o branqueamento irreversível, por ssru

vista aérea do porto dos anos trinta do século xx, anterior ás grandes destruições @ foto beleza

vista aérea do porto nos anos trinta do século xx, anterior ás grandes destruições @ foto beleza

Afinal, onde é que nós íamos? Ah, aqui está, repescada do baú, uma crónica de Hélder Pacheco publicada pelo JN há cerca de dois anos atrás, da qual queremos apenas reter o conteúdo pois não estamos nada interessados que fiquem a pensar que temos algo contra a pessoa. Na imagem abaixo encontram todo o texto mas o extracto que fazemos é suficiente para perceberem a importância da distância que os cronistas da história da cidade devem manter entre a escrita e o estômago [aviso: alteramos a apresentação gráfica da crónica de uma para três colunas por se adequar melhor à imagem deste blog, mas não mexemos no texto! Ele é todo original]:

“E avançou agora com a inauguração da Praça das Cardosas, cereja no coração do bolo desta reabilitação exemplar daquele quarteirão, cuja audácia exige coragem e perseverança, como a cidade há muito não via. Talvez desde João de Almada, quando a Praça da Ribeira, a Rua de S. João e S. Domingos foram rasgadas. Desde que Pinto Bessa avançou com Mouzinho da Silveira e a Rua Nova da Alfândega. Desde que a Câmara da “Lista da Cidade” lançou as bases da 1ª República e concretizou a Avenida Central que o Porto não assistia ao aparecimento de obra tão essencial ao seu Renascimento, tão susceptível de promover dinâmicas sociais e comerciais que transformem a Reabilitação da Urbe de aspiração em imperativo.”

Hélder Pacheco tem razão quando diz que esta é uma obra irreversível, para vergonha de todos os portugueses, quiçá da Humanidade. Atrevemo-nos até a afirmar que Rui Rio e a sua gestão autárquica representarão, no contar da história deste Povo, uma catástrofe com verosimilhanças próximas das provocadas pelas tropas de Napoleão quando as Invasões Francesas atingiram o Porto e Soult, Duque da Dalmácia, incendiou e varreu a cidade para a morte nas barcas, há pouco mais de 200 anos. Qualquer dia ainda ouvimos alguém dizer que no tempo de Salazar é que era bom! [ironia]

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O “poder instituído” procurará sempre, tal como no passado, uma forma de branquear as suas actuações. Assim, nada melhor do que inventar um “Prémio Nacional de Reabilitação Urbana” para credibilizar os recentes “tsunamis”, premiando as intervenções catastróficas que dizimam os Centros Históricos classificados, que no caso do Porto se encontra inscrito na “Lista do Património da Humanidade”. Bastará olhar para a lista dos premiados para perceber quantos daqueles se podem considerar verdadeiras reabilitações patrimoniais, tal como as convenções internacionais, que Portugal assinou, assim o reconhecem. Reparem como os autores desta escandalosa intervenção nas Cardosas, foram duplamente premiados com o excelente trabalho [ironia] desenvolvido no Mercado do Bom Sucesso, quer ao nível patrimonial, cultural, social ou económico. Significa isto que quem está errado somos nós, que não percebemos o “irreversível Renascimento do Porto”.

Sabemos que esta turba de medíocres que decide as nossas vidas, é preguiçosa e nem sequer se dá ao trabalho de investigar seja lá o que for, mas bastará levantarem os olhos e verem estes dois exemplos, lado a lado, no mesmo Quarteirão Prioritário:

- do vosso lado direito um trabalho realizado por uma equipa de jovens e dedicados arquitectos que, relendo o edifício do século XIX e mantendo ao máximo a sua autenticidade, souberam proteger o investimento do cliente particular;

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- do vosso lado esquerdo uma pseudo-reabilitação com traços artísticos indeterminados, projectado por uma “velha” equipa do sistema, após uma destruição quase total dos edifícios existentes (com pormenores de limitada inteligência como fazer um túnel que desemboca contra um muro de granito) e que reinterpreta de uma forma mordaz os cheios e os vazios, as varandas, os elementos estéticos, etc. fruto de um investimento apenas comparável à profundidade do parque de estacionamento cavado no interior do quarteirão – ou seja, Fundo e pago por todos nós.

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Nada justifica tal opção de ignorância tamanha, mas ainda assim seria possível encontrar alguns argumentos caso a destruição que aqui teve lugar, resultasse num edifício singular como a Estação de S. Bento ou a Casa da Música. Mas não, é irreversível! Agora, restam-vos apenas os nossos “perdigotos da maledicência”.

a banalização do mal, por ssru

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 E pur si muove!1

1 No entanto ela (a Terra) move-se

 Do ponto de vista simbólico, esta frase sintetiza a teimosia das provas científicas contra a censura ou a quintessência da rebelião científica contra as convenções de autoridade e dos interesses dos maus poderes em cada circunstância. Conta-se que foi pronunciada por Galileu Galilei para reafirmar o seu conhecimento científico de que a terra gira em volta do sol e não o contrário, como queriam obrigá-lo a reconhecer.

A intervenção no quarteirão das Cardosas (no centro histórico do Porto) o maior exemplo de destruição e demolição intencional em património classificado e protegido ao mais alto nível (património mundial da UNESCO) em Portugal, foi sintomaticamente premiado pela Revista Vida Imobiliária como bom exemplo de Reabilitação.

Esta intervenção no quarteirão das Cardosas, agora premiada, e reprovável a todos os títulos, foi realizada sob o slogan: “Cardosas, construímos hoje o património do futuro”. Um júri constituído quase exclusivamente por pessoas vindas de sectores que não o do património ou o da REABILITAÇÃO, e, portanto, longe de serem especialistas, entendeu premiar esta intervenção. Existe um pudor e uma ética que nos deve inibir de avaliar publicamente aquilo para o qual não temos conhecimento específico reconhecido. Existe também uma regra, além das questões éticas e da praxis. Assim funciona a avaliação de mérito em instituições sérias e rigorosas, nacionais e internacionais, respeitadoras do estado do conhecimento e das boas práticas adoptadas internacionalmente relativas às matérias em apreço. Os prémios geralmente destinam-se a premiar o que se distingue positivamente e não o contrário. Estamos pois perante uma inversão perigosa de valores e uma manipulação grave dos conceitos e do léxico da conservação e da reabilitação das cidades históricas, sem reação ou contraditório visível, o que nos confirma talvez que vivemos de novo em tempos sombrios. Os tempos sombrios, definidos por Hannah Harendt são aqueles em que se perdeu a capacidade de pensar criticamente e de exercer a capacidade de julgar, dando assim lugar à possibilidade da banalidade do mal. O mal na pujança da sua normalidade, o que permite tudo sem um julgamento, como se fosse banal. A incapacidade de estabelecer juízo crítico é um atributo dos tempos sombrios que amesquinham o interesse público, que o corroem por dentro com as faltas de credibilidade, com governos invisíveis, com discursos que não revelam o que são, degradando a verdade. Tudo isto se passa agora nas nossas cidades históricas e no património arquitectónico e urbano. Esta incapacidade ou negação objectiva para exercer o julgamento ou o juízo crítico permite que tudo seja reduzido ao discurso promocional imobiliário e tudo vale! Eis a banalidade do mal no domínio da conservação e da reabilitação das cidades históricas. O prémio imobiliário agora atribuído à intervenção realizada no quarteirão das Cardosas, não é um prémio para distinção de boas práticas em reabilitação de cidades históricas porque justamente esta intervenção viola todas, mas todas, as regras e boas práticas nacionais e internacionais reconhecidas pelos especialistas, universidades, e pelo ICOMOS e UNESCO e às quais o Estado português está obrigado por força dos seus compromissos e da legislação em vigor no nosso país. O ICOMOS Portugal promoveu de resto em Outubro de 2013 um encontro nacional sobre este assunto, com uma participação institucional e cívica alargada, e onde se demonstrou que há alternativas a este modelo imobilista, velho e errado, técnica e cientificamente, que se insiste em aplicar na gestão das cidades históricas, o que ainda é mais grave quando elas, as cidades, são um património da humanidade.

