o sério sacripanta, por ssru

Haverá para uma maioria inúmeros motivos para apreciar Rui Rio, tantos quantos para uma minoria o desprezar. Na verdade, a nossa opinião sobre o indivíduo é bem conhecida dos estimados leitores que nos acompanham desde sempre. O que pior caracteriza a linhagem de políticos (e não só) como os que agora temos, é a sua entranhada incultura. Para melhor definir um ser ou povo não bastará a quantidade de conhecimento, mas antes a qualidade do saber e, sobretudo, será a sua cultura que o fará sobressair dos demais. Pois, dificilmente nos cruzamos com um político como Rui Rio nos Lugares de Cultura como Serralves, Casa da Música, Teatro Nacional de São João ou TeCA, Casa das Artes, Coliseu, Museu Soares dos Reis ou tão só a Livraria Chardron. E olhem que a culpa não é nossa, pois bem tentámos!

Verdadeiramente insuportável é o cinismo e a hipocrisia de se achar para além do político que é, como se pairasse numa nuvem etérea acima da mole de privilegiados, da qual sempre fez parte e com a qual sempre usufruiu de mordomias, como um regurgitado sucedâneo do sistema politico que sempre criticou. Sim Nuno, é verdade, que se parece com Sócrates mais do que com qualquer outro e por isso vejam onde estamos agora!

um homem sério, digam o que disserem os tribunais, dactilógrafo, 4 de Novembro de 2014.

Quando, mais meses menos dias, os opinadores e os partidólogos do socretinismo (re)começarem a montagem do cenário para transformar o energúmeno em líder do PS com D e, consequentemente, em primeiro-ministro, ninguém evocará o tema do Aleixo. Nem as distintas formas de gestão “séria” do Rivoli, da Águas do Porto, da Porto Lazer, dos mercados municipais, do pavilhão Rosa Mota, dos terrenos da Casa da Música. O tribunal permite-nos dizer que Rio é energúmeno, mas a inteligentzia não nos deixa beliscar a seriedade do autarca. Um homem que leva as contas públicas como quem gere o orçamento familiar, com a austeridade dos bem formados, confiando nos amigos, também eles tão sérios.

Quando este momento da elevação do energúmeno a Sebastião (com laivos de rei enevoado, marquês pós-terramoto ou até santo do caravaggio) a ninguém chocará que um dos envolvidos no maior negócio do final do mandato do energúmeno seja representado pelo seu chefe de gabinete. Todos ficarão sossegados ante as garantias de rigor da peça talhada no Colégio Alemão. Este homem não é um político, é um BMW que há-de funcionar a vida inteira sem precisar sequer de mudar o óleo.

E isso vai acontecer desde logo porque dentro das máquinas partidárias que sustentam estes personagens ninguém se choca com a paisagem. Nem sequer dizem “it’s a son of a bitch, but it’s our son of bitch!” porque, para o ecossistema socretinista que se apoderou dos partidos da (des)governação, este é o normal. É uma questão de fé e clubismo.

Fora do próprio partido, quem se dará ao trabalho de desmontar o Leviatã? Os Okupas do Bloco?, essa cambada de punks mal lavados que não tem a mínima ideia do que é gerir uma cidade? Ou os desiludidos do PC? Que até estiveram na coligação que permitiu ao energúmeno levar a coisa por diante?

Dirão, como dizem agora os tipos do PP espanhol, que tudo foi feito para eliminar a corrupção. Aliás, quem ousará proferir uma tal palavra nos arredores da herança do energúmeno? Porque todos sabemos que “corrupção” é uma coisa suja, em que alguém ajusta ou contorna as regras e os princípios para assegurar um benefício próprio ou a outrem. Rio, digam o que quiserem os tribunais, nunca fez nada mais que não fosse no interesse público e nunca favoreceu a outros que não fossem os cidadãos da Invicta.

sacripanta-02

Anúncios