a fome de francesinha, por ssru

A festa prometia e as expectativas eram altíssimas, pois finalmente a Baixa do Porto iria ter uma edição de um festival de francesinhas, a melhor “sanduíche” do mundo, nascida e criada aqui nesta Nação Portuense… mas esperam, não… parece que afinal já aconteceu em Setembro no edifício da Alfândega e também no Jardim do Cálem, adiante… mas esta é a primeira edição oficial pois é aquela que se tem que pagar o bilhete de entrada. Bom, avancemos na história!

Para quem adora francesinhas como nós, esfomeados que somos por elas, a salivar lá fomos à “Francesinha na Baixa”, um evento integrado no projecto “1ª Avenida” que tem a orientação da Porto Vivo e da Porto Lazer, organizado pela Essência do Vinho. Aliás, o evento estava muito bem organizado em matéria de marketing e visibilidade. Tanto que impeliu para a chuva e para o frio de Novembro milhares de pessoas com o único objectivo de comerem francesinhas e conviverem. Foi o que nós os quatro fizemos.

No recinto, a Praça de D. João I, estava montada a tenda (já conhecida de outros eventos) onde nos instalámos. Não sem antes ficarmos um pouco à deriva com a falta de sinalética ou alguém que indicasse os passos a dar: primeira paragem – comprar o bilhete de 2€ que dava direito a uma bebida; de seguida – pré-pagar num guichete a comida e restantes iguarias, escolhendo o restaurante desejado; depois – dirigir ao balcão do tal restaurante e pedir a encomenda paga; por fim – marchar até à mesa e dar ao dente. Tudo isto em pouco mais de meia hora, ao som de uma música abrasileirada tocada por um senhor com ar infeliz. O brinde final foi um aroma intenso a comida, impregnado em todas as peças de vestuário que trazíamos.

foto de paulo ricca @ fugas – público

Mas a moral da história não tem nada a ver com isto que acabamos de escrever, nem com a escolha dos restaurantes convidados, nem com a cerveja não saber tão bem com o frio, ou com a loiça toda de plástico, ou a falta de condições de higiene dos sanitários, nem com o facto da Porto Vivo, uma sociedade de reabilitação urbana, estar envolvida neste projecto folclórico chamado “1ª Avenida”, que gasta milhares de euros num gabinete que não existe e num site ainda por fazer, nem quando ainda hoje se sabe através daquele jovem do PS, que o Dr. Rui Moreira vai deixar a SRU e que aquilo está em ponto de caramelo para fechar. Esqueçam tudo isso…

foto de nelson garrido @ fugas – público

Estávamos a desfrutar as primeiras garfadas, enrolando a linguiça com o pão no molho e o queijo derretido, quando um de nós, capaz de estragar a festa, diz:

“- Imaginem que por uma cósmica ironia, ou um esquisito alinhamento de vontades, metade daqueles dois euros de cada entrada era oferecido a uma instituição que minorasse a fome que existe no estômago de 10.000 das nossas crianças, portugueses do século XXI! Isso é que era!!!”

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