a crise identitária, por ssru

“O bestiário vai às Cardosas”, Álvaro Domingues, 25 de Outubro de 2013.

(…) O sentido do colectivo, que no modelo europeu foi muito uma construção do Estado Social, do Estado Providência – no limite o Estado garantia o interesse colectivo – construía os interesses colectivos, legitimava os interesses colectivos, regulava os interesses colectivos e aquilo a que estamos a assistir é a uma desconstrução do Estado Social e a uma diluição do Estado Nação, em entidades como por exemplo a União Europeia, deixando o caminho livre a um liberalismo selvagem e à mão visível e invisível do Mercado. Portanto há aqui qualquer coisa que não se pode analisar isoladamente.
A crise do Estado na regulação dos bens colectivos e na definição dos bens colectivos, vai a par-e-passo com a legitimidade do Mercado e da mercantilização como instância que valida o facto de uma solução possa ser considerada boa ou ser considerada má.
A lógica de produção de informação e sua circulação, já não é como antes, uma lógica linear, isto é, o Estado através das suas instituições, a Universidade através dos seus investigadores, as instituições, as associações (fossem o que fossem) diziam o que é que era Património, mostravam as cartas, as declarações e tudo aquilo que supostamente e de uma forma clara explica isso e a informação circulava de uma forma de cima para baixo, da cultura cultivada, da cultura erudita para a popular. E a legitimação era produzida assim.
Hoje em dia é tudo ao contrário, há vários emissores da informação. Se nós, por exemplo, usarmos a Internet como fonte de consulta e de informação, vemos que são quase infinitas, é um universo em expansão, as instituições que produzem conhecimento sobre o assunto. E ao mesmo tempo que produzem informação e conhecimento, produzem formas de legitimar e de arguir aquilo que pensam.
E, portanto, a produção de informação transforma-se num novelo e as instâncias como o ICOMOS e outras, perderam o monopólio da legitimação acerca desses assuntos (isto em relação ao cidadão comum).
Isso cria um ambiente explosivo em termos de polémica faz com que as instituições (o IPPAR, o ICOMOS, ou qualquer uma que ela seja) fiquem muito fragilizadas na esfera pública, quando são discutidas estas questões porque a discussão é atravessada por múltiplos campos.
Porque aumentou a diversidade de actores que reclamam para si uma legitimidade acerca de “eu também posso, eu também quero dizer o que é o Centro Histórico, o que é que é mau, eu também quero julgar” e, portanto, todo este conjunto de paradoxos pode dar duas orientações completamente opostas: ou cria um ruído de fundo imenso – a chamada tagarelice – e desse ruído de fundo não sai nada que consensualize uma determinada atitude; ou então, do meio desse conjunto de actores e de vozes, sobretudo se elas forem aceleradas pelos media (no fim de contas é ouvido quem mais berra, que é quem tem mais atenção dos media) isso pode dar fenómenos de quase ditadura. Isto é, de repente um grupo social, um grupo de interesses, um conjunto de actores que faz parte desse tal colectivo, toma a palavra e diz qual é a questão dominante acerca desse assunto.
A crise de legitimação do Património, pela diversidade dos actores, pelas diversidades das formas de legitimação, só se pode combater dando o conteúdo que o Património tem como construção cultural, que é o conteúdo político. Para ele ter um conteúdo político é preciso definir num colectivo, formas de discussão e isso só se faz, não sendo cidadãos passivos e assistindo a coisas, mas fazendo coisas e discutindo. (…)
ICOMOS – “Porto Património Mundial: boas práticas em reabilitação urbana

Diagnosticada a crise da Identidade, desta forma tão simples e esclarecida, é-nos fácil perceber a razão para que, por exemplo, os engenheiros do empreiteiro Lúcios (ou outros) apareçam a conferenciar por todo o lado na qualidade de peritos em reabilitação urbana. É coisa de génio!
Como se percebe tão bem agora, um grupo de actores (pouco dado a cultura e nada sensíveis) cheio de interesses e muito bem orquestrado, põe em marcha um plano ambicioso:
1. Parar tudo e todos aqueles que trabalhavam no Centro Histórico e o recuperavam, ainda que muito lentamente;
2. Nada fazer durante alguns anos, usufruindo da força incomensurável dos elementos, para que o Património (físico e humano) se degradasse acentuadamente;
3. Repetir desalmadamente torpes mentiras, até estas se tornarem verdade, questionando décadas de trabalho no terreno e a reputação de inúmeros técnicos experimentados;
4. Expor gratuitamente ao ridículo, o trabalho de entidades nacionais como o IPPAR e o ICOMOS, procurando com isso fragilizar o seu papel natural na defesa do Património Comum;
5. Apresentar a solução milagrosa sob a forma de uma “Sociedade de Reabilitação Urbana” isenta do sufrágio e fiscalização das populações e utentes do Centro Histórico, a partir da “estaca menos que zero”, abertamente ao serviço dos interesses particulares e imobiliários do grupo restrito;
6. Legitimar as estranhas opções de intervenção no território e as respectivas acções ditatoriais, com propaganda política e inexplicáveis “prémios nacionais”, organizados pelos media do grupo de interesses.

a identidade perdida, por ssru

O ano de 2015 acabava de raiar quando, das notícias, cai nas nossas mãos uma espécie de carga explosiva, cujo rótulo diz: “Reabilitação em edifícios apagou identidade histórica da Alta de Coimbra”, referindo-se a uma tese do Pedro Providência, arquitecto e investigador do Centro de Estudos Sociais (CES) e responsável por um doutoramento sobre a salvaguarda dos revestimentos e acabamentos tradicionais da Alta de Coimbra. Diz o Pedro que “para cima de 100 edifícios”, de 417 analisados, perderam a sua identidade histórica nas intervenções realizadas desde os anos 2000 na Alta de Coimbra, utilizando-se técnicas não aceites pelas “convenções e normas de restauro” e que “nos últimos 15 anos, aquando das reabilitações feitas, grande parte com fundos europeus com comparticipação nacional, utilizaram-se “técnicas modernas que não são compatíveis” com os revestimentos tradicionais existentes nos edifícios.”

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Poderíamos começar a ensaiar que tal como Coimbra, também o Porto sofreu os efeitos devastadores do “agente laranja” e que cá os danos são ainda mais profundos, ultrapassando em larga escala a questão do revestimento das fachadas sobre a qual o Providência se debruçou durante os seis anos da sua tese de doutoramento. Poderíamos, mas não era o mais correcto.

No Centro Histórico do Porto, embora a abrangência dos estragos infligidos pela Porto Vivo tenha sido de grande importância, nestes últimos anos laranja do grande Rui Rio, pois incidiu sobre muitos quarteirões (mais de trinta) e por isso sobre um grande número de edifícios, como é o caso das Cardosas, do Corpo da Guarda, da Bainharia e dos Pelames, do Seminário e Viela do Anjo, ou do Monumental e Banco de Portugal, da Viela dos Congregados e Imperial ou Infante, dizíamos, se nos esforçarmos um bocadinho não faltam exemplos dados pelo CRUARB onde a aplicação de técnicas erradas tornaram o processo de reabilitação obsoleto e a recuperação da identidade dos edifícios se tenha tornado irreversivelmente perdida.

Num e noutro caso a destruição atingiu níveis bem mais profundos que o mero revestimento e argamassas, como foi o caso do cadastro, da tipologia e dos usos, do sistema construtivo e dos materiais, dos cheios e vazios dos vãos das fachadas, das suas cores, da caixilharia e seus modelos tipológicos, da relação dos edifícios intervencionados com a sua envolvente. Tudo isto em nome de uma estratégia de reabilitação sem quartel, sem estratégia e sem objectivo. Tudo tão “nonsense”.

Mas há de facto um período anterior à Porto Vivo de Rui Rio e que corresponde à chegada do Partido Socialista de Fernando Gomes ao Porto e de Rui Loza (Outubro de 1990) à direcção dos destinos da reabilitação patrimonial do Centro Histórico. Tal reinado passa por fazer tábua rasa da herança que Gigante, Távora e Viana de Lima lhe deixaram, provavelmente por se confrontar com um processo demasiado moroso para as necessidades políticas e outras de Loza ou simplesmente por inépcia, pura e simples inépcia. Talvez tenha sido a “compreensível” lentidão dos processos de reabilitação que, entre outras razões, tenha levado a que o seu antecessor – Fernandes Ribeiro – tenha sido violentamente agredido em Dezembro de 1988 com um ferro na cabeça, por um comerciante da Ribeira. Assim, Rui Loza sobrevive-nos há 25 anos e talvez ainda venha a ser o próximo presidente da Porto Vivo. Políticos à séria, pararam por ali em Paulo Vallada e em Fernando Cabral.

Mas voltemos à notícia de Coimbra. O Pedro Providência falou e logo se calou e com ele, o jornalismo português. Se vocês pudessem imaginar a quantidade de estudos e teses que todos os anos se fazem na Universidade do Porto e que se debruçam sobre a reabilitação urbana, sobre o Centro Histórico e a sua qualidade de vida, sobre a actuação da Porto Vivo e o seu modelo disparatado que um dia se dará nome a si próprio de tão abstruso!? Aqui nesta cidade, quantas notícias é que vocês têm conhecimento de terem abordado este tema, quantos profissionais ou professores e doutores de faculdade é que vocês conhecem que se tenham atrevido a abrir a boca.

menção honrosa ihru2014 - substituição de rebocos
menção honrosa ihru2014 – substituição de rebocos

Bem, há talvez o caso do Nuno Grande que, de vez em quando, diz umas coisas, talvez porque não necessita da encomenda pública para a sua subsistência e, de vez em quando, referindo-se à Porto Vivo, diz coisas como: “É uma perspectiva de reabilitação muito discutível. Diria mesmo que é o pior que o fachadismo tem”, criticou, referindo-se a uma época (início século XX) em que apenas as fachadas dos edifícios eram tidas em conta nos processos de licenciamento. (…) Pegando no exemplo de um conjunto de edifícios que estão em obra no cimo da Rua de Mouzinho da Silveira, Nuno Grande criticou a SRU por estar a criar apartamentos para a família de “target elevado” que há anos foi viver para a Foz, para Matosinhos-Sul ou para a Maia. “Essas pessoas não vão voltar para os centros históricos”, afirmou o docente, considerando que serão, sobretudo, as famílias monoparentais, pessoas que gostam de estar sós, criativos e homossexuais que vão procurar casa na Baixa.” Grande Nuno!

Valha-nos o Senhor do Céu! Conhecem por aí mais alguém que nos possa valer…

o direito da antena, por ssru

O ano de 2014 ainda demorava a estar terminado (pelo menos mais dois meses) e, dos edifícios que a CESAP ocupa no Largo de São Domingos e na Rua de Mouzinho da Silveira, brotam umas antenas de telecomunicações.

Sejamos francos para reconhecer que não percebemos nada do assunto. Nada sabemos de “Infra-estruturas de Suporte de Estação de Radiocomunicação – Light BTS” ou quaisquer outras, “bases UMTS”, “descodificadores de sinal RRH’s”, armários técnicos e afins, nem mesmo qual a legislação de apoio para a instalação de tais equipamentos. O certo é que não sabendo, o melhor é procurar sabedoria, quer lendo sobre o assunto ou perguntando a quem sabe. Como imaginam, o resultado final não é muito animador e está à vista.

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A verdade é que a CESAP, ainda que desempenhando um papel importante como instituição residente no CHP, volta-e-meia tem sido capaz de nos decepcionar fortemente, pondo em causa a nossa empatia, numa relação amor/ódio. Aparte as estranhas obras que tem vindo a efectuar nos seus edifícios sem a necessária licença, que resultam em anormalidades como este esquisito longo terraço sobre o edifício para a Rua de Mouzinho da Silveira, onde deveria estar uma cobertura tradicional em telha, em vez disso, dizíamos, presenteia a cidade e o Património da Humanidade com umas incompreensíveis antenas. Sabemos que é difícil gerir uma instituição como esta e em tempos de crise, em que os alunos acabam por desistir dos cursos por falta de dinheiro para as propinas, ainda é mais penoso, mas venderem os princípios por uns trinta dinheiros que a VODAFONE paga de renda daquele espaço, contradiz até aquilo que apregoam como o ensino da arquitectura.

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Ao longo dos anos tem sido feito um esforço hercúleo por parte de alguns interessados para que o Centro Histórico se possa livrar dos aparelhos que pululam por todo o lado e para resistir à pressão que os operadores exercem – lembram-se dos cogumelos parabólicos que a TVCABO andou a espalhar há uns anos atrás! Daí que este caso inopinado ainda se perceba menos!

Até pode ser que existam mais antenas de radiocomunicação instaladas no CHP mas nós só nos lembramos da existência de duas ou três, cuja presença mais evidente nos incomoda: é o caso do mamarracho da Rua da Vitória, do estandarte do monte da Rua Chã, ou ainda do mastodonte no topo de um hotel na Batalha. A estes juntam-se agora os pirolitos da CESAP, o que nos leva a temer pelo futuro.

O futuro não nos sorri e a culpa não é nossa, pois a história, como de costume, tem contornos cabeludos: O Grupo Eurico Ferreira SA, em representação da VODAFONE inicia em 2011 um processo de autorização de instalação de uma Infra-estrutura de Suporte de Estação de Radiocomunicação; tanto insistiu que consegui convencer os técnicos da CMP e da DRCN com uma fotomontagem manhosa, onde pretenderam mostrar o reduzido impacte dos pirolitos; Ansiosos por se livrarem do assunto, aqueles técnicos aprovaram o processo sem nunca questionar da pertinência da existência de tais bicharocos ou sem a coragem necessária para aplicarem a legislação, nomeadamente aquela alínea do artigo que diz O pedido de autorização é indeferido quando: c) O justifiquem razões objectivas e fundamentadas relacionadas com a protecção do ambiente, do património cultural e da paisagem urbana ou rural.” (o sublinhado é nosso, claro)

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Coisa que para nós é bastante evidente, pois a classificação como Monumento Nacional é razão perfeitamente objectiva e fundamentada. Mas… e aqui é que está o tremor, se analisarem a fotomontagem e a compararem com a realidade podem até pensar que os técnicos licenciadores foram enganados. Trata-se de facto de uma aldrabice que sempre se soube que teria este desfecho. E provavelmente devem todos ter algum proveito nisso, pensaríamos nós, caso não fossemos uns meninos bem-comportados.

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fotomontagem que a VODAFONE apresentou na CMP e que foi aprovada pelos serviços técnicos

o resgate urbano, por ssru

A proposta que agora vos colocamos, para além das sábias palavras de Carlos Romão, pretende alcançar a percepção do fim da orfandade dos portuenses em relação à sua cidade. Com a concretização deste projecto de Álvaro Siza, mais do que resgatar a Cividade com a costura urbana deste território fracturado, coloca-se a possibilidade de um autarca poder ficar para a história desta Cidade por um feito tão grandioso, quanto simples e lógico.

Mais do que resgatar o lugar, podemos reivindicar o espírito portuense dando aos seus cidadãos um edifício onde estes se revejam e se projectem, onde aprenderão a conhecer todos os cantos e histórias, a fazer sua a família portuense, a cuidar da arquitectura do Porto através dos séculos, a preservar os restos de eras passadas que nos sedimentam o orgulho no presente.

Com este projecto de Álvaro Siza e do edifício do Museu da Cidade do Porto poderemos um dia voltar a falar de Património, Identidade e Memória.

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 Álvaro Siza, Obras e Projectos – Requalificação da Avenida de D. Afonso Henriques – Carlos Romão, 25 de Novembro de 2014.

Foi em 1948 que se procedeu à demolição de uma parte importante do centro histórico do Porto para abrir uma ligação que permitisse a circulação rápida de automóveis entre a Praça de Almeida Garrett e a Ponte Luís I. Desapareceu assim o morro da Cividade e com ele os vestígios medievais do Corpo da Guarda. No seu lugar ficou, até aos nossos dias, um enorme rasgão a separar o casario da Sé das velhas casas que subsistem nas ruas do Loureiro, Chã, Cativo e na de Cimo de Vila, o caminho que conduzia a uma das portas da antiga muralha medieval. Houve dezenas de planos para suturar a ferida aberta mas, por incapacidade da cidade, nenhum foi executado. Neste filme, de 2001, Álvaro Siza Vieira apresenta o seu segundo projecto – o primeiro é de 1968 – para a Avenida de Afonso Henriques. Através dele percebemos melhor a perda patrimonial e a necessidade de recompor a morfologia daquela parte da cidade.

