o centenário da universidade, por ssru

A Universidade do Porto assinala esta semana o seu centenário. Orgulhosos por fazermos parte da grande comunidade de ex-alunos da maior Universidade do País, não podíamos deixar de mostrar o nosso apreço e saudade, a todos os nossos formadores, funcionários, colegas e amigos que partilharam connosco os melhores anos das nossas vidas.

U.Porto: 100 anos a construir o futuro“(…) 22 Março de 1911 é a data que os livros e arquivos de História assinalam como o primeiro dia da vida da Universidade do Porto. Contudo, as raízes da instituição remontam ao século XVIII e a uma combinação de experiências formativas que viria a projectar-se na futura Universidade. Neste contexto, a Aula de Náutica (1762) e a Aula de Debuxo e Desenho (1779) formam o primeiro embrião do Ensino Superior no Porto. A partir daí, a Academia Real da Marinha e Comércio (1803), a Academia Politécnica (1837), a Real Escola de Cirurgia (transformada, em 1836, em Escola Médico-Cirúrgica) a Academia Portuense de Belas Artes (1836, futura Escola Portuense de Belas Artes em 1881) são outras entidades que, até à primeira década do século XX, garantem uma oferta alargada de formação, em áreas ligadas às Ciências, Artes e Medicina.

É então sob essa base sólida de quase 150 anos de experiência formativa e científica que a U.Porto abre oficialmente as portas em 1911. Desde esse foco seminal, foram muitos os momentos que marcaram a vida da Universidade, com natural destaque para a criação das 14 faculdades que coabitam hoje no campus. A eles estão ligados outras tantas figuraslugares nos quais se perpetua a memória da instituição.

Fazendo da abertura à comunidade e ao tecido empresarial uma imagem de marca, a Universidade do Porto é também um importante motor de desenvolvimento económico, social, cultural, e científico na região e no país. Uma atitude que se projecta cada vez mais para o resto do mundo. Actualmente, a U.Porto ocupa uma posição privilegiada no panorama do ensino superior internacional, afirmando-se enquanto foco de atracção para milhares de estudantes e investigadores de todo o mundo. Trata-se do fruto de uma estratégia de internacionalização que contempla laços de cooperação e amizade com centenas de instituições do Ensino Superior dos quatro continentes.

O caminho está, porém, longe de estar concluído. “Somos do tamanho dos nossos sonhos”, diz o poeta. Na U.Porto, a grande ambição passa por afirmar a instituição entre as 100 melhores universidades europeias já em 2011, e no “top 100” do mundo até 2020. É para essa missão que trabalha diariamente uma comunidade académica dinâmica, cosmopolita, exigente e criativa, que faz da união e da inovação duas das suas principais armas.

É então com orgulho no seu passado mas profundamente comprometida com o presente e com os desafios futuros que a maior universidade portuguesa se apresenta ao mundo, Cem anos após a sua criação. Esta é a Universidade do Porto e está de portas abertas.(…)”

Bom de ler, para reflectir, é este artigo onde o Reitor da UP lança os desafios: Reitor pede a “geração à rasca” para que também procure soluções.

a política nocturna, por ssru

“A mobilização global tritura as nossas vidas produzindo mal-estar. As doenças do vazio (depressão, ansiedade, anorexia…) alargam-se, ao mesmo tempo, diga-se, que o sofrimento directamente associado à fome ou à morte. A miséria da abundância coexiste com a abundância da miséria. O mal-estar (social) pode constituir a nova questão social. Tem apenas que politizar-se. Em mais rigor: a politização do mal-estar é a prova e simultaneamente o momento de constituição da nova questão social correspondente à época global.” Santiago López-Petit, “A Mobilização Global”, tradução e comentários de Rui Pereira, Deriva Editores, Abril 2010.

O que aconteceu ali, naqueles rossios, praças e avenidas com o nome de Liberdade, na tarde de sábado, dia memorável de Março, o 12º, foi a percepção interior de cada indivíduo que, num gesto radical, pretendeu libertar-se de um modelo de vida que lhe é imposto como se de uma dádiva se tratasse, a qual não pode recusar. O que nós fizemos foi assim enunciado pelo filósofo espanhol, considerando que todo o nosso esforço deve consagrar-se a conseguir que o gesto radical se independentize do próprio acontecimento. A chave para isto encontra-se na insistência, na sua repetição.

