a sala das visitas, por ssru

A cidade do Porto foi sempre reconhecida, ao longo dos tempos, por saber receber bem quem a visita e quem a estima. Os tripeiros são amiúde referidos, às vezes com pejoro, por serem demasiado solícitos sempre que alguém pára a pedir indicações ou sugestões, aparecem logo 3 ou 4 e cada um a dar a sua opinião, pois isso está no código do nosso ADN. E em relação ao turista estrangeiro não é diferente, os portuenses recebem tão bem um dos nossos como um “camone”, até porque estes, normalmente, vêm com a carteira mais recheada do que os outros.

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No entanto a realidade tem vindo a modificar-se: a globalização e a massificação do turismo a baixo custo têm trazido muito mais gente, diferente deste estereotipo, de visita à nossa cidade. Aquele que melhor parece ter percebido essa mudança do paradigma foi precisamente o actual Presidente da Câmara, o Dr. Rui Moreira, enquanto o seu antecessor adormecia aos acordes de guerras fratricidas. Foi durante os seus mandatos como Presidente da Associação Comercial do Porto que o Palácio da Bolsa, sede e propriedade da associação, se tornou sem contestação no mais visitado monumento da cidade. A estratégia utilizada foi irrepreensível, abrangente e deu os seus frutos em prazo curto.

Ao contrário da política municipal empregue nos restantes monumentos e espaços de referência da cidade que se fecham num casulo, a equipa da ACP soube trazer para a ribalta o melhor do palácio e da própria cidade, com produtos turísticos, com publicações novas e/ou históricas, com eventos – do vinho ou de moda, com concertos, com um restaurante de renome, com visitas programadas e guiadas, com a reabilitação do próprio edifício e dos seus espaços carismáticos, como é o caso do salão árabe. A cidade por sua vez pinta-se com pinceladas desoladas:

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Boa tarde: Vivo no centro do Porto e tenho acompanhado o seu blogue. Deixo-lhe aqui os parabéns pela iniciativa e pela qualidade da escrita.

Não sei se já abordou este tema, mas seria interessante um artigo acerca deste assunto.

Milhares de turistas são despejados nesta cidade todos os fins-de-semana.

Mas pouco ou nada o Porto tem para lhes oferecer. Animação cultural muito pontual, nem iniciativas públicas que mostrem ao turista a nossa Cultura nas mais variadas facetas.

E o que é o turista “leva” daqui? “Leva” com porta na cara sempre que quiser ver qualquer coisa, comprar qualquer coisa durante o fim-de-semana.

Sim. O Porto, a partir da tarde de Sábado até Segunda-feira, está fechado ao público! O Majestic fecha ao Domingo, aliás como 90% dos estabelecimentos no Centro.

Eu até podia não ter razão, mas note-se esta história exemplar:

– Nos dias 8 e 9 de Junho de 2012 houve um festival no Parque da cidade que juntou perto de 30.000 pessoas, metade das quais oriundas do estrangeiro. Ora… como os espectáculos ocorreram numa 6ª e Sábado, a maioria dos turistas decidiu ficar mais um dia para conhecer a cidade. Só que, azar o deles e o nosso, o Domingo era o feriado de 10 de Junho!! Ou seja, os turistas encontram TUDO encerrado: cafés, restaurantes, museus, galerias de arte, salas de espectáculo, igrejas, monumentos… tudo! Eu próprio falei com um casal holandês que “jantou” umas coca-colas e uns croissants secos, comprados no Minipreço!

Resultado? O festival deste ano teve uma quebra brutal de assistência estrangeira, pois as gentes do Porto pensam que os turistas regressam às suas casas e não contam estas histórias a ninguém.

Porto, a cidade do trabalho? Acredito. Mas encerrado ao fim-de-semana.

