a luz das festas felizes, por ssru

Na sua mensagem de Natal, o Papa Bento XVI pediu ao seu rebanho que não se distraísse com as luzes e as “habituais mensagens de tipo comercial” da época e que desse o devido valor às coisas da alma: “A atenção ao coração, que o cristianismo está chamado a exercitar sempre, na vida de todos os dias, caracteriza em particular este tempo em que nos preparamos com alegria para o Natal. O ambiente exterior propõe as habituais mensagens de tipo comercial, ainda que com menor expressão devido à crise económica. O cristão está convidado a viver o Advento sem se deixar distrair pelas luzes, sabendo dar o valor adequado às coisas”, afirmou o Papa na Oração do Angelus.

rua dos clérigos

Quando o Sumo Pontífice proferiu tal Verbo, já o nosso primeiro autarca tinha tomado a decisão de cortar a fundo nos gastos com as luzes festivas das ruas comerciais desta nobre cidade. Exclui-se por isso a hipótese daquelas palavras terem servido de inspiração para tal lúgubre escolha, fazendo pelas ruas ensombradas o respectivo eco. A Baixa do Porto está triste e apagada como há muito tempo não a víamos, ainda que, como diz o nosso autarca, o gasto implícito em iluminação natalícia, seja “uma gota no oceano” dos desvarios despesistas da autarquia e do País.

rua 31 de janeiro

rua de santa catarina

Esta moda enraizou-se lá para meados dos anos 80, gerando autênticas romarias e desde essa ocasião que, melhor ou pior, os Comerciantes do Porto têm contribuído para enfeitar as ruas e enquadrar de forma festiva um sentimento único e que só acontece nesta época do ano. Tão diferente de outras festas, respira-se alegria fraterna e amor ao próximo, renovam-se incessantemente os desejos de Paz e Amor, despudoradamente se trocam abraços e presentes entre vizinhos. A música natalícia a enquadrar os visitantes para o ambiente certo, para compras ou só para admirar as luzes e a animação das ruas. Para tudo isto acontecer a Associação de Comerciantes do Porto, que organizava a festa, recebia uma comparticipação camarária e ainda recolhia a colaboração dos seus associados, o que para alguns mais modestos chegou a representar cerca de 100 €, em alguns anos.

rua de cedofeita

avenida dos aliados

Presa pelos actos de fantasmas passados, a actual direcção da ACP vê-se embrulhada num emaranhado de dificuldades que a trazem dormente, “não excessivamente ambiciosos, mas realistas”. A braços com um número alarmante de empresas a abrirem falência, o comércio da cidade e do Norte lidera o ‘ranking’ nacional, confrontando-se com enormes problemas de falta de competitividade e de estagnação. As tentativas para contrariar a inércia em que se mergulha a ACP são o reflexo de um paradigma que precisa urgentemente de mudança, para que seja possível “mesmo sem incentivos económicos e sem financiamento externo” os seus associados poderem contar com um pouco mais do que sacos timbrados de papel e balões.

concerto pimba na praça da liberdade

praça de d. joão l

Até há poucos anos que a ACP vinha organizando a iluminação festiva das ruas, quando em 2007 o executivo camarário passou a considerar que a iluminação de Natal era estratégica para a cidade, assumindo a despesa, a escolha das luzes, a sua distribuição pelas ruas, etc., controlando a seu gosto e modo, uma actividade que se ‘vingava’ na época de Natal das perdas sofridas durante um ano inteiro. Não sabemos as reais intenções camarárias com tão estranhas opções, se será apenas a crise ou se outras teorias conspirativas se perfilam, mas que temos razões para considerar esquisitos os critérios de despesas, lá isso temos.

rua de mouzinho da silveira

rua das flores

Este ano de 2011, a CMP através da Porto Lazer adjudicou directamente a uma empresa do ramo, a “aquisição de serviços relativos à instalação de iluminações de Natal na cidade do Porto e respectiva assistência técnica”, pela quantia de 20.500 euros e durante 60 dias. Mal comparando poderíamos especular se este gasto tem o peso na economia da cidade ou a pertinência que, por exemplo, o montante que se gasta em pareceres e consultadorias jurídicas externas (384.612,00 €, só este ano, segundo “base.gov.pt”) quando a autarquia dispõe de tão importante departamento jurídico (cuja influência se vai ramificando por outros departamentos camarários); ou com o valor gasto em cinco dias de manobras de diversão efémeras e de valor pouco estrutural na economia (713.265,25 €/“base.gov.pt”) ou qualquer outra actividade da cidade. A isto podemos chamar especulação, se quiserem.

rua de sá da bandeira

rua da boavista

Melhor comparando, achamo-nos no direito de questionar se os milhões que são “investidos” no Circuito da Boavista e os ganhos, directos ou indirectos, que daí advêm para a economia e reconhecimento da cidade, não são apenas a conversa da TRETA, que algumas almas caridosas insistem em brindar à impoluta figura do nosso autarca. Chegamos por isso à conclusão que este ano, nós, os contribuintes, os cidadãos do Porto, gastamos mais dinheiro com a “aquisição de serviços de Hospedeiras e Grid Girls, a prestar no âmbito dos eventos automobilísticos que integram a 4ª edição do Circuito da Boavista” para o prazer de alguns, do que em iluminações de Natal e na esperança de tanta gente.

Vivemos na ERA DAS TREVAS, há uma década e enquanto a mão que toca no interruptor for a do SENHOR DOS ANÉIS, sendo que estes são cada vez menos, pois estão a ser “doados”.

o nosso 1º @ cm-porto.pt

foto recolhida @ cm-porto.pt

foto recolhida @ cm-porto.pt

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