o dia do Centro Histórico, por ssru

Há um ano atrás a administração da SSRU propôs-se assinalar a 1 de Abril, a passagem dos anos sobre a degradação dos centros históricos das nossas cidades, como no caso particular do Porto, instituindo o “Dia Nacional das Cidades com Centros Históricos Degradados”.

1 de Abril é sem dúvida o dia adequado para a efeméride, uma vez que vivemos ‘A GRANDE MENTIRA’, que reside no esforço que os nossos dirigentes anunciam empregar na preservação do Património Mundial, quando as provas inegáveis indicam o contrário, ou seja, ‘UMA REABILITAÇÃO ADIADA’.

Em contraponto com o dia 28 de Março, em que se festejou e comemorou o “Dia Nacional dos Centros Históricos”, instituído em 1993 num convénio celebrado entre o Governo e a Associação Portuguesa de Municípios com Centro Histórico, o nosso objectivo é assinalar a passagem de mais um ano sobre a degradação de um património comum, quase sempre de forma irreversível.

Estendemos este convite a toda a Blogosfera Nacional para se juntarem a nós, assinalando da forma que acharem conveniente a necessidade e o direito a um centro de cidade reabilitado, um CENTRO HISTÓRICO VIVO.

A SSRU propõe a publicação de um artigo que demonstre a nossa preocupação perante a passividade dos responsáveis pela preservação e salvaguarda de um património que é de todos.

Sem dificuldade, consideramos que essa preocupação ressalta e fica resumida, nestas duas imagens que se seguem.

Subitamente, este edifício (já vosso conhecido) tornou-se o centro das atenções da maioria das câmaras fotográficas do Mundo, chegando certamente a ser o edifício de arquitectura não monumental mais fotografado do Centro Histórico do Porto.

O feito é conseguido, não à custa de uma reabilitação exemplar, digna de um património da humanidade, mas tão simplesmente pelas figuras de papelão alaranjadas que um artista acidental colocou nas janelas, sem imaginar naquilo que a sua obra viria a tornar-se.

A antiga e mal afamada Hospedaria de Mouzinho aguarda por uma reabilitação patrimonial que lhe devolva a alma e a funcionalidade, talvez mais um hotel para a Baixa do Porto, talvez à espera que o vento lhe sopre de feição sem o deixar cair.

Esta estranha forma de reabilitar, por outro lado, ainda não nos deixa perceber totalmente a extensão do crime que está a ser cometido nestes edifícios do Centro Histórico do Porto, com o regresso sempre presente do velho fantasma do ‘Fachadismo’. Dá para perceber pelos camiões de betão que enchem os silos da argamassa e pelos pormenores construtivos que espreitam por detrás do véu, mas cremos que só depois dele cair se perceberá.

Como na maioria dos crimes só à posteriori descobriremos até onde os criminosos foram capazes de levar a sua sodomia.

Na maioria dos países civilizados, com sociedades organizadas e cidadãos em estado de alerta para as questões do Património, da Identidade e da Memória, esse tipo de pessoas costuma ser punido.

Não aqui!

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