a semana lunar, por ssru

Do dia 3 ao dia 10 de Abril decorreu no Porto a “Semana da Reabilitação Urbana”, promovida pela Vida Económica e pela Promevi, com o apoio da Porto Vivo e da Câmara Municipal do Porto, que pretendeu ser “plena de eventos, que marque a agenda da cidade e do país. Um conjunto de iniciativas, tendo como palco as áreas e edifícios recuperados da cidade, atraindo profissionais e público em geral, residentes e visitantes, para destacar o impacto social da Reabilitação Urbana. Uma Semana da Reabilitação Urbana na agenda mediática do país, com uma forte comunicação e uma imagem unificada e marcante!”

Coincidindo com a semana lunar das comemorações do Mês Mundial da Astronomia, será de destacar a importância do efeito que o satélite terrestre tem sobre os pobres terráqueos. E por onde começar?

lunar-13

lunar-14

  1. Pelas declarações estupidamente hipócritas deste executivo camarário ao afirmar que “pediu, em Dezembro, às principais instituições culturais da cidade e à empresa Fernando Sampaio para não colocarem mais cartazes anunciando os seus eventos na baixa e no centro histórico. Mas os cartazes não desapareceram e, em alguns locais, teimam mesmo em reaparecer depois de as paredes terem sido pintadas ou limpas por funcionários da autarquia. É estúpido porque não tem que pedir absolutamente nada, apenas cumprir a legislação e os regulamentos em vigor. Hipócrita, também, porque semanas antes do evento que hoje tratamos aparecem espalhados pela cidade e especialmente no CHP (onde os funcionários da autarquia nunca aparecem para pintar ou limpar) inúmeros cartazes a anunciar a “Semana da Reabilitação Urbana” num despropósito irónico e ridículo ao mesmo tempo.
  2. Pelas declarações do homem forte do IHRU, Vitor Reis, que gracejou numa conferência intitulada “As Empresas e a Regeneração Urbana – Oportunidades, Desafios e Financiamento” a seguinte frase epistemológica para gravar para a posteridade: “Às vezes questiono-me se a reabilitação urbana não é como os lobisomens: fala-se tanto, mas ninguém viu nenhum”. Reconhecido o efeito lunar, sobretudo a Lua Cheia, na espécie animal utilizada na parábola o que o Presidente do IHRU disse em palavras correntes é que no Porto é só paleio e pouco bago, é só milhões a desaparecer e nem inglês para os ver.
  3. Pelo Prémio Nacional da Reabilitação Urbana – assim mesmo com um “R” meio manco, aluado e de costas viradas para um “U” pasmado – atribuído durante um “jantar de gala” (‘dasssse?!) onde a brigada do reumático aparece misturada com meia dúzia de tias e tios da naftalina. O resultado final dos premiados é bem melhor que o lote de concorrentes que ficaram de fora (onde figura o Corpo da Guarda, credo!), mas feitas as contas, quantas é que são verdadeiramente as obras de reabilitação. É que o Palácio das Cardosas e o Passeio dos Clérigos são obras novas, quase a 100%.
  4. Pelo Espaço da Reabilitação Urbana, imagine-se, montado numa tenda, mas com design!!! Que fosse num dos muitos palácios abandonados da Baixa como o do Totta em Mouzinho da Silveira, ou num dos inúmeros edifícios abandonados do centro como o da UBP em Sampaio Bruno, ou na ex-sede de campanha do Cavaco ou do Nobre nos Aliados, isso sim é que é um espaço de reabilitação urbana. E para que serviu este espaço? Ah, para os parceiros que forneceram os materiais no “condomínio da cultura” instalado no “Edifício Garantia” poderem usufruir de uma contrapartida! Tem lógica.
  5. Pelas inúmeras conferências com discursos de conteúdos repetidos e ocos que nos trouxeram ao estado em que se encontra hoje a reabilitação urbana. Sempre a mesma conversa, sem visão nem inovação, experimentalismo bacoco de realidades despregadas da própria realidade vivida no terreno. Intervenções como as de Rui Rio, Gonçalo Gonçalves, Vítor Reis, Rui Quelhas, Vasco Peixoto de Freitas, Maria Geraldes, José Paixão, Padre Jardim e tantos outros (como aquele pessoal do Quarteirão das Cardosas), que nos dão uma perspectiva sobre aquilo que andamos aqui a fazer, o que nos falta afinal.
  6. Pelo anúncio da senhora ministra Cristas, aqui mesmo no Porto, de um (?) novo (?) programa de apoio chamado “Reabilitar para Arrendar”, cujos destinatários são os municípios e as SRU’s, num despropósito tolo de continuar a fornecer capital a quem tem desbaratado o pouco que existe, perpetuando o Estado como um gigante senhorio. Por outro lado isto contrasta com a posição do IHRU (que é da sua competência), de tal forma que este nem aprovou as contas da Porto Vivo, nem resolve a situação em que se encontra. Não é isto um múltiplo paradoxo?

Tendo ainda em conta a importância da semana lunar na obstetrícia podemos afirmar que em matéria de reabilitação urbana no Porto “a montanha pariu um rato”.

Advertisements