a destilaria do berto, por ssru

O leitor abaixo, num primeiro momento, apresentou-se com uma citação, expressando um testemunho de desagrado para com a SSRU (sítio e membros). O problema das citações é sempre o mesmo: tem as suas regras! Desde logo o conteúdo deve fazer sentido (para todos, claro); depois deve revelar-se apropriado ao tema em tratamento; e a sua proveniência, o seu autor, representar alguém/algo que mereça admiração e reconhecida aclamação geral, de preferência, alguém que mereça substituir quem o cita. Não foi esse o caso do Berto das Taipas que citou um tal de “agaga…toytó…” (?) que não percebemos nada. Em resposta moderada lançamos um desafio com uma citação de um filósofo alemão (bastante apropriado) que viveu entre 1724 e 1804, Emmanuel Kant, que disse: “É no problema da educação que assenta o grande segredo do aperfeiçoamento da humanidade.” Não, não é à educação do Povo que nos referíamos.

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Berto das Taipas, comentou em testemunhos, 30 de Julho de 2013, ás 19:54

Saudações

Não era suposto regressar tão breve, mas não resisti à resposta célere da vossa “super” secreta sociedade.

No comentário que emiti anteriormente, não era suposto tocar em nenhum “nervo” específico, caso optasse por isso teria que deambular por todo o tecido nervoso obrigando a um movimento peristáltico que me impediria de fazer o “kilo” e debater-me com perturbações do aparelho digestivo, o que muito me incomodaria.

A justificação para o anonimato da vossa organização é sem dúvida recheada de argumentos repletos de covardia sendo esta como se sabe, uma corrupção da prudência! Verdadeiros guerrilheiros camuflados, quiçá “Xananas” descendo pelo morro da Sé, em prol da libertação de uma cidade a ferro e fogo, debatendo-se com vilões, malvados, bandidos e agiotas que destroem a todo o custo o resta do casco histórico. Desgraçadas taipas carunchosas!

Ainda os ilustres colaboradores – admira-me a cobardia assumida e a atitude hipócrita no dia-a-dia nos seus modestos empreguinhos, o que não condiz nada com a frontalidade dos textos aqui produzidos. Parece que os estou a ver : Cenário hilariante – de noite congeminam ataques mortíferos, de dia lambem as botifarras aos dirigentes da Câmara, provavelmente não só para que não sejam despedidos, como referiram (o dinheirinho faz muita falta, não faz?), mas também para obterem um merecido “excelente”, superando assim os objetivos impostos pelo Siadap, os mesmos que na prática, são criticados ferozmente aqui nesta página. Um pleno sem dúvida! Cautela com as reportagens fotográficas, pois poderá, um dia destes, ainda descobrir-se o casulo das formiguinhas obreiras que ferozmente trabalham na tarefa árdua da denúncia sistemática. Se me permitem, duas sugestões:

– Porque não criarem uma sede desta sociedade secreta (passando naturalmente a ser des-secretizada!) num espaço aberto à cidade, com um balcãozinho de reclamações? Por certo teriam matérias infindáveis para valorizarem ainda mais e mais, esta montra de vómitos que definitivamente parece vos atrair tanto. Não me venham com aquela que o Porto está no vosso coração, e que por isso têm que agir na clandestinidade face aos monstros que a dirigem. Já agora aproveito para vos relembrar que daqui a nada, estão aí as eleições e quem sabe o futuro Presidente (seja ele qual for) poderá ceder-vos um espaço à borla, para as vossas atividades. Então? Quem é amiguinho, quem é?

– Denunciar (com belas imagens) a chamada Casa dos 24, edifício construído em 2002, com 22 metros de altura e a 7 metros da Sé do Porto, da autoria do Mestre Fernando Távora. As obras de construção que à data custaram 858 mil euros, + os trabalhos a mais, (portas em bronze e teto folhado a ouro, no tempo em que ainda se gastava à fartazana!) têm sido alvo de denúncias à Unesco e críticas da população que contesta sistematicamente sua existência. (o povo é inculto, é um “problema de educação”, eu sei!).

