a não-cidadania #2, por ssru

Daqui da nossa janela já contámos cerca de 14 camiões carregados de lixo saídos de um prédio vizinho em ruínas. Não nos referimos ao lixo do que outrora poderá ter sido o sistema estrutural, as lajes e paredes desse edifício. É mesmo a entulheira que um “bobcat” tenta retirar, incansável, sobretudo sacos com pinturas de super e hipermercado, com detritos domésticos dentro, enviados para lá pela vizinhança que, vá-se saber (?), decide que ali é o local mais indicado, ao invés do ‘verde’ contentor do lixo urbano.

Há já algum tempo atrás e durante meses, quase sempre à mesma hora da noite, bem tarde, ouvíamos um imenso estrondo que cortava o silêncio. Descobrimos depois tratar-se de uma vizinha de um terceiro andar que, por preguiça ou por qualquer outra razão,  atirava o saco do lixo para a via pública, tentando aproximá-lo do poste onde outros o esperavam, misturando os restos de comida com os vidros acabados de partir, quase sempre espalhando toda a porcaria em redor.

É que, quer se queira quer não, este é um problema de (não) civismo, de (não) cidadania, de estupidez humana no seu estado mais puro. É também um problema de valores, ou da falta deles, uma questão civilizacional que se interliga com a descarga dos cinzeiros no meio do trânsito, entreabrindo a porta do carro; com as escarradelas despreocupadas ali mesmo à frente de toda a gente que se cruza no passeio apanhada pelos salpicos da saliva; com a limpeza dos bolsos para o chão enquanto se espera nas filas do transporte público; pelos cantos, paredes e portas marcados pelo cheiro pestilento de urina e fezes humanas; pelos restos de comida, cheia de gordura, atirada da janela para alimento dos pombos e gaivotas… e dos gatinhos vadios, etc…

Surpresos, ficamos a pensar que a Câmara do Porto já se tinha antecipado a este tipo de problemas, quando nos deparamos com um programa, no seu 2º ano consecutivo (?), chamado Porto Cívico.

“(…) A Câmara Municipal do Porto, através da Fundação Porto Social, levou a cabo, no passado sábado, e pelo segundo ano consecutivo, uma acção de sensibilização integrada no projecto Porto Cívico que teve por objectivo sensibilizar a população da cidade do Porto para a necessidade crescente de adopção de atitudes cívicas, ao nível da solidariedade, do respeito, da higiene e da tolerância. (…) No âmbito deste Projecto serão desenvolvidas, até ao final de Junho, mais duas acções de dinamização em espaço público: “Chicletes no chão, não”, no dia 30 de Maio, em Santa Catarina; e “Dejectos de animais no chão, não, no dia 6 de Junho, na Avenida Brasil.(…)”

Pois… se calhar precipitamo-nos!

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Não é que os chicletes e o ‘cócó’ dos animais não sejam importantes, uma verdadeira praga, mas… e as ratazanas que parecem coelhos e que por vezes atravessam a nossa rua a caminho do trabalho???

E os nossos vizinhos que não mudam, não trabalham e também são uma verdadeira praga? Para esses não existe um programa qualquer que os ajude a serem melhores cidadãos?

a festa popular, por ssru

As vizinhas mais idosas dizem-nos que a ‘festa do santo’ já teve melhores dias, era um verdadeiro arraial do Povo. Dizem-no de boca cheia, mão no peito e um brilho de tristeza no olho.

Os festejos do nosso passado mais longínquo incluíam uma jogatina de futebol pela manhã entre clubes rivais, logo seguida do almoço montado na rua perfumada a sardinha e pimentos assados.

À tarde os ranchos folclóricos enchiam as ruas de música e dança, toda a gente dançava, até os padres e os políticos, os novos e velhos, homens e mulheres, mulheres e mulheres, crianças, todos.

Na Rua Arménia assistíamos a um jogo de cartas ou bilhar e havia uma peça de teatro no ‘S. Pedro de Miragaia’ e a festa não parava, comíamos aqui e ali, em todo o lado havia um fogareiro a assar e vizinhos a cantar alto.

Não ligamos tanto a este palco onde nos presenteiam a Ana Malhoa e a Mónica Sintra, e ‘aquelas coisas’ brasileiras que nada têm de são-joanino.

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O fogo de artíficio, esse é sempre bonito, mesmo quando passou a ser barómetro político e motivo de disputa entre cidades irmãs.

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É verdade que já vimos famílias inteiras a subir e descer as ruas, de alho porro na mão a provocar o nariz e o pescoço de quem cruza num e noutro sentido.

Mas a festa também é do alecrim e das fogueiras feitas para saltar de bairro em bairro, do balão acesso no ar, das rusgas, das cascatas (as verdadeiras) e dos banhos de mar ao nascer do dia.

O Porto nunca virou as costas a uma boa festa nem a uma boa briga.

No meio deste colorido pagão e agora que o S. João já se acabou, gostaríamos de vos falar de um desses gestos simples que mudam muita coisa, esses de que falamos de vez em quando e que custam relativamente pouco, mas que significam uma imensidão na vida das pessoas, capaz de perdurar por muito tempo.

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foto Artur Machado/JN

Algo tão simples como o rosto estampado numa bandeirola, a enfeitar as ruas, quatro ou cinco ruas, muitos rostos de quem mora ou trabalha no coração da cidade e que abre a porta desconfiada, mas pronta a confiar…

Uma ovação em pé para a Dra. Ana Neto e a sua equipa, que soube tocar, não na vaidade, mas no orgulho e identidade das pessoas e fazê-las participar enquanto comunidade, num festejo de todos. Dá vontade a qualquer um de pertencer àquela rua e participar.

Lemos no artigo do JN: “(…)Era preciso conhecer as pessoas, convencê-las a cederem uma fotografia ou a serem retratadas para figurar em bandeirinhas de S. João que seriam colocadas nas ruas da Fonte Taurina e da Reboleira (na Ribeira) nas Galerias de Paris e Cândido dos Reis (aos Clérigos) e na Rua das Flores (entre o Largo de S. Domingos e a Fundação da Juventude). Inicialmente, pensaram em concentrar todas as fotografias dos moradores da Ribeira em apenas uma artéria, mas ninguém quis figurar na rua do vizinho. “Avisaram-me logo: eu? nessa rua, nem pensar”, conta Ana, rindo das dificuldades que iam surgindo. “Foram dois meses de contactos diários na Ribeira”. Mas depois da dona Odete, a gestora do projecto conheceu a dona Conceição, o Nando, o Naná, o Inácio, o sr. José e por aí fora. A ideia foi ganhando forma e, de repente, já tinham duas mil fotografias para tratar, imprimir em acetato, agrafar às bandeirinhas e pendurar nas ruas (…)”

O que fica deste pequeno gesto, que portas abriu, que continuidade se poderá dar a este tipo de projectos? Perguntas que a cidade poderia responder…

o direito à indignação, por ssru

Todo o cidadão tem direito à indignação, tem o direito de denunciar aquilo que considera um ultraje ao seu património e ao da sua comunidade. Acrescentamos ainda que é obrigação de todos zelar pelo Bem Comum, até porque este nos pertence.

