a paisagem urbana, por ssru

Certamente que todos percebem a importância de termos uma paisagem urbana condigna, mesmo aqueles que dizem idiotices como “preferir os cartazes colados nas paredes da cidade porque assim ficam informados”. Uma cidade limpa sem ser asséptica, confortável sem ser elitista, segura sem ser militarizada, são os princípios básicos que qualquer cidadão normal desejaria usufruir no local onde vive e trabalha, pois estes garantem desde logo as condições necessárias para uma maior felicidade e bem-estar. Esta harmonia tem uma relação directa e proporcional à nossa produtividade no trabalho, à nossa saúde familiar e à nossa interacção com os nossos vizinhos, no fundo teríamos uma comunidade melhor.

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a paisagem urbana da avenida dos aliados

E é por isso que uma das nossas lutas se direcciona à colagem abusiva de cartazes pois esta acção ilegal compromete a harmonia da nossa paisagem urbana. Ilegal porque viola a lógica e o senso comum, mas também viola os regulamentos da cidade e as leis do País que protegem o património de nós todos, o nosso Bem Comum. Daí que, embora apreciável, nos pareça estranho este executivo precisar de voluntários que o ajude na tarefa de manter a cidade limpa, quando tem ao seu dispor a possibilidade de identificar os prevaricadores e de os obrigar a limpar e a parar com o flagelo, passando-lhes as correspondentes coimas que reverteriam para os cofres da autarquia, por exemplo, para plantar mais árvores nos jardins e nas ruas, repondo aquelas que andou a dizimar.

há países que reagem de maneira bem diferente

há países que reagem de maneira bem diferente

Portanto, uma coisa é dizer umas patacoadas e outra bem diferente é agir, como no caso que vos queremos falar agora. Lembram-se dum artigo anterior onde chamámos a atenção de quatro grupos profissionais que intervêm na cidade e cujas actividades e princípios que defendem, conflituam com a destruição da nossa paisagem urbana. Dos quatro só a Ordem dos Arquitectos teve a amabilidade de nos responder. Confessamos que temos estado atentos e ainda não encontramos nenhum cartaz depois do incidente assinalado. A nossa mensagem dirigida aos quatro foi neste sentido: “Caros Concidadãos, As entidades que representam, foram por nós referidas num artigo de opinião [https://ssru.wordpress.com/2012/12/15/a-certa-incoerencia-por-ssru/] onde nos propusemos expor a contradição que se nota entre os valores que dizem defender e as práticas que adoptam para o conseguir. Poderão considerar, este um assunto menor e mesquinho, poderão desvalorizar pelo facto de sermos uma sociedade anónima, mas no concreto consideramos o assunto bastante pertinente e sobretudo não terem o direito de conspurcar o local onde vivemos e trabalhamos. Com as expectativas ao nível mínimo, não esperamos uma qualquer resposta vossa, mas isso não nos impede de no mesmo local disponibilizarmos o vosso direito ao contraditório, o que apenas sucede nas sociedades democráticas. Desta vossa equipa ao dispor, ssru.” Eis a resposta do Presidente do Conselho Directivo da Secção Regional do Norte da Ordem dos Arquitectos:

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a ironia desta foto!

Ex.mos Senhores

No seguimento do email recebido no passado dia 17 de Janeiro abaixo segue resposta ao mesmo.

A Ordem dos Arquitectos Secção Regional Norte possui um plano de actividades alargado que visa a promoção da arquitectura e dos arquitectos portugueses.

Na promoção da selecção de 20 Obras de reabilitação realizadas na cidade do Porto na área do turismo, a que chamámos “Respect for Architecture” (em inglês porque se destinava a um público alargado que incluía turistas em passagem pela cidade), realizámos uma campanha de comunicação em suporte digital e de papel.

Foi um evento que teve a maior receptividade junto do público português e estrangeiro, tanto na exposição do Aeroporto como no Palácio da Bolsa, locais que acolheram a exposição durante o mês de Setembro de 2012.

No entanto, na afixação dos ‘mupies’ que produzimos, as indicações que demos à empresa que os coloca não foram respeitadas. Dentro das condicionantes que impusemos estava a não sobreposição de ‘mupies’ sobre edifícios.

Naturalmente subscrevemos que a afixação de cartazes que promovem a reabilitação sobre os edifícios, seja qual for o seu estado de conservação, é uma contradição. Lamentamos a situação e tudo faremos para que a mesma não volte a acontecer.

Com os melhores cumprimentos,

José Fernando Gonçalves

Presidente do Conselho Directivo Regional do Norte

[Ordem dos Arquitectos SRN| Norte41 norte41@oasrn.org] 29 de Janeiro de 2013

Uma resposta destas e a correspondente acção, nós somos capazes de respeitar. Por outro lado, a sensação que tudo isto nos dá é que a nossa cidade se encontra a saque e que apenas depende de nós a solução para os nossos problemas, pois dos responsáveis camarários apenas podemos esperar mais irresponsabilidade e demagogia. É evidente que alguma coisa se passa para não actuarem na raíz do MAL.

[ri-te rui rio] foto @ http://jpn.c2com.up.pt/

[ri-te rui rio] foto @ http://jpn.c2com.up.pt/

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