a 2ª conferência no porto, por ssru

Depois do sucesso da primeira edição, a Associação de Cidadãos do Porto e o Porto24 estão a organizar um novo evento Cidades pela Retoma no Porto. Vai ser já nos próximos dias 3 e 9 de Junho (Sexta e Quinta-feiras), no Auditório do P.INC:  Pólo de Indústrias Criativas – UPTEC. Ficam os detalhes.

2ª Conferência Cidades pela Retoma Porto

A segunda conferência Cidades pela Retoma no Porto é dedicada a projectos que estão a nascer na Cidade numa altura de grande crise e incerteza. Serão duas conversas em torno de projectos desafiadores, de natureza empresarial ou cívica, promovidos por cidadãos e pautados pela criatividade.

3 Junho (21h00-23h30)

Boas-vindas | Miguel Barbot | ACdP

Reabilitação Low-cost | Filipe Teixeira | Plano BLow-cost Houses

A criatividade em tempo de crise: caso FilmesdaMente | Nuno Rocha e Victor Santos | FilmesdaMente

Projecto Es.Col.A | João Taborda e Ewelina | Es.Col.A: espaço autogestionado do Alto da Fontinha

9 junho (21h00-23h30)

Boas-vindas | Vitor Silva | ACdP

Media pela Cidade | Ana Isabel Pereira | Porto24

Por uma reabilitação urbana Open Source | Adriana Floret e David Afonso | Floret Arquitectura

Ideias para a Cidade | Alexandre Ferreira e Pedro Menezes Simões | ACdP

Global City 2.0 e encerramento | José Carlos Mota | Cidades pela Retoma

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Associação de Cidadãos do Porto

A ACdP é uma organização informal e aberta a todos os cidadãos preocupados com o futuro do Porto, que tem como um dos seus objectivos criar pontes entre as pessoas e grupos que de alguma forma intervêm no sentido da melhoria da qualidade de vida na Cidade.

WebFacebook

Porto 24

A Porto24 é uma rede de informação local dedicada ao Grande Porto. Nasceu em Dezembro de 2010 e inclui um jornal, o Porto24, uma revista de arte cultura e lazer, a Praça, e um guia de locais, o Locais. Cada utilizador da rede Porto24 tem uma página de perfil onde, entre outras coisas, pode guardar notícias e reportagens para ler mais tarde, recomendar conteúdos a outros utilizadores, criar grupos de interesse e seguir a actividade de outros membros da comunidade. O projecto tem uma forte componente multimédia e quer estar próximo dos seus utilizadores.

www.porto24.ptpraça.porto24.ptlocais.porto24.ptcomunidade.porto24.pt

Movimento Cidades pela Retoma

O Cidades pela Retoma é um movimento cívico dedicado a discutir e promover o papel das cidades em tempos de transição dos modelos sociais e económicos. Parte do princípio de que as cidades são um contexto especialmente indicado para produzir inovação social criativa, rápida e profunda.

Foi desenvolvido no espírito do Ano Europeu do Voluntariado para promover uma cidadania mais activa e tenta envolver cidadãos, grupos e instituições em todo o mundo. Para isso, montou o projecto Global City 2.0, um ‘mapa’ mundial de sites e blogs sobre temas e problemas urbanos, da escala da rua à da cidade, promovidos por gente empenhada em pensar colectivamente sobre o futuro dos sítios em que vive e trabalha. O objectivo é promover a troca de conhecimentos e experiências e fazer circular ideias e soluções que, venham de onde vierem, possam ser aplicadas localmente. O Movimento está representado em todo o País.

WebFacebook

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Auditório do P.INC:  Pólo de Indústrias Criativas – UPTEC | Praça Coronel Pacheco, 2, 4050-453 Porto

Inscrições: acdporto@acdporto.org

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a incoerência na decisão, por ssru

Em reunião camarária de 4 de Março de 2008, há mais de 3 anos atrás, foi aprovada a proposta de lançamento do concurso público para a (?) privatização (?) do Mercado do Bom Sucesso, com os votos da coligação que governa a CMP, a abstenção do Partido Socialista e voto contra da CDU. Os vereadores do PS tinham justificado a abstenção dizendo: “A Câmara corrigiu e melhorou. Achámos que devíamos dar o benefício da dúvida” e “O que mudou é muito mais do que o nosso sentido de voto. Foi ter um caderno de encargos com uma ideia”.