Muitos concordam com esta visão da forma de intervirmos, enquanto cidadãos da mesma rua, do nosso bairro, da nossa cidade…

A Dr.a Maria José Morgado parece ser da mesma opinião, reforçando que não cabe ao cidadão provar nada, esclarecendo desta forma qual deve ser o papel da sociedade civil:

“(…) eu vou dizer isto numa palavra que pode parecer brutal, mas é, denunciar, denunciar, denunciar, e as pessoas não se deixarem impressionar com as exigências de “concretize, diga nomes, prove”, provar é no tribunal, provar é no tribunal, instrução dos processos e recolha de prova é no tribunal, as denúncias as pessoas podem e devem fazê-las caracterizando os fenómenos, não é ofender o bom nome de ninguém mas é caracterizar os fenómenos. Aliás nós vivemos no maravilhoso mundo da presunção de inocência, a presunção de inocência é só, só, tão só uma regra de apreciação das provas para os senhores juizes utilizarem quando estão a decidir um caso ou seja quando alguém é presente em julgamento só pode ser condenado se os factos se provarem para além de toda e qualquer dúvida e é isso que se chama a presunção de inocência, mas a presunção de inocência não serve para eu ser desonesto e me manter no lugar e não permitir que ninguém me critique ou não permitir que a opinião pública se indigne com o resultado da minha actuação. A presunção de inocência é uma regra técnica, é uma regra de apreciação de provas, não é uma regra de substituição da ética e da honestidade dos cargos públicos, e portanto quando eu digo denunciar, denunciar, denunciar, é denunciar a desonestidade, a falta de decência no desempenho dos cargos, isso as pessoas têm direito a denunciar e não são obrigadas a apresentar provas(…)”

A maior parte da correspondência que recebemos é enviada por concidadãos que se identificam não só com este projecto que coordenamos, como com o anonimato que prezamos, denunciando os inúmeros atentados, o desprezo e maus tratos ao nosso património e por isso à nossa Identidade e à nossa Memória.

Ainda que com alguma insuficiência, tem sido possível, no todo ou em parte, utilizar as informações e sugestões dos nossos leitores e articulá-las neste sítio, faltando ainda tanto para dizer e fazer.

Transcrevemos um desses sugestivos exemplos de alguém que exprime a sua revolta perante o anunciado projecto de transformação do Palácio de Cristal e dos seus jardins. Omitimos apenas o nome do autor, conforme nos é solicitado:

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“Ex.mos Senhores, Utilizo este meio para solicitar a atenção da SSRU para uma situação que me deixa preocupado.

Se consultarem o site da CMPorto verificam que foi divulgado, há pouco tempo, um projecto para reabilitação do Pavilhão Rosa Mota e sua envolvente. Este lançamento foi efectuado, tal como tantos outros em que o Sr. Rui Rio se envolveu, sem os serviços do IGESPAR ter aprovado o projecto e perante um parecer negativo de alguns serviços a uma das partes do projecto.

Aqui está a minha preocupação: querem transformar um dos poucos exemplares que ainda sobram do projectista Emile David, o lago, e transformá-lo num espelho de água.

O arquitecto José Carlos Loureiro que me desculpe, o projecto dele pode ser muito interessante, mas tal como tantos arquitectos que consideram todos os projectos “seus” e não gostam que os modifiquem, poderiam pensar duas vezes em fazê-lo a exemplares raros.

Depois da desgraça que fizeram a outro exemplar de Emile David, o Jardim da Cordoaria (como é conhecido), vejam em que estado colocaram aquele lindo jardim, espero que não continue a acontecer.

Todos os jardins particulares têm sido substituídos um a um por prédios, os públicos são arrasados. Tenho receio que mais um desapareça.

Os serviços da Câmara, neste caso, a Cultura não tem peso nenhum e os seus directores só se interessam por festas e dinheiro, o Urbanismo só pretende encher os cofres da Câmara.

Um dos poucos organismos que poderiam salvar a situação, o IGESPAR, não é nada mais que um peão movimentado ao sabor dos interesses económicos.

No meio desta desgraça, a vossa voz surge com as palavras que todos os que se preocupam sentem, mas não podem exprimir.

Neste caso, penso que só a população poderá fazer algo, pois as eleições aproximam-se.

Não sei se o caso tem interesse para vocês, mas fica a minha revolta.

Por várias razões, prefiro não me identificar.

Espero que me compreendam e desculpem a escrita atrapalhada e apressada.

Atentamente”

Embora o Palácio de Cristal e os seus jardins não façam parte integrante do Centro Histórico, nem por isso deixaremos de referir o seu valor patrimonial e a negligência a que é sujeito de forma sistemática e, quem sabe, propositada.

Aliás, já o fizemos anteriormente num artigo que pretendia explicar “o modus operandi” dos políticos medíocres, deixando degradar o património para depois se tornar mais fácil a sua substituição.

Hoje não só reforçamos esta visão do modo perverso de actuação, como também a inatingível questão das prioridades da despesa pública.

Está anunciado que um “(…)investimento de 19 milhões de euros, comparticipado pelo QREN, vai permitir que, para além das actividades desportivas, exposições, grandes concertos, festas, espectáculos de circo e pista de gelo, se realizem congressos com capacidade até seis mil pessoas e seminários ou reuniões de menor dimensão(…)”, tudo isto para ajudar a projectar (reparem bem!!!) a marca “Porto, Cidade de Ciência” (?[só se for com os espectáculos de circo]?), que é algo que não compreendemos!

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O Pavilhão dos Desportos é um edifício lindíssimo e merece ser salvaguardado, mas também o seu antecessor merecia e esse já não existe. Se analisarmos bem o que está a mais é o actual (que bem poderia estar noutro qualquer local da cidade), uma vez que todo o jardim romântico e restante envolvente permite uma inserção urbana de recorte mais clássica, com um impacte negativo menos óbvio que o existente.

Como isso já não é possível, pretende-se ‘desclassificar’ o jardim e o lago que está transformado num “CHARCO”, possibilitando a sua substituição por um “ESPELHO D’ÁGUA”!?