E pur si muove: A verdade do conhecimento científico e das boas práticas reconhecidas a nível internacional contra a banalidade do mal dos nossos tempos sombrios.

O Conselho de Administração

ICOMOS Portugal

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O comunicado que o ICOMOS Portugal teve a simpatia de nos remeter, aqui acima exposto, veio reforçar a nossa percepção que, da sua parte não desistirá tão facilmente de cumprir as suas responsabilidades na defesa do Centro Histórico do Porto, em particular e na salvaguarda do património classificado, em geral. Julgamos tratar-se do único organismo que o tem feito publicamente, de forma sistemática e responsável, apresentando os argumentos que corroboram o seu discurso directo, em confronto claro com as práticas que se instituíram nos últimos doze anos, esta forma medíocre de ver e transformar a cidade.

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Por várias vezes relatamos aqui neste sítio, a morbidez que nos assalta ao assistirmos a este silêncio ensurdecedor, que quer colectiva como individualmente, insiste em permanecer. Não se ouve um qualquer Pritzker, uma qualquer ordem profissional, um professor ou qualquer uma das Faculdades da cidade, ou qualquer Universidade, não se sente um historiador ou um arqueólogo, alguém com elevação suficiente de voz que conteste publicamente as intervenções que abalroaram o CHP nos últimos anos. Dizem-nos que na FAUP se tem falado, mas em surdina. Os interesses particulares de toda esta gente parecem ser superiores ao interesse público que está aqui em causa.

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A Porto Vivo, a maior responsável por este crime patrimonial, julgou ensaiar o discurso da descredibilização do ICOMOS (se isso fosse sequer possível!), talvez como único recurso para refutar a transparente evidência do mal por este apontado e logo com os dedos enfiados pela ferida adentro. Em resposta ao primeiro relatório de 2012 sobre o quarteirão das cardosas, enviado à UNESCO, a SRU preferiu defender-se recorrendo à catedrática sabedoria de Hélder Pacheco (?), que coadjuvou a elaboração de uns desconexos e miseráveis cartazes, expostos na passagem para o interior da nova praça, precisamente onde antes existia um edifício saudável, que foi totalmente destruído. Para além de ter sido bem pago por tal trabalhinho, Hélder Pacheco tem tido assento num lúgubre conselho consultivo da Porto Vivo, do qual não há memória, chegando ao ponto de numa das suas crónicas do JN (que havemos de recuperar), ter comparado Rui Rio e a sua gestão, ao período de ditadura da transformação urbanística do Porto, imposta pelos Almadas.

E pur si muove: A verdade é que o mal se banaliza, porque a cidade está carregada de “homens pequeninos”!

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a moda da invicta, por ssru

O Francisco é um rapaz nosso amigo, quase desde o início desta jornada e tem-nos acompanhado com os seus poemas lancinantes. O texto que nos escreveu há 3 anos atrás ficou emaranhado neste abstruso alinhamento editorial que é o nosso. Sem preocupação, tudo aquilo que vem escrito adequa-se perfeitamente ao tempo de hoje pois fala-nos de uma cidade que ele e nós adoramos, mas que não queremos perder de mão-beijada. Estas palavras do Francisco também são para vocês pois são intemporais.

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A cidade do Porto vive actualmente um enorme flagelo,

está na moda!

Os turistas low-cost, os pseudo estudantes universitários, a destrutiva noite da Baixa.

As Casas de Cultura estão vazias de efectivo valor ou fechadas a círculos de amigos que se convidam e elogiam mutuamente, apresentando ou repondo banalidades ou realizações inatingíveis, de tão presas ao seu umbigo.

Todos se dizem abertos à cidade, à sua população, mas onde é que ela está?

Está na moda, e tudo o que está na moda sofre de vazio.

A moda, ou o estar na moda, é uma falsa visão e vivência de algo, que pouco dura, que suga, e que alimenta só alguns, sanguessugas, indiferentes ao valor intrínseco da vítima.

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No pouco que acontece fora de moda encontramos sempre os mesmos, uma espécie de turma decadente, que alinha, dizendo-se contra. Essa contra-cultura que deixou de o ser porque na sua representação microscópica também está na moda ou imbuída do natural egoísmo e vaidade que caracteriza os artistas em geral, e que, neste caso de urgência, até podia ser válida se poeticamente terrorista.

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Tudo se banaliza nesta corrente destrutiva, os locais históricos e com estórias estão vazios, ou com meia dúzia de velhos, esses sim, pessoas ainda interessantes mas que necessitam de outras companhias pois o enriquecimento do ser e da vida, faz-se da mistura de tudo e de todos e não do elitismo, mesmo que não forçado.

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Outros, por falta de público, de matéria-prima, vão fechando, e, ou ficam a cair aos pedaços, ou são transformados em espaços banais, modernos, franchisados, sem qualquer alma, sem vida e/ou ligação ao espaço onde estão e à história que transportam, salvo o habitual quadro na parede com uma fotografia da Ribeira do Porto, ou da Ponte D. Luís I.

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O facto da Cidade do Porto estar na moda, faz com que todos falem nela, interessados não no conteúdo, mas no proveito que podem retirar de assunto tão in.

Esta realidade fez com que outra surgisse, então temos que todo o Portugal fala bem do Porto, dizem agora que no Porto é que é, e vêm nele a salvação para os seus anseios perdidos, num Portugal perdido.

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Muitos são os que vêm para cá à procura de tal milagre, mas depois, ou ele não acontece, ou passam a ser só mais uns, parte do rebanho que o suga e destrói.

Muitos há que por troca de algum favor, ou simplesmente por serem politicamente alinhados, estão à frente de instituições e/ou património de valor incomparável. Mas não sabem, obviamente, dar-lhes vida, sendo que na maioria dos casos retiram, ocultam, ou mal tratam, o que graças a uma Cidade Monumental, já lá estava.

