o problema de expressão, por ssru

Disse George Orwell que, “se a liberdade significa alguma coisa, será sobretudo o direito de dizer às outras pessoas o que elas não querem ouvir” e isto assim dito, só por si, resume tudo o que resta sobre o assunto. Só não entende quem, intencionalmente, faz questão de não perceber. E acrescenta: “num tempo de engano universal, dizer a verdade é um acto revolucionário. Não tem sido fácil ser verdade e revolução e liberdade, tudo junto e todo o tempo, mas “Difícil” é o nosso nome do meio!

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Os marmanjos de Charlie, por José Diogo Quintela

Dez dias depois dos terríveis acontecimentos de Paris, o mundo continua desorientado. A barafunda fez com que, antes que qualquer tipo de organização pudesse ser estabelecida, toda a gente desatasse à balda a afirmar que é Charlie. De repente, qualquer pessoa achou-se no direito de se sentir chocada e de se solidarizar com uma causa. Assim, sem nenhum critério e sem pedir permissão. Desejo colocar ordem nesta bandalheira.

Lembro que se está a lidar com valores civilizacionais importantes e há que ter cuidado com quem se quer apropriar do Charlie e da liberdade de expressão. Toda a gente deve ter liberdade de expressão para poder dizer o que quer, mas nem toda a gente deve poder dizer o quer sobre a liberdade de expressão.

Há pessoas a dizerem-se Charlie que não são Charlie. São charlitães. Daí sugerir a criação de uma Ordem dos Charlies, para regular e limitar o acesso à autodenominação de Charlie e decidir, caso a caso e mediante a aplicação de um teste, se estamos perante um Charlie verdadeiro ou um Charlie de contrafacção. Não queremos abastardar o ser-se Charlie. Necessitamos de uma política de selecção escrupulosa antes de franquear a admissão. Com numerus clausus, obviamente. Não é Charlie quem quer.

À volta do bastonário, constituir-se-á um Conselho Deontológico para supervisionar a aplicação do rigoroso código de conduta dos Charlies, a chamada Charlia. Os conselheiros serão os guarda-costas da ética, responsáveis por defender o legado de Charlie. Os marmanjos de Charlie.

Como condições de acesso exige-se: já ter sido impedido de se expressar; nunca ter coarctado a liberdade de expressão; ter um historial nas redes sociais de, pelo menos, cinco likes em movimentos de defesa da liberdade de expressão; ter as vacinas em dia; duas fotografias tipo passe.

Alguns exemplos práticos de quem pode ou não ser Charlie:

1) Artista que vê o seu programa de televisão recusado e a quem o director da estação diz: “Não é um programa que nos interesse.” No entanto, o artista tem imensos amigos no Facebook que lhe dizem que a ideia do programa é genial. Ele pode dizer: “Je suis Charlie!”

2) Criança a quem a mãe proíbe de falar até acabar a sopa, que já está fria. Não sendo tão maçador como falecer ou ser-lhe recusado um programa de televisão, é ainda assim uma arreliadora limitação à liberdade de expressão. E leva a criança a fazer beicinho. Como é um grau de chatice menor, essa criança é um Charlie-mirim. Pode dizer: “Je Suis Charlie Bit my Finger”.

3) Charb. Por um lado, era realmente Charlie. Por outro, como director, deixava de fora muitos cartunes. “Mas não havia espaço para todos!”, dirão uns. “Eram desenhos muito fraquinhos!”, dirão os mesmos, mas fazendo outra voz. Desculpas. Se Charb fosse mesmo paladino da liberdade de expressão, em vez de uma pequena revista semanal, obrigava-se a publicar calhamaços bidiários, para não deixar nada de fora. Lamento, mas o Charlie do Charlie não é Charlie.

4) Eu próprio, que me considero Charlie e que pugno pela liberdade de expressão, mas que ao mesmo tempo impeço outros de se dizerem Charlie, acabo assim por não poder ser Charlie. Tenho pena. Mas regras são regras.

a doutrina do medo, por ssru

Através do medo, os políticos conseguem que os povos se sacrifiquem e que paguem uma dívida que foi por eles próprios contraída. Em Portugal, tal como noutros países intervencionados pela troika, fecham-se escolas e hospitais, vendem-se empresas estratégicas, reduzem-se salários e reformas, retrocede-se civilizacionalmente para que os investidores alemães, franceses, ingleses e americanos não sofram com as suas más decisões ao emprestarem dinheiro aos banqueiros e seus amigos políticos corruptos. O dinheiro que sai do corpo dos portugueses vai inteirinho para pagar uma dívida que não foi contraída pelos cidadãos, nem sequer para proveito destes, mas antes para alimentar um sistema político criminoso que os espolia.

O vídeo que se segue sugere desde logo inúmeras questões que nenhum governante teve “testículos” para responder ao premiado jornalista alemão (quem melhor do que um alemão para nos esclarecer estas coisas?!) Harald Schumann, autor desta peça que sugerimos que vejam. Mas a primeira pergunta que gostaríamos de colocar é: “Como é possível que após as maiores manifestações de cidadania que Portugal já assistiu, tudo tivesse ficado na mesma, até o Governo ficou?”

os deficientes cívicos, por ssru

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Ao longo destes artigos temos vindo a falar-vos, por diversas vezes, sobre a necessidade de mudança de comportamentos, dos pequenos gestos que possam gerar uma maior sinergia cívica, que sirvam de modelo para que outros indivíduos (mais distraídos) se sintam impelidos a imitar, promovendo assim um mundo melhor, uma comunidade mais justa e feliz. Há muito que vos falamos da nossa querida 9ª Esquadra da PSP do Porto, o quanto gostamos daquele cantinho, da proximidade que nos transmite segurança, da facilidade em lá chegar, da forma como sempre fomos bem tratados quando preciso, enfim, é a esquadra do nosso bairro e pronto. Já a vimos degradada e suja, com xixi pelos cantos, mal-amanhada na outra esquina de cima, assim-assim na de baixo e agora está mais bonita, finalmente, depois das obras de reparação do pavimento que lhe faz de cobertura e que estancaram as infiltrações que a desfeavam, transformada que está numa esquadra do século XXI. A Esquadra do Infante, o peso que este nome tem!

No entanto, há pelo menos uma década que registamos que o estacionamento das viaturas de serviço é feito de qualquer maneira, ostensivamente sobre as passadeiras ou sobre os passeios. Isto sem que se perceba que estejam em emergência, como por vezes alguns agentes correm a justificar (o injustificável) querendo atenuar o mal causado. E ele é bastante…

No mês de Agosto, por exemplo, verificou-se uma enchente de turistas na cidade, quer estrangeiros ou nacionais e mesmo assim não houve hora do dia – manhã, almoço, tarde ou noite – em que não se registasse em fotografia o que acabamos de afirmar. A nossa inquietude atingiu um ponto tal que estivemos quase a bater à porta do chefe da esquadra (que conhecemos bem) a pedir-lhe que fizesse algo que alterasse a situação. Só este mau aspecto causado perante os nossos visitantes é motivo suficiente para que alguma coisa se mude. Impossível será não acrescentarmos mencionando os nossos concidadãos com mobilidade reduzida ou pormos de parte o facto de estarmos a falar de uma força policial que deveria zelar pelo bem-estar e segurança pública! Mas que raio!

Vivemos na angústia de parecer que este assunto apenas nos aflige a nós os quatro e que, no limite, apenas conseguimos arrancar um gracejo. Exprimimos o queixume aos nossos amigos, tentando juntos encontrar uma solução viável, quando as reacções foram do tipo: “…também o que é que vocês queriam…, que eles se multassem a eles próprios?” Afinal ninguém se interessa. Afinal poderá não existir uma luz ao fundo do túnel.

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Resta-nos apelar ao Senhor Comandante Francisco Bagina, do Comando Metropolitano do Porto (cujo mandato tem sido irrepreensível), para que possa falar com os seus agentes e sensibilizá-los para uma mudança de atitude que não dói nada. Se for necessário que institua uma espécie de multa a favor da comunidade e que crie um curso de formação cívica para melhorar o comportamento dos senhores polícias, que tão gravosamente desrespeitam o cidadão que devem proteger. Mas não um curso como aqueles para onde os tribunais portugueses enviam os senhores condutores embriagados ou demasiado apressados, pois esses são uma desgraça nacional. Uma coisa à séria, que envolva toda a comunidade.

Divididos entre o orgulho nas nossas forças de segurança e a vergonha destas deficiências cívicas, aqui nos prostramos…

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a destilaria do berto, por ssru

O leitor abaixo, num primeiro momento, apresentou-se com uma citação, expressando um testemunho de desagrado para com a SSRU (sítio e membros). O problema das citações é sempre o mesmo: tem as suas regras! Desde logo o conteúdo deve fazer sentido (para todos, claro); depois deve revelar-se apropriado ao tema em tratamento; e a sua proveniência, o seu autor, representar alguém/algo que mereça admiração e reconhecida aclamação geral, de preferência, alguém que mereça substituir quem o cita. Não foi esse o caso do Berto das Taipas que citou um tal de “agaga…toytó…” (?) que não percebemos nada. Em resposta moderada lançamos um desafio com uma citação de um filósofo alemão (bastante apropriado) que viveu entre 1724 e 1804, Emmanuel Kant, que disse: “É no problema da educação que assenta o grande segredo do aperfeiçoamento da humanidade.” Não, não é à educação do Povo que nos referíamos.

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Berto das Taipas, comentou em testemunhos, 30 de Julho de 2013, ás 19:54

Saudações

Não era suposto regressar tão breve, mas não resisti à resposta célere da vossa “super” secreta sociedade.

No comentário que emiti anteriormente, não era suposto tocar em nenhum “nervo” específico, caso optasse por isso teria que deambular por todo o tecido nervoso obrigando a um movimento peristáltico que me impediria de fazer o “kilo” e debater-me com perturbações do aparelho digestivo, o que muito me incomodaria.

A justificação para o anonimato da vossa organização é sem dúvida recheada de argumentos repletos de covardia sendo esta como se sabe, uma corrupção da prudência! Verdadeiros guerrilheiros camuflados, quiçá “Xananas” descendo pelo morro da Sé, em prol da libertação de uma cidade a ferro e fogo, debatendo-se com vilões, malvados, bandidos e agiotas que destroem a todo o custo o resta do casco histórico. Desgraçadas taipas carunchosas!

Ainda os ilustres colaboradores – admira-me a cobardia assumida e a atitude hipócrita no dia-a-dia nos seus modestos empreguinhos, o que não condiz nada com a frontalidade dos textos aqui produzidos. Parece que os estou a ver : Cenário hilariante – de noite congeminam ataques mortíferos, de dia lambem as botifarras aos dirigentes da Câmara, provavelmente não só para que não sejam despedidos, como referiram (o dinheirinho faz muita falta, não faz?), mas também para obterem um merecido “excelente”, superando assim os objetivos impostos pelo Siadap, os mesmos que na prática, são criticados ferozmente aqui nesta página. Um pleno sem dúvida! Cautela com as reportagens fotográficas, pois poderá, um dia destes, ainda descobrir-se o casulo das formiguinhas obreiras que ferozmente trabalham na tarefa árdua da denúncia sistemática. Se me permitem, duas sugestões:

– Porque não criarem uma sede desta sociedade secreta (passando naturalmente a ser des-secretizada!) num espaço aberto à cidade, com um balcãozinho de reclamações? Por certo teriam matérias infindáveis para valorizarem ainda mais e mais, esta montra de vómitos que definitivamente parece vos atrair tanto. Não me venham com aquela que o Porto está no vosso coração, e que por isso têm que agir na clandestinidade face aos monstros que a dirigem. Já agora aproveito para vos relembrar que daqui a nada, estão aí as eleições e quem sabe o futuro Presidente (seja ele qual for) poderá ceder-vos um espaço à borla, para as vossas atividades. Então? Quem é amiguinho, quem é?

– Denunciar (com belas imagens) a chamada Casa dos 24, edifício construído em 2002, com 22 metros de altura e a 7 metros da Sé do Porto, da autoria do Mestre Fernando Távora. As obras de construção que à data custaram 858 mil euros, + os trabalhos a mais, (portas em bronze e teto folhado a ouro, no tempo em que ainda se gastava à fartazana!) têm sido alvo de denúncias à Unesco e críticas da população que contesta sistematicamente sua existência. (o povo é inculto, é um “problema de educação”, eu sei!).

As formiguinhas da Câmara ainda não relataram este caso? ou será que não é arquitetonicamente correto mexer no assunto? A sociedade age no anonimato, ninguém vos vai recriminar pela denúncia. Vá lá força, tenham coragem! Não custa nada! A longo prazo sairão beneficiados.

Como diria Rui Ramos Loza, que vocês tão bem citam no início, “podes até, querer demolir a Torre dos Clérigos, desde que no seu lugar consigas propor algo melhor”. Aposto que, num hipotético cenário de demolição da Torre dos Clérigos (que violência!), a substituição da mesma, por uma torre contemporânea, da autoria de um dos Mestres que vos guiam nos vossos pensamentos maliciosos, seria por certo bem-vinda, aplaudida, e acarinhada pela Sociedade Secreta de Reabilitação Urbana. Quem sabe mesmo, uma obra candidata a um Premio Pritzker ¡ Querem apostar?

“O que o moralista mais odeia nos pecados dos outros é a suspeita acusação de covardia por não ter coragem de os cometer.” Vergílio Ferreira

Atenciosamente

Berto das Taipas (não sou vosso “vizinho” nem nunca serei)

[os erros ortográficos foram corrigidos pela ssru]

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Vocês que nos seguem desde sempre, poderão pensar ser desnecessário responder a um comentário assim. Nós, pelo contrário, aproveitamos todas as oportunidades para fazer pedagogia e transformámos o comentário do Berto das Taipas num artigo, esclarecendo o nosso querido leitor e agradecendo-lhe ter aparecido. Cá vai:

– Sempre nos apresentamos anónimos como o nosso voto em urna, no dia de eleições;

– Sempre nos consideramos mais “cavaleiros do apocalipse”, em demanda do santo graal, do que propriamente uns “Xananas (?) a descer o morro da sé”;

– Sempre o dissemos, o nosso propósito é defender o Centro Histórico do Porto de um bando de desqualificados, cujas habilitações lhes permite mais depressa serem Deputados da Nação, do que profissionais competentes ao serviço da sociedade;

– Sempre o admitimos, para quem quiser acreditar, que não somos funcionários públicos e não estamos ao serviço da Câmara, da Porto Vivo, nem nenhuma outra instituição com relevância pública, situação que conflituaria com a nossa consciência – dizer o que dizemos do sítio onde trabalhamos;

– Sempre que podemos, lembramos que o subtítulo deste sítio é uma frase utilizada pela SSRU de forma irónica, realmente dita por Rui Loza e que só alguém como ele o poderia dizer, sendo que o consideramos co-responsável pelo estado lastimável em que o CHP se encontra. Pudesse o génio ser hereditário e encontrar nele uma réstia do Arménio, que tudo seria diferente!

– Sempre fomos fieis à nossa herança e respeitamos os nossos melhores arquitectos – Alfredo Viana de Lima, Agostinho Ricca, Nuno Teotónio Pereira, Fernando Távora, Álvaro Siza Vieira, Alexandre Alves Costa, Eduardo Souto Moura, etc. – algo que nunca nos impediu de os criticar sempre que necessário. O que mais lhes criticamos (aos vivos, claro) é o SILÊNCIO perante aquilo que assistimos diariamente no CHP, como o “caso de polícia” das Cardosas.

– Sempre nos pareceu que o escrutínio era algo difícil de engolir a certo tipo de pessoas…

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Foi na destilaria do Berto que voltamos a erguer o Santo Graal. Num sentido último, o Graal simboliza a plenitude interior, o renascimento e o conhecimento do homem e da sua evolução. Só por isso poderemos estar-lhe gratos.