E agora, mais uma vez desenganem-se os distraídos, nós não somos contra este investimento de 19 M€, nem contra a melhoria deste equipamento de cidade que bem precisamos. Nem tudo se resume a uma simples troca de calcário por granito, como na Avenida dos Aliados. Aquilo que perdemos foi muito mais do que as flores e os canteiros que davam muito trabalho e prejuízo a arranjar. Perdemos Memória e Identidade.

É tudo uma questão de prioridades, pois quando tudo fazia crer que seria a “reabilitação da Baixa e do seu Centro Histórico” uma prioridade máxima, sabemos agora que, perante o fracasso redondo dos tempos de execução dos projectos, será necessário apregoar os chamados investimentos de “encaixe rápido”.

Querem substituir? Pelo menos procurem fazer melhor. Mas comecem antes, por tudo aquilo que é prioritário!

Se não souberem por onde começar, peçam ajuda…

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a exposição temática, por ssru

O mestre designer Vitor Tavares, Artista por quem esta equipa nutre um grande apreço, enviou-nos um convite para uma exposição sobre os lugares de cidade à espera de serem revividos, ou melhor, como ele bem diz:

“A reflexão sobre os não-lugares, é e deverá ser sempre o ponto de partida para essa mudança de percepção das imagens (numa espécie de missão social colectiva), na qual a estratégia encontrada na criação/ordenação do espaço público, possa recuperar o sentido de urbanidade e de cidadania…

Por conseguinte, nunca é demais realçar a ideia que, acima de tudo, somos cidadãos! Somos cidadãos da nossa rua, do nosso bairro, da nossa cidade, do nosso país, enfim cidadãos do mundo.”

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Esta é uma exposição sobre nós enquanto Povo, sobre um estilo de vida e, sem dúvida, mais um convite especial a não perder, no CPF de 27junho/02agosto2009.

projecto-investigação: www.nao-lugares.com
blog: http://naolugaresnoporto.blogspot.com

o direito de resposta, por ssru

A SSRU recebeu um mail, que nos foi dirigido pela Associação de Bares da Zona Histórica do Porto e que enquadramos no ‘Direito de Resposta’, passando a transcrevê-lo na íntegra:

 “APRESENTAÇÃO DE QUEIXA NAS AUTORIDADES JUDICIAIS

O silêncio dos caluniados não se aplica à ABZHP, que tudo vai fazer no sentido de desmascarar os indivíduos, que se escondem atrás do anonimato para caluniar tudo e todos, os quais se identificam, como, ressabiados de algo, descarregando todas as suas frustrações no ataque a pessoas e instituições, de forma cobarde, utilizando para o efeito ferramentas dentro da net.

A ABZHP, está aqui a dar a cara, não se esconde, pelo contrario até se expõe sem confrangimentos, para o bem e para o mal, isto é, nunca utilizou subterfúgios para fazer chegar a sua msg, como também, nunca fugiu a “discutir” fosse com quem fosse, ideias e projectos, sejam elas, de carácter social, sendo que, nesta área tem provas dadas e comprovadas, em acções que tem desenvolvido no terreno, no entanto não é essa a sua obrigação estatutária, contudo nunca foi impedimento, factos relevantes e que leva a ABZHP, a ter algumas pistas dos autores das injurias.

A ABZHP, não tem sócios só na zona Histórica, mas sim em todo o País, como por exemplo, Lisboa, Montijo, Braga, Barcelos, P.Ferreira, Vila da Feira, Espinho, Matosinhos, Maia, Vila Nova de Gaia, Povoa do Varzim, Guimarães, Gondomar, Marco e etc., quanto à nova zona d vida nocturna no Porto, só quem anda distraído é que não se apercebeu, que a ABZHP, está lá representada em termos efectivos com sócios desde a primeira hora, que contrariamente às afirmações caluniosas, eles não fugiram de ribeira, mas sim procuraram alternativas de espaços, que na ribeira não existem. A ABZHP, trabalha no terreno com esses empresários na solução de problemas, de forma a evitar situações, que coloquem em causa o desenvolvimento da revitalização da baixa, mas adiantar mais pormenores é dar demasiada importância a quem se esconde para caluniar.

Resta a ABZHP, anunciar, que vai apresentar queixa nas autoridades judiciais competentes, como também, vai convidar todas as instituições e pessoas que eventualmente, tenham ou estejam as ser vitimas das investidas da SSRU.”

Conforme se obriga na sua Declaração de Princípios, a SSRU reconhece a todos aqueles que se sintam lesados, a possibilidade de comunicarem a esta administração os motivos de indignação ou prejuízo causado, de modo a que, analisada a questão, se proceda de imediato à sua reparação.

Com efeito, no nosso artigo “o convite especial”, reconhecemos um excesso na utilização de figuras de estilo e embora não fosse nossa intenção atingir a associação visada, pelo menos não da forma como foi entendido, desde já, LAMENTAMOS o sucedido.

Desnecessária a ligação metafórica uma vez que corrigido o texto, a mensagem mantém a sua integridade, sem que fosse premente ultrapassar a fronteira a que nos propusemos.

No entanto, reconhecemos o direito à indignação de qualquer pessoa ou instituição quando nos excedemos, não reconheceremos nunca a CENSURA ou o direito seja de quem for a calarem-nos apenas porque incomodamos. Duvidamos que qualquer tribunal o faça, mesmo neste País onde coisas esquisitas acontecem com tanta frequência.

Assim e mais uma vez reconhecendo a nossa falta, prontamente reparamos o lapso, mantendo o espírito do artigo publicado.

Com alguma dificuldade imaginamos que o apelo da ABZHP a outras pessoas ou instituições possa obter o eco desejado, uma vez que o insulto e a ofensa, ou mesmo a calúnia, se encontram banidos desde Sítio, ainda que, como já admitimos, involuntariamente possamos incorrer em erro.

Percebemos que seja mais aliciante, instintivo, perseguir e atacar um perfil editorial como o nosso (mesmo escolhendo cautelosamente as palavras), que opta pelo anonimato, ao invés de tantos outros que de forma diferente têm a ‘permissão’ de dizer tudo o que pensam.

Mas a Internet foi desenhada e construída na senda do anonimato e ele é uma extensão desta ferramenta. Conscientes das opções, será justo considerar que nos encontremos minimamente preparados para definir a nossa defesa.

Por esses motivos, em troca do anunciado conflito, fazemos antes um convite construtivo à ABZHP, que certamente nenhum tribunal lhe propulsionará, mesmo que obtenha uma sentença favorável: a oportunidade de expor, explicar, poder dispor do espaço que entender neste Sítio para demonstrar que estamos equivocados, que as questões sociais (não estatutárias) não se tratam de uma repentina e recente preocupação, ou então que o problema tem sido de facto, alguma má comunicação que tem impedido a ABZHP de transmitir para a opinião pública o seu verdadeiro trabalho. Terão da nossa parte toda a colaboração possível.

