a sala das visitas, por ssru

A cidade do Porto foi sempre reconhecida, ao longo dos tempos, por saber receber bem quem a visita e quem a estima. Os tripeiros são amiúde referidos, às vezes com pejoro, por serem demasiado solícitos sempre que alguém pára a pedir indicações ou sugestões, aparecem logo 3 ou 4 e cada um a dar a sua opinião, pois isso está no código do nosso ADN. E em relação ao turista estrangeiro não é diferente, os portuenses recebem tão bem um dos nossos como um “camone”, até porque estes, normalmente, vêm com a carteira mais recheada do que os outros.

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No entanto a realidade tem vindo a modificar-se: a globalização e a massificação do turismo a baixo custo têm trazido muito mais gente, diferente deste estereotipo, de visita à nossa cidade. Aquele que melhor parece ter percebido essa mudança do paradigma foi precisamente o actual Presidente da Câmara, o Dr. Rui Moreira, enquanto o seu antecessor adormecia aos acordes de guerras fratricidas. Foi durante os seus mandatos como Presidente da Associação Comercial do Porto que o Palácio da Bolsa, sede e propriedade da associação, se tornou sem contestação no mais visitado monumento da cidade. A estratégia utilizada foi irrepreensível, abrangente e deu os seus frutos em prazo curto.

Ao contrário da política municipal empregue nos restantes monumentos e espaços de referência da cidade que se fecham num casulo, a equipa da ACP soube trazer para a ribalta o melhor do palácio e da própria cidade, com produtos turísticos, com publicações novas e/ou históricas, com eventos – do vinho ou de moda, com concertos, com um restaurante de renome, com visitas programadas e guiadas, com a reabilitação do próprio edifício e dos seus espaços carismáticos, como é o caso do salão árabe. A cidade por sua vez pinta-se com pinceladas desoladas:

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Boa tarde: Vivo no centro do Porto e tenho acompanhado o seu blogue. Deixo-lhe aqui os parabéns pela iniciativa e pela qualidade da escrita.

Não sei se já abordou este tema, mas seria interessante um artigo acerca deste assunto.

Milhares de turistas são despejados nesta cidade todos os fins-de-semana.

Mas pouco ou nada o Porto tem para lhes oferecer. Animação cultural muito pontual, nem iniciativas públicas que mostrem ao turista a nossa Cultura nas mais variadas facetas.

E o que é o turista “leva” daqui? “Leva” com porta na cara sempre que quiser ver qualquer coisa, comprar qualquer coisa durante o fim-de-semana.

Sim. O Porto, a partir da tarde de Sábado até Segunda-feira, está fechado ao público! O Majestic fecha ao Domingo, aliás como 90% dos estabelecimentos no Centro.

Eu até podia não ter razão, mas note-se esta história exemplar:

– Nos dias 8 e 9 de Junho de 2012 houve um festival no Parque da cidade que juntou perto de 30.000 pessoas, metade das quais oriundas do estrangeiro. Ora… como os espectáculos ocorreram numa 6ª e Sábado, a maioria dos turistas decidiu ficar mais um dia para conhecer a cidade. Só que, azar o deles e o nosso, o Domingo era o feriado de 10 de Junho!! Ou seja, os turistas encontram TUDO encerrado: cafés, restaurantes, museus, galerias de arte, salas de espectáculo, igrejas, monumentos… tudo! Eu próprio falei com um casal holandês que “jantou” umas coca-colas e uns croissants secos, comprados no Minipreço!

Resultado? O festival deste ano teve uma quebra brutal de assistência estrangeira, pois as gentes do Porto pensam que os turistas regressam às suas casas e não contam estas histórias a ninguém.

Porto, a cidade do trabalho? Acredito. Mas encerrado ao fim-de-semana.

Teixeira Moita (Agosto de 2013)

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A cidade do Porto está neste momento numa baixa de afluência, situação ideal para preparar a chegada próxima dos novos visitantes ou dos que por amores se perderão de novo pelas nossas ruas, Falamos de turistas que estão habituados a visitar as cidades capitais dos Países, ou as segundas cidades capitais da sua região. Cidades cosmopolitas que não dormem (ou dormem muito pouco) como é o caso de Barcelona e Valencia, Veneza e Florença, Marselha e Lyon, Birmingham e Manchester, etc.

Está na hora de aplicar uma boa receita e tirar partido da publicidade gratuita que nos foi dada pela eleição de “melhor destino turístico da Europa” e começar por acreditar que a melhor oferta desta cidade não são as inúmeras “tascas e alojamentos pé-descalço” ilegais que se abriram por todo o lado como cogumelos. Começar por manter um posto de informação turística aberto despois do almoço de sábado, no Centro Histórico, pois não é o caso da Praça do Infante D. Henrique, nem mesmo em pleno Verão. Depois do nosso quarto com vistas (que se mantém) não queiramos a nossa sala de visitas fechada às visitas, na “antiga, mui nobre, sempre leal e invicta cidade do Porto”.

o velho novo ano, por ssru

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Neste raiar de um novo ano, gostaríamos que o Dr. Rui Moreira soubesse que ainda acreditamos que ele possa protagonizar uma mudança sincera nesta cidade, mas existem alguns sinais que nos deixam preocupados, como os que vemos no seu facebook ou no da Câmara. Para que não perca o norte em vãs vaidades (vaidade q.b. pode ser bom) relembramos-lhe o discurso, na Assembleia da República, do Dr. José António Pinto, assistente social da freguesia mais empobrecida do Porto – Campanhã – que nos remete para aquilo que realmente merece a nossa atenção e em quem vale a pena investir – as pessoas.

(…) Eu troco esta medalha por outro modelo de desenvolvimento económico. Deixo ficar esta medalha no Parlamento se os senhores deputados me prometerem que, futuramente, as leis aprovadas nesta casa não vão causar mais estragos na vida daqueles que, por terem deixado de dar lucro, são hoje considerados descartáveis.

Eu não quero medalhas. Quero emprego com direitos para criar riqueza, quero que a dignidade do homem seja mais valorizada do que os mercados, quero que o interesse colectivo e o bem comum tenham mais força do que os interesses de meia dúzia de privilegiados.

Quero que os cidadãos do meu País hipotecado realizem os seus sonhos. Quero que estes governantes estanquem imediatamente este processo de retrocesso civilizacional, que ilumina palácios, mas ao mesmo tempo enche a cidade de pessoas a dormir na rua.

Não quero medalhas, quero que os cidadãos deste país protestem livremente e de forma digna dentro desta casa e quando reivindicam os seus direitos por uma vida melhor não sejam expulsos pela polícia destas galerias. (…)

José António Pinto, Dezembro de 2013 – Assembleia da República

a carta aberta, por ssru

Nesta quadra festiva renovamos os nossos votos e preces, aproveitando o momento para reforça-los e desta vez dirigidos ao Pai Natal e a mais algumas Estrelas do Norte, apesar de nem sempre obtermos as melhores respostas dos nossos Entes Queridos.

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O alvo das nossas súplicas, neste ano de 2013/14 da graça de Nossa Senhora, é o incontornável Mercado do Bolhão, edifício poderoso e carismático desta cidade, símbolo de inúmeras “batalhas” – as lutas do dia-a-dia na guerra pela sobrevivência de um povo. No Bolhão sempre se respirou o ar mais puro da natureza tripeira.

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Como está muito na moda, o suporte desejado para a nossa narrativa é a Carta Aberta, na vaga protagonizada pelo Dr. Rui Rio quando este se dirigiu ao Governo de Portugal (que não lhe ligou patavina) a propósito da SRU e que recolheu a assinatura de muitos outros intervenientes com consciência pesada por efectivamente nada fazerem pela cidade. Cá vai!