Mais ainda, lembrá-lo que a ameaça que faz “às formiguinhas obreiras” tem um reverso: é que ao serem descobertas, deixando de ser anónimas, a SSRU passa a ter rostos e nomes. Isso significa que tudo o que vem aqui escrito passa a ser admissível no Ministério Público, claramente em desfavor dos visados. Estes, os visados, poderão sempre mostrar que estamos errados para lhes pedirmos públicas desculpas e se for caso de sermos presos ou condenados a uma indemnização, faremos uma colecta ou um “crowdfunding”. Quem são os amigos, quem são?

o inferno a arder, por ssru

Parece que foi ainda ontem que o País ardeu todo e, no entanto, hoje continua em chamas este inferno onde a gente vive. Parece que arde mais em ano de eleições, porque as ordens são para não “escorraçar os votos” com as cartas que obrigam os proprietários a limpar as matas. Limpeza que era necessária quando ainda tínhamos agricultura, pois os produtos da mata serviam para o gado e para o estrume e para aquecimento e outras serventias que a natureza agradecia. Agora, todos os anos, entre festas de verão e banhos de mar, o País vai ardendo.

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Homens grandes em lágrimas infantis, a soluçar nas mãos vazias o trabalho de uma vida; mulheres que gritam desvairadas, com ganas de raiva, a apontarem a mangueira do jardim para o inferno desigual, que lhes lavra atrás das casas; bombeiros e bombeiras empoleirados numa corda bamba, aguardando as ordens de “comandantes” que desconhecem e que os mandam para uma frente de guerra, apenas protegidos pela causa que abraçam, que os mata por vezes; aviões e helicópteros que sobrevoam as chamas mesmo ali, ao alcance das câmaras das televisões e que nos custam a todos muitos centos de euro à hora.

o quarto com vistas, por ssru

A Cidade do Porto, na sua insondável resiliência, foi novamente agraciada, este ano de 2013, com a distinção de melhor destino turístico europeu, desta vez pela Lonely Planet, mundialmente conceituada editora de guias de viagem. Segundo Helena Gonçalves (directora executiva da Associação de Turismo do Porto) ao Jornal de Notícias: “Nesta sua selecção, a Lonely Planet privilegiou as cidades que, tal como o Porto, oferecem cultura, história e aventuras outdoor, fora do circuito das cidades mais populares europeias e é para nós um enorme orgulho ver o Porto e a região do Douro figurar em primeiro lugar na lista”, informou.

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Seria assim de esperar que o Autarca estivesse a explorar a situação até à exaustão, promovendo a cidade (e a si próprio) como o lugar ideal para se visitar, pelo menos este ano, oferecendo a cultura, a história, a aventura de contactar um povo ‘sui generis’ como é o povo tripeiro. Esperaríamos, por exemplo, que nos ‘outdoors’ de propaganda do executivo, em vez de porquinhos cor-de-rosa a contar uma meia-verdade (ou meia-mentira), estivesse uma fotografia do Porto dando um abraço ao Mundo.

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Mas como sabemos, nem tudo o que desejamos pode ser concretizado. Enquanto o Autarca vai carpindo os seus ódios bafientos, enquanto o seu executivo procura um lugar ao sol para si e para os seus parentes e amigos, enquanto a Porto Vivo se entretém a brincar às obras ilegais, enquanto os políticos em campanha se vão esquecendo de prometer ao Povo um Mundo melhor, enquanto tudo isso, a cidade faz o que pode para se regenerar, sozinha.

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Entregue aos nascer e pôr do sol, a cidadania vai-se esquecendo de quem realmente interessa – as pessoas. Este caso que vos trazemos hoje, poderá ter algumas semelhanças com um outro que atingiu o topo da popularidade neste sítio, sobretudo à custa de um comentário do TAF e publicação na Baixa do Porto, onde a comunicação social normalmente se mune de assuntos para desenvolver.

Quem não gostaria de possuir um auto-quarto, com vistas privilegiadas para um dos maiores ‘ex-libris’ do Porto, no melhor destino turístico da Europa?

Depois de Mouzinho da Silveira, por detrás do Mercado de São Sebastião e com vistas para a Sé Catedral, encontra-se estacionado um Opel Corsa preto, em mau estado de conservação (como os edifícios), mas com gente dentro. No entanto, o caso parece diferente do anterior, pelo seguinte: existe alguém lá a dormir mas não vemos vestígios de consumo de droga; os vidros que subsistem têm uma espécie de ‘blackout’ para usar de noite; e o ocupante mostra sinais de ser o proprietário ou alguém que perdeu a casa onde morar… Logo ali ao lado de tanta casa vazia no famoso e devoluto “Corpo da Guarda”!

E vocês que não são nenhuns “Bertos” e até gostam da vossa cidade, perguntam:

– Mas onde é que anda o Presidente e os seus Vereadores, o do Turismo, a da Habitação, a da Coesão Social, o da Mobilidade, etc.? E onde está a Administração da Porto Vivo e os seus Gestores, o da Área Urbana, e o do Programa do Morro da Sé, o do Plano de Gestão do Centro Histórico do Porto, etc.? Mas o que é que esta gentinha toda anda a fazer, no melhor destino turístico europeu? Será turismo?

nota a 25 Agosto 2010, aqui: O que mais nos apavora é que, até certo ponto, todos os sinais de alarme de uma sociedade civil saudável foram activados. Uns chamaram a polícia, outros ligaram para a CMP, os agentes e os técnicos apareceram, mas a partir daqui nada mais foi feito. Um agente da polícia chegou a dizer que se não tivesse matrícula (o carro) poderiam actuar, assim não! Este sentimento de insegurança e impotência que a falta de resposta das autoridades nos transmite é avassalador.

os maus hábitos, por ssru

Ainda esta semana fez notícia (pequenina) na comunicação social a entrega de dez requerimentos por parte do Partido Comunista, questionando o Governo sobre as condições em que várias esquadras se encontram. Também os deputados do PSD/Porto já tinham questionado em tempos, o ministro do Tempo do outro Senhor, enviando um documento onde perguntavam “quais as medidas que “o Governo pretende tomar no que concerne à melhoria das infra-estruturas das Esquadras da PSP da AMP [Área Metropolitana do Porto] e, em particular, da 9ª esquadra do Infante”. O tema da falta de condições das esquadras da PSP do Porto tem vindo a ser debatido ao longo dos anos e parece não ter fim.

habitos 01-Fevereiro2013

Para além dos cuidados de saúde e da educação, todos concordam que a segurança pública é um serviço fundamental que os cidadãos entregam ao Estado para que este, através dos impostos cobrados, possa gerir da melhor forma. Instalações em más condições, viaturas avariadas, equipamento em falta ou obsoleto, abonos e serviços médicos dos profissionais, subsídios de risco etc., fazem as páginas dos jornais e das televisões, num vai-vem ininterrupto.

habitos 02-Fevereiro2013

Como podem perceber a nossa esquadra favorita é a 9ª, que fica ali em frente ao Jardim do Infante D. Henrique, bem no coração do Centro Histórico. Convenhamos que não é lá uma grande esquadra, pois não passa de uns fundos de cave, umas catacumbas do Mercado Ferreira Borges, onde sempre choveu lá dentro, os tectos a caírem, as mobílias velhas e as paredes sempre húmidas e cheias de fungos. Mas que diabo, é a nossa esquadra e lá sempre fomos bem atendidos, embora nem sempre com sucesso.

O mesmo terá pensado o ‘chef’ Rui Paula quando um gangue de 20 gunas lhe invadiu o restaurante DOP, situado no mesmo quarteirão de Ferreira Borges a 40 metros de distância da 9ª Esquadra, assustando os clientes e agredindo os funcionários. A PSP foi chamada ao local mas quando os agentes lá chegaram, passados 40 minutos, já os meliantes estavam deitados na caminha, pois passava da meia-noite. Mas não admira que cada metro tenha demorado um minuto a percorrer. É que da esquadra ao Largo de S. Domingos é sempre a subir e como as viaturas estão todas avariadas tiveram que ser empurradas até lá.

Mas as coisas mudaram. Mudam sempre…

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A 9ª foi transformada em “Esquadra do Século XXI” – o que quer que isto signifique! – por uma empreitada de obras públicas de remodelação e adaptação, no valor de 70 mil euros. Com paredes de granito à vista, vidros foscos e aços inox, alta tecnologia ali a bombar informação e mesmo assim achamos que podia ter ficado melhor do que está. Os problemas do equipamento têm tendência a resolverem-se. A juntar a este festim, o Comando veio garantir que o problema da falta de viatura para patrulhar o Centro Histórico já está resolvido e que a segurança da população nunca esteve em causa.

habitos 04-Dezembro2012

Recapitulando: temos uma esquadra nova, equipamento novo, carro novo, até temos umas ruas novas. Apenas continuamos é com os mesmos “maus hábitos” de estacionar na passadeira,  ou melhor agora, no novo passeio que ficou maior e mais acessível. Está na hora do Senhor Comandante da PSP-Porto (que até tem um sobrenome bem portuense) começar a implementar umas aulas de formação cívica para alguns dos seus soldados, que ainda não perceberam que já não há tolerância para este tipo de faltas de respeito e desprezo pelos cidadãos.

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Já agora se alguém souber que nos informe porque razão um dos responsável da empresa que efectua as obras do eixo Mouzinho/Flores, estaciona diariamente uma carrinha em cima do passeio que ele próprio ajuda a construir (que deveria estimar, orgulhoso) e que ainda não entregou ao dono de obra. Se não for muita maçada, gostaríamos também de saber, porque é que ao fazê-lo em frente à 9ª Esquadra, ele goza da maior benevolência e da melhor protecção policial como ninguém, levantando as piores suspeitas sobre este tipo de atitudes promiscuas entre a PSP e o empreiteiro.

a paisagem urbana, por ssru

Certamente que todos percebem a importância de termos uma paisagem urbana condigna, mesmo aqueles que dizem idiotices como “preferir os cartazes colados nas paredes da cidade porque assim ficam informados”. Uma cidade limpa sem ser asséptica, confortável sem ser elitista, segura sem ser militarizada, são os princípios básicos que qualquer cidadão normal desejaria usufruir no local onde vive e trabalha, pois estes garantem desde logo as condições necessárias para uma maior felicidade e bem-estar. Esta harmonia tem uma relação directa e proporcional à nossa produtividade no trabalho, à nossa saúde familiar e à nossa interacção com os nossos vizinhos, no fundo teríamos uma comunidade melhor.

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a paisagem urbana da avenida dos aliados

E é por isso que uma das nossas lutas se direcciona à colagem abusiva de cartazes pois esta acção ilegal compromete a harmonia da nossa paisagem urbana. Ilegal porque viola a lógica e o senso comum, mas também viola os regulamentos da cidade e as leis do País que protegem o património de nós todos, o nosso Bem Comum. Daí que, embora apreciável, nos pareça estranho este executivo precisar de voluntários que o ajude na tarefa de manter a cidade limpa, quando tem ao seu dispor a possibilidade de identificar os prevaricadores e de os obrigar a limpar e a parar com o flagelo, passando-lhes as correspondentes coimas que reverteriam para os cofres da autarquia, por exemplo, para plantar mais árvores nos jardins e nas ruas, repondo aquelas que andou a dizimar.

há países que reagem de maneira bem diferente

há países que reagem de maneira bem diferente

Portanto, uma coisa é dizer umas patacoadas e outra bem diferente é agir, como no caso que vos queremos falar agora. Lembram-se dum artigo anterior onde chamámos a atenção de quatro grupos profissionais que intervêm na cidade e cujas actividades e princípios que defendem, conflituam com a destruição da nossa paisagem urbana. Dos quatro só a Ordem dos Arquitectos teve a amabilidade de nos responder. Confessamos que temos estado atentos e ainda não encontramos nenhum cartaz depois do incidente assinalado. A nossa mensagem dirigida aos quatro foi neste sentido: “Caros Concidadãos, As entidades que representam, foram por nós referidas num artigo de opinião [https://ssru.wordpress.com/2012/12/15/a-certa-incoerencia-por-ssru/] onde nos propusemos expor a contradição que se nota entre os valores que dizem defender e as práticas que adoptam para o conseguir. Poderão considerar, este um assunto menor e mesquinho, poderão desvalorizar pelo facto de sermos uma sociedade anónima, mas no concreto consideramos o assunto bastante pertinente e sobretudo não terem o direito de conspurcar o local onde vivemos e trabalhamos. Com as expectativas ao nível mínimo, não esperamos uma qualquer resposta vossa, mas isso não nos impede de no mesmo local disponibilizarmos o vosso direito ao contraditório, o que apenas sucede nas sociedades democráticas. Desta vossa equipa ao dispor, ssru.” Eis a resposta do Presidente do Conselho Directivo da Secção Regional do Norte da Ordem dos Arquitectos:

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a ironia desta foto!

Ex.mos Senhores

No seguimento do email recebido no passado dia 17 de Janeiro abaixo segue resposta ao mesmo.

A Ordem dos Arquitectos Secção Regional Norte possui um plano de actividades alargado que visa a promoção da arquitectura e dos arquitectos portugueses.

Na promoção da selecção de 20 Obras de reabilitação realizadas na cidade do Porto na área do turismo, a que chamámos “Respect for Architecture” (em inglês porque se destinava a um público alargado que incluía turistas em passagem pela cidade), realizámos uma campanha de comunicação em suporte digital e de papel.

Foi um evento que teve a maior receptividade junto do público português e estrangeiro, tanto na exposição do Aeroporto como no Palácio da Bolsa, locais que acolheram a exposição durante o mês de Setembro de 2012.

No entanto, na afixação dos ‘mupies’ que produzimos, as indicações que demos à empresa que os coloca não foram respeitadas. Dentro das condicionantes que impusemos estava a não sobreposição de ‘mupies’ sobre edifícios.

Naturalmente subscrevemos que a afixação de cartazes que promovem a reabilitação sobre os edifícios, seja qual for o seu estado de conservação, é uma contradição. Lamentamos a situação e tudo faremos para que a mesma não volte a acontecer.

Com os melhores cumprimentos,

José Fernando Gonçalves

Presidente do Conselho Directivo Regional do Norte

[Ordem dos Arquitectos SRN| Norte41 norte41@oasrn.org] 29 de Janeiro de 2013

Uma resposta destas e a correspondente acção, nós somos capazes de respeitar. Por outro lado, a sensação que tudo isto nos dá é que a nossa cidade se encontra a saque e que apenas depende de nós a solução para os nossos problemas, pois dos responsáveis camarários apenas podemos esperar mais irresponsabilidade e demagogia. É evidente que alguma coisa se passa para não actuarem na raíz do MAL.

[ri-te rui rio] foto @ http://jpn.c2com.up.pt/

[ri-te rui rio] foto @ http://jpn.c2com.up.pt/

a liberdade na praça, por ssru

Vocês poderão perguntar, sem perceber, por que razão insistir em comparecer em manifestações populares, cujo dia seguinte se revela igual ao anterior. Tal como vocês são muitos os que se interrogam, mas na verdade nunca nada fica igual, após uma estrondosa prova de cidadania como aquela em que nós participámos. Acreditamos que um cidadão deve praticar a cidadania todos os dias da sua vida e não apenas de quatro em quatro anos, nos actos eleitorais. Só isto já faz valer a pena. Mas na verdade estamos fartos… deste desgoverno!

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Em Belém uma múmia paralítica emudece com frequência para que ninguém se lembre que tudo começou nas suas mãos manchadas; em São Bento um fantoche gesticula inalterados movimentos, à espera que alguém lhe mude a cassete; e a Troika entra e sai do País das estátuas, como se aqui dentro não vivessem pessoas, mas antes números, às vezes pares outras ímpares, à medida que vão morrendo de desgosto e fome e solidão e frio e sem medicamentos e sem esperança. Nesta frente nada mudou.