O tempo, na sua inevitabilidade, se encarregará de nos facultar todos os factos.

a análise seguinte, por ssru

Gostaríamos de poder escrutinar todas as justificações, todos os argumentos, para além dos nossos, que estiveram no sentido de voto deste segundo inquérito, cujo tema se prende com a implantação de uma ponte pedestre na principal zona das ribeiras de Gaia e do Porto.

Mas para além de tudo isso sobrou apenas a seguinte pergunta:

Considera necessária a ponte para peões, a ligar as duas margens da Ribeira do Douro?

Também neste inquérito se impunha uma intencionalidade não revelada e que desejamos trazer à discussão, sobretudo porque julgamos ser esse o melhor caminho: a discussão pública dos grandes projectos, cujo impacte seja relevante para a comunidade!

Este escrutínio, esta auscultação da opinião pública, quando existe é apenas quando os dirigentes políticos julgam que com ela irão lucrar alguma coisa e grande maioria das vezes resultam em violentos fracassos, não só políticos como também alguns bons projectos que se perdem.

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Há muitos anos atrás discutimos na televisão pública a intervenção do arquitecto João Carreira na Fortaleza de Sagres, com o Adriano Cerqueira como moderador e uma plateia cheia de figuras públicas onde se incluía Mário Soares (que como sabemos, já nessa altura falava muito…).

Mais recentemente, a intervenção do arquitecto Adalberto Dias para o Castelo de S. Jorge em Lisboa, mereceu a sua intrincada e acesa ‘opinião pública’, com holofotes e câmaras.

Entre nós, a proposta de requalificação da Rua de 31 de Janeiro, do arquitecto Carlos Prata, ou o projecto de Álvaro Siza para a Avenida da Ponte e o Museu da Cidade, mereceram igualmente a ‘melhor atenção’ dos políticos da altura, que com isso julgavam estar a marcar pontos.

Estávamos todos enquanto comunidade, mas eles não podiam dar-se ao luxo de perder votos nas urnas e de boas intenções…

Se a memória não vos faltar, saberão que estamos a falar de projectos que nunca se realizaram, pelo menos na totalidade. E dizemos nós: que excelentes projectos que se perderam, sem verem a luz do dia!

Agora, depois de preparado o caminho com leis à medida, (como diz o bastonário, feitas por grandes escritórios de advogados cujos intervenientes depois lucram com elas – como esteve para acontecer com Júdice e a frente ribeirinha de Lisboa) que permitem o ajuste directo de projectos e obras onde se esgotam os recursos de todos nós, ficamos assim, à mercê de pessoas mal formadas e outras mal orientadas, que sem escrúpulos produzem na nossa paisagem e na nossa vida, danos irreversíveis.

Poderíamos encontrar algures um porto seguro, que servisse de filtro a todos estes disparates, como por exemplo o IGESPAR, mas já sabemos que não é assim. Até porque os nossos ‘guardiões’ também têm os seus problemas para resolver.

Um desses problemas é o constante ataque e pressão nas decisões das entidades licenciadoras, que determinados grupos com interesses económicos lançam para as páginas dos jornais, numa verborreia sem limite. Exemplo disso é esta notícia que dá conta que a culpa do agravamento do custo das obras do teleférico de Gaia será na ordem dos 2,2 milhões e é toda do IGESPAR.

Não é por causa de um mau projecto que ninguém conhece nem discute, não é por causa das renegociações das clausulas do contrato cujos custos serão como sempre suportados pelos contribuintes, é porque “(…) a empresa alega a subida do custo da construção devido às imposições do IGESPAR para solicitar a mudança do acordo.(…)” e por isso “(…) a empresa pediu (e foi aceite) para estar mais anos sem pagar renda ao Município, argumentando com o custo inesperado das expropriações na Calçada da Serra face à mudança da estação do Jardim do Morro para a encosta, imposta pelo Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (IGESPAR). Agora, solicita nova mexida no contrato.(…)”. Bolas!

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Para uma amostra de 100 votos registámos os seguintes resultados:

não, considero supérflua! ……………………..……………………………………….. 85%

sim, considero necessária! ……………………………..……………….…………….. 14%

não sei, ando desatento! …………………………………………………………………. 1%

E assim, cá estamos nós, cidadãos minimamente atentos, usando as tecnologias ao dispor, mostrando o caminho, para que não existam desculpas.

Sabemos que não vai ser fácil mudar, pelo menos enquanto as asneiras forem pagas por nós e não do bolso de quem as comete.

o impensável… também, por ssru

… também acontece!

Só existe uma explicação para isto acontecer: a mediocridade e ignorância geral dos nossos políticos. Em todo o caso avisamos de antemão que não estamos assim tão surpreendidos como isso, a tentação para a estupidez por parte dos tolos é imensa.

Às vezes precisamos de algum tempo para recuperar os sentidos, mas por fim lá acabamos por ler toda a notícia num beliscar contínuo para nos mantermos novamente acordados. Vamos lá ao assunto…

O Dr. Rui Rio ficou agradado e achou a proposta “interessante”, nomeadamente no que toca à articulação com as Juntas de Freguesia. PUDERA!

“(…) A proposta partiu da vereação socialista, mas agradou a Rui Rio. “Há muita sujidade no Porto, há ruas completamente grafitadas. Proponho que a Câmara reúna os grafiters para reabilitar estas zonas degradadas, os edifícios sujos e feios“, propôs a vereadora substituta do PS, Carla Miranda, ontem de manhã, na reunião pública do Executivo.

É possível trabalhar com esta gente“, acrescentou a socialista, considerando que o trabalho pode ser feito em colaboração com as juntas de freguesia. Carla Miranda lembrou, no entanto, que é preciso fazer a distinção entre os grafiters e os que se limitam a assinar nas paredes (tags), como forma de marcar território. (…)”

Calma, isto é muito bom, mas o melhor está aqui: “(…) “Embora a Câmara esteja a fazer um esforço para limpar as paredes da cidade, admito que a entrada de novos grafitos seja superior. Pegar nas paredes velhas e dar-lhes uma nova vida parece-me uma boa ideia”, reiterou o presidente da Câmara do Porto. (…)” O sublinhado é todo nosso.

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Sublinhado n.º 1 – ò senhora vereadora, grafiters a reabilitar? Só se for a limpar a porcaria que fizeram, para que ‘os edifícios sujos e feios’, deixem de o ser!

