a doutrina do medo, por ssru

Através do medo, os políticos conseguem que os povos se sacrifiquem e que paguem uma dívida que foi por eles próprios contraída. Em Portugal, tal como noutros países intervencionados pela troika, fecham-se escolas e hospitais, vendem-se empresas estratégicas, reduzem-se salários e reformas, retrocede-se civilizacionalmente para que os investidores alemães, franceses, ingleses e americanos não sofram com as suas más decisões ao emprestarem dinheiro aos banqueiros e seus amigos políticos corruptos. O dinheiro que sai do corpo dos portugueses vai inteirinho para pagar uma dívida que não foi contraída pelos cidadãos, nem sequer para proveito destes, mas antes para alimentar um sistema político criminoso que os espolia.

O vídeo que se segue sugere desde logo inúmeras questões que nenhum governante teve “testículos” para responder ao premiado jornalista alemão (quem melhor do que um alemão para nos esclarecer estas coisas?!) Harald Schumann, autor desta peça que sugerimos que vejam. Mas a primeira pergunta que gostaríamos de colocar é: “Como é possível que após as maiores manifestações de cidadania que Portugal já assistiu, tudo tivesse ficado na mesma, até o Governo ficou?”

a crise do jornalismo, por ssru

Logo agora, em plena crise, quando é mais preciso, o “jornalismo” decidiu entrar em crise e corre a tinta, ele próprio, as páginas das notícias. Logo agora que o obscurantismo de “Estado”, mais do que nunca, procura fazer o seu caminho de desinformação e bloqueio da cidadania é que escreve com o baixar de braços e esquece os votos jurados. Dizem que:

«A crise que abala a maioria dos órgãos de informação em Portugal pode parecer aos mais desprevenidos uma mera questão laboral ou mesmo empresarial. Trata-se, contudo, de um problema mais largo e mais profundo, e que, ao afectar um sector estratégico, se reflecte de forma negativa e preocupante na organização da sociedade democrática (…)»

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Mas para nós os senhores jornalistas não estão isentos das suas responsabilidades na construção desta grande crise global, onde agora se vêm mergulhados. Uma informação “negacionista”, que se desliga daquilo que diga respeito aos interesses dos cidadãos à medida que se vai especializando em futebol e jet-set, permite que um não jornalista – um comentador como Marques Mendes – vá à procura e consiga informação privilegiada com que semanalmente ilustra o seu comentário televisivo. E a razão encontrada é um círculo fechado:

“A crise dos ‘media’ está a provocar uma queda mais acentuada no chamado jornalismo de investigação, disseram à agência Lusa profissionais do sector, admitindo que esta já era uma tendência devido à preferência pelas notícias imediatas. (…) “O verdadeiro trabalho de investigação faz-se pouco, porque dá trabalho, demora muito tempo e custa caro”, assegurou José António Cerejo, jornalista de investigação do jornal Público, em véspera da celebração do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa.”

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Toda esta profundidade filosófica para vos dizer que a Revista Time Out Porto [a revista que lhe diz tudo sobre a cidade], consegue num pequeno quadrado azul de 43×30 mm, informar os seus leitores aquilo que pretende e divulgar a sua fonte, ou seja, nós ssru, interessando-se por um dos nossos artigos aqui publicado.

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Em contrapartida, a partir da página 18 deste número 39, inicia-se uma odisseia que nos desperta a atenção e que tem o seu ponto de partida no Centro Histórico do Porto. Com os textos muito bem preparados e com as fotos de campo bem aberto, através de uma interrogação, é-nos dado a conhecer um Porto multifacetado: o das Lendas, da Literatura, da Música, dos Arquitectos e do Cinema. Assim também vale a pena gastar tinta…

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o jornalismo “sound-bite”, por ssru


Quando o Jornal de Notícias usou uma imagem nossa num artigo do suporte em papel, escrevemos a nossa opinião (igualmente embrulhada no teor da notícia) sobre o assunto, onde expressámos a nossa discordância por uma abordagem estilo “sound-bite”. Aquilo que “os direitos reservados” visaram, foi expor um jornalismo carregado de falhas, superficial e supérfluo. Em poucas linhas enunciámos uma série de tópicos que, caso tivessem sido melhor aprofundados teriam trazido uma outra verdade à informação que os ‘media’ de hoje julgam que o público não merece.

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Desta vez foi “O Primeiro de Janeiro” que utilizou uma imagem nossa, publicando-a num artigo sobre a Porto Vivo, depois de editada, cortada e lavada com ‘lixívia’. Aqui, achamos por bem dirigirmos um mail ao director do diário, auscultando a sua opinião sobre o caso.