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Carta Aberta ao Pai Natal
e aos outros Notáveis do Norte
Não vamos perder tempo a fazer introduções dengosas sobre o estado do País e da Cidade que sempre terminam atribuindo as culpas à Troika ou ao nosso modo de viver acima das nossas possibilidades (como na carta aberta do Ex-Autarca). Adiante…
Querido Pai Natal, o pedido que lhe dirigimos não é nada de extraordinário para alguém tão importante e uma vez que nos portámos muito bem este ano passado, gostaríamos de receber de prenda alguma clarividência para os nossos políticos e um incentivo financeiro que caia do céu e que contribua para o arranque das obras do Mercado do Bolhão! É que estamos muito necessitados de uma ajuda sua, para darmos início à empreitada de reabilitação do edifício, que tem vindo a ser adiada década após década, sem que se anteveja um final feliz. Repare que mesmo o novo Presidente já começou a ver os escolhos no caminho antes de ver um programa adequado para o edifício, pois anda perturbado com aquela coisa de colocar habitação onde ainda só cabe um uso comercial,,, E vós:
Caros Notáveis do Norte, Estrelas do Firmamento Nortenho, vocês que assinaram a carta aberta do Dr. Rui Rio, têm agora a oportunidade de fazer algo realmente importante e palpável a favor do Povo que têm vindo a explorar (de uma forma ou de outra), em vez dessa conversa fiada do costume. Reuniram-se ali num hotel de luxo para assinarem uma cartita, falaram aos microfones, cumprimentaram-se onanisticamente uns aos outros e foram-se embora até sempre!
Uma vez que não existe no horizonte outro meio de financiamento externo e já que o Dr. Rui Moreira mostrou abertura para a inclusão de privados na reabilitação do mercado, queremos propor-vos “que se cheguem à frente” para que o edifício continue a fazer parte do Património da Cidade, tal como ele é. É tudo muito simples, basta fazerem um donativo a favor do Mercado e a CMP e a DRCN organizam a execução da obra que deverá ser apenas a necessária, a mais eficaz e sustentável para um espaço temporal de 25 anos, por exemplo. Com este acto singelo evitam a degradação acelerada do esplendoroso edifício e diminuem drasticamente as hipóteses de passar para as mãos de privados através de uma concessão ruinosa ou uma PPP dantesca.
Para a realização das obras de reabilitação patrimonial do edifício do Mercado do Bolhão serão precisos uns meros 10 M de euros (ou menos), segundo uma avaliação “a olho” que realizamos tendo em conta o seguinte “caderno de encargos”, não perdendo de vista o projecto original de António Coreia da Silva: 1- não prevemos a necessidade de esventrar o edifício ou realizar qualquer outra magia supérflua para dotá-lo de estacionamento, pois como diz o Dr. Rui Moreira e diz o Dr. Manuel Pizarro, o Silo-auto é já ali e só precisa de ter preços mais justos para ser rentável, ao que acrescentamos o caminho maravilhoso pela ecléctica Rua de Sá da Bandeira para lá chegar; 2- sim, uma cobertura na nave central (não precisa ser muito rebuscada) dava imenso jeito a quem usufrui do espaço – vendedores e clientes – e podemos aproveitá-la para recolha das águas pluviais que abasteceriam o edifício, o que aumentaria a nossa pegada ecológica se juntássemos mais uns painéis solares nas empenas interiores da cobertura, viradas a Sul, para colectarem energia; 3- revisão e reparação geral da estrutura degradada, substituindo o que não seja viável, reparando o restante; 4- correcção das fachadas exteriores uniformizando-as e retirando os elementos dissonantes como os reclamos, aparelhos de ar-condicionado, estores e toldos, revestimentos estranhos ao edifício e reposição de elementos primitivos; 5- melhoramento geral das instalações interiores, impondo-se a utilização de materiais com boa resposta ao uso intensivo e menor desgaste; 6- reorganização de espaços dedicados à comercialização de produtos frescos, lojas e bancas, com possível inclusão de cafetarias/bares e similares no piso superior da galeria Sul; 7- gestão participada do espaço, com atribuição real de competências.
Em troca do vosso altruísmo ímpar (para além de uma consciência mais limpinha) existe todo um mundo de mais-valias. Desde logo o vosso nome poder ficar ligado à reabilitação de um edifício tão marcante na história da Cidade; toda a publicidade que lhe está inerente directa ou indirecta; a possibilidade de terem uma representação no local da forma que melhor se convencionar; e todo um capítulo no Estatuto dos Benefícios Fiscais dedicado a vós, Mecenas (não é massenas!).
«Por tudo isto, os subscritores apelam ao Pai Natal e aos Notáveis do Norte que ponderem toda a Vossa actuação nesta Cidade, que não permaneçam insensíveis à falência do mercado, que contribuam para a sua reabilitação, que colaborem activamente no projecto de reabilitação da Baixa portuense e de animação da actividade económica e que não desconsiderem o Porto – a Cidade não tolera desconsiderações, como historicamente sempre aconteceu.»

Às práticas terroristas que procuram justificação para a destruição do Mercado do Bolhão, a resposta é um banho de realidade – o mercado está vivo e cheio de gente. Até lá vamos todos rezando à Nossa Senhora da Conceição, Padroeira de Portugal, para que vá fazendo um Milagre todos os dias!

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a afronta ao Porto, por ssru

“Não desconsidere o Porto – a Cidade não tolera desconsiderações, como historicamente sempre aconteceu.”

in Carta Aberta de Rui Rio ao Governo, Maio de 2013

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A 83ª Edição da Feira do Livro do Porto não se realizará neste ano de 2013 da graça de Nossa Senhora, algo que acontece pela primeira vez desde a sua 1ª edição. Esta desconsideração tem a autoria do executivo camarário e do seu Presidente, o Dr. Rui Rio.

A Cidade do Porto não esquecerá, como historicamente sempre aconteceu!

o homem-estátua, por ssru

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A profissão de homem-estátua requer, para além de uma exímia caracterização, a aptidão para a arte da imobilização, fazendo depender disso a carreira de qualquer profissional que opte por tal meio de sustento. Daí que, quando acometido por uma “aflição”, porventura natural, o homem-estátua poderá não ter outro remédio senão “aguentar” para não perder, por exemplo, uma boa vaga de generosos clientes pasmados com os seus atributos na arte da “estatuária”. Já de um autarca, político de profissão, o seu contrato com o cidadão é bem diferente pois exige que respeite e lute pela causa pública, que governe com ponderação e que trate os dinheiros e a cidade que administra com extremosa dedicação. Mas do mesmo modo caso se veja fosforescido por uma “aflição” do espírito, pois que se contenha e que procure aconselhamento de quem percebe mais do assunto que ele.

O nosso autarca tem tido uma lide imensa, concentrando a sua atenção em espalhar novas estátuas pela cidade e mudando outras, gerando os mais diversos estados de alma ao povo. Para lembrar alguns casos recentes falaremos de um general-sem-medo, apeado ao nível simbólico de um ardina, ali à Praça de Carlos Alberto; de uma mulher de ancas largas e costas viradas para o Palácio Real (Sul) onde deseja marchar, em vez do quartel, à Praça da República; e um Camilo velho e enfadado, com uma Ana jovem e nua nos braços, num canto da praça (junto ao edifício que não terá nenhumas saudades) ao Campo dos Mártires da Pátria [terá pedido ao Francisco Barata para opinar?]. Isto denota um certo e preocupante padrão de comportamento do nosso político profissional.

Com a estátua do Porto, tivesse o discernimento que lhe é exigido pelo cargo, de perguntar a um arquitecto minimamente formado – que não da CMP, ou pior do GAEEP – e a resposta seria que era melhor “não”. Principalmente naquele lugar, desvirtuando o eixo da avenida e àquela altura do chão, quebrando o simbolismo da estátua, certamente “NÃO”! Mas em todo o processo foram os arquitectos os mais desrespeitados pelos políticos e criticados por uma população habituada a ignorar a sua própria cultura. De pouco valeu aos responsáveis da Ordem dos Arquitectos ou da DRCN, gastarem uma hora das suas vidas a reclamar e intentar perguntar ao autarca pela mudança, pois tudo se esqueceu com maior rapidez.

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Vejam, o caso da estátua “O Porto” constitui um falhanço dos portuenses, quer por aquilo que ela representa – um guerreiro do Norte – cujo simbolismo diz tudo ao espírito tripeiro; e talvez por isso mesmo, a deambulação a que foi sujeita depois de apeada, sem lugar no actual edifício “novo-rico” que acolhe a Câmara, até ser resgatada por um nobre arquitecto. Senão atentamos:

O palácio Monteiro Moreira foi construído na 1ª metade do século XVIII, localizava-se na Praça Nova e foi ocupado no início do século XIX para servir de Câmara Municipal do Porto. Para tal recebeu inúmeras obras de adaptação e reformulação onde passou a figurar a simbólica estátua “Porto”, destacada na parte superior do frontão do edifício municipal.

figuras da tese de mestrado de Rafael Santos Silva, "Praça da Liberdade: 1700-1932 | Uma história de Arquitectura e Urbanismo no Porto", Repositório Aberto U. Porto, 2006

figuras da tese de mestrado de Rafael Santos Silva, “Praça da Liberdade: 1700-1932 | Uma história de Arquitectura e Urbanismo no Porto”, Repositório Aberto U. Porto, 2006

Lá no alto via todos os portuenses na Praça e estes percebiam a hierarquia do poder. A emblemática estátua de granito era quase tosca, mas vista ao longe parecia a mais perfeita das obras. Ela sabia o que representava, pois representava todos os portuenses e nunca podia aproximar-se do chão que todos pisavam.

Mas um Rio de Calvários começa em 1917 com a demolição do edifício para abrir a Avenida dos Aliados, sendo a estátua apeada e reutilizada de forma a menoriza-la perto do chão, primeiro junto ao Paço Episcopal e depois junto de canteiros e flores nos Jardins do Palácio de Cristal. Até que o influente Arquitecto Fernando Távora se lembrou dela para a iluminar em alto ponto na construção da “Torre dos 24”, próximo da Sé, reforçando a lógica do poder municipal simbólico e independente.

As vénias ao inteligente arquitecto foram esquecidas após a sua morte. E como todos os problemas importantes da cidade se encontravam resolvidos pelos políticos da Urbe, surge uma aflição repentina que o “experto” em carrinhos de corrida sentiu sobre o local exacto “adonde” deveriam estar as estátuas.

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Primeiro quis mudar a “menina nua”, ou terá sido a “estátua do Porto”(?), mas deixou a “moça” para mais tarde e vendeu o novo poiso do “Porto”, pertinho do Banco de Portugal, colocando o casto soldado de olho posto na formosa menina, não vá o Diabo tecê-las. O eixo das estátuas da Avenida dos Aliados achou estranho a estranha posição esdrúxula do novo vizinho, mas achou melhor não fazer grande barulho ou confusão, pois este Rio político está quase a acabar. O “argumentório” de que agora está perto(?) do local onde estava antes, para além de ilegítimo pretende fazer de nós ‘debiloídes’!

o "Porto" de volta ao frontão do edifício camarário, seu poiso natural

o “Porto” de volta ao frontão do edifício camarário, esse sim, o seu poiso natural!!!