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Muitos comentadores de serviço, embora conscientes do valor da voz do Povo, desdobram-se em manobras de diversão, desviando as atenções para a armadilha dos números, terão sido mesmo o milhão e meio, tapando-se assim o sol com a peneira. Mas quem ganha o nosso prémio de maior talento, é uma deputada da Assembleia da República, que representa o Povo através dos votos que o Povo depositou no seu partido, dito democrático, uma vez que vivemos em democracia. Todos em pé, em filinha, mãos juntinhas num aplauso democrático para a senhora deputada do CDS-PP (parceiro governamental), a Dra. Teresa Caeiro:

Não vou e nunca iria a uma manifestação como a que se prepara para o dia 2 de Março de 2013. Citando Paulo Portas, “ninguém são de juízo dirá que tudo está bem”. É evidente que as coisas não estão bem: uma taxa de desemprego acima dos 17% é uma calamidade; a deterioração das condições económicas maior do que se previu; a consolidação orçamental está a ser mais lenta do que se pretendia; a crise é mais profunda do que esperado e a carga fiscal atingiu o limite do suportável pela classe média. Precisamos de mais tempo para diminuir o défice, de um período mais alargado para uma redução estrutural da despesa corrente e de maior tolerância para cumprir o programa que nos devolverá a soberania plena. Precisamos de aceleradores da economia sem entrar no despesismo que nos obrigou ao pedido de resgate. Temos de ter a lucidez de compreender que o Memorando de Entendimento deve ser ajustado às realidades com que nos vamos confrontando. E há que ter noção de que não é possível exigir o esforço tremendo pedido aos portugueses sem um mínimo de compreensão da população.

Dito isto, os “lixem-se” não representam a população portuguesa e não encontro no slogan simplista “que se lixe a troika” e no entoar do “Grândola” em todas as esquinas qualquer vislumbre de pensamento ou de propostas alternativas. Aposto que a maioria dos que se reúnem hoje não lutaram pela liberdade e pela democracia: receberam-na de bandeja e beneficiam – felizmente – dessas conquistas. Tomam-na como garantida, para sempre. Mas esquecem que a liberdade implica responsabilidade, nomeadamente o dever de contribuir de forma construtiva para que ela se perdure. E a democracia exerce-se nos actos eleitorais, de quatro em quatro anos. Seria interessante saber quantos dos que se “indignam” e mandam a troika lixar–se, exerceram este direito/dever nas últimas eleições.

A contestação faz parte da democracia, e ainda bem. Mas contestar por contestar não contribui para a solução dos problemas, nem dignifica a liberdade. As grandes concentrações de 15 de Setembro, transversais a toda a sociedade e faixas etárias, tinham uma mensagem precisa e concreta: não aceitamos uma redução dos nossos vencimentos para uma medida sem retorno perceptível. E tinham razão.

Já os que querem que “a troika se lixe” não apresentam uma única ideia. A não ser, claro… que se lixe tudo. E da pouca substância que se retira das forças políticas que os apoiam não há uma medida que não levasse o país à ruína, a uma desvalorização de mais de 80% do nosso PIB (leia-se das posses de cada um de nós) e a tornarmo-nos uns párias internacionais durante gerações e gerações.

Deixo umas perguntas, às senhoras e senhores que hoje estão num afã a pintar cartazes e a afinar as vozes: a um ano e meio do fim do programa de resgate é altura de romper tudo ou tentar cumprir a nossa parte para recuperar a nossa soberania? E preferem, hoje, estar em Portugal ou na Grécia? E preferem que se lixe a troika ou que se lixe Portugal?

Por Teresa Caeiro, publicado em 2 Mar 2013 – 03:10, em http://www.ionline.pt

Porque estamos em democracia, vamos lá responder à senhora deputada, partindo do pressuposto evidente que este governo já não tem o apoio popular há muito tempo e que as suas políticas têm de ser mudadas. Assim:

1. Ainda bem que reconhece que as coisas não estão bem, ficaram ainda piores depois desde governo ter entrado em funções. O desemprego acima dos 17% não é uma calamidade, é o fim da linha para muitos, principalmente para aqueles que se encontram numa idade cinzenta, a que os liberais chamam limbo, mas os democratas preferem apelidar de idade de ouro, de saberes adquiridos. Tem razão, aquilo que precisamos para resolver os problemas é de soberania. E de órgãos de soberania impermeáveis à corrupção e à ditadura do poder. Desde logo, precisamos de uma justiça que não se queixe de falta de meios para caçar os poderosos corruptos, mas que é diligente a tirar as casas e os empregos aos mais humildes. Sobretudo, será necessário reduzir as desigualdades que nos desunem e nos fazem sentir cidadãos de segunda, uma grande mole que trabalha e paga impostos e vota para que a senhora deputada continue a comer lagosta e lavagante nos restaurantes da Assembleia da República, a preços módicos.

2. O Povo que viu na rua no dia 2 de Março não representa a população, tem toda a razão. Aquela gente toda é a população portuguesa e com ela estava muita outra que ficou em casa ou no trabalho ou a estudar e não pôde lá estar. Aqueles todos que lá estiveram, que mandam lixar a troika e cantam as ‘grândolas’, são cidadãos que lutam pela liberdade e pela democracia – assim no singular, a menos que a senhora conheça mais que uma – e que se recusam a exercer o seu paradoxo de democracia que apenas se exerce nos actos eleitorais. Muitos até terão votado o suficiente no seu partido para que a senhora tenha sido eleita.

3. “Que se lixe a Troika” tem tudo a ver com o dito do senhor primeiro-ministro que mandou lixar as eleições e por implicação o Povo eleitor. Por isso se manda lixar o governo, os políticos como a senhora deputada e a Troika que antes da crise nos pagou umas indeminizações para destruirmos o nosso sistema produtivo e baixou os juros do crédito à habitação e nos transformou em apenas consumidores, menos problemáticos que cidadãos. Sabia ela que tudo faríamos para manter o nível de vida conquistado e venderíamos os nossos anéis ao desbarato às empresas e interesses financeiros que dão suporte à Troika. Por isso senhora deputada, a mensagem que não consegue ler da manifestação é esta: “Estamos fartos de vocês todos!”

4. E que raio de pergunta é essa “(…)preferem, hoje, estar em Portugal ou na Grécia?”. Cremos que é a senhora deputada que prefere não estar na Grécia, porque, ao que sabemos, os gregos andaram a acertar os passos dos políticos que os vilipendiaram. Queremos estar em Portugal e ser mais como os islandeses, que têm a coragem de lutar pelos seus direitos, formando assembleias populares, alterando a constituição a favor do Povo, condenando judicialmente os seus políticos, verdadeiros criminosos. Senhora deputada, saiba e repita aos seus colegas: que nenhuma tempestade dura para sempre, apenas é um pouco tarde para que tudo volte à normalidade! Portanto: “que se lixe a senhora deputada Teresa Caeiro, Viva Portugal”.

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o povo ainda sereno, por ssru

O Primeiro-Ministro da Bulgária demitiu-se recentemente dizendo, “não participarei num Governo quando a polícia bate no povo e quando as ameaças de protestos substituem o debate político”, motivado pela escalada da violência nas manifestações contra a austeridade e aumento dos preços. Mas em Portugal tudo é diferente, existindo mesmo uma forte corrente filosófica que advoga que a cidadania só se deve manifestar no acto eleitoral, tendo que suportar até lá um qualquer defectível governo, como o actual. Dizem-nos que está no nosso ADN sermos assim, serenos e que as lutas, a existirem, devem ser travadas com cravos e abraços. Bardamerda!

Numa notícia de Maio de 2011 (quase dois anos), a TVI24 dava conta que nos últimos 11 anos o Estado português tinha sido condenado 13 vezes pelo TEDH, por violação do direito à liberdade de expressão dos seus cidadãos.

«Essencialmente os casos são à volta de condenações de jornalistas ou políticos à volta de críticas políticas e de expressões violentas e contundentes utilizadas, como aldrabão ou grotesco». «São expressões que os tribunais portugueses consideraram que deviam criminalizar, mas que o TEDH considerou que no âmbito do debate político e sendo sobre figuras públicas estavam protegidos pela liberdade de expressão», explicou Francisco Teixeira da Mota. «A liberdade de expressão não é um direito só individual, mas um direito de uma sociedade democrática, onde é preciso que haja liberdade de expressão e de opinião. Uma pessoa só pode ter uma opinião livre e esclarecida se ouvir muitas outras opiniões», sublinhou o advogado.

Vem isto a propósito, precisamente, da transformação de um protesto popular em forma cantada, numa suposta violação da liberdade de expressão de um ministro, o Relvas. Ou de qualquer outro membro do Governo. Já Paulo Portas disse há dias, a “Grândola, Vila Morena” sempre se cantou. E à falta de melhor “Parva que sou”, a grandolada, como ousaram chamar aos cânticos, serve na perfeição ao propósito de protestar contra quem tanto nos agride das mais variadas formas, a começar com a sua própria existência.

Na nossa infância decorávamos o refrão não só desta canção mas de tantas outras: como a “Somos Livres (Uma Gaivota)” de Ermelinda Duarte, gostamos especialmente do último verso [Somos um povo / que cerra fileiras, / parte à conquista / do pão e da paz. / Somos livres, somos livres, / não voltaremos atrás.]; ou como a “Jornada” de José Gomes Ferreira [Vozes ao alto! Vozes ao alto! / Unidos como os dedos da mão! / Havemos de chegar ao fim da estrada, / ao Sol desta canção!], tudo isto entoava nas paredes da escola, nos recreios, nos caminhos da nossa casa.

O Dr. Rui Moreira (ainda se lembram dele, certo?) escreveu há uns meses uma crónica no JN, que intitulou de “Os Linchadores”, projectando a sua destilada visão cataclísmica para o futuro da democracia caso continue a “intolerância” dos manifestantes, ou seja, caso os cidadãos se proponham a manifestar a sua revolta, o profundo desespero e a maior das indignações, que têm o direito de exteriorizar. Vejamos (atentem à semântica! Por favor leiam o texto na íntegra e se forem frágeis do estômago é melhor tomar já um protector):

Para gáudio de alguns abutres que empunham microfones, e de algumas hienas, cujo riso equivale a uma ameaça, passou a ser moda insultar os dirigentes políticos. Hoje, são os que estão no Governo que são vilipendiados. Amanhã, serão os seus sucessores que, defendendo ideias diferentes, estarão à mercê dos necrófagos. Os agentes de segurança têm sempre de suportar todo o género de provocações, sem merecerem, sequer, um agradecimento daqueles que protegem.

(…) Este é um país de linchadores que se infiltram na multidão ordeira para perturbar a ordem pública e para agredir polícias. De jornalistas que esquecem os princípios éticos e o código deontológico da sua profissão. De governantes que não têm sentido de Estado e transportam para o poder os seus ódios de estimação.

Em Novembro do ano passado (5 semanas depois da crónica anterior), cinco mil polícias gritaram “gatunos, gatunos” em frente ao Parlamento, manifestando-se contra as medidas de austeridade, cantando o “Hino Nacional” e, imagine-se, a “Grândola, Vila Morena”. Na escadaria em frente à Assembleia da República, a proteger a democracia e os democratas, encontravam-se os seus colegas, elementos das equipas de intervenção rápida da PSP.

Não são só os polícias que contradizem o Dr. Rui Moreira, pois também alguns jornalistas, em sentido oposto, se mostram predispostos para o contrariar. Foi o caso de Henrique Monteiro e de Henrique Raposo, ambos jornalistas e comentadores do Expresso que nas suas habituais crónicas abordaram o assunto da falta de democracia, da liberdade de expressão do ministro, do fascismo da grandolada (?), do exercício deste tipo de democracia apenas no acto eleitoral, etc. Tal como o Dr. Rui Moreira, há ainda muita gente que não percebeu a razão dos protestos, uma vez que tais iniciativas colidem com o sentido da vidinha privilegiada que usufruem e com o desconhecimento do grau de privação que a grande maioria do povo português, cada vez menos silenciosa, tem que aguentar diariamente. Para vos explicar o fundamental do protesto poderíamos ler alguns artigos do Texto Fundamental, a começar pelo artigo 1º [Portugal é uma República soberana, baseada na dignidade da pessoa humana e na vontade popular e empenhada na construção de uma sociedade livre, justa e solidária], mas isso iria maçar-vos em demasia.

Lamentavelmente, ainda não perceberam que os protestos apenas pretendem reafirmar a nossa vontade para que desapareçam de vez os linchadores deste sereno povo e reivindicar o nosso “direito ao silêncio”?

manife

nota a 2 de Março de 2013: Num dos parágrafos da sua crónica no JN, o Dr. Rui Moreira ensaia a defesa de Armando Vara por este ter sido confrontado, em pleno átrio de um tribunal, por um cidadão/herói que ousou demonstrar a sua repugnância perante a cadastrada personagem.

Ousássemos todos e a política deste País seria bem diferente. Não tenhas medo Rui Moreira!

a certa incoerência, por ssru

Este lugar onde vivemos é frequentemente vandalizado das mais variadas formas. Os cartazes publicitários ou de propaganda política têm um efeito duradoiro na degradação da paisagem urbana e imagem da cidade e no entanto a sua eficácia e alcance são efémeros. Quem nos segue, consegue perceber o nosso esforço em minimizar o impacte das acções perpetradas por gente irresponsável, que não percebe as consequências negativas daquilo que faz, entidades que conseguimos identificar pois são elas próprias que se ostentam nos cartazes que mandam colar pelo Centro Histórico. A mensagem que procuramos utilizar nesse combate tenta ser criativa, incisiva e oportuna, como quando nos dirigimos à CMP, ao Hard Club ou ao Pedro Abrunhosa, entre outros. Fazemo-lo porque cada vez mais, num mundo globalizado, a comunicação pode assumir as mais variadas formas e suporte físicos, sem necessidade de nos sujeitarmos a este ambiente poluído e degradado, num total desrespeito pelos valores patrimoniais, culturais e cívicos da comunidade. Vejam estes casos que vos trazemos hoje, onde os títulos dos eventos ou os seus promotores expõem-se a uma certa comicidade, ao paradoxo e à gratuitidade.

Começando pelos jovens aprendizes que se apresentam da seguinte forma: O colectivo de estudantes da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP), sob orientação científica do Prof. Doutor Manuel Mendes e co-organização da Associação de Estudantes e Direcção da FAUP, apresenta o ciclo internacional de 14 lições, intitulada “Prática(s) de Arquitectura – Projecto, Investigação, Escrita”, que decorrerá entre o final de Fevereiro e Junho de 2012, na FAUP. Esta acção é apoiada institucionalmente pela Reitoria da Universidade do Porto e pela Ordem dos Arquitectos (Secção Regional do Norte).”

O objectivo dos jovens não era modesto, mas antes “contribuir para a promoção e valorização da instrução teórica”, que desta forma não se revela o “sinal e sedimento de uma identidade não linear, talvez sejam tão só a reunião de gestos de simplicidade de quem procura (procurou) processo e pauta para a elevação da cultura do lugar, para a transformação de uma paisagem – desassossegos da arte da casa-mãe, a Arquitectura.”

Ora, por muito boas que sejam essas práticas de arquitectura (e são!), mandarem espalhar cartazes a anunciar pela cidade, pelo CHP, em tudo que é parede, caixilho ou cunhal não se afigura uma prova de “valorização da instrução”, nem um bom presságio para um futuro responsável e respeitador das vossas obrigações profissionais.

O movimento “Manobras no Porto” surgiu no CHP com o intuito de o dinamizar cultural e socialmente. É o resultado de uma candidatura submetida pela Porto Lazer EEM, aos programas de apoio ao desenvolvimento regional promovidos pela CCDR-N e apoiada pelo QREN, num investimento global de 2 milhões de euros: “Esta oportunidade surgiu no âmbito do esforço público em curso para criar e consolidar, na região Norte de Portugal, um cluster de indústrias criativas contributivo para o desenvolvimento económico nacional.”

