o risco sistémico, por ssru

“Na Suíça, ao contrário de Portugal, não há reformas de luxo. Para evitar a ruína da Segurança Social, o governo helvético fixou que o máximo que um suíço pode receber de reforma são 1700 euros. E assim, sobra dinheiro para distribuir pelas pensões mais baixas.” Programa Hoje-RTP2, Reformas na Suíça – 2010-11-10 10:40:07.

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O primeiro-ministro italiano, recém-nomeado, decidiu prescindir do seu ordenado dando assim um claro exemplo de sacrifício perante a humilhante crise económica em que a Itália se vê mergulhada, tal como a restante Europa. Podemos contestar a inocuidade da opção, podemos alegar que, se o fez, é porque não precisava, mas a mensagem que Mario Monti pretendia transmitir tem um carácter específico e um público seleccionado. Ao anunciar ao país a adopção de um novo plano de austeridade, disse: “No momento em que exigimos sacrifícios a todos os cidadãos, parece-me ser meu dever renunciar ao meu salário”. Com esta atitude expôs-se a ele ou aos seus colegas italianos a uma situação confrangedora?

Em Portugal já houve alguns casos parecidos, como aquele que foi tratado como pitoresco pelos seus pares, de um deputado da Assembleia da República, dos lados de Aveiro, que ousou pretender devolver uma qualquer percentagem ou subsídio a que tinha direito e que considerava excessivo. Ao saber-se pela comunicação social, fez-se o devido alarido e tratou-se de seguida do respectivo enterro politico, como se fosse um mero fantoche exibicionista.

Mas a “grande lata” dos helvéticos ultrapassa toda a razão, senão vejamos: “(…) Garantir uma reforma com dignidade, ou seja, com casa, com uma boa alimentação, com cuidados de saúde e até algum dinheiro para gastar, em vez de premiar com reformas de milhares de euros quem já ganhou muito durante toda a vida. (…) Nas pessoas que educaram crianças, há bonificações de taxa educativa, que são rendimentos efectivos. Esse é o primeiro elemento que irá permitir calcular a reforma e dar rendimentos a uma pessoa, mesmo que não tenha trabalhado (…)” por razões familiares. Sobretudo não existem acumulações de reformas.

Depois do artigo anterior sobre esta triste matéria, somos chegados à pergunta seguinte: e em Portugal? Será que os nossos políticos estão com medo do risco sistémico que tal medida implicaria nas suas tristes vidinhas de morgados? Porque razão esta notícia não percorreu os principais noticiários deste alegre país-à-beira-mar-plantado? Terá sido para evitar o contágio? Esta notícia merece a vossa atenção até ao final.

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