Sublinhado n.º 2 – ‘esta gente’ (!?) (quer dizer, estes marginais?!) assim a trabalhar também não, mas se lhes derem umas telas ou um papel de cenário para eles pintarem e a autarquia patrocinar uma exposição, pode ser que ainda ganhem uns ‘cobres’. Houve em tempos umas ideias concretizadas em pinturas de painéis de estaleiros de obras (ex. Bom Sucesso). Percebeu, senhora vereadora, estaleiros, obras, hello…

Sublinhado n.º 3 – Sr. Presidente, o senhor sabe que para nós tanto faz quem manda na Cidade, desde que as políticas de reabilitação do Centro Histórico se concretizem em algo de palpável e que nos orgulhe da herança que vamos deixar para os nossos filhos (é claro que não estamos a falar ‘daquilo’ que fizeram ao quarteirão de Carlos Alberto com o Pátio Luso). Mas se conseguir, explique-nos como é que um grafiter pode ‘pegar nas paredes velhas e dar-lhes uma vida nova’, porque nos é impossível imaginar um cenário assim, a não ser com uma verdadeira reabilitação, daquelas que incluem o estudo e requalificação do edifício para um fim útil, com pessoas e funções, etc., compreende?!

Isto vindo no contexto certo e proposto por pessoal técnico, como por exemplo pela Porto Vivo, no âmbito de uma acção temporária de reabilitação, até se compreendia melhor. Por políticos cujas responsabilidades não são propriamente as de embrulhar a má figura para parecer bem em período de eleições, não nos parece. E acredite, até temos aqui uns exemplos de grafitos muito bons, veja…

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Enquanto que noutras paragens deste País se tomam acções no sentido oposto e se procuram soluções para que o dinheiro público seja gasto com eficácia e quando (…) “até agora foram limpos mais de seis mil metros quadrados“(…) (???), surge esta ‘proposta luminosa’ [ironia] para que nos possamos entreter mais um pouco e, se calhar, até lhes comprávamos as latas de tinta com o nosso dinheiro e tudo…

Sabe o que lhe dizemos, senhora vereadora, esteja caladinha e faça-se substituir a si também, para que os nossos impostos não sejam desperdiçados, mas gastos com dignidade, a começar pelo seu salário.

nota: Há muito tempo que reparamos que o Dr. Rui Rio não precisa de se esforçar muito para ganhar eleições, com uma oposição assim! Pronto, Sr. Presidente, já pode parar de rir… vá lá!

nota a 28 de Maio de 2009: Caramba! Até os grafiters parecem ter melhor ‘bom senso‘ que a camarada socialista. Grafiters ao Poder, JÁ!!!

o convite especial, por ssru

No passado dia 14 deste mês recebemos um convite muito especial. A sua grandeza torna tudo bastante claro, dá o verdadeiro significado ao nosso esforço. O que para outros nada poderá significar, para nós, estaremos a falar do nosso “santo graal”.

Recebemos por parte de uma aluna – a Marta Pereira - da Escola Secundária de Carvalhos, o convite para apresentarmos uma intervenção no âmbito de um projecto curricular intitulado “Porto: Proteger um Berço de Ouro”. Fantástico!!!

Dada a relevância do teor da correspondência trocada, e presumindo que a Marta não se importará, consideramos que o melhor seria partilhar com todos a clareza de espírito e as preocupações dos nossos futuros reforços:

À SSRU. Estou inserida num grupo de estudantes da Escola Secundária de Carvalhos que tem vindo a abordar, como temática do projecto de final de curso, a reabilitação da Baixa portuense, nomeadamente da zona histórica classificada como Património Mundial. Uma das nossas actividades finais será a realização de um debate intitulado “Porto: Proteger um Berço de Ouro”, no qual gostaríamos de contar com a presença de oradores de áreas distintas, e que apresentassem, nomeadamente, tanto a visão que vigora na administração municipal como opiniões alternativas e de carácter mais independente. Nesse sentido, e sabendo que uma grande parte do debate em torno da protecção do património do Porto tem sido feito através da Internet em blogs como o vosso, gostaríamos de convidar a Sociedade Secreta de Reabilitação Urbana a participar (como orador) nessa actividade que decorrerá no dia 28 de Maio, pelas 15h15, na nossa escola. Aproveito desde já para informar que estão confirmadas até ao momento as presenças da Porto Vivo e da Associação de Bares da Zona Histórica do Porto.

Caso estejam disponíveis e interessados, agradecíamos imenso que confirmassem a presença até à próxima segunda-feira, dia 18 de Maio, para que possamos começar a tratar da logística.

Com os melhores cumprimentos, Marta Pereira – Escola ES/3 de Carvalhos 

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Cara Marta Pereira. O convite deixa-nos bastante orgulhosos, mas como sabe, desde o início que assumimos o anonimato dos administradores deste sítio, com o conhecimento de todas as implicações e, como neste caso, dos grandes ressentimentos que isso nos causaria. A nossa vontade era estar aí…

Não sabemos se percebeu isso no nosso discurso mas um dos principais públicos-alvo da nossa mensagem são os jovens como a Marta que poderão melhor decidir o futuro, se desde logo desfolharem o leque de opções, e quanto maior este for, melhor.

Achamos que a Porto Vivo ao aceitar o vosso convite estará precisamente a concorrer para isso e a contribuir para que no futuro, os erros sobre o Património sejam menores e a reabilitação urbana seja uma realidade. Daqui enviamos as nossas saudações à Porto Vivo, para que não percam a oportunidade de fazer algo bem feito, de preferência que enviem alguém que sabia o que diz e que não vos trate de forma paternalista, como se vocês fossem ignorantes.

Por outro lado, não compreendemos a presença da ABZHP. Cremos que se terão encandeado pelas luzes da ribalta em que eles se encontram neste momento.

Ficariam melhor servidos se convidassem as Associações do CHP, como por exemplo: o Grupo Musical de Miragaia (fundado em 1926), o Rancho Douro Litoral (desde 1936), a Associação Recreativa ‘Estrela Praia’ (desde 1947), a Associação Recreativa e Desportiva de S. Pedro de Miragaia (desde 1923), o Vitória Sport Clube do Porto (fundado em 1958), o Guindalense Futebol Clube (desde 1976) ou o seu rival Clube Desportivo e Cultural dos Guindais (1977), a Associação de Moradores das Fontaínhas (1975), o Centro Social e Cultural da Sé (1975), a Associação Recreativa da Vitória (1972), entre tantas outras que possuem um conhecimento bastante detalhado dos problemas locais, parceiros importantes quando se pretende desenvolver uma estratégia de prevenção da exclusão social, prevenindo comportamentos de risco e sempre prontas para darem o seu contributo para a valorização da cultura e da imagem do Centro Histórico.