Damos muito valor a este movimento, mesmo com iniciativas efémeras e vãs como o “jardim suspenso” ou marcantes e expressivas como a “meia de leite directa” e as vaquinhas malhadas a pastar na praça da Estação do Metro da Trindade. Mas têm mesmo que manobrar assim e poluir o local onde pretendem “convocar movimento, vida e acção, a apelar a gentes e ideias, a criar um aqui e agora que envolve os rostos e os corpos da cidade, a produzir e a evidenciar conhecimento e sentimento, a construir futuros na cidade”? É que, visto assim de relance, não parece um futuro muito risonho…

A Ordem dos Arquitectos é um caso perdido por isso mais vale passarmos logo à questão que os chamou aqui. A secção regional do norte da OA lançou uma selecção de obras – 20 – cujo motivo principal era o turismo (lojas, restaurantes, alojamentos) a que chamou Respect for Architecture, assim mesmo para inglês ver. Como vocês sabem, aquele título em português quer dizer “respeito pela arquitectura” e ainda que pareça bem que o respeito começasse por saber quantas daquelas vinte obras seleccionadas têm alvará de construção e de utilização, o objectivo do nosso artigo não é esse. Interrogamo-nos antes, como pode uma associação profissional, com estatutos e demais coisas giras, cujo ‘mobile’ da profissão é a realização da arquitectura como meio para a mudança do mundo, mostrar o seu respeito participando nesta sebenta e degradante ignomínia.

Conseguem perceber o caricato de tudo isto: arquitectos / turismo / respeito pela arquitectura / poluição urbana e ambiental / degradação. Quer como organizadora ou como parceira, a Ordem dos Arquitectos deixa o seu rasto pelo património da cidade. Se não colabora na defesa do CHP (revoltando-se contra aquilo que está a ser feito, reclamando o que não se faz, apontando o caminho), pelo menos não deveria participar na sua degradação.

É um bando esquisito esse que entra p’ra aí”, é a frase de um vizinho para definir o colectivo de artistas que ocupa um espaço num rés-do-chão da Rua dos Caldeireiros. Supostamente, uma galeria de arte e intervenção artística intitulada “Uma Certa Falta de Coerência” que deu o mote para o título deste artigo: «“Uma certa falta de coerência” define-se como um espaço gerido por artistas para apresentação e discussão de projectos em torno da arte. Este projecto surge na linha de outros de carácter semelhante que têm existido no Porto e da sua contínua necessidade.»

Ao ler a carta de apresentação da UCFC (ou acloc em inglês) percebe-se o esforço em existir e a abertura à comunidade, mas também que o mofo e a humidade são elementos importantes nos estimulantes ambientes adversos às artes. Bom! Um dia acordaram e desataram a colar aqueles cartazes amarelos pelas redondezas, como se não existisse amanhã e a comunidade fosse um bando de gaivotas que andam por ali a rapinar nos sacos de lixo doméstico depositados nos passeios.

nota: enviaremos este artigo aos protagonistas; seria interessante saber se têm algo a acrescentar…

o mundo novo, por ssru

Vós que lá do vosso império
prometeis um mundo novo,
calai-vos, que pode o povo
qu’rer um mundo novo a sério (*)

Tomamos a rua e gritamos bem alto que estamos fartos, FARTOS. Ainda há quem não perceba porquê, mas estamos certos que o dia estará perto. Estamos fartos de ser roubados e tratados como escravos. Nós não somos as vossas putas, sua cambada de chulos!

(*) António Aleixo (1899-1949), Poeta Popular

nota: dada a excepcionalidade da situação do País, somos impelidos a desvirtuar o compromisso por nós expresso na declaração de princípios, de não utilização de linguagem insultuosa ou indecorosa. Por esse facto, de forma excepcional, pedimos as maiores desculpas!


			

é impensável desistir, por ssru

Um homem entrou na sala onde discursava a ministra da agricultura e atirou-lhe um ovo, gritando “aldrabões”. Sim, são todos uns miseráveis aldrabões, que vivem alarvemente melhor do que o resto dos cidadãos. Ontem foi o dia dos portugueses perceberem que já chega de desigualdades nos sacrifícios que nos pedem para sairmos da crise. Crise que insistem em atribuir aos cidadãos por estes terem vivido anos a fio acima das suas posses, quando sempre foram eles – políticos merdosos – que usufruíram e ostentaram uma riqueza que não lhes pertence. E os governos castigam os trabalhadores porque temem que os “Donos de Portugal” os castiguem! Vão-se foder!!!

As espadas, 11 Setembro 2012 | 23:32, Pedro Santos Guerreiro – psg@negocios.pt

O Governo estragou tudo. Tudo. Estragou a estabilidade política, a paz social, estragou aquilo que entre a revolta e o pasmo agregava o país: o sentido de que tínhamos de sair disto juntos. Sairemos disto separados? Hoje não é dia de escrever com penas, é dia de escrever de soqueira.

Passos Coelho, Gaspar e Borges estiveram fechados em salas tempo de mais. Esqueceram-se que cá fora há pessoas. Pessoas de verdade, de carne, osso, pessoas com dúvidas, dívidas, família, pessoas com expectativas, esperanças, pessoas com futuro, pessoas com decência. Pessoas que cumpriram. Este Governo prometeu falar sempre verdade. Mas para falar verdade é preciso conhecer a verdade. A verdade destas pessoas. Quando o primeiro-ministro pedir agora para irmos à luta, quem correrá às trincheiras?

Não é a derrapagem do défice que mata a união que faz deste um território, um país. É a cegueira das medidas para corrigi-lo. É a indignidade. O desdém. A insensibilidade. Será que não percebem que o pacote de austeridade agora anunciado mata algo mais que a economia, que as finanças, que os mercados – mata a força para levantar, estudar, trabalhar, pagar impostos, para constituir uma sociedade?

O Governo falhou as previsões, afinal a economia não vai contrair 4% em dois anos, mas 6% em três anos. O Governo fracassou no objectivo de redução do défice orçamental. Felizmente, ganhámos um ano. Mas não é uma ajuda da troika a Portugal, é uma ajuda da troika à própria troika, co-responsável por este falhanço. Uma ajuda da troika seria outra coisa: seria baixar a taxa de juro cobrada a Portugal. Se neste momento países como a Alemanha se financiam a taxas próximas de 0%, por que razão nos cobram quase 4%?

Mais um ano para reduzir o défice é também mais um ano de austeridade. E sem mais dinheiro, o que supõe que regressaremos aos mercados em 2013, o que será facilitado pela intervenção do BCE. Mas “regressar aos mercados” não é um objectivo político nem uma forma de mobilizar um país. São os fins, não os meios, que nos movem.

Sucede que até este objectivo o Governo pode ter estragado. Só Pedro Passos Coelho parece não ter percebido que, enquanto entoava a Nini, uma crise política eclodia. A nossa imagem externa junto dos mercados, que é uma justa obstinação deste Governo, está assente em três ou quatro estacas – e duas delas são a estabilidade política e a paz social. Sem elas, até os juros sobem. E também aqui o Governo estragou tudo. Tudo.

Os acordos entre partidos da coligação e o PS, e entre o Governo e a UGT, têm um valor inestimável. Que o diga Espanha, que os não tem. Mas não só está anunciado um aumento brutal de impostos e de corte de salários públicos e pensões, como se inventou esta aberração a destempo da alteração da taxa social única, que promove uma transferência maciça de riqueza dos trabalhadores para as empresas. Sem precedentes. Nem apoiantes.

Isto não é só mais do mesmo, isto é mal do mesmo. O dinheiro que os portugueses vão perder em 2013 dá para pintar o céu de cinzento. O IRS vai aumentar para toda a gente, através de uma capciosa redução dos escalões e do novo tecto às deduções fiscais; os proprietários pagarão mais IMI pelos imóveis reavaliados, os pensionistas são esmifrados, os funcionários públicos são execrados. É em cima de tudo isto que surge o aumento da TSU para os trabalhadores.

Alternativas? Havia. Ter começado a reduzir as “gorduras” que o Governo anunciou ontem que vai começar a estudar para cortar em 2014 (!). Mesmo uma repetição do imposto extraordinário de IRS que levasse meio subsídio de Natal, tirando menos dinheiro aos trabalhadores e gerando mais receita ao Estado, seria mais aceitável. O aumento da TSU é uma provocação. É ordenhar vacas magras como se fossem leiteiras.

Poucos políticos têm posto os interesses do país à frente dos seus. Desde 2008 que tem sido uma demência. Teixeira dos Santos aumentou então os funcionários públicos para ganhar as eleições em 2009. Cavaco Silva devia ter obrigado a um Governo de coligação depois dessas eleições. José Sócrates jamais deveria ter negociado o PEC IV sem incluir o PSD. O PSD não devia ter tombado o Governo. E assim se sucedem os erros em que sacrificam o país para não perderem a face, as eleições ou a briga de ocasião. O que vai agora o PS fazer? E Paulo Portas? E o Presidente da República, vai continuar a furtar-se ao papel para que foi eleito?

João Proença foi das poucas pessoas que pôs o interesse do país à frente do seu, quando fez a UGT assinar um acordo para a legislação laboral que, obviamente, lhe custaria a concórdia entre os sindicalistas. Até Proença foi agora traído. Com o erro brutal da TSU, de que até meio PSD e o Banco de Portugal discordam. Sim: erro brutal.

É pouco importante que Passos Coelho não tenha percebido que começou a cair na sexta-feira. É impensável que lance o país numa crise política. É imperdoável que não perceba que matou a esperança a milhares de pessoas. Ontem foi o dia em que muitos portugueses começaram a tomar decisões definitivas para as suas vidas, seja emigrar, vender o que têm, partir para outra. Ou o pior de tudo: desistir.

Foi isto que o Governo estragou. Estragou a crença de que esta austeridade era medonha e ruinosa, mas servia um propósito gregário de que resultaria uma possibilidade pessoal. Não foi a austeridade que nos falhou, foi a política que levou ao corte de salários transferidos para as empresas, foi a política fraca, foi a política cega, foi a política de Passos Coelho, Gaspar e Borges, foi a política que não é política.

Esta guerra não é para perder. Assim ela será perdida. Não há mais sangue para derramar. E onde havia soldados já só estão as espadas.”

o festival comunista, por ssru

Para além da notável porcaria com que a maior parte das instituições e empresas insiste em “brindar” o Centro histórico do Porto, no que à poluição visual provocada por cartazes e afins diz respeito, os partidos políticos têm tido a sua cota parte de impune sujeira, desde que esta tenra e caduca democracia se instalou, após o 25 de Abril. Todos os partidos, sem excepção têm propagado a sua política, utilizando as paredes de imóveis possuidores de um valor patrimonial incalculável, integrados neste Monumento Nacional, Património da Humanidade.

E se existe partido político que melhor percebeu o alcance e a penetração da mensagem, utilizando suportes como o mural e o cartaz, têm sido os comunistas. Tanto que a sua acção estende-se muito para além dos períodos pré e pós eleitoral, marcando a paisagem urbana com uma presença constante, como se de um ruído de fundo se tratasse.

Contudo, de vez em quando, ainda que de uma forma arbitrária e direccionada, a Câmara do Porto decide aplicar as normas regulamentares em vigor no Município e que culminaram com a retirada da dita propaganda e consequente coima de 3.252 euros, correspondentes a 20 contra-ordenações. Inconformado, o PCP luta nos tribunais contra a CMP, até que no passado dia 27 de Junho, o acórdão do Tribunal da Relação do Porto considera “inconstitucional” o artigo D-3/57.º do Código Regulamentar do Município do Porto (onde, em abono da verdade, abundam inúmeras violações das Leis da República). O artigo em causa interdita a colocação de propaganda política nas zonas assinaladas pela câmara a vermelho e a amarelo no mapa da cidade. Do sumário do acórdão consta o seguinte:

I – A propaganda política é uma dimensão essencial da democracia, na medida em que sem a liberdade de exposição pública das ideias não se torna possível configurar um estado democrático.

II – Trata-se de um direito complexo que segundo a doutrina, envolve várias pretensões, nomeadamente «(i) o direito de não ser impedido de divulgar ideias e opiniões; (ii) a liberdade de comunicar ou não comunicar, através da propaganda o seu pensamento; (iii) uma pretensão à remoção de obstáculos não razoáveis à concretização da comunicação; (iv) pretensões de protecção contra ofensas provenientes de terceiro».

III – Se é certo que o artigo 37º da CRP conforma um direito fundamental à liberdade de expressão, de largo espectro fáctico, não é menos certo que esse direito à liberdade de expressão tem uma específica regulamentação quanto à propaganda e publicidade e o modo como deve ser regulamentada e garantida.

IV – Quanto aos critérios que sustentam as restrições, o legislador atribuiu esse juízo de restrição aos municípios, desde que fundado em razões perceptíveis de segurança, de equilíbrio ambiental, assim se salvaguardando estes valores.

V – No art. 4° da Lei n.º 97/88, de 17 de Agosto, estipulam-se critérios a estabelecer no licenciamento da publicidade, comercial assim como o exercício das actividades de propaganda.

VI – O Regulamento da Câmara nesta matéria, cria algumas normas, nomeadamente no seu art.º D – 3/50, que vão muito para além do que a Lei 97/88 de 17 de Agosto admite e lhe permite.

VII – As normas do regulamento referido, desproporcionalmente restritivas do direito à informação e propaganda política, são inconstitucionais.

A propaganda política é pois, um direito constitucional com o qual concordamos sem reserva. Pelo menos até colidir com o nosso direito à propriedade, com o direito a um ambiente digno, de morarmos numa rua limpa, numa freguesia histórica da qual nos orgulhamos, num núcleo antigo carregado de valor e apreciado pelos forasteiros, mas desprezado pelos portuenses. Se estivéssemos a falar de suportes amovíveis que seriam retirados depois da campanha eleitoral, ou da greve geral ou da Festa do Avante, seriam sapos que ainda poderíamos engolir. Mas esta lixeira que por aqui vai, colada em infraestruturas urbanas, em fachadas com azulejos antigos, papeleiras e contentores de lixo, armários elétricos e postos de transformação, marcos do correio… tudo isto feito de forma premeditada e organizada, só pode ser obra de uma cambada de atrasados mentais!

a pena de morte, por ssru

foto @ diariodigital.sapo.pt

Ao ler as últimas notícias do dia, somos forçados a pensar que a pena de morte é uma realidade que voltou a instalar-se em Portugal. As contas revelam que desde o início deste ano morreram 30 pessoas vítimas de crimes passionais, perpetrados pelos companheiros ou ex-companheiros, atingindo sobretudo as mulheres (26) mas também os homens (4).

No entanto, o número de vítimas de violência doméstica é bem mais extenso e o leque de indivíduos atingidos abrange as crianças, os idosos, os familiares directos e indirectos, enfim, toda uma sociedade que se afunda em desespero e angústia. Os cientistas sociais e peritos afins na matéria, dizem que é a crise que acentua a matança, mas também o período de férias quando os casais convivem mais tempo juntos, claro que também é o desemprego, ou a iliteracia e daí talvez não! Tantas vezes são só os motivos mais ridículos e mesquinhos que possam existir, como não pôr o jantar na mesa a horas…

Voltamos a este tema porque todo o esforço que contribua para a diminuição deste massacre, é apenas uma gota no oceano de sangue em que mergulhamos, enquanto cidadãos.

nota a 08 de Setembro de 2012: “O número de assassínios conjugais já ultrapassa o do ano passado”, no Expresso.

é só um adeus, por ssru

Miguel Portas | 1 maio 1958 – 24 abril 2012

“A vida não é senão um intrincado novelo de relações de poder. E a política, por maioria de razão. O paradoxo é que, quanto mais o tempo avança, mais ela é tentada pelo que não precisa e se demite do que deve.”

foto @ expresso.pt

“É da pessoa querer saber como parte: de cara lavada ou de cara pintada. Prefiro de cara lavada.”

à velocidade da luz, por ssru

O actual Ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, troou no final de 2011 que, de acordo com o cabimentado no Orçamento do Estado para este ano, um valor interessante de 4 milhões de euros seria destinado à montagem de radares de controlo da velocidade, medida “crucial para a diminuição do número de acidentes em ambiente urbano, sendo necessário a colaboração com as autarquias”. Fazem parte de um montante ainda maior de 39,5 milhões de euros, provisionado no OE para aquela Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) que ninguém sabe para que serve, falando assim o ministro em milhões como nós trocamos tostões.

Escusado será dizer que este anúncio nos soou espalhafatoso, uma vez que ainda permanece na nossa memória a existência de uma autoestrada dentro da cidade, que a fragmenta e agride, chamada VCI/IC23, cujos radares de velocidade se encontram desligados há mais de 4 anos e que custaram aos portuenses 500 mil euros. Assim sendo, para quê mais radares se aqueles que existem não têm serventia?

