o que nos falta afinal? por ssru

Se o que faz falta é outro Salazar, existe Rui Rio, por Ana Sá Lopes, em 04 de Março de 2011, ionline.

Rui Rio proclamou que a justiça “está pior do que no tempo da ditadura”. Quando se pensava que não podia ir mais longe, foi.
A nostalgia da ditadura é um monstro difuso na sociedade portuguesa e atravessa todos os estratos sociais. O que é evidente na chamada “conversa de taxista” – aquele invariável “o que fazia falta era outro Salazar” que quase todos nós já ouvimos mais de 25 vezes – surge em formas mais refinadas, mas não menos obscenas, nos discursos das elites. O incrível apego nacional ao mantra “isto está cada vez pior” torna quase óbvio que o período “melhor” fosse a ditadura ou, vá lá, os primeiros anos da Revolução, em que não havia nem água nem luz em boa parte do país, para não falar de hospitais decentes nem das estradas do professor Cavaco. Recentemente, um estudo, “As escolhas dos portugueses e o Projecto Farol”, atribuiu um número redondo a esta estranha categoria de disfunção com a realidade. Quase metade dos portugueses (46 por cento) acha que se vivia melhor antes do 25 de Abril. Belmiro de Azevedo, membro da comissão executiva do Projecto Farol, sugere razões para estes números assustadores: “Além de os portugueses estarem mal informados sobre o grau de desenvolvimento do país nas últimas décadas, conclui-se também que desconfiam dos poderes instituídos, apontam o Estado como figura central no desenvolvimento do país e sentem-se desconfortáveis com a globalização.
Ora este é o eleitorado com que um político com ambições tem de contar: os dois únicos políticos nacionais que conseguiram maiorias absolutas foram incansáveis na exploração desse tema. Cavaco Silva sempre recusou – à saciedade e ao absurdo – assumir-se como “um político”, à imagem e semelhança da técnica de Salazar. José Sócrates, que não se podia dar a esse luxo devido à ascensão no seio do aparelho socialista, usou e abusou dos argumentos da “autoridade” quase ditatorial.
Mas existe um terceiro político que está a fazer o seu caminho discreto para adquirir as devidas credenciais de “possível Salazar dos tempos modernos”, categoria essencial para a ascensão no imaginário da nação. Chama-se Rui Rio, é presidente da Câmara do Porto, tem inegáveis qualidades e defeitos e é um herdeiro natural do cavaquismo. Ontem Rio proclamou que “a justiça em Portugal está pior do que nos tempos da ditadura”, ao que parece descontando “os julgamentos políticos”. E quando se pensava que Rui Rio não poderia ir mais longe, foi: “Se não fossem os políticos, era fácil resolver o problema.”
O cargo de líder do PSD não está vago, mas a qualquer momento pode ficar. E se o que faz falta é outro Salazar, Rui Rio reúne as condições necessárias ao bem da nação.
Alguns de nós, poucos pelos vistos, sabem quem é Rui Rio. Muitos perguntam ainda porque razão Francisco Assis não teve a coragem e ousadia de expor aquilo que sabia sobre o seu rival candidato à presidência da câmara, algo que o remeteria a um merecido ostracismo – donde provavelmente sairia rapidamente, dada a qualidade da memória dos portugueses – escondendo-se naquilo a que ‘embrulhou’ com a “ética política”, ou coisa assim…
Aos poucos RR vai cedendo ao nervoso miudinho das matilhas de “moços e moças” que o rodeiam, prontos para o assalto, para destituir a ‘escumalha que lá está’, como se fossem muito melhores e diferentes em vez de seiva do mesmo tronco. Aos poucos o discurso politico deixa de ter um carácter municipal, alargando-se progressivamente, mais depressa ou devagar conforme a necessidade, ao âmbito nacional. O que esperas Pedro???
Temos a certeza que não faltara no País quem vote em Rui Rio: uns pelo seu RIGOR e SERIEDADE; outros, talvez a maioria, por aquilo que fez ao Futebol Clube do Porto e a Pinto da Costa (como se este não se estivesse a borrifar para aquilo que ele fez ou pensa). Como bom vendedor que é (em referência ao património da cidade) certamente conseguirá vender, mais uma vez, a sua imagem impoluta a quem o quiser!
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