 Ouvimos dizer que não há dinheiro para nada e que tal projecto não só é de difícil realização como dispendioso. Na verdade, ainda nos dias de hoje, se percorrerem as notícias diárias, com ligeireza perceberão que para o vergonhoso eixo Mouzinho/Flores houve oito milhões, para as “renovadas” obras na Foz são mais uns quantos milhões, para a miserável Avenida da Boavista outros quanto terão sido gastos, para a incompreensível marginal até ao Freixo mais uns não sabemos o quê, etc., um interminável desperdício de meios. Não falta onde poupar, como por exemplo, na suposta instalação escultórica no início da Avenida e no “projecto lazer” que pretende “devolver uma praça à cidade” [qual?]. Tudo isto que, de certeza, deve estar a  custar um rico dinheirinho…

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os donos da rua, por ssru

As imagens que ilustram este artigo não são de há trinta anos atrás. Mas parecem! Há muito que não víamos as ruas da cidade assim cheias de vida, a remeter para a nossa infância e juventude. Tudo indica que a tradição ainda tem espaço e tempo para ser o que era.

Não sabemos se foram estas imagens que os eurocratas viram e que os deixou tão desvairados, a ponto de virem bater num Governo tão bom aluno, que até parece farsa daqueles tipos do faz-de-conta a querer fazer de conta que o próximo ano não é ano de eleições… Dizem eles:

“Com o novo aumento em 2014 [para €505], as perspectivas de transição para o emprego dos mais vulneráveis pode deteriorar-se numa altura em que o desemprego é ainda elevado, possivelmente agravando a já existente segmentação entre quem tem trabalho e quem não tem”

Com 505€ de remuneração, os índices de dignidade humana estão tão vulneráveis que as perspectivas para 2015 serão de uma maior clivagem entre ricos e pobres, independentemente de estes terem emprego ou não. O que continua a baralhar toda a gente é o facto da maioria dos smartphones topo de gama estarem com lista de espera para serem adquiridos. E quem diz isto diz outras coisas de topo!

Mas voltemos ao que interessa, a Baixa do Porto está animada, a fazer lembrar dias antigos. Já só faltam os milhares de habitantes que desapareceram, segundo as estatísticas dos dois últimos Censos, aí uns 25 a 30 mil. Isso é que era bonito de se ver!

donos-010nota a 31 de dezembro de 2014: ficamos muto felizes por termos inspirado a equipa camarária a desenvolver toda uma notícia para o portal Porto[.]Ponto (não, não é o blogue do David Pontes, apenas tem o mesmo nome).

o porto global, por ssru

O Centro Histórico do Porto é Património da Humanidade há 18 Anos!

Há muito que aderimos à moda da Globalização e a cidade vive, à semelhança do resto do Mundo globalizado, todos os seus fenómenos tangíveis, como é o caso da “Gentrificação”. No Centro Histórico do Porto deu-se o êxodo progressivo e inexorável dos seus habitantes para paulatinamente darem agora lugar a novos costumes e renovados usuários. Os problemas mais básicos de quem cá fica manter-se-ão.

Hoje acordamos com os nossos vizinhos a partirem para a periferia e constatamos que a cidade se transforma num castelo de “tasquedos” e “hosteles”, tal como nos anos 80 despertamos para o andar de baixo transformado em escritório e nos anos 90 vimos fechar o último cinema num demasiado “shopping”. Os antigos comerciantes são despejados e postos na rua com uma bagatela por indeminização, os prédios degradados são agora como nunca antes, viáveis à reabilitação patrimonial e os novos negócios abrem e fecham à velocidade da luz, porque são descartáveis como todos nós.

o porto do mundo, por ssru

O Centro Histórico do Porto é Património da Humanidade há 18 Anos!

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o morro da vitória | rui henriques

A cidade do Porto desenvolve-se sobre as colinas que dominam o estuário do rio Douro e forma uma paisagem urbana construída numa história já milenar em que a diversidade da arquitectura civil e religiosa testemunha o percurso de um Centro Histórico que remonta às épocas Romana, Medieval, Renascentista, Barroca e Neoclássica.

Construído sobre terrenos acidentados numa feliz articulação do traçado orgânico de arruamentos e casario com o rio referencial, o Centro Histórico adquire um valor panorâmico singular, reforçado na profusão de monumentos como a Sé Patriarcal, a Igreja de Santa Clara ou o edifício da Bolsa.

Classificado como Património Mundial desde 1996, o Centro Histórico do Porto encerra uma riqueza monumental e paisagística e capta a diversidade de soluções de concepção urbana das cidades da Europa Ocidental e Atlântico-Mediterrâneas da época medieval aos inícios da modernidade. (DGPC)

a bataria da vitória

a bataria da vitória | ssru

Esta é a breve descrição que consta do relatório da comissão que aprovou a inscrição do Centro Histórico do Porto na Lista de Sítios Património da Humanidade da UNESCO. Mas como vocês sabem, este lugar consegue ser muito mais do que isto. Esta é a nossa casa, estas são as nossas ruas e estes são os nossos bairros, este é o nosso porto do mundo.

Pedimos a colaboração de todos aqueles que quisessem enviar-nos o que sentem sobre o CHP, para assinalar a passagem do 18º ano da inclusão deste núcleo histórico no restrito grupo de Bens Comuns do Mundo. O que aqui vem é o reflexo daquilo que também nós sentimos. Um desperdício quase total, um desinteresse generalizado dos portuenses para os valores patrimoniais da sua própria cidade!

I

histéricos assentes no centro histórico, pânico por tudo o que supostamente crie emprego, forçosamente bom se criar emprego, ainda melhor se criar emprego! “bora lá criar emprego?”

II

fachadas ao alto e fé em deus, encham-me aí duas dúzias de quarteirões de betão armado, “olhá jessica fresquiiiiiiiiiiiinha”, é pra hoje, é pra hoje ó freguesa, anda hoje à roda o crime das cardosas

III

a imagem, oh a imagem: tudo pela imagem, nada contra a imagem para a economia deles, mesmo que ainda e sempre mau para a economia destes,

a sopa dos pobres servida na rua claro é um fenómeno do lusco-fusco porque é melhor para a imagem

IV

tragédia da rua das flores, street-artists flores na lapela, reciclagem para função pública, artes decorativas oh yeah, mais vale uma parede bem pintada que um edifício bem reconstruído

V

mui nobre e sempre leal, cidadania e boas famílias, independente dos dependentes, criticar é que era bom,” então e a imagem, filho? “…então e a imagem da cidade? Olha que isso não é bom para a imagem da cidade, temos que dar uma boa imagem da cidade! troika ou turistas começa tudo por tê e vai tudo dar ao mesmo no que à imagem diz respeito

VI

auto – prémios, selfie – galardões e água benta, cada um pega os que quer, cardosas crime com galardão imobiliário, ponto

VII

os rankings e o rancor, país do melhor povo do mundo, cidade do melhor centro histórico, melhor arquitectura, melhores arquitectos, melhor faculdade, melhor emigração forçada, melhor desperdício de recursos, melhor fuga de arquitectos afinal, tão bons que nem aguentámos ser tão bons, melhor desperdício de tempo, melhor desperdício de presente, de futuro, de dinheiro, eu sei lá, é tudo tão bom

VIII

reabilita low-cost filho, reabilita, olha que nem sempre arranjas mão-de-obra de graça, materiais à borla e terreno a custo zero

IX

bicicletas de montra, na montra e às portas da montra das lojas atraem turistas -tipo-gourmet

impossível andar em duas rodas nesta montanha russa que é o porto, diz a vox-populi em cada eleição ,”mas só se não fores turista”, eles conseguem sempre, vá lá saber-se como nós é que não

X

“Touristic buses don´t fit in the narrow streets of the historical center”, objectivo de vida será ter tudo e ao mesmo tempo: barcos cruzeiro, sightseeing buses, os hotéis, o disney colonial park. O jogo do Monopoly a cores e ao vivo! Esperaste tu duas horas pelo 703 da STCP agora vendida a alguém, enquanto passaram 10 sightseeing buses e desesperado entraste num: “era prá areosa fáxabor!” “ excuse-me, but areosa´s not in tha histerical center. Please, mister, must gett off this bus!” E foste para casa a praguejar á moda do porto em cada vírgula.

XI

contas feitas, casa desarrumada, praça da batalha à moda do porto, menos dois cinemas, mais quatro hotéis dá quase conta certa: para já está 4:2, muito hotel para pouca uva

cada quatro hotéis, cada posto de trabalho low cost, contratos para quê? direitos são maus para a economia, e , oh, precisamos tanto de novos-bancos, esquece essa merda.

XII

centro histórico do porto em geral, cidade do porto em particular, sem ponto: reabilitem-no porra! e electrifique-se as escadas da lello, instale-se elevadores na torre dos clérigos.” Então esse nasoni, tão bom arquitecto e não pensa nestas coisas?” do turismo e assim? olhá imagem, pá!

Pedro Figueiredo, arquitecto

rua da fonte taurina | anónimo

Continuamos receptivos aos vossos contributos, esperando contar com os sentimentos (sejam eles quais forem) de todos vocês sobre o CHP, todos nós portanto, mas de uma forma muito simples. Pedimos a todos que enviem uma palavra, frase, poema, discurso (?), fotografia, vídeo, música, desenho, etc., o que acharem bem.

telmo quadros | https://incartoons.wordpress.com/

clérigos | telmo quadros, https://incartoons.wordpress.com/

o memorável convite, por ssru

Na passada semana enviámos aos nossos “correspondentes de guerra” um pequeno convite para uma grande celebração: o 18º ano do Centro Histórico do Porto na Lista de Património da Humanidade da UNESCO.

ssru.tumblr.com

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No início do próximo mês de Dezembro o Centro Histórico do Porto assinala a passagem do 18º ano da sua inscrição na Lista do Património Mundial da UNESCO.
Para marcar a data da maioridade propomos a publicação aqui neste vosso sítio de um ou vários artigos que demonstrem os sentimentos (sejam eles quais forem) de todos vocês sobre o CHP, todos nós portanto, mas de uma forma muito simples.
Pedimos a todos que enviem uma palavra, frase, poema, discurso (?), fotografia, vídeo, música, desenho, etc., o que acharem bem, até ao final deste mês para que seja possível publicar no dia 5 de Dezembro, o tal! Da forma como será indicada a autoria, cabe-vos dizer se querem o anonimato ou o vosso nome ou qualquer outra informação adicional.
Este pedido só acontece porque a vossa opinião e companhia são muito importantes para nós. Vamos lá, ainda dá tempo!
Abraços e beijinhos desta vossa equipa, ssru

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Não querendo deixar ninguém de fora, porque os Bens Comuns devem ser usufruídos em Comunidade, estendemos este nosso “Convite da Memória” a todos vocês que nos dão atenção e que gostam do Centro Histórico do Porto, portuenses ou não, portugueses ou de qualquer outra nacionalidade espalhados pelo Mundo.

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É perfeitamente desnecessário bater à porta ou qualquer tipo de apresentações, bastando apenas entrar… Vamos fazer uma grande Festa!

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o branqueamento irreversível, por ssru

vista aérea do porto dos anos trinta do século xx, anterior ás grandes destruições @ foto beleza

vista aérea do porto nos anos trinta do século xx, anterior ás grandes destruições @ foto beleza

Afinal, onde é que nós íamos? Ah, aqui está, repescada do baú, uma crónica de Hélder Pacheco publicada pelo JN há cerca de dois anos atrás, da qual queremos apenas reter o conteúdo pois não estamos nada interessados que fiquem a pensar que temos algo contra a pessoa. Na imagem abaixo encontram todo o texto mas o extracto que fazemos é suficiente para perceberem a importância da distância que os cronistas da história da cidade devem manter entre a escrita e o estômago [aviso: alteramos a apresentação gráfica da crónica de uma para três colunas por se adequar melhor à imagem deste blog, mas não mexemos no texto! Ele é todo original]:

“E avançou agora com a inauguração da Praça das Cardosas, cereja no coração do bolo desta reabilitação exemplar daquele quarteirão, cuja audácia exige coragem e perseverança, como a cidade há muito não via. Talvez desde João de Almada, quando a Praça da Ribeira, a Rua de S. João e S. Domingos foram rasgadas. Desde que Pinto Bessa avançou com Mouzinho da Silveira e a Rua Nova da Alfândega. Desde que a Câmara da “Lista da Cidade” lançou as bases da 1ª República e concretizou a Avenida Central que o Porto não assistia ao aparecimento de obra tão essencial ao seu Renascimento, tão susceptível de promover dinâmicas sociais e comerciais que transformem a Reabilitação da Urbe de aspiração em imperativo.”

Hélder Pacheco tem razão quando diz que esta é uma obra irreversível, para vergonha de todos os portugueses, quiçá da Humanidade. Atrevemo-nos até a afirmar que Rui Rio e a sua gestão autárquica representarão, no contar da história deste Povo, uma catástrofe com verosimilhanças próximas das provocadas pelas tropas de Napoleão quando as Invasões Francesas atingiram o Porto e Soult, Duque da Dalmácia, incendiou e varreu a cidade para a morte nas barcas, há pouco mais de 200 anos. Qualquer dia ainda ouvimos alguém dizer que no tempo de Salazar é que era bom! [ironia]

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O “poder instituído” procurará sempre, tal como no passado, uma forma de branquear as suas actuações. Assim, nada melhor do que inventar um “Prémio Nacional de Reabilitação Urbana” para credibilizar os recentes “tsunamis”, premiando as intervenções catastróficas que dizimam os Centros Históricos classificados, que no caso do Porto se encontra inscrito na “Lista do Património da Humanidade”. Bastará olhar para a lista dos premiados para perceber quantos daqueles se podem considerar verdadeiras reabilitações patrimoniais, tal como as convenções internacionais, que Portugal assinou, assim o reconhecem. Reparem como os autores desta escandalosa intervenção nas Cardosas, foram duplamente premiados com o excelente trabalho [ironia] desenvolvido no Mercado do Bom Sucesso, quer ao nível patrimonial, cultural, social ou económico. Significa isto que quem está errado somos nós, que não percebemos o “irreversível Renascimento do Porto”.

Sabemos que esta turba de medíocres que decide as nossas vidas, é preguiçosa e nem sequer se dá ao trabalho de investigar seja lá o que for, mas bastará levantarem os olhos e verem estes dois exemplos, lado a lado, no mesmo Quarteirão Prioritário:

– do vosso lado direito um trabalho realizado por uma equipa de jovens e dedicados arquitectos que, relendo o edifício do século XIX e mantendo ao máximo a sua autenticidade, souberam proteger o investimento do cliente particular;

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– do vosso lado esquerdo uma pseudo-reabilitação com traços artísticos indeterminados, projectado por uma “velha” equipa do sistema, após uma destruição quase total dos edifícios existentes (com pormenores de limitada inteligência como fazer um túnel que desemboca contra um muro de granito) e que reinterpreta de uma forma mordaz os cheios e os vazios, as varandas, os elementos estéticos, etc. fruto de um investimento apenas comparável à profundidade do parque de estacionamento cavado no interior do quarteirão – ou seja, Fundo e pago por todos nós.

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Nada justifica tal opção de ignorância tamanha, mas ainda assim seria possível encontrar alguns argumentos caso a destruição que aqui teve lugar, resultasse num edifício singular como a Estação de S. Bento ou a Casa da Música. Mas não, é irreversível! Agora, restam-vos apenas os nossos “perdigotos da maledicência”.

a banalização do mal, por ssru

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 E pur si muove!1

1 No entanto ela (a Terra) move-se

 Do ponto de vista simbólico, esta frase sintetiza a teimosia das provas científicas contra a censura ou a quintessência da rebelião científica contra as convenções de autoridade e dos interesses dos maus poderes em cada circunstância. Conta-se que foi pronunciada por Galileu Galilei para reafirmar o seu conhecimento científico de que a terra gira em volta do sol e não o contrário, como queriam obrigá-lo a reconhecer.

A intervenção no quarteirão das Cardosas (no centro histórico do Porto) o maior exemplo de destruição e demolição intencional em património classificado e protegido ao mais alto nível (património mundial da UNESCO) em Portugal, foi sintomaticamente premiado pela Revista Vida Imobiliária como bom exemplo de Reabilitação.

