o problema de expressão, por ssru

Disse George Orwell que, “se a liberdade significa alguma coisa, será sobretudo o direito de dizer às outras pessoas o que elas não querem ouvir” e isto assim dito, só por si, resume tudo o que resta sobre o assunto. Só não entende quem, intencionalmente, faz questão de não perceber. E acrescenta: “num tempo de engano universal, dizer a verdade é um acto revolucionário. Não tem sido fácil ser verdade e revolução e liberdade, tudo junto e todo o tempo, mas “Difícil” é o nosso nome do meio!

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Os marmanjos de Charlie, por José Diogo Quintela

Dez dias depois dos terríveis acontecimentos de Paris, o mundo continua desorientado. A barafunda fez com que, antes que qualquer tipo de organização pudesse ser estabelecida, toda a gente desatasse à balda a afirmar que é Charlie. De repente, qualquer pessoa achou-se no direito de se sentir chocada e de se solidarizar com uma causa. Assim, sem nenhum critério e sem pedir permissão. Desejo colocar ordem nesta bandalheira.

Lembro que se está a lidar com valores civilizacionais importantes e há que ter cuidado com quem se quer apropriar do Charlie e da liberdade de expressão. Toda a gente deve ter liberdade de expressão para poder dizer o que quer, mas nem toda a gente deve poder dizer o quer sobre a liberdade de expressão.

Há pessoas a dizerem-se Charlie que não são Charlie. São charlitães. Daí sugerir a criação de uma Ordem dos Charlies, para regular e limitar o acesso à autodenominação de Charlie e decidir, caso a caso e mediante a aplicação de um teste, se estamos perante um Charlie verdadeiro ou um Charlie de contrafacção. Não queremos abastardar o ser-se Charlie. Necessitamos de uma política de selecção escrupulosa antes de franquear a admissão. Com numerus clausus, obviamente. Não é Charlie quem quer.

À volta do bastonário, constituir-se-á um Conselho Deontológico para supervisionar a aplicação do rigoroso código de conduta dos Charlies, a chamada Charlia. Os conselheiros serão os guarda-costas da ética, responsáveis por defender o legado de Charlie. Os marmanjos de Charlie.

Como condições de acesso exige-se: já ter sido impedido de se expressar; nunca ter coarctado a liberdade de expressão; ter um historial nas redes sociais de, pelo menos, cinco likes em movimentos de defesa da liberdade de expressão; ter as vacinas em dia; duas fotografias tipo passe.

Alguns exemplos práticos de quem pode ou não ser Charlie:

1) Artista que vê o seu programa de televisão recusado e a quem o director da estação diz: “Não é um programa que nos interesse.” No entanto, o artista tem imensos amigos no Facebook que lhe dizem que a ideia do programa é genial. Ele pode dizer: “Je suis Charlie!”

2) Criança a quem a mãe proíbe de falar até acabar a sopa, que já está fria. Não sendo tão maçador como falecer ou ser-lhe recusado um programa de televisão, é ainda assim uma arreliadora limitação à liberdade de expressão. E leva a criança a fazer beicinho. Como é um grau de chatice menor, essa criança é um Charlie-mirim. Pode dizer: “Je Suis Charlie Bit my Finger”.

3) Charb. Por um lado, era realmente Charlie. Por outro, como director, deixava de fora muitos cartunes. “Mas não havia espaço para todos!”, dirão uns. “Eram desenhos muito fraquinhos!”, dirão os mesmos, mas fazendo outra voz. Desculpas. Se Charb fosse mesmo paladino da liberdade de expressão, em vez de uma pequena revista semanal, obrigava-se a publicar calhamaços bidiários, para não deixar nada de fora. Lamento, mas o Charlie do Charlie não é Charlie.

4) Eu próprio, que me considero Charlie e que pugno pela liberdade de expressão, mas que ao mesmo tempo impeço outros de se dizerem Charlie, acabo assim por não poder ser Charlie. Tenho pena. Mas regras são regras.

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a doutrina do medo, por ssru

Através do medo, os políticos conseguem que os povos se sacrifiquem e que paguem uma dívida que foi por eles próprios contraída. Em Portugal, tal como noutros países intervencionados pela troika, fecham-se escolas e hospitais, vendem-se empresas estratégicas, reduzem-se salários e reformas, retrocede-se civilizacionalmente para que os investidores alemães, franceses, ingleses e americanos não sofram com as suas más decisões ao emprestarem dinheiro aos banqueiros e seus amigos políticos corruptos. O dinheiro que sai do corpo dos portugueses vai inteirinho para pagar uma dívida que não foi contraída pelos cidadãos, nem sequer para proveito destes, mas antes para alimentar um sistema político criminoso que os espolia.