A história conta-se em traços largos: A VCI/IC23 foi concessionada pela Estradas de Portugal à Auto-estradas do Douro Litoral (AEDL) em Maio de 2008. Desde finais de 2007 que as infracções detectadas pelos radares da Via de Cintura Interna não têm consequências. A Estradas de Portugal diz que a responsabilidade sobre a gestão dos radares é do Instituto de Infra-Estruturas Rodoviárias (InIR) e este organismo, dependente do Ministério das Obras Públicas, remete a responsabilidades para o Ministério da Administração Interna. Que, por sua vez, encaminha para a Autoridade Nacional para a Segurança Rodoviária (ex-Direcção-Geral de Viação). Esta justifica que apenas lhe cabe proceder à instrução dos processos de contra-ordenação com base nos autos que lhe são remetidos. Conclusão: ninguém assume a responsabilidade pelo levantamento dos autos.”

Mas o ministro tem razão na medida “crucial”. A questão está estudada e o impacte dos radares de controlo de velocidade em termos de sinistralidade, desempenho do tráfego e emissões de poluentes, mereceu já algumas dissertações e teses científicas. Aliás, para o comum dos cidadãos basta ler as páginas dos jornais e ligar as televisões para constatarmos que a VCI está mais mortífera desde que há quatro anos um bando de irresponsáveis criminosos, levianamente desligou os radares por não saber quem é que devia passar a multa.

Há uns meses atrás uma jovem mulher perdeu a vida contra a cabine de um camião que galgou o separador central, poucos metros depois do pórtico do radar do Dragão, que se encontra desligado, descendo uma via mal desenhada, com um relevé insuficiente, uma pendente perigosa e com piso molhado. Duas semanas antes também nós assistimos ao mesmo espectáculo, só que desta vez sem vítimas. Aliás, se quiserem podem fazer um esforço para encontrarem naquele troço da VCI um pedaço de separador que ainda não tenha sido trocado. E vai ser assim enquanto a Câmara Municipal do Porto vai avaliando e estudando e… mais alguns acidentes acontecem!

Não sabemos se aqui houve ajuda da ANSR, mas há situações que não suscitam tanta dúvida ou estudo à CMP. É o que se passa de há uns tempos para cá na Rua da Reboleira, um caso-de-estudo da zona ribeirinha, uma via pedestre já de si condicionada ao trânsito automóvel e onde foi colocado um “radar de velocidade” para detectar infracções acima dos 10 km por hora. Nem queremos imaginar as corridas que por lá se fazem… Ui, ui!

O problema é que, de todos os edifícios que aquela rua tem, foram logo escolher o mais conhecido em termos patrimoniais: uma Casa-Torre do século XIV/XV, também referenciada como a casa dos Pedrossem, ali ao nº 59, onde colocaram o estridente aparelho medidor, junto ao olho do Grande Irmão. Para estupefacção dos turistas e gáudio dos locais, num cunhal entre duas belíssimas varandas, resolvesse desta maneira tão complicado problema. Podia ser num poste ou num pórtico, mas não!!!

Que raio! Mas será que esta gente já “não se sente”? Será isto mais um caso paradigmático de “incontinência mental”?

os desalinhados, por ssru

Não seremos todos um pouco desalinhados? Que espessura tem o véu que nos separa deste mundo paralelo?

Caros,

Conheço a Maria faz mais de quinze anos, desde o tempo em que trabalhei na Ribeira onde a Maria era visita diária. Sempre senti uma afinidade por pessoas desalinhadas socialmente. Ao ver a sua fotografia e ler estas linhas não pude deixar de me sentir reconfortado e emocionado. Não sabia da sua ausência e a reacção que tive foi sorrir, gosto do seu ar masculino e mais cuidado. Nunca lhe ofereci uma sopa, quem sabe um dia possamos comer uma juntos.

Conheço a Maria como conheço muitas outras pessoas que vagueiam pela nossa cidade, nas fotografias reconheço algumas delas.

Voltei a pensar na Zélia, que não vejo faz muito tempo, não tenho ido para a zona de Cedofeita, espero que esteja bem e que continue a dizer, ‘ó amor dá-me um cigarro’

Depois penso no Sr. Francisco que costuma estar em Passos Manuel, no rapaz que parece um gato que vive pela Praça dos Poveiros e em tantos outros.

Conheço muitos dos locais onde pessoas dormem na rua, costumo olhar mais para esses do que para a gente vulgar, que os mesmos finge não ver.

Sempre que me cruzo com uma destas pessoa na rua sinto que revejo um velho amigo, com alguns falo, outros apenas fico atento.

Faz duas semanas que o Cinema Batalha tem duas pessoas a viver na sua entrada.

Estes são os meus amigos, já que os que tinha, os socialmente aceites, deixaram de aprovar o meu caminho e afastaram-se ou eu próprio o fiz. Estes são os meus concidadãos, com os quais sinto afinidade, apesar das regalias com as quais ainda vivo.

A estes junto todos aqueles que escuto em cafés rascas, tascas, Praças e Jardins, pessoas desprezadas com quem gosto de partilhar o meu tempo.

É com elas que estou, são das poucas pessoas com quem estou realmente, juntos combatemos a nossa solidão e quando regresso a casa venho reconfortado por sentir que somos só isso, seres solitários, não cidadãos, mas ainda humanos.

Cordialmente, Francisco Félix – Porto, Dezembro de 2011

p.s. roubei a vossa fotografia para partilhar no rapaz, com a devida referência.

a não-cidadania #7, por ssru

A Maria tinha desaparecido, por dias, das ruas do Centro Histórico. As notícias de boca diziam que tinha caído redonda no meio do chão, inanimada. Morreu. Fazíamos-lhe o luto recordando a mulher bem-parecida que tinha sido e que se transformou em poucos anos, devido às drogas, ao abandono das ruas, ao desmazelo e desarranjo do corpo cada vez mais franzino e nauseabundo. Falámos da família que perdeu, a filha que não a reconhecia, que se licenciou e que já a tinha enterrado em vida, o irmão que lhe fechava a porta, cansado dos desvios sem fim da Maria. Recordámos os sustos que nos pregava ultimamente quando nos arrancava da calçada com um grito desprevenido, a pedir uma esmola insistente. Falámos dela e de tantos outros como ela que deambulam pelas vielas do Centro Histórico, vivem em ruínas arrombadas a combinar com as suas condições de vida. Mas não, a Maria não tinha morrido, apenas desfalecido e levada para o Magalhães Lemos, onde a trataram, lavaram e vestiram roupas que parecem de homem pronto para voltar para a fábrica. Isso deixou-nos ‘sossegados’ por parecer que ainda existe uma outra possibilidade de salvação, para ela e para nós.

A ideia de salvação através da salvação de outros em piores condições do que nós, é algo que sempre perseguiu o ser humano. Senão, atentem a isto: “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade”. Trata-se do revelador e primeiro artigo da Declaração Universal dos Direitos Humanos, onde se encontram consagrados os direitos e liberdades básicos de todos os seres humanos.

Vem isto a propósito desta popular e muito requisitada série de artigos que catalogámos como não-cidadania. O não-cidadão é todo aquele que não exerce a cidadania e quase sempre, de uma forma preconceituosa, vem à nossa mente a imagem de um sem-abrigo ou vagabundo. Para contrariar esse estereótipo, reparem no cuidado que tivemos em mostrar, nos seis artigos anteriores, que existe outro tipo de não-cidadão, aquele entranhado em cada um de nós. Aproveitando a história da Maria e o facto de se comemorar a 10 de Dezembro o Dia Nacional dos Direitos Humanos, pretendemos equacionar o paradoxo de existir dentro desta Cidade um grupo de cidadãos, que toleramos, que ignoramos, mantemos no radar da nossa indiferença, a quem distribuímos umas sopas e uns cobertores quando nos interessa e que nos fazem sentir que falhamos enquanto Sociedade: na aplicação do conceito de fraternidade, devidamente estabelecido no artigo 1º da DUDH.

Na cerimónia de hoje, durante a entrega dos Prémios de Direitos Humanos 2011 da Assembleia da República, a Presidente do Parlamento criticou a falta de fraternidade dos países europeus na salvação de uma Europa dividida, numa altura em que a pobreza e o desemprego alastram: “A pobreza com o desemprego cresce no mapa do nosso descontentamento. Ela deixou de estar acoplada ao hemisfério Sul e ao subdesenvolvimento, alastra agora nos países do hemisfério Norte e interpela-nos a todos, poderes públicos, indivíduos e grupos. (…)”não há discurso de justiça sem direitos humanos, por eles e para eles todas as políticas públicas são feitas ou todas as políticas públicas devem ser feitas”, disse.

De acordo com um estudo da OCDE, o fosso entre ricos e pobres atingiu o nível mais elevado dos últimos 30 anos e Portugal está entre os países onde se registam as maiores desigualdades. Segundo o primeiro-ministro português, é preciso “corrigir” esta assimetria na maneira como Portugal souber “criar riqueza para futuro e não dívida, na maneira como as políticas públicas fazem a redistribuição da riqueza que é gerada – justamente através das políticas sociais – mas também através da justeza dessas políticas, garantindo uma efectiva igualdade de oportunidades. (…) E que aqueles que realmente precisam são aqueles os primeiros a obter os apoios que nós temos, que na sociedade histórica umas vezes é maior, outras vezes é menor. No momento presente é menor mas até por essa razão temos que ser extremamente cuidadosos na maneira como distribuímos o pouco que temos”, alertou.

As nossas ruas são povoadas por gente sozinha, histórias cinzentas e sempre iguais, testemunhos da nossa não-cidadania. Nós – os cidadãos – permitimos.

os miseráveis, por ssru

Nos primeiros nove meses deste ano, a PSP e a GNR registaram 22.483 queixas por violência doméstica – um número que equivale, em média, a 2498 participações por mês e 83 por dia. Na lista de distritos em que ocorrem mais casos, Lisboa surge em primeiro lugar, com 5237 participações, seguido do Porto (4757) e Setúbal (1762). Juntos, estes três distritos representam mais de metade das participações às polícias em todo o país. Em último lugar estão os distritos de Beja (197) e Portalegre (198).

Violência Doméstica é definida como qualquer conduta ou omissão que inflija reiteradamente sofrimentos físicos, sexuais, psicológicos ou económicos, de modo directo ou indirecto, (por meio de ameaças, enganos, coação ou qualquer outro meio) a qualquer pessoa que habite no mesmo agregado familiar ou que não habitando, seja cônjuge ou companheiro ou ex-cônjuge ou ex-companheiro, ascendente ou descendente.

Bem podíamos estar a falar das personagens de Victor Hugo, mas estas, infelizmente são pessoas reais e que coabitam connosco neste século. Em 2011 já mataram 23 mulheres, mas o número de crianças, idosos e homens maltratados é igualmente arrepiante. Aqueles que sobrevivem e as suas famílias, vivem uma vida de terror que não merecem. Ninguém merece! Ninguém tem o direito de maltratar assim desta maneira. Uma Mulher morta não é uma estatística, pois cada uma é uma morte a mais, para que se continue a investir na sua segurança. Aos assassinos, aos não-cidadãos, deveria ser retirada a cidadania e os direitos, pois não pode haver atenuantes para a forma como aplicam a pena de morte, para tamanha barbárie. “DIREITOS HUMANOS PARA HUMANOS DIREITOS”.

“Está pois a pena de morte abolida nesse nobre Portugal, pequeno povo que tem uma grande história. (…) Felicito a vossa nação. Portugal dá o exemplo à Europa. Desfrutai de antemão essa imensa glória. A Europa imitará Portugal. Morte à morte! Guerra à guerra! Viva a vida! Ódio ao ódio. A liberdade é uma cidade imensa da qual todos somos concidadãos”. – Victor Hugo, 1876, a propósito da abolição da pena de morte em Portugal (o primeiro país europeu a fazê-lo).

a não-cidadania #6, por ssru

O Dia Mundial dos Correios foi, na semana passada (11-10-2011), assinalado em Portugal, pela Fundação Portuguesa de Comunicações, com uma cerimónia que incluiu a atribuição de prémios do concurso “A Melhor Carta 2011”, a emissão de uma colecção filatélica e a inauguração de uma exposição “Luiz Duran – Uma vida com selos dentro”. Nos restantes países do Mundo este dia comemora-se a 09 de Outubro, correspondendo ao aniversário da criação da União Postal Universal (UPU) em 1874, em Berna (Suíça).

Acreditamos que poucos tivessem notado, pela evidente falta de notícia, até porque Terça-feira foi dia de futebol, com o (desgraçado) jogo entre a Dinamarca e Portugal e o Domingo anterior foi dia de eleições, com a (vergonhosa) perpetuação da boçalidade na Madeira. Note-se que na mesma semana foi notícia, bastante mais visível, a prisão efectuada pela PSP, de um indivíduo do sexo masculino, por prática de onanismo nas escadarias do Metro da Trindade. Estamos de acordo com a prioridade.

reunião de trabalho ou distribuição postal? ponto de situação!

Mas o Serviço de Correio Público de Portugal sempre foi algo a que demos muita atenção, até porque a sua missão é diariamente cumprida nas nossas casas, nem que seja para deixar as contas que devemos pagar de seguida… Os Correios, assim por todos carinhosamente tratados, remontam a 1520, ano em que o Rei D. Manuel I criou o primeiro serviço público em Portugal. Os modernos CTT têm origem na fusão das Direcções-Gerais dos Correios e dos Telégrafos num único departamento, denominado Direcção-Geral dos Correios, Telégrafos e Faróis. Em 1911 a instituição passa a ser dotada de autonomia administrativa e financeira, denominando-se Administração-Geral dos Correios, Telégrafos e Telefones, adoptando a sigla CTT que mantém até aos dias de hoje, apesar das posteriores alterações de denominação oficial. Em 1969 os Correios são transformados em empresa pública, como CTT – Correios e Telecomunicações de Portugal, E. P. Finalmente em 1992 sofrem a sua última alteração para sociedade anónima, com a designação CTT – Correios de Portugal, S. A.. Ao mesmo tempo a área das telecomunicações é separada, formando uma empresa autónoma.

Não obstante tratar-se de uma empresa com tão longo historial, a gestão feita pelas últimas administrações, mas principalmente desde a transformação em sociedade anónima, tem vindo a denotar um défice na qualidade do serviço prestado aos clientes particulares, com o consequente aumento da insatisfação e do desagrado dos mesmos. As notícias que chegam até ao público, alimentam as mentes que defendem mais uma teoria da conspiração, argumentando que os sucessivos actos de desagrado pretendem distanciar e diminuir as ligações identitárias que o povo tem relativamente à instituição, facilitando a sua transformação em empresa privada, algo que ainda não se percebe o fundamento. Os Correios fazem, pois, parte da lista de “empresas” a privatizar, vá-se lá saber porquê! Se há serviços que o povo português não se importa se dá lucro ou prejuízo, parece-nos que este é um deles e para ele existir colabora alegremente com os seus impostos. O que nem é o caso porque os lucros são astronómicos, compreendendo-se ainda menos tão parva atitude anti-contribuinte.

Mas vejamos o que uma rápida busca pela Internet pode fornecer à palavra CTT:

– Como qualquer empresa, do Sector Empresarial do Estado, que se preze, “os carros dos administradores derrapam… nos custos”.

– Tem administradores com uma capacidade de raciocínio e tacto que lhes permite dizer “(…) no caso das empresas públicas, os gestores perdem independência e estão limitados «violentamente» por regulamentos de transparência e de concursos públicos. (…)”, concluindo nós que o que o senhor Vice-Presidente queria era opacidade e liberdade total para o desmando.

“CTT é a empresa pública com a maior despesa de pessoal”, mas que diabo, parece-nos que a mão-de-obra, neste caso, é bem necessária. E em médias aritméticas de merceeiro, isto significa que cada trabalhador dos CTT ganhou em 2010, pelos 14 meses da praxe, cerca de 1930 euros cada um. Alguém acredita nisto, ou acham que afinal o dinheiro anda mal distribuído?

