o dia “D” [degradado], por ssru

A eleição do Porto como o “Melhor Destino Europeu de 2012” veio apaziguar um pouco a nossa amargura. Por isso dedicamos o dia de hoje, 1 de Abril, a passear pelo Centro Histórico que contribuiu para enformar a escolha dos “European Travellers”. Dessa forma recarregamos as baterias para enfrentar a verdade do dia-a-dia, que se esconde longe dos bilhetes-postais que todos preferem ver. No nosso ‘foto-blogue’ não fazemos outra coisa senão dedicar a este recanto todo o nosso amor, uma ode chamada “oporto is beautiful”, uma face surpreendentemente oposta àquela outra que todos os dias queremos poder mudar, expondo-a aqui neste vosso sítio. Precisamos disto…

Assinalar a passagem de mais doze meses de inépcia, de inércia e de mentira não é tarefa fácil para nós e agora que o dia das mentiras, do logro, da piada fácil, chega ao fim, convém desvendar as verdades encobertas por peneiras de rede larga.

Verificamos que, finalmente, alguém começa a perceber (apesar de nós o virmos a dizer há quase quatro anos) que da menina-dos-olhos do Dr. Rui Rio – a Porto Vivo – não saem ovos de ouro, embora seja a instituição onde o Estado e a CMP têm vindo a torrar milhões de euros. Só o passivo referente à despesa com a estrutura e salários é de 4 milhões. Tal como em ‘filmes’ anteriores também aqui temos a historieta das comparticipações dos sócios ou fundadores, as nomeações da administração adiadas, as lentas agonias, as frases “coitadinho”, os impasses, a inércia dos néscios, as tristes incertezas para o futuro.

Enquanto isso encontra-se em fase de discussão pública a proposta de “Delimitação da Área de Reabilitação Urbana do Centro Histórico do Porto” aprovada em reunião camarária e elaborada pela Porto Vivo, SRU que foi objecto de parecer favorável por parte do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana, I.P, nos termos do disposto n.3, do artigo 14º do RJRU, aquele diploma que vai ser revogado em breve por este Governo em mais uma estúpida e incompreensível alteração legislativa.

Assim, uma vez que os portuenses mostram todos os dias estar no grau zero da cidadania, manifestamos a nossa profunda preocupação pela aprovação de um documento que irá mudar o Centro Histórico do Porto, sem que se consiga perceber bem para onde, mas adivinhando para o torto a julgar pelas amostras que a SRU nos tem vindo a dar ao longo destes quase oito anos da sua existência.

É nossa opinião que a classificação do CHP como Monumento Nacional/Património da Humanidade, conflitua com a constituição de uma ARU e com a avidez dos Mercados por um território que deve estar sujeito às regras de controlo e ao investimento do Estado que o classificou.

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