a doutrina do medo, por ssru

Através do medo, os políticos conseguem que os povos se sacrifiquem e que paguem uma dívida que foi por eles próprios contraída. Em Portugal, tal como noutros países intervencionados pela troika, fecham-se escolas e hospitais, vendem-se empresas estratégicas, reduzem-se salários e reformas, retrocede-se civilizacionalmente para que os investidores alemães, franceses, ingleses e americanos não sofram com as suas más decisões ao emprestarem dinheiro aos banqueiros e seus amigos políticos corruptos. O dinheiro que sai do corpo dos portugueses vai inteirinho para pagar uma dívida que não foi contraída pelos cidadãos, nem sequer para proveito destes, mas antes para alimentar um sistema político criminoso que os espolia.

O vídeo que se segue sugere desde logo inúmeras questões que nenhum governante teve “testículos” para responder ao premiado jornalista alemão (quem melhor do que um alemão para nos esclarecer estas coisas?!) Harald Schumann, autor desta peça que sugerimos que vejam. Mas a primeira pergunta que gostaríamos de colocar é: “Como é possível que após as maiores manifestações de cidadania que Portugal já assistiu, tudo tivesse ficado na mesma, até o Governo ficou?”

a “fábrica cretina”, por ssru

Da “Fábrica Cretina” saem todos os anos, resmas de exemplares “assemblados”, de imbecis altamente qualificados, cretinos para tomarem conta de nós e nos dizerem aquilo que devemos fazer das nossas vidas. O jornalista Miguel Carvalho, que estimamos e admiramos, tira-lhes tão bem o retrato!

Tenho para mim…14 DE ABRIL DE 2014 / MIGUEL

cretinos

…que deve haver por aí uma fábrica da pulhice humana, com moderna linha de montagem, onde se confeccionam exemplares feitos em série, de várias gerações e para diversificados sectores de negócio, à vontade do freguês. Ou é isto ou já são muitas conversas a ouvir amigos queixarem-se dos pulhas que lhes calharam em sorte no local de trabalho, na família, nos serviços. Escutam-se os lamentos e os pulhas parecem todos iguais, saídos da mesma casca. Ou aprenderam nas mesmas escolas ou foram feitos na mesma fábrica. E como se não bastasse, ainda procriam.

os ladrões do tempo, por ssru

Há quase dois séculos atrás, em 1819, Benjamin Constant apresentou aos seus pares, numa conferência memorável, o texto intitulado “Da Liberdade dos Antigos Comparada à dos Modernos”. Ali desvelaria algumas considerações que pretendia submeter ao julgamento dos restantes e que colocava em confronto a liberdade colectiva dos povos antigos, onde os cidadãos tinham um peso preponderante nas decisões políticas, mas cuja vida privada não controlavam; e por outro lado, a liberdade pessoal dos povos modernos, cujo indivíduo é dono da sua vontade mas cujo peso político é quase nulo. Do seu longo e profético texto detemo-nos em algumas conclusões:

“(…) O perigo da liberdade moderna está em que, absorvidos pelo gozo da independência privada e na busca de interesses particulares, renunciemos demasiado facilmente ao nosso direito de participar do poder político.

Os depositários da autoridade não deixam de exortar-nos a isso. Estão sempre dispostos a poupar-nos de toda a espécie de cuidados, excepto os de obedecer e de pagar! Eles nos dirão; “Qual é, no fundo, o objetivo de todos os vossos esforços, o motivo de vosso trabalho, o objeto de vossas esperanças? Não é a felicidade? Pois bem, essa felicidade, aceitai e nós nos encarregaremos dela.” Não, Senhores, não aceitemos. Por mais tocante que seja um interesse tão delicado, rogai à autoridade de permanecer em seus limites. Que ela se limite a ser justa; nós nos encarregaremos de ser felizes.(…)”

Dê-se o caso dos representantes desta nossa jovem Democracia, entenderem ser necessária uma expiação para que a Liberdade dos cidadãos deste País seja salva e, num futuro preferencialmente próximo, começarem a falar VERDADE e aí nós poderemos entender o rumo que estamos a dar às nossas vidas. A Verdade é, pois, o pilar fundamental da Justiça e com esta será possível sermos felizes.

Só uma Justiça de olhos bem abertos, permitirá que possamos perceber em que momento da nossa vida democrática nos tornamos num País de ladrões, de políticos profissionais sem escrúpulos, de decisores desqualificados… Pois, infelizmente o Tempo não está a nosso favor!

Quem se julga esta gente? | Nicolau Santos | Expresso, 2 de agosto de 2013

O caso BPN continua a queimar as mãos de muita gente. Tanto que, quando alguém que esteve ligado ao banco vai para um lugar público e tem de divulgar o seu curriculum, elimina cuidadosamente essa atividade do seu passado.

Foi isto que fez Rui Machete, foi isto que fez Franquelim Alves, passando aos jornalistas um atestado de incompetência e aos cidadãos, um atestado de estupidez.

Não está em causa a compra ou venda de ações de uma instituição bancária. Mas está em causa saber 1) se toda a gente podia comprar ações do BPN; 2) se toda a gente que comprou as viu recompradas pelo dobro ou pelo triplo do seu valor original; 3) se esses ganhos assentavam na atividade normal do banco.

Ora para quem não se lembra, o BPN não estava cotado em bolsa. Por isso, só comprava ações do banco quem a administração convidava para tal. Foi assim com Cavaco Silva, que comprou e vendeu ações do BPN tratando diretamente do assunto com o presidente da instituição, Oliveira Costa.

Depois, a compra de ações de ações pelo banco por valores muito superiores aos que as tinha vendido não resultava do livre funcionamento do mercado – mas de uma decisão da administração e, em particular, de Oliveira Costa.

Quer isto dizer que o presidente do BPN beneficiou quem quis – e beneficiou seguramente os seus amigos. Não por acaso, todos (ou a esmagadora maioria) os beneficiados com a venda de ações altamente valorizadas ou com vultuosos empréstimos não reembolsados são membros ou simpatizantes do PSD. E suponho que não é preciso dizer os nomes.

Por isso, se tudo fosse tão normal e transparente, Rui Machete não teria eliminado do seu curriculum as funções que ocupou no BPN. Por isso, também não devia ter dito que isto revelava a podridão da sociedade portuguesa.

É que se este caso revela alguma coisa é a podridão com que altas figuras do PSD ligadas ao Estado ganharam muito dinheiro com um banco fantasma que era liderado por um grupo de malfeitores.

E é esse dinheiro fácil que está agora a ser pago, com língua de palmo, por todos os contribuintes. Mais de 4 mil milhões de euros dos nossos impostos servem para pagar as mais-valias e os empréstimos não reembolsados que o BPN concedeu.

Por isso, seria de muito bom-tom que todos os que lucraram com o BPN se calassem e que não nos tentassem convencer que tudo foi limpo e transparente no dinheiro que ganharam. É que, como de costume, os senhores privatizaram os lucros. E deixaram para os contribuintes a socialização dos imensos prejuízos. Haja vergonha!