 Caro Director d’ O Primeiro de Janeiro [Ilustre Diário]

Na notícia em anexo, relativa à Porto Vivo, foi usada uma fotografia da nossa autoria, com uma simples aposição das letras “DR”. Cortada e passada a preto e branco, continua a ter a autoria dos administradores da SSRU.

Embora a nossa Declaração de Princípios autorize a utilização de todo o nosso material, para bem da humanidade, isso apenas significa que não necessitaria de a solicitar. Quanto aos direitos de autoria nada diz porque nada é necessário dizer, uma vez que num estado de direito até existem leis para isso. Se por um lado a utilização da fotografia teve o objectivo de ilustrar uma notícia, informando, o que é bom para a humanidade; por outro, é notório o carácter comercial nesse uso [no nosso entender falhando o alvo, pois mostra mais o prédio vizinho à Porto Vivo, ainda por cima uma obra ilegal!?].

Será supérfluo continuarmos a dissertar sobre este assunto pois ninguém melhor que um jornalista percebe a importância das suas fontes e o valor do seu trabalho. Ninguém como um jornalista é capaz de sofrer pela falta de crédito de uma obra sua, portanto… estamos conversados.

Certos de termos merecido a sua melhor atenção e que fará aquilo que em consciência considerar mais conveniente, enviamos os cumprimentos desta equipa ao dispor, SSRU [ssru.wordpress.com]

Não obtivemos qualquer resposta (até ao momento) o que é sintomático de um posicionamento do tal jornalismo que se distancia do público por inexactidão e falta de verdade. Precisamente numa época de acesso quase ilimitado às notícias e à informação, onde o cidadão é convidado a fazer o seu próprio telejornal! Informação que se encontra ao alcance de qualquer agente armado em jornalista que facilmente, sentado em sua casa, de pantufas, percorre as notícias do dia no site da Lusa, junta umas fotas extraída do Google e publica num blog, brincando aos ‘media’. Claro que tudo isto sem os constrangimentos e deveres próprios da profissão.

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Há algum tempo que seguimos com interesse um fórum onde se discute o jornalismo com a paixão própria de quem tem uma missão: “Jornalismo & Comunicação”. Um dos intervenientes, o Professor Manuel Pinto, salientava recentemente um texto que tinha publicado no jornal digital Página 1, da R. Renascença, onde retiramos a seguinte observação: “Se as pessoas abandonam as notícias, haverá que saber se nisso não conta também o divórcio com o jornalismo que se está a fazer”.

E é por esse motivo que se torna urgente uma Carta de Princípios do Jornalismo na Era da Internet, “contributo reflexivo na enunciação, estudo e debate de alguns dos grandes desafios que questionam o jornalismo tal como o conhecemos e os jornalistas o praticaram durante o século XX”:

1. A primeira obrigação do jornalismo é a busca da verdade e a sua publicitação

2. O jornalismo deve manter-se leal aos cidadãos, estimulando o debate e a construção de opinião

3. A essência do jornalismo assenta na verificação da informação e no confronto de fontes e de versões

4. O jornalismo deve escrutinar os diferentes poderes. Aqueles que o exercem devem ser independentes em relação às pessoas, organizações e acontecimentos que cobrem

5. O jornalismo deve tornar interessante o que é relevante e procurar no que é interessante ou mobiliza a atenção dos cidadãos o que é importante e significativo

6. A produção jornalística deve seguir princípios de rigor, isenção, clareza, abrangência e proporcionalidade, e deve empenhar-se em dar voz e visibilidade a cidadãos, grupos e comunidades mais esquecidas

7. Os jornalistas devem ser livres de seguir a sua consciência

8. O jornalismo deve ser transparente e favorecer o debate público das suas opções e práticas e o escrutínio das ligações, interesses e poderes que o suportam

9. O jornalismo deve adaptar-se às diferentes plataformas informativas e interagir com a diversidade de actores presentes no ambiente comunicacional, integrando as suas vozes no processo de produção profissional de narrativas noticiosas e de opinião

10. Inovações empresariais e tecnológicas no ecossistema informativo devem ser feitas com respeito por padrões de exigência profissional e no quadro ético e deontológico em vigor numa imprensa livre e democrática

11. Os cidadãos têm direitos e responsabilidades, no que diz respeito à informação noticiosa.

foto nossa oferecida ao Primeiro de Janeiro

foto nossa, oferta para “O Primeiro de Janeiro”

Nós, cidadãos [ou cidadões como tão bem diz o nosso PR] sabemos quais os nossos direitos e os deveres. Reconhecemos o limite da nossa intervenção e a importância do bom senso, da ética moral e humana de cada uma das nossas vozes. Pudessem os senhores jornalistas fazer o mesmo.