A forma como nos é vendida a precariedade, significa sobretudo, que não existe fuga possível quando se está amarrado à vida que se tem, cujo único antídoto é “ser precário”, fazendo com que vivamos a vida em função da própria vida. Nesta mobilização global imposta a nossa vida não pode ser simples, aspirar a coisas verdadeiras que nos preenchem – como ter trabalho, família, uma casa – para se tornar complicada, sem tempo, urgente, neurótica, esvaziada de sentido.

Estar presente na manifestação “Geração à Rasca” personificou a afirmação do nosso “querer viver”, o romper do nosso contrato com uma vida hipotecada onde viver significa pagar a dívida que se contrai por estar vivo. Quem lá esteve presente pode experienciar a sensação de fazer parte de uma mole humana anónima em torno de uma causa comum que nenhuma outra foi capaz de alcançar: a afirmação de um movimento de resistência global que, ao expandir-se de forma tão esmagadora, expõe a ridículo o poder. “MÉRITO AO PODER” é o ‘slogan’ que, para nós, melhor evidencia esse lamaçal onde o Poder se encontra.

De olhos abertos foi possível perceber os mitos que caíam. A manifestação não tinha geração porque perpassava pessoas de todas as idades, um número imenso de indivíduos não possuía conta no facebook (a ferramenta da globalização utilizada para a combater) ou sequer computador, talvez a grande maioria nunca leu o manifesto que lhe embalava a vontade, ou sequer conhecia os rostos da convocatória. Uma manifestação política mas apartidária, contestatária mas não violenta, precária mas inspiradora.

Talvez por tudo isto é que as reacções de desagrado são ainda tão ferozes. Fosse pela formação académica dos promotores, a qualidade do texto do manifesto, a marca das roupas da geração à rasca, a incapacidade dos “Deolinda” para produzirem uma canção de intervenção, tudo serviu para boicotar um movimento genuíno que não precisou de licença para se afirmar.

Que parvos que são, não percebem que foram ultrapassados…

“Uma política nocturna é aquela que rompeu com as categorias políticas da modernidade, em especial com a noção de espaço político, ou espaço de aparecimento cuja origem remonta à polis grega. Em seu lugar, a politica nocturna emprega a sequência interioridade comum/força do anonimato/espaços do anonimato. O seu objectivo é que o mal-estar social se politize, que a força do anonimato consiga aceder a exprimir-se. Mas tal expressão não deve ser confundida com a sua representação. Pela sua própria essência, a força do anonimato escapa-se e desfundamenta toda e qualquer forma de representação. Desta maneira, inaugura-se uma nova política que tenta erguer uma terra de ninguém, que tenta construir uma gramática de gestos radicais. Uma política nocturna que, por não ter horizonte é imparável.” Santiago López-Petit, “A Mobilização Global”, tradução e comentários de Rui Pereira, Deriva Editores, Abril 2010.

o movimento milénio, por ssru

O Movimento Milénio é uma iniciativa nacional promovida pelo Expresso e Millennium de procura de respostas para o futuro, revelação de caminhos e tendências com verdadeiro impacto na vida dos portugueses. Lança o desafio a todos os cidadãos na procura de soluções para as grandes questões que vão definir e caracterizar a vida das próximas gerações de portugueses em quatro grandes áreas: Democracia, Negócios, Cidades e Consumo. O ponto de chegada de todas essas ideias, projectos e visões futuristas é o site www.movimentomilenio.com.

Com o objetivo de ‘envolver os cidadãos na vida local’ foi apresentado um projecto a concurso na área ‘Democracia’ subscrito pelo Movimento ‘Cidades pela Retoma’.  A proposta e o vídeo podem ser consultados aqui http://www.movimentomilenio.com/2011/03/objetivo-envolver-os-cidadaos-na-vida-local/ e o documento de suporte no link http://globalcity.blogs.sapo.pt/4627.html
Quem quiser votar neste projecto só tem de ir ao link referido  e clicar (do lado direito) onde diz: GOSTAM DESTE PROJETO

Movimento Cidades pela Retoma
http://www.facebook.com/CidadespelaRetoma
http://noeconomicrecoverywithoutcities.blogs.sapo.pt/
http://globalcity.blogs.sapo.pt/

o que nos falta afinal? por ssru

Se o que faz falta é outro Salazar, existe Rui Rio, por Ana Sá Lopes, em 04 de Março de 2011, ionline.