– Numa empresa assim, com tanta gente e muito pão, é natural que se ralhe e enquanto o “Sindicato denuncia centenas de promoções “imorais”, administração garante que salários não sobem”.

– Mas os trabalhadores não desistem e partem para as greves… “em protesto, entre outras situações, contra a diminuição e congelamento de salários, a diminuição dos postos de trabalho e o encerramento de estações.”

– A austeridade quando vem é só para alguns e por isso os planos eram para se cortar pelo elo mais fraco. Só no “Porto: CTT vão fechar seis estações, inclusive a da Loja do Cidadão.”

– Mas como o povo do Porto não se deixa vergar facilmente, sobretudo quando estão em causa direitos de cidadãos mais idosos, altamente dependentes dos serviços dos correios para poderem sobreviver, “CTT diz que não fecha estações de correios”.

– Só fecharão aos Sábados e aos Domingos, por falta de afluência. Como se algum de nós soubesse que a estação do Município estava aberta ao Domingo, porque se soubéssemos dávamos lá um saltinho, à vinda do domingueiro passeio!

Para nós, tal como as atitudes expressas nas fotografias que percorrem este artigo, tudo não passa de acto de “não-cidadania”. Toda esta pressão se reflecte nos actos dos trabalhadores dos Correios, que não passam de comuns cidadãos, que já não percorrem as estradas montados a cavalo, faça chuva ou sol, nem trazem o seu gato preto-e-branco a acompanhar como o simpático “Carteiro Paulo”.

A última foto foi-nos enviada por um leitor deste sítio, que nos relata uma situação grotesca quando interpelado pelo carteiro, cujas últimas palavras proferidas foram (relevem as obscenidades, façam de conta que estamos numa sala de audiência ou a prestar declarações): “Estás a tirar fotografias para quê? Tira-me antes a mim, que sou mais bonito! Estás a ouvir, ò seu cabrão, filho da puta?” Apenas um sintoma da nossa enfermidade, não acham?

o sonho de verão, por ssru

O Hard Club falhou, deixou-nos ficar mal a todos… Afinal, tudo não passou de uma quimera, um sonho finito, como a estação do ano que agora termina. Os cartazes voltaram a poluir a nossa cidade, bem em cima de portuenses e turistas, que se queixam de viver e visitar uma cidade suja, poluída, pouco amiga do conforto de receber…!

Errámos profundamente ao considerar que eles tinham conseguido mudar de atitude e o nosso desejo não passou de “uma estúpida precipitação ou de um optimismo desregrado”. Reconhecemos que erramos e isso não nos preocupa, pois a esperança de produzirmos mudança com os nossos pequenos gestos, é ainda muito forte. Mantemos intacta a necessidade de acreditar em algo positivo como motivação para continuar.

Mas o “Código Regulamentar do Município do Porto”, legislação que regula esta matéria, é bastante claro e considera que a utilização do espaço público, como este que é classificado, está sujeito a regras:

Afixação de publicidade nas Áreas de Relevante Interesse Público

Artigo D-3/46.- Princípio geral

1  – Não é permitida a colocação de publicidade ou outras utilizações do espaço público previstas no presente Título nas áreas identificadas a vermelho no mapa anexo ao presente Código como anexo D_3, que de qualquer forma coloquem em causa os valores patrimoniais ou paisagísticos que justificam a classificação destas áreas como áreas de reconhecido interesse público, designadamente por impedirem a leitura de elementos construtivos de interesse patrimonial, histórico ou artístico, como guardas de varandas de ferro, azulejos, e elementos em granito, nomeadamente padieiras, ombreiras e peitoris, cornijas, cachorros ou outros.

2 – A afixação de publicidade ou outras utilizações do espaço público no Centro Histórico está também subordinada às regras que disciplinam a classificação e gestão da área urbana incluída na lista de Património Cultural da Humanidade da UNESCO e respectiva área de protecção.

Vocês que nos lêem e são inteligentes, fazem as perguntas certas: como é que, apesar da legislação, é possível que isto aconteça? porque é que a fiscalização, a existir, não actua eficazmente tentando minimizar o problema? porque é que todos agem como se não existissem cidadãos a habitar as ruas e as casas não tivessem dono? porque é que as principais instituições da cidade, que deveriam dar o exemplo, é que são os promotores desta vergonhosa poluição?

É provável que tenhamos resposta para todas essas questões. Os serviços camarários se aplicassem o regulamento municipal aos infractores, iriam chegar à conclusão que teriam que multar todas essas instituições, como é o caso da própria Câmara Municipal. As coimas aplicáveis a tão graves contra-ordenações, como afixar cartazes, inscrições com “graffiti” ou outra publicidade em árvores, em mobiliário urbano, em imóveis classificados ou em equipamentos municipais, variam entre 80 e 200 UCM.

Este assunto levado ao RIGOR de que o nosso presidente tanto gosta ou apregoa, poderia culminar no encerramento dos serviços da Câmara uma vez que:

Artigo H/31.- Sanções acessórias

1 – Quando a gravidade da infracção e culpa do agente o justifique, aplicar-se-ão as seguintes sanções acessórias: a) Repreensão escrita; b) Suspensão da actividade, por um período de 3 a 90 dias; c) Encerramento do local de venda

2 – A aplicação da sanção acessória referida na alínea b) do número anterior implica o encerramento do estabelecimento.

O que teria a sua imensa graça, não acham?

O desafio está lançado Sr. Presidente! Estará o Sr. à altura?

QUAL ESTÉTICA, QUAL QUÊ…

o assédio moral, por ssru

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Este artigo da RTP não é novo, aliás já tem mais de um ano, mas o tema é sempre actual, sentindo-se cada vez mais os efeitos de uma verdadeira vergonha nacional, um caso de saúde pública. Alguns dos nossos melhores amigos e leitores encontram-se nas mesmas condições, sem saberem como chegaram a tal ponto, a serem escravos do poder. Para que a memória não se apague e em solidariedade com todos os que sofrem nas mãos de miseráveis e incompetentes, tantas vezes em silêncio… a tirar agrafos!

LINHA DA FRENTE: Escravos do poder .part1 – SAP…, posted with vodpod – uma reportagem da jornalista Patrícia Lucas com imagem de Pedro Silveira Ramos e edição de imagem de Guilherme Brízido.

a resposta do Hard Club, por ssru

Poderá tratar-se de uma estúpida precipitação ou de um optimismo desregrado, mas a nossa necessidade de acreditar em algo positivo é que nos motiva. Desta vez, vir a reconhecer que erramos não nos preocupa, pois a satisfação de escrever este artigo, por agora, supera tudo.

O repto que lançámos, no final do ano passado, aos responsáveis pelo HARD CLUB, nomeadamente ao Paulo Ponte, a quem enviámos uma carta aberta, teve como resposta um imenso e agradável silêncio. Pedíamos então que a disseminação de cartazes a anunciar os espectáculos pelo Centro Histórico, fosse interrompida e substituída por outras formas de divulgação, utilizando para isso a infindável imaginação e engenho artístico do grupo a que o Paulo pertence.

Colocada desta forma, que resposta poderia ter a questão? Viria o Hard Club dizer que é assim que toda a gente faz, até a própria Câmara Municipal e por isso era legítimo? Que não são eles que colam os cartazes e por isso não são os responsáveis pelos actos de vandalismo que aqueles rapazes, que se deslocam numa carrinha branca pela madrugada, cometem? Que (esta é boa!) é uma forma de reabilitação pois “decora” as paredes degradadas do Património da Humanidade e ainda informa o cidadão dos diferentes espectáculos que se encontram em agenda?

Nada nos foi respondido, porque se assim fosse nós retorquíamos numa assentada, que a estupidez da CMP (e tantos outros) não legitima os nossos erros; que não existe lógica nenhuma em pagar a feitura e colagem de cartazes, que nem chegam a cumprir o seu fim porque logo lhe colam outros em cima, considerando-se por isso como autores materiais do crime de degradação de património alheio; e que na nossa cartilha só existe uma forma de reabilitação e nela não se encontra incluída a colagem de cartazes (por vezes magníficos), nem a pintura dos mais lindos ‘graffitis’ que se possam imaginar ou qualquer outra forma vã e torpe de fingimento, a que por vezes alguns cérebros enviesados chamam de “reabilitação urbana”, quer seja “high” ou “low-cost”.

Nos últimos dois meses deixámos de ver cartazes com o carimbo do Hard Club e queremos acreditar que será essa a resposta ao nosso reparo. Em Março assistimos a uma mudança tímida de atitude, ao vermos alguns cartazes apostos nos mobiliários urbanos institucionalizados da cidade e a nossa fé cresceu. Agora vemos outras formas de comunicação, como os pequenos desdobráveis do “Mercado da Música”, com dois meses de actividade proposta para esta época, que nos fazem acreditar que se trata de uma opção com continuidade e não apenas um fruto da sazonalidade.

Era tão bom que assim fosse! Podermos usar o corajoso exemplo do HARD CLUB e esfregá-lo ‘na cara’ da “Porto Lazer”, da “Porto Cultura”, da “Câmara de Gaia”, da “Câmara de Manteigas”, do “Teatro Nacional de São João”, de “Serralves”, da “Casa da Música”, do “Coliseu do Porto”, do “Teatro Rivoli”, do “Fantasporto” , do “FITEI”, do “Manobras no Porto” (o tal do Centro Histórico mais vivo que nunca), da “CDU” (Coligação Democrática Unitária), do “PAN” (Partido pelos Animais e pela Natureza), da “Rádio Festival”, do “Plano B”, do “Maus Hábitos”, do grupo de teatro “A Turma” (excelente cartaz – ‘História de Amor’), da “Discoteca Pacha”, do “Casino de Espinho”, o “PEB” (Parque de Exposições de Braga), do “Energie Music – Vilar de Mouros” e tantos outros (demasiados) que conspurcam e vandalizam o Centro Histórico do Porto, o tal que é Património da Humanidade, seus néscios…!

Se isto é vandalismo (porque é!), então o que vos deixamos aqui hoje é um hediondo crime!

E estes suportes para cartazes oficialmente colocados, desapareceram? Estariam a incomodar a tasca da “OLÁ”?

a 2ª conferência no porto, por ssru

Depois do sucesso da primeira edição, a Associação de Cidadãos do Porto e o Porto24 estão a organizar um novo evento Cidades pela Retoma no Porto. Vai ser já nos próximos dias 3 e 9 de Junho (Sexta e Quinta-feiras), no Auditório do P.INC:  Pólo de Indústrias Criativas – UPTEC. Ficam os detalhes.

2ª Conferência Cidades pela Retoma Porto

A segunda conferência Cidades pela Retoma no Porto é dedicada a projectos que estão a nascer na Cidade numa altura de grande crise e incerteza. Serão duas conversas em torno de projectos desafiadores, de natureza empresarial ou cívica, promovidos por cidadãos e pautados pela criatividade.

3 Junho (21h00-23h30)

Boas-vindas | Miguel Barbot | ACdP

Reabilitação Low-cost | Filipe Teixeira | Plano BLow-cost Houses

A criatividade em tempo de crise: caso FilmesdaMente | Nuno Rocha e Victor Santos | FilmesdaMente

Projecto Es.Col.A | João Taborda e Ewelina | Es.Col.A: espaço autogestionado do Alto da Fontinha

9 junho (21h00-23h30)

Boas-vindas | Vitor Silva | ACdP

Media pela Cidade | Ana Isabel Pereira | Porto24

Por uma reabilitação urbana Open Source | Adriana Floret e David Afonso | Floret Arquitectura

Ideias para a Cidade | Alexandre Ferreira e Pedro Menezes Simões | ACdP

Global City 2.0 e encerramento | José Carlos Mota | Cidades pela Retoma

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Associação de Cidadãos do Porto

A ACdP é uma organização informal e aberta a todos os cidadãos preocupados com o futuro do Porto, que tem como um dos seus objectivos criar pontes entre as pessoas e grupos que de alguma forma intervêm no sentido da melhoria da qualidade de vida na Cidade.

WebFacebook

Porto 24

A Porto24 é uma rede de informação local dedicada ao Grande Porto. Nasceu em Dezembro de 2010 e inclui um jornal, o Porto24, uma revista de arte cultura e lazer, a Praça, e um guia de locais, o Locais. Cada utilizador da rede Porto24 tem uma página de perfil onde, entre outras coisas, pode guardar notícias e reportagens para ler mais tarde, recomendar conteúdos a outros utilizadores, criar grupos de interesse e seguir a actividade de outros membros da comunidade. O projecto tem uma forte componente multimédia e quer estar próximo dos seus utilizadores.

www.porto24.ptpraça.porto24.ptlocais.porto24.ptcomunidade.porto24.pt

Movimento Cidades pela Retoma

O Cidades pela Retoma é um movimento cívico dedicado a discutir e promover o papel das cidades em tempos de transição dos modelos sociais e económicos. Parte do princípio de que as cidades são um contexto especialmente indicado para produzir inovação social criativa, rápida e profunda.

Foi desenvolvido no espírito do Ano Europeu do Voluntariado para promover uma cidadania mais activa e tenta envolver cidadãos, grupos e instituições em todo o mundo. Para isso, montou o projecto Global City 2.0, um ‘mapa’ mundial de sites e blogs sobre temas e problemas urbanos, da escala da rua à da cidade, promovidos por gente empenhada em pensar colectivamente sobre o futuro dos sítios em que vive e trabalha. O objectivo é promover a troca de conhecimentos e experiências e fazer circular ideias e soluções que, venham de onde vierem, possam ser aplicadas localmente. O Movimento está representado em todo o País.

WebFacebook

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Auditório do P.INC:  Pólo de Indústrias Criativas – UPTEC | Praça Coronel Pacheco, 2, 4050-453 Porto

Inscrições: acdporto@acdporto.org

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a política nocturna, por ssru

“A mobilização global tritura as nossas vidas produzindo mal-estar. As doenças do vazio (depressão, ansiedade, anorexia…) alargam-se, ao mesmo tempo, diga-se, que o sofrimento directamente associado à fome ou à morte. A miséria da abundância coexiste com a abundância da miséria. O mal-estar (social) pode constituir a nova questão social. Tem apenas que politizar-se. Em mais rigor: a politização do mal-estar é a prova e simultaneamente o momento de constituição da nova questão social correspondente à época global.” Santiago López-Petit, “A Mobilização Global”, tradução e comentários de Rui Pereira, Deriva Editores, Abril 2010.

O que aconteceu ali, naqueles rossios, praças e avenidas com o nome de Liberdade, na tarde de sábado, dia memorável de Março, o 12º, foi a percepção interior de cada indivíduo que, num gesto radical, pretendeu libertar-se de um modelo de vida que lhe é imposto como se de uma dádiva se tratasse, a qual não pode recusar. O que nós fizemos foi assim enunciado pelo filósofo espanhol, considerando que todo o nosso esforço deve consagrar-se a conseguir que o gesto radical se independentize do próprio acontecimento. A chave para isto encontra-se na insistência, na sua repetição.

A forma como nos é vendida a precariedade, significa sobretudo, que não existe fuga possível quando se está amarrado à vida que se tem, cujo único antídoto é “ser precário”, fazendo com que vivamos a vida em função da própria vida. Nesta mobilização global imposta a nossa vida não pode ser simples, aspirar a coisas verdadeiras que nos preenchem – como ter trabalho, família, uma casa – para se tornar complicada, sem tempo, urgente, neurótica, esvaziada de sentido.

Estar presente na manifestação “Geração à Rasca” personificou a afirmação do nosso “querer viver”, o romper do nosso contrato com uma vida hipotecada onde viver significa pagar a dívida que se contrai por estar vivo. Quem lá esteve presente pode experienciar a sensação de fazer parte de uma mole humana anónima em torno de uma causa comum que nenhuma outra foi capaz de alcançar: a afirmação de um movimento de resistência global que, ao expandir-se de forma tão esmagadora, expõe a ridículo o poder. “MÉRITO AO PODER” é o ‘slogan’ que, para nós, melhor evidencia esse lamaçal onde o Poder se encontra.

