a feira do livro, por ssru

Parece que nesta cidade tem que ser tudo assim, a ferro e fogo. Nada se consegue, nada se conquista ou realiza, que não seja embrulhado num manto de polémica. Até uma simples feira do livro, em tantas edições que já teve, em quase todas a sua ‘tripalhada’.

O que se passou agora? Não serve este local e querem outro, ou talvez não? Não há energia eléctrica para se transmitir um filme ao ar livre, mas precisamos de um culpado? Agora faz sol e calor, mas as pessoas não vêm na mesma? Os portuenses não compram tanto, o problema é da crise?

A utilização da avenida para eventos não deixa de ser uma forma de financiamento da autarquia, que bem precisa. A escolha dos eventos é que parece obedecer a uns critérios esquisitos, por vezes parece não existir critério nenhum.

Tal como a visita do Papa, cuja cerimónia necessitava de um lugar suficientemente capaz como a Avenida dos Aliados, para poder albergar uma multidão emotiva, a feira do livro parece-nos o evento que reúne maior dignidade e consenso para se efectuar na “praça nobre” da cidade. Uma celebração do Natal ou a festa do S. João, santo padroeiro dos portuenses, também não parecem mal a ninguém e alimentam a unidade e a identidade dos cidadãos que aqui acorrem como se a avenida fosse o único sítio possível. E é!

Muito se falou já sobre o assunto, principalmente na falta de condições da placa central da avenida para certos eventos, que no caso da feira do livro torna evidente o carácter espacial bastante deficitário, que sobressai também a quem a vê do lado dos passeios de fora. Fica tudo ali tão encolhido e abarracado, com aquelas ‘alcatifas’ no chão, a parecer um acampamento nómada. Sem alternativa, a feira fecha-se sobre si mesma, virando as costas à cidade, ainda que dentro dela, no seu centro.

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Assim, é nesse contexto que deixamos aqui uma solução possível, uma alternativa de localização, tão boa como as restantes, a avenida, a rotunda ou os jardins do palácio: é o Jardim da Cordoaria. Já foi feira e passeio da burguesia de outros tempos.

Tem sombra para quem a quiser, a disposição dos stands é a mais evidente e eficiente, sem falta de espaço ou conforto, garante a segurança dos utentes em relação ao trânsito que fica em segundo plano, não faltam espaços para as crianças brincarem, permite longos percursos para peões, quase não são precisas passadeiras para lá chegar, não falta estacionamento em parques subterrâneos ou à superfície, tem transportes públicos como autocarros e eléctrico, mas em breve terá o metro. É um espaço a meio caminho entre os dois maiores centros de actividades – a Boavista e a Baixa – com a Universidade ao lado, o quarteirão de Miguel Bombarda e o eixo dos Clérigos, vizinho da Cadeia da Relação (IPF). É um jardim aberto para a cidade (não intramuros como os jardins do Palácio de Cristal) que tem zonas adjacentes para servirem de apoio a actividades complementares, anfiteatros improvisados, praças e descampados, ambiente agradável para se abrir um livro logo após a compra. E ali tão perto não faltam também as zonas de “comes e bebes” e esplanadas.

Mesmo parecendo-nos uma solução evidente (até tem energia eléctrica e abastecimento de água), onde só encontramos os “prós” – ficando a aguardar que nos indiquem os “contras” – nem sempre assim é para os restantes, principalmente aqueles que decidem.

Permanece, como de costume, aquele sabor amargo de quem tem sempre que revirar as tripas e armar barraca, para poder receber aquilo a que tem direito. Coisa de segunda cidade do país, mas com complexo de… (escolham um)!

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