Esta intervenção no quarteirão das Cardosas, agora premiada, e reprovável a todos os títulos, foi realizada sob o slogan: “Cardosas, construímos hoje o património do futuro”. Um júri constituído quase exclusivamente por pessoas vindas de sectores que não o do património ou o da REABILITAÇÃO, e, portanto, longe de serem especialistas, entendeu premiar esta intervenção. Existe um pudor e uma ética que nos deve inibir de avaliar publicamente aquilo para o qual não temos conhecimento específico reconhecido. Existe também uma regra, além das questões éticas e da praxis. Assim funciona a avaliação de mérito em instituições sérias e rigorosas, nacionais e internacionais, respeitadoras do estado do conhecimento e das boas práticas adoptadas internacionalmente relativas às matérias em apreço. Os prémios geralmente destinam-se a premiar o que se distingue positivamente e não o contrário. Estamos pois perante uma inversão perigosa de valores e uma manipulação grave dos conceitos e do léxico da conservação e da reabilitação das cidades históricas, sem reação ou contraditório visível, o que nos confirma talvez que vivemos de novo em tempos sombrios. Os tempos sombrios, definidos por Hannah Harendt são aqueles em que se perdeu a capacidade de pensar criticamente e de exercer a capacidade de julgar, dando assim lugar à possibilidade da banalidade do mal. O mal na pujança da sua normalidade, o que permite tudo sem um julgamento, como se fosse banal. A incapacidade de estabelecer juízo crítico é um atributo dos tempos sombrios que amesquinham o interesse público, que o corroem por dentro com as faltas de credibilidade, com governos invisíveis, com discursos que não revelam o que são, degradando a verdade. Tudo isto se passa agora nas nossas cidades históricas e no património arquitectónico e urbano. Esta incapacidade ou negação objectiva para exercer o julgamento ou o juízo crítico permite que tudo seja reduzido ao discurso promocional imobiliário e tudo vale! Eis a banalidade do mal no domínio da conservação e da reabilitação das cidades históricas. O prémio imobiliário agora atribuído à intervenção realizada no quarteirão das Cardosas, não é um prémio para distinção de boas práticas em reabilitação de cidades históricas porque justamente esta intervenção viola todas, mas todas, as regras e boas práticas nacionais e internacionais reconhecidas pelos especialistas, universidades, e pelo ICOMOS e UNESCO e às quais o Estado português está obrigado por força dos seus compromissos e da legislação em vigor no nosso país. O ICOMOS Portugal promoveu de resto em Outubro de 2013 um encontro nacional sobre este assunto, com uma participação institucional e cívica alargada, e onde se demonstrou que há alternativas a este modelo imobilista, velho e errado, técnica e cientificamente, que se insiste em aplicar na gestão das cidades históricas, o que ainda é mais grave quando elas, as cidades, são um património da humanidade.

E pur si muove: A verdade do conhecimento científico e das boas práticas reconhecidas a nível internacional contra a banalidade do mal dos nossos tempos sombrios.

O Conselho de Administração

ICOMOS Portugal

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O comunicado que o ICOMOS Portugal teve a simpatia de nos remeter, aqui acima exposto, veio reforçar a nossa percepção que, da sua parte não desistirá tão facilmente de cumprir as suas responsabilidades na defesa do Centro Histórico do Porto, em particular e na salvaguarda do património classificado, em geral. Julgamos tratar-se do único organismo que o tem feito publicamente, de forma sistemática e responsável, apresentando os argumentos que corroboram o seu discurso directo, em confronto claro com as práticas que se instituíram nos últimos doze anos, esta forma medíocre de ver e transformar a cidade.

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Por várias vezes relatamos aqui neste sítio, a morbidez que nos assalta ao assistirmos a este silêncio ensurdecedor, que quer colectiva como individualmente, insiste em permanecer. Não se ouve um qualquer Pritzker, uma qualquer ordem profissional, um professor ou qualquer uma das Faculdades da cidade, ou qualquer Universidade, não se sente um historiador ou um arqueólogo, alguém com elevação suficiente de voz que conteste publicamente as intervenções que abalroaram o CHP nos últimos anos. Dizem-nos que na FAUP se tem falado, mas em surdina. Os interesses particulares de toda esta gente parecem ser superiores ao interesse público que está aqui em causa.

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A Porto Vivo, a maior responsável por este crime patrimonial, julgou ensaiar o discurso da descredibilização do ICOMOS (se isso fosse sequer possível!), talvez como único recurso para refutar a transparente evidência do mal por este apontado e logo com os dedos enfiados pela ferida adentro. Em resposta ao primeiro relatório de 2012 sobre o quarteirão das cardosas, enviado à UNESCO, a SRU preferiu defender-se recorrendo à catedrática sabedoria de Hélder Pacheco (?), que coadjuvou a elaboração de uns desconexos e miseráveis cartazes, expostos na passagem para o interior da nova praça, precisamente onde antes existia um edifício saudável, que foi totalmente destruído. Para além de ter sido bem pago por tal trabalhinho, Hélder Pacheco tem tido assento num lúgubre conselho consultivo da Porto Vivo, do qual não há memória, chegando ao ponto de numa das suas crónicas do JN (que havemos de recuperar), ter comparado Rui Rio e a sua gestão, ao período de ditadura da transformação urbanística do Porto, imposta pelos Almadas.

E pur si muove: A verdade é que o mal se banaliza, porque a cidade está carregada de “homens pequeninos”!

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as mentiras renovadas, por ssru

A 1 de Abril (dia das mentiras) assinalamos o “Dia Nacional dos Centros Históricos Degradados”. Passar mais um ano a relembrar o estado de degradação criminosa do Centro Histórico do Porto, sem que nada se tenha feito de concreto para estancar tal desventura, é tarefa penosa para esta Administração. Ao contrário da Porto Vivo, a SSRU usa a Verdade como instrumento na salvaguarda do património histórico do núcleo urbano mais antigo da Cidade do Porto.

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Como sabem, a Porto Vivo foi criada por Rui Rio tendo como pressupostos um conjunto de grossas mentiras, algumas delas tão bem sintetizadas pelo actual Vereador do Urbanismo, o qual convém sempre relembrar:

  • “(…) nasce a “SRU Porto Vivo” também por decreto mas… com pouca memória e, sobretudo, com uma dose inacreditável de auto-suficiência e voluntarismo, próprios de quem nutre um supremo desprezo pela história e pela experiência! Convém lembrar que, para trás, estavam 30 anos de CRUARB (sob todas as suas formas, e foram muitas e, até, contraditórias!), dezena e meia de anos de Porto Património Mundial, uma dezena de Cimeira Ibero-americana, outros tantos de Polis, de Porto 2001, de Plano de Pormenor das Antas, de Metro do Porto, de Euro 2004 e, ainda, de alguns outros momentos (e projectos) em que a cidade se viu em transformação significativa e (pelo menos) se questionou a si própria! (…) De facto a acção da SRU-Porto Vivo, assentou, desde a nascença, numa política de “tábua rasa” que significa a destruição duma metodologia que tinha por base o estudo caso a caso e, pelo menos, a (desejada) integração de todos os problemas (sociais, culturais, políticos, urbanísticos e patrimoniais) nas soluções (…)”.

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Uma das grossas mentiras que serviu de base de sustentação para a criação da SRU foi a muito propagandeada auto-suficiência económica, em contraponto com a dependência económica das instituições que se disse ter vindo substituir, nomeadamente o CRUARB e a FDZHP. Para os mentores da nova e eficaz máquina de produzir mentiras, fazer-se um contrato de arrendamento a 30 anos com direito de preferência do inquilino sobre o imóvel, estabelecendo assim um contrato social para a permanência da população residente, era uma heresia que tinha de ser arrasada. Dizia um bom amigo de Rui Rio: “qual é o pai com posses que não há-de querer ver o seu filho morar aqui num destes apartamentos com vista para a cidade, em vez desta gente?!”

Uma década após a sua aparição, sob um vergonhoso manto de duvidosa gestão e com um passivo exorbitante, o melhor que a Porto Vivo nos consegui oferecer foi uma Grande e Renovada Mentira: “Porto recupera metade da Baixa numa década” – este é o título da notícia que encomendaram ao JN, em jeito de balanço, para publicar no mesmo dia da Assembleia Geral, a 28 de Março de 2014. Toda a notícia carece de confirmação: desde logo como é que se chegou a mais de 700 milhões investidos em reabilitação; quais as 162 unidades hoteleiras e destas quantas estão legalizadas; como se justifica a tendência para projectos de unidades hoteleiras quando a realidade mostra antes uma preferência por habitação em tipologias pequenas, que eventualmente podem ser transformadas em alojamento turístico ou não; o número de processos entrados aparece como sendo novos projectos, mas comparando com a CMP esse número é impossível; como se consegui o valor de 131,9 milhões de euros em transacções de imóveis na Baixa… alguém se digna responder a isto?! Perguntámos às pessoas mais insuspeitas o que pensavam do título da notícia e o mais caricato é que já nem se riem com os disparates que lêem. Diziam um impropério e encolhiam os ombros em sinal de indiferença. Já todos perceberam que a Porto Vivo é um problema e nunca será parte da solução. Solução é algo que parece não existir para os inesgotáveis adiamentos de Assembleia Geral da SRU, pois já vão no quinto impasse e ninguém mostra interesse em resolver tão absurdo assunto.

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No dia 29 de Março de 2014, festejou-se o “Dia Nacional dos Centros Históricos” e o actual executivo está de parabéns pois conseguiu o feito inédito de juntar um mar de gente a festejar uma cidade que está na moda, como se de um S. João se tratasse. Ainda bem que ninguém reparou que a festa decorreu numa rua nobre onde se cometeram os maiores erros urbanísticos de que há memória. Comparado com isto o caso “Porto2001” ou a Avenida dos Aliados, é uma obra-prima.

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a ruína e o milagre, por ssru

A Ruína e o Milagre são dois apaixonados que se passeiam abraçando as ruas do Centro Histórico do Porto. Apenas o Desastre os separa e impede de se transformarem num exuberante monumento à indigência, formando um triângulo amoroso de difícil compreensão para quem coabita com tão obstinado trio. Falar-vos nestas personagens deste conto de terror, tornou-se um acto banal e, mal comparando, esta é a nossa “Banalização do Mal”.

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Contrariando um reputado jornalista que escreve no JN – Daniel Deusdado – o verdadeiro Milagre opera-se quando constatamos que os edifícios do Centro Histórico permanecem em pé, orgulhosos, mesmo depois de tantos maus-tratos pela falta de manutenção, depois de acumularem patologias com as infiltrações que corroem os materiais, depois de inesperados incêndios que lhes destroem a essência e das técnicas de combate ao fogo que lhes lava a alma em rescaldo, depois da razia protectora dos civis que lhes amputa partes despregadas do corpo, deixados à deriva das intempéries e do clima do Norte. Mesmo assim, eles insistem em permanecer de pé, estoicamente. Até ao próximo Desastre.

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Se tivermos como certo aquilo que diz o Arq. Rui Loza, “que cada caso é um caso”, este caso que vos queremos apresentar, é exemplar. Trata-se de um edifício de 1680, que está instalado numa parcela alongada com fachadas desniveladas entre a Rua de Belomonte e as Escadas da Vitória (que o circundam), o primeiro do lado par da rua. A tipologia é a comum nas edificações da burguesia comercial portuense, com um primeiro lanço de escadas longitudinal (encostado a uma das paredes de meação para libertar o espaço comercial do piso térreo), que depois se transforma numa escadaria transversal em madeira com 2 lanços paralelos por piso, iluminados superiormente por uma clarabóia (entretanto, substituída por uma trapeira). Os andares superiores tinham uma função habitacional que destacava as cozinhas para o lado Norte das antigas Escadas da Esnoga.

Em tempos teve um restaurante no rés-do-chão que nos fazia sentir em casa de tão acolhedor – a Casa Mariazinha. Numa noite de passagem de ano alguém lhe pegou o fogo, aproveitando a ausência do casal de inquilinos idosos do último andar e que foram à aldeia pelo Natal. Diz-se por aqui que tudo se deveu a uma altercação entre o dono do restaurante e os autóctones vizinhos de um outro tasco, que em resultado da acumulação de graves querelas, assim resolveram em chamas. Só por Milagre não morreu ninguém!

Os sinais estão lá todos, numa acumulação sucessiva de degradação: edifício destelhado e chuva a entrar nas paredes portantes, pelo topo e faces; deformação notória e grave da parede lateral para as escadas, sobretudo ao nível do 1º e 2º andares; vigas de travamento dos pisos e paredes ao relento e a apodrecerem, especialmente nas entregas à parede; parede lateral parcialmente demolida; elementos de fecho como as cornijas com deslocamentos; deslocamentos de padieiras e ombreiras dos vãos; fissuração grave das paredes; destacamentos de revestimentos como os azulejos na fachada principal e o reboco nas restantes. Mais grave é a manutenção desta situação por tempo indeterminado.

Se desde 2003 que a CMP realiza vistorias de salubridade e segurança a este edifício e após arder totalmente na passagem de ano de 2006 para 2007 (ou seja, há quase 7 anos e é provável que dure mais 7 assim), esgotados que estão todos os prazos para a realização de obras impostas pelos diversos organismos oficiais, interrogamo-nos por que razão a Câmara ainda não deu o passo seguinte: tomar posse administrativa do prédio e realizar as obras necessárias à sua salubridade e segurança de pessoas e bens, impondo ao proprietário todos os custos obtidos, acrescidos de multa pela sua inoperância, agravando-lhe ainda o IMI.

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E vocês respondem “ah, e tal, é porque a proprietária é a D. Aida Nunes, uma querida e a mais longínqua farmacêutica do burgo e que o seu filho único, o António Abel, foi o assessor de Rui Rio para a mobilidade e está na Porto Lazer a tomar conta do Circuito da Boavista”. ERRADO!

Até pode haver algum favorecimento no alargar dos prazos ou isso… mas, na verdade a CMP e a Porto Vivo não sabem bem o que fazer e vão tomando decisões avulsas que em nada contribuem para o estancar do problema. Isto para não falar também na passiva DRCN, que tem a sua quota-parte de responsabilidade na preservação do bem classificado como Monumento Nacional.

Mas imaginem que o problema se resolve integrando os esforços dos diversos departamentos e serviços camarários, mais os da Porto Vivo (que agora gere esta zona)! Seria lógico que houvesse comunicação entre todos eles, que partilhassem informação, os modos de executar os procedimentos, a economia dos meios ao dispor, para não se registarem nem excessos nem falhas nas respostas a dar aos problemas. Agora, imaginem um bando de elefantes trombudos que arrastam as largas patas de um lado para o outro, deixando cair a melhor faiança que existe nesta loja de louças que é o Centro Histórico do Porto. Verão que é isso que tem estado a acontecer, inexoravelmente.

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O que o Daniel Deusdado não sabe, ou sequer se importou saber (em vez do sound-bite), é que com 20 milhões (nunca são só 20) é possível reabilitar 100 edifícios como este, ou seja, 100 espaços comerciais no rés-do-chão (melhorando o aspecto ao nível da rua) e 500 habitações para 500 famílias, alojando um total de 2000 pessoas, todas elas a mudar de vida e a contribuir de forma decisiva para a reabitação do centro da cidade e, isso sim, contribuindo para o seu desenvolvimento sustentável. O grande MILAGRE é o prédio ainda não ter caído em cima de ninguém e a escultórica RUÍNA se manter ali de pé para turista ver.

a ebulição das freguesias, por ssru

Após a esperada fusão do núcleo, o estado físico seguinte só poderá ser o da ebulição, onde aquele se evapora no ar dos tempos, ou, caso os fregueses acordem, onde o processo começará finalmente a ferver e a agitar a vida desta cidade anestesiada. Por conta de uma legislação ordenada por um desclassificado ministro, todo o País terá que cortar em freguesias, mesmo que isso não resolva problema nenhum (pelo contrário), nem represente qualquer poupança aos cofres do Estado, ou seja, aos bolsos dos cidadãos. A discussão no Porto também se faz, certamente, mas com calminha…

Após uma breve interjeição, em que, boquiabertos, nos deparamos com um novo Mapa Organizativo da Cidade do Porto, impossível de decifrar apenas com os argumentos apontados pelas forças políticas mandantes, decidimos embrenhar-nos melhor no assunto para encontrarmos as verdadeiras razões para tão abstrusa imposição.

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Em traços largos, interessa saber que Portugal tem uma das organizações administrativas mais complexas, mas apenas nas divisões de primeiro nível, da responsabilidade do Estado, pois as de segundo e terceiros níveis são bastante simples, agrupando, respectivamente, os 308 municípios (também chamados concelhos) e as 4260 freguesias em que estes se dividem. Apesar de a Constituição estabelecer que o território só se divide administrativamente em regiões autónomas e administrativas, coexistem ainda, principalmente no território continental, várias divisões administrativas cujas áreas se sobrepõem às de outras divisões, provocando tantas vezes uma duplicação de serviços. São as CCDR, as áreas metropolitanas, as comunidades urbanas, as comunidades intermunicipais, unidades NUTS I, II e III, etc. Exceptuando o caso das NUTS, a maioria desta parafernália de entidades foram criadas em 2003, num processo que ficou conhecido como a “Reforma Relvas”, por ter sido planeado por Miguel Relvas, na altura Secretário de Estado da Administração Local, durante o governo de Durão Barroso.

Esta imaginação criativa de fazer proliferar os tachos e panelinhas para os correligionários dos partidos deve-se sobretudo à falta de coragem política (dito de outra forma, ao crime politico) da classe política portuguesa, incapaz de instituir as regiões administrativas previstas desde que a Constituição foi aprovada, ou seja, desde 1976, vindo a ser sucessivamente adiado pelos vários governos. Este processo de criação das regiões administrativas é popularmente conhecido por Regionalização.

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Chegamos, então, a este ponto em que nos perguntamos como é que permitimos que os mesmos incompetentes voltem a tomar conta da organização do País, começando a alterar e a evaporar, precisamente aquilo que é mais fácil gerir e que melhor funciona – as freguesias portuguesas? Um terço das freguesias do País optou pela fusão e isto é maravilhoso e válido, como o oposto o é para as restantes populações que só querem ser deixadas em paz.

