a cadeira presidencial, por ssru

Os leitores deste sítio já se habituaram a que, de quando em vez, tenham que aturar uns “copy>paste” a que não resistimos. São artigos e escritos de pessoas que têm uma capacidade inata para colocar em palavras aquilo que verbalizamos ou sentimos, ou como referimos antes “(…) que a melhor forma de nos fazermos perceber seria podermos colocar em palavras aquilo que a maioria das pessoas pensa ou sente. Exemplificar uma situação, clarificá-la, torna tudo mais simples, o que nem sempre é assim tão fácil conseguir(…)”. Desta feita cabe a Tiago Azevedo Fernandes, autor do blog “A Baixa do Porto” nos deliciar com uma crónica cheia de humor e razão, que assinou na coluna que regularmente escreve no Jornal de Notícias.

Não queremos acrescentar muito mais, a não ser a lembrança dos preparativos de uma entrevista que Cavaco Silva deu à RTP, cujos serviços noticiosos abriam com dúvidas tão ‘importantes’ como “qual a cadeira que o Presidente irá usar (?)”, querendo isto remeter-nos, vá lá a gente saber porquê, para mais uma semelhança com o ‘dito cujo’ que caiu da cadeira. Assim, numa altura em que se começam a perfilar com maior nervosismo os apoios de direita, com sublinhado nosso, aqui fica:

foto retirada de video RTP

Meu caro Aníbal, por Tiago Azevedo Fernandes, no Jornal de Notícias 2010-08-26

Com a sabedoria da respeitável idade de 13 anos, passo os dias a meditar repousando na travesseira à janela. Arrependo-me de não ter actuado mais cedo, nos meus tempos de juventude. A situação do país é grave e tu não tens ajudado o suficiente. Observo o meu mundo com atenção, possuo o distanciamento conveniente para ver as consequências daquilo que fazes e, principalmente, daquilo que não fazes.

Não basta seres bem intencionado para o exercício das tuas funções ter um efeito positivo. Entre as causas dos problemas nacionais está a maneira como a tua geração pensou que bastaria entregar a Política a um pequeno número de pessoas “credíveis” para haver desenvolvimento sólido. Vindo de uma tradição salazarista, o país quis ser comandado pelo Estado. Só que a sociedade civil não funciona bem quando é comandada.

Repara como eu não me deixo dominar nem sequer pelas pessoas aqui de casa, de quem tanto gosto. Isso não impede uma relação muito feliz. Por um lado tenho acesso de qualidade aos serviços indispensáveis – comida e água fresca à disposição, cuidados de saúde quando necessário, habitação confortável, mimos em doses maciças; por outro respeito as regras de convivência, não provoco despesa excessiva, cumpro com grande produtividade a minha missão de dar alegria e bom ambiente à família. Cada um no seu lugar.

Grande parte da tua geração nunca vai compreender que o que está errado não é uma medida ou outra do Governo, é mesmo a forma como se governa. Aquelas pessoas têm de ser substituídas para deixar o país respirar melhor. Por isso a maneira mais construtiva de terminares o teu mandato é apressares essa mudança no parlamento e, por fim, não te recandidatares. Faz como eu: aprende a gozar o conforto de uma mantinha fofa. Aceita os cumprimentos da FM, uma gata portuense.

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