e agora… algo diferente, por ssru

Haiti: Vale da Sombra da Morte, no Aventar

Nesta terça (11), a devastação assolou o Haiti. Deixou lacunas ao partir famílias e corações. Dentre as possíveis centenas de vítimas do terremoto, há quem chora a perda. Prantos são feitos. Lamentações, ditas. A fragilidade humana exposta, está amostra para que se veja o que se foi. Do pó, reduzidos às cinzas.

A morte é uma violência. Ela rompe com um ciclo de expectativa, de sonhos e de realizações. Em fração de segundos, um futuro, pensado para o distante, é interrompido sumariamente. Incompreensível e injusta, ela – a morte – possui ferrão doloroso cheio de veneno e provoca feridas excrucitantes.

Esses momentos de catástrofe demonstram que só a solidariedade vinda de um coração fraterno é o refúgio onde podem ser abrigadas as lágrimas de almas quebradas. Há 6 anos, um tsunami varreu o Oceano Índico. Milhares se foram. O sentimento aterrorizante de impotência é desesperador. E ainda assim, a morte jamais fica saciada.

Lá, na América Central, não morreram haitianos ou cidadãos de quaisquer outras nacionalidades, morreram pessoas. Morreu gente como nós: pais, mães, irmãos, irmãs, filhas, filhos, tios, tias, avós, avôs, trabalhadores, estudantes, empresários, mendigos, ricos, viúvos, solteiros, casados… Morreu, ali, um pouco de cada um de nós. Uma parte da humanidade.

CHICO JUNIOR

Chico Junior é brasileiro, graduado em jornalismo e em teologia, autor do blog Polipensamento

nota a 18 Janeiro 2010: Apesar de tudo, acreditamos que a maior prova de compaixão não consiste em expormos gratuitamente o sofrimento alheio. Algo que a avidez da “comunicação” actual não compreende, bombardeando-nos constantemente com imagens de horror (como um jornalista a falar para a câmara e a apontar para uma mão que sobra debaixo de uma laje de betão).

Anúncios