O caso do Porto – a cidade rejeitou a fusão das suas freguesias, algumas delas, lugares de origem da nacionalidade, com o voto contra por maioria da Assembleia Municipal. O executivo camarário, presidido por Rui Rio, CAG_ _ no voto contra da assembleia e enviou à Unidade Técnica da Reforma Administrativa (criada para impor a fusão de freguesias que se recusassem a fazê-lo de livre vontade), um estudo mandado elaborar ao Gabinete de Estudos e Planeamento (GEP) municipal, que incorporou as propostas do PSD e do CDS, acabado de ser rejeitado pela Assembleia Municipal. A Unidade Técnica limitou-se a escolher a proposta que o estudo indicava como preferencial e mais nada…

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O resultado é um plano que funde as 4 antigas freguesias do Centro Histórico – Sé, São Nicolau, Vitória e Miragaia – com duas freguesias vizinhas, Cedofeita e Santo Ildefonso. Dá-se o caso de se tratar de uma reforma tão insegura que o nome escolhido foi “União das Freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória”. Como ainda não estavam muito certos, no dia 5 deste mês é publicado um diploma que “simplifica” (?) o seu nome para “Cedofeita, Ildefonso, Sé, Miragaia, Nicolau, Vitória”. Repararam que caíram os santos do altar e ficaram o Ildefonso e o Nicolau apeados? Que grande cambada de mentecaptos. De que buraco saiu esta gente. Ah, é verdade, da Universidade Relvas!

A fusão é feita “custe o que custar”, sem ter em conta as características do território, a sua história, a sua população, etc.. Vejam, se todas as habitações devolutas do Centro Histórico estivessem ocupadas com as pessoas que enxotaram para os concelhos vizinhos, provavelmente não haveria a necessidade de as fundir com mais nenhuma freguesia. Mas, por vício, a desertificação só acontece à conta da incompetência dos mesmos políticos que impõem este estado totalitário aos seus cidadãos. Olhando assim de soslaio para este novo mapa [dando de barato que roubarem a paria fluvial a Miragaia foi só mais uma das muitas burrices] dá a ideia que os chicos-espertos pretendem ganhar autarquias na secretaria, aglutinando as que têm cor política diferente da sua, com aquelas que lhes garantam a eleição. Acabassem em primeiro lugar com a chuchadeira das múltiplas entidades do primeiro nível e tudo se entenderia melhor.

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A única justificação que parece permanecer depois de todas as outras se esvaziarem é a “massa crítica” e o “ganhar escala”, algo que consideramos ser possível com a simples união de esforços das diferentes freguesias, em vez de as fundirem e com isso as fazerem desaparecer como identidades próprias.

Sobra ainda o caso de Campanhã e como se explica segundo a nossa teoria de aglutinação na secretaria? Bem, é que Campanhã é um caso perdido, é a freguesia mais empobrecida dos últimos anos, aquela onde se investiu pela última vez em 2004, aquela onde a CMP pratica a maior segregação política de que há memória.

o “checkpoint” CHP, por ssru

Happy Anniversary! You registered on WordPress.com 5 years ago! Thanks for flying with us. Keep up the good blogging!
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O pessoal da WordPress foram os primeiros a dar sinal deste dia 14 de Julho, Ano V, da Graça de Nossa Senhora do Ó. Ao longo deste caminho encontramos muitos amigos e fomos deixando para trás um rasto de descontentes. Na verdade, os amigos superam em número e em qualidade as inimizades, talvez porque o nosso objectivo não é atingir ninguém em particular, mas mudar o mundo, um gesto de cada vez. Relembramos aquilo que dissemos à passagem do último ano: “acreditamos que defender o local onde pertencemos, não é direito reservado de ninguém, mas um dever de todos.”
Daí que, desejando contar com a vossa inestimável contribuição e para poderem dizer o que vos vai na gana, ou simplesmente ajudarem a SSRU a ser melhor do que isto, deixamos a caixa de comentários deste artigo aberta. Disparem à vontade!
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os atentados terroristas, por ssru

Ao longo do último século e nos primeiros anos deste XXI, o Centro Histórico do Porto tem sofrido os mais bárbaros atentados à sua integridade física e ao seu valor patrimonial. Desde os séculos XVIII e XIX, com as grandes obras iluministas dos Almadas (demolidoras e invasivas, mas ao mesmo tempo salubrizadoras e inclusivas, aceitando edifícios de diferentes épocas e mantendo população), que não se verifica uma orientação e metodologia de trabalho que possam ser adoptadas pela generalidade dos intervenientes do processo de reabilitação e que tenha como objectivos a conservação do património e dos bens culturais, a renovação do ambiente urbano de toda a área, a reinserção da população residente, a consolidação e desenvolvimento do turismo, a expansão e renovação da actividade comercial, a implementação de uma rede de partenariado (tal como, por exemplo, se previa com o Projecto Piloto Urbano da Sé).

porto antes das demolições

o morro da sé do porto, antes das demolições

Debruçarmo-nos sobre os planos previstos no século XX para o centro da cidade – como os estudos dos arquitectos estrangeiros Barry Parker, Giovanni Muzio, Robert Auzelle, sem esquecer a estratégia de demolições do Estado Novo de “desafogar os monumentos históricos” dos finais dos anos 30 e dos anos 40 – é uma tarefa de pura agonia que merece preparação, dando graças pela nossa recorrente falta de dinheiro que permitiu que o dano não fosse tão devastador. O que não daríamos para conhecer o Largo do Corpo da Guarda ou o Barredo, antes da grande destruição!

No último terço do século XX tivemos os estudos orientados pelo arquitecto Fernando Távora para o Barredo, segundo as recomendações da Carta de Veneza; a partir de 1974 tivemos a intervenção SAAL e o CRUARB; a que se junta em 1990 a FDZHP que promovia a reabilitação urbana e a reabilitação social das populações, no âmbito da luta contra a pobreza.

Com a chegada ao poder de uma espécie de “neoliberalismo grunho”, imbuída de uma doutrina de “sound-bite”, a última década do Centro Histórico do Porto ficará para a história como a pior desde as Invasões Francesas, cujos danos na cidade foram igualmente demolidores. As questões da Identidade, Memória e Tradição ao serem descuradas, têm permitido justamente o seu oposto, de tal forma que muitos se perguntam: ao “reabilitar” o CHP não estaremos a construir nele um espaço museológico sem vida? Mas aquilo que esta trupe de maltrapilhos pretende não é propriamente “reabilitar”, é apenas o retorno do investimento realizado, o lucro standardizado para um produto imobiliário indiferenciado. Assim surge a Porto Vivo, a primeira sociedade de reabilitação urbana do País, pronta para fazer render o peixe, ou o chouriço (como diria Rui Loza), como se de uma fábrica se tratasse, o Património da Humanidade.

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Para presidentes da SRU foram escolhidos dois desertores: o “bom-agricultor” e o “bom-vivant”, qualquer um deles percebendo zero de reabilitação urbana, mas achando-se com capacidade para verborreiar umas frases. A mais célebre do primeiro [Arlindo Cunha] é “Viver na Baixa é como vestir roupa de marca”, revelando um nível de boçalidade ímpar. O segundo [Rui Moreira] não teve muito tempo para aquecer o lugar por isso decalcou a frase que mais incomoda ouvi-lo dizer, a velhinha e gasta: “Foi a lei das rendas do Estado Novo que arruinou os nossos centros históricos”, mostrando o nível de impreparação para tamanha tarefa.

Para além da irresponsabilidade de deixar os actuais administradores executivos da Porto Vivo, largados às cabeçadas um ao outro, no CHP encontram-se a actuar dois grandes grupos terroristas: a “Agência Pública” e a “Agência Privada”, na maior parte das vezes em coordenação de esforços. O braço armado da primeira é a “DEF (Divisão Escombro Final)” e da segunda a “BOB (Brigada Opressora do Betão)”. O resultado prático da intervenção de ambas é sempre a eliminação ou substituição do alvo. Num e noutro caso, o que existia desaparece. E esta última década tem sido marcante não apenas na amplitude do impacto, mas também pelo número de casos, como um corolário de acções programadas de abandono e sabotagem que criam o espaço de actuação dos braços armados terroristas. Mal comparando, o resultado final é tão parecido com o estilo “Oklahoma” que a utilização da expressão de terror não nos causa qualquer entrave. É tão terrível percorrer uma rua, sobretudo as medievais e não saber quando algum pedaço de edifício nos cai em cima, ou vê-las assim esventradas, como se de um cenário pós-guerra se tratasse. Para vos mostrar apenas uma ponta deste infernal iceberg, voltamos ao principal eixo viário medieval da cidade velha, formado pelas ruas Escura/Bainharia/Mercadores e que liga a zona da antiga Porta de São Sebastião (Muralha Primitiva) à Praça da Ribeira. Já aqui tínhamos estado em 2008 para apontar o dedo à degradação deste património, mas desde essa altura que nada aconteceu que impedisse o amontoar de danos. Afinal é assim ao longo das décadas.

– Mas vocês que são leitores atentos e amantes desta magnifica cidade perguntarão: …então, não foi nesse ano de 2008 que a CMP encomendou um estudo à Porto Vivo, para que a UNESCO pudesse continuar a acreditar na classificação que deu ao CHP? Foi, chama-se o PLANO DE GESTÃO DO CENTRO HISTÓRICO DO PORTO e não serve para nada!

– Mas não é o PLANO DE GESTÃO que tem como missão “Proteger, Preservar, Valorizar e Promover o Centro Histórico do Porto Património Mundial, Expressão Física da Natureza Universal da Criatividade Humana, Coração e Alma da Cidade, Fonte de Vida e Inspiração das Gerações Actuais e Futuras.”? É, sim! Mas qualquer instrumento por muito bom que seja colocado na mão de inúteis, torna-se ele próprio uma ferramenta obsoleta e inútil.

– [e vocês continuam] – Por um acaso não é o PG_CHP que tem um SISTEMA DE MONOTORIZAÇÃO caracterizado pelo seu carácter proactivo, por oposição à definição de monitorização reactiva, no sentido em que assume a decisão de criar e controlar uma situação, não se limitando à reacção (…) e ao fazê-lo, cria as condições necessárias que lhe permitem dar, não só uma resposta positiva aos apelos da monitorização sistemática e reactiva, solicitadas pela UNESCO, como às necessidades quotidianas de gestão da área classificada (…) prevendo indicadores que se relacionam, com a realização e impacto dos projectos do Plano de Acção incluído no Plano de Gestão do Património Mundial, abarcando, ainda, indicadores que são identificadores e caracterizadores da vitalidade do próprio sítio classificado? A pergunta é pertinente mas a resposta é um grande ZERO, pois o que acabaram de descrever não significa patavina.

– [incrédulos] – Mas não foi o PG_CHP que ganhou um prémio muito especial em Itália, berço da cultura e da arte de reabilitação urbana, o PRÉMIO GUBBIO? Claro que sim! Foi uma Menção Honrosa no âmbito do prémio europeu Gubbio 2009 ‘PHYSICAL INTERVENTIONS FOR THE RECOVERY OF EXISTING BUILDINGS AND/OR OPERATIONAL AND ORGANIZATIONAL INITIATIVES, CONSISTING OF STRATEGIC OPERATIONS FOR RAISING THE LEVEL OF URBAN STANDARDS’, promovido pela Associazione Nazionale Italiana Centri Storico-Artistici – A.N.C.S.A. (www.ancsa.org). Foi, o plano é bom. Mas foi apenas o plano e como podem constatar, os seus possíveis efeitos positivos sobre o Centro Histórico, não são nenhuns!

– [caramba] – E então, não foi a 12 de Julho de 2012 que foi publicada no Diário da República a “Delimitação da Área de Reabilitação Urbana (ARU) do Centro Histórico do Porto”, em instrumento próprio, à luz do Regime Jurídico de Reabilitação Urbana (RJRU), instituído pelo Decreto-Lei n.º 307/2009, de 23 de Outubro? Para que serviu e qual a relação que tem com o PG_CHP? Pois é! É a selva total. Para ficarem ainda mais baralhados, lembramos que a intervir no espaço público do CHP (para além da GOP com o eixo Mouzinho/Flores) existe ainda um gabinete de arrumação e estética que não dá cavaco a ninguém, nem ninguém se articula de modo a que os diferentes esforços sejam coordenados e os seus gastos cirurgicamente justificados.

Mas animem-se, pois o nosso querido autarca já prometeu que até ao verão a animação será como nunca foi vista antes. Tudo grosso, tudo com os copos!

o alvo perfeito, por ssru

A Câmara do Porto vai, amanhã, associar-se às festividades do “Dia Nacional dos Centros Históricos”, coisa que já faz desde 2008. Não tem dia fixo pois este ano calha a 23 (sábado), embora tenha sido escolhido como patrono Alexandre Herculano, cujo aniversário se comemora a 28 de Março. Este ano as coisas estão melhor organizadas, envolvendo mais a comunidade e até deu para inovar com um sítio de apoio.

De todas as edições este é o cartaz de apresentação mais apelativo, feito por um jovem designer da Árvore. Ele escolheu muito bem alguns símbolos do Centro Histórico espremidos no centro de um alvo, debruado a típicos azulejos, com um dos anéis transformado em rio navegável por um barco rabelo (ah, ganda bruno). A parte desagradável é ter ligeiras semelhanças com o logótipo da empresa daquele arrogante que diz imbecilidades como: “Enquanto o povo se manifesta, a gente pode dormir mais descansada. O pior é quando não se manifesta.” [Calhau, o que ainda não percebeste é que o Povo está cada vez mais farto de palhaços como tu!]

DNCH-2013

Mas vocês não devem ir em tal conversa reaccionária e devem manifestar o vosso espanto pelos recantos do Centro Histórico “mai’lindo” de todos. Aproveitem para o conhecer melhor, para além da visível degradação, tirem fotografias, registem os vossos momentos felizes. Façam os passeios a pé, barco ou de trenzinho, assistam aos diferentes espectáculos, visitem as exposições. Afinal se o ficarem a conhecer melhor vão poder defendê-lo melhor ainda.

Quanto a nós, continuamos na mesma, sem ter nada para comemorar e, como habitualmente no dia das mentiras a 1 de Abril, iremos assinalar a passagem de mais um fastidioso ano de degradação no “Dia Nacional dos Centros Históricos Degradados”.

o carro alegórico, por ssru

O encanto e a beleza paisagística desta cidade, sobretudo do Centro Histórico do Porto, onde nasceu, são reconhecidos e admirados em todo o mundo. De tal forma que em 1996, como todos se recordam, atingiu a inscrição na lista da UNESCO como Património da Humanidade e, incrivelmente, o tem mantido, apesar de tanta degradação física, económica e social de que resulta um incompreensível êxodo demográfico. Para quem não tem presente estes foram os critérios que justificaram a sua inscrição:

“O Comité decidiu inscrever o imóvel indicado com base no critério cultural (iv) considerando que o local tem um valor universal excepcional como o tecido urbano e seus muitos edifícios históricos, testemunho notável para o desenvolvimento ao longo dos últimos milhares de anos de uma cidade europeia que olha para fora, para o oeste, por suas ligações culturais e comerciais.”

são nicolau vista do morro da sé

Apesar de tão inconfundível valor patrimonial, sempre aparece quem considere que tanto é muito pouco e decida acrescentar mais alguns adjectivos, pintar o quadro de um colorido do mais pitoresco “very typical”, contando até com o absurdo e o dissonante, para potenciar essa necessidade de diferença. Para nós são apenas os valores locais que se perderam.