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Não importa dar exemplos, seriam redutores face a tão enorme praga.

No Porto, até o chão que pisamos é belo e valioso.

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Convém não esquecer, que por detrás desta moda, estão meia dúzia de senhores, que vão alastrando os seus tentáculos mafiosos e os negócios sujos, retirando da cidade e principalmente da Baixa, o seu comércio tradicional. Da mesma forma que se retiraram os seus habitantes, por interesses imobiliários.

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Esse comércio tradicional, que como sabemos está na base da própria existência da Invicta, característico e caracterizador de cada zona da mesma, é uma herança que vem percorrendo famílias ao longo de muitas gerações, pessoas que conhecem bem o que vendem e sabem do que falam, respeitam a zona, a rua, os vizinhos e até os concorrentes, para não falar da forma ainda humana como atendem os clientes.

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Tudo isso está a perder-se, dia após dia.

A Cidade do Porto está a perder o que mais a caracterizava e a distinguia.

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Sempre fomos avessos à mudança:

A quando da construção do Coliseu, dizia-se: que feio arranha-céus, para que servirá? Sou contra!

A quando da colocação da escultura do Cubo, na Praça da Ribeira, a maioria foi contra, o que é esta coisa? Estou contra!

No lugar da Casa da Música preferíamos a antiga garagem dos Eléctricos….

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Infelizmente, o que exponho neste sentido texto, não se trata desta característica de teimosia, tão portuense, bem como a irreverência, o Porto e a sua população sempre foram irreverentes.

Aqui nasceu Portugal, aqui nasceram as grandes revoluções e mudanças que o país viveu, aqui nasceram a maioria das mulheres e homens de mais rica alma, aqui é Norte, é Porto e é suficiente.

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Estar vivo é mudar e a Invicta está viva, sobreviveu a muitas gerações de homens sem carácter, e a muitas investidas de bárbaros invasores. A sua idade faz deste tempo um só dia e o amanhã virá.

As modas felizmente passam e os nomes não são puros acasos, este é o seu:

Para sempre Nobre e Leal, Invicta Cidade do Porto!

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Francisco Félix, 23 de Outubro de 2011, Porto.

as mentiras renovadas, por ssru

A 1 de Abril (dia das mentiras) assinalamos o “Dia Nacional dos Centros Históricos Degradados”. Passar mais um ano a relembrar o estado de degradação criminosa do Centro Histórico do Porto, sem que nada se tenha feito de concreto para estancar tal desventura, é tarefa penosa para esta Administração. Ao contrário da Porto Vivo, a SSRU usa a Verdade como instrumento na salvaguarda do património histórico do núcleo urbano mais antigo da Cidade do Porto.

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Como sabem, a Porto Vivo foi criada por Rui Rio tendo como pressupostos um conjunto de grossas mentiras, algumas delas tão bem sintetizadas pelo actual Vereador do Urbanismo, o qual convém sempre relembrar:

  • “(…) nasce a “SRU Porto Vivo” também por decreto mas… com pouca memória e, sobretudo, com uma dose inacreditável de auto-suficiência e voluntarismo, próprios de quem nutre um supremo desprezo pela história e pela experiência! Convém lembrar que, para trás, estavam 30 anos de CRUARB (sob todas as suas formas, e foram muitas e, até, contraditórias!), dezena e meia de anos de Porto Património Mundial, uma dezena de Cimeira Ibero-americana, outros tantos de Polis, de Porto 2001, de Plano de Pormenor das Antas, de Metro do Porto, de Euro 2004 e, ainda, de alguns outros momentos (e projectos) em que a cidade se viu em transformação significativa e (pelo menos) se questionou a si própria! (…) De facto a acção da SRU-Porto Vivo, assentou, desde a nascença, numa política de “tábua rasa” que significa a destruição duma metodologia que tinha por base o estudo caso a caso e, pelo menos, a (desejada) integração de todos os problemas (sociais, culturais, políticos, urbanísticos e patrimoniais) nas soluções (…)”.

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Uma das grossas mentiras que serviu de base de sustentação para a criação da SRU foi a muito propagandeada auto-suficiência económica, em contraponto com a dependência económica das instituições que se disse ter vindo substituir, nomeadamente o CRUARB e a FDZHP. Para os mentores da nova e eficaz máquina de produzir mentiras, fazer-se um contrato de arrendamento a 30 anos com direito de preferência do inquilino sobre o imóvel, estabelecendo assim um contrato social para a permanência da população residente, era uma heresia que tinha de ser arrasada. Dizia um bom amigo de Rui Rio: “qual é o pai com posses que não há-de querer ver o seu filho morar aqui num destes apartamentos com vista para a cidade, em vez desta gente?!”

Uma década após a sua aparição, sob um vergonhoso manto de duvidosa gestão e com um passivo exorbitante, o melhor que a Porto Vivo nos consegui oferecer foi uma Grande e Renovada Mentira: “Porto recupera metade da Baixa numa década” – este é o título da notícia que encomendaram ao JN, em jeito de balanço, para publicar no mesmo dia da Assembleia Geral, a 28 de Março de 2014. Toda a notícia carece de confirmação: desde logo como é que se chegou a mais de 700 milhões investidos em reabilitação; quais as 162 unidades hoteleiras e destas quantas estão legalizadas; como se justifica a tendência para projectos de unidades hoteleiras quando a realidade mostra antes uma preferência por habitação em tipologias pequenas, que eventualmente podem ser transformadas em alojamento turístico ou não; o número de processos entrados aparece como sendo novos projectos, mas comparando com a CMP esse número é impossível; como se consegui o valor de 131,9 milhões de euros em transacções de imóveis na Baixa… alguém se digna responder a isto?! Perguntámos às pessoas mais insuspeitas o que pensavam do título da notícia e o mais caricato é que já nem se riem com os disparates que lêem. Diziam um impropério e encolhiam os ombros em sinal de indiferença. Já todos perceberam que a Porto Vivo é um problema e nunca será parte da solução. Solução é algo que parece não existir para os inesgotáveis adiamentos de Assembleia Geral da SRU, pois já vão no quinto impasse e ninguém mostra interesse em resolver tão absurdo assunto.

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No dia 29 de Março de 2014, festejou-se o “Dia Nacional dos Centros Históricos” e o actual executivo está de parabéns pois conseguiu o feito inédito de juntar um mar de gente a festejar uma cidade que está na moda, como se de um S. João se tratasse. Ainda bem que ninguém reparou que a festa decorreu numa rua nobre onde se cometeram os maiores erros urbanísticos de que há memória. Comparado com isto o caso “Porto2001” ou a Avenida dos Aliados, é uma obra-prima.