Bom, mas não queremos parecer paternalistas e por isso resta desejar-vos um bom trabalho e um melhor futuro.

da SSRU – http://ssru.wordpress.com/

 convite 02

Boa tarde. Em primeiro lugar agradecer-lhes pela resposta tão esclarecedora, coisa que temos obtido com muito pouca frequência no decorrer deste projecto. Aproveito para acrescentar que sim, numa das visitas que fizemos à Porto Vivo, a Engª Margarida Guimarães, uma das responsáveis pelo plano de gestão da área classificada, disse-nos exactamente que uma das iniciativas que gostariam de levar a cabo com maior frequência no próximo ano seria exactamente a formação e a criação de parcerias com as escolas.. Em relação à ABZHP, pensamos convidá-los devido ao recente “boom” de espaços de animação nocturna na zona histórica, que tem contribuído não só para o dinamismo nocturno como para a própria actividade artística e para a projecção da cidade. Pensamos que talvez pudessem ter uma palavra a dizer sobre isso, mas acredito que estejam mais a par da actividade (ou ausência dela) da associação do que nós. De qualquer das formas, a ABZHP terá sido talvez, dentro das que contactamos, a organização que deu uma resposta positiva com maior prontidão, afirmando têm todo o prazer em estar presentes em todas as iniciativas desta índole. Logo veremos.

Mais uma vez obrigada pela atenção e sugestões. Possivelmente, aquando da apresentação do trabalho e do debate, iremos entregar uma espécie de brochura com alguns links importantes no que diz respeito à reabilitação e revitalização do centro histórico do Porto, na qual, com toda a certeza, incluiremos a SSRU. Cumprimentos e continuem, Marta Pereira.

 convite 03

Cara Marta Pereira. Agradecemos a vossa compreensão e o carinho que nos dedicam, ainda que não seja totalmente merecido.

Se a administração da Porto Vivo decidiu enviar a Eng. Margarida Guimarães como vosso interlocutor, as vossas preocupações deixaram de existir, porque (do que sabemos) ela é o único elemento com condições e competência para defender condignamente o CHP. De facto, da equipa que sobrou do antigo CRUARB e que transitou para a SRU, é certamente a única com os conhecimentos e amor à causa suficientes para vos incentivar.

A relação das Instituições com o meio escolar é demasiado importante e com implicações importantíssimas no desenvolvimento do País. Lembramo-nos das nossas visitas de estudo ao Centro Histórico do Porto (há muitas décadas atrás) e do impacte que tiveram nas nossas opções profissionais e de vida, não só moramos como trabalhamos aqui no seu coração (o CHP tem a forma de um coração!). As visitas ao Palácio da Bolsa, ao Museu Soares dos Reis, à Torre dos Clérigos, ao Convento de S. Bento da Vitória e à Cadeia da Relação, à Biblioteca Municipal, ao Mercado do Bolhão, naquele tempo em que percorremos as ruas da cidade, revelaram-se bastante importantes na nossa tomada de posição e na sensibilização que pretendemos fazer à restante comunidade perante as actuais ameaças.

Quanto à ABZHP, foi isso que nos pareceu, que as ‘luzes’ que actualmente incidem sobre ela não vos deixa ver muito para além do facto de ser uma associação que defende os interesses dos seus associados, que são os bares e as discotecas da zona.

Salvaguardar o Património é preservar os testemunhos do passado que dão Memória e Identidade a qualquer cidade, distinguindo-a de todas as outras mesmo quando está inserida num território mais vasto, como é o caso do Porto.

O nosso e vosso trabalho é salvaguardar o património do Centro Histórico do Porto, seja ele social, cultural, arquitectónico, paisagístico, etc. Estejam prontos para quando chegar a vossa vez, ela está aí à porta!

Cumprimentos da equipa SSRU – http://ssru.wordpress.com/

a posição tomada, por ssru

ou as divagações em noite de primavera, por ssru

Um dos últimos artigos publicados no JPN  captou a nossa atenção de uma forma invulgar. Ao reflectirmos um pouco sobre o assunto, após uma acalorada discussão, decidimos por uma tomada de posição sobre a matéria, o que poderá ser considerado um desvio no nosso percurso editorial, ou talvez não!

O artigo da autoria da jornalista Mariana D’Orey refere-se a uma intervenção de rua, expressa no desenho de um pássaro branco, o tsuru, na forma gráfica de origami pintado, elaborado por um escultor de 29 anos, Ricardo Dias, que apresenta os seguintes argumentos:

(…) Se, à primeira vista, pode ser um “trabalho egocentrista”, depois “as pessoas podem retirar alguma conclusão, falar sobre ele”. “Vão-se questionar sobre quem o fez e por que é que o fez”, afirma, justificando a óptica da partilha da arte da rua.

Ainda assim lembra que a sua intervenção outside não têm uma “intenção política”. “O meu trabalho é poético. Não vincula uma ideologia reivindicativa ou reaccionária. É poético, é bonito, fala de uma lenda, a imagem é um pássaro… Onde é que ele intervém na sociedade?”, questiona. Mas a resposta vem célere:

“Intervém porque as pessoas questionam-se, dizem ‘este gajo é maluco [porque] meteu na cabeça que ia fazer mil pássaros’. Eu, aí, já estou a chocar a sociedade, há muitas pessoas que já falam do meu trabalho. Mas é sempre uma intervenção social”, justifica.(…)

Pois… a nossa posição sobre a matéria não pode ser assim tão leviana e frágil! O trabalho, como objecto estético é apreciável, tal como o seria se fosse de facto em papel, ou em folha de alumínio, ou outra coisa…

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Sem grande tolerância dizemos que se trata, aposto nos locais em que se encontra, de lixo urbano, de poluição ambiental, de vandalismo de propriedade privada e pública.

Vejamos um exemplo: o dinheiro dos nossos impostos pagou (e muito bem) as obras de conservação de que o edifício da Reitoria carecia há muito tempo. Ainda fresquinho e o Ricardo foi lá pintar no portão, provavelmente sem pedir autorização (dahh!), o seu ‘objecto de arte’, numerado e tudo. Novamente, sem sabermos quando porque pode demorar alguns anos, o dinheiro dos nossos impostos vai voltar a ser gasto para reparar e pintar o portão onde o Ricardo diz ter feito uma intervenção “poética e bonita”.

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Ó Ricardo, olha que também não é assim que pensam os proprietários dos prédios visados e os responsáveis pelos edifícios públicos em causa.

Queremos no entanto sugerir uma verdadeira intervenção poética, uma causa “à séria”, daquelas que até dá gosto:

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propomos que o Ricardo e todos quantos quiserem, se juntem a nós (claro que iremos disfarçados) e abracemos uma limpeza urbana, por exemplo, da Rua de Cefofeita (tão desgraçadinha!), de toda a parte pedestre, o rés-do-chão de um lado e outro da rua, com os materiais e ferramentas certas que a CMP certamente nos emprestará (tal como fez na Ribeira) e só paramos quando aquilo explodir de tanto brilho. Os comerciantes de certeza que agradecerão, e pelo meio ainda nos servem umas cervejas e umas santochas de presunto para retemperar as forças.