Com o caminho livre, a autarquia lança o concurso público internacional de concepção/construção/exploração de uma obra num excepcional equipamento público, de todos os portuenses (e não só), concessionando-o a privados por um período de 50 anos, prorrogável por mais vinte, um total de 70 anos (duas gerações). Estabelece com isto, uma das famosas PPP’s – parceria público privada – invertendo os papéis que a nível nacional se desenrolam entre partidos políticos opostos no Governo e na Oposição. Para quem ainda não sabe o que é uma PPP, resumiremos dizendo que é um daqueles contratos feito entre um agente da administração pública e um agente privado, onde se prevêem cláusulas blindadas que, invariavelmente, protegem o segundo, que avança com o capital e os recursos que o primeiro não tem ou não quer dispor. Este arrecada votos com a obra feita e que mais tarde todos iremos pagar, numa facturação super inflacionada pelo tempo e pelos imprevistos. Também não é invulgar vermos alguns dos agentes públicos que assinaram este contrato, ingressarem nos quadros do parceiro privado, às vezes antes de terminarem o mandato que o povo lhes atribuiu.

No início tudo são rosas, mas desde logo começam a aparecer os tais imprevistos: “A empresa que ganhou o concurso público de reabilitação e exploração do Mercado do Bom Sucesso, no Porto, não deverá pagar os 45 mil euros anuais de renda fixa durante 38 anos que foram anunciados. Isto, porque a Eusébios, apesar de obrigada a disponibilizar dois milhões para indemnizar os comerciantes que não queiram permanecer no mercado ou para realojar, durante as obras, os que ficarem, pode deduzir 50 por cento desse montante na renda fixa a pagar ao município. (…) Esta foi a fórmula encontrada pela autarquia para apoiar o concorrente. Dos dois milhões que a Eusébios disponibiliza, na prática, 50 por cento correspondem a uma espécie de adiantamento à câmara do valor da renda fixa anual. O que significa que, até atingir o milhão de euros (partindo do princípio que os dois milhões serão gastos), a Eusébios não paga renda fixa. Neste período, a autarquia receberá apenas o valor da renda variável e que corresponde a 1 por cento dos proveitos globais (…)”. Perceberam, dois milhões!!! Daqui a uns anos, quando o centro comercial estiver a funcionar e todos percebermos que não há população ou turistas suficientes para tantas camas, escritórios e lojas no mesmo sítio, o parceiro accionará uma cláusula que penaliza a Cidade por não se ter preocupado em cumprir os termos do contrato, fornecendo os seres humanos necessários para que as contas batessem certo com o apurado estudo de viabilidade económica.

Entretanto a cidade já perdeu mais um exemplar da sua excelente arquitectura.

Desde que o assunto passou, desta forma torpe, para a agenda pública dos cidadãos do Porto, que nós percorremos todas as discussões, notícias e acções que nos informem e permitam tomarmos as posições melhor fundamentadas. Reparamos que durante este período, com excepção das acções do Movimento Bom Sucesso Vivo, raras têm sido as vozes que colocam a tónica na adulteração do valor patrimonial de um exemplar quase único da arquitectura moderna do século XX. Agora que o processo chega a uma nova fase e a autarquia pretende fechar o edifício no final do mês, poucas são ainda as forças que se mostram capazes de impedir tamanha vilanagem. Tanto tempo perdido!

Álvaro Siza considera que o edifício vai ser desvirtuado e descaracterizado; Eduardo Souto Moura concorda com a alteração de uso, mas acha que o projecto “está aos berros”; a Ordem dos Arquitectos acordou agora para “mediar um debate aberto à participação cívica sobre o futuro do Mercado do Bom Sucesso, na perspectiva de ser ainda possível encontrar uma solução consensual para o mesmo”; Paula Silva, Directora da DRCN e ex-técnica do CRUARB, aprovou o projecto agora apresentado considerando que “a fachada exterior não é mexida. De acordo com os desenhos, é integralmente conservada. Trata-se de uma solução idêntica à do Mercado Ferreira Borges: constrói-se no interior sem alterar o exterior”…; Na mesma vertente, Hélder Pacheco (de quem esperamos sempre muito mais), Professor, Escritor e membro do Conselho Consultivo da SRU, cai no argumento fácil e solta que “o mercado, tal como está, é uma perfeita inutilidade e hoje é corrente este tipo de reabilitação”; para ser contradito por Germano Silva, Jornalista e Historiador, para quem “tirar-lhe o cunho de mercado é desvirtuar o objectivo para o qual foi criado. É necessário, isso sim, adaptá-lo às exigências actuais”!

Correspondendo ao apelo que o MBSV lançou, sob a forma de “Acção de Protesto e Cidadania”, a 19 de Maio passado, mesmo sabendo que todos os apoios são poucos, confessamos o humano sentimento de desconforto que sentimos ao constatar a presença de algumas personalidades (nomeadamente as do PS) que já tiveram melhores oportunidades de tomar as posições certas e não o fizeram, quer seja por incoerência ou por irresponsabilidade.

nota a 02 de junho de 2011: não deixa de ser caricato e digno da maior incoerência, que no mesmo dia que estava previsto o encerramento do mercado (que apenas agoniza mais uns dias) sejamos confrontados com a notícia de abertura de uma cadeia de “supermercados de bairro” do Grupo Sonae. Ironia do destino, terem entregue as chaves da Cidade a quem apenas beneficia com ela, dando em troca algo que a perverte.

o mercado do bom sucesso, por ssru

O mercado do Bom Sucesso, edifício onde a geometria explora a decoração das fachadas nos arruamentos e atinge o esplendor no seu interior, surge da necessidade de dar resposta ao crescente desenvolvimento da zona oeste da cidade em substituição do obsoleto e antigo Mercado do Anjo.

A maioria de nós regozija-se pela classificação recente de Imóvel de Interesse Patrimonial, julgando com isso poder impedir que os males maiores que todos adivinham, venham a acontecer. Dá a sensação que as pessoas julgam existir sempre um agente bom e um outro mau que nos quer estragar a vida. Neste caso é notório que a CMP e o Privado agem em sintonia, em parceria, aproveitando-se de algo que tem um propósito benéfico, com o único fim de usufruir apenas dos benefícios fiscais que advêm dessa classificação “salvadora”.

A DRCN já esclareceu que “desde que os volumes não interfiram com a estrutura” é possível obter um parecer positivo daquela instituição (cuja directora já deu inúmeras provas de permeabilidade, para sermos brandos). Portanto, esperarem para o dia da classificação do imóvel para assinarem o contrato de parceria apenas teve como único e macabro objectivo usufruir dos benefícios fiscais que o Estado promove para a reabilitação.

Assim, tudo se prepara para que a população do Porto veja ser-lhe subtraído mais um equipamento marcante da sua história e da sua paisagem urbana, contentor de um significado social, cultural e económico de importância suficiente para que, até um agente político “menos preparado” como os que temos, deseje preservá-lo. À falta de razoabilidade da sua degradação e menores condições infra-estruturais, junta-se a insensatez da mudança de uso através da alteração morfológica, irremediável, do seu interior para algo que a vizinhança já oferece em excesso.

Muitas cidades da Europa e do Mundo ensinam-nos uma relação de proximidade com os equipamentos e com os espaços públicos que nos faz sentir utilizadores/proprietários, como é o caso dos mercados de tantas cidades que já visitamos e onde somos convidados a entrar. A alternativa a estes espaços é a opção cada vez mais periférica dos centros comerciais e hipermercados globalizantes que nos consomem o nosso Tempo, em contra-ciclo com o desejo de repovoação dos centros das cidades. Como é possível desejarmos que as pessoas habitem a Baixa e sejam obrigadas a deslocarem-se até à Circunvalação para fazerem compras?

Para quê esperar pela História para emendarmos a mão, se com as suas lições mostramos ter aprendido tão pouco?

o mercado do bom sucesso, há vinte anos atrás

a magnífica fachada posterior, muito antes da obscura cobertura de passageiros que agora a definha

Caros amigos e amigas,
Como sabem o Mercado do Bom Sucesso está ameaçado de ser transformado em shopping pela Câmara do Porto que o concessionou a uma construtora de centros comercias por 50+20 anos.
Acontece que só são conhecidos desenhos a 3D dessa ideia, que representam uma destruição do Mercado tanto em termos de estrutura como de funcionalidade. (ver mais informação no nosso Blog)
Mesmo sabendo que não há ainda projeto de arquitetura submetido ao IGESPAR (o edifício foi considerado de interesse nacional em 25 de Janeiro, devendo estar como tal protegido), o Mercado já tem encerramento anunciado para o próximo dia 25.
Dia 19, 5ª, às 17h, haverá uma concentração de protesto à porta do Mercado, para a qual apelo também à vossa participação.
As nossas saudações,
Paula Sequeiros
Movimento Bom Sucesso Vivo

respirava vida, há vinte anos atrás

o movimento constante de pessoas, há vinte anos

no tempo em que não havia asae

o seu desenho é extraordinário, mesmo a precisar de umas pinturas, há vinte anos atrás