o carro alegórico, por ssru

O encanto e a beleza paisagística desta cidade, sobretudo do Centro Histórico do Porto, onde nasceu, são reconhecidos e admirados em todo o mundo. De tal forma que em 1996, como todos se recordam, atingiu a inscrição na lista da UNESCO como Património da Humanidade e, incrivelmente, o tem mantido, apesar de tanta degradação física, económica e social de que resulta um incompreensível êxodo demográfico. Para quem não tem presente estes foram os critérios que justificaram a sua inscrição:

“O Comité decidiu inscrever o imóvel indicado com base no critério cultural (iv) considerando que o local tem um valor universal excepcional como o tecido urbano e seus muitos edifícios históricos, testemunho notável para o desenvolvimento ao longo dos últimos milhares de anos de uma cidade europeia que olha para fora, para o oeste, por suas ligações culturais e comerciais.”

são nicolau vista do morro da sé

Apesar de tão inconfundível valor patrimonial, sempre aparece quem considere que tanto é muito pouco e decida acrescentar mais alguns adjectivos, pintar o quadro de um colorido do mais pitoresco “very typical”, contando até com o absurdo e o dissonante, para potenciar essa necessidade de diferença. Para nós são apenas os valores locais que se perderam.

Aproveitando a quadra carnavalesca, que ninguém nos levará a mal, façamos uma breve resenha dos “carros alegóricos” que circulam nas nossas ruas e no nosso Douro para ilustrarmos o postal de hoje. Assim, temos logo à partida o barco rabelo e o carro eléctrico que há muito perderam a sua função principal e que agora se dedicam apenas ao turista que nos visita.

rabelo

electrico

A modernidade trouxe-nos uma versão importada dos “double deck bus” ingleses, em diferentes cores e versões (com capota ou descapotável), veículo que facilmente assimilamos pois fazem-nos lembrar épocas anteriores em que serviam para transportar os nossos pais para o trabalho.

yellowline

redline

Com a “Disneyficação” das nossas ruas, vieram os trenzinhos mágicos que fazem percursos entre a cota alta da Sé e a cota baixa das caves de Vinho do Porto, infelizmente, quase sempre vazios, o que descompensa o transtorno que causam no trânsito.

trem01

trem02

Pelo meio temos alegorias mais ou menos estáticas e revivalistas como a importação do velhinho táxi inglês, para ajudar o comércio, ou vanguardistas e elitistas, a rivalizar com os peões e os transportes públicos, como os americanos “segway”.

taxi

segway

Mas agora, finalmente, acabadinho de chegar directamente da Tailândia, sob os inúmeros flashes dos lobotizados meios de comunicação social, senhoras e senhores: o “TUK TUK”.

tuk01

Eléctrico, diga-se… Azul. Branco também!

tuk02

tuk03

Por favor, não comecem já a dizer mal de nós e a chamar-nos quadrados e retrógrados, porque (espantem-se) nós queremos mais! Não vemos sequer uma razão plausível para pararmos por aqui. Vejam, o nosso amigo dos barcos já trouxe o iate da Rainha de Inglaterra.

queen

Pois que traga também um barco do Rio Mississípi com casino lá dentro, ou uma jangada de canas do Lago Titicaca, ou ainda, sim, porque não, uma romântica gôndola veneziana.

river boat

foto @ google/images

reed boat

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gondola

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O outro senhor dos tuk tuk esqueceu-se, imperdoavelmente ou talvez não, de importar um espectacular e ecológico veículo como o ilustre “rickshaw”, ou qualquer outro daqueles lados do oriente extremo.

rickshaw

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cestos

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Pois nós, ssru, temos vontade de instalar no CHP o melhor daquilo que é nosso: o cesto de vime da Ilha da Madeira (com as brasileiras incluídas). Já estabelecemos dois magníficos percursos, um em cada um dos morros da cidade: 1º. Aproveitando as potencialidades do pavimento em cubos de granito cerrados e lisinhos, recentemente instalados nas obras do eixo Mouzinho/Flores (que em dias de chuva dão muito jeito) começamos na rua pedonal dos Caldeireiros, seguimos pela futura rua pedonal das Flores, continuamos na nova rua pedonal de Sousa Viterbo e pela rua pedonal da Alfândega chegamos ao Largo do Terreiro. 2º. O outro percurso inicia-se na famosa e “poeirenta” rua pedonal Escura, segue pela rua pedonal e tortuosa da Bainharia, logo a seguir pela rua pedonal dos Mercadores (saltando o Túnel a meio) e chegamos à Praça da Ribeira, que a maioria das pessoas não conhece porque lá tem um cubo de bronze no meio. Que dizem, genial?

Em último caso temos sempre esta solução infalível!!!

camelos

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