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Faltam ainda 6 longos meses de ideias surpreendentemente idiotas… o que virá a seguir nos próximos capítulos?! Talvez um “condomínio da cultura”, ou isso…!?

os direitos reservados, por ssru


Esta nossa imagem de doce colorido, aqui publicada em Março, voltou a ver a luz da ribalta passados quatro meses ao ser utilizada pelo JN com a legenda de “direitos reservados”. O artigo onde foi inserida pretende contar uma história repetida mas que em matéria jornalística revela pouco sumo. Ficamos, como sempre, servidos pela rama sem que o fruto seja espremido.

O nome do senhorio parece-nos relevante para percebermos muita coisa. Trata-se de uma empresa que comprou vários edifícios na Baixa do Porto para com eles ganhar dinheiro, de preferência sem os reabilitar, o que é mais ou menos aquilo a que na gíria chamamos de “especuladores”. Neste entretém especulativo, os espaços comerciais que arrenda, prefere fazê-lo a comerciantes vindo do Oriente, que pagam rendas astronómicas que ninguém ainda se interessou em saber como.

Interessaria perceber se o projecto que em Março de 2010 estava já aprovado, teve algum desenvolvimento ou por que razão não se mexeu. Sendo um Quarteirão Prioritário e a gestão da Porto Vivo, bastaria a jornalista ter batido à porta da SRU para ficarmos todos a saber o que se passa neste domínio.

Esclarecido o assunto anterior passaríamos à autorização camarária para a ocupação da via pública, sabendo assim em que moldes foi autorizada, pois não acreditamos que tal estenderete tenha sido ali colocado sem autorização. Havendo um historial de estenderetes e nenhuma obra realizada, interessa-nos saber o que levou a CMP a autorizar a colocação destes andaimes e se para tal conferenciou com a Porto Vivo.

De seguida, assunto bem diferente é a publicidade, no caso iluminada e tudo. Os contornos que levam a estes contratos de publicidade por parte das marcas que se arvoram de responsabilidade social, mas que neste caso apenas visam o lucro imediato, desprezando a cultura, o património, o ambiente urbano, a economia e os portuenses. Consideramos importante saber se a CMP também se cobrou pela colocação da publicidade e se pediu autorização à tutela nacional, que neste caso é a Direcção Regional de Cultura do Norte, dado tratar-se de um Imóvel inserido em conjunto classificado como de interesse público. Isto sim, é que torna o gigantesco painel ilegal!

A Adagio reservou-se ao direito de ganhar mais clientes/dinheiro com a publicidade, a proprietária dos imóveis reservou-se ao direito de ganhar dinheiro com a chafarrica, a CMP reservou-se ao direito de cobrar as taxas municipais de publicidade e de ocupação da via pública, os inquilinos reservaram-se ao direito de reclamar os prejuízos e os maus tratos por parte do senhorio, o JN reservou os direitos da nossa foto para poder colorir apenas mais uma notícia e nós reservamo-nos ao direito a continuar a defender aquilo em que acreditamos, em defender o Porto e o Centro Histórico.

Nestes quatro anos de luta feitos ontem, acreditamos que defender o local onde pertencemos, não é direito reservado de ninguém, mas um dever de todos.

e as raízes… queimam-se, por ssru

Empenha-mo-nos tanto em fazer grandes artigos, daqueles que compensem a nossa incapacidade relativamente ao anonimato, que expliquem perfeitamente o nosso ponto de vista sobre este ou aquele assunto e por vezes esquecemos o poder da imagem e que, literal ou metaforicamente, com eficácia, atinge sempre os mesmos objectivos. Por vezes, uma fotografia nem precisa de legendas… permanecendo assim, livre para a interpretação do seu observador.

foto@googleMaps

Estas imagens não têm muitas histórias: alguém plantou estas árvores e alguém as cortou. Retirou as raízes e tapou as caldeiras com novos paralelos.

 

Antes tínhamos um alinhamento de três disciplinadas árvores, um toque de terra no caos urbano, uma descaracterizada empena de edifício tapada por ramos e folhas, uma sombra aprazível, um pouso para chilreantes pássaros e menos três automóveis. Agora temos todos os opostos. E não percebemos!

Para as raízes das árvores fica esta visão “literal” como solução final. O destino que é dado às nossas raízes de portuenses, “metaforicamente” falando, cada um interpreta como lhe convém…

esta árvore sobreviveu à intervenção urbana de Fernando Távora… até agora

a luz das festas felizes, por ssru

Na sua mensagem de Natal, o Papa Bento XVI pediu ao seu rebanho que não se distraísse com as luzes e as “habituais mensagens de tipo comercial” da época e que desse o devido valor às coisas da alma: “A atenção ao coração, que o cristianismo está chamado a exercitar sempre, na vida de todos os dias, caracteriza em particular este tempo em que nos preparamos com alegria para o Natal. O ambiente exterior propõe as habituais mensagens de tipo comercial, ainda que com menor expressão devido à crise económica. O cristão está convidado a viver o Advento sem se deixar distrair pelas luzes, sabendo dar o valor adequado às coisas”, afirmou o Papa na Oração do Angelus.

rua dos clérigos

Quando o Sumo Pontífice proferiu tal Verbo, já o nosso primeiro autarca tinha tomado a decisão de cortar a fundo nos gastos com as luzes festivas das ruas comerciais desta nobre cidade. Exclui-se por isso a hipótese daquelas palavras terem servido de inspiração para tal lúgubre escolha, fazendo pelas ruas ensombradas o respectivo eco. A Baixa do Porto está triste e apagada como há muito tempo não a víamos, ainda que, como diz o nosso autarca, o gasto implícito em iluminação natalícia, seja “uma gota no oceano” dos desvarios despesistas da autarquia e do País.

rua 31 de janeiro

rua de santa catarina

Esta moda enraizou-se lá para meados dos anos 80, gerando autênticas romarias e desde essa ocasião que, melhor ou pior, os Comerciantes do Porto têm contribuído para enfeitar as ruas e enquadrar de forma festiva um sentimento único e que só acontece nesta época do ano. Tão diferente de outras festas, respira-se alegria fraterna e amor ao próximo, renovam-se incessantemente os desejos de Paz e Amor, despudoradamente se trocam abraços e presentes entre vizinhos. A música natalícia a enquadrar os visitantes para o ambiente certo, para compras ou só para admirar as luzes e a animação das ruas. Para tudo isto acontecer a Associação de Comerciantes do Porto, que organizava a festa, recebia uma comparticipação camarária e ainda recolhia a colaboração dos seus associados, o que para alguns mais modestos chegou a representar cerca de 100 €, em alguns anos.

rua de cedofeita

avenida dos aliados

Presa pelos actos de fantasmas passados, a actual direcção da ACP vê-se embrulhada num emaranhado de dificuldades que a trazem dormente, “não excessivamente ambiciosos, mas realistas”. A braços com um número alarmante de empresas a abrirem falência, o comércio da cidade e do Norte lidera o ‘ranking’ nacional, confrontando-se com enormes problemas de falta de competitividade e de estagnação. As tentativas para contrariar a inércia em que se mergulha a ACP são o reflexo de um paradigma que precisa urgentemente de mudança, para que seja possível “mesmo sem incentivos económicos e sem financiamento externo” os seus associados poderem contar com um pouco mais do que sacos timbrados de papel e balões.

concerto pimba na praça da liberdade

praça de d. joão l

Até há poucos anos que a ACP vinha organizando a iluminação festiva das ruas, quando em 2007 o executivo camarário passou a considerar que a iluminação de Natal era estratégica para a cidade, assumindo a despesa, a escolha das luzes, a sua distribuição pelas ruas, etc., controlando a seu gosto e modo, uma actividade que se ‘vingava’ na época de Natal das perdas sofridas durante um ano inteiro. Não sabemos as reais intenções camarárias com tão estranhas opções, se será apenas a crise ou se outras teorias conspirativas se perfilam, mas que temos razões para considerar esquisitos os critérios de despesas, lá isso temos.

rua de mouzinho da silveira

rua das flores

Este ano de 2011, a CMP através da Porto Lazer adjudicou directamente a uma empresa do ramo, a “aquisição de serviços relativos à instalação de iluminações de Natal na cidade do Porto e respectiva assistência técnica”, pela quantia de 20.500 euros e durante 60 dias. Mal comparando poderíamos especular se este gasto tem o peso na economia da cidade ou a pertinência que, por exemplo, o montante que se gasta em pareceres e consultadorias jurídicas externas (384.612,00 €, só este ano, segundo “base.gov.pt”) quando a autarquia dispõe de tão importante departamento jurídico (cuja influência se vai ramificando por outros departamentos camarários); ou com o valor gasto em cinco dias de manobras de diversão efémeras e de valor pouco estrutural na economia (713.265,25 €/“base.gov.pt”) ou qualquer outra actividade da cidade. A isto podemos chamar especulação, se quiserem.

rua de sá da bandeira

rua da boavista

Melhor comparando, achamo-nos no direito de questionar se os milhões que são “investidos” no Circuito da Boavista e os ganhos, directos ou indirectos, que daí advêm para a economia e reconhecimento da cidade, não são apenas a conversa da TRETA, que algumas almas caridosas insistem em brindar à impoluta figura do nosso autarca. Chegamos por isso à conclusão que este ano, nós, os contribuintes, os cidadãos do Porto, gastamos mais dinheiro com a “aquisição de serviços de Hospedeiras e Grid Girls, a prestar no âmbito dos eventos automobilísticos que integram a 4ª edição do Circuito da Boavista” para o prazer de alguns, do que em iluminações de Natal e na esperança de tanta gente.

