o inferno a arder, por ssru

Parece que foi ainda ontem que o País ardeu todo e, no entanto, hoje continua em chamas este inferno onde a gente vive. Parece que arde mais em ano de eleições, porque as ordens são para não “escorraçar os votos” com as cartas que obrigam os proprietários a limpar as matas. Limpeza que era necessária quando ainda tínhamos agricultura, pois os produtos da mata serviam para o gado e para o estrume e para aquecimento e outras serventias que a natureza agradecia. Agora, todos os anos, entre festas de verão e banhos de mar, o País vai ardendo.

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Homens grandes em lágrimas infantis, a soluçar nas mãos vazias o trabalho de uma vida; mulheres que gritam desvairadas, com ganas de raiva, a apontarem a mangueira do jardim para o inferno desigual, que lhes lavra atrás das casas; bombeiros e bombeiras empoleirados numa corda bamba, aguardando as ordens de “comandantes” que desconhecem e que os mandam para uma frente de guerra, apenas protegidos pela causa que abraçam, que os mata por vezes; aviões e helicópteros que sobrevoam as chamas mesmo ali, ao alcance das câmaras das televisões e que nos custam a todos muitos centos de euro à hora.

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