De olhos abertos foi possível perceber os mitos que caíam. A manifestação não tinha geração porque perpassava pessoas de todas as idades, um número imenso de indivíduos não possuía conta no facebook (a ferramenta da globalização utilizada para a combater) ou sequer computador, talvez a grande maioria nunca leu o manifesto que lhe embalava a vontade, ou sequer conhecia os rostos da convocatória. Uma manifestação política mas apartidária, contestatária mas não violenta, precária mas inspiradora.

Talvez por tudo isto é que as reacções de desagrado são ainda tão ferozes. Fosse pela formação académica dos promotores, a qualidade do texto do manifesto, a marca das roupas da geração à rasca, a incapacidade dos “Deolinda” para produzirem uma canção de intervenção, tudo serviu para boicotar um movimento genuíno que não precisou de licença para se afirmar.

Que parvos que são, não percebem que foram ultrapassados…

“Uma política nocturna é aquela que rompeu com as categorias políticas da modernidade, em especial com a noção de espaço político, ou espaço de aparecimento cuja origem remonta à polis grega. Em seu lugar, a politica nocturna emprega a sequência interioridade comum/força do anonimato/espaços do anonimato. O seu objectivo é que o mal-estar social se politize, que a força do anonimato consiga aceder a exprimir-se. Mas tal expressão não deve ser confundida com a sua representação. Pela sua própria essência, a força do anonimato escapa-se e desfundamenta toda e qualquer forma de representação. Desta maneira, inaugura-se uma nova política que tenta erguer uma terra de ninguém, que tenta construir uma gramática de gestos radicais. Uma política nocturna que, por não ter horizonte é imparável.” Santiago López-Petit, “A Mobilização Global”, tradução e comentários de Rui Pereira, Deriva Editores, Abril 2010.

o movimento milénio, por ssru

O Movimento Milénio é uma iniciativa nacional promovida pelo Expresso e Millennium de procura de respostas para o futuro, revelação de caminhos e tendências com verdadeiro impacto na vida dos portugueses. Lança o desafio a todos os cidadãos na procura de soluções para as grandes questões que vão definir e caracterizar a vida das próximas gerações de portugueses em quatro grandes áreas: Democracia, Negócios, Cidades e Consumo. O ponto de chegada de todas essas ideias, projectos e visões futuristas é o site www.movimentomilenio.com.

Com o objetivo de ‘envolver os cidadãos na vida local’ foi apresentado um projecto a concurso na área ‘Democracia’ subscrito pelo Movimento ‘Cidades pela Retoma’.  A proposta e o vídeo podem ser consultados aqui http://www.movimentomilenio.com/2011/03/objetivo-envolver-os-cidadaos-na-vida-local/ e o documento de suporte no link http://globalcity.blogs.sapo.pt/4627.html
Quem quiser votar neste projecto só tem de ir ao link referido  e clicar (do lado direito) onde diz: GOSTAM DESTE PROJETO

Movimento Cidades pela Retoma
http://www.facebook.com/CidadespelaRetoma
http://noeconomicrecoverywithoutcities.blogs.sapo.pt/
http://globalcity.blogs.sapo.pt/

a retoma das cidades, por ssru

Provocações em formato low cost para melhorar as nossas cidades – Público 27/02/2011 (versão Miguel Barbot)

Gente de todas as áreas e profissões está a unir-se num novo movimento chamado Cidades Pela Retoma. São activistas em ambiente digital que tentam agitar as consciências dos decisores. Dispensam o fato e a gravata, não dizem mal, estão é atentos, observam tendências, e não tiram os olhos das medidas de baixo custo que podem dar altos lucros em termos de qualidade de vida. Será que alguém os ouve? Por Carlos Filipe (textos) e Nuno Saraiva (ilustração).

O mundo actual está cheio de exemplos de como se cria inquietação a partir da Internet e é precisamente isso que o movimento cívico Cidades Pela Retoma quer promover.

São académicos que não usam fato e gravata, pelo menos à hora em que exercem as suas provocações cívicas num teclado de computador. Não gritam, não são contestatários, pesquisam, reflectem, lançam bases de discussão e propõem algo de novo para as suas cidades. Vão agarrando ideias na blogosfera, numa base de baixo custo, desde que elas melhorem a qualidade de vida dos cidadãos.

O número de aderentes a este movimento já vai na ordem dos milhares, incluindo 64 plataformas cívicas nacionais. Juntaram-se numa rede de blogues e sites – a Global City 2.0 – para pensarem de forma colectiva o futuro dos locais onde vivem e trabalham. Nesta “esquina” da Internet encontram-se 230 blogues, de 15 países, a que se juntaram nove parceiros institucionais.

A voz vai, portanto, engrossando e tende a contrariar uma certa surdez sempre que se fala na palavra “cidadania”. “Os benefícios de um processo de inquietação colectiva podem ser múltiplos: cria a oportunidade de conhecer melhor a agenda de preocupações que outros países estão a construir e com as quais podemos aprender. Podemos identificar recursos e potenciais desconhecidos e lançar desafios para encontrar iniciativas de baixo custo e alto valor acrescentado de execução e efeito rápido e visível e que possam animar a vida económica e social das nossas cidades. Uma acção que pode ajudar a combater algum marasmo cívico e ajudar a mudar o quadro mental muito caracterizado por um “deixar andar””, explica um dos rostos deste movimento, José Carlos Mota.

Referências abrangentes

As referências são muito abrangentes. Nomes como o do pastor protestante Martin Luther King Jr., o activista dos direitos cívicos norte-americano assassinado em 1968. Ou um documento estratégico assinado pelo actual Presidente da França, Nicolas Sarkozy. Ou nomes mais próximos dos portugueses, como Ernâni Lopes e Augusto Mateus.

As sementes do movimento Cidades Pela Retoma foram lançadas por José Carlos Mota. É a partir de Aveiro que este especialista em planeamento do território e docente universitário vai agitando consciências. “O movimento nasceu no quadro de um conjunto de dinâmicas cívicas e de profissionais ligados à investigação em planeamento do território para reflexão sobre as cidades e o seu papel no desenvolvimento do país”, explica Mota.

Muitos outros projectos fazem ou fizeram o mesmo no estrangeiro: o Core Cities, focado no desenvolvimento das cidades inglesas; nos Estados Unidos, o Emerald Cities, que mais não é do que uma ampla coligação nacional em que se misturam sindicatos, grupos cívicos, especialistas, políticos preocupados em definir estratégias para tornar as nossas cidades e metrópoles mais verdes.

Só isto chegaria para dar voz ao que, globalmente, já está sublinhado: “Não há recuperação económica sem as cidades.” Barack Obama, Presidente dos Estados Unidos, terá pensado o mesmo quando criou, na sua Administração, o gabinete de estudos urbanos.

Tirar partido da web

O movimento luso também se concentra em particular nos “instrumentos de política pública de cidades – como parcerias para a regeneração urbana – e o seu papel na retoma económica”, salienta José Carlos Mota, especificando que “a informalidade do movimento advém do facto de a sua génese ser cívica e estar ligada à necessidade de mobilização de reflexão colectiva”. Tudo isto “tirando partido das novas tecnologias, como a Internet”, e as novas ferramentas de comunicação, como os blogues e as redes sociais, descreve.

Mais a norte, está Miguel Barbot, consultor na Sociedade Portuguesa de Inovação, formado pelo Instituto de Estudos Superiores Financeiros e Fiscais do Porto IPAM. É um dos activistas da Associação de Cidadãos do Porto, constituído por profissionais criativos de áreas tão diversas como a economia, gestão, marketing, sistemas de informação, direito, design ou arquitectura. “É o que nos permite construir e oferecer ideias, em vez de nos limitarmos a protestar”, explica Miguel Barbot, que descreve a ACdP como uma organização informal e aberta a todos os cidadãos preocupados com o futuro da cidade e da Região Norte.

Cultura conservadora

A gestão autónoma do Aeroporto Sá Carneiro, no Porto, foi a causa que serviu de ponto de partida para este grupo, que defendia um modelo baseado nos princípios da economia social. Os proveitos da exploração do aeroporto seriam investidos para pagar o investimento privado já realizado e todos os lucros seriam canalizados para projectos na região, com o duplo objectivo de apoiar o crescimento do aeroporto e de apoiar socialmente populações mais carenciadas. “Todas as ideias da ACdP são baseadas neste princípio: pensar em soluções criativas com forte impacto económico e social”, sustenta Miguel Barbot.

No contexto actual, “a agenda política nacional e local tem de se centrar rapidamente nos instrumentos e meios de promoção do desenvolvimento económico e ainda acentuar a necessidade de pensar como o podemos fazer de forma colectiva”, afirmava esta associação portuense, no fim de um debate realizado em Novembro de 2010. Porém, é mais fácil enunciar do que fazer – inquietar é simples, difícil é criar a partir dessa inquietação -, e por essa razão o grupo já fazia então uma ressalva: “Há que ter em conta uma certa cultura conservadora e pouco avessa à mudança.” Falava-se obviamente dos portugueses.

O número 1540 é o ano em que Faro foi elevada a cidade. Desde 2009, faz também parte do nome da associação Faro 1540, que se empenha na defesa e promoção do património ambiental e cultural.

Conta Bruno Lage, engenheiro do Ambiente e mestre em Gestão e Políticas Ambientais, que “a melhoria substancial do grau de formação dos portugueses” e “o despertar do conceito de cidadania” mobilizaram “a participação alargada dos cidadãos na gestão e desenvolvimento da sua cidade”. Isso, acrescenta Bruno Lage, “não só ajudará a corrigir erros e falhas técnicas de determinados projectos, programas ou planos, como permitirá que surjam alternativas”.

Em Aveiro, José Carlos Mota diz que o trabalho na Escola de Planeamento Territorial ligada à universidade foi uma fonte de experiências internacionais inspiradoras, que acabaram por alimentar o movimento Cidades Pela Retoma. Está tudo na Internet, pejado de documentos com orientações de política pública. O Instituto Drum Major (IDM), uma respeitada associação cívica de Nova Iorque, é uma dessas referências. “Apartidária, think tank não lucrativo e geradora de ideias que alimentam o movimento progressista”, o IDM tem como farol ideológico Martin Luther King Jr. Fundada por Harry Watchel, advogado e conselheiro daquele antigo líder do movimento que lutou pelos direitos cívicos da população nos Estados Unidos, o IDM foi refundado pelos filhos de ambos, William Wachtel e Martin Luther King III. Ao seu trabalho se dirigiu, com reverência, outro antigo Presidente norte-americano, Bill Clinton – “uma prioridade urgente para a nação”.

Os relatórios do IDM destinam-se a evidenciar as políticas que fragilizam as classes desfavorecidas. No caso de Nova Iorque, uma análise da política urbana ainda recente identificou problemas graves que conduzem a um impasse no seu desenvolvimento. Por exemplo, durante a propagação do vírus H1N1 (gripe A), um milhão de trabalhadores de Nova Iorque não beneficiou de um só dia de trabalho pago, quando eles ou algum familiar foram afectados pela doença. Daí resultou um tombo na produtividade e aumentou-se a possibilidade de contágio. Na Costa Leste dos EUA, em São Francisco, fez-se precisamente o contrário – e a comunidade empresarial não se queixou de ter sido prejudicada.

Nova Iorque gasta por ano milhões de dólares com subsídios ou isenções de taxas para empresas privadas desde que estas assumam que não vão mudar de cidade. Aparentemente, esta ideia parece uma lógica imbatível, uma política defensável, porém, os resultados foram efeitos perversos, como concluiu o IDM: Nova Iorque passou a subsidiar trabalho precário e poucos postos de trabalho novos.

Em Inglaterra, a união de vozes, mesmo que algumas sejam institucionais, ganha importante poder de reflexão (e reivindicativo) com a plataforma Core Cities, uma associação de oito municípios e dos seus presidentes – Birmingham, Bristol, Leeds, Liverpool, Manchester, Newcastle, Nottingham e Sheffield – para a promoção do seu crescimento. Dialoga com Londres, a fim de criar o melhor ambiente económico, na certeza de que são aquelas cidades que criam a sua própria agenda, e não os gabinetes ministeriais.

Em França, o Presidente Sarkozy e o primeiro-ministro François Fillon não hesitaram em recorrer à sociedade civil quando, há um ano, em plena crise, pediram que se identificasse a melhor forma de libertar o país desse peso. A Comissão para a Libertação do Crescimento Francês foi composta por dezenas de personalidades, dos mais variados quadrantes. A liderança foi entregue a Jacques Attali, escritor, membro do Conselho de Estado, presidente da PlaNet Finance, organização não lucrativa que assiste instituições em 80 países com programas de microcrédito.

Cidadãos na liderança

Mas que ligações podem todas aquelas medidas ter quando centradas na escala portuguesa? O que é isso das Cidades Pela Retoma no cenário nacional? Qual o papel dos decisores? E que benefícios daí podem recolher as comunidades urbanas? José Carlos Mota coloca-as em perspectiva e identifica outros actores:

“Em 2006, o prof. Ernâni Lopes [1942-2010, economista e antigo ministro das Finanças] sugeriu que os agentes económicos, sociais e culturais deveriam ter coragem para reinventar a economia e o próprio país, e que essa reinvenção tinha um terreno privilegiado em áreas como o turismo, o ambiente, os serviços de valor acrescentado e as cidades. Mais recentemente, o comissário europeu da política regional, Johannes Hahn, sustentou a mesma tese e referiu que as regiões e as cidades terão um papel principal na estratégia UE-2020, para a qual deve ser já iniciada uma agenda de reforma para encorajar uma nova economia, que se quer inteligente, ecológica e mais inclusiva”.

José Carlos Mota insiste que “as cidades – pensadas em rede – têm um potencial interessante de articulação de novas abordagens. O que falta é uma visão que articule as diferentes políticas em torno desta nova dimensão e que eleve as cidades à categoria de desígnio estratégico”.

Mota defende que “a ideia da criação de uma agenda local para a retoma parece interessante e mobilizadora”. “O esforço inicial está dirigido para criar e alimentar uma troca de informação entre grupos cívicos. Talvez se justifique que o poder local pudesse assumir esta bandeira como uma prioridade. Mas isso não deve inibir o papel (liderança ou controlo) dos cidadãos no processo.

No Porto, Miguel Barbot destaca que “os autarcas serão em breve os políticos mais decisivos, face à importância das cidades enquanto catalisadores independentes de factores e fenómenos económicos, sociais e culturais decisivos para o desenvolvimento dos países”.”

o hino do desassossego, por ssru

Mais do que um hino à precariedade, este é um hino ao desassossego das nossas mentes. É o tempo de nos erguermos… Levantar a cabeça e apontar bem o dedo!

Vodpod videos no longer available.

Sou da geração ‘eu já não posso mais!’
que esta situação dura há tempo demais
E parva não sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar

o mapa da cidadania, por ssru

Desde o início deste trabalho que nos fazemos acompanhar por um conjunto de sítios da Internet que nos aconchegam a nossa caminhada.

Logo no primeiro momento fizemos questão que assim fosse e escrevemos: “(…)Nas últimas horas percorremos os inúmeros blogues que os diversos motores de busca nos apresentam sobre a temática da reabilitação urbana dos Centros Históricos portugueses. A linha condutora é muito idêntica em quase todos eles: revolta e indignação pelo modo como o assunto está a ser abordado pelas Autarquias e pelas SRU’s. Esta constatação apenas agrava o sentimento de que esta “moda” não é mais do que um aproveitamento político para resolver alguns problemas que, em décadas, se vão agravando: como é o caso do tecido social que aí habita, a questão da falta de qualificação profissional, formação cultural e cívica, a ’subsidiodependência’, o problema das rendas baixas e as condições dos proprietários para realizarem obras de requalificação, o apelo do imobiliário para ocupar parte nobre da cidade… Gostaríamos que o verdadeiro problema fosse apenas superficial, algo que uma próxima eleição autárquica pudesse resolver, mas lamentavelmente não é assim. Trata-se de um problema que tem atravessado várias gerações e está relacionado com os valores dos indivíduos, as suas prioridades, as diferentes formas de encarar e ‘desenrascar’ o problema. (…)”

Percebíamos desde então que os temas a tratar não se limitariam apenas à reabilitação urbana do território que ocupamos mas, antes, tudo o mais que respeita a esta qualidade de cidadão, à memória, à identidade, à cidadania. Os “blogues na discussão das cidades” têm sido um assunto incontornável nas nossas vidas e a comunicação social, assim como alguns partidos políticos, têm percebido que a tomada das decisões à escala do cidadão tem uma importância acrescida, que ultrapassa o poder do voto, complementando-o.