O vídeo que se segue sugere desde logo inúmeras questões que nenhum governante teve “testículos” para responder ao premiado jornalista alemão (quem melhor do que um alemão para nos esclarecer estas coisas?!) Harald Schumann, autor desta peça que sugerimos que vejam. Mas a primeira pergunta que gostaríamos de colocar é: “Como é possível que após as maiores manifestações de cidadania que Portugal já assistiu, tudo tivesse ficado na mesma, até o Governo ficou?”

os deficientes cívicos, por ssru

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Ao longo destes artigos temos vindo a falar-vos, por diversas vezes, sobre a necessidade de mudança de comportamentos, dos pequenos gestos que possam gerar uma maior sinergia cívica, que sirvam de modelo para que outros indivíduos (mais distraídos) se sintam impelidos a imitar, promovendo assim um mundo melhor, uma comunidade mais justa e feliz. Há muito que vos falamos da nossa querida 9ª Esquadra da PSP do Porto, o quanto gostamos daquele cantinho, da proximidade que nos transmite segurança, da facilidade em lá chegar, da forma como sempre fomos bem tratados quando preciso, enfim, é a esquadra do nosso bairro e pronto. Já a vimos degradada e suja, com xixi pelos cantos, mal-amanhada na outra esquina de cima, assim-assim na de baixo e agora está mais bonita, finalmente, depois das obras de reparação do pavimento que lhe faz de cobertura e que estancaram as infiltrações que a desfeavam, transformada que está numa esquadra do século XXI. A Esquadra do Infante, o peso que este nome tem!

No entanto, há pelo menos uma década que registamos que o estacionamento das viaturas de serviço é feito de qualquer maneira, ostensivamente sobre as passadeiras ou sobre os passeios. Isto sem que se perceba que estejam em emergência, como por vezes alguns agentes correm a justificar (o injustificável) querendo atenuar o mal causado. E ele é bastante…

No mês de Agosto, por exemplo, verificou-se uma enchente de turistas na cidade, quer estrangeiros ou nacionais e mesmo assim não houve hora do dia – manhã, almoço, tarde ou noite – em que não se registasse em fotografia o que acabamos de afirmar. A nossa inquietude atingiu um ponto tal que estivemos quase a bater à porta do chefe da esquadra (que conhecemos bem) a pedir-lhe que fizesse algo que alterasse a situação. Só este mau aspecto causado perante os nossos visitantes é motivo suficiente para que alguma coisa se mude. Impossível será não acrescentarmos mencionando os nossos concidadãos com mobilidade reduzida ou pormos de parte o facto de estarmos a falar de uma força policial que deveria zelar pelo bem-estar e segurança pública! Mas que raio!

Vivemos na angústia de parecer que este assunto apenas nos aflige a nós os quatro e que, no limite, apenas conseguimos arrancar um gracejo. Exprimimos o queixume aos nossos amigos, tentando juntos encontrar uma solução viável, quando as reacções foram do tipo: “…também o que é que vocês queriam…, que eles se multassem a eles próprios?” Afinal ninguém se interessa. Afinal poderá não existir uma luz ao fundo do túnel.

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Resta-nos apelar ao Senhor Comandante Francisco Bagina, do Comando Metropolitano do Porto (cujo mandato tem sido irrepreensível), para que possa falar com os seus agentes e sensibilizá-los para uma mudança de atitude que não dói nada. Se for necessário que institua uma espécie de multa a favor da comunidade e que crie um curso de formação cívica para melhorar o comportamento dos senhores polícias, que tão gravosamente desrespeitam o cidadão que devem proteger. Mas não um curso como aqueles para onde os tribunais portugueses enviam os senhores condutores embriagados ou demasiado apressados, pois esses são uma desgraça nacional. Uma coisa à séria, que envolva toda a comunidade.

