à velocidade da luz, por ssru

O actual Ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, troou no final de 2011 que, de acordo com o cabimentado no Orçamento do Estado para este ano, um valor interessante de 4 milhões de euros seria destinado à montagem de radares de controlo da velocidade, medida “crucial para a diminuição do número de acidentes em ambiente urbano, sendo necessário a colaboração com as autarquias”. Fazem parte de um montante ainda maior de 39,5 milhões de euros, provisionado no OE para aquela Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) que ninguém sabe para que serve, falando assim o ministro em milhões como nós trocamos tostões.

Escusado será dizer que este anúncio nos soou espalhafatoso, uma vez que ainda permanece na nossa memória a existência de uma autoestrada dentro da cidade, que a fragmenta e agride, chamada VCI/IC23, cujos radares de velocidade se encontram desligados há mais de 4 anos e que custaram aos portuenses 500 mil euros. Assim sendo, para quê mais radares se aqueles que existem não têm serventia?

A história conta-se em traços largos: A VCI/IC23 foi concessionada pela Estradas de Portugal à Auto-estradas do Douro Litoral (AEDL) em Maio de 2008. Desde finais de 2007 que as infracções detectadas pelos radares da Via de Cintura Interna não têm consequências. A Estradas de Portugal diz que a responsabilidade sobre a gestão dos radares é do Instituto de Infra-Estruturas Rodoviárias (InIR) e este organismo, dependente do Ministério das Obras Públicas, remete a responsabilidades para o Ministério da Administração Interna. Que, por sua vez, encaminha para a Autoridade Nacional para a Segurança Rodoviária (ex-Direcção-Geral de Viação). Esta justifica que apenas lhe cabe proceder à instrução dos processos de contra-ordenação com base nos autos que lhe são remetidos. Conclusão: ninguém assume a responsabilidade pelo levantamento dos autos.”

Mas o ministro tem razão na medida “crucial”. A questão está estudada e o impacte dos radares de controlo de velocidade em termos de sinistralidade, desempenho do tráfego e emissões de poluentes, mereceu já algumas dissertações e teses científicas. Aliás, para o comum dos cidadãos basta ler as páginas dos jornais e ligar as televisões para constatarmos que a VCI está mais mortífera desde que há quatro anos um bando de irresponsáveis criminosos, levianamente desligou os radares por não saber quem é que devia passar a multa.

Há uns meses atrás uma jovem mulher perdeu a vida contra a cabine de um camião que galgou o separador central, poucos metros depois do pórtico do radar do Dragão, que se encontra desligado, descendo uma via mal desenhada, com um relevé insuficiente, uma pendente perigosa e com piso molhado. Duas semanas antes também nós assistimos ao mesmo espectáculo, só que desta vez sem vítimas. Aliás, se quiserem podem fazer um esforço para encontrarem naquele troço da VCI um pedaço de separador que ainda não tenha sido trocado. E vai ser assim enquanto a Câmara Municipal do Porto vai avaliando e estudando e… mais alguns acidentes acontecem!

Não sabemos se aqui houve ajuda da ANSR, mas há situações que não suscitam tanta dúvida ou estudo à CMP. É o que se passa de há uns tempos para cá na Rua da Reboleira, um caso-de-estudo da zona ribeirinha, uma via pedestre já de si condicionada ao trânsito automóvel e onde foi colocado um “radar de velocidade” para detectar infracções acima dos 10 km por hora. Nem queremos imaginar as corridas que por lá se fazem… Ui, ui!

O problema é que, de todos os edifícios que aquela rua tem, foram logo escolher o mais conhecido em termos patrimoniais: uma Casa-Torre do século XIV/XV, também referenciada como a casa dos Pedrossem, ali ao nº 59, onde colocaram o estridente aparelho medidor, junto ao olho do Grande Irmão. Para estupefacção dos turistas e gáudio dos locais, num cunhal entre duas belíssimas varandas, resolvesse desta maneira tão complicado problema. Podia ser num poste ou num pórtico, mas não!!!

Que raio! Mas será que esta gente já “não se sente”? Será isto mais um caso paradigmático de “incontinência mental”?

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