Teixeira Moita (Agosto de 2013)

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A cidade do Porto está neste momento numa baixa de afluência, situação ideal para preparar a chegada próxima dos novos visitantes ou dos que por amores se perderão de novo pelas nossas ruas, Falamos de turistas que estão habituados a visitar as cidades capitais dos Países, ou as segundas cidades capitais da sua região. Cidades cosmopolitas que não dormem (ou dormem muito pouco) como é o caso de Barcelona e Valencia, Veneza e Florença, Marselha e Lyon, Birmingham e Manchester, etc.

Está na hora de aplicar uma boa receita e tirar partido da publicidade gratuita que nos foi dada pela eleição de “melhor destino turístico da Europa” e começar por acreditar que a melhor oferta desta cidade não são as inúmeras “tascas e alojamentos pé-descalço” ilegais que se abriram por todo o lado como cogumelos. Começar por manter um posto de informação turística aberto despois do almoço de sábado, no Centro Histórico, pois não é o caso da Praça do Infante D. Henrique, nem mesmo em pleno Verão. Depois do nosso quarto com vistas (que se mantém) não queiramos a nossa sala de visitas fechada às visitas, na “antiga, mui nobre, sempre leal e invicta cidade do Porto”.

o velho novo ano, por ssru

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Neste raiar de um novo ano, gostaríamos que o Dr. Rui Moreira soubesse que ainda acreditamos que ele possa protagonizar uma mudança sincera nesta cidade, mas existem alguns sinais que nos deixam preocupados, como os que vemos no seu facebook ou no da Câmara. Para que não perca o norte em vãs vaidades (vaidade q.b. pode ser bom) relembramos-lhe o discurso, na Assembleia da República, do Dr. José António Pinto, assistente social da freguesia mais empobrecida do Porto – Campanhã – que nos remete para aquilo que realmente merece a nossa atenção e em quem vale a pena investir – as pessoas.

(…) Eu troco esta medalha por outro modelo de desenvolvimento económico. Deixo ficar esta medalha no Parlamento se os senhores deputados me prometerem que, futuramente, as leis aprovadas nesta casa não vão causar mais estragos na vida daqueles que, por terem deixado de dar lucro, são hoje considerados descartáveis.

Eu não quero medalhas. Quero emprego com direitos para criar riqueza, quero que a dignidade do homem seja mais valorizada do que os mercados, quero que o interesse colectivo e o bem comum tenham mais força do que os interesses de meia dúzia de privilegiados.

Quero que os cidadãos do meu País hipotecado realizem os seus sonhos. Quero que estes governantes estanquem imediatamente este processo de retrocesso civilizacional, que ilumina palácios, mas ao mesmo tempo enche a cidade de pessoas a dormir na rua.

Não quero medalhas, quero que os cidadãos deste país protestem livremente e de forma digna dentro desta casa e quando reivindicam os seus direitos por uma vida melhor não sejam expulsos pela polícia destas galerias. (…)

José António Pinto, Dezembro de 2013 – Assembleia da República

a carta aberta, por ssru

Nesta quadra festiva renovamos os nossos votos e preces, aproveitando o momento para reforça-los e desta vez dirigidos ao Pai Natal e a mais algumas Estrelas do Norte, apesar de nem sempre obtermos as melhores respostas dos nossos Entes Queridos.

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O alvo das nossas súplicas, neste ano de 2013/14 da graça de Nossa Senhora, é o incontornável Mercado do Bolhão, edifício poderoso e carismático desta cidade, símbolo de inúmeras “batalhas” – as lutas do dia-a-dia na guerra pela sobrevivência de um povo. No Bolhão sempre se respirou o ar mais puro da natureza tripeira.

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Como está muito na moda, o suporte desejado para a nossa narrativa é a Carta Aberta, na vaga protagonizada pelo Dr. Rui Rio quando este se dirigiu ao Governo de Portugal (que não lhe ligou patavina) a propósito da SRU e que recolheu a assinatura de muitos outros intervenientes com consciência pesada por efectivamente nada fazerem pela cidade. Cá vai!