Vivemos na ERA DAS TREVAS, há uma década e enquanto a mão que toca no interruptor for a do SENHOR DOS ANÉIS, sendo que estes são cada vez menos, pois estão a ser “doados”.

o nosso 1º @ cm-porto.pt

foto recolhida @ cm-porto.pt

foto recolhida @ cm-porto.pt

o mercado e são silvestre, por ssru

O autocarro não passava, tinha sido assim toda a manhã, mas depois, ao fim da tarde estava muito pior. Perguntámos à condutora do autocarro se já tinha chamado o reboque ou a polícia, ao que esta respondeu que sim: “o reboque chamei quando arranquei o primeiro retrovisor lá atrás e a polícia já cá esteve mas disse que não podia fazer nada…”

O Mercado estava fenomenal neste primeiro dia, aliás o palacete continua espantoso e qualquer evento que ali se faça ganha uma magia incomum. Voltar a entrar naquele espaço onde se respira ainda o ar burguês da Cidade é uma sensação única. Chega a ser incompreensível como tem resistido à voracidade especulativa e não foi ainda ‘privatizado’ e demolido para dar lugar ao que de ‘melhor’ se sabe fazer nesta cidade.

Mas o valor do mercado desceu vertiginosamente quando nos deparámos com aquela situação caótica de trânsito para a qual não existe justificação. Tudo isto era previsível e nenhuma organização tem o direito de se abster de assumir as responsabilidades quando projecta para a vizinhança de uma maternidade um evento daquela magnitude, sem assegurar que existem condições – ou estacionamento suficiente ou fiscalização – para que este se realize. As ruas são estreitas e de sentido único, sendo utilizadas para se chegar às diferentes unidades hospitalares da zona, mas o palacete tem muito espaço para os expositores estacionarem, enquanto os visitantes poderiam ter usado o parque em frente que se encontrava vazio (pura logística que se ultrapassa ou não se faz o mercado). Vimos uns vendedores a carregar os produtos desde as garagens próximas ou dos estacionamentos autorizados na envolvente, mas uma grande parte deles estacionou no passeio e com “modos de quem está a trabalhar”, ou seja, com todo o direito de ali estarem sem qualquer respeito pelos restantes cidadãos. Assistimos ainda a ambulâncias em emergência a fazerem marcha atrás para darem a volta, carrinhos de bebé a circularem pela faixa de rodagem, idosos quase reféns dentro de suas casas com carros à porta a impedir a passagem e tudo isto é intolerável.

Deficientes cívicos há em todo o lado e a Aninhas sabe disso. Pior está quem lhe autorizou que realizasse ali o Mercado, ainda para mais, dois dias seguidos. Certamente foi essa gente irresponsável que dirige esta cidade e que não faz a mínima ideia do impacte que isto tem na vida das pessoas. Cada vez menos se percebe para que servem alguns elementos (algumas maçãs) das autoridades policiais. Como é possível que não pudessem fazer nada neste caso e abandonarem o local? Desde logo, reunir meia dúzia de cidadãos e arrastar a viatura do meio do caminho para o autocarro e restante trânsito passar! Depois logo se veria se lhes apetecia passar multas ou ver o futebol que estava quase a começar na TV. Quanto à nossa certificada polícia municipal não percebemos para que serve mesmo!

Impotentes para contribuir para a resolução de tal problema ainda fizemos um apelo a todos os que visitassem o Mercado no Domingo, para deixarem o carro arrumado em local próprio, se não pudessem fazer o mesmo que nós e irem a pé. Acreditem que mesmo sem sítio para colocar os pés, aquele evento valia bem a pena, foi um espectáculo, com coisas lindas e boas, algumas bem baratinhas, com música ambiente, comes e bebes, etc.

Eis, que toda a nossa fé na espécie humana cai por terra, quando vemos os preparativos para a passagem da corrida do papa e o encerramento de todas as ruas adjacentes, apinhadas de viaturas, num domingo ao fim de tarde. Isto tudo pela acumulação da S. Silvestre do Porto com a realização do Mercado no mesmo local, parecia saído de um pesadelo surreal. Acreditem, a prova, realizada a 18 de Dezembro e não no próprio dia 31 (sabe-se lá porquê?), teve este ano a infeliz passagem pelas vias de acesso a uma maternidade e um hospital central! Ideia tão estapafúrdia que só cabe na cabeça de algumas pessoas irresponsáveis, pagas para zelarem pela segurança e protecção civil dos cidadãos.

Se acham que estamos a exagerar, coloquem-se no lugar de uma grávida com dores de parto e águas rebentadas; ou na pele de um recém-nascido com problemas respiratórios, a necessitarem de cuidados especiais, presos dentro de uma ambulância parada no trânsito, dezenas de minutos. Será que havia mesmo necessidade?

assim assinalada (H), mais parece a "corrida dos hospitais"

o centenário da universidade, por ssru

A Universidade do Porto assinala esta semana o seu centenário. Orgulhosos por fazermos parte da grande comunidade de ex-alunos da maior Universidade do País, não podíamos deixar de mostrar o nosso apreço e saudade, a todos os nossos formadores, funcionários, colegas e amigos que partilharam connosco os melhores anos das nossas vidas.

U.Porto: 100 anos a construir o futuro“(…) 22 Março de 1911 é a data que os livros e arquivos de História assinalam como o primeiro dia da vida da Universidade do Porto. Contudo, as raízes da instituição remontam ao século XVIII e a uma combinação de experiências formativas que viria a projectar-se na futura Universidade. Neste contexto, a Aula de Náutica (1762) e a Aula de Debuxo e Desenho (1779) formam o primeiro embrião do Ensino Superior no Porto. A partir daí, a Academia Real da Marinha e Comércio (1803), a Academia Politécnica (1837), a Real Escola de Cirurgia (transformada, em 1836, em Escola Médico-Cirúrgica) a Academia Portuense de Belas Artes (1836, futura Escola Portuense de Belas Artes em 1881) são outras entidades que, até à primeira década do século XX, garantem uma oferta alargada de formação, em áreas ligadas às Ciências, Artes e Medicina.

É então sob essa base sólida de quase 150 anos de experiência formativa e científica que a U.Porto abre oficialmente as portas em 1911. Desde esse foco seminal, foram muitos os momentos que marcaram a vida da Universidade, com natural destaque para a criação das 14 faculdades que coabitam hoje no campus. A eles estão ligados outras tantas figuraslugares nos quais se perpetua a memória da instituição.

Fazendo da abertura à comunidade e ao tecido empresarial uma imagem de marca, a Universidade do Porto é também um importante motor de desenvolvimento económico, social, cultural, e científico na região e no país. Uma atitude que se projecta cada vez mais para o resto do mundo. Actualmente, a U.Porto ocupa uma posição privilegiada no panorama do ensino superior internacional, afirmando-se enquanto foco de atracção para milhares de estudantes e investigadores de todo o mundo. Trata-se do fruto de uma estratégia de internacionalização que contempla laços de cooperação e amizade com centenas de instituições do Ensino Superior dos quatro continentes.

O caminho está, porém, longe de estar concluído. “Somos do tamanho dos nossos sonhos”, diz o poeta. Na U.Porto, a grande ambição passa por afirmar a instituição entre as 100 melhores universidades europeias já em 2011, e no “top 100” do mundo até 2020. É para essa missão que trabalha diariamente uma comunidade académica dinâmica, cosmopolita, exigente e criativa, que faz da união e da inovação duas das suas principais armas.

É então com orgulho no seu passado mas profundamente comprometida com o presente e com os desafios futuros que a maior universidade portuguesa se apresenta ao mundo, Cem anos após a sua criação. Esta é a Universidade do Porto e está de portas abertas.(…)”

Bom de ler, para reflectir, é este artigo onde o Reitor da UP lança os desafios: Reitor pede a “geração à rasca” para que também procure soluções.

a vergonha estampada, por ssru

Caro Dr. Rui Rio, há situações que nos deixam embaraçados e feridos no orgulho. Há coisas que o Sr. ou o seu Executivo fazem e/ou deixam de fazer, que nos envergonham.  Bem sabemos que somos quatro anónimos e por esse (e só esse) motivo, não contamos para nada, bem como as nossas opiniões não possuem qualquer valor ou peso de qualquer tipo. No entanto, não conseguimos evitar esta, comezinha sim, mas triste vergonha. Apesar da nossa miserável condição, julgamos já ter percebido que amamos o Centro Histórico e a restante Cidade do Porto, esta mesma que o Sr. governa e da qual se tornou o primeiro responsável.

Sabemos que não é da sua responsabilidade a existência da droga e que indivíduos (maioria jovens) da sua cidade sejam toxicodependentes. Dizem-nos ainda que o Sr. até se esforça por “limpar” o Centro Histórico quando se desloca em visitas às instituições que aqui resistem – como é o caso da Porto Vivo – mandando as equipas de limpeza umas horas à sua frente, duas ou três vezes por mandato. Acreditamos que a tarefa de governar uma cidade, tem os seus prós e contras e que assuntos como estes que lhe trazemos, aqui neste sítio, são coisas de somenos, “peanuts” como dizem os ingleses que percorrem estas ruas. É evidente que deixamos assuntos, como o CMIN, para outros lhe fazerem ver a razão que toda a gente já percebeu não ter (mesmo tendo em conta que as regras possam não estar a serem cumpridas (?), porque há sempre dois pesos dependendo daquilo que está em jogo e do interessado, não é?).