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a felicidade de ser porto, por ssru

A felicidade de ser Porto, de ter no coração todos aqueles sorrisos que tão bem conhecemos – olá Joana e Sofia, estão tão lindas – que bem que vos ficam assim rasgados, nós ainda havemos de vencer. É promessa, vocês vão ver!!!

a fractura exposta, por ssru

A fractura está exposta e já com uma sutura de 17 pontos, mesmo sem ter ocorrido a indispensável cicatrização. Julgamos, por isso, ser da máxima importância para todos os portuenses, conhecer aquilo que pensa o novo Vereador do Urbanismo da Câmara Municipal do Porto sobre a reabilitação urbana, sobre as experiências dos últimos anos, quais os contributos para alterar o caminho do abismo e empreender a recuperação económica da cidade. Avisamos de antemão os leitores da “Universidade Relvas” que, não sendo possível fazer um “apanhado” que permita perceberem a maior parte do que aqui vem escrito (mesmo por equivalência), deverão para tal ler todo o texto, dando especial atenção ao nosso sublinhado, que dedicamos aos colaboradores e à Administração da Porto Vivo e ao Dr. Rui Rio (onde quer que esteja). Esta apresentação foi feita num seminário que decorreu em Lisboa a 26 de Outubro de 2010, promovido por um fabricante de revestimentos cerâmicos.

Manuel Correia Fernandes, Arquitecto

A reabilitação na cidade do Porto (em 17 pontos)

 “A reabilitação na cidade do Porto – uma experiência” ou, ainda,

“A reabilitação urbana e a recuperação económica”.

 1.

Todos conhecemos os antecedentes próximos do tempo que agora vivemos. Em Portugal e na Europa e em muitos outros locais onde a questão se colocou. E todos estamos de acordo em que é necessário reabilitar. Seja qual seja a razão a verdade é que as cidades que temos (e temos cidades milenares!) chegaram até nós porque foram sendo sucessivamente e sistematicamente reabilitadas. E também sabemos que isso aconteceu porque isso foi sempre uma tarefa assumida pelos próprios cidadãos.

2.

A questão da reabilitação é, em rigor, um tema que nasce com a “revolução industrial” e com o consequente e (até hoje) contínuo crescimento brutal das cidades. Com efeito, ainda a dita revolução ia no princípio e já os malefícios desse crescimento se faziam sentir. A verdade é que entre soluções filantrópicas e utópicas, autoritárias e revolucionárias, nunca foi encontrada a via certa e entre Owen, Fourier, Haussman e outros exemplos históricos, chegámos à cidade modernista – a da Carta de Atenas que é ainda – quer queiramos ou não – o modelo segundo o qual toda a cidade ainda é “desenhada”.

 3.

Ora, este modelo, assenta, sobretudo e fundamentalmente, na sobrevalorização do novo e na consequente desvalorização do velho já que é toda a “utopia verde” ou “ecológica” que ajudou a “vender” o dito modelo que (paradoxalmente) lhe serve de base e está na ordem do dia e continua a estar, sob as mais diversas formas (ecológicas, verdes, ambientais, ruralistas e outras).

 4.

A cidade deixou, pois, de ser uma só e passou a ter parte velha e parte nova. A velha foi sendo sugada pela nova e, consequentemente, toda a actividade acabou por ser também centrifugada para uma ou várias periferias ou subúrbios. E, como tinha de ser, a cidade velha tornou-se objecto de olhares entre o interesseiro e o romântico (quando não apenas saudosista) e para quem apenas via, nela, não mais do que o negócio que se estava a perder ou não mais do que a escassa memória dos tempos que já lá vão!

 5.

Entretanto, a cidade velha envelheceu ainda mais do que o esperado porque está abandonada (o que não acontecia até há pouco tempo atrás) e, ironia do destino, cresceu porque muito da cidade nova cumpriu a sua obrigação e… também envelheceu! E as casas também já não são feitas para durarem séculos!

 6.

O facto é que hoje tanto uma cidade como a outra (a velha e a nova) precisam de ser reabilitadas e não apenas quanto ao edificado mas também quanto a tudo o resto e, sobretudo, em tudo quanto significa “colectividade e comunidade” que é que designamos como ”espaço público” (paisagem, serviços, instalações, equipamentos, etc.). Temos, assim, hoje, muito mais cidade para tratar – e reabilitar – do que seria de esperar se a vida das cidades tivesse seguido a “lei natural” do crescimento contínuo a que corresponde a contínua substituição das células que naturalmente vão morrendo com o decurso do tempo.

 7.

O Porto vive hoje este drama como muitas outras cidades mas como muitas outras também vê escoarem-se por entre os dedos as oportunidades para sobreviver. Como se sabe, ao antigo CRUARB (de boa memória e ainda na memória), nascido em 1974 e morto (por decreto) em 2003, sucedem as “SRU’s”. No caso do Porto, nasce a “SRU Porto Vivo” também por decreto mas… com pouca memória e, sobretudo, com uma dose inacreditável de auto-suficiência e voluntarismo, próprios de quem nutre um supremo desprezo pela história e pela experiência! Convém lembrar que, para trás, estavam 30 anos de CRUARB (sob todas as suas formas, e foram muitas e, até, contraditórias!), dezena e meia de anos de Porto Património Mundial, uma dezena de Cimeira Ibero-americana, outros tantos de Polis, de Porto 2001, de Plano de Pormenor das Antas, de Metro do Porto, de Euro 2004 e, ainda, de alguns outros momentos (e projectos) em que a cidade se viu em transformação significativa e (pelo menos) se questionou a si própria!

 8.

A verdade é que o resultado deste desbaratar de experiência, só por milagre poderia ser bom! De facto a acção da SRU-Porto Vivo, assentou, desde a nascença, numa política de “tábua rasa” que significa a destruição duma metodologia que tinha por base o estudo caso a caso e, pelo menos, a (desejada) integração de todos os problemas (sociais, culturais, políticos, urbanísticos e patrimoniais) nas soluções (claro que nem sempre bem sucedidas) e a sua substituição por uma outra e oposta filosofia para a qual a cidade velha só pode subsistir se for vendável, rentável e, para isso, só tem de procurar “tomadores”. Portanto, o problema da cidade não é um problema de arquitectura nem de urbanismo mas, antes, um (simples) problema de … mercado!

 9.

E é aqui que assentam os “planos” e “projectos” a partir dos quais todas as operações são pensadas no programa de reabilitação “oficial” da cidade: o quarteirão entendido como unidade mínima de intervenção, a expropriação coerciva (por interesse público, claro!) como instrumento decisivo, a parceria com capital privado com capacidade técnica (leia-se grande investidor) como sistema operativo privilegiado e a rentabilização do capital investido (seja lá o que isso possa ser!) como mais importante objectivo, critério de decisão e de avaliação da bondade de qualquer intervenção. Todas as restantes dimensões são absolutamente secundárias ou mesmo marginais. Assim:

. A dimensão social é inexistente e não faz parte das preocupações da SRU: a FDZHP (Fundação para o Desenvolvimento da Zona Histórica do Porto) criada nos anos 90 para suprir debilidades do próprio CRUARB nas áreas económicas e sociais, foi politicamente extinta em 2004 asfixiada por total ausência de financiamento por parte da Câmara Municipal sem que nada a substituísse no terreno. Vive em situação de “liquidação” desde então e, pelo que se sabe, a sua única preocupação é ressarcir a Segurança Social dos financiamentos que foi obrigada a fazer (em substituição do município) e de cujo reembolso não prescinde mesmo que isso tenha de se fazer à custa das políticas sociais! E não há política de reocupação ou, sequer, de realojamento mesmo para os prédios e fracções que eram ou são propriedade da própria Fundação. O despejo e o envio dos moradores para longe do centro para que a consequente libertação da casa para venda seja possível… é a política oficial!