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Carta Aberta ao Pai Natal
e aos outros Notáveis do Norte
Não vamos perder tempo a fazer introduções dengosas sobre o estado do País e da Cidade que sempre terminam atribuindo as culpas à Troika ou ao nosso modo de viver acima das nossas possibilidades (como na carta aberta do Ex-Autarca). Adiante…
Querido Pai Natal, o pedido que lhe dirigimos não é nada de extraordinário para alguém tão importante e uma vez que nos portámos muito bem este ano passado, gostaríamos de receber de prenda alguma clarividência para os nossos políticos e um incentivo financeiro que caia do céu e que contribua para o arranque das obras do Mercado do Bolhão! É que estamos muito necessitados de uma ajuda sua, para darmos início à empreitada de reabilitação do edifício, que tem vindo a ser adiada década após década, sem que se anteveja um final feliz. Repare que mesmo o novo Presidente já começou a ver os escolhos no caminho antes de ver um programa adequado para o edifício, pois anda perturbado com aquela coisa de colocar habitação onde ainda só cabe um uso comercial,,, E vós:
Caros Notáveis do Norte, Estrelas do Firmamento Nortenho, vocês que assinaram a carta aberta do Dr. Rui Rio, têm agora a oportunidade de fazer algo realmente importante e palpável a favor do Povo que têm vindo a explorar (de uma forma ou de outra), em vez dessa conversa fiada do costume. Reuniram-se ali num hotel de luxo para assinarem uma cartita, falaram aos microfones, cumprimentaram-se onanisticamente uns aos outros e foram-se embora até sempre!
Uma vez que não existe no horizonte outro meio de financiamento externo e já que o Dr. Rui Moreira mostrou abertura para a inclusão de privados na reabilitação do mercado, queremos propor-vos “que se cheguem à frente” para que o edifício continue a fazer parte do Património da Cidade, tal como ele é. É tudo muito simples, basta fazerem um donativo a favor do Mercado e a CMP e a DRCN organizam a execução da obra que deverá ser apenas a necessária, a mais eficaz e sustentável para um espaço temporal de 25 anos, por exemplo. Com este acto singelo evitam a degradação acelerada do esplendoroso edifício e diminuem drasticamente as hipóteses de passar para as mãos de privados através de uma concessão ruinosa ou uma PPP dantesca.
Para a realização das obras de reabilitação patrimonial do edifício do Mercado do Bolhão serão precisos uns meros 10 M de euros (ou menos), segundo uma avaliação “a olho” que realizamos tendo em conta o seguinte “caderno de encargos”, não perdendo de vista o projecto original de António Coreia da Silva: 1- não prevemos a necessidade de esventrar o edifício ou realizar qualquer outra magia supérflua para dotá-lo de estacionamento, pois como diz o Dr. Rui Moreira e diz o Dr. Manuel Pizarro, o Silo-auto é já ali e só precisa de ter preços mais justos para ser rentável, ao que acrescentamos o caminho maravilhoso pela ecléctica Rua de Sá da Bandeira para lá chegar; 2- sim, uma cobertura na nave central (não precisa ser muito rebuscada) dava imenso jeito a quem usufrui do espaço – vendedores e clientes – e podemos aproveitá-la para recolha das águas pluviais que abasteceriam o edifício, o que aumentaria a nossa pegada ecológica se juntássemos mais uns painéis solares nas empenas interiores da cobertura, viradas a Sul, para colectarem energia; 3- revisão e reparação geral da estrutura degradada, substituindo o que não seja viável, reparando o restante; 4- correcção das fachadas exteriores uniformizando-as e retirando os elementos dissonantes como os reclamos, aparelhos de ar-condicionado, estores e toldos, revestimentos estranhos ao edifício e reposição de elementos primitivos; 5- melhoramento geral das instalações interiores, impondo-se a utilização de materiais com boa resposta ao uso intensivo e menor desgaste; 6- reorganização de espaços dedicados à comercialização de produtos frescos, lojas e bancas, com possível inclusão de cafetarias/bares e similares no piso superior da galeria Sul; 7- gestão participada do espaço, com atribuição real de competências.
Em troca do vosso altruísmo ímpar (para além de uma consciência mais limpinha) existe todo um mundo de mais-valias. Desde logo o vosso nome poder ficar ligado à reabilitação de um edifício tão marcante na história da Cidade; toda a publicidade que lhe está inerente directa ou indirecta; a possibilidade de terem uma representação no local da forma que melhor se convencionar; e todo um capítulo no Estatuto dos Benefícios Fiscais dedicado a vós, Mecenas (não é massenas!).
«Por tudo isto, os subscritores apelam ao Pai Natal e aos Notáveis do Norte que ponderem toda a Vossa actuação nesta Cidade, que não permaneçam insensíveis à falência do mercado, que contribuam para a sua reabilitação, que colaborem activamente no projecto de reabilitação da Baixa portuense e de animação da actividade económica e que não desconsiderem o Porto – a Cidade não tolera desconsiderações, como historicamente sempre aconteceu.»

