os trinta anos passados, por ssru

Pertencemos ao grupo de pessoas, cada vez maior, que considera que Portugal seria hoje um País diferente, caso o primeiro-ministro Francisco Sá Carneiro não tivesse sido assassinado. Diferente certamente, mas acreditamos que também seria muito melhor. Há trinta anos atrás, em plena adolescência, ficaram retidas na nossa memória colectiva as imagens televisivas a preto e branco de Raul Durão noticiando o acidente de Camarate. Era como se o relógio tivesse congelado o Tempo.

Sá Carneiro, era um portuense e tinha muitas das qualidades essenciais que faltam hoje à maioria dos políticos que lhe sucederam. Sem dúvida que a maior de todas era a CULTURA. Um indivíduo sem cultura não passa de um simples ser, um político inculto não passa de um pobre traste… com salário de príncipe.

“Francisco Sá Carneiro desempenhou um papel histórico no actual regime: reconciliou a direita portuguesa com a democracia. Esta foi uma missão para a qual estava vocacionado, por uma espécie de sentido messiânico, e em que viria a ser bem sucedido nos dois últimos anos da sua vida, desenrolados de forma vertiginosa, numa desesperada corrida contra o tempo. O facto de ter rompido com o regime anterior ao 25 de Abril após uma fracassada tentativa de levá-lo por rumos reformistas, como viria a suceder em Espanha, conferia-lhe uma legitimidade que poucos tinham na sua área política, dados os compromissos estabelecidos com a ditadura.

Venceu incontáveis batalhas internas até construir um partido influente, a partir de uma sólida base autárquica disputada quase câmara a câmara ao Partido Comunista. Teve razão desde o início ao defender a autonomia regional, o afastamento da tutela militar e o fim do virtual monopólio da economia pública no Portugal pós-25 de Abril. E superou o teste da governação, após duas maiorias conquistadas nas urnas, embora ninguém saiba até que ponto poderia vir a ser vítima dos próprios impulsos se o destino não o tivesse colocado na fatal rota de Camarate, faz agora precisamente 30 anos.” Por Pedro Correia | 04.12.10 em Sá Carneiro trinta anos depois.

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