. A dimensão arquitectónica é desvalorizada: há casos de demolição integral de edifícios centenários (raros em alguns casos), seguida de “reconstrução” com recurso ao mais descabelado “pastiche” como acontece no caso do quarteirão de Carlos Alberto (na parte em que foi concluído que, mesmo assim, não abrangeu todo o quarteirão!).

. A dimensão urbanística é ignorada: o “lote” como processo de construção da malha e da conformação da cidade (tão importante e caracterizador da cidade), desaparece sob os escombros da sistemática política de “emparcelamento” e arrasamento tanto em extensão como em profundidade. A densificação construtiva é a regra!

. A dimensão cultural está completamente ausente, já que nada tem esse valor como referência: a história, a tradição, os hábitos e as práticas comunitárias e locais, quando são obstáculo … apagam-se!

. A dimensão participativa dos cidadãos é nula, já que, nem as instituições locais nem os cidadãos e as suas organizações têm qualquer papel na chamada “reabilitação” e nem mesmo as cooperativas (sobretudo as de habitação) têm qualquer papel no processo, mal-grado a sua mais do que repetida manifestação de interesse em o fazer, colaborando!

. A dimensão política é reduzida ao estritamente formal e minimalista, já que os diversos projectos e planos que a SRU elabora (se é que elabora!) escapam ao debate e ao controle dos eleitos locais (Vereação, Assembleia Municipal e Juntas). Com efeito, os misteriosos “masterplans” (cuja tipificação ainda está por fazer!) são repositórios de vulgaridades e uma vez aprovados (a maioria que governa a cidade garante-o sem pestanejar!) jamais voltam ao escrutínio político e público.

. A dimensão urbana é inexistente, já que, para além do endeusamento do “santo mercado” e da preocupação (claramente prioritária) com grandes projectos de grandes unidades a cargo de grandes investidores (caso do Hotel das Cardosas) nas melhores zonas (e quarteirões) da cidade (casos de Carlos Alberto, Infante, Cardosas ou D. João I) não há qualquer ideia de cidade enquanto sistema ou rede de valências traduzidas em equipamentos de diferentes tipos e de várias escalas, serviços ou facilidades de ordem diversa.

. A dimensão técnica é reduzida ao simples exercício mecânico e acrítico da capacidade de desfazer e fazer em seguida muito mais em muito menos espaço e em que é visível a incompreensão da missão de todos e cada um dos elementos constituintes de qualquer edificação (histórica ou não). Tudo cede à política de “tábua rasa”.

 10.

Dir-se-á que esta é uma visão excessivamente dura e negra duma realidade que “apesar de tudo” começa a mostrar obra! Obra de vulto não mostra e o pouco que mostra é de duvidosa valia. Os anos passam – e já lá vão mais de meia dúzia – e os factos aí estão para demonstrar a fraca qualidade da receita! De facto, os números publicados são os mais díspares de fonte para fonte que são sempre “oficiais” porque outras fontes não há: a confusão entre conceitos como “quarteirões”, “edifícios”, “lotes”, “prédios” e “casas” é tanta como entre “planos”, “projectos” e “áreas de construção” é constante. Mas também os números parecem não bater certo e os que há também impressionam. É o caso dos valores dados como apurados e que referem, por exemplo, que o custo global de construção (tudo incluído – terrenos, projectos, estudos, etc.) de 685 Euros/m2 para algumas das poucas operações já terminadas ou em vias de o serem comparados com os correspondentes valores de venda que o tal mercado regista como variando entre 2000 e 2500 Euros/m2! Perante estes valores (nunca desmentidos) é, no mínimo duvidoso que estejamos a falar de “reabilitação” e mais certo, porventura, que estejamos a falar de simples “imobiliário” e de alto rendimento! A menos que, por razões de imagem, se tenham “fabricado” os excessivamente baixos custos de produção.

 11.

De resto, a área hoje ocupada pela ZIP (Zona de Intervenção Prioritária) estende-se por cerca de 500 hectares e, como está bom de ver, ocupa todo o centro histórico, a totalidade do centro da cidade assim como importantes extensões para além dela. Uma área que, em certo sentido, não deixa nada de fora, ou seja, que é (quase) toda a cidade. O notável é que, até hoje, nada de estratégico foi produzido pela SRU nem para a ZIP nem para qualquer outra zona da cidade. Mais: Do ponto de vista da metodologia da intervenção, nada parece distinguir o centro histórico de matriz medieval dos outros centros, históricos ou não, mas muito mais extensos e “mais modernos” mas igualmente considerados de “intervenção prioritária”. Contudo, alguns projectos existem mas não são conhecidos, o que não deixa de ser sintomático! Um deles e a que pode ser associado algum sentido estratégico é, por exemplo, o duma misteriosa “Cidade Subterrânea” que tem por objectivo minar (com a tuneladora do metro) todo o centro histórico (da Sé aos Clérigos) para trazer o automóvel até à porta de cada casa sem o que – diz a SRU – nada será possível em termos de reabilitação! Esta “política” (ou acto de puro voluntarismo, como se queira!) é, assim, praticada de forma ínvia e “subterrânea”, contraria o que têm sido os princípios mais ou menos universais quanto a políticas do automóvel e do transporte privado e que não se restringem à simples questão do trânsito e da poluição.

 12.

Esta, é a “reabilitação” de iniciativa pública ou institucional que o Porto tem. A outra, a “privada” ou, mais precisamente, a de iniciativa “individual”, não se faz de modo significativo ou faz-se a um ritmo muitíssimo inferior ao do “abandono” que já é escandalosamente perceptível através dos sistemáticos “entaipamentos” das casas e prédios que mais não esperam do que… melhores dias!

 13.

A burocracia que tem crescido nos últimos anos, faz parte da cultura que temos e não se vê – mesmo em tempo de quase descalabro económico e não só – como pode alguém valer a este doente! Os projectos necessários são inúmeros, as entidades licenciadoras são ainda mais, as certificações são disparatadas (quando não abusivas), as vistorias são o reino da promiscuidade, os papéis não têm fim e a mais pequena obra custa os olhos da cara! Ninguém, em seu perfeito juízo, se mete a reabilitar seja o que for e por mais pequena que seja a obra. As excepções só confirmam a regra e eu próprio e mais dois condóminos quisemos testar o sistema e decidimos … verificar se isto é ou não verdade. E é!