Às práticas terroristas que procuram justificação para a destruição do Mercado do Bolhão, a resposta é um banho de realidade – o mercado está vivo e cheio de gente. Até lá vamos todos rezando à Nossa Senhora da Conceição, Padroeira de Portugal, para que vá fazendo um Milagre todos os dias!

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a afronta ao Porto, por ssru

“Não desconsidere o Porto – a Cidade não tolera desconsiderações, como historicamente sempre aconteceu.”

in Carta Aberta de Rui Rio ao Governo, Maio de 2013

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A 83ª Edição da Feira do Livro do Porto não se realizará neste ano de 2013 da graça de Nossa Senhora, algo que acontece pela primeira vez desde a sua 1ª edição. Esta desconsideração tem a autoria do executivo camarário e do seu Presidente, o Dr. Rui Rio.

A Cidade do Porto não esquecerá, como historicamente sempre aconteceu!

o homem-estátua, por ssru

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A profissão de homem-estátua requer, para além de uma exímia caracterização, a aptidão para a arte da imobilização, fazendo depender disso a carreira de qualquer profissional que opte por tal meio de sustento. Daí que, quando acometido por uma “aflição”, porventura natural, o homem-estátua poderá não ter outro remédio senão “aguentar” para não perder, por exemplo, uma boa vaga de generosos clientes pasmados com os seus atributos na arte da “estatuária”. Já de um autarca, político de profissão, o seu contrato com o cidadão é bem diferente pois exige que respeite e lute pela causa pública, que governe com ponderação e que trate os dinheiros e a cidade que administra com extremosa dedicação. Mas do mesmo modo caso se veja fosforescido por uma “aflição” do espírito, pois que se contenha e que procure aconselhamento de quem percebe mais do assunto que ele.

O nosso autarca tem tido uma lide imensa, concentrando a sua atenção em espalhar novas estátuas pela cidade e mudando outras, gerando os mais diversos estados de alma ao povo. Para lembrar alguns casos recentes falaremos de um general-sem-medo, apeado ao nível simbólico de um ardina, ali à Praça de Carlos Alberto; de uma mulher de ancas largas e costas viradas para o Palácio Real (Sul) onde deseja marchar, em vez do quartel, à Praça da República; e um Camilo velho e enfadado, com uma Ana jovem e nua nos braços, num canto da praça (junto ao edifício que não terá nenhumas saudades) ao Campo dos Mártires da Pátria [terá pedido ao Francisco Barata para opinar?]. Isto denota um certo e preocupante padrão de comportamento do nosso político profissional.

Com a estátua do Porto, tivesse o discernimento que lhe é exigido pelo cargo, de perguntar a um arquitecto minimamente formado – que não da CMP, ou pior do GAEEP – e a resposta seria que era melhor “não”. Principalmente naquele lugar, desvirtuando o eixo da avenida e àquela altura do chão, quebrando o simbolismo da estátua, certamente “NÃO”! Mas em todo o processo foram os arquitectos os mais desrespeitados pelos políticos e criticados por uma população habituada a ignorar a sua própria cultura. De pouco valeu aos responsáveis da Ordem dos Arquitectos ou da DRCN, gastarem uma hora das suas vidas a reclamar e intentar perguntar ao autarca pela mudança, pois tudo se esqueceu com maior rapidez.