Divididos entre o orgulho nas nossas forças de segurança e a vergonha destas deficiências cívicas, aqui nos prostramos…

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a destilaria do berto, por ssru

O leitor abaixo, num primeiro momento, apresentou-se com uma citação, expressando um testemunho de desagrado para com a SSRU (sítio e membros). O problema das citações é sempre o mesmo: tem as suas regras! Desde logo o conteúdo deve fazer sentido (para todos, claro); depois deve revelar-se apropriado ao tema em tratamento; e a sua proveniência, o seu autor, representar alguém/algo que mereça admiração e reconhecida aclamação geral, de preferência, alguém que mereça substituir quem o cita. Não foi esse o caso do Berto das Taipas que citou um tal de “agaga…toytó…” (?) que não percebemos nada. Em resposta moderada lançamos um desafio com uma citação de um filósofo alemão (bastante apropriado) que viveu entre 1724 e 1804, Emmanuel Kant, que disse: “É no problema da educação que assenta o grande segredo do aperfeiçoamento da humanidade.” Não, não é à educação do Povo que nos referíamos.

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Berto das Taipas, comentou em testemunhos, 30 de Julho de 2013, ás 19:54

Saudações

Não era suposto regressar tão breve, mas não resisti à resposta célere da vossa “super” secreta sociedade.

No comentário que emiti anteriormente, não era suposto tocar em nenhum “nervo” específico, caso optasse por isso teria que deambular por todo o tecido nervoso obrigando a um movimento peristáltico que me impediria de fazer o “kilo” e debater-me com perturbações do aparelho digestivo, o que muito me incomodaria.

A justificação para o anonimato da vossa organização é sem dúvida recheada de argumentos repletos de covardia sendo esta como se sabe, uma corrupção da prudência! Verdadeiros guerrilheiros camuflados, quiçá “Xananas” descendo pelo morro da Sé, em prol da libertação de uma cidade a ferro e fogo, debatendo-se com vilões, malvados, bandidos e agiotas que destroem a todo o custo o resta do casco histórico. Desgraçadas taipas carunchosas!

Ainda os ilustres colaboradores – admira-me a cobardia assumida e a atitude hipócrita no dia-a-dia nos seus modestos empreguinhos, o que não condiz nada com a frontalidade dos textos aqui produzidos. Parece que os estou a ver : Cenário hilariante – de noite congeminam ataques mortíferos, de dia lambem as botifarras aos dirigentes da Câmara, provavelmente não só para que não sejam despedidos, como referiram (o dinheirinho faz muita falta, não faz?), mas também para obterem um merecido “excelente”, superando assim os objetivos impostos pelo Siadap, os mesmos que na prática, são criticados ferozmente aqui nesta página. Um pleno sem dúvida! Cautela com as reportagens fotográficas, pois poderá, um dia destes, ainda descobrir-se o casulo das formiguinhas obreiras que ferozmente trabalham na tarefa árdua da denúncia sistemática. Se me permitem, duas sugestões:

– Porque não criarem uma sede desta sociedade secreta (passando naturalmente a ser des-secretizada!) num espaço aberto à cidade, com um balcãozinho de reclamações? Por certo teriam matérias infindáveis para valorizarem ainda mais e mais, esta montra de vómitos que definitivamente parece vos atrair tanto. Não me venham com aquela que o Porto está no vosso coração, e que por isso têm que agir na clandestinidade face aos monstros que a dirigem. Já agora aproveito para vos relembrar que daqui a nada, estão aí as eleições e quem sabe o futuro Presidente (seja ele qual for) poderá ceder-vos um espaço à borla, para as vossas atividades. Então? Quem é amiguinho, quem é?

– Denunciar (com belas imagens) a chamada Casa dos 24, edifício construído em 2002, com 22 metros de altura e a 7 metros da Sé do Porto, da autoria do Mestre Fernando Távora. As obras de construção que à data custaram 858 mil euros, + os trabalhos a mais, (portas em bronze e teto folhado a ouro, no tempo em que ainda se gastava à fartazana!) têm sido alvo de denúncias à Unesco e críticas da população que contesta sistematicamente sua existência. (o povo é inculto, é um “problema de educação”, eu sei!).

As formiguinhas da Câmara ainda não relataram este caso? ou será que não é arquitetonicamente correto mexer no assunto? A sociedade age no anonimato, ninguém vos vai recriminar pela denúncia. Vá lá força, tenham coragem! Não custa nada! A longo prazo sairão beneficiados.

