o dia 1 de abril, por ssru

“BOAS NOTÍCIAS PARA O CENTRO HISTÓRICO DO PORTO”, 1 de Abril, 2011

Dos 653 prédios em mau estado ou em ruína na Zona Histórica, anteriormente referidos num nosso artigo, restam agora, apenas, 652 edifícios degradados e identificados no Plano de Gestão do Centro Histórico do Porto. A proeza foi obtida pela acção diligente e coordenada da Protecção Civil e dos Serviços Camarários, preocupados com o estado lastimável em que o edifício se encontrava, procedendo à sua demolição, uma solução inevitável que se afigurou como única.

Como vem sendo hábito, a SSRU assinala a 1 de Abril [não comemora ou festeja, porque não existem motivos para tal], o “Dia Nacional dos Centros Históricos Degradados”, em clara oposição à cínica celebração que se efectua no Porto e em todo o País a 28 de Março.

Conforme se constata na notícia do “dia das mentiras”, acima, resolvido que ficou o problema, os convivas devem ter celebrado o extraordinário feito numa faustosa almoçarada. Se esta lógica passa para os ambientalistas, o lince ibérico (por exemplo) tem os seus dias contados, uma vez que se encontra em vias de extinção e ainda acabamos de vez com o pobre e arruinado bichano. Se esta lógica prospera para os actos médicos, poderemos começar a racionar os medicamentos a doentes cujo risco de falecerem é maior que o dos restantes! E por aí fora…

O edifício em questão, era um dos imóveis mais antigos da Zona Histórica da Vitória, datado do século XVI, com dois pisos de granito e mais dois pisos superiores, avançados, em taipa. Definia um gaveto importante na relação entre os edifícios monumentais das vizinhanças – Cadeia da Relação e Torre dos Clérigos – e os restantes envolventes.

Existindo mais alguns exemplares deste tipo de edifícios na cidade, são, contudo, raros porque a evolução urbana dos séculos seguintes, particularmente na época dos Almadas, provocou uma espécie de revolução urbana na imagem da cidade. Chegou até nós num estado de conservação possível e uma das razões para tal acontecimento, prende-se com o facto de ser um gaveto e dispor de pouca área fundiária, ficando assim a coberto da especulação imobiliária.

Ou seja, estamos a falar de um “velhinho”, com cerca de 500 anos, que não merecia tamanha ignorância interventiva.

Esta situação é, de alguma forma, semelhante à acontecida no edifício de esquina da Rua Escura com a Travessa de S. Sebastião, frente às escadarias do Largo da Sé. Nesta situação as autoridades competentes colocaram uma estranha estrutura em aço para suportar os edifícios vizinhos, não se percebendo porque razão, esta não foi colocada para evitar que os velhos edifícios “caíssem”. Se esta é a solução para, depois da demolição segurar os edifícios vizinhos, porque não é a receita para evitar que estes sejam suprimidos.

Adivinha-se, pois, ser esta a panaceia para os restantes edifícios nas mesmas condições… incluindo os mais recentes como a Casa das Artes ou a Casa do Cinema (fora do centro histórico)!!! Em época baixa para os incêndios mantemos assim ocupado o pessoal.

Os cérebros que comandam este tipo de decisões sobre questões de património histórico e arquitectónico, podem ser entendidos como dementes ou desviantes…

É curioso o facto desta rapidez da autorização para demolir estes edifícios em zona histórica classificada, ser sempre relativa a situações em que os imóveis são de entidades públicas (tal como este será!?), o que leva a supor que, se os imóveis fossem privados, estes seriam obrigados a reabilitar, sendo vedada a sua demolição.

Estas são algumas das verdades do dia das mentiras… E vocês perguntam “como é isto possível?” e nós respondemos “não sabemos!”

Anúncios