a sexta-feira 11, por ssru

O dia de hoje acordara assim, com premonições de infortúnio e ainda faltavam outros dois para o malfadado 13. Desde as notícias da manhã que se aguardava uma sexta-feira 11 de má memória. O dia 11-11-2011. Ao longe e ao perto, em ondas, troava o ruído das sirenes que trespassava o material de construção dos prédios, denunciando um dia aziago para os bombeiros da cidade. A abundante chuva provocava inundações, os entupimentos a impaciência de mais um Outono demasiado húmido, os incêndios que nascem dos circuitos curtos, os inevitáveis acidentes automóveis e os dispensáveis encarceramentos. O Porto rangia ao sabor do tempo.

Na caixa do correio, no fim da tarde de sol envergonhado, as imagens e o texto confirmavam as estranhas vibrações, testemunhos de uma simpática leitora, que adiou por momentos o seu trabalho e a sua hora de almoço, para gravar a acelerada destruição de mais um edifício do Centro Histórico do Porto. Este na Rua das Flores, que no seu tempo áureo recebia visitas da mulher do ditador espanhol Franco, que aqui vinha só para comprar as melhores peças de ourivesaria da Aliança. A polícia do Estado vinha à frente e atrás e fechava todos os acessos urbanos para que aquela primeira-dama não fosse incomodada. Para extinguir as labaredas de hoje, não foi necessário, felizmente, fechar a Rua das Flores. Dia azarado este…

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