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Vejam, o caso da estátua “O Porto” constitui um falhanço dos portuenses, quer por aquilo que ela representa – um guerreiro do Norte – cujo simbolismo diz tudo ao espírito tripeiro; e talvez por isso mesmo, a deambulação a que foi sujeita depois de apeada, sem lugar no actual edifício “novo-rico” que acolhe a Câmara, até ser resgatada por um nobre arquitecto. Senão atentamos:

O palácio Monteiro Moreira foi construído na 1ª metade do século XVIII, localizava-se na Praça Nova e foi ocupado no início do século XIX para servir de Câmara Municipal do Porto. Para tal recebeu inúmeras obras de adaptação e reformulação onde passou a figurar a simbólica estátua “Porto”, destacada na parte superior do frontão do edifício municipal.

figuras da tese de mestrado de Rafael Santos Silva, "Praça da Liberdade: 1700-1932 | Uma história de Arquitectura e Urbanismo no Porto", Repositório Aberto U. Porto, 2006

figuras da tese de mestrado de Rafael Santos Silva, “Praça da Liberdade: 1700-1932 | Uma história de Arquitectura e Urbanismo no Porto”, Repositório Aberto U. Porto, 2006

Lá no alto via todos os portuenses na Praça e estes percebiam a hierarquia do poder. A emblemática estátua de granito era quase tosca, mas vista ao longe parecia a mais perfeita das obras. Ela sabia o que representava, pois representava todos os portuenses e nunca podia aproximar-se do chão que todos pisavam.

Mas um Rio de Calvários começa em 1917 com a demolição do edifício para abrir a Avenida dos Aliados, sendo a estátua apeada e reutilizada de forma a menoriza-la perto do chão, primeiro junto ao Paço Episcopal e depois junto de canteiros e flores nos Jardins do Palácio de Cristal. Até que o influente Arquitecto Fernando Távora se lembrou dela para a iluminar em alto ponto na construção da “Torre dos 24”, próximo da Sé, reforçando a lógica do poder municipal simbólico e independente.

As vénias ao inteligente arquitecto foram esquecidas após a sua morte. E como todos os problemas importantes da cidade se encontravam resolvidos pelos políticos da Urbe, surge uma aflição repentina que o “experto” em carrinhos de corrida sentiu sobre o local exacto “adonde” deveriam estar as estátuas.

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Primeiro quis mudar a “menina nua”, ou terá sido a “estátua do Porto”(?), mas deixou a “moça” para mais tarde e vendeu o novo poiso do “Porto”, pertinho do Banco de Portugal, colocando o casto soldado de olho posto na formosa menina, não vá o Diabo tecê-las. O eixo das estátuas da Avenida dos Aliados achou estranho a estranha posição esdrúxula do novo vizinho, mas achou melhor não fazer grande barulho ou confusão, pois este Rio político está quase a acabar. O “argumentório” de que agora está perto(?) do local onde estava antes, para além de ilegítimo pretende fazer de nós ‘debiloídes’!

o "Porto" de volta ao frontão do edifício camarário, seu poiso natural

o “Porto” de volta ao frontão do edifício camarário, esse sim, o seu poiso natural!!!

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Faltam ainda 6 longos meses de ideias surpreendentemente idiotas… o que virá a seguir nos próximos capítulos?! Talvez um “condomínio da cultura”, ou isso…!?

os direitos reservados, por ssru


Esta nossa imagem de doce colorido, aqui publicada em Março, voltou a ver a luz da ribalta passados quatro meses ao ser utilizada pelo JN com a legenda de “direitos reservados”. O artigo onde foi inserida pretende contar uma história repetida mas que em matéria jornalística revela pouco sumo. Ficamos, como sempre, servidos pela rama sem que o fruto seja espremido.