 14.

A legislação que enquadra a reabilitação e a construção em geral, é desanimadora! E, então, a mistura de lei nova com casa velha… sai cara! Há legislação para construção nova mas não há para “construção velha”! O que daqui resulta, as mais das vezes, é a desmobilização e o desinteresse já que o casamento da realidade velha com a legislação nova – e má – é dispendiosa e dá, previsivelmente, poucos frutos e fracos. Mas, esta, é a realidade!

 15.

Posto isto, vamos a três ideias para o debate. No meio delas, tenho tantas certezas como dúvidas mas pressinto que é por aqui que algumas mudanças (ou soluções) podem aparecer:

A primeira: Um novo pensamento

A cidade precisa de ser (decididamente) repensada como organismo onde uma comunidade, hoje fracamente coesa, decidiu ou foi obrigada a decidir viver em conjunto. A velha “Carta de Atenas” ainda é o “modelo” mas já lhe faltam muitas peças. Foi capturada por interesses que não são os da cidade nem dos cidadãos. Mas se, apesar de tudo ainda é, para alguns, a referência – embora já não o modelo – então teremos de rever muito do nosso discurso e muitas das nossas opções relacionadas com equipamentos, serviços, transportes, comunicações, cultura e outros itens de que hoje se fazem as cidades que são um tudo-nada diferentes dos que existiam quando a dita “Carta” foi escrita. Mas se, para outros, a “Carta” já não é referência, então é porque haverá outra ou outras: arrisco propor que se pense, por exemplo, em termos de “unidade de vizinhança” tal como a descreveu e teorizou Clarence Perry aí pelos anos 20 do século passado (um pouco antes da tal “Carta”) e na base da qual toda a América foi ocupada e construída. Este é um conceito com ressonâncias de passado mas talvez nos permita fazer a ponte entre a “cidade velha” que tem muito a ver com a tal “Unidade de Vizinhança” e a “cidade nova” que tem tudo a ver com a dita “Carta”! Não sei, mas seria interessante experimentar reformular a cidade que temos (a nova e a velha) com base na escola, no centro cívico e comunitário, na proximidade dos serviços e na coesão social, etária e cultural e tudo em função duma nova forma de administração pública com expressão político-social e que pode perfeitamente partir da velha Junta de Freguesia, ainda que (obrigatoriamente) revista e aumentada – ou reduzida, conforme os casos. Com isto as “oportunidades de reabilitação” serão, seguramente, imensas e de “valor económico”

A segunda: Um novo espírito

Não há reabilitação que possa dispensar, cumulativamente, cinco exigências fundamentais: casa boa, escola(s) por perto, emprego(s) no local, equipamento(s) de proximidade (incluindo cultura e desporto), espaço(s) público(s) de qualidade. Claro que é possível atrair outros habitantes que não os que são permanentes porque sem eles (e bem diversificados) não se faz cidade. Os ocasionais, ainda que permanentemente em rotação como são, por exemplo, os estudantes, são importantíssimos porque habitam, sobretudo, espaços comuns e colectivos, ocupam preferentemente espaço público e são consumidores de cultura e são o expoente da mobilidade e do espírito cosmopolita. Estes “habitantes” são essenciais à sobrevivência das cidades e também podem ter a forma de turistas das mais diferentes espécies ou nómadas dos mais diversos tipos. Ora, atrair toda esta gente dum modo permanente e não sazonal, não se faz reabilitando apenas o edificado e dando um jeito nas ruas e nos passeios ou animando-os de forma efémera e circunstancial. Faz-se, “carregando” a cidade com actividades permanentes e consistentemente revitalizadoras (como, por exemplo, escolas superiores e universidades) o que só administrações pró-activas, politicamente conscientes, empenhadas e arejadas podem fazer porque precisam de ir para o terreno, para junto dos cidadãos, para as suas instituições e organizações e não manterem-se fechadas nas usas torres de marfim, distantes e burocratizadas.

A terceira: Uma nova atitude

No entanto, há que ir dando passos para que não vá tudo na enxurrada. A reabilitação é essencial. Ponto final! Haja ou não haja desemprego, haja ou não haja crise grave ou mesmo perspectivas ainda piores. A reabilitação é uma questão de cultura. Não é – não deve ser – um mero expediente para usar quando as coisas correm mal noutros lados. E não compete apenas ao Estado nem aos poderes públicos olhar para a cidade no seu todo. Compete também, e na mesma medida, aos privados e possuidores de prédios ou construções. A cidade é um problema dos cidadãos e, não desviemos a atenção, é, na sua essência, uma questão “política”.

Só que para “uma nova atitude” não há “receitas”. Também aqui é preciso imaginação, inovação e derrube de fronteiras. Então, se é de “reocupação” da cidade que estamos a falar e se isso é “estratégico”, porque não promover a reabilitação claramente de toda a cidade e casa a casa ou edifício a edifício com uma outra filosofia, afastada dos clichés habituais? Por exemplo: porque não instituir em cada município, “fundos imobiliários” com vista ao lançamento no “mercado de aluguer” (e não no “mercado de compra e venda”, é claro!) dos fogos e casas devolutas através da mobilização de proprietários que, possuindo-os, não constroem nem reabilitam o património por uma infinidade de razões mas que não se oporiam à sua rentabilização desde que a posse do mesmo não fosse posta em causa? Tais “fundos” seriam constituídos com participações privadas (para além dos próprios donos das casas ou edifícios), por cooperativas, por instituições financeiras (banca e afins) e por entidades públicas (municipais e estatais) e teriam a seu cargo as obras de reabilitação e de manutenção desse mesmo património. Os “fundos”, cobrariam por isso o que fosse legítimo e entregariam ao proprietário o remanescente, incluindo a hipótese de entrega total ao proprietário mediante ressarcimento completo da dívida uma vez concretizada a obra? Tal sistema evitaria o calvário da expropriação, alargaria o “mercado de aluguer”, criaria mobilidade social e regularia (muito provavelmente) os próprios “mercados” (imobiliários e não só). Claro que isto exigiria políticas activas, governantes activos, empresários com espírito de iniciativa, gestores modernos e conscientes da vida real. Mas algum primeiro passo terá de ser dado. Este, julgo que poderá ser uma hipótese.

Nota: Esta mesma proposta foi já apresentada, alias, na CMP pelo PS (cuja representação na vereação dirijo desde 2009, ainda que como independente).

 16.

Como é possível, então, começar a mudar? O que fazer, então, enquanto não mudamos uma “lei do solo” absolutamente anacrónica, uma “lei do arrendamento” ainda pior e uma tradição de “casa própria” que já não existe em lado nenhum? O que fazer, então, com um sistema de planos locais, municipais e regionais de tipo autista e com a nossa tradicional aversão a fazer qualquer tipo de planeamento? O que fazer, ainda, com um “sistema cadastral” verdadeiramente surrealista e com uma “estrutura legislativa” incompreensível? Será que não conseguimos deixar de ser o país dos “loteamentos”?

