a tolerância zero #6, por ssru

Lamentamos imenso ter que o referir, mas até agora ainda ninguém conseguiu contradizer o que aqui vimos a afirmar, ninguém nos mostrou que estamos enganados, que se trata de uma injustiça quando espetamos os dedos nas feridas abertas do Centro Histórico do Porto. Já nos chamaram muita coisa, até comunistas, imaginem!?… atiraram-nos inúmeros impropérios, perseguem-nos como cães danados, mas ninguém pode concluir que somos ignorantes, ressabiados, ou desprovidos de razão.

Prova de tudo isto são os artigos dedicados às inúmeras obras ilegais que, neste caso, florescem pelos quarteirões da responsabilidade da Porto Vivo, numa rubrica a que damos o nome de ‘tolerância zero’, essa mesma que deveríamos dedicar ao assunto, mas que ninguém quer saber. Pois é, ainda não recebemos nenhuma prova de estarmos equivocados, vinda das partes visadas, que poderá justificar-se porque nos ignoram, mas certamente será também por ignorarem todos os restantes cidadãos do Porto e as leis que regem o País.

Pela ‘milionésima’ vez o Dr. Rui Rio, Presidente da Câmara Municipal do Porto, reformulou a macro-estrutura camarária e segundo as notícias que vieram nos jornais, a aposta desta feita será na fiscalização. Não sabemos se a Porto Vivo tem ou não alguma fiscalização (embora essa seja uma das suas principais tarefas segundo a legislação), mas pelas amostras, a existir não será de grande préstimo. Sabemos que as obras ilegais existem em toda a cidade, mas aqui neste centro existe uma instituição que consome inúmeros recursos à cidade e por isso, não deveriam existir (ao menos por isso) tantas irregularidades.

Em último caso caberá ao Presidente da Câmara responder, como é possível que debaixo das suas barb… do seu nariz, permita que casos como estes ainda aconteçam, sabendo que todos os olhos de dentro e de fora da cidade se viram para a Baixa e para o Centro Histórico?

O primeiro caso é para vos falar de um sujeito que se gaba de ser dono da Rua de Mouzinho e da Rua das Flores e que diz não precisar de fazer projectos, nem licenciamentos. Não está para isso! A sua marca parece ser a cor com que pinta os caixilhos dos seus prédios, um ‘bom azul’. Há umas semanas atrás, em plena luz do dia, ao subirmos a Rua das Flores em direcção ao metro de S. Bento, reparamos que estava estacionada uma carrinha à sua porta e descarregavam-se umas vigotas de betão armado para o interior. É sempre assim com este tipo de obras no Centro Histórico, em plena luz, sem medo! Parece que lhe apareceu uma equipa da polícia municipal… mas as obras lá continuam a julgar pelo barulho das máquinas no coberto dos vidros tapados.

A segunda obra de arte contou com a nossa assistência, quando fomos há uns dias almoçar ao “BOBY’S”. Àquela hora o barulho que vinha dos trabalhos que se desenrolavam nos pisos superiores era ensurdecedor e as empregadas pediam desculpa pelo sucedido mas não podiam fazer nada. Lembravam que na semana anterior é que tinha sido bem pior quando o tecto falso, ainda com as lâmpadas agarradas, caiu sobre os clientes e em cima do balcão. Ao nosso olhar interessado o ‘chefe’ lamentou que ao fim de mais de vinte anos tenha aparecido ‘um novo senhorio que os queria pôr de lá para fora’ para ali fazer um ‘hostel’. Foi por isso que começou a fazer as obras mesmo sem licença, provocando todo aquele barulho de propósito àquela hora. A virar costas ainda larga um “se fosse só o barulho… o pior é o resto!”, que nos deixou suspensos.

O terceiro caso também é em Mouzinho, claro, logo ali junto aos semáforos, em plena luz dos dias, bem sabem. Nada de especial ver uma carrinha em cima do passeio a carregar entulho, excepto quando esse entulho inclui vigas de madeira. Levaram as escadas que ligavam os pisos, as vigas dos pavimentos, as paredes interiores, os rebocos. Colocaram já umas vigas de aço! Tudo isto se percebe espreitando pelos vidros das montras sujos de poeira. E tudo isto está sujeito a licença para a execução deste tipo de obras em qualquer parte da cidade, quanto mais aqui neste lugar, património da humanidade. A ausência de placa de obra vem, para já, indiciar que estamos, infelizmente, certos.

Tem a palavra o Dr. Rui Rio, no âmbito das suas competências, certamente das suas responsabilidades, mas também pela imagem de seriedade, rigor e rectidão que cultiva e que os seus apoiantes ainda (?) lhe apregoam.

a razão de ser, por ssru

As notícias desta semana são avassaladoras e tiram-nos a barriga da fome. Se motivos fossem necessários para existirmos, aquelas são uns excelentes exemplos.

Muito ponderamos sobre a nossa actuação e se valerá a pena esta exposição, ainda que sob anonimato, não deixa de ser uma exposição por vezes prejudicada e incómoda para nós. Interrogamo-nos tantas vezes se valerá o esforço de remar contra esta maré que se encontra carregada de péssimos marinheiros, piratas em busca do ouro fácil, barões das especiarias de beira-rio.

