a vergonha estampada, por ssru

Caro Dr. Rui Rio, há situações que nos deixam embaraçados e feridos no orgulho. Há coisas que o Sr. ou o seu Executivo fazem e/ou deixam de fazer, que nos envergonham.  Bem sabemos que somos quatro anónimos e por esse (e só esse) motivo, não contamos para nada, bem como as nossas opiniões não possuem qualquer valor ou peso de qualquer tipo. No entanto, não conseguimos evitar esta, comezinha sim, mas triste vergonha. Apesar da nossa miserável condição, julgamos já ter percebido que amamos o Centro Histórico e a restante Cidade do Porto, esta mesma que o Sr. governa e da qual se tornou o primeiro responsável.

Sabemos que não é da sua responsabilidade a existência da droga e que indivíduos (maioria jovens) da sua cidade sejam toxicodependentes. Dizem-nos ainda que o Sr. até se esforça por “limpar” o Centro Histórico quando se desloca em visitas às instituições que aqui resistem – como é o caso da Porto Vivo – mandando as equipas de limpeza umas horas à sua frente, duas ou três vezes por mandato. Acreditamos que a tarefa de governar uma cidade, tem os seus prós e contras e que assuntos como estes que lhe trazemos, aqui neste sítio, são coisas de somenos, “peanuts” como dizem os ingleses que percorrem estas ruas. É evidente que deixamos assuntos, como o CMIN, para outros lhe fazerem ver a razão que toda a gente já percebeu não ter (mesmo tendo em conta que as regras possam não estar a serem cumpridas (?), porque há sempre dois pesos dependendo daquilo que está em jogo e do interessado, não é?).

No entanto, é da sua responsabilidade, ou do seu executivo, ou dos técnicos que tratam dos assuntos sociais e dos que fiscalizam o trânsito e o estacionamento da cidade, que este automóvel branco, estacionado na Rua de Mouzinho da Silveira há cerca de seis meses, seja uma “casa de chuto” com rodas – um “chutomobil”, em pleno centro histórico, dia e noite à vista de todos os que por ali passam. O que aqui acontece é um atestado de irresponsabilidade para as diferentes autoridades da cidade, um atestado de incompetência para os diferentes serviços camarários que possuem obrigações nesta matéria e não nos referimos apenas aos fiscais de trânsito, normalmente pessoas antipáticas, a roçar a falta de educação, intransigentes e sem o mínimo senso-comum quando se confrontam com o pedido de condescendência de um qualquer condutor. Todos parecem saber o que se passa, mas ninguém parece querer importar-se!

Esta situação envergonha-nos, anónimos moradores, comerciantes, trabalhadores que esperam o transporte na paragem ao lado, turistas que sobem e descem a rua, mesmo durante o dia (como já presenciámos), ali pertinho do antro que existe no Largo do Duque da Ribeira e na Viela do Anjo, donde saem os indigentes todos os dias e a qualquer hora, alguns para estas poltronas de l(u)xo, a servirem-se como se não existisse o resto do mundo, como se não houvesse amanhã. No fundo, Sr. Presidente saiba que nós o invejamos, por não ter que aqui passar diariamente e ainda lamentamos por não sermos capazes de lhe dizer isto doutra forma…

nota a 25 Agosto 2010: O que mais nos apavora é que, até certo ponto, todos os sinais de alarme de uma sociedade civil saudável foram activados. Uns chamaram a polícia, outros ligaram para a CMP, os agentes e os técnicos apareceram, mas a partir daqui nada mais foi feito. Um agente da polícia chegou a dizer que se não tivesse matrícula (o carro) poderiam actuar, assim não! Este sentimento de insegurança e impotência que a falta de resposta das autoridades nos transmite é avassalador.

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