Aproveitando a quadra carnavalesca, que ninguém nos levará a mal, façamos uma breve resenha dos “carros alegóricos” que circulam nas nossas ruas e no nosso Douro para ilustrarmos o postal de hoje. Assim, temos logo à partida o barco rabelo e o carro eléctrico que há muito perderam a sua função principal e que agora se dedicam apenas ao turista que nos visita.

rabelo

electrico

A modernidade trouxe-nos uma versão importada dos “double deck bus” ingleses, em diferentes cores e versões (com capota ou descapotável), veículo que facilmente assimilamos pois fazem-nos lembrar épocas anteriores em que serviam para transportar os nossos pais para o trabalho.

yellowline

redline

Com a “Disneyficação” das nossas ruas, vieram os trenzinhos mágicos que fazem percursos entre a cota alta da Sé e a cota baixa das caves de Vinho do Porto, infelizmente, quase sempre vazios, o que descompensa o transtorno que causam no trânsito.

trem01

trem02

Pelo meio temos alegorias mais ou menos estáticas e revivalistas como a importação do velhinho táxi inglês, para ajudar o comércio, ou vanguardistas e elitistas, a rivalizar com os peões e os transportes públicos, como os americanos “segway”.

taxi

segway

Mas agora, finalmente, acabadinho de chegar directamente da Tailândia, sob os inúmeros flashes dos lobotizados meios de comunicação social, senhoras e senhores: o “TUK TUK”.

tuk01

Eléctrico, diga-se… Azul. Branco também!

tuk02

tuk03

Por favor, não comecem já a dizer mal de nós e a chamar-nos quadrados e retrógrados, porque (espantem-se) nós queremos mais! Não vemos sequer uma razão plausível para pararmos por aqui. Vejam, o nosso amigo dos barcos já trouxe o iate da Rainha de Inglaterra.

queen

Pois que traga também um barco do Rio Mississípi com casino lá dentro, ou uma jangada de canas do Lago Titicaca, ou ainda, sim, porque não, uma romântica gôndola veneziana.

river boat

foto @ google/images

reed boat

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gondola

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O outro senhor dos tuk tuk esqueceu-se, imperdoavelmente ou talvez não, de importar um espectacular e ecológico veículo como o ilustre “rickshaw”, ou qualquer outro daqueles lados do oriente extremo.

rickshaw

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cestos

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Pois nós, ssru, temos vontade de instalar no CHP o melhor daquilo que é nosso: o cesto de vime da Ilha da Madeira (com as brasileiras incluídas). Já estabelecemos dois magníficos percursos, um em cada um dos morros da cidade: 1º. Aproveitando as potencialidades do pavimento em cubos de granito cerrados e lisinhos, recentemente instalados nas obras do eixo Mouzinho/Flores (que em dias de chuva dão muito jeito) começamos na rua pedonal dos Caldeireiros, seguimos pela futura rua pedonal das Flores, continuamos na nova rua pedonal de Sousa Viterbo e pela rua pedonal da Alfândega chegamos ao Largo do Terreiro. 2º. O outro percurso inicia-se na famosa e “poeirenta” rua pedonal Escura, segue pela rua pedonal e tortuosa da Bainharia, logo a seguir pela rua pedonal dos Mercadores (saltando o Túnel a meio) e chegamos à Praça da Ribeira, que a maioria das pessoas não conhece porque lá tem um cubo de bronze no meio. Que dizem, genial?

Em último caso temos sempre esta solução infalível!!!

camelos

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a cidade dos que se importam, por ssru

Poderão vocês imaginar tal diálogo do nosso autarca: “Lídia, querida, anda comigo ali ao Centro Histórico, para veres as maravilhas que andei a fazer durante estes 11 anos do meu reinado” – É bem provável que não possam, pois nós também não! E se Rui Rio também não o propõe aos seus convidados, que com ele comemoraram , o mês passado, a classificação do CHP como Património da Humanidade, entre quatro paredes do edifício da Câmara Municipal, é porque do mesmo modo a estes lhes pareceria bizarro.

As razões porque este executivo não tem obra para mostrar para além do fachadismo, saem da boca do seu próprio presidente, nestas palavras casmurras e, mesmo até, ignorantes e paradoxais: “a classificação do Centro Histórico da cidade como Património da Humanidade, em 1996, foi “uma herança positiva” que o seu executivo recebeu em 2001. Contudo, foi necessário alterar o modelo que era seguido até então, muito dependente do financiamento público. “O primeiro desafio” foi, pois, alargar o âmbito geográfico da intervenção à Baixa portuense, que “integra o centro Histórico, mas vai muito mais além”. O Presidente da Câmara Municipal do Porto falava no encerramento da cerimónia comemorativa dos 16 anos da classificação do Centro Histórico como Património Cultural da Humanidade, atribuída pela UNESCO, em 1996.

Ora, como vocês se lembram estas palavras teimosas que Rui Rio vai repetindo até à exaustão para ver se convence alguém mais, para além de si próprio, tiveram a crítica perfeita no manifesto das comemorações do 11º aniversário da classificação da UNESCO, por um grupo de “Cidadãos do Porto – Sociedade Aberta”, em 2007: “(…) o Centro Histórico do Porto resiste heroicamente às agressões das intempéries, às malfeitorias de muitos, ao desinteresse de outros, ao esquecimento e ao obscurantismo que procura embrulhá-lo, banalizá-lo e dissolvê-lo numa Baixa que é sua parte e sua protecção.”

Perceberam? Foi isto que determinou o fracasso da aposta do Dr. Rui Rio na sua tão propalada “reabilitação urbana da baixa portuense e do seu centro histórico”. Colocando o CHP à mercê de comparações e modos de intervir num território diferente do seu e que o envolve mas que não o embrulha; permitindo que as intervenções insultuosas em matéria de salvaguarda dos valores patrimoniais estivessem ao nível da construção digna de um banal subúrbio ou lugarejo satélite do Porto; fazendo premeditadamente desaparecer as suas características únicas, os sinais que o diferenciam de qualquer outro centro histórico ou envolvente pois assim tudo fica mais fácil à imbecilidade [o que é que isto quer dizer, a sério (“Reabilitar a Baixa tem valor cultural, enquanto património e económico, através do turismo e também do ponto de vista do crescimento pelo poder de arrasto nos outros setores”, afirmou. Agora, o que falta é “ter gente a dormir aqui”) – que paupérrima construção frásica].

incêndio 04

Em toda uma década e mais alguns meses, Rui Rio nada fez pelo Centro Histórico do Porto, porque ele não se ‘imPorta’. Para além de um “Plano de Gestão” que não serve para gerir coisa nenhuma, a não ser o tempo até o próximo apertão da UNESCO devido à falta de salvaguarda do CHP; e agora esta repentina lavagem de cara das ruas do “Eixo Mouzinho-Flores”, onde com um assinalável ‘novo-riquismo’ gasta 8 milhões de euros, nada mais tem para nos mostrar. No entanto, o grau de devastação tem sido exponencialmente maior.

palácio da bolsa

Com saudade relembramos o manifesto daquela noite fria de 4 para 5 de Dezembro de 2007, noite ímpar de luz e música, todos juntos numa praça, até parecia possível mudar o mundo:

Cidadãos de um Porto de liberdade, unidos em torno de uma causa da cidade, fazem a festa.

Centenas de cidadãos activos e mobilizados dando à cidade o seu esforço, contra o apagamento do seu Centro Histórico, trazem a música, a luz e a cor à Praça do Infante.

Uma festa de júbilo porque o Porto, reconhecido pela UNESCO como Património Mundial, não pode ser esquecido pelos portuenses, habitualmente distraídos pelo seu labutar de formigas laboriosas.

É um dia de celebração, de festa, e de alegria.

Tocam os sinos, cantam os músicos e falam os arautos.

É Inverno, fim da tarde e noite já fria da Baixa. Reúnem-se as tribos tripeiras das colinas e das margens para se juntarem no Infante e na Bolsa.

Unidos pelo desejo de praticar a Liberdade e a Cidadania, lavadas as pinturas de guerra, Cidadãos do Porto de todas as cores, de todas as idades, credos e profissões terão neste 4 de Dezembro a oportunidade de se exprimirem como SociedadeAberta que são, com alegria e reflexão sobre este bem insubstituível que é o nosso património urbano acumulado durante séculos.

Felizes são as cidades que como o Porto têm, porque souberam guardar, uma herança cultural construída pelo esforço de gerações e gerações.

Mais felizes ainda as poucas que entram na prestigiada lista da UNESCO.

Não podemos, cá, neste Porto que transportamos no nosso peito, deixar esquecer a exigente marca disputada e conquistada em 1996 na reunião do Comité do Património Mundial da UNESCO, na Cidade de Mérida, no México.

Onze cidadãos que despertam e entendem que podem ser mais, muitos mais. Onze cidadãos do Porto, com alma do Porto, que decidem chamar as centenas e tocar os sinos a reunir.

Onze cidadãos que se multiplicaram e hoje fazem a festa para acordar as consciências e as vontades.

Um Porto assim, de gente que se importa com o carregar da memória do nosso passado para os séculos do futuro não é um Porto que se deixe mais adormecer.

Toca a reunir: das seis e meia às sete e meia nos Leões, na Sé, em Miragaia, na Ribeira e em Gaia; das oito às nove e meia no Infante e, depois, dentro da Bolsa.

Vale a pena lembrar a todos os que são de cá e a todos os que cá nos visitam que é por mérito próprio, pela qualidade do seu Património e pela força das suas gentes que o Centro Histórico da nossa cidade não pertence só a nós mas a toda a humanidade.

Enfermo, velhíssimo, sofrendo das patologias da idade e do abandono, o Centro Histórico do Porto resiste heroicamente às agressões das intempéries, às malfeitorias de muitos, ao desinteresse de outros, ao esquecimento e ao obscurantismo que procura embrulhá-lo, banalizá-lo e dissolvê-lo numa Baixa que é sua parte e sua protecção.

Os Cidadãos do Porto, Sociedade Aberta chamam o Porto ao Infante para aquecer esta noite fria com a sua alegria e a sua festa.

Cidadãos do Porto SA

Alexandre Burmester / Carlos Magno / Conceição Rios / Cristina Moreira / Francisco Rocha Antunes / Hélder Sousa / João Braz Pereira / Júlia Lourenço / Licínia Rangel / Luísa Barbosa Cardoso / Rui Loza

ribeira

nota: aqui fica o documento da autoria do Arq. Rui Loza, onde se pode consultar o programa da festa e a lista de individualidades e instituições que se associaram aos magníficos onze: [ 20071130-4dezembro1 ]

o dia “D” [degradado], por ssru

A eleição do Porto como o “Melhor Destino Europeu de 2012” veio apaziguar um pouco a nossa amargura. Por isso dedicamos o dia de hoje, 1 de Abril, a passear pelo Centro Histórico que contribuiu para enformar a escolha dos “European Travellers”. Dessa forma recarregamos as baterias para enfrentar a verdade do dia-a-dia, que se esconde longe dos bilhetes-postais que todos preferem ver. No nosso ‘foto-blogue’ não fazemos outra coisa senão dedicar a este recanto todo o nosso amor, uma ode chamada “oporto is beautiful”, uma face surpreendentemente oposta àquela outra que todos os dias queremos poder mudar, expondo-a aqui neste vosso sítio. Precisamos disto…

Assinalar a passagem de mais doze meses de inépcia, de inércia e de mentira não é tarefa fácil para nós e agora que o dia das mentiras, do logro, da piada fácil, chega ao fim, convém desvendar as verdades encobertas por peneiras de rede larga.

Verificamos que, finalmente, alguém começa a perceber (apesar de nós o virmos a dizer há quase quatro anos) que da menina-dos-olhos do Dr. Rui Rio – a Porto Vivo – não saem ovos de ouro, embora seja a instituição onde o Estado e a CMP têm vindo a torrar milhões de euros. Só o passivo referente à despesa com a estrutura e salários é de 4 milhões. Tal como em ‘filmes’ anteriores também aqui temos a historieta das comparticipações dos sócios ou fundadores, as nomeações da administração adiadas, as lentas agonias, as frases “coitadinho”, os impasses, a inércia dos néscios, as tristes incertezas para o futuro.

Enquanto isso encontra-se em fase de discussão pública a proposta de “Delimitação da Área de Reabilitação Urbana do Centro Histórico do Porto” aprovada em reunião camarária e elaborada pela Porto Vivo, SRU que foi objecto de parecer favorável por parte do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana, I.P, nos termos do disposto n.3, do artigo 14º do RJRU, aquele diploma que vai ser revogado em breve por este Governo em mais uma estúpida e incompreensível alteração legislativa.

Assim, uma vez que os portuenses mostram todos os dias estar no grau zero da cidadania, manifestamos a nossa profunda preocupação pela aprovação de um documento que irá mudar o Centro Histórico do Porto, sem que se consiga perceber bem para onde, mas adivinhando para o torto a julgar pelas amostras que a SRU nos tem vindo a dar ao longo destes quase oito anos da sua existência.

É nossa opinião que a classificação do CHP como Monumento Nacional/Património da Humanidade, conflitua com a constituição de uma ARU e com a avidez dos Mercados por um território que deve estar sujeito às regras de controlo e ao investimento do Estado que o classificou.

à velocidade da luz, por ssru

O actual Ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, troou no final de 2011 que, de acordo com o cabimentado no Orçamento do Estado para este ano, um valor interessante de 4 milhões de euros seria destinado à montagem de radares de controlo da velocidade, medida “crucial para a diminuição do número de acidentes em ambiente urbano, sendo necessário a colaboração com as autarquias”. Fazem parte de um montante ainda maior de 39,5 milhões de euros, provisionado no OE para aquela Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) que ninguém sabe para que serve, falando assim o ministro em milhões como nós trocamos tostões.

Escusado será dizer que este anúncio nos soou espalhafatoso, uma vez que ainda permanece na nossa memória a existência de uma autoestrada dentro da cidade, que a fragmenta e agride, chamada VCI/IC23, cujos radares de velocidade se encontram desligados há mais de 4 anos e que custaram aos portuenses 500 mil euros. Assim sendo, para quê mais radares se aqueles que existem não têm serventia?

A história conta-se em traços largos: A VCI/IC23 foi concessionada pela Estradas de Portugal à Auto-estradas do Douro Litoral (AEDL) em Maio de 2008. Desde finais de 2007 que as infracções detectadas pelos radares da Via de Cintura Interna não têm consequências. A Estradas de Portugal diz que a responsabilidade sobre a gestão dos radares é do Instituto de Infra-Estruturas Rodoviárias (InIR) e este organismo, dependente do Ministério das Obras Públicas, remete a responsabilidades para o Ministério da Administração Interna. Que, por sua vez, encaminha para a Autoridade Nacional para a Segurança Rodoviária (ex-Direcção-Geral de Viação). Esta justifica que apenas lhe cabe proceder à instrução dos processos de contra-ordenação com base nos autos que lhe são remetidos. Conclusão: ninguém assume a responsabilidade pelo levantamento dos autos.”

Mas o ministro tem razão na medida “crucial”. A questão está estudada e o impacte dos radares de controlo de velocidade em termos de sinistralidade, desempenho do tráfego e emissões de poluentes, mereceu já algumas dissertações e teses científicas. Aliás, para o comum dos cidadãos basta ler as páginas dos jornais e ligar as televisões para constatarmos que a VCI está mais mortífera desde que há quatro anos um bando de irresponsáveis criminosos, levianamente desligou os radares por não saber quem é que devia passar a multa.

Há uns meses atrás uma jovem mulher perdeu a vida contra a cabine de um camião que galgou o separador central, poucos metros depois do pórtico do radar do Dragão, que se encontra desligado, descendo uma via mal desenhada, com um relevé insuficiente, uma pendente perigosa e com piso molhado. Duas semanas antes também nós assistimos ao mesmo espectáculo, só que desta vez sem vítimas. Aliás, se quiserem podem fazer um esforço para encontrarem naquele troço da VCI um pedaço de separador que ainda não tenha sido trocado. E vai ser assim enquanto a Câmara Municipal do Porto vai avaliando e estudando e… mais alguns acidentes acontecem!

Não sabemos se aqui houve ajuda da ANSR, mas há situações que não suscitam tanta dúvida ou estudo à CMP. É o que se passa de há uns tempos para cá na Rua da Reboleira, um caso-de-estudo da zona ribeirinha, uma via pedestre já de si condicionada ao trânsito automóvel e onde foi colocado um “radar de velocidade” para detectar infracções acima dos 10 km por hora. Nem queremos imaginar as corridas que por lá se fazem… Ui, ui!

O problema é que, de todos os edifícios que aquela rua tem, foram logo escolher o mais conhecido em termos patrimoniais: uma Casa-Torre do século XIV/XV, também referenciada como a casa dos Pedrossem, ali ao nº 59, onde colocaram o estridente aparelho medidor, junto ao olho do Grande Irmão. Para estupefacção dos turistas e gáudio dos locais, num cunhal entre duas belíssimas varandas, resolvesse desta maneira tão complicado problema. Podia ser num poste ou num pórtico, mas não!!!

Que raio! Mas será que esta gente já “não se sente”? Será isto mais um caso paradigmático de “incontinência mental”?

a sexta-feira 11, por ssru

O dia de hoje acordara assim, com premonições de infortúnio e ainda faltavam outros dois para o malfadado 13. Desde as notícias da manhã que se aguardava uma sexta-feira 11 de má memória. O dia 11-11-2011. Ao longe e ao perto, em ondas, troava o ruído das sirenes que trespassava o material de construção dos prédios, denunciando um dia aziago para os bombeiros da cidade. A abundante chuva provocava inundações, os entupimentos a impaciência de mais um Outono demasiado húmido, os incêndios que nascem dos circuitos curtos, os inevitáveis acidentes automóveis e os dispensáveis encarceramentos. O Porto rangia ao sabor do tempo.