As formiguinhas da Câmara ainda não relataram este caso? ou será que não é arquitetonicamente correto mexer no assunto? A sociedade age no anonimato, ninguém vos vai recriminar pela denúncia. Vá lá força, tenham coragem! Não custa nada! A longo prazo sairão beneficiados.

Como diria Rui Ramos Loza, que vocês tão bem citam no início, “podes até, querer demolir a Torre dos Clérigos, desde que no seu lugar consigas propor algo melhor”. Aposto que, num hipotético cenário de demolição da Torre dos Clérigos (que violência!), a substituição da mesma, por uma torre contemporânea, da autoria de um dos Mestres que vos guiam nos vossos pensamentos maliciosos, seria por certo bem-vinda, aplaudida, e acarinhada pela Sociedade Secreta de Reabilitação Urbana. Quem sabe mesmo, uma obra candidata a um Premio Pritzker ¡ Querem apostar?

“O que o moralista mais odeia nos pecados dos outros é a suspeita acusação de covardia por não ter coragem de os cometer.” Vergílio Ferreira

Atenciosamente

Berto das Taipas (não sou vosso “vizinho” nem nunca serei)

[os erros ortográficos foram corrigidos pela ssru]

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Vocês que nos seguem desde sempre, poderão pensar ser desnecessário responder a um comentário assim. Nós, pelo contrário, aproveitamos todas as oportunidades para fazer pedagogia e transformámos o comentário do Berto das Taipas num artigo, esclarecendo o nosso querido leitor e agradecendo-lhe ter aparecido. Cá vai:

– Sempre nos apresentamos anónimos como o nosso voto em urna, no dia de eleições;

– Sempre nos consideramos mais “cavaleiros do apocalipse”, em demanda do santo graal, do que propriamente uns “Xananas (?) a descer o morro da sé”;

– Sempre o dissemos, o nosso propósito é defender o Centro Histórico do Porto de um bando de desqualificados, cujas habilitações lhes permite mais depressa serem Deputados da Nação, do que profissionais competentes ao serviço da sociedade;

– Sempre o admitimos, para quem quiser acreditar, que não somos funcionários públicos e não estamos ao serviço da Câmara, da Porto Vivo, nem nenhuma outra instituição com relevância pública, situação que conflituaria com a nossa consciência – dizer o que dizemos do sítio onde trabalhamos;

– Sempre que podemos, lembramos que o subtítulo deste sítio é uma frase utilizada pela SSRU de forma irónica, realmente dita por Rui Loza e que só alguém como ele o poderia dizer, sendo que o consideramos co-responsável pelo estado lastimável em que o CHP se encontra. Pudesse o génio ser hereditário e encontrar nele uma réstia do Arménio, que tudo seria diferente!

– Sempre fomos fieis à nossa herança e respeitamos os nossos melhores arquitectos – Alfredo Viana de Lima, Agostinho Ricca, Nuno Teotónio Pereira, Fernando Távora, Álvaro Siza Vieira, Alexandre Alves Costa, Eduardo Souto Moura, etc. – algo que nunca nos impediu de os criticar sempre que necessário. O que mais lhes criticamos (aos vivos, claro) é o SILÊNCIO perante aquilo que assistimos diariamente no CHP, como o “caso de polícia” das Cardosas.

– Sempre nos pareceu que o escrutínio era algo difícil de engolir a certo tipo de pessoas…

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Foi na destilaria do Berto que voltamos a erguer o Santo Graal. Num sentido último, o Graal simboliza a plenitude interior, o renascimento e o conhecimento do homem e da sua evolução. Só por isso poderemos estar-lhe gratos.

Mais ainda, lembrá-lo que a ameaça que faz “às formiguinhas obreiras” tem um reverso: é que ao serem descobertas, deixando de ser anónimas, a SSRU passa a ter rostos e nomes. Isso significa que tudo o que vem aqui escrito passa a ser admissível no Ministério Público, claramente em desfavor dos visados. Estes, os visados, poderão sempre mostrar que estamos errados para lhes pedirmos públicas desculpas e se for caso de sermos presos ou condenados a uma indemnização, faremos uma colecta ou um “crowdfunding”. Quem são os amigos, quem são?

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Um pensamento sobre “a destilaria do berto, por ssru

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