Rui Rio proclamou que a justiça “está pior do que no tempo da ditadura”. Quando se pensava que não podia ir mais longe, foi.
A nostalgia da ditadura é um monstro difuso na sociedade portuguesa e atravessa todos os estratos sociais. O que é evidente na chamada “conversa de taxista” – aquele invariável “o que fazia falta era outro Salazar” que quase todos nós já ouvimos mais de 25 vezes – surge em formas mais refinadas, mas não menos obscenas, nos discursos das elites. O incrível apego nacional ao mantra “isto está cada vez pior” torna quase óbvio que o período “melhor” fosse a ditadura ou, vá lá, os primeiros anos da Revolução, em que não havia nem água nem luz em boa parte do país, para não falar de hospitais decentes nem das estradas do professor Cavaco. Recentemente, um estudo, “As escolhas dos portugueses e o Projecto Farol”, atribuiu um número redondo a esta estranha categoria de disfunção com a realidade. Quase metade dos portugueses (46 por cento) acha que se vivia melhor antes do 25 de Abril. Belmiro de Azevedo, membro da comissão executiva do Projecto Farol, sugere razões para estes números assustadores: “Além de os portugueses estarem mal informados sobre o grau de desenvolvimento do país nas últimas décadas, conclui-se também que desconfiam dos poderes instituídos, apontam o Estado como figura central no desenvolvimento do país e sentem-se desconfortáveis com a globalização.
Ora este é o eleitorado com que um político com ambições tem de contar: os dois únicos políticos nacionais que conseguiram maiorias absolutas foram incansáveis na exploração desse tema. Cavaco Silva sempre recusou – à saciedade e ao absurdo – assumir-se como “um político”, à imagem e semelhança da técnica de Salazar. José Sócrates, que não se podia dar a esse luxo devido à ascensão no seio do aparelho socialista, usou e abusou dos argumentos da “autoridade” quase ditatorial.
Mas existe um terceiro político que está a fazer o seu caminho discreto para adquirir as devidas credenciais de “possível Salazar dos tempos modernos”, categoria essencial para a ascensão no imaginário da nação. Chama-se Rui Rio, é presidente da Câmara do Porto, tem inegáveis qualidades e defeitos e é um herdeiro natural do cavaquismo. Ontem Rio proclamou que “a justiça em Portugal está pior do que nos tempos da ditadura”, ao que parece descontando “os julgamentos políticos”. E quando se pensava que Rui Rio não poderia ir mais longe, foi: “Se não fossem os políticos, era fácil resolver o problema.”
O cargo de líder do PSD não está vago, mas a qualquer momento pode ficar. E se o que faz falta é outro Salazar, Rui Rio reúne as condições necessárias ao bem da nação.
Alguns de nós, poucos pelos vistos, sabem quem é Rui Rio. Muitos perguntam ainda porque razão Francisco Assis não teve a coragem e ousadia de expor aquilo que sabia sobre o seu rival candidato à presidência da câmara, algo que o remeteria a um merecido ostracismo – donde provavelmente sairia rapidamente, dada a qualidade da memória dos portugueses – escondendo-se naquilo a que ’embrulhou’ com a “ética política”, ou coisa assim…
Aos poucos RR vai cedendo ao nervoso miudinho das matilhas de “moços e moças” que o rodeiam, prontos para o assalto, para destituir a ‘escumalha que lá está’, como se fossem muito melhores e diferentes em vez de seiva do mesmo tronco. Aos poucos o discurso politico deixa de ter um carácter municipal, alargando-se progressivamente, mais depressa ou devagar conforme a necessidade, ao âmbito nacional. O que esperas Pedro???
Temos a certeza que não faltara no País quem vote em Rui Rio: uns pelo seu RIGOR e SERIEDADE; outros, talvez a maioria, por aquilo que fez ao Futebol Clube do Porto e a Pinto da Costa (como se este não se estivesse a borrifar para aquilo que ele fez ou pensa). Como bom vendedor que é (em referência ao património da cidade) certamente conseguirá vender, mais uma vez, a sua imagem impoluta a quem o quiser!