O nome do senhorio parece-nos relevante para percebermos muita coisa. Trata-se de uma empresa que comprou vários edifícios na Baixa do Porto para com eles ganhar dinheiro, de preferência sem os reabilitar, o que é mais ou menos aquilo a que na gíria chamamos de “especuladores”. Neste entretém especulativo, os espaços comerciais que arrenda, prefere fazê-lo a comerciantes vindo do Oriente, que pagam rendas astronómicas que ninguém ainda se interessou em saber como.

Interessaria perceber se o projecto que em Março de 2010 estava já aprovado, teve algum desenvolvimento ou por que razão não se mexeu. Sendo um Quarteirão Prioritário e a gestão da Porto Vivo, bastaria a jornalista ter batido à porta da SRU para ficarmos todos a saber o que se passa neste domínio.

Esclarecido o assunto anterior passaríamos à autorização camarária para a ocupação da via pública, sabendo assim em que moldes foi autorizada, pois não acreditamos que tal estenderete tenha sido ali colocado sem autorização. Havendo um historial de estenderetes e nenhuma obra realizada, interessa-nos saber o que levou a CMP a autorizar a colocação destes andaimes e se para tal conferenciou com a Porto Vivo.

De seguida, assunto bem diferente é a publicidade, no caso iluminada e tudo. Os contornos que levam a estes contratos de publicidade por parte das marcas que se arvoram de responsabilidade social, mas que neste caso apenas visam o lucro imediato, desprezando a cultura, o património, o ambiente urbano, a economia e os portuenses. Consideramos importante saber se a CMP também se cobrou pela colocação da publicidade e se pediu autorização à tutela nacional, que neste caso é a Direcção Regional de Cultura do Norte, dado tratar-se de um Imóvel inserido em conjunto classificado como de interesse público. Isto sim, é que torna o gigantesco painel ilegal!

A Adagio reservou-se ao direito de ganhar mais clientes/dinheiro com a publicidade, a proprietária dos imóveis reservou-se ao direito de ganhar dinheiro com a chafarrica, a CMP reservou-se ao direito de cobrar as taxas municipais de publicidade e de ocupação da via pública, os inquilinos reservaram-se ao direito de reclamar os prejuízos e os maus tratos por parte do senhorio, o JN reservou os direitos da nossa foto para poder colorir apenas mais uma notícia e nós reservamo-nos ao direito a continuar a defender aquilo em que acreditamos, em defender o Porto e o Centro Histórico.

Nestes quatro anos de luta feitos ontem, acreditamos que defender o local onde pertencemos, não é direito reservado de ninguém, mas um dever de todos.

e as raízes… queimam-se, por ssru

Empenha-mo-nos tanto em fazer grandes artigos, daqueles que compensem a nossa incapacidade relativamente ao anonimato, que expliquem perfeitamente o nosso ponto de vista sobre este ou aquele assunto e por vezes esquecemos o poder da imagem e que, literal ou metaforicamente, com eficácia, atinge sempre os mesmos objectivos. Por vezes, uma fotografia nem precisa de legendas… permanecendo assim, livre para a interpretação do seu observador.

foto@googleMaps

Estas imagens não têm muitas histórias: alguém plantou estas árvores e alguém as cortou. Retirou as raízes e tapou as caldeiras com novos paralelos.

 

Antes tínhamos um alinhamento de três disciplinadas árvores, um toque de terra no caos urbano, uma descaracterizada empena de edifício tapada por ramos e folhas, uma sombra aprazível, um pouso para chilreantes pássaros e menos três automóveis. Agora temos todos os opostos. E não percebemos!

Para as raízes das árvores fica esta visão “literal” como solução final. O destino que é dado às nossas raízes de portuenses, “metaforicamente” falando, cada um interpreta como lhe convém…

esta árvore sobreviveu à intervenção urbana de Fernando Távora… até agora