Na caixa do correio, no fim da tarde de sol envergonhado, as imagens e o texto confirmavam as estranhas vibrações, testemunhos de uma simpática leitora, que adiou por momentos o seu trabalho e a sua hora de almoço, para gravar a acelerada destruição de mais um edifício do Centro Histórico do Porto. Este na Rua das Flores, que no seu tempo áureo recebia visitas da mulher do ditador espanhol Franco, que aqui vinha só para comprar as melhores peças de ourivesaria da Aliança. A polícia do Estado vinha à frente e atrás e fechava todos os acessos urbanos para que aquela primeira-dama não fosse incomodada. Para extinguir as labaredas de hoje, não foi necessário, felizmente, fechar a Rua das Flores. Dia azarado este…

a fusão do núcleo, por ssru

Parece chegada a nossa vez de algaraviar sobre a fusão de freguesias e, como devem entender, as que mais nos interessam são estas aqui do Núcleo, a que chamamos Centro Histórico. É bem verdade que nós não percebemos nada do assunto, aliás, tal como a vasta maioria de pessoas que alvitra nesta matéria, principalmente sem justificar ou equacionar os prós e os contras de uma e outra opção. Alguns dos especialistas que lemos, chegam a concluir que o melhor remédio pode ser um referendo (mesmo sabendo as afluências que os referendos têm, lavando assim as mãos), quando outros utilizam a simples matemática para chegarem às suas conclusões (ignorando que as pessoas não são só números). Recentemente mais especialistas consideram que o risco de desertificação do País é agravado uma vez que “a diminuição das autarquias é o resultado do despovoamento, mas também causa mais despovoamento”.

Tratando-se de uma discussão muito anterior ao acordo com a “troika”, seria de esperar que as questões já estivessem todas balizadas e os tais (negligenciados) “prós e contras”, completamente absorvidos por todos.

O nosso autarca nº 1, “(…) o presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, admitiu estar disponível para agrupar as 4 freguesias do centro histórico, se elas assim o desejarem, mas desvalorizou os efeitos práticos da reorganização de freguesias da cidade.“Se se reagruparem, acho que ficam melhor, mas não é uma reforma que mude muita coisa. Se elas quiserem agrupar-se, tudo bem, senão não vale a pena abrir uma guerra. Isto deve ser visto à escala nacional”, defendeu o autarca, respondendo a uma pergunta durante o debate promovido na conferência “Reorganização Administrativa do País (…)”. Ou seja, tanto faz, desde que não haja barulho!

Rui Moreira, presidente da Porto Vivo e “(…) presidente da ACP reconhece que, se a freguesia for vista apenas como parte do mapa eleitoral, “não faz grande sentido o desequilíbrio” entre freguesias populosas, como Campanhã, Ramalde e Paranhos, e outras mais desabitadas, como Vitória, São Nicolau e Nevogilde. “Só que eu acho que as freguesias têm uma função diferente, mesmo nas cidades. Quando queremos aproximar o poder de decisão dos cidadãos – e sou um adepto da regionalização – temos que ter cuidado para não fazer o contrário nas freguesias”, explica. Além disso, acrescenta Rui Moreira, há uma “sensação identitária” que importa preservar: “as pessoas da Vitória são da Vitória, as pessoas da Sé são da Sé, as pessoas de Nevogilde, como é o meu caso, são de Nevogilde, não são da Foz. (…)”

Como sempre, nestas ocasiões, socorremo-nos das palavras de quem sabe e estas que aqui estão abaixo, lidas várias vezes, são escritas por alguém que muito admiramos. À medida que lemos, damos conta do preciosismo deste texto, do seu verdadeiro alcance e o quanto se constitui como um atestado de burrice e incompetência às políticas e políticos dos últimos 40 anos.

“O centralismo e a oportunidade (perdida?) da crise”, por José Rio Fernandes, Sábado, 21 de Maio de 2011 – no Porto 24.

Se deixarmos de parte pequenos países, como o Luxemburgo ou Mónaco, Portugal é o país mais centralizado da Europa, considerado o centralismo pelo volume do dinheiro público que é distribuído pelos vários níveis geográficos de administração do Estado.

Além de centralista, o Estado em Portugal é desconfiado e ineficiente.

O centralismo é desconfiado, porque entende que nas vilas e pequenas cidades do “interior” (a menos de 2 horas do mar!), o dinheiro é especialmente mal gasto, em rotundas, pavilhões e não sei que mais e aí abunda a corrupção. Por isso, é melhor serem alguns a decidir na capital (onde todos são sérios, está bom de ver…).

Mas como e quem cria um banco como o BPN? Como e quem faz e explora auto-estradas e constrói escolas? Como e quem decide e ajuda a comprar submarinos? Além disso, este centralismo, que gera a dependência desde as aldeias, vilas e cidades distantes do processo de decisão (porventura próximo de Lisboa), cria a desconfiança de muitos face aos poucos que decidem na capital, normalmente confundidos com os “políticos”.

Dito de outra forma, o centralismo é mau para a democracia.

O centralismo é ineficiente, porque os ministérios e secretarias de estado comunicam mal entre si, não olham uns para os outros na hora de ver onde ficam hospitais relativamente a escolas ou parques urbanos, nem pensam se a melhoria nos serviços, por exemplo pelo comboio, evitaria o alargamento da auto-estrada ao lado.

Regras e mais regras, somados a reguladores e necessidade de escapar ao controle (estatístico) do aumento do défice e endividamento, levam a criar institutos, parcerias e fórmulas as mais variadas de empresas mistas, públicas e privadas (na escala central como local), além de ocorrer a privatização de serviços públicos, o que faz com que a decisão demore a ter efeitos e a gestão global seja um exercício quase impossível.

Dito de outra forma, o centralismo é mau para a economia.

Além de centralista, desconfiado e ineficiente, o Estado está a ficar duplamente centralizado, já que nas regiões autónomas (na Madeira, muito especialmente) e nos municípios (alguns sim, outros não), se reproduzem os tiques de centralismo nacional, acrescido da concentração numa única pessoa (o presidente), associando-lhe o destino de uma terra.

Subsídios a jornais (mais publicidade) e a clubes de futebol (mais publicidade) ajudam muito a este “todo-poderosismo”, para o que contribui o alargamento da influência do partido do poder por alguns destacados membros às instituições mais relevantes (como misericórdias e associações culturais), mais a “gestão criteriosa” dos concursos para obras, ou do recrutamento e promoção de funcionários.

Soluções? Já acreditei mais que a regionalização poderia promover uma articulação tão necessária na gestão como na promoção da energia das pessoas e empresas e instituições, ainda que não necessariamente de diminuição de assimetrias. Ainda creio muito na vantagem das regiões, mais não seja pela potencialmente saudável perturbação que iria criar.

Na Grécia, um dos poucos países não regionalizados, isso foi-lhe imposto há pouco pelo FMI. Por cá, isso passou despercebido ao sr. Olhos Azuis e aos seus colegas da dita troika. Em contrapartida, pareceu-lhes bem propor a diminuição do número de municípios e freguesias. Duvido muito que seja um bom caminho. Ou melhor, acho que é asneira e dispêndio desnecessário de energia.

Se a extinção de freguesias pode ocorrer em Lisboa e porventura em mais meia dúzia de casos, no país mais profundo a freguesia tem um valor identitário e historicamente tão profundo que o seu desaparecimento significa uma perda que para alguns é muito superior aos efeitos da crise.

Quanto à extinção de municípios, os quais salvo raras excepções estão estabilizados há mais de um século e têm uma dimensão superior ao que ocorre na generalidade dos países europeus, esta proposta só pode resultar de alguma indicação tecnocrata e inculta (“cheira-me” que tenha sido coisa do dr. Catroga)…

Governança é o que faz mais falta (mas isso merece um texto autónomo), maior cooperação entre municípios também (forçada por incentivos e penalizações, como aconteceu aquando da realização dos PDM) e fusão de competências entre freguesias, isso sim parece sensato!

P.S.: Por favor deixem Porto e Gaia descansados. Afinal, o GaiaPorto ia até Espinho e deixava Matosinhos de fora? Ou englobava os três e “fazia de conta” que as pessoas que dormem em Gondomar e Valongo não interessam? Entretanto, pode alguém fazer-me o favor de dizer o que é e para que serve a Junta Metropolitana? E se puder descobrir porque é que desde Fernando Gomes está moribunda, os habitantes de Porto, Matosinhos, Maia, Valongo, Vila Nova de Gaia e Gondomar agradecem.

o local do crime revisitado, por ssru

Os nossos leitores são uns (chatos) curiosos e fizeram questão de visitarem o local do crime que anunciámos ontem e ao depararem-se com um novo espectáculo, enviaram-nos estas fotos fresquinhas, só para nos obrigarem a corrigir os dados da nossa notícia de 01 de Abril. É que já não são 652 prédios degradados mas antes 651, porque o último edifício, este já do século XIX, mandado construir para correcção de alinhamentos de ruas, se encontra no preciso momento a ser demolido.

Poderá, muito certamente, não ser o último e sermos forçados a corrigir o número para 650, uma vez que o edifício em frente a este, no outro gaveto da Rua de Trás com o Campo, foi atingido pelos escombros do confrontante em demolição e já antes o tínhamos assinalado como ruína. Para já, porque ainda temos a garganta seca de tanta poeira e tamanha parvoíce que se verificou no caso anterior, fiquem com as fotos que nos enviaram hoje, relativas a mais um atentado. Eles estão imparáveis!

Registamos, no entanto, o silêncio geral: da Porto Vivo, da DRCN, da DMMPC, das Ordens Profissionais, das Faculdades, da Oposição Política, dos Historiadores e Contadores de Histórias da Cidade, das Pessoas Cultas da Cidade, da Comunicação Social, mas sobretudo, dos tripeiros, dos portuenses, dos guerreiros do Norte. Fica registado.

o dia 1 de abril, por ssru

“BOAS NOTÍCIAS PARA O CENTRO HISTÓRICO DO PORTO”, 1 de Abril, 2011

Dos 653 prédios em mau estado ou em ruína na Zona Histórica, anteriormente referidos num nosso artigo, restam agora, apenas, 652 edifícios degradados e identificados no Plano de Gestão do Centro Histórico do Porto. A proeza foi obtida pela acção diligente e coordenada da Protecção Civil e dos Serviços Camarários, preocupados com o estado lastimável em que o edifício se encontrava, procedendo à sua demolição, uma solução inevitável que se afigurou como única.

Como vem sendo hábito, a SSRU assinala a 1 de Abril [não comemora ou festeja, porque não existem motivos para tal], o “Dia Nacional dos Centros Históricos Degradados”, em clara oposição à cínica celebração que se efectua no Porto e em todo o País a 28 de Março.

Conforme se constata na notícia do “dia das mentiras”, acima, resolvido que ficou o problema, os convivas devem ter celebrado o extraordinário feito numa faustosa almoçarada. Se esta lógica passa para os ambientalistas, o lince ibérico (por exemplo) tem os seus dias contados, uma vez que se encontra em vias de extinção e ainda acabamos de vez com o pobre e arruinado bichano. Se esta lógica prospera para os actos médicos, poderemos começar a racionar os medicamentos a doentes cujo risco de falecerem é maior que o dos restantes! E por aí fora…

O edifício em questão, era um dos imóveis mais antigos da Zona Histórica da Vitória, datado do século XVI, com dois pisos de granito e mais dois pisos superiores, avançados, em taipa. Definia um gaveto importante na relação entre os edifícios monumentais das vizinhanças – Cadeia da Relação e Torre dos Clérigos – e os restantes envolventes.

Existindo mais alguns exemplares deste tipo de edifícios na cidade, são, contudo, raros porque a evolução urbana dos séculos seguintes, particularmente na época dos Almadas, provocou uma espécie de revolução urbana na imagem da cidade. Chegou até nós num estado de conservação possível e uma das razões para tal acontecimento, prende-se com o facto de ser um gaveto e dispor de pouca área fundiária, ficando assim a coberto da especulação imobiliária.

Ou seja, estamos a falar de um “velhinho”, com cerca de 500 anos, que não merecia tamanha ignorância interventiva.

Esta situação é, de alguma forma, semelhante à acontecida no edifício de esquina da Rua Escura com a Travessa de S. Sebastião, frente às escadarias do Largo da Sé. Nesta situação as autoridades competentes colocaram uma estranha estrutura em aço para suportar os edifícios vizinhos, não se percebendo porque razão, esta não foi colocada para evitar que os velhos edifícios “caíssem”. Se esta é a solução para, depois da demolição segurar os edifícios vizinhos, porque não é a receita para evitar que estes sejam suprimidos.

Adivinha-se, pois, ser esta a panaceia para os restantes edifícios nas mesmas condições… incluindo os mais recentes como a Casa das Artes ou a Casa do Cinema (fora do centro histórico)!!! Em época baixa para os incêndios mantemos assim ocupado o pessoal.

Os cérebros que comandam este tipo de decisões sobre questões de património histórico e arquitectónico, podem ser entendidos como dementes ou desviantes…

É curioso o facto desta rapidez da autorização para demolir estes edifícios em zona histórica classificada, ser sempre relativa a situações em que os imóveis são de entidades públicas (tal como este será!?), o que leva a supor que, se os imóveis fossem privados, estes seriam obrigados a reabilitar, sendo vedada a sua demolição.

Estas são algumas das verdades do dia das mentiras… E vocês perguntam “como é isto possível?” e nós respondemos “não sabemos!”

à memória futura, por ssru

Um Bombeiro morreu ontem nas mãos da incúria e do desrespeito pelo Centro Histórico do Porto. Pouco interessa discutir de quem é a culpa, porque se quiserem mesmo saber, ela é toda NOSSA, cidadãos do Porto. Porque deixamos isto acontecer mais uma vez, porque sempre que acontece nada fazemos para obrigar os seus responsáveis a tomar medidas, porque enquanto a autarquia nos despreza e a Porto Vivo brinca aos planos de gestão tudo fica cada vez pior. Os últimos moradores do Centro Histórico ou morrem aos poucos ou são ‘exportados’ para a periferia. A cidade fica à mercê das chamas que pastam vorazes (até em noite de tempestade), em ruas estreitas, repletas de automóveis.

Para a nossa memória futura, para que ninguém esqueça um HERÓI que agora descansa…

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foto@DN Norte (15-11-2010)

Chefe foi combater fogo por falta de bombeiros e morreu

o relatório minoritário, por ssru

Confessamos com (ainda) algum desapontamento que o tema não gerou grandes paixões e nem mesmo por parte dos prevaricadores se notou qualquer remorso, uma vez que ainda andam por lá a demolir mais qualquer coisa e a prepararem-se para fechar com blocos de cimento os vãos dos prédios, aqueles da Rua da Bainharia que arderam no final de Julho. Note-se que também não se conhece qualquer posição pública por parte da entidade da administração central que zela (deveria) pelo património nacional sobre este assunto, sobressaltando ainda mais o nosso desalento. Somos tentados a concordar que “(…) se as elites nacionais se assemelham a uma caricatura indigesta, as do Porto parecem ter-se sumido na decadência que tem assolado a cidade. O Porto mantém pessoas de qualidade mas estas não constituem um corpo, espontâneo ou construído, que actue numa prática concertada em favor de interesses ou de ideias comuns. As pessoas de escol do Porto prescindiram de pensar no seu sentido colectivo, já não têm metas nem missões estratégicas exequivelmente comungáveis.(…)”

A nossa acusação é grave e ronda, no mínimo, o “crime por negligência” contra o Património da Cidade, o Património Mundial, este maravilhoso Centro Histórico do Porto. Na procura de bases que sustentem os nossos argumentos referentes a tal acusação, percorremos as ruas da nossa memória próxima em busca de edifícios que arderam recentemente para verificarmos qual o procedimento que foi adoptado no “pós-fogo”, ou seja, se incluiu a demolição ou a consolidação dos prédios afectados, ou qualquer outro tipo de medidas. À velocidade que estes casos vão sucedendo por todo o lado, como seria de esperar, foi para nós muito fácil encontrar de imediato inúmeros exemplares que sirvam para tal explanação.

rua da assunção / rua de trás, onde morreram quatro pessoas

rua de belomonte / escadas da vitória

rua de trindade coelho / quarteirão das cardosas

travessa do carregal / rua de clemente menéres

rua de álvares cabral / praça da república

O que estes cinco exemplares têm de comum entre si é o facto de nenhum ser propriedade camarária e nenhum deles ter sido mandado demolir na sequência do incêndio que os devastou. Exactamente o mesmo que os diferencia dos edifícios da Rua da Bainharia cujo valor patrimonial e histórico se sobrepõe a qualquer um destes agora apresentados. Mais intrigante é ainda a reportagem e entrevista feitas pela RTP, em que o chefe sapador de serviço Antero Leite assegura, no dia seguinte ao sinistro, que o conjunto não se encontra em risco de derrocada e apenas farão o rescaldo e limpeza de elementos soltos. Este vídeo merece ser visionado!

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Qual é afinal o nosso interesse?

Interessa-nos determinar o momento e as circunstâncias que permitem que, perante um cenário provável de consolidação e manutenção do prédio, este passa à situação de “risco de derrocada” e posterior demolição/destruição, sem que saibamos como!

Interessa saber qual a argumentação do técnico ou técnicos que, em circunstâncias excepcionais e contrariando os procedimentos habituais patentes nos exemplos expostos, determinam a demolição/destruição de edifícios que integram um sítio classificado pela UNESCO.

