o estado imobilizado, por ssru

Os caros leitores que deram atenção ao artigo anterior, que contém a crónica JN de Tiago Azevedo Fernandes, certamente estarão conscientes que não faltarão exemplos da forma como este País tem sido governado ao longo dos, digamos, últimos trinta anos (excluindo portanto, os primeiros 6 anos do período pós 25 de Abril, para haver aqui uma folga justa). A nós não nos interessam as cores nem as ideologias, mas embora sendo apartidários somos intrinsecamente políticos como quaisquer outros seres humanos. Por isso, no computo geral a apreciação que fazemos dá razão à voz do Povo (leram bem, POVO!), ou seja: “a política portuguesa é uma fraude e nós somos indecentemente enganados”.

Tantos são os assuntos a necessitarem urgente transparência e este que vos trazemos pela escrita de um excelente profissional e amigo, Gonçalo Nascimento Rodrigues do blog “Out of the Box“, é mais um “copy>paste”, que merece ser republicado, para que não restem dúvidas que os cidadãos deste País não são quem os políticos pensam e que está certamente na hora de mudarem de vida. Quem sabe não estaremos a perder excelentes pasteleiros ou cozinheiros de pizzas. Estamos a precisar de novos ares…

Estado Português gasta ou ganha com Imobiliário?, Gonçalo Nascimento Rodrigues, 01 de Setembro de 2010.

Hoje gostaria de vos falar de uma notícia que saiu no Jornal Expresso no passado fim-de-semana, sobre vendas de património do Estado. Ao que parece, o Estado tem vindo a alienar património imobiliário por si ocupado, passando a pagar rendas. Até aqui, parece-me tudo normal, ou seja, o Estado está a efectuar operações de sale & leaseback de imóveis que ocupa, algo que me parece lógico. O Estado, para mim, não devet ser proprietário imobiliário de escritórios e serviços que ocupe, deve antes ser arrendatário e passar a posição de proprietário para investidores.
Uma operação de
sale & leaseback caracteriza-se pela venda de um imóvel, propriedade do vendedor, passando este para a posição de arrendatário desse mesmo imóvel. Pela venda, o proprietário recebe um valor acordado com o comprador, passando a pagar uma dada renda por um determinado período contratual.
Para o proprietário, trata-se de uma operação normal de financiamento da sua actividade com os seus próprios activos imobiliários, sendo uma operação bastante usual e até benéfica nos tempos que correm, de escassez de crédito bancário.
Sobre a forma como estas operações deverão ser estruturadas, da parte de proprietários e investidores, fica para uma outra oportunidade.
A notícia chamou-me a atenção para 2 aspectos: primeiro, ao que parece o Estado está a alienar património à Estamo, uma empresa do Grupo Parpública, detida pelo Estado. Parece-me estranho, vender imóveis a si próprio. Quem paga então? Mais estranho ainda é que o Estado passou a pagar rendas. Rendas! Não havendo um cash-flow líquido positivo nas contas do Estado (a mim, pessoalmente, pouco me interessa se é Estado ou universo empresarial do Estado, se é orçamento ou desorçamentação), passa então a haver um cash-outflow pelo pagamento de rendas? Quem ganha com isto? O Estado vende um imóvel, não recebe nada por ele (ou recebendo, tem de se endividar para o pagar) e ainda fica a pagar uma renda?!
Mais estranho ainda são as condições financeiras da venda. O artigo apresenta alguns exemplos em que a yield dos negócios rondou os 8%. Oito por cento?! Mas quem é que este Governo Socialista quer enganar?!

Se o Estado Português tem feito emissões de dívida a 10 e 15 anos sempre abaixo dos 5%, porque é que está a financiar-se a 8% com o seu património imobiliário? Não acredito que o Estado Português não consiga estruturar uma operação financeira com algum do seu património imobiliário a investidores qualificados por yields inferiores a 8%. Perdoem-me mas não acredito! E se o problema é perder a propriedade (justificação que encontro para vender à esfera empresarial do Estado), então que mantenham uma opção de recompra.
A minha pergunta é: Qual é o interesse em perder tanto dinheiro com operações destas? Quem ganha com isto, afinal?
Isto não me parece ser lá muito bom negócio (imobiliário)!

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