Cidades Pela Retoma é um local onde queremos passar a poder concretizar, em rede, os objectivos a que nos desafiamos todos os dias. É conduzido por José Carlos Mota, que escreve, entre outros sítios, nos “Amigos d’Avenida”, que tem sabido perceber as potencialidades de um movimento de cidadãos a trabalhar em conjunto e sistematizou o caminho de forma bastante profissional, explicando tudo isto e muito mais, aqui:

“Aproveitando o facto de 2011 ser o ‘ano Europeu do Voluntariado para promover mais cidadania activa’ o movimento ‘Cidades pela Retoma’ entendeu lançar o desafio de criar uma lista e um mapa geo-referenciado de ‘blogues [ou sites] de ruas, bairros, vilas ou cidades’. Esta lista não pretende ser mais do que uma sistematização dos vários espaços virtuais (blogues ou sites) promovidos por cidadãos e grupos de cidadãos que gostam de pensar de forma colectiva sobre o futuro das suas cidades. Os contributos e sugestões de blogues/sites podem ser enviados para [cidadespelaretoma@gmail.com]. Agradecemos a colaboração na divulgação desta iniciativa.”

‘NO ECONOMIC RECOVERY WITHOUT CITIES & CITIZENS’ CIVIC INITIATIVE  | ‘MOVIMENTO CIDADES PELA RETOMA’

site/blog http://noeconomicrecoverywithoutcities.blogs.sapo.pt/

facebook http://www.facebook.com/CidadespelaRetoma & http://www.facebook.com/NoRecoverywithoutCities

2011 global urban blogs map http://maps.google.pt/maps/ms?ie=UTF8&hl=pt-PT&t=h&msa=0&msid=212036379904442039670.00049a293a00fe9209620&ll=19.311143,2.460938&spn=148.469512,216.210938&z=2

a geração ‘desenrasca’, por ssru

Aqui sentados à mesa do café ou nos sofás das nossas casas, vociferamos tantas vezes contra esta geração “escorregadia” (grease) que nos governa, que dirige as instituições e empresas onde trabalhamos, que preside às sessões de julgamento onde estamos presentes, que nos atende nas repartições públicas, que nos cria as dificuldades para as quais nos vende o remédio, etc. Construímos verdadeiras teorias da conspiração, achando que para se manterem no poder durante mais tempo, despedem-nos e provocam a precariedade na nossa vida (pois estamos na calha para os suceder), independentemente da indiscutível qualidade do nosso percurso profissional e das nossas capacidades para assumir essas responsabilidades. Em vez disso procuram gente mais nova e desqualificada para os suceder, que não discute ou levanta questões, muito menos os coloca em causa pois não possuem experiência, ascendente ou habilitações para tal. Falamos desta geração que deu o melhor uso ao “desenrascanço” (cognome tão português), que para além das ideologias políticas (que já não sabem o que é) e das cores partidárias, persistem em impor-nos um modelo de vida que nos arruína.

Sedados vezes sem conta (sobretudo com o futebol), vemos ao longe as manifestações em Itália e na França, as ruas incendiadas na Grécia, em protesto pelas escolhas que (como diz Helena Matos) “…lixaram a vida daqueles que vieram depois.” Como se as palavras tivessem sido arrancadas de dentro do nosso cérebro, mesmo sabendo que todas as generalizações são cruéis, aqui fica este texto brilhante!

De Helena Matos, Falharam a vida, meninos*, Blasfémias, 2 Janeiro 2011.

“(…) Nas fotografias que gostam de mostrar têm o cabelo revolto e um ar de quem tem a certeza de tudo. São a chamada geração de 60, definição imprecisa mas prática por essa imprecisão que permite englobar nela muitos daqueles que foram jovens um pouco antes ou depois dessa década ícone para a geração que não só nos tem governado como também construiu o mundo imaginário onde vivemos.

Esse mundo onde público era sinónimo de justiça e gratuitidade rimava com solidariedade. Esse mundo onde governar bem equivalia a fazer cada vez mais promessas de redistribuição e onde o Estado passou a ser entendido como o grande doador. Esse mundo onde não haveria mais guerras porque tudo se resolveria pelo diálogo, esse mundo onde a corrupção era um problema dos outros, sobretudo daqueles que os tinham antecedido, porque eles eram puros.

A cada dia que passa, a cada pirueta sobre o empobrecimento de que não se deve falar porque parece mal e é populista abordar tal assunto, sobre os jornalistas que eram combativos e perseguidos quando escreviam sobre os conluios do poder doutros tempos e que agora passaram a ignorantes quando não a canalhas caso escrevam sobre as negociatas do poder de agora, sobre a emigração que outrora confirmava sermos um país sem esperança e que agora não interessa nada, sobre os tribunais cuja independência foi uma reivindicação até que eles temeram sentar-se no banco dos réus… pois a cada dia desses apetece-me mandá-los ler esse fabuloso final d”Os Maias” donde foi retirado e adaptado o título desta crónica. Aliás, talvez sejam a última geração por largas décadas que em Portugal tem gosto literário que lhe permite ler Eça, pois as gerações seguintes, tendo frequentado aquilo a que a geração de 60 chamou escola inclusiva, multicultural, progressiva… etc. … etc., terão grandes dificuldades em ler algo que não lhes seja apresentado como muito fácil, muito giro e muito moderno. O que é sinónimo de não ler nada que valha a pena.

Na verdade talvez não seja necessário recorrer a Eça. Talvez baste imaginar aqueles questionários que, tal como acontece com o da Pública, perguntam aos escolhidos com que idade tomaram consciência de que tinham falhado na vida. Contudo creio que a geração de 60 nunca admitirá que falhou. Está-lhes na génese culpar os outros por tudo o que acontece: primeiro culparam os pais porque tinham perpetuado um modelo de família que achavam caduco e baseado na mentira. E quando eles mesmos amaram, odiaram, traíram e fizeram compromissos, como acontece a todo o ‘Sapiens sapiens’ desde que o mundo é mundo, culparam o pai e sobretudo a mãe porque muitos anos antes não lhes tinham dito as palavras que eles achavam certas. Depois culparam o sistema das guerras e o capitalismo da pobreza. Enfim, no quotidiano, fosse ele o sexo ou a economia, havia sempre uma culpa que tudo explicava. Quanto ao mundo, havia essa culpa original do homem branco que estava sempre por trás dos massacres e das fomes. E ela, a tal geração de 60, assumiu-se como a apontadora de culpas.

Quando chegou a sua vez de serem poder viveram da culpa anos a fio, o que em Portugal nem sequer era difícil dado o carácter ditatorial do Estado Novo. Se lhes fosse possível teriam mantido Salazar empalhado para fazer dele um eterno bode expiatório. Na impossibilidade de tal acontecer levaram anos a descobrir salazares atrás de políticos ou propostas que não se acomodassem à sua forma de ver o mundo.

Talvez o primeiro momento em que a geração de 60 finalmente se sentiu adulta em Portugal tenha ocorrido quando constatou que a culpabilização do Estado Novo já não chegava para explicar o presente. Esse presente em que não há dinheiro para pagar as reformas que eles tinham garantido e que só por maldade não eram maiores e constantemente actualizadas. Esse presente em que os portugueses sustentam dois serviços de saúde, o dos seguros, à cautela, e o do Serviço Nacional de Saúde, o tal que tinha de ser universal e gratuito porque foi assim que esta geração o imaginou, primeiro no arrebatamento das greves académicas e depois na solenidade das reuniões maçónicas e que como bem se sabia não só não é gratuito como arranja agora estratagemas para excluir aqueles que já não chegaram a tempo. Esse presente em que a legislação sobre o emprego transformou os mais jovens em eternos tarefeiros a recibo verde. Esse presente em que ter bons resultados quer dizer que arranjámos quem compre um bocadinho da nossa dívida.

Quando a realidade se lhes impôs buscaram novos culpados que acrescentaram aos antigos: os culpados tanto podiam ser os grandes capitalistas como, no dia seguinte, os empresários de vão de escada. Os mercados cegos ou os investidores sem gosto pelo risco. A ânsia do lucro ou o atavismo da mediocridade do q.b. A defesa da competitividade ou o egoísmo a sobrepor-se ao igualitarismo. A falta de Europa ou o excesso dela. As decisões da senhora Merkel ou as indecisões da senhora Merkel. Os bancos que se endividaram para emprestar dinheiro a quem não podia pagar tais créditos sem avaliar os riscos dessas operações e os bancos que não querem correr o risco de nos emprestar dinheiro. Os pessimistas que influenciam negativamente as agências ‘rating’ sobre Portugal e as agências de ‘rating’ que não se deixam influenciar pelos optimistas.

Todos os dias, semanas, meses e anos nos apontaram novos culpados. Aos culpados de sempre somaram ameaças globais – como as alterações de clima, a gripe A ou a escassez dos alimentos – e promoveram cruzadas que procuraram fazer de cada um de nós um convertido aos seus novos dogmas e que tanto abarcam aquilo a que chamam questões de género como o sal que se põe no pão.

No fim, acabámos cansados. Estourados de apontar tanta culpa alheia e perplexos perante o caos que entretanto se instalara à nossa volta. Tudo o que nos prometeram está agora em causa. E como é óbvio já o sabiam há muito tempo.

A geração de 60 será em Portugal uma das primeiras em décadas e décadas a ser sucedida por outras que viverão pior. O ano que agora acaba é aquele em que se tornou óbvio que falharam a vida, meninos. O que nos espera de agora em diante é constatar que para lá desse falhanço também lixaram a vida daqueles que vieram depois. *PÚBLICO (…)”

o combate desigual, por ssru

“A força do anonimato não reside no seu expandir-se, mas antes no seu voltar-se sobre ela mesma. Então, e precisamente por isso, torna-se necessário falar de uma interioridade comum. A interioridade comum não é, contudo, um espaço interior a descobrir, uma verdade a revelar. A interioridade comum é tensão, o auto-dinamismo do que é inacabamento, o formalismo do querer viver. Por isso o nosso propósito não deve ser desvelar a interioridade comum como se de algo de obscuro se tratasse, mas sim activar o formalismo. Activá-lo para podermos reinventar-nos como seres anónimos no interior de cada um de nós.” Santiago López-Petit, “A Mobilização Global”, tradução e comentários de Rui Pereira, Deriva Editores, Abril 2010.

foto@http://www.humbertodelgado.pt/WebFHD/Fotografias/ConsultaFt.jsp?id=2

[Em que momentos da nossa História, dos últimos cem anos, nos perdemos enquanto Povo? Terá este ano de 1958 sido um deles?]

O centésimo artigo agora publicado neste sítio, na mesma data em que se comemora o centenário da Republica, pretende ser um marco introspectivo da nossa intervenção no espaço público, enquanto cidadãos.

Não são poucas as vezes em que os membros da SSRU se interrogam sobre a sua participação na Sociedade. Desde logo, porque a intervenção de cada um na “rés publica” não é tarefa fácil, porque se sente simultaneamente livre, mas cercada, pela sua “estatutária” condição anónima. Perde-se, assim, na dúvida da sua autêntica produtividade cívica.

Na antiga Cidade, os cidadãos, aqueles que acediam à discussão pública e à deliberação, eram livres e iguais. A política fazia-se à vista de todos, o que se escondia e protegia das vistas alheias era a intimidade. A Cidade contemporânea não é assim. O que percebemos é que, pelo contrário, a Cidade contemporânea inverteu tudo isto. Estamos, por um lado, entregues à publicidade do íntimo e do privado que transforma a nossa vida quotidiana numa constante novela cor-de-rosa, enquanto o público e o político, essa construção da Cidade que deveria interessar e envolver todos, se faz na falta de transparência quando não mesmo na escuridão absoluta dos gabinetes, e no acesso privilegiado de uns poucos aos processos de tomada de decisão.

A política está, pois, transformada num jogo de gato e rato, do qual apenas vem a público aquilo que ou é de compreensão fácil, logo, facilmente absorvido pela massa popular (especialmente atraente, para os políticos, quando, num rápido passe de mágica, lhes melhora a “imagem pública”), ou o que é tão complexo, que a massa popular alegremente prefere deixar aos políticos para que decidam. E assim se perpetua um domínio dificilmente escrutinável dos processos de decisão quotidianos, perante uma massa que se deixa adormecer pelo canto da sereia populista e se entrega docilmente nos braços de quem, realmente, tem o poder de tomar decisões complexas que deveriam envolver todos.

Há, depois, aqueles que, percebendo também como é que estas decisões se tomam, poderiam assumir a condução pública da sua discussão. O problema é que esses têm, invariavelmente, de se remeter ao anonimato, sob pena de fazerem perigar irremediavelmente o seu próprio futuro pessoal, profissional e social. O preço a pagar pode ser, muitas vezes, demasiado alto.

Esses têm uma de duas alternativas: ou se calam ou se manifestam. A maioria será mesmo silenciosa, cala porque é mais fácil, cala porque o lavar das mãos é mais higiénico e dá menos dores de cabeça. Mas há uma minoria inquieta que se pergunta, constantemente, como é possível que os cidadãos sejam tantas vezes, e de forma tão escandalosa, enganados pelas supostas bondades dos decisores políticos. Essa minoria inquieta manifesta-se, mas raramente o pode fazer sem se defender sob a máscara do anonimato. Sem se esconder. E é aí que está o problema que aqui decidimos reflectir. Valerá mesmo a pena a denúncia anónima da realidade? Não será, apenas, a denúncia anónima da realidade uma forma de aligeirar o peso de uma consciência que não se consegue libertar, de facto, para agir? Não será a denúncia anónima da realidade a forma mais cómoda do “status-quo” se perpetuar, gozando da sua posição privilegiada, pública, que lhe permite classificar os outros como “cobardes”, quando a verdadeira cobardia reside nos que escondem as verdadeiras intenções e projectos subjacentes às suas tomadas de decisão?

Estas são, também, inquietações que percorrem os membros desta Sociedade. Porque ela não é eficaz sendo anónima, mas desaparecerá rapidamente se não o for.

o funcionamento das coisas, por ssru

É lamentável, mas é assim que as coisas funcionam! Pelo menos vão funcionando, mas é lamentável ter que chegar a este ponto, o de ruptura, em que verificamos que as pessoas que nos governam e as que nos prestam os serviços públicos que nós humildemente pagamos, estão pouco importadas connosco e não nos respeitam. Daí que a comunicação social seja uma arma cada vez mais usada pelo cidadão para se fazer ouvir, para fazer tudo voltar ao normal (ou próximo do normal). Agora percebemos a razão que leva os nossos vizinhos, quando reclamam por obras nas casas onde habitam, em acto contínuo, gritarem pela TVI…

O Jornal Público interessou-se pelo nosso desafio, certamente depois da exposição que TAF lhe deu na Baixa do Porto e publicou hoje um artigo de página inteira, a demonstrar que não se chega a esta situação gratuitamente. Para um polícia municipal chegar à identificação do proprietário de um automóvel poderá demorar em média 5 minutos e para um fiscal de trânsito mandar rebocar o veículo gastará não mais de 20 minutos. No entanto só para a semana que vem é que a Câmara do Porto pretende resolver o problema. Sem que possamos confirmar, dizem-nos que ainda houve uma tentativa de “congelar” o assunto até ele ser resolvido, mas a redacção do P não ligou.

O problema resolveu-se, alguém conseguiu contactar o proprietário (que nada sabia do caso pois tinha vendido o veículo a outra pessoa, que não o registou) que tratou de arranjar um reboque e de remover o “chutomobil” da rua mais movimentada do Centro Histórico do Porto. De tarde já havia mais um lugar disponível, mas não era o lugar dos responsáveis da cidade.

foto estilo "Público", recebida por mail

O nosso agradecimento ao Público pela coragem e por ter ajudado a cumprir um dos objectivos deste Sítio.