No entanto, é da sua responsabilidade, ou do seu executivo, ou dos técnicos que tratam dos assuntos sociais e dos que fiscalizam o trânsito e o estacionamento da cidade, que este automóvel branco, estacionado na Rua de Mouzinho da Silveira há cerca de seis meses, seja uma “casa de chuto” com rodas – um “chutomobil”, em pleno centro histórico, dia e noite à vista de todos os que por ali passam. O que aqui acontece é um atestado de irresponsabilidade para as diferentes autoridades da cidade, um atestado de incompetência para os diferentes serviços camarários que possuem obrigações nesta matéria e não nos referimos apenas aos fiscais de trânsito, normalmente pessoas antipáticas, a roçar a falta de educação, intransigentes e sem o mínimo senso-comum quando se confrontam com o pedido de condescendência de um qualquer condutor. Todos parecem saber o que se passa, mas ninguém parece querer importar-se!

Esta situação envergonha-nos, anónimos moradores, comerciantes, trabalhadores que esperam o transporte na paragem ao lado, turistas que sobem e descem a rua, mesmo durante o dia (como já presenciámos), ali pertinho do antro que existe no Largo do Duque da Ribeira e na Viela do Anjo, donde saem os indigentes todos os dias e a qualquer hora, alguns para estas poltronas de l(u)xo, a servirem-se como se não existisse o resto do mundo, como se não houvesse amanhã. No fundo, Sr. Presidente saiba que nós o invejamos, por não ter que aqui passar diariamente e ainda lamentamos por não sermos capazes de lhe dizer isto doutra forma…

nota a 25 Agosto 2010: O que mais nos apavora é que, até certo ponto, todos os sinais de alarme de uma sociedade civil saudável foram activados. Uns chamaram a polícia, outros ligaram para a CMP, os agentes e os técnicos apareceram, mas a partir daqui nada mais foi feito. Um agente da polícia chegou a dizer que se não tivesse matrícula (o carro) poderiam actuar, assim não! Este sentimento de insegurança e impotência que a falta de resposta das autoridades nos transmite é avassalador.

o melhor do Porto, por ssru

O melhor que esta cidade tem para oferecer são as pessoas. Este povo que constrói estas ruas, que se ajuda na pobreza, que se alegra nos festejos do dia-a-dia, que trabalha com o corpo e com a alma, que se orgulha da sua grandeza, que sabe receber quem nos visita. Gente desenganada que no fundo do seu desalento exclama um “… eles são todos iguais, o que querem é tacho!”. Há políticos que têm vergonha desta gente…

Fiquem com um texto cruel e austero como as paredes de granito do Porto.

O Porto é melhor do que o país [Público 17-07-2010]- Por Amílcar Correia

Este país tem sido governado de forma irresponsável. Temos gasto o que temos e o que não temos. As nossas dívidas acumulam-se, as empresas de rating não nos largam, a situação social agrava-se. E tudo por causa de uma classe política que faz tudo para agradar à populaça, que não tem qualquer pejo em fazer da demagogia o seu “ganha-pão eleitoral”. Embora tenham sido, ingratamente, apelidados de políticos sem rasgo e sem ambição, há políticos sérios, que não são nada disso, e que sempre se preocuparam com as contas públicas. É por isso que o Porto é melhor do que o país. Só há orçamento, a vida não interessa. “Se o país tivesse feito como temos feito no Porto, estaria, seguramente, bem melhor.” Caro presidente da Câmara Municipal do Porto, seguramente, não. De certeza absoluta. O que o país precisa não é de um político demagogo, mas de um contabilista ambicioso, determinado e intolerante. Teríamos esplanadas envidraçadas a sitiar qualquer monumento nacional, e não seria necessário que nos incomodássemos em incomodar o IGESPAR; os moradores dos bairros seriam despejados porque sim ou porque não; os arrumadores seriam transportados para Barrancos; os teatros municipais do país inteiro, incluindo o S. Luiz ou o Maria Matos, estariam entregues a espectáculos dignos desse nome e o mais provável é que os subsidiodependentes também fossem despejados ou transportados para Barrancos. O património municipal seria cedido por tuta e meia ao primeiro transeunte, por racionalidade económica, e quem pedisse um qualquer apoio, das duas uma: ou assinava um documento no qual se comprometia a ser bem comportado ou também ia para Barrancos. Isto não seria acabar de vez com a cultura. Bem pelo contrário: haveria um festival aéreo em todas as cidades à beira-rio, com passarinhos ou não a nidificarem, desde que a Red Bull quisesse e, claro, estradas asfaltadas para que os calhambeques percorressem o país de lés a lés, e praças remodeladas para os road shows do rali de Portugal. Mas isto só seria possível se o país imitasse o Porto ou se o presidente da câmara da cidade pudesse ser replicado como se fosse um gremlin. O que só é possível nas produções de Spielberg.

Se o país fosse como o Porto, Saramago não era nome de rua nem de coisa nenhuma e não havia Casa dos Bicos nem Oliveira para ninguém. Já pensaram nisso? Ora, acontece que o Porto é a última morada do paraíso.

E para aqueles que ainda acreditam, juntamos também uma prova de seriedade e rectidão, cuja leitura não deverão dispensar – Câmara do Porto fez contratos ilegais para pagar dívidas.

nota a 24 de Junho de 2010: Com um sentido de estado desta envergadura, não admira que o Porto seja a última morada do paraíso. Parece que alguém morreu e não foi convidado para o seu próprio enterro!!!

a verdade conjugada, por ssru

Dois novos factores que caracterizam a nossa moderna sociedade, surgem como elementos de peso que deverão, cada vez mais, ser levados a sério pelos nossos dirigentes e por todos aqueles que interferem na vida dos cidadãos e julgam escapar ao escrutínio da comunidade, quando tropeçam na asneira. Falamos do aumento da esperança média de vida do ser humano, que lhe permite no pleno gozo das suas faculdades viver mais tempo; e do acesso global às novas tecnologias, como é o caso da Internet e dos meios de comunicação digitais, as redes sociais, etc. Esta acção conjugada possibilita-nos exigir responsabilidades ainda no tempo de vida dos seus autores, pelos actos e erros cometidos, auxiliados que somos pela sua difusão digital a uma escala cada vez mais global.

Pretendemos ilustrar esta conjugação com um singelo exemplo, que terá como pano de fundo um dos principais problemas da cidade, senão mesmo o “PROBLEMA” do Porto, ou seja, a questão social: a pobreza = o analfabetismo = o desemprego = a desqualificação profissional = a desagregação familiar = o desenraizamento cultural e físico dos cidadãos, tanto etc. …

Há um ano atrás, José Ferraz Alves, um dos mais eloquentes e assíduos intervenientes n’ “A Baixa do Porto” escreveu um artigo sobre novas políticas sociais com aplicações em países americanos que incluíam incentivos monetários aos pobres, como recompensa pelo sucesso destes na procura da solução dos seus problemas: “(…) As transferências monetárias condicionadas não devem ser vistas como “pagar aos pais por aquilo que, de qualquer maneira, era um dever deles”, mas como um bónus, à semelhança dos incentivos dados aos banqueiros de Wall Street por bons desempenhos.(…)” é que “(…)as crianças são pagas pela assiduidade escolar e pelo melhoramento de notas. Os pais recebem prémios em dinheiro se trabalharem um determinado mínimo de horas, frequentarem cursos de formação e levarem os filhos ao médico. (…)”

Este é um conceito que se revela cada vez mais difícil de entender e atendendo ao montante que as obrigações sociais representam em matéria de despesa pública, dificilmente compreenderemos que se eternizem as assimetrias que este tipo de benefícios sempre causa, como tem sido com o descaracterizado “rendimento mínimo”, que dá para tudo. É nesse sentido que, no entanto, percebemos melhor o seguinte excerto: “(…) A caridade nem sempre é a resposta aos problemas dos pobres. A sua importância não pode ser negada, dado que é apropriada em situações de calamidade e quando serve para ajudar aqueles que se encontram em situações tão deficientes que não estão em condições de se ajudarem a eles próprios. Mas os donativos e as esmolas retiram a iniciativa e o sentido de responsabilidade às pessoas. Quando algo está disponível gratuitamente tende-se a gastar a energia e o talento nessa busca em vez de direccionar na conquista de realizações próprias. A esmola encoraja a dependência, em vez da auto-ajuda e da auto-estima. Também encoraja a corrupção e cria uma relação de poder desequilibrada, dado que os seus beneficiários procuram um favor e não algo a que têm direito, desaparecendo a responsabilidade por se tornarem relações de sentido único. (…)”

De há um ano a esta parte tudo apenas se agravou, até a responsabilidade dos muitos que preferem nada fazer, garantindo contudo a pobreza que lhes trás o rendimento. Quando lemos este artigo, nessa altura como agora, o nosso pensamento remeteu-nos para uma fundação onde os únicos incentivos monetários eram transformados em subsídios de formação e bolsas de estudo universitárias, encaradas não só como uma merecida recompensa mas sobretudo como um investimento no ser humano, no grupo social, na cidade. “(…) Uma instituição criada em 1990 para implementar no Centro Histórico do Porto um projecto de desenvolvimento local e de combate à pobreza e à exclusão social. Dirigindo a sua actividade para os grupos sociais mais desfavorecidos, foram criados equipamentos e desenvolvido um conjunto diversificado de acções de apoio à infância, aos jovens, aos idosos, aos desempregados, aos beneficiários do Rendimento Social de Inserção. Foram recuperados dezenas de edifícios e espaços comerciais, realojadas mais de cem famílias. (…) Tendo como um dos princípios fundamentais da sua actividade o envolvimento da comunidade local foram ao longo destes anos estabelecidas inúmeras parcerias com Instituições Particulares de Solidariedade Social, Associações Recreativas e Culturais, Escolas, Organizações Não Governamentais diversas e Juntas de Freguesia, num esforço de congregação de recursos e de vontades com vista à revitalização social e urbana do Centro Histórico (…)” leu-se assim um dia.