Interessa perceber se os técnicos de protecção civil têm conhecimento das restrições à demolição/destruição dos edifícios do Centro Histórico do Porto e se têm habilitações para justificar tal decisão.

Interessa-nos que tal “crime” não volte a repetir-se… mas se acontecer, que o seu relatório seja público e transparente.

Será que estamos a pedir muito?…

o telhado de vidro, por ssru

No passado sábado, 11 de Setembro, assinalou-se em Portugal “o dia nacional do bombeiro profissional”, numa cerimónia realizada em Coimbra, com direito a parada, ministro, acompanhantes e medalhas. Por vezes a nossa curta memória faz-nos esquecer o quanto devemos estar gratos a estes homens, profissionais ou voluntários, que se dedicam a salvar vidas e bens, que nos acodem nas horas de maior aflição.

A falta de meios e de homens é sucessivamente lembrada e governo após governo, ninguém parece empenhar-se o suficiente para resolver ou minorar o problema. Este ano o dirigente da ANBP, aproveitou para lembrar, mais uma vez (apesar do esforço que o Sr. Ministro diz fazer), que a falta de homens e decisores técnicos com habilitações teóricas e práticas é uma realidade que os deixa presos ao passado. Veio exigir “(…)uma reorganização da Protecção Civil para acabar ‘de uma vez por todas com a deficiente coordenação no combate aos incêndios florestais’. ‘Depois de 2003 e 2005, pensava que não voltava a assistir a incêndios de uma semana em Portugal. Este ano alguma coisa falhou e é preciso pedir responsabilidades a quem tem capacidade decisora (…)”, disse.

Na frente urbana, também as bocas-de-incêndio andaram nas “bocas” da comunicação social e por lá se mantiveram. As últimas bocas foram as de Matosinhos que deveriam ter água a jorrar para o combate a incêndios e afinal, népia! Culpa para um lado e de volta para o outro, a verdade é que a sorte fez o favor, ainda assim, de bater à porta dos nossos vizinhos. Sim também foi sorte!

ainda podemos recorrer à fila de baldes, como antigamente...

Aqui, do lado de cá da Circunvalação, caladinhos ‘que nem ratos’, assistimos a tudo isto ignorando que só a perícia e a SORTE impediu que algo de devastador nos tivesse acometido no incêndio que deflagrou no Centro Histórico, à Bainharia, no final de Julho, aquele que demos conta num artigo anterior. Conta quem assistiu, que a tentativa dos homens que combatiam o fogo para ligar a mangueira à boca-de-incêndio, em Mouzinho da Silveira, saiu frustrada, uma vez que esta se encontrava seca. Fosse outro o tamanho do perigo e o desastre teria sido incontável. Façam só um pequeno esforço para imaginar…

Nós, aqui na SSRU não queremos saber de quem é a culpa do sucedido, nem a responsabilidade de manutenção do equipamento. Dizem-nos que os jornalistas que reportaram o sinistro foram informados do assunto pelos populares, mas que não fizeram caso, enquanto que o de Matosinhos durou semanas. Nós não acreditamos em conspirações, só mesmo em bruxas. Só queremos dormir descansados e que a água não falte quando é mais precisa e a quem precisa dela. O resto é “política zero”!

pela 'afeição' que estas grades têm pela boca-de-incêndio, percebe-se que há muito para fazer!

a negligente protecção, por ssru

Ainda gagos e mal refeitos do último incêndio que poucos dias antes tinha dizimado 20 casas da Zona Histórica do Porto, ali às Fontaínhas, somos confrontados com este espectáculo flamejante que reduz a cinzas dois edifícios, afectando um terceiro, na Rua da Bainharia, uma das vias medievais do Centro Histórico do Porto.

A Rua da Bainharia corresponde à antiga via veteris, a estrada romana de ligação entre Lisboa – Braga e ao longo da época medieval já se encontrava totalmente construída por edifícios de parcela estreita de frente e comprida de lote.

As três parcelas atingidas, situadas entre os números 95 e 107, correspondem a dois edifícios com o rés-do-chão em granito e os andares superiores em taipa, tipologia arquitectónica própria das edificações até ao século XVI, na Cidade do Porto. No edifício do meio, a fachada de granito foi construída em meados de 1650 e apresentava os característicos cachorros a suportarem as sacadas (varandas) e era rematado no último piso com cachorros a apoiarem uma cornija e gárgulas nos extremos. Este tipo de edifícios fazem parte integrante do Centro Histórico do Porto, classificado como Património da Humanidade e conseguiram sobreviver à tentação de alargamento da Rua da Bainharia, em parte concretizado perto da Rua do Souto.

O edifício onde se iniciou o incêndio, propriedade da Câmara Municipal do Porto, que pelo menos desde 2001 (via fotografia aérea) necessita de obras urgentes, atingiu finalmente o seu auge de degradação: aos maus-tratos acumulados pelo abandono e pelo tempo; juntamos a acção purificadora do fogo; imediatamente seguida na libertação pela água das agulhetas dos bombeiros; glorificada pela exponencial sensibilidade de segurança de um qualquer membro da Protecção Civil – a segurança sempre em primeiro lugar. É curioso constatar o “jeito” que os responsáveis pela protecção civil dão à entidade encarregue de promover a reabilitação do Centro Histórico e em particular destes três edifícios, para os quais designou em Documento Estratégico uma “intervenção conjugada”, pois desta forma ficou livre de constrangimentos de recuperação do património e poderão concretizar mais facilmente um projecto imobiliário pseudo-moderno, que no caso do Porto já existem antecedentes parolos como o “Pátio Luso”.

A fachada do edifício em granito foi empurrada para o seu interior tendo-se danificado a maioria das pedras trabalhadas. Esta fachada demolida dificilmente estaria em situação de ruína eminente porque a sua espessura corresponderia a 65 – 70 cm, situação que se verifica em vários edifícios no Porto e que até hoje não caíram. Aliás é difícil perceber, nesta senda demolidora, terem deixado ficar a parede de meação que trava as fachadas e que é sensivelmente mais estreita que a anterior, ou ainda, a razão de ter ficado a fachada para a Viela do Anjo, mesmo com pedaços de construção pendurados.

Seria útil poder confrontar estas evidências com o relatório da Protecção Civil que sustentou a demolição da fachada, dando continuidade à sequência de violações sobre um Centro Histórico classificado, cujas demolições, por esse facto proibidas, poderem ainda assim ser feitas sem o acompanhamento e supervisão de um técnico perito em património (que provavelmente a mandaria escorar!).

Sequência lógica que é retomada dias depois (a que não é alheio o mês em que estamos), na demolição de um edifício vizinho na Rua dos Mercadores, de maior valor arquitectónico, algo que justifica uma abordagem individualizada num próximo artigo.

o aniversário no circo, por ssru

Assinalamos hoje a passagem do 2º ano da SSRU e para marcar a efeméride fomos todos ao circo. É que, ainda não é Natal mas na cidade do Porto irá abrir brevemente, com lugares de estacionamento no 2º andar, um circo permanente de arquitecturas, com palhaçadas para todos os gostos.

Uma trupe circense, merecedora dos melhores aplausos, planeou, projectou, aprovou, construiu e fiscalizou um momento mágico para regozijo de toda a assistência.

O projecto apalhaçado está em local turístico, junto do “pobre” edifício da Estação de S. Bento e integra várias parcelas no quarteirão do Corpo da Guarda, no âmbito do documento estratégico definido pela Porto Vivo.

No conjunto palhaço está tudo bem feito, porque o objectivo de chorar a rir é plenamente concretizado.

Do que se vê por fora, na Rua de Mouzinho da Silveira, os vãos diferentes têm novidades a merecer o prémio do riso ao nível das caixilharias que, inseguras, fenestram cegamente o olhar do arquitecto responsável.

Malabarismo de rara beleza, é o assentamento na ‘diagonal’ de azulejos amarelos ‘ortogonais’, numa fachada de um edifício ‘ortogonal’, feito nunca visto por estas bandas.

Mas bom, bom… são os quatro vãos tipo “bomboca” (… e o coelhinho vai com o Pai Natal e o palhaço, no comboio ao circo!!!) no último piso recuado de uma das parcelas, pintado de rosa e com uma pala maciça tipo “sardão” (sardounhe), em “béton” tradicional. Facto que motivou a aprovação do projecto pelos organismos competentes, com louvor e risada geral.

Não é tudo! Nas ruas medievais do Corpo da Guarda e Pelames o ‘non-sense’ mantém-se, destacando-se a simulação de varandas em betão que cobrem uma azarada pilastra em granito resistente do século XVI-XVII, vestígio infeliz dos malogrados edifícios que foram demolidos e refeitos na imaginação do palhaço-mor.

Mas bom, bom… (outra vez!!!), são as portas novas que dão para as varandas, que nunca assentam nas sacadas, azares comuns dos pavimentos de edifícios diferentes nunca baterem certo. Mas tudo se resolve com soleiras placadas em granito e a cor rosa, pintada por baixo… o rosa fica sempre benzinho.

Esta intervenção arquitectónica é merecedora de um reconhecimento público, cujo prémio deverá ser a interdição de projectar nos centros históricos classificados no país e arredores.

Haverá certamente mais a aplaudir em tão belo conjunto, mas por hoje é tudo, despedimo-nos com amizade, até um próximo espectáculo.

as bombocas, a pala sardão e a sinfonia dos tubos de queda

a pala sardão, flutuante como um trapezista

a relação do r/c com as ruas medievais e a altura da varanda

a varanda a imitar, que deste lado não acerta com a placagem...

... mas deste lado ultrapassa e sobrepõe uma azarada pilastra em granito

cornijas e telhões nem vê-los, mas tem o chapéu de palhaço pobre

aplausos, estamos todos de parabéns!!!

 

a razão de ser, por ssru

As notícias desta semana são avassaladoras e tiram-nos a barriga da fome. Se motivos fossem necessários para existirmos, aquelas são uns excelentes exemplos.

Muito ponderamos sobre a nossa actuação e se valerá a pena esta exposição, ainda que sob anonimato, não deixa de ser uma exposição por vezes prejudicada e incómoda para nós. Interrogamo-nos tantas vezes se valerá o esforço de remar contra esta maré que se encontra carregada de péssimos marinheiros, piratas em busca do ouro fácil, barões das especiarias de beira-rio.

A velocidade a que os desastres acontecem e saltam (felizmente) para a ribalta das notícias, assume frequentemente um efeito perverso e desmotivador que nos remete para a nossa insignificância, o nosso viver comezinho nesta rua do centro histórico que é igual a tantas outras, cheia de problemas de todo o tipo, sobretudo os sociais. Mas vamos aos assuntos:

PS e CDU temem consequências da “cidade subterrânea”

http://jornal.publico.pt/noticia/07-04-2010/ps-e-cdu-temem-consequencias-da-cidade-subterranea-19141073.htm

Este fantasma dura já há imenso tempo e nem com os nossos votos natalícios ele desapareceu. Ninguém foi capaz de dizer ao arquitecto Rui Loza que o que saiu da sua cabeça, preparando-se para ser realidade, é uma tremenda insanidade, mesmo que a Europa nos ‘ajude’ a pagar o bolo. Só alguém que abomina o Centro Histórico do Porto pode conceber algo desta magnitude, certamente coadjuvado por uns bobos da corte que orbitam pela Porto Vivo e pela CMP e colaboram nesta ignomínia. Para breve as nossas razões e explicações.

Esplanada de Parada Leitão abre hoje sob suspeita de ilegalidade

http://jornal.publico.pt/noticia/07-04-2010/esplanada-de-parada-leitao-abre-hoje-sob-suspeita-de-ilegalidade-19140992.htm

Que história rocambolesca esta, sendo que o mais curioso é que a obra é mesmo ilegal. Não é por os serviços camarários da via pública a terem aprovado, que ela assume a necessária legalidade para se poder materializar. E vejam, só agora, depois de pronta ou de iniciarem a construção é que foram pedir a opinião da tutela nacional! Sintomático! Este novelo está na calha para ser desenrolado, em breve.

Movimento pelos jardins do Palácio não desistiu de referendar o centro de congressos

http://jornal.publico.pt/noticia/07-04-2010/movimento-pelos-jardins-do-palacio-nao-desistiu-de-referendar-o-centro-de-congressos-19140827.htm

Já escrevemos aqui sobre este assunto e nessa ocasião surgiu a ideia dos novos corpos poderem aproveitar a construção do parque de estacionamento. Dada a ilegalidade que infesta todo este processo, mesmo com a reconhecida qualidade do autor do projecto, endereçamos um apelo ao Movimento para que não desista de ver reconhecido um direito de pertença da cidade aos seus cidadãos.

Ex-trabalhadores não entraram no Rivoli

http://jornal.publico.pt/noticia/07-04-2010/extrabalhadores-nao-entraram-no-rivoli-19141001.htm

Por fim e para não deixar de falar em ilegalidades, alguém poderá explicar-nos como é que uma situação destas acontece? Como é que os responsáveis por esta autarquia se permitem a este dislate? Trata-se de um processo com relativas semelhanças com o despedimento que há uns tempos aconteceu na FDZHP, alguém se lembra disso? Para onde foi esta mão-de-obra qualificada?

Em resumo, que podemos nós fazer perante tudo isto, esta força destruidora que é indiferente a tudo o que atrapalhe a sua visão saloia do lucro.

Para começar podemos existir! E depois esperar que alguém nos oiça…

o dia do Centro Histórico, por ssru

Há um ano atrás a administração da SSRU propôs-se assinalar a 1 de Abril, a passagem dos anos sobre a degradação dos centros históricos das nossas cidades, como no caso particular do Porto, instituindo o “Dia Nacional das Cidades com Centros Históricos Degradados”.

1 de Abril é sem dúvida o dia adequado para a efeméride, uma vez que vivemos ‘A GRANDE MENTIRA’, que reside no esforço que os nossos dirigentes anunciam empregar na preservação do Património Mundial, quando as provas inegáveis indicam o contrário, ou seja, ‘UMA REABILITAÇÃO ADIADA’.

Em contraponto com o dia 28 de Março, em que se festejou e comemorou o “Dia Nacional dos Centros Históricos”, instituído em 1993 num convénio celebrado entre o Governo e a Associação Portuguesa de Municípios com Centro Histórico, o nosso objectivo é assinalar a passagem de mais um ano sobre a degradação de um património comum, quase sempre de forma irreversível.

Estendemos este convite a toda a Blogosfera Nacional para se juntarem a nós, assinalando da forma que acharem conveniente a necessidade e o direito a um centro de cidade reabilitado, um CENTRO HISTÓRICO VIVO.

A SSRU propõe a publicação de um artigo que demonstre a nossa preocupação perante a passividade dos responsáveis pela preservação e salvaguarda de um património que é de todos.

Sem dificuldade, consideramos que essa preocupação ressalta e fica resumida, nestas duas imagens que se seguem.

Subitamente, este edifício (já vosso conhecido) tornou-se o centro das atenções da maioria das câmaras fotográficas do Mundo, chegando certamente a ser o edifício de arquitectura não monumental mais fotografado do Centro Histórico do Porto.

O feito é conseguido, não à custa de uma reabilitação exemplar, digna de um património da humanidade, mas tão simplesmente pelas figuras de papelão alaranjadas que um artista acidental colocou nas janelas, sem imaginar naquilo que a sua obra viria a tornar-se.

A antiga e mal afamada Hospedaria de Mouzinho aguarda por uma reabilitação patrimonial que lhe devolva a alma e a funcionalidade, talvez mais um hotel para a Baixa do Porto, talvez à espera que o vento lhe sopre de feição sem o deixar cair.

Esta estranha forma de reabilitar, por outro lado, ainda não nos deixa perceber totalmente a extensão do crime que está a ser cometido nestes edifícios do Centro Histórico do Porto, com o regresso sempre presente do velho fantasma do ‘Fachadismo’. Dá para perceber pelos camiões de betão que enchem os silos da argamassa e pelos pormenores construtivos que espreitam por detrás do véu, mas cremos que só depois dele cair se perceberá.

Como na maioria dos crimes só à posteriori descobriremos até onde os criminosos foram capazes de levar a sua sodomia.

Na maioria dos países civilizados, com sociedades organizadas e cidadãos em estado de alerta para as questões do Património, da Identidade e da Memória, esse tipo de pessoas costuma ser punido.

Não aqui!

os factos e argumentos, por ssru

A “vox-populi” diz-nos que ‘contra factos não há argumentos’, mas nós sabemos bem que em Portugal não é assim, qualquer que seja o facto, ou factos, haverá sempre uma mão cheia de argumentos e que o digam os nossos políticos e dirigentes. Vamos aos factos:

factos 01

Facto 1 – No nosso artigo de 11 de Janeiro de 2009, intitulado “os pormenores que contam #3” onde propúnhamos a debate a forma como a cidade e os cidadãos gerem os resíduos sólidos, o lixo que produzem, sugerimos “(…) que se tente o que ainda não foi feito: uma campanha educacional promovendo a utilização sustentada e cívica de todos os recursos, que se ensine nas escolas da cidade, que se promovam iniciativas lúdicas que envolvam a comunidade, por exemplo, do tipo ‘o meu bairro é mais limpo e bonito que o teu’ (…)”. Mais tarde numa nota a esse artigo, referimos, com bastante agrado, uma iniciativa da ABZHP que pretendia o apoio cívico da população para a colaboração na limpeza da zona da Ribeira.