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Aí sim, até dava gosto sentar naquele chão de calcário, estourados de tanto esforço e com os olhos baços, apreciarmos uma verdadeira obra de arte urbana.

Conseguem já imaginar? Conseguem ver a Rua de Cedofeita limpinha e com o sol a aquecer as montras, sem cobertura nem nada…?

e… por vezes acontece, por ssru

Por vezes, de tanto desejarmos, julgamos que por esse motivo as coisas acontecem. Neste caso não nos podemos queixar uma vez que as nossas ’súplicas’, ainda que timidamente, foram atendidas.

Referimo-nos aos factos que a rubrica “tolerância zero” tem vindo a revelar e que no artigo o limite expectável recomendámos uma inversão na atitude seguida até aqui pela Porto Vivo e pelos serviços camarários: as placas de obras começaram a surgir.

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Lamentavelmente… sim (repetimos) lamentavelmente, até temos razão nas nossas afirmações. As obras que decorrem estão a ser efectuadas sem licença ou alvará de construção. Sem dúvida, para além do desrespeito pela legislação em vigor, nomeadamente pela “Lei do Património”, estamos perante um caso de violação das regras da concorrência.

Queremos com isto dizer que uma empresa (qualquer que ela seja), aproveitando-se de um expediente ilegítimo obtém um proveito (e um currículo), que uma sua concorrente não possuirá apenas pelo simples facto de ser cumpridora.

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Mas, não fugindo nunca à nossa natureza intervencionista, gostaríamos de colocar duas questões a quem, por dever obtido pelo sufrágio popular, certamente nos concederá o privilégio:

1 – Se as obras não estão licenciadas (conforme diz a placa) porque razão se encontra o andaime a ocupar o passeio? Será por existir autorização camarária nesse sentido, algo que não deveria acontecer (conforme se lê no Código Regulamentar)? Ou por a CMP desconhecer e não fiscalizar (ou condescender, por ser para quem é), que igualmente não poderia acontecer?!

2 – A publicidade que se encontra colocada nos andaimes está sujeita a taxa municipal. Essa taxa foi cobrada?

Estamos certos que todos compreenderão que, apesar destas parecerem questões de somenos, levantam interrogações que colocam as práticas actuais num prato da balança de onde nunca deveriam ter saído.

as notícias diárias, por ssru

Apenas a generosidade da jornalista Joana de Belém e do Diário de Notícias, torna possível incluir este modesto sítio no lote dos excelentes blogues que discutem a Cidade do Porto, com a alma própria de quem é “mui nobre e invicto”. Foi o que aconteceu na passada segunda-feira, 27 de Abril, numa notícia de página inteira mostram-se os vários sítios onde se pretende falar verdade, onde se sente o pulsar, a vida das cidades de Lisboa e do Porto.

Reparem bem, estar entre os melhores blogues como a Cidade Surpreendente e a Outra Face, a Baixa do Porto, as Casas do Porto, o Não-Lugares no Porto, as Ruas da Minha Terra e outros, é motivo de grande orgulho para nós e um incentivo para continuar.

Para além da troca completa de correio electrónico que vos deixamos abaixo, fiquem ainda com a versão impressa do Norte e do Sul e com mais dois links da página online [1] e [2] do Diário de Notícias.

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DN/Joana de Belém: Antes de mais, pedia alguns dados sobre as pessoas que escrevem o blogue (no caso de quererem divulgá-los, obviamente), como a idade e profissão. O que motivou a criação de um espaço tão específico como este, onde o assunto é o Porto? Apesar de ter lido a vossa declaração de princípios, gostaria que expusessem os objectivos da ssru. Manter este blogue é uma forma de exercer a cidadania? Qual a importância de manter este meio de informação? Resume-se a um prazer ou pretende contribuir para a discussão da cidade?

Enquanto cidadão/s do Porto (presumo que morem na cidade), quais assinalariam como os seus grandes problemas?

 SSRU: Agradecemos a atenção que nos dirige, mas como perceberá preferimos canalizá-la para os problemas que vivemos, para o Centro Histórico do Porto, como se de facto este fosse uma entidade com personalidade jurídica a quem violentam e desprezam, a quem subtraem os direitos e hipotecam o futuro.

Se este núcleo do Porto já sofreu muitos atentados no passado e sobreviveu, terá sido à custa da obstinação daqueles que resistiram. Se o CHP consegue resistir é porque a sua qualidade é tal que a destruição a que assistimos não consegue derrubá-lo, como em muitas outras cidades deste País ou como muitos outros Patrimónios da Humanidade. Por isso deve ser preservado.

Falar de nós será fácil e desinteressante: quatro amigos e vizinhos que vivem e trabalham no coração da Cidade e que se cansaram de assistir passivamente à degradação ignorante e selvagem de um património que deveria pertencer a todos. As idades variam entre os 35 e os 45 anos e as profissões são diversas: uma jurista/investigadora, uma assistente social, um arquitecto e um economista/empresário.

Avançamos para esta empreitada em “part-time”, porque nos encontramos apenas quando é possível, sobretudo ao fim-de-semana, o que nos constrange bastante uma vez que a velocidade a que tudo acontece é muito superior à nossa capacidade de reacção.

Para reagirmos a uma notícia ou ao lançamento de uma proposta (como o Plano de Gestão do CHP) temos que estudar para podermos concordar ou argumentar contra. Quando recebemos uma dica ou uma informação, independentemente da sua importância, obrigamo-nos a verificar a sua veracidade para não cairmos em descrédito o que aliado ao anonimato seria imperdoável. O anonimato é, assim, um preço altíssimo mas o único que podemos pagar por agora.

Como leu a nossa declaração de princípios, particularmente no segundo perceberá que não promovemos ninguém, não procuramos emprego, não pretendemos um cargo político, não esperamos vantagem económica com a nossa intervenção. Sobretudo não somos a ’sociedade sombra’ da Porto Vivo SRU!

Assistimos passivamente à extinção das poucas instituições que ainda zelavam pelo CHP – como o CRUARB e a FDZHP, com todos os erros e limitações que estes cometeram – e que foram substituídas (?) por uma que não faz uma décima parte e que é igualmente depende do financiamento público como as anteriores, razão pela qual aquelas foram extintas, transformando tudo isto numa falácia.

As associações do CHP, as recreativas, musicais, desportivas, etc., quase desaparecem, lutando com a falta de apoio e atenção da autarquia que desvaloriza o papel social destes grupos, enraizados na comunidade, onde só a carolice não é suficiente.

Sobressaem os BARES da Zona Histórica!? Consegue perceber o enorme erro de tudo isto?

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Consideramos ser um dever nosso, enquanto cidadãos mais atentos e sensíveis aos problemas do Porto, temos o dever, diríamos, a obrigação solene, de lutar por um lugar melhor e alertar os restantes membros da Comunidade para esses problemas, a maioria deles extremamente básicos como o direito à habitação; ou outros mais rebuscados para certas mentalidades, como o direito ao património cultural comum.

A nossa entrega não é perfeita, não é totalmente altruísta. Também pretendemos a redenção por termos ficado tanto tempo passivamente silenciosos, pouco mais fizemos para além do normal papel de cidadãos civilizados.

De todos os nossos declarados princípios, o mais difícil de cumprir é certamente o primeiro. Sobretudo porque temos consciência que o maior de todos os problemas do CHP e do Porto é: a dificuldade que os dirigentes da Cidade têm em reconhecer que o Porto tem uma gravíssima questão social por resolver.

o limite expectável, por ssru

Certamente por coincidência, foi colocada o mês passado (e após o nosso reparo), num edifício da Rua de Mouzinho da Silveira - Quarteirão Porto Vivo, uma daquelas placas previstas na legislação, de que falámos num artigo anterior.

Trata-se de um prédio bastante degradado, confrontante com outros que têm sido alvo das nossas observações, que se encontra devoluto e onde as obras de reabilitação ainda não tiveram início. Ou seja, excluíndo a ausência desta placa publicitária de obra, prevista no RJUE, tudo se desenrolou dentro da legalidade, aparentemente.

Assim, é possível à ‘Humanidade’, ‘dona’ deste património, perceber que: a 17 de Janeiro de 2008 (há 16 meses atrás) deu entrada na Porto Vivo um processo de licenciamento de obras de alteração e ampliação, cujo número é o 005/08/SRU. E ainda que se encontra em fase de apreciação, não se encontra licenciado.

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Por todas as razões anteriormente expostas e ainda por questões de transparência, ou por exemplo, para informação de possíveis interessados em investimentos num caso concreto como este, etc.,  seria desejável que esta conduta fosse urgentemente alterada e todos os edifícios que se encontram com obras ou com pedidos de licenciamento cumprissem a legislação.

Contudo, alguma justificação deverá ser apresentada para os casos de edifícios dentro dos quarteirões prioritários da Porto Vivo, em que já se realizaram as obras de reabilitação, respeitando ou não (?) o documento estratégico aprovado, uma vez que este modelo de gestão urbanística muitas vezes nos sugere tratar-se de um cheque em branco que a Cidade passa à Sociedade de Reabilitação Urbana.

O que tudo isto nos leva a concluir é que, tal como a Câmara Municipal do Porto, a Porto Vivo enferma de um mal que nos deixa bastante desconfortáveis: não possui uma fiscalização eficaz que salvaguarde o Centro Histórico do Porto do livre-arbítrio e da insensatez.

a primeira análise, por ssru

O nosso primeiro inquérito dizia: “A votação é livre e sem encargos, mas não se deseja que seja inócua”.

Nem poderia ser porque a pergunta que colocámos era demasiado importante e cheia de intencionalidade:

CONSIDERA QUE O PORTO TEM O CENTRO HISTÓRICO QUE MERECE?

De facto, o objectivo principal era estabelecer o nível de atenção e sensibilidade dos visitantes deste sítio para o estado em que se encontra o Centro Histórico do Porto, ainda que estes sejam apenas uma minoria da população (a maioria não frequenta a internet e quando o faz não é propositadamente para esta temática).

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Os resultados contrariam o sentimento – de grande parte desta equipa – que andamos todos desatentos ou iludidos pela propaganda oficial, que nos pretende convencer que a reabilitação urbana (a verdadeira) se encontra no terreno de forma irreversível. Bom, irreversível é o tratamento que tem sido dado ao carácter patrimonial dos edifícios, mas isso dará um novo artigo.

Para uma amostra de 100 votos registámos os seguintes resultados:

não, ainda vejo tanto por fazer! …………………………………………………….. 94%

sim, vejo que já foi feito bastante! ………………………………………………….. 4%

não sei, ando desatento! …………………………………………………………………. 2%

Insistimos numa Reabilitação Urbana Integrada como única proposta de Construir Futuro para o Centro Histórico do Porto. O tempo tem-nos dado razão, malgrado a nossa vontade para que tudo mude e aconteça. E enquanto isto, já alguém se perguntou o que é que tem feito a Porto Vivo, a Câmara ou o IGESPAR?

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Veremos o que eles dizem…

o dia nacional, por ssru

Em reunião extraordinária, a administração da SSRU aprovou por deliberação unânime decretar o dia 1 de Abril, o “Dia Nacional das Cidades com Centros Históricos Degradados”.

Ao contrário do dia 28 de Março, em que se comemora o “Dia Nacional dos Centros Históricos”, desde que este foi instituído em 1993 num convénio celebrado entre o Governo e a Associação Portuguesa de Municípios com Centro Histórico, o nosso objectivo é assinalar a passagem de mais um ano sobre a degradação de um património comum, quase sempre de forma irreversível.

Do mesmo modo neste dia pretendemos chamar à atenção para o estudo e a reflexão sobre a importância da reabilitação dos centros históricos degradados, para a preservação possível da coesão social e para a manutenção da identidade das terras, para as formas viáveis de combate ao aumento da degradação patrimonial do edificado.

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1 de Abril é sem dúvida o dia adequado para a efeméride uma vez que vivemos A GRANDE MENTIRA: que reside no esforço que os nossos dirigentes anunciam empregar na preservação do Património Mundial, quando as provas inegáveis indicam o contrário.

Demandamos uma Reabilitação Urbana Integrada, sem descurar a reabilitação social dos grupos desfavorecidos que habitam as zonas degradadas do núcleo urbano, a formação profissional, a formação cívica, a escolaridade, os espaços de lazer e desporto, o direito a uma habitação condigna, salubre e dimensionada às necessidades básicas de hoje.

Fazemos este convite a toda a Blogosfera Nacional para se juntarem a nós no próximo ano, assinalando da forma mais conveniente (aceitam-se sugestões) a necessidade e o direito a um centro de cidade reabilitado, um CENTRO HISTÓRICO VIVO. chpvideo-001

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a cidade, por albano martins

Uma cidade pode ser apenas um rio, uma torre, uma rua com varandas de sal e gerânios de espuma.(...) Uma cidade pode ser um coração, um punho.

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