Em Setembro de 2004 a decisão de extinguir a FDZHP torna-se cada vez mais uma realidade, tendo o Centro Histórico deixado de ser uma prioridade para o executivo de Rui Rio. Lemos que “(…)Paulo Morais, vice-presidente da Câmara do Porto, confirmou ao JN a “falta de interesse e disponibilidade” em continuar a patrocinar a instituição. O protocolo de financiamento prevê que a autarquia e o Ministério da Segurança Social contribuam, em partes iguais, para um orçamento anual que pode ascender aos 500 mil contos. No entanto, a Câmara decidiu reduzir, nos últimos dois anos, a sua comparticipação em 95%. “Não vamos lá meter nem mais um tostão”, afirmou o vereador da Acção Social, que garante, contudo, a manutenção das “respostas sociais de qualidade”, sem nomear as que continuarão a funcionar. (…)”

Assim, passada mais meia dúzia de anos, a Fundação Social do Porto encomenda um “Diagnóstico Social do Porto – Porto Solidário”, realizado durante dez meses pela Universidade Católica e que revela que “a cidade está ferida pela pobreza, os principais grupos de risco são as crianças e os idosos, que se desinvestiu nas pessoas, que não se criou bem estar social para todos, que não é uma cidade coesa nem inclusiva, que não é boa para se viver”. Perceberam? Não é boa para se viver!

Mas, para espanto de alguns e indiferença de muitos, o Presidente da Câmara Municipal do Porto, Dr. Rui Rio, na abertura dos trabalhos do “XI Encontro Nacional de Fundações”, sob o lema do papel das fundações na criação de uma sociedade inclusiva, disse para quem quis ouvir que “é com particular satisfação que verifico que os temas dominantes deste encontro se dedicam à temática da inclusão social, matéria que desde o meu primeiro mandato coloquei como prioridade da acção política dos meus executivos”. E agora, perceberam? É que, disse ainda: “ao longo destes três mandatos, considerei sempre que a inclusão social numa cidade como o Porto é, seguramente, o ponto de partida para assegurar justiça social, equilíbrio nas relações inter-pessoais, segurança de pessoas e bens em meio urbano e desenvolvimento harmonioso da cidade.

Talvez seja por isto não ser verdade (tal como denuncia o diagnóstico Porto Solidário) que na última Assembleia Municipal tivesse sido aprovada uma recomendação ao executivo do Dr. Rui Rio, que elabore um plano social de emergência, com medidas de apoio às famílias mais carenciadas e aquelas que são afectadas pelo desemprego. Provavelmente duas ou três FDZHP´s não sejam suficientes, mas suportamos até hoje o luxo de termos deixado extinguir a única que tínhamos.

Por isso, relembrando o início deste artigo, cá estamos nós a mostrar a quem quiser e se importar, quer agora ou quando se dá ao trabalho de votar em época de eleições, que podem sempre pensar pela própria cabeça e chegarem às vossas conclusões, julgando os nossos dirigentes pelas irresponsabilidades cometidas, neste caso de forma consciente e premeditada. Só falta encontrar uma forma de os fazer pagar por todos os estragos…

o fiel portuense, por ssru

Qualquer portuense, fiel à sua “antiga, mui nobre, sempre leal e invicta cidade”, saberá o que são amargos de boca, que de uma forma ou outra, neste ou naquele momento, já teve oportunidade de saborear. O portuense que vive a cidade e a conhece como a palma das mãos, percorre de cor as suas ruas, quer seja guiado pelas cores, pelos odores, pelos ruídos, pela intensidade da luz, pelos rostos de todos os dias e certamente saberá do que estamos a falar.

No artigo anterior referimos que a melhor forma de nos fazermos perceber seria “(…) podermos colocar em palavras aquilo que a maioria das pessoas pensa ou sente. Exemplificar uma situação, clarificá-la, torna tudo mais simples, o que nem sempre é assim tão fácil conseguir(…)”

Há pois, aqueles para quem esssa capacidade se afigura perfeitamente natural, como é o caso do jornalista Jorge Fiel, que hoje nos deixou uma crónica no Diário de Notícias a que chamou: Eu, portuense, ando triste e com boas razões para isso”.

Da nossa parte, podemos acabar aqui porque não temos mais nada a acrescentar, senão pedir para lerem estas palavras, que muito agradecemos ao seu autor por nos tornar tudo tão simples (esperando que não se incomode com a colagem).

” Os meus amigos de Lisboa ficam surpreendidos por lhes sugerir a Pousada da Juventude quando me perguntam onde devem ficar quando vêm ao Porto. Ao contrário do que o nome indica (e a generalidade das pessoas pensa), as Pousadas de Juventude estão abertas a clientela de todas as idades. E a pousada do Porto está num local magnífico, com uma vista deslumbrante do Douro e a sua foz.

Tenho formatada uma lista de recomendações para os meus amigos que visitam o Porto. Para a experiência francesinha, acompanhada por um príncipe e antecedida de um rissol de carne, aconselho o Capa Negra, no Campo Alegre.

Na Baixa, além dos incontornáveis Majestic e Lello – que se não são o café e a livraria mais bonitos do mundo pelo menos andam por lá perto -, acho imprescindível um passeio a bordo do eléctrico 22, do Carmo até à Batalha, complementado pela descida de funicular até à Ribeira, onde só tem a ganhar se visitar o Palácio da Bolsa (o Salão Árabe é de cortar a respiração) a atravessar a pé o tabuleiro inferior da Ponte D. Luiz, não se esquecendo de olhar para montante e apreciar devidamente a elegância da Ponte D. Maria, uma jóia de Eiffel.

As melhores vistas panorâmicas do Porto obtêm-se a partir de Gaia. As minhas preferidas são as das esplanadas do Bogani (Cais de Gaia) e do Arrábida Shopping. Já que está na margem esquerda, não perde nada se visitar umas caves de vinho do Porto. É um cliché turístico, mas vale a pena.

Com partida da Ribeira (onde tem a opção de embarcar num cruzeiro pelas seis pontes), junto à igreja de S. Francisco (aquela que tem o interior revestido a ouro), o eléctrico 1 percorre a marginal fluvial. Depois, a partir do Jardim do Passeio Alegre, o melhor é mesmo seguir a pé, ao nível das praias, parar a meio numa esplanada, passar o Castelo do Queijo chegar à frente marítima do Parque da Cidade e olhar a fantástica Anémona que assinala a entrada em Matosinhos.

Se os meus amigos vêm com tempo contado e não podem fazer o programa completo, eu não os deixo partir sem verem os três mais recentes tesouros que enriqueceram a cidade nos anos de viragem do século. Vir ao Porto e não visitar Serralves, ver a Casa da Música e ir de metro até ao Dragão é muito mais grave do que ir a Roma e não ver o papa.

É por isso que eu, portuense, fico triste por ter um presidente da Câmara que nunca pôs os pés no Dragão, só foi uma vez a Serralves (e porque o Fernando Lanhas o foi buscar aos Paços do Concelho e o obrigou a visitar a exposição dele) e não frequenta a Casa da Música – apesar de morar ali ao lado, a menos de cinco minutos a pé. O Porto merece melhor.”

os blogues e a cidade, por ssru

Na Gesto teve lugar o anunciado debate sobre o papel dos blogues na discussão da Cidade, na formação de opiniões e no tipo de intervenção que esta ferramenta favorece. Promovido pelo Bloco de Esquerda, contou com a participação de João Teixeira Lopes, a moderação de Paula Sequeiros e os representantes dos blogues ‘A Baixa do Porto’, ‘Os Meus Apontamentos’, ‘A Quinta Cidade’, ‘O Verde e o Cinzento’ e ‘ACdP‘. O resumo do debate pode ser consultado aqui.

A nossa participação foi previamente acordada e aceite pela organização, com o envio de um documento que focasse os temas propostos. Gostaríamos de salientar total concordância com o comentário feito pela 5ª Cidade, sobre o carácter (ainda) “elitista” dos presentes e dos leitores deste tipo de blogues, embora se note uma maior disseminação do uso da Internet. Já no começo da nossa intervenção neste sítio, chamámos a atenção para a importância da ferramenta que a Internet disponibiliza, no artigo “o enquadramento necessário“.

cavaleiros

Sem grandes surpresas aqui ficam os nossos comentários:

– que motivações para bloggar a cidade?