Facto 2 – Após a celebração do protocolo com o executivo camarário em inícios de Abril, lemos uma notícia onde o Vereador da CDU criticou a “maioria PSD/PP por ter feito um protocolo com o presidente de uma associação da cidade que vai ser o candidato da coligação à Junta de Freguesia de S. Nicolau”. Este anúncio de candidatura aconteceu apenas 3 dias após aquela celebração e de acordo com o protocolo, a associação ficará responsável por contratar seis trabalhadores para efectuar os trabalhos de limpeza da zona da Ribeira.

Facto 3 – No dia 26 de Maio partilhámos com todos vocês “o convite especial” que nos tinha sido endereçado por uma turma do 12º ano da Escola Secundária de Carvalhos, para apresentarmos uma intervenção no âmbito de um projecto curricular intitulado “Porto: Proteger um Berço de Ouro”. Disseram ainda que já possuíam a confirmação de participação da Porto Vivo e da ABZHP, o que em relação a esta última nos pareceu descabido ainda que usufruam de grande cobertura mediática de toda a comunicação social sempre que o seu presidente boceja (no bom sentido, claro!), mas não deixam de ser uma associação com um papel limitado no CHP. E escrevemos o seguinte: “(…) não compreendemos a presença da ABZHP. Cremos que se terão encandeado pelas luzes da ribalta em que eles se encontram neste momento. Ficariam melhor servidos se convidassem as Associações do CHP, como por exemplo: o Grupo Musical de Miragaia (fundado em 1926), o Rancho Douro Litoral (desde 1936), a Associação Recreativa ‘Estrela Praia’ (desde 1947), a Associação Recreativa e Desportiva de S. Pedro de Miragaia (desde 1923), o Vitória Sport Clube do Porto (fundado em 1958), o Guindalense Futebol Clube (desde 1976) ou o seu rival Clube Desportivo e Cultural dos Guindais (1977), a Associação de Moradores das Fontaínhas (1975), o Centro Social e Cultural da Sé (1975), a Associação Recreativa da Vitória (1972), entre tantas outras que possuem um conhecimento bastante detalhado dos problemas locais, parceiros importantes quando se pretende desenvolver uma estratégia de prevenção da exclusão social, prevenindo comportamentos de risco e sempre prontas para darem o seu contributo para a valorização da cultura e da imagem do Centro Histórico. (…) Quanto à ABZHP, foi isso que nos pareceu, que as ‘luzes’ que actualmente incidem sobre ela não vos deixa ver muito para além do facto de ser uma associação que defende os interesses dos seus associados, que são os bares e as discotecas da zona (…)”

Facto 4 – Convictos do natural distanciamento da ABZHP às questões iminentemente sociais que alegava demonstrar por detrás das acções que fazia ribombar nos palcos da comunicação social, foi sem surpresa que recebemos o mail que nos enviaram em Junho, anunciando a vontade de apresentação de queixa nas autoridades judiciais, convidando “todas as instituições e pessoas que eventualmente, tenham ou estejam as ser vitimas das investidas da SSRU” a fazer o mesmo. Reconhecemos um excesso na utilização de figuras de estilo e embora não fosse nossa intenção atingir a associação visada, pelo menos não da forma como foi entendido, “(…) reconhecemos o direito à indignação de qualquer pessoa ou instituição quando nos excedemos, não reconheceremos nunca a CENSURA ou o direito seja de quem for a calarem-nos apenas porque incomodamos (…)” pelo que “(…) em troca do anunciado conflito, fazemos antes um convite construtivo à ABZHP, que certamente nenhum tribunal lhe propulsionará, mesmo que obtenha uma sentença favorável: a oportunidade de expor, explicar, poder dispor do espaço que entender neste Sítio para demonstrar que estamos equivocados, que as questões sociais (não estatutárias) não se tratam de uma repentina e recente preocupação, ou então que o problema tem sido de facto, alguma má comunicação que tem impedido a ABZHP de transmitir para a opinião pública o seu verdadeiro trabalho(…)”

Facto 5 – Em notícia de 29 de Setembro, a CDU (uma vez mais) exigiu maior transparência e rigor tão apregoados por Rui Rio, ao denunciar que o agora [ Candidato do PSD-CDS entregou limpeza de São Nicolau a membro da sua lista ].

Facto 6 – Sete meses após o seu início (o protocolo era de um ano), a “Associação de Bares suspende projecto de limpeza da Ribeira”. ‘A ABZHP aguarda, agora, pela marcação de uma reunião com o vice-presidente da Câmara Municipal do Porto, Álvaro Castello-Branco, para resolver a situação do projecto, sendo ainda uma incógnita se o mesmo será adaptado a outros moldes ou abandonado.’

factos 02

Argumentos – ‘O presidente da associação refere que Rui Sá colocou “em xeque” o acordo de limpeza da Ribeira durante a campanha eleitoral, boicotando o processo. António Fonseca acusa, ainda, o representante da CDU de fazer “campanha cerrada contra o projecto”, o que terá levado a uma aceitação negativa por parte da população, gerando um “boicote à limpeza” (no JPN).’

Além da alegada campanha da CDU, que dificultou a aplicação do programa, António Fonseca justifica a rescisão do acordo com a necessidade de analisar novas propostas para “um eventual novo acordo de forma a garantir a prestação de serviços mais adequada às necessidades da freguesia”. Isto mesmo constava do pedido formal de reunião que, ontem mesmo, enviou a Castello-Branco (no Público).’

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Em consciência, não tendo recebido qualquer receptividade por parte da ABZHP ao nosso convite, mencionado no Facto 4, concluímos a nossa exposição com a mesma frase anteriormente repetida: O tempo, na sua inevitabilidade, se encarregará de nos facultar todos os factos… mas também todo o tipo de argumentos. Todos!

nota a 06 Novembro 2009: Esta administração esclarece que no presente artigo se limita a elencar uma série de factos (alguns destes remetem para artigos de opinião da sua autoria), adicionando ainda, em contraponto, alguns argumentos de terceiros, não sendo intenção primária formular uma tese sobre este ou aquele assunto, mas sobretudo, deixar à consideração do leitor a construção da sua própria opinião sobre o que acabou de ler, qualquer que seja o caminho que o seu entendimento o queira levar. Inclusive a frase que encerra o artigo é a constatação disso mesmo…

nota a 12 Novembro 2009: Cansada de brincar aos varredores, a “Câmara do Porto acaba com novo projecto de limpeza para a Ribeira” e a culpa é toda do vereador da CDU! Pelo menos é o que dizem…! Razão pela qual a “Câmara volta a assumir a limpeza da Ribeira“.

a linha limite, por ssru

Muitos daqueles com quem contactamos ignoram os limites do Centro Histórico do Porto e reclamam por não falarmos de ruas e lugares que julgam fazerem parte deste pequeno e grandioso núcleo histórico.

Confundem a Rua de Cedofeita, Rua do Almada, a Avenida dos Aliados, Sá da Bandeira ou mesmo a Rua de Santa Catarina como estando integradas na delimitação aprovada pela UNESCO, como Património Classificado da Humanidade. Alguns chegam mais longe e perguntam-nos se a Rua da Alegria não pertence ao CHP, dada a “traça das suas fachadas históricas”.

Há ainda aqueles que julgam aqui morar, só por se encontrarem na zona mais característica de Miragaia, com vistas privilegiadas sobre o Douro.

chporto2003

A linha limite do Centro Histórico do Porto corresponde, grosso modo, ao traçado da Muralha Fernandina, ultrapassando-a aqui e ali, conforme se constata na imagem pela linha verde.

Para quem não conhece o pouco que resta da cerca exterior do antigo burgo e dos seus espaços envolventes, recomendamos o artigo que Germano Silva escreveu para a Visão em Março deste ano, convidando os amantes dos valores patrimoniais, a descobrirem percursos e lugares diferentes [Visão 05-03-2009].

As freguesias que se inscrevem nestes limites são a de S. Nicolau na sua totalidade, grande parte da Freguesia da Sé, parte significativa da Freguesia da Vitória, uma pequena parte da grande Freguesia de Miragaia e [surpresa] uma parte residual de Santo Ildefonso referente ao lado Sul da Rua 31 de Janeiro.

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Morar ‘dentro da cerca’ acarreta inúmeras vantagens e obrigações, para além dos demasiados inconvenientes, mas desde logo salientamos os incentivos que se destinam a este território, conforme nos diz o sitio da Porto Vivo.

A isenção vitalícia (?) de IMI e de IMT pelo facto de se tratar de um Imóvel Classificado pela UNESCO é um incentivo digno deste valioso património, motivando quem aqui pretende viver, trabalhar ou fazer negócio. Contudo, esta isenção não é automática e deverá ser requerida, porque o Estado não avisa os contribuintes, como uma ‘pessoa de bem’ deveria fazer, cobrando-lhes os impostos e contando com a ignorância dos cidadãos.

Por outro lado, morar na (fantástica) Rua do Almada apenas acarreta a responsabilidade de usufruir de uma rua com história, que se encontra (parte) em zona de protecção de imóveis classificados ou em vias de classificação, cujos incentivos relativos ao IMI e ao IMT não se aplicam da mesma forma. Muitas obrigações e poucas retribuições.

E a pergunta que com maior insistência nos dirigem: porque é que a CMP se preocupa tanto com a classificação da Avenida de Montevideu (a pedido da autarquia e com o processo na fase final!), quando muitas outras ruas do centro da cidade carregam mais valor, mais história, mais identidade, mais gente…? Que raio de prioridades são estas? Que pressões é que estão a ser feitas para tal acontecimento?

Sem negar o valor patrimonial daquela remota via, geralmente respondemos com uma só pergunta: será que existe alguma relação com os benefícios e isenções fiscais em causa?

Quem responde e esclarece…?

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o primeiro aniversário, por ssru

Hoje, 14 de Julho de 2009, a Sociedade Secreta de Reabilitação Urbana completa 365 dias de luta pela dignificação de um singular Património da Humanidade – o Centro Histórico do Porto.

Eternamente gratos pelas 14.500 visualizações e as inúmeras visitas, as palavras de conforto e ânimo, as ajudas para ultrapassar os obstáculos do dia e por todas as Presenças que ficaram marcadas neste sítio.

Para assinalar a passagem deste dia queremos deixar para vossa reflexão duas notícias recentes, que nos antecipam uma estranha sensação do sabor amargo e contraditório da realidade próxima.

A primeira notícia diz respeito ao conjunto legislativo que este (ainda) Governo pretende ver aplicado, conhecido como o novo Regime Jurídico da Reabilitação Urbana. De repente, afigura-se-nos como algo “mais complexo” (?) que a curto prazo poderá tornar as próprias SRU’s obsoletas. Metodologia com a qual não concordamos porque, mais uma vez, cria a instabilidade indesejada para que os mecanismos existentes no terreno possam actuar, fazendo recuar um processo de reabilitação como só os nossos políticos sabem fazer, com as constantes alterações de legislação.

A segunda notícia é bem mais recente e refere-se ao financiamento que finalmente terá chegado às mãos da Porto Vivo para a reabilitação do Morro da Sé e Mouzinho. A julgar pelas amostras que a SRU nos tem fornecido, antevemos mais uma série de obras do mais puro ‘fachadismo’, esse velho papão que volta (?) a assombrar os dias deste núcleo urbano, e que atropela tudo e todos (IGESPAR incluído). E quanto à salvaguarda dos valores patrimoniais da zona mais antiga da Cidade… esqueçam! Logo veremos o que sobra.

A todos que consideram existirem razões para esta causa prosseguir, o nosso bem-hajam e melhores saudações.

o direito de resposta, por ssru

A SSRU recebeu um mail, que nos foi dirigido pela Associação de Bares da Zona Histórica do Porto e que enquadramos no ‘Direito de Resposta’, passando a transcrevê-lo na íntegra:

“APRESENTAÇÃO DE QUEIXA NAS AUTORIDADES JUDICIAIS

O silêncio dos caluniados não se aplica à ABZHP, que tudo vai fazer no sentido de desmascarar os indivíduos, que se escondem atrás do anonimato para caluniar tudo e todos, os quais se identificam, como, ressabiados de algo, descarregando todas as suas frustrações no ataque a pessoas e instituições, de forma cobarde, utilizando para o efeito ferramentas dentro da net.

A ABZHP, está aqui a dar a cara, não se esconde, pelo contrario até se expõe sem confrangimentos, para o bem e para o mal, isto é, nunca utilizou subterfúgios para fazer chegar a sua msg, como também, nunca fugiu a “discutir” fosse com quem fosse, ideias e projectos, sejam elas, de carácter social, sendo que, nesta área tem provas dadas e comprovadas, em acções que tem desenvolvido no terreno, no entanto não é essa a sua obrigação estatutária, contudo nunca foi impedimento, factos relevantes e que leva a ABZHP, a ter algumas pistas dos autores das injurias.

A ABZHP, não tem sócios só na zona Histórica, mas sim em todo o País, como por exemplo, Lisboa, Montijo, Braga, Barcelos, P.Ferreira, Vila da Feira, Espinho, Matosinhos, Maia, Vila Nova de Gaia, Povoa do Varzim, Guimarães, Gondomar, Marco e etc., quanto à nova zona d vida nocturna no Porto, só quem anda distraído é que não se apercebeu, que a ABZHP, está lá representada em termos efectivos com sócios desde a primeira hora, que contrariamente às afirmações caluniosas, eles não fugiram de ribeira, mas sim procuraram alternativas de espaços, que na ribeira não existem. A ABZHP, trabalha no terreno com esses empresários na solução de problemas, de forma a evitar situações, que coloquem em causa o desenvolvimento da revitalização da baixa, mas adiantar mais pormenores é dar demasiada importância a quem se esconde para caluniar.

Resta a ABZHP, anunciar, que vai apresentar queixa nas autoridades judiciais competentes, como também, vai convidar todas as instituições e pessoas que eventualmente, tenham ou estejam as ser vitimas das investidas da SSRU.”

Conforme se obriga na sua Declaração de Princípios, a SSRU reconhece a todos aqueles que se sintam lesados, a possibilidade de comunicarem a esta administração os motivos de indignação ou prejuízo causado, de modo a que, analisada a questão, se proceda de imediato à sua reparação.

Com efeito, no nosso artigo “o convite especial”, reconhecemos um excesso na utilização de figuras de estilo e embora não fosse nossa intenção atingir a associação visada, pelo menos não da forma como foi entendido, desde já, LAMENTAMOS o sucedido.

Desnecessária a ligação metafórica uma vez que corrigido o texto, a mensagem mantém a sua integridade, sem que fosse premente ultrapassar a fronteira a que nos propusemos.

No entanto, reconhecemos o direito à indignação de qualquer pessoa ou instituição quando nos excedemos, não reconheceremos nunca a CENSURA ou o direito seja de quem for a calarem-nos apenas porque incomodamos. Duvidamos que qualquer tribunal o faça, mesmo neste País onde coisas esquisitas acontecem com tanta frequência.

Assim e mais uma vez reconhecendo a nossa falta, prontamente reparamos o lapso, mantendo o espírito do artigo publicado.

resposta-01Com alguma dificuldade imaginamos que o apelo da ABZHP a outras pessoas ou instituições possa obter o eco desejado, uma vez que o insulto e a ofensa, ou mesmo a calúnia, se encontram banidos desde Sítio, ainda que, como já admitimos, involuntariamente possamos incorrer em erro.

Percebemos que seja mais aliciante, instintivo, perseguir e atacar um perfil editorial como o nosso (mesmo escolhendo cautelosamente as palavras), que opta pelo anonimato, ao invés de tantos outros que de forma diferente têm a ‘permissão’ de dizer tudo o que pensam.

Mas a Internet foi desenhada e construída na senda do anonimato e ele é uma extensão desta ferramenta. Conscientes das opções, será justo considerar que nos encontremos minimamente preparados para definir a nossa defesa.

Por esses motivos, em troca do anunciado conflito, fazemos antes um convite construtivo à ABZHP, que certamente nenhum tribunal lhe propulsionará, mesmo que obtenha uma sentença favorável: a oportunidade de expor, explicar, poder dispor do espaço que entender neste Sítio para demonstrar que estamos equivocados, que as questões sociais (não estatutárias) não se tratam de uma repentina e recente preocupação, ou então que o problema tem sido de facto, alguma má comunicação que tem impedido a ABZHP de transmitir para a opinião pública o seu verdadeiro trabalho. Terão da nossa parte toda a colaboração possível.

O tempo, na sua inevitabilidade, se encarregará de nos facultar todos os factos.