as tripas de fora, por ssru

Não falaremos neste artigo da iguaria portuense, o típico petisco das “tripas à moda do Porto”, esse mesmo que nos recusamos comer todas as quintas das semanas para não estragar o prazer e não ‘dar cabo’ do corpo, essa comida deliciosa do engenho de um povo maravilhoso e fraterno.

foto@google

Antes, com o embargo na escrita, mas que raio… nós queremos falar-vos aqui, mais uma vez, desta !coisa! a que chamam reabilitação urbana e que, pelos vistos, não sabem fazer senão assim. Já vos dissemos tanta vez, não é que não queiramos ver a cidade reabilitada, que sejamos do contra só por sermos, que só criticamos e não fornecemos as alternativas. Vocês também deviam fazer um esforço e ir um pouco mais além do que o simples e redutor “que giro”. Pensem no potencial que teria um Centro Histórico bem reabilitado e autêntico, segundo determinados pressupostos aceites por todos ou por uma maioria reconhecida e elucidada, segundo um plano com margem para as várias adaptações possíveis (que não são assim tantas).

Que interesses são estes que fazem vingar ideias que promovem a destruição gradual do edificado classificado como Património da Humanidade: “não é necessário um plano de salvaguarda ou um regulamento, cada caso é um caso”, ainda que previsto e obrigatório por Lei, podendo dessa forma os cidadãos e investidores serem elucidados acerca das regras que existem à partida, facilitando a transparência, o que parece não interessar a alguns; “só se aproveita a fachada”, como se o valor de um edifício se resumisse apenas a um plano vertical com buracos a que chamam janelas e portas; “é tudo para deitar abaixo e meter lajes de betão”, preconceitos criados em relação a uma falsa segurança estrutural, mas certamente respondendo a um crescendo de técnicos e artífices que desaprende de trabalhar a madeira, material ‘n’ vezes melhor, mais confortável, versátil e reversível, como até agora tem sido; “só tem viabilidade económica se emparcelarem vários edifícios”, como se aqui tivéssemos que aplicar os mesmos padrões de intervenção de outras zonas da cidade (ainda que possível e por vezes desejável, não devia ser a regra), destruindo tipologias, sistemas construtivos, cadastros…; “para atrair investidores temos que criar um produto atractivo”, como se o produto não existisse já e não fosse a possibilidade de desfrutar de um bem classificado, ele próprio único e de marca; “para vendermos o produto temos que criar estacionamento no prédio”, destruindo dessa forma o próprio produto, tipologicamente com uma ocupação mista de habitação nos pisos superiores e rés-do-chão com comércio ou serviços, pequenas oficinas de artífices ou armazéns de retalho, criando o ambiente que todos desejam para viver e trabalhar; por fim e não menos grave e importante que as restantes “o igespar é que empata isto tudo e não deixa fazer”. Não podiam estar mais enganados.

Eis aqui as provas… uma cidade com as tripas de fora, à moda da Porto Vivo!!!

à memória futura, por ssru

Um Bombeiro morreu ontem nas mãos da incúria e do desrespeito pelo Centro Histórico do Porto. Pouco interessa discutir de quem é a culpa, porque se quiserem mesmo saber, ela é toda NOSSA, cidadãos do Porto. Porque deixamos isto acontecer mais uma vez, porque sempre que acontece nada fazemos para obrigar os seus responsáveis a tomar medidas, porque enquanto a autarquia nos despreza e a Porto Vivo brinca aos planos de gestão tudo fica cada vez pior. Os últimos moradores do Centro Histórico ou morrem aos poucos ou são ‘exportados’ para a periferia. A cidade fica à mercê das chamas que pastam vorazes (até em noite de tempestade), em ruas estreitas, repletas de automóveis.

Para a nossa memória futura, para que ninguém esqueça um HERÓI que agora descansa…

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foto@DN Norte (15-11-2010)

Chefe foi combater fogo por falta de bombeiros e morreu