Contrariando as tristes palavras de um dos pilares do sistema não “existe e vegeta em nós um colunista ambicioso ou desempregado ou um mero espírito ocioso e rancoroso”. Certamente que não fomentamos “um prolongamento do magistério da opinião dos jornais”.

O tema escolhido foi certamente aquele que maiores marcas foi deixando em todos nós, ao longo dos anos – a degradação do local onde os nossos filhos vivem. Para articularmos sobre a cidade bastará por isso, debruçarmo-nos sobre ela desde a nossa janela. Cansados da nossa passividade e depois de muito debater sobre a melhor forma de intervir, tudo se conjugou num alinhamento de circunstâncias a que não é alheio o facto do Porto já contar com excelentes precursores que nos abriram o caminho e nos acolheram.

A Porto Vivo surgiu como mais um fôlego para quem tanto esperou por uma verdadeira e cimentada reabilitação integrada do Centro Histórico – Património da Humanidade – e da Baixa do Porto. Passados cinco longos anos os resultados práticos são deveras incipientes e assentes sobre falsas premissas que consideramos importante desmontar. Assim, assistindo passivamente à extinção das poucas instituições que ainda zelavam pelo CH (como foi o caso do CRUARB e da FDZHP), considerámos importante o nascimento de um “sítio” onde se pudesse intervir e lutar pela Salvaguarda do Património Mundial, não só o edificado ou o cultural, o económico, mas sobretudo o humano.

– pode um blog influenciar a maneira de pensar/viver a cidade?

A melhor forma de o conseguir é podermos colocar em palavras aquilo que a maioria das pessoas pensa ou sente. Exemplificar uma situação, clarificá-la, torna tudo mais simples, o que nem sempre é assim tão fácil conseguir.

Não aspiramos a grandes e radicais mudanças, instantâneas, mas antes, de uma forma cimentada e duradoura, a pequenas mudanças que de facto alterem o dia-a-dia daqueles que mais precisam de ajuda, desmistificando ainda esta forma de intervir na cidade como se fosse um couto privado de alguns.

Consideramos que neste momento o CH se encontra a saque, as propriedades mudam apenas de mãos, os maiores sacrifícios são para os particulares e a reabilitação é adiada à mercê da vontade de alguns que negoceiam de forma pouco transparente e atropelando a legislação em vigor. Alguns responsáveis pelo estado em que este se encontra, perderam totalmente a vergonha de dizer e fazer aquilo que antes pensavam com mais cuidado. Se antes não era tão notório, agora a coberto da ignorância e desinteresse da hierarquia reinante, tudo fica mais exposto.

– entendem que contribuem para a formação da opinião pública? de que forma? têm interacção com leitores?

O nosso público-alvo são os quadros técnicos que desempenham cargos públicos ou privados e que têm algum poder decisório nas suas mãos ou então que em breve poderão substituir os que agora mandam.

No entanto, verificamos cada vez mais a necessidade de escrever para um público mais abrangente, desde estudantes a simples cidadãos de todas as idades para os quais a Internet passou a ser um gesto rotineiro. Tudo começou de facto nas conversas de amigos que encontramos em muitas instituições, câmaras, jornais, televisão, bancos, etc. Neste momento temos necessidade de traduzir termos e linguagem mais técnica para uma outra que todos entendam. É talvez por isso que muitos dos assuntos nos são sugeridos por leitores que nos contactam por mail e que ainda que identificados nos solicitam o anonimato.

Consideramos por isso, enquanto cidadãos mais atentos e sensíveis aos problemas do Porto, que temos o dever, diríamos, a obrigação solene, de lutar por um lugar melhor e alertar os restantes membros da Comunidade para esses problemas, a maioria deles extremamente básicos como o direito à habitação; ou outros mais rebuscados para certas mentalidades, como o direito ao património cultural comum.

– a Net apresenta condições de liberdade de expressão? porque recorreram à Internet? quais as vantagens/limites desta tecnologia neste campo?

A expansão da blogosfera com as suas novas plataformas, como a que usamos, veio simplificar tudo. Até para os mais renitentes a facilidade de utilização desta ferramenta e a possibilidade de, com alguma sensibilidade, poder cuidar esteticamente da imagem do sítio, certamente contribuíram firmemente para a melhoria da comunicação a grande escala.

Nós somos os nossos próprios editores, os nossos próprios censores (acreditem, somos mesmo) e a mensagem que transmitimos está ainda assim sujeita a um sufrágio, que se contabiliza não só nas visitas que temos diariamente, como também em todo o retorno e interacção que mantemos com os nossos interlocutores. Evidentemente que, o facto de ter como assunto principal a defesa do Centro Histórico, de alguma forma limita o interesse mais amplo que um blogue generalista poderia alcançar.

– como se distingue essa eventual formação de opinião da que se faz com base na imprensa?

A destrinça faz-se ao nível sensorial, dentro de cada um no processo de formação de convicções. Quando lemos na imprensa que já se ouvem berbequins e martelos na Rua das Flores, indicando ao leitor que a reabilitação se encontra em marcha imparável, só mesmo descendo à rua é que poderão confirmar que a nossa contradição a esses dados é verdadeira, para além das inúmeras ilustrações que sempre nos preocupamos em fornecer.

O que é que isto quer dizer? Provavelmente aquilo que todos sabem, que a imprensa não está isenta e que também faz parte, em nossa opinião, do grande grupo silencioso de instituições e pessoas que não erguem a voz e não questionam o caminho para onde nos dirigimos.

a debater a cidade, por ssru

A convite da Dra. Paula Sequeiros e do Bloco de Esquerda, acedemos participar no debate “Bloggar a Cidade” respondendo por escrito a temas propostos, como:

– que motivações para bloggar a cidade?
– pode um blog influenciar a maneira de pensar/viver a cidade?
– entendem que contribuem para a formação da opinião pública? de que forma? têm interacção com leitores?
– a Net apresenta condições de liberdade de expressão? porque recorreram à Internet? quais as vantagens/limites desta tecnologia neste campo?
– como se distingue essa eventual formação de opinião da que se faz com base na imprensa?

A SSRU, conforme expõe na sua declaração de princípios, considera estar desta forma a contribuir para a elevação e valorização do Centro Histórico do Porto, bem como de toda a Cidade. Não pretende atribuir a esta acção qualquer conotação política ou intenção de voto, cumprindo apenas o disposto no princípio nº 1 da sua declaração.

blogando gesto

as grandes confusões, por ssru

Ao lermos o artigo do deputado municipal José Machado de CastroPorto, uma cidade saqueada, percebemos perfeitamente que, independentemente do seu profissionalismo político, a sua mensagem tem um alvo e um objectivo. O alvo somos nós, os inúmeros leitores d’A Baixa do Porto; e o objectivo é certamente despertar a nossa atenção para uma realidade, palpável ou não, mas concreta, que se traduz na transferência da gestão do património da Cidade (mas que não é deste Executivo). Ao percorrermos a lista de bens e situações descritas, os nossos olhos fixam-se mas as nossas cabeças abanam, provavelmente porque, incrédulos, reconhecemos cada caso e o fundo de verdade que possuem. É ainda mais curioso que há cerca de 4 ou 5 anos atrás tenhamos ouvido da boca de alguém a mesma analogia feita entre as tropas de Napoleão, a guerra civil e o executivo de Rui Rio. Esse alguém acrescentava mais uma outra catástrofe… mas estas já serão suficientes para termos uma imagem!

Não duvidamos da legalidade de todos estes processos, até porque o famoso departamento jurídico camarário não ganhou o estatuto que tem hoje de braços cruzados, embora cada parecer que emitam, ou que solicitam ao exterior, tenha um reduzido valor em tribunal. Por isso é expectável ver logo a seguir o Dr. Francisco Rocha Antunes defender uma das suas damas, ofendido, apontando para o concurso público e para a legalidade do processo. Nós conhecemos os concursos públicos e eles serão sempre aquilo que cada promotor quiser. Legais certamente, mas esquisitos.

Vamos a um exemplo: O Kalu acorda uma tarde e ainda estremunhado segue o conselho de um amigo e dirige-se à Porto Vivo à procura de um espaço para instalar o Hard Club. Lá, ele encontra uns gajos porreiros que lhe dizem “porque não no Mercado Ferreira Borges, aquilo até é Quarteirão Prioritário?”. E o Kalu responde “Bora”. Falta só falar com a Câmara porque é Propriedade Municipal (por acaso também é classificado). A CMP pondera durante uns tempos, até porque é necessário fazer um concurso público de concessão e as coisas são muito difíceis, os “timings” nem sempre os melhores, a Porto Vivo ajuda, “mas tá bem”. Lá saiu um concurso público onde só aparece um concorrente. Esquisito!

Praça de Lisboa – 1 concorrente. Esquisito; Mercado do Bolhão – 2 concorrentes (o segundo só não foi desclassificado porque o Dr. Rui Rio não deixou). Esquisito. Será que tem a ver com os cadernos de encargos feitos à medida??? Nós sabemos que é tudo legal (não vá a John Neild querer processar-nos também!), nós até conhecemos a lei da encomenda pública.

