de quem muito preza a subserviência silenciosa dos media e muito gostaria que esta também se aplicasse a si, em todos os momentos e instantes.

Mas há, felizmente, excepções. De facto, ao contrário do que Pacheco Pereira faz, ou seja, ao contrário de pesquisar, elencar e dissecar um conjunto crescente de textos e discursos jornalísticos que dão corpo e fundamentação às suas teses do “situacionismo”, que só são validáveis a partir desse conjunto vasto de informação publicada e nunca de episódios soltos ou isolados, a notícia publicada no site oficial da Câmara Municipal do Porto acusa um jornal (o Público) de, através da selecção editorial de uma fotografia (!), em que se vê o presidente da autarquia em pleno uso da palavra, estar a violar “regras éticas e deontológicas a que está obrigado, uma vez que a ilustração em causa não tem relevo para a notícia, antes pelo contrário, pretende apenas induzir uma imagem falsa e negativa da pessoa em causa, neste caso, do Presidente da Câmara Municipal do Porto” (sic).

Mas a hilariante denúncia vai mais longe, explicando que o problema não é o facto da fotografia ter sido tirada, mas sim ter sido propositadamente escolhida entre centenas de flashes disparados, fazendo com que o Presidente da Câmara do Porto apareça aos olhos dos leitores como uma figura desprovida de bom senso e intolerante na forma como se exprime, tentando retirar-lhe dignidade e sentido de estado” (sic). Estaremos, pois, perante uma verdadeira “pérola” que empalideceria qualquer semiólogo encartado desta pobre e (ainda assim) triste Portugália. É, seguramente, mais uma “pérola” que, essa sim, de facto, nos deveria fazer a todos duvidar, mais uma vez, do auto-proclamado “sentido de estado” do seu mentor.

Não haverá mais nada em que aplicar os parcos dinheiros públicos? De facto, alguns políticos, às vezes, têm razão… Portugauleses serão eles, porque os ignaros romanos já parecem ter tomado totalmente de assalto a aldeia, e, poção mágica que nos livre deles, nem vê-la!

nota a 12 de Julho de 2010: Interpretando a foto abaixo, extraída desta notícia, será lícito concluirmos que afinal esta posição do Sr. Presidente até é bastante comum, talvez fruto de muitas aulas de retórica e dicção em frente ao espelho…

Anúncios

os nossos votos, por ssru

Desejamos a todos Festas Felizes e Votos de um Natal repleto de valores, como a solidariedade, a compaixão, a fraternidade e a tolerância. À nossa Família e aos nossos Amigos os votos de um Santo Natal…

e que o Menino Jesus não permita que os ‘homens maus’ construam uma ‘cidade subterrânea’ debaixo da Igreja da Misericórdia.

a chacota vidrada, por ssru

“Caros amigos, espero sinceramente que esteja a ficar também do vosso agrado. Cumprimentos. ”

Foi desta forma que o Pedro Lopes, do Hard Club, se dirigiu à SSRU, dando conta da fase dos trabalhos de aplicação do novo revestimento cerâmico nas paredes interiores do edifício do Mercado de Ferreira Borges, juntando as excelentes fotografias. Muito obrigados ao Pedro.

Recentemente tivemos a oportunidade de ver de perto este trabalho e está muito bem acabado, criando um efeito cénico bastante agradável: o azulejo vermelho ferro com o metal da estrutura no mesmo tom, evidenciando as diferenças das texturas e das formas dos elementos (num e noutro sentido).

A chacota (ou biscoito) executada manualmente, apresenta formas irregulares, eventualmente pequenas imperfeições ou alteração nas dimensões e é por ventura mais espessa que a normal chacota de azulejo industrial; o que não significa um material menos nobre, pelo contrário este é o material mais caro e a sua utilização está normalmente associada à execução de obras com motivos antigos ou necessariamente no restauro de obras antigas. É a base ideal para produzir obras de motivos rústicos ou estilo século XVII ou XVIII.

A Majólica é uma técnica de produção vinda de Itália e introduzida na Península Ibérica em meados do século XVI. Não é simples clarificar a origem do termo; talvez uma locução italiana para Maiorca, porto de onde eram exportados os azulejos, ou uma metamorfose do termo Opera di Mallica usado desde o século XV para designar a mercadoria italiana exportada do porto de Málaga. O termo faiança, utilizado a partir do século XVII, tem origem no centro italiano Faenza onde era produzida esta cerâmica. A majólica veio revolucionar a produção do azulejo pois permite a pintura directa sobre a peça já cozida. Após a primeira cozedura é colocada sobre a placa um líquido espesso (branco opaco) à base de esmalte estanífero (estanho, óxido de chumbo, areia rica em quartzo, sal e soda) que vitrifica na segunda cozedura. O óxido de estanho oferece à superfície (vidrado) uma coloração branca translúcida na qual é possível aplicar directamente o pigmento solúvel de óxidos metálicos em cinco escalas de cor: azul cobalto, verde bronze, castanho manganésio, amarelo antimónio e vermelho ferro (que por ser de difícil aplicação pouco surge nos exemplos iniciais). Os pigmentos são imediatamente absorvidos, o que elimina qualquer possibilidade de correcção da pintura (designada decoração ao grande fogo). O azulejo é então colocado novamente no forno com temperatura mínima de 850°C revelando, só após a cozedura, as respectivas cores utilizadas. (ver excelente artigo na Wikipédia).

Se está bonito? Está! Se havia necessidade? Não, principalmente sem a autorização do senhorio!

Mas Pedro, a questão dos azulejos é menor comparada com a solução arquitectónica, essa sim, inviabilizando um espaço que se queria multifuncional e polivalente. E aquela empena toda do vizinho a olhar para nós…