a valer a pena, por ssru

O jornalista António Sérgio Azenha, autor de “Como os Políticos Enriquecem em Portugal”, deu-se à maçada de conduzir uma investigação jornalística e analisar as declarações de rendimentos de 15 antigos governantes, para chegar às conclusões do costume: a promiscuidade entre os cargos públicos e as grandes empresas e grupos económicos que obscenamente detêm o poder em Portugal.

É verdade, alerta Azenha, que “nada disto é ilegal”, apenas porque não questionamos que, quem produz as leis “à medida”, para que não o seja, são eles próprios. E com a questão da “Ética” podem bem as suas límpidas consciências. Há sempre aquela máxima bem portuguesa do “antes eu, do que outro qualquer” (que mais tarde derivou no slogan publicitário a uma marca de leite: “se eu não gostar de mim, quem gostará!?”)

O jornalista explica que esta análise tem três objectivos: em primeiro lugar, “fornecer um conjunto de informações que permita aos leitores analisar se vale ou não a pena ser governante em Portugal”; depois, “mostrar a maneira como os políticos apresentam as suas declarações de rendimentos, encarando o cumprimento da lei com alguma leviandade”; e, por fim, “contribuir para que haja um debate sério sobre o regime de incompatibilidades e impedimentos de titulares de cargos políticos”.

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Incomodado por ter sido enfiado no mesmo saco preto que os restantes, Mira Amaral enviou a Azenha uma carta aberta onde desabafa que “(…) Infelizmente, a minha reforma não é de 18 000 euros como diz mas sim de 11 000 euros. Se não tivesse ido para a CGD, termeia reformado como Administrador do BPI com 10 000 euros, apenas menos 1 000 euros! Como vê, fui mais uma vítima duma especulação e de uma pulhice inqualificável desse senhor Bagão Félix. Ao contrário de outros, alguns referidos no livro, eu não conheci a banca e a energia depois do governo. Já lá estava antes. Ao contrário do que o inqualificável pulha Bagão Félix diz, a minha reforma, pelos factos que lhe expliquei, não é pornográfica mas serão pornográficas duas situações de dois amigos dele: a do jovem Paulo Teixeira Pinto que se reformou do BCP aos 49 anos, com cerca de 35 000 euros mês (!) tendo recebido de indemnização, ao que dizem, 10 milhões de euros. Só conheceu a banca depois do governo…; a de Vítor Martins, amigo do Bagão Félix que este colocou como Presidente da CGD, sem nunca antes ter trabalhado num banco, e que saiu de lá ao fim de um ano com 900 mil euros de indemnização, como o DN noticiou na altura!! (…) Não sou rico, sempre vivi do meu trabalho, não enriqueci com a passagem pela política, antes pelo contrário, mas obviamente que com o seu livro sou mais uma vez metido muito injustamente na classe dos que enriqueceram com a política. Cada dia que passa, mais me arrependo de lá ter passado. Não sou um político mas sim um quadro técnico que serviu transitoriamente o país em funções políticas (…)”

Para isto que agora vemos, o estado a que trouxeram o País e os sacrifícios que a maioria de nós suporta, tanto nos faz que sejam políticos/políticos, técnicos/políticos ou políticos/técnicos. Pelos vistos, o poeta ainda tem razão quando dizemos: “vale sempre a pena, desde que a [alma] remuneração não seja pequena.”

nota: 3.103.448,00 €, por ano e só para uma pessoa??? Para o presidente da EDP, e ainda diz que “todos gostaríamos de ver outras coisas mais positivas mas a austeridade é absolutamente indispensável num País que há varias décadas consome mais do que produz”.

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