Porto - Planta de 1892

Porto – Planta de 1892

O que se passa com os Jardim do Palácio de Cristal, para além de esquisito, é também uma grande confusão. Segundo aPorto Sempre 023 as obras deverão arrancar no início do próximo ano, o que nos leva a concluir duas coisas: ou o processo está bastante adiantado; ou trata-se do “efeito de anunciar”, o tal que faz render o peixe, e tudo se desenrola ainda dentro dos prazos previstos pela execução de um concurso público. Uma característica muito comum a toda esta actuação é lançar as propostas (que é um acto de voluntarismo louvável) sem obter os devidos apoios ou concordâncias das entidades da administração central, para depois exercer pressão sobre estas, fazendo crer à opinião pública que estão a impedir o progresso, como tem sido feito com oIGESPAR.

Já reparamos que ninguém questiona se a CMP está a violar o PDM ou não, nomeadamente o n.º 2 do artigo 38º – Áreas verdes de utilização pública: “Admitem-se obras de construção de infra-estruturas, edifícios ou estruturas de apoio à fruição destas áreas de lazer e recreio, sem prejuízo do seu valor patrimonial e da sua identidade como espaço verde urbano, em que a área de impermeabilização não pode ser superior a 5% da área verde de utilização pública em que se localizam.” Se tivermos em conta que não fazem parte desta área o pavilhão dos desportos, a biblioteca e uma grande área a Sudoeste, subtraindo ainda a capela, o Roseiral, a concha, o pavilhão da Paula Santos e o lago, só o parque de estacionamento subterrâneo e a envolvente do pavilhão já ultrapassam os 5%. O que significa que qualquer outro acrescento de área impermeabilizada… Também podemos falar no prejuízo do valor patrimonial e da identidade, ou no apoio à fruição das áreas de lazer e recreio daquelas construções (?), cumulativamente falando. O mais curioso é que nós nem somos contra a remodelação do Pavilhão dos Desportos e aquela proposta do Vítor Silva dos novos corpos serem em cima do parque de estacionamento começa a fazer mais sentido!

Sem grandes fundamentalismos dizemos que o critério para morarmos num determinado local e não noutro é a existência de espaços verdes e árvores. Acreditamos que de uma forma negligente e inocente, aquilo que o cidadão normal pensa sobre as árvores se encontra plasmado neste anúncio dos CTT, uma empresa com consciência social (seja lá o que isso quer dizer)!

Achamos merecer mais explicações do que aquelas que nos dão!

o impensável… também, por ssru

… também acontece!

Só existe uma explicação para isto acontecer: a mediocridade e ignorância geral dos nossos políticos. Em todo o caso avisamos de antemão que não estamos assim tão surpreendidos como isso, a tentação para a estupidez por parte dos tolos é imensa.

Às vezes precisamos de algum tempo para recuperar os sentidos, mas por fim lá acabamos por ler toda a notícia num beliscar contínuo para nos mantermos novamente acordados. Vamos lá ao assunto…

O Dr. Rui Rio ficou agradado e achou a proposta “interessante”, nomeadamente no que toca à articulação com as Juntas de Freguesia. PUDERA!

“(…) A proposta partiu da vereação socialista, mas agradou a Rui Rio. “Há muita sujidade no Porto, há ruas completamente grafitadas. Proponho que a Câmara reúna os grafiters para reabilitar estas zonas degradadas, os edifícios sujos e feios“, propôs a vereadora substituta do PS, Carla Miranda, ontem de manhã, na reunião pública do Executivo.

É possível trabalhar com esta gente“, acrescentou a socialista, considerando que o trabalho pode ser feito em colaboração com as juntas de freguesia. Carla Miranda lembrou, no entanto, que é preciso fazer a distinção entre os grafiters e os que se limitam a assinar nas paredes (tags), como forma de marcar território. (…)”

Calma, isto é muito bom, mas o melhor está aqui: “(…) “Embora a Câmara esteja a fazer um esforço para limpar as paredes da cidade, admito que a entrada de novos grafitos seja superior. Pegar nas paredes velhas e dar-lhes uma nova vida parece-me uma boa ideia”, reiterou o presidente da Câmara do Porto. (…)” O sublinhado é todo nosso.

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Sublinhado n.º 1 – ò senhora vereadora, grafiters a reabilitar? Só se for a limpar a porcaria que fizeram, para que ‘os edifícios sujos e feios’, deixem de o ser!

Sublinhado n.º 2 – ‘esta gente’ (!?) (quer dizer, estes marginais?!) assim a trabalhar também não, mas se lhes derem umas telas ou um papel de cenário para eles pintarem e a autarquia patrocinar uma exposição, pode ser que ainda ganhem uns ‘cobres’. Houve em tempos umas ideias concretizadas em pinturas de painéis de estaleiros de obras (ex. Bom Sucesso). Percebeu, senhora vereadora, estaleiros, obras, hello…

Sublinhado n.º 3 – Sr. Presidente, o senhor sabe que para nós tanto faz quem manda na Cidade, desde que as políticas de reabilitação do Centro Histórico se concretizem em algo de palpável e que nos orgulhe da herança que vamos deixar para os nossos filhos (é claro que não estamos a falar ‘daquilo’ que fizeram ao quarteirão de Carlos Alberto com o Pátio Luso). Mas se conseguir, explique-nos como é que um grafiter pode ‘pegar nas paredes velhas e dar-lhes uma vida nova’, porque nos é impossível imaginar um cenário assim, a não ser com uma verdadeira reabilitação, daquelas que incluem o estudo e requalificação do edifício para um fim útil, com pessoas e funções, etc., compreende?!

Isto vindo no contexto certo e proposto por pessoal técnico, como por exemplo pela Porto Vivo, no âmbito de uma acção temporária de reabilitação, até se compreendia melhor. Por políticos cujas responsabilidades não são propriamente as de embrulhar a má figura para parecer bem em período de eleições, não nos parece. E acredite, até temos aqui uns exemplos de grafitos muito bons, veja…

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Enquanto que noutras paragens deste País se tomam acções no sentido oposto e se procuram soluções para que o dinheiro público seja gasto com eficácia e quando (…) “até agora foram limpos mais de seis mil metros quadrados“(…) (???), surge esta ‘proposta luminosa’ [ironia] para que nos possamos entreter mais um pouco e, se calhar, até lhes comprávamos as latas de tinta com o nosso dinheiro e tudo…

Sabe o que lhe dizemos, senhora vereadora, esteja caladinha e faça-se substituir a si também, para que os nossos impostos não sejam desperdiçados, mas gastos com dignidade, a começar pelo seu salário.

nota: Há muito tempo que reparamos que o Dr. Rui Rio não precisa de se esforçar muito para ganhar eleições, com uma oposição assim! Pronto, Sr. Presidente, já pode parar de rir… vá lá!

nota a 28 de Maio de 2009: Caramba! Até os grafiters parecem ter melhorbom senso que a camarada socialista. Grafiters ao Poder, JÁ!!!

o ‘modus operandi’, por ssru

São inúmeros os pedidos para explicarmos o que pretendemos dizer com o subtítulo que acompanha o nome deste sítio.

A frase “podes até querer demolir a Torre dos Clérigos, desde que no seu lugar consigas propor algo melhor…” é aqui usada de uma forma irónica e pretende descrever a arrogância daqueles que se acham no direito ou com veleidade de ousar propor algo em substituição dos símbolos e dos valores da nossa Cidade, quando sabemos que o propor melhor está intimamente ligado à capacidade de quem propõe, à qualidade da proposta e à qualificação de quem avalia. Para nós esta coisa de propor melhor é bastante complexa e tem muito que se lhe diga, principalmente quando constatamos uma mediocridade avassaladora em matéria de salvaguarda de património cultural…

Ora, indo ao que interessa, uma das estratégias mais utilizadas desde sempre (Rui Rio não inventou esta, apenas a utilizou incessantemente) é, após a constatação que não podemos fazer algo desaparecer de repente, fazê-lo com paciência, a médio ou longo prazo e esgotando os recursos que permitem a sua subsistência. Esta teoria aplica-se na prática a empresas, a instituições, a edifícios, a cidades, a tudo o que nós quisermos.

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Foi esta aplicação que na prática permitiu a substituição do Palácio de Cristal pelo Pavilhão dos Desportos, deixando-se chegar o antigo edifício a um estado de degradação tal que não restava outra alternativa, pelo menos uma que fosse economicamente viável, claro está.

Foi o que possibilitou o encerramento recente, por este executivo camarário, de tantas instituições da Cidade, quer ligadas à cultura, ao desporto, à reabilitação urbana, à reabilitação social, demasiadas…

Já ninguém se lembra da Fundação para o Desenvolvimento do Vale de Campanhã, da Culturporto e tantas outras que em breve também estarão esquecidas como o Cruarb ou a FDZHP.

O mesmo esteve (ou estará) perto de acontecer com o Mercado do Bolhão, com o Mercado do Bom Sucesso, com o Mercado de Ferreira Borges… e depois aquela situação inexplicável da Praça de Lisboa, onde, antes daquele desastre, existia um mercado de levante, como o da Ribeira ou como o da Praça da Alegria… perdas irreparáveis.

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Dizem-nos com demasiada frequência que ‘os eleitos têm a legitimidade que foi dada pelo voto para tomarem as decisões que entenderem sobre os destinos da Cidade. Será?!

Será que essa figura do direito português que é a prova de legitimidade, aqui aplicada permite a adulteração ou destruição do bem, sem que o outro ‘comproprietário’ o autorize ou disso tenha conhecimento…?

Nós o Povo, somos os proprietários do nosso Património e só por ignorância, conformismo e estupidez poderemos permitir que este modo de agir continue a delapidar o nosso Bem Comum, o nosso Património para a Humanidade.