 17.

A terminar, gostaria de realçar uma ideia bonita que o “anúncio” deste seminário exibe logo abaixo do feliz título “MAIS REABILITAÇÃO / CIDADES MAIS VIVAS” e que diz o seguinte: “Dia 26 de Outubro, venha descobrir como é simples acabar com os espaços cinzentos das cidades” e só acrescentaria que no fim desse dia (do dia de hoje) vá mesmo contribuir para acabar de vez com todos os cinzentismos!

Para acabar de vez com os cinzentismos o Sr. Vereador do Urbanismo deverá começar por ocupar o seu cargo no Conselho de Administração da Porto Vivo e despedir aquela ‘mancha cinzenta’ que lá está no seu lugar, a gastar dinheiro aos contribuintes. De seguida deve ligar a SRU à rede de saneamento, fazendo evacuar todo o tipo de excremento [fig.], que tem custado à cidade um irreparável retrocesso civilizacional. Aqui, chegará rapidamente à conclusão que, para além do óbvio e em contraste com o que atrás valoriza, também os técnicos que a Porto Vivo foi buscar ao CRUARB e transformou em “crentes convertidos” (estilo ‘novos cristãos’), são co-responsáveis pelo caminho erróneo que foi percorrido e tão bem descreveu na sua apresentação. Por exemplo, a “Cidade Subterrânea” foi aflorada pela primeira vez em 2006 pelo seu autor o Arq. Rui Loza, um fiasco que custou uma enormidade em estudos e projectos de execução; ou ainda, a actuação do Arq. Patrício Martins como responsável pelo planeamento e pelo licenciamento do projecto do Quarteirão das Cardosas (e restantes), cujo impacte nocivo tanto critica. Ambos ex-CRUARB, são seus colegas de profissão, seus correlegionários políticos e apoiantes da candidatura do actual Presidente da Câmara, Rui Moreira. E que tal… !?

Relembrando JFK, aquilo que importa saber é: “… o que é que Manuel Correia Fernandes pode fazer pelo Porto.”

o empate técnico, por ssru

“Tudo o que é exagerado é insignificante”. Charles-Maurice de Talleyrand-Périgord, Político e Diplomata francês, 1754-1838.

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A frase atribuída àquele antigo primeiro-ministro francês assenta desmesuradamente bem na entrevista que Rui Moreira deu a Fátima Campos Ferreira, no programa da RTP “Prós e Contras”, cujo episódio esta intitulou ridiculamente de “Porto Sentido” (ainda não se fartaram disto!). Foi bastante lamentável, foi muita lamechice, foi um exagero. Logo, foi insignificante. Rui Moreira e os seus 100 dias de governo da autarquia passavam bem sem aquele espectáculo [admirámos, contudo, a destreza física do nosso novo presidente, a pisar, saltitando, os achados arqueológicos]. Pela mesma ordem de ideias, perceberão que todo este arraial que gira à volta da Porto Vivo e da sua situação financeira, não passa de um exagero, pois se vontade houvesse para resolver o assunto, já tudo estaria acabado em vez destas intermináveis marcações e respectivos adiamentos da assembleia geral. Cenas que tornam os problemas da SRU insignificantes aos olhos de todos: governo, câmara e portuenses. Senão vejamos.

Pelo seu lado, o Estado é responsável por ter andado a injectar dinheiro na Porto Vivo sem se importar se ele era bem gerido e bem gasto. Apenas se preocupou quando a situação do País e do Mundo impôs uma nova atitude sobre o desperdício e aqui começou por cortar a direito sem olhar a quê, como se não houvesse passado. Vitor Reis, presidente do IHRU, chegou a afirmar publicamente que aquilo que o seu antecessor andou a fazer e os compromissos assumidos, não contavam para o que ele pretendia que fosse a sua gestão à frente do Instituto. Na entrevista que deu em Abril do ano passado, no auge da tempestade com o ex-autarca Rui Rio, considerou que a Porto Vivo estava destinada à falência e que não lhe competia, mas sim à CMP, decidir ou solucionar o problema da SRU: “Nós somos o sócio maioritário num território que é do município. Em 2004 assinámos um acordo parassocial que previa que a câmara iria assumir a posição de accionista maioritário em três anos. Quando eu questionei Rui Rio sobre o porquê disto não ter acontecido, como era do nosso interesse, ele recusou. (…) No Porto chegamos a um beco sem saída. (…) Tem de ser a câmara a decidir o que quer fazer.” Disse!

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Da sua parte, também a Câmara do Porto, quer seja o anterior ou o actual executivo, demonstra inabilidade e imprudência na resolução da questão, hostilizando os representantes do sócio maioritário, que, bem se lembram, estavam à espera que fosse Luís Filipe Meneses a ganhar as eleições autárquicas do ano passado, o mesmo que criticava o actual modelo “paquidérmico, estatizante e público” das sociedades de reabilitação urbana. A situação está de tal forma pardacenta que dificilmente conseguimos perceber o que se passa na administração daquela que deveria ser a responsável pela reabilitação da Baixa e do seu Centro Histórico, desde 27 de Novembro de 2004.

Mas no Porto tudo tem que ter uma história ou lenda para tudo e por isso vamos procurar contá-la o melhor que sabemos, sobretudo com aquilo que vem a público, na comunicação social:

  • Segundo os estatutos da Porto Vivo, no seu artigo 7.º, nº 1, os órgãos sociais são: a) A assembleia geral; b) O conselho de administração; c) O fiscal único. Os mandatos dos órgãos da Porto Vivo têm a duração de quatro anos, renováveis por igual período de tempo, continuando, porém, cada um dos membros, em exercício de funções até nova designação, sem prejuízo do disposto no n.º 4 do artigo 11.º [aviso – como não existe nº 4 no artigo 11º, presume-se que seja o nº 3, só que ainda não houve tempo de emendar o lapso].

O primeiro CA teve Arlindo Cunha como presidente (a primeira escolha terá sido Miguel Cadilhe, que recusou), Joaquim Branco (‘wingman’ de Cadilhe) como Presidente da Comissão Executiva, Rui Quelhas como vogal executivo, Ana Martins de Sousa a vogal executivo e o vereador do urbanismo Paulo Morais como vogal não executivo. São cinco, portanto, o máximo permitido, pois não podiam ser apenas três, embora tal fosse possível. O primeiro mandato começou em 2004 e terminou em 2007, enquanto o segundo, que se seguiu já terminou no final de 2011, o que significa que está, há mais de dois anos, em “navegação à vela”, altura em que os problemas se materializaram definitivamente para fora.