A velocidade a que os desastres acontecem e saltam (felizmente) para a ribalta das notícias, assume frequentemente um efeito perverso e desmotivador que nos remete para a nossa insignificância, o nosso viver comezinho nesta rua do centro histórico que é igual a tantas outras, cheia de problemas de todo o tipo, sobretudo os sociais. Mas vamos aos assuntos:

PS e CDU temem consequências da “cidade subterrânea”

http://jornal.publico.pt/noticia/07-04-2010/ps-e-cdu-temem-consequencias-da-cidade-subterranea-19141073.htm

Este fantasma dura já há imenso tempo e nem com os nossos votos natalícios ele desapareceu. Ninguém foi capaz de dizer ao arquitecto Rui Loza que o que saiu da sua cabeça, preparando-se para ser realidade, é uma tremenda insanidade, mesmo que a Europa nos ‘ajude’ a pagar o bolo. Só alguém que abomina o Centro Histórico do Porto pode conceber algo desta magnitude, certamente coadjuvado por uns bobos da corte que orbitam pela Porto Vivo e pela CMP e colaboram nesta ignomínia. Para breve as nossas razões e explicações.

Esplanada de Parada Leitão abre hoje sob suspeita de ilegalidade

http://jornal.publico.pt/noticia/07-04-2010/esplanada-de-parada-leitao-abre-hoje-sob-suspeita-de-ilegalidade-19140992.htm

Que história rocambolesca esta, sendo que o mais curioso é que a obra é mesmo ilegal. Não é por os serviços camarários da via pública a terem aprovado, que ela assume a necessária legalidade para se poder materializar. E vejam, só agora, depois de pronta ou de iniciarem a construção é que foram pedir a opinião da tutela nacional! Sintomático! Este novelo está na calha para ser desenrolado, em breve.

Movimento pelos jardins do Palácio não desistiu de referendar o centro de congressos

http://jornal.publico.pt/noticia/07-04-2010/movimento-pelos-jardins-do-palacio-nao-desistiu-de-referendar-o-centro-de-congressos-19140827.htm

Já escrevemos aqui sobre este assunto e nessa ocasião surgiu a ideia dos novos corpos poderem aproveitar a construção do parque de estacionamento. Dada a ilegalidade que infesta todo este processo, mesmo com a reconhecida qualidade do autor do projecto, endereçamos um apelo ao Movimento para que não desista de ver reconhecido um direito de pertença da cidade aos seus cidadãos.

Ex-trabalhadores não entraram no Rivoli

http://jornal.publico.pt/noticia/07-04-2010/extrabalhadores-nao-entraram-no-rivoli-19141001.htm

Por fim e para não deixar de falar em ilegalidades, alguém poderá explicar-nos como é que uma situação destas acontece? Como é que os responsáveis por esta autarquia se permitem a este dislate? Trata-se de um processo com relativas semelhanças com o despedimento que há uns tempos aconteceu na FDZHP, alguém se lembra disso? Para onde foi esta mão-de-obra qualificada?

Em resumo, que podemos nós fazer perante tudo isto, esta força destruidora que é indiferente a tudo o que atrapalhe a sua visão saloia do lucro.

Para começar podemos existir! E depois esperar que alguém nos oiça…

o dia do Centro Histórico, por ssru

Há um ano atrás a administração da SSRU propôs-se assinalar a 1 de Abril, a passagem dos anos sobre a degradação dos centros históricos das nossas cidades, como no caso particular do Porto, instituindo o “Dia Nacional das Cidades com Centros Históricos Degradados”.

1 de Abril é sem dúvida o dia adequado para a efeméride, uma vez que vivemos ‘A GRANDE MENTIRA’, que reside no esforço que os nossos dirigentes anunciam empregar na preservação do Património Mundial, quando as provas inegáveis indicam o contrário, ou seja, ‘UMA REABILITAÇÃO ADIADA’.

Em contraponto com o dia 28 de Março, em que se festejou e comemorou o “Dia Nacional dos Centros Históricos”, instituído em 1993 num convénio celebrado entre o Governo e a Associação Portuguesa de Municípios com Centro Histórico, o nosso objectivo é assinalar a passagem de mais um ano sobre a degradação de um património comum, quase sempre de forma irreversível.

Estendemos este convite a toda a Blogosfera Nacional para se juntarem a nós, assinalando da forma que acharem conveniente a necessidade e o direito a um centro de cidade reabilitado, um CENTRO HISTÓRICO VIVO.

A SSRU propõe a publicação de um artigo que demonstre a nossa preocupação perante a passividade dos responsáveis pela preservação e salvaguarda de um património que é de todos.

Sem dificuldade, consideramos que essa preocupação ressalta e fica resumida, nestas duas imagens que se seguem.

Subitamente, este edifício (já vosso conhecido) tornou-se o centro das atenções da maioria das câmaras fotográficas do Mundo, chegando certamente a ser o edifício de arquitectura não monumental mais fotografado do Centro Histórico do Porto.

O feito é conseguido, não à custa de uma reabilitação exemplar, digna de um património da humanidade, mas tão simplesmente pelas figuras de papelão alaranjadas que um artista acidental colocou nas janelas, sem imaginar naquilo que a sua obra viria a tornar-se.

A antiga e mal afamada Hospedaria de Mouzinho aguarda por uma reabilitação patrimonial que lhe devolva a alma e a funcionalidade, talvez mais um hotel para a Baixa do Porto, talvez à espera que o vento lhe sopre de feição sem o deixar cair.

Esta estranha forma de reabilitar, por outro lado, ainda não nos deixa perceber totalmente a extensão do crime que está a ser cometido nestes edifícios do Centro Histórico do Porto, com o regresso sempre presente do velho fantasma do ‘Fachadismo’. Dá para perceber pelos camiões de betão que enchem os silos da argamassa e pelos pormenores construtivos que espreitam por detrás do véu, mas cremos que só depois dele cair se perceberá.

Como na maioria dos crimes só à posteriori descobriremos até onde os criminosos foram capazes de levar a sua sodomia.

Na maioria dos países civilizados, com sociedades organizadas e cidadãos em estado de alerta para as questões do Património, da Identidade e da Memória, esse tipo de pessoas costuma ser punido.

Não aqui!