os desejos para 2013, por ssru

É habitual, em cada passagem de ano, deixarmos impressos no firmamento dos dias que virão, os desejos de um ano melhor que o anterior, horizontes de esperança, objectivos de conquista de riqueza, saúde, bem-estar, emprego, enfim, um mundo melhor. Nem que seja só para o ano que começa, pois no seu final provavelmente repetiremos os mesmos votos renovados.

vitória vista da sé 02

De todos os desejos para 2013, aquele que mais se destacou foi o da campanha da Samsung, que convidou um grupo de blogueiros de moda, para assim se anunciar. Aquilo que aconteceu trouxe à marca de electrónica uma visibilidade maior do que a própria campanha, pois mereceu a atenção de tantos e por tanto tempo, revoltados com o seu conteúdo desfocado da realidade portuguesa. Num País que valoriza assim o “fait-divers” remetendo-o para o mesmo patamar de importância do discurso do presidente da república ou do primeiro-ministro merece bem ser abanado do frenético transe em que mergulha e onde vai dirimindo a sua tarefa principal, a de cidadão. Mas o especialista em gestão de marcas Carlos Coelho, consultado pelo Expresso, resumiu desta forma o que se passou com a campanha da Samsung: “Sempre que uma marca quer pender para Deus faz asneira. Todas querem ser globais, estar em todo o lado. Serem amigas, conselheiras, demasiado próximas. Algumas delas chegam a dar-nos os parabéns. Ora, eu não quero que uma marca me dê os parabéns. Ou seja, os consumidores não gostam que as marcas pisem uma determinada fronteira das suas vidas”.

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Já o discurso do Presidente da Republica merecia mais atenção dos portugueses, entretidos com malas pretas e afins: “Na sua mensagem de ano novo, o presidente da República defendeu um ponto de vista diferente, afirmando que a economia portuguesa está numa “espiral recessiva, em que a redução drástica da procura leva ao encerramento de empresas e ao agravamento do desemprego”, que é urgente travar.”

O discurso do Primeiro-Ministro não lhe fica atrás em importância, algo sobre o qual nos deveríamos debruçar palavra por palavra durante este novo ano de 2013: “dirigiu-se a todos os portugueses que vivem dificuldades, dizendo-lhes: “Que consigam vislumbrar ao longo deste ano aquilo que se chama a luz ao fundo do túnel, quer dizer, o motivo de esperança para perceberem que nós não estamos a iniciar um ciclo vicioso de que não conseguimos sair, mas apenas a vislumbrar a saída de um período difícil que estamos a completar, porque outra forma não há senão passar por ele e resolver os problemas”. Pois!!!

De todos os desejos para 2013, elegemos estes que se seguem, não só porque não conseguiríamos dizer melhor como são tudo aquilo que pretendemos que fique dito.

Para 2013 quero que, por magia, todos os erros de má gestão pública das últimas décadas desapareçam. Para 2013 quero um país com todos os campos cultivados, todas as minas em funcionamento, as indústrias em expansão e os estaleiros cheios de encomendas. Vamos exportar muito e importar o suficiente.

Para 2013 quero ruas cheias de lojas abertas e os centros comerciais transformados em jardins. Para 2013 quero escolas e hospitais preocupados apenas com aqueles que cuidam. Para 2013 quero licenças de maternidade de 24 meses a dividir entre pai e mãe e licenças com vencimento para cuidarmos dos nossos velhos. Para 2013 quero infantários e centros de dia a funcionar juntos em edifícios recuperados. Para 2013 quero salários e reformas mínimas de 1500 euros.

E se a magia não for possível, para 2013 quero saúde. Quero que sejamos capazes de viver com o que temos e ajudar quem não tem o suficiente. Quero que sejamos capazes de lutar sem amargar. Quero que mantenhamos as utopias, os sonhos e os sorrisos.

Cá em casa vamos continuar a arrumar e a procurar o que não faz falta para dar ou vender. Vamos tentar baixar a conta da luz (porque é a única que ainda pode emagrecer). Vou aprender a cozinhar para que poupar não seja sinónimo de sofrimento à hora das refeições. Vamos fazer muitos  piqueniques com os amigos e passear pela cidade.

Vamos tentar não ficar doentes, não porque o outro senhor mandou mas porque é o melhor para nós. Vamos brincar muito e não deixar o mau humor sair vencedor. Vamos pedir desculpa e dizer obrigada. Vamos ser, todos os dias, um bocadinho mais felizes. É exactamente isso que desejo enquanto não aprendo a fazer magia.

Desejos para 2013, por Catarina Beato, 01/01/2013 | 10:31 | Dinheiro Vivo

praça e avenida

Desejamos que 2013 nos traga uma estratégia de reabilitação para o Centro Histórico do Porto e para toda a cidade. Desejamos que a Porto Vivo deixe de existir tal como agora é e que, definitivamente, consigam rodear-se de pessoas que sabem o que é reabilitação de um património inestimável, de toda a humanidade, de todos os portuenses.

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