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O lugar de presidente está vago desde que Rui Moreira o abandonou no final de Novembro de 2012. Há, pois, 15 meses que a Porto Vivo não tem “cabeça”. Possui, contudo, um “tronco” com dois bracinhos – Rui Quelhas (vereador da Câmara de Gondomar e ex-chefe da ‘casa real’ de Rui Rio) que se mantém como administrador executivo e Ana Paula Delgado a administradora executiva que veio da Faculdade de Economia do Porto (dá para perceber a relação!). Exibe ainda dois outros ‘membros’ que representam os accionistas e que são Luísa Maria Aparício da Delegação Porto do IHRU (que era fiscal de Menezes na CMGaia, onde ‘nasceu e se fez mulher’) em substituição de Rui Loza que ‘perdeu’ o lugar para voltar à CCDRN e, por fim, Gonçalo Gonçalves ex-vereador do Urbanismo, sobrante do reinado de Rui Rio e que veio substituir Lino Ferreira, que por sua vez tinha substituído Paulo Morais. Quando Rui Moreira ganhou as eleições deitou por terra muitas das expectativas internas e externas à Porto Vivo com ligações à corrente política do Governo, conseguindo o feito de, pelo menos, adiar aquilo que, assim num repente, parece ser o inevitável fim desta funesta situação. Caso tal aconteça o grande falhado será Rui Rio, mas já não será ele a pagar os erros próprios, pois os ‘cacos’ ficam para quem cá está – os moradores do Centro Histórico e os portuenses.

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Rui Moreira ainda cometeu mais um erro (entre outros), logo que foi eleito, ao dizer que era ele o responsável pelo ‘pelouro da reabilitação urbana (coisa que não existe). Deu dessa forma um claro aviso ao representante socialista e vereador do urbanismo para se afastar da administração da SRU, contrariando o que especificam os estatutos.

  • No famoso artigo 11º sobre a constituição do conselho de administração podemos ler o seguinte texto: 1 – A administração da Porto Vivo é exercida por um conselho de administração composto por número impar de membros no máximo de cinco; 2 – O Conselho de Administração integrará como vogais, mediante deliberação unânime de accionistas, os titulares dos seguintes cargos: a) Director da Delegação do Porto do Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana, I.P. (IHRU). b) Vereador da Câmara Municipal do Porto com competências delegadas na área do urbanismo; 3 – O mandato dos vogais a que se refere o número anterior termina com a cessação de funções nos respectivos cargos ou com a cessação da delegação de competências, sem prejuízo da continuidade de funções até efectiva substituição.

O actual Vereador do Urbanismo, ainda a subir a escadaria dos “Passos Perdidos” para ocupar o cargo na vereação, reclamava para si o “dossier” da reabilitação urbana enquanto vertia umas verdades corrosivas mas honestas, como: “Acho que o presidente ficará com a gestão política da própria SRU. O Estado já disse que quer deixar de ser accionista e essa, sim, é uma questão política que está nas mãos do presidente. Essa gestão política não tem, de certeza, a ver com a requalificação urbana, que diz respeito a toda a cidade, e que está integrada no Urbanismo” (…) O vereador socialista diz mesmo que está a ser preparada uma alteração às actuais competências da SRU, para que a sociedade deixe de ter a responsabilidade de licenciamento, das áreas de intervenção que já possuem um documento estratégico aprovado. “Essa é uma questão que vai ser alterada. Não pode haver um Estado dentro do Estado, isto é fundamental. Isso é algo que tem de ser corrigido”. Ou seja, também o actual executivo contribui a seu modo para o esvaziamento da Porto Vivo e por fim, para o seu encerramento, revelando-se mais um falhanço na reabilitação do Centro Histórico do Porto.

Contudo, não podemos acusar Correia Fernandes de ser incoerente no seu pensamento e nas opiniões que exprime sobre a Sociedade de Reabilitação Urbana. Num verdadeiro Tratado, que intitulou “A reabilitação na cidade do Porto (em 17 pontos)”, apresentado numa conferência em Dezembro de 2010, em dois desses pontos referia o seguinte: “O Porto vive hoje este drama como muitas outras cidades mas como muitas outras também vê escoarem-se por entre os dedos as oportunidades para sobreviver. Como se sabe, ao antigo CRUARB (de boa memória e ainda na memória), nascido em 1974 e morto (por decreto) em 2003, sucedem as “SRU’s”. No caso do Porto, nasce a “SRU Porto Vivo” também por decreto mas… com pouca memória e, sobretudo, com uma dose inacreditável de auto-suficiência e voluntarismo, próprios de quem nutre um supremo desprezo pela história e pela experiência! Convém lembrar que, para trás, estavam 30 anos de CRUARB (sob todas as suas formas, e foram muitas e, até, contraditórias!), dezena e meia de anos de Porto Património Mundial, uma dezena de Cimeira Ibero americana, outros tantos de Polis, de Porto 2001, de Plano de Pormenor das Antas, de Metro do Porto, de Euro 2004 e, ainda, de alguns outros momentos (e projectos) em que a cidade se viu em transformação significativa e (pelo menos) se questionou a si própria! A verdade é que o resultado deste desbaratar de experiência, só por milagre poderia ser bom! De facto a acção da SRU-Porto Vivo, assentou, desde a nascença, numa política de “tábua rasa” que significa a destruição duma metodologia que tinha por base o estudo caso a caso e, pelo menos, a (desejada) integração de todos os problemas (sociais, culturais, políticos, urbanísticos e patrimoniais) nas soluções (claro que nem sempre bem sucedidas) e a sua substituição por uma outra e oposta filosofia para a qual a cidade velha só pode subsistir se for vendável, rentável e, para isso, só tem de procurar “tomadores”. Portanto, o problema da cidade não é um problema de arquitectura nem de urbanismo mas, antes, um (simples) problema de … mercado!”

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È provável que a Assembleia Geral da SRU se adie “ad eternum” e sabemos que até hoje ninguém deste executivo pousou um só pé na Porto Vivo, já lá vão mais de 100 dias. Assim chegamos a este impasse que ninguém quer resolver, nem ninguém “sai de cima” (leia-se “demissão/renúncia”) para deixar que outros possam fazer melhor, sem demolir a Torre dos Clérigos [ironia]. Neste entretém em que todos estão distraídos, lá vai ficando como administrador um marçano pardacento, agora a ganhar os seus 20 ou 30 %, mesmo sem ter qualquer relação com o actual executivo e que antes o cargo de vereador do urbanismo lhe impedia de embolsar, numa altura em que todos dizem que a Porto Vivo não tem dinheiro e que gasta 410 € por dia num empréstimo ruinoso que tenta tapar os buracos do casco. Sabemos também que não vai ser à custa dos funcionários da SRU, sobretudo dos agentes políticos que esta vai colapsar, a ter em conta o seu imenso esforço a trabalhar horas extra, dando o corpo ao manifesto!!! Como se costuma dizer no Porto, “são todos uns empatas!”

a crónica da crise, por ssru

As palavras que se seguem, foram ouvidas pela primeira vez a semana passada na Póvoa de Varzim, ditadas pela boca e na voz (trémula de início, mas sempre presente) do seu autor, o escritor João de Melo. Foