a resposta do Hard Club, por ssru

Poderá tratar-se de uma estúpida precipitação ou de um optimismo desregrado, mas a nossa necessidade de acreditar em algo positivo é que nos motiva. Desta vez, vir a reconhecer que erramos não nos preocupa, pois a satisfação de escrever este artigo, por agora, supera tudo.

O repto que lançámos, no final do ano passado, aos responsáveis pelo HARD CLUB, nomeadamente ao Paulo Ponte, a quem enviámos uma carta aberta, teve como resposta um imenso e agradável silêncio. Pedíamos então que a disseminação de cartazes a anunciar os espectáculos pelo Centro Histórico, fosse interrompida e substituída por outras formas de divulgação, utilizando para isso a infindável imaginação e engenho artístico do grupo a que o Paulo pertence.

Colocada desta forma, que resposta poderia ter a questão? Viria o Hard Club dizer que é assim que toda a gente faz, até a própria Câmara Municipal e por isso era legítimo? Que não são eles que colam os cartazes e por isso não são os responsáveis pelos actos de vandalismo que aqueles rapazes, que se deslocam numa carrinha branca pela madrugada, cometem? Que (esta é boa!) é uma forma de reabilitação pois “decora” as paredes degradadas do Património da Humanidade e ainda informa o cidadão dos diferentes espectáculos que se encontram em agenda?

Nada nos foi respondido, porque se assim fosse nós retorquíamos numa assentada, que a estupidez da CMP (e tantos outros) não legitima os nossos erros; que não existe lógica nenhuma em pagar a feitura e colagem de cartazes, que nem chegam a cumprir o seu fim porque logo lhe colam outros em cima, considerando-se por isso como autores materiais do crime de degradação de património alheio; e que na nossa cartilha só existe uma forma de reabilitação e nela não se encontra incluída a colagem de cartazes (por vezes magníficos), nem a pintura dos mais lindos ‘graffitis’ que se possam imaginar ou qualquer outra forma vã e torpe de fingimento, a que por vezes alguns cérebros enviesados chamam de “reabilitação urbana”, quer seja “high” ou “low-cost”.

Nos últimos dois meses deixámos de ver cartazes com o carimbo do Hard Club e queremos acreditar que será essa a resposta ao nosso reparo. Em Março assistimos a uma mudança tímida de atitude, ao vermos alguns cartazes apostos nos mobiliários urbanos institucionalizados da cidade e a nossa fé cresceu. Agora vemos outras formas de comunicação, como os pequenos desdobráveis do “Mercado da Música”, com dois meses de actividade proposta para esta época, que nos fazem acreditar que se trata de uma opção com continuidade e não apenas um fruto da sazonalidade.

Era tão bom que assim fosse! Podermos usar o corajoso exemplo do HARD CLUB e esfregá-lo ‘na cara’ da “Porto Lazer”, da “Porto Cultura”, da “Câmara de Gaia”, da “Câmara de Manteigas”, do “Teatro Nacional de São João”, de “Serralves”, da “Casa da Música”, do “Coliseu do Porto”, do “Teatro Rivoli”, do “Fantasporto” , do “FITEI”, do “Manobras no Porto” (o tal do Centro Histórico mais vivo que nunca), da “CDU” (Coligação Democrática Unitária), do “PAN” (Partido pelos Animais e pela Natureza), da “Rádio Festival”, do “Plano B”, do “Maus Hábitos”, do grupo de teatro “A Turma” (excelente cartaz – ‘História de Amor’), da “Discoteca Pacha”, do “Casino de Espinho”, o “PEB” (Parque de Exposições de Braga), do “Energie Music – Vilar de Mouros” e tantos outros (demasiados) que conspurcam e vandalizam o Centro Histórico do Porto, o tal que é Património da Humanidade, seus néscios…!

Se isto é vandalismo (porque é!), então o que vos deixamos aqui hoje é um hediondo crime!

E estes suportes para cartazes oficialmente colocados, desapareceram? Estariam a incomodar a tasca da “OLÁ”?

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