Como diria Rui Ramos Loza, que vocês tão bem citam no início, “podes até, querer demolir a Torre dos Clérigos, desde que no seu lugar consigas propor algo melhor”. Aposto que, num hipotético cenário de demolição da Torre dos Clérigos (que violência!), a substituição da mesma, por uma torre contemporânea, da autoria de um dos Mestres que vos guiam nos vossos pensamentos maliciosos, seria por certo bem-vinda, aplaudida, e acarinhada pela Sociedade Secreta de Reabilitação Urbana. Quem sabe mesmo, uma obra candidata a um Premio Pritzker ¡ Querem apostar?

“O que o moralista mais odeia nos pecados dos outros é a suspeita acusação de covardia por não ter coragem de os cometer.” Vergílio Ferreira

Atenciosamente

Berto das Taipas (não sou vosso “vizinho” nem nunca serei)

[os erros ortográficos foram corrigidos pela ssru]

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Vocês que nos seguem desde sempre, poderão pensar ser desnecessário responder a um comentário assim. Nós, pelo contrário, aproveitamos todas as oportunidades para fazer pedagogia e transformámos o comentário do Berto das Taipas num artigo, esclarecendo o nosso querido leitor e agradecendo-lhe ter aparecido. Cá vai:

– Sempre nos apresentamos anónimos como o nosso voto em urna, no dia de eleições;

– Sempre nos consideramos mais “cavaleiros do apocalipse”, em demanda do santo graal, do que propriamente uns “Xananas (?) a descer o morro da sé”;

– Sempre o dissemos, o nosso propósito é defender o Centro Histórico do Porto de um bando de desqualificados, cujas habilitações lhes permite mais depressa serem Deputados da Nação, do que profissionais competentes ao serviço da sociedade;

– Sempre o admitimos, para quem quiser acreditar, que não somos funcionários públicos e não estamos ao serviço da Câmara, da Porto Vivo, nem nenhuma outra instituição com relevância pública, situação que conflituaria com a nossa consciência – dizer o que dizemos do sítio onde trabalhamos;

– Sempre que podemos, lembramos que o subtítulo deste sítio é uma frase utilizada pela SSRU de forma irónica, realmente dita por Rui Loza e que só alguém como ele o poderia dizer, sendo que o consideramos co-responsável pelo estado lastimável em que o CHP se encontra. Pudesse o génio ser hereditário e encontrar nele uma réstia do Arménio, que tudo seria diferente!

– Sempre fomos fieis à nossa herança e respeitamos os nossos melhores arquitectos – Alfredo Viana de Lima, Agostinho Ricca, Nuno Teotónio Pereira, Fernando Távora, Álvaro Siza Vieira, Alexandre Alves Costa, Eduardo Souto Moura, etc. – algo que nunca nos impediu de os criticar sempre que necessário. O que mais lhes criticamos (aos vivos, claro) é o SILÊNCIO perante aquilo que assistimos diariamente no CHP, como o “caso de polícia” das Cardosas.

– Sempre nos pareceu que o escrutínio era algo difícil de engolir a certo tipo de pessoas…

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Foi na destilaria do Berto que voltamos a erguer o Santo Graal. Num sentido último, o Graal simboliza a plenitude interior, o renascimento e o conhecimento do homem e da sua evolução. Só por isso poderemos estar-lhe gratos.

Mais ainda, lembrá-lo que a ameaça que faz “às formiguinhas obreiras” tem um reverso: é que ao serem descobertas, deixando de ser anónimas, a SSRU passa a ter rostos e nomes. Isso significa que tudo o que vem aqui escrito passa a ser admissível no Ministério Público, claramente em desfavor dos visados. Estes, os visados, poderão sempre mostrar que estamos errados para lhes pedirmos públicas desculpas e se for caso de sermos presos ou condenados a uma indemnização, faremos uma colecta ou um “crowdfunding”. Quem são os amigos, quem são?

o inferno a arder, por ssru

Parece que foi ainda ontem que o País ardeu todo e, no entanto, hoje continua em chamas este inferno onde a gente vive. Parece que arde mais em ano de eleições, porque as ordens são para não “escorraçar os votos” com as cartas que obrigam os proprietários a limpar as matas. Limpeza que era necessária quando ainda tínhamos agricultura, pois os produtos da mata serviam para o gado e para o estrume e para aquecimento e outras serventias que a natureza agradecia. Agora, todos os anos, entre festas de verão e banhos de mar, o País vai ardendo.

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Homens grandes em lágrimas infantis, a soluçar nas mãos vazias o trabalho de uma vida; mulheres que gritam desvairadas, com ganas de raiva, a apontarem a mangueira do jardim para o inferno desigual, que lhes lavra atrás das casas; bombeiros e bombeiras empoleirados numa corda bamba, aguardando as ordens de “comandantes” que desconhecem e que os mandam para uma frente de guerra, apenas protegidos pela causa que abraçam, que os mata por vezes; aviões e helicópteros que sobrevoam as chamas mesmo ali, ao alcance das câmaras das televisões e que nos custam a todos muitos centos de euro à hora.

o quarto com vistas, por ssru

A Cidade do Porto, na sua insondável resiliência, foi novamente agraciada, este ano de 2013, com a distinção de melhor destino turístico europeu, desta vez pela Lonely Planet, mundialmente conceituada editora de guias de viagem. Segundo Helena Gonçalves (directora executiva da Associação de Turismo do Porto) ao Jornal de Notícias: “Nesta sua selecção, a Lonely Planet privilegiou as cidades que, tal como o Porto, oferecem cultura, história e aventuras outdoor, fora do circuito das cidades mais populares europeias e é para nós um enorme orgulho ver o Porto e a região do Douro figurar em primeiro lugar na lista”, informou.

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Seria assim de esperar que o Autarca estivesse a explorar a situação até à exaustão, promovendo a cidade (e a si próprio) como o lugar ideal para se visitar, pelo menos este ano, oferecendo a cultura, a história, a aventura de contactar um povo ‘sui generis’ como é o povo tripeiro. Esperaríamos, por exemplo, que nos ‘outdoors’ de propaganda do executivo, em vez de porquinhos cor-de-rosa a contar uma meia-verdade (ou meia-mentira), estivesse uma fotografia do Porto dando um abraço ao Mundo.

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Mas como sabemos, nem tudo o que desejamos pode ser concretizado. Enquanto o Autarca vai carpindo os seus ódios bafientos, enquanto o seu executivo procura um lugar ao sol para si e para os seus parentes e amigos, enquanto a Porto Vivo se entretém a brincar às obras ilegais, enquanto os políticos em campanha se vão esquecendo de prometer ao Povo um Mundo melhor, enquanto tudo isso, a cidade faz o que pode para se regenerar, sozinha.

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Entregue aos nascer e pôr do sol, a cidadania vai-se esquecendo de quem realmente interessa – as pessoas. Este caso que vos trazemos hoje, poderá ter algumas semelhanças com um outro que atingiu o topo da popularidade neste sítio, sobretudo à custa de um comentário do TAF e publicação na Baixa do Porto, onde a comunicação social normalmente se mune de assuntos para desenvolver.

Quem não gostaria de possuir um auto-quarto, com vistas privilegiadas para um dos maiores ‘ex-libris’ do Porto, no melhor destino turístico da Europa?

Depois de Mouzinho da Silveira, por detrás do Mercado de São Sebastião e com vistas para a Sé Catedral, encontra-se estacionado um Opel Corsa preto, em mau estado de conservação (como os edifícios), mas com gente dentro. No entanto, o caso parece diferente do anterior, pelo seguinte: existe alguém lá a dormir mas não vemos vestígios de consumo de droga; os vidros que subsistem têm uma espécie de ‘blackout’ para usar de noite; e o ocupante mostra sinais de ser o proprietário ou alguém que perdeu a casa onde morar… Logo ali ao lado de tanta casa vazia no famoso e devoluto “Corpo da Guarda”!

E vocês que não são nenhuns “Bertos” e até gostam da vossa cidade, perguntam:

– Mas onde é que anda o Presidente e os seus Vereadores, o do Turismo, a da Habitação, a da Coesão Social, o da Mobilidade, etc.? E onde está a Administração da Porto Vivo e os seus Gestores, o da Área Urbana, e o do Programa do Morro da Sé, o do Plano de Gestão do Centro Histórico do Porto, etc.? Mas o que é que esta gentinha toda anda a fazer, no melhor destino turístico europeu? Será turismo?

nota a 25 Agosto 2010, aqui: O que mais nos apavora é que, até certo ponto, todos os sinais de alarme de uma sociedade civil saudável foram activados. Uns chamaram a polícia, outros ligaram para a CMP, os agentes e os técnicos apareceram, mas a partir daqui nada mais foi feito. Um agente da polícia chegou a dizer que se não tivesse matrícula (o carro) poderiam actuar, assim não! Este sentimento de insegurança e impotência que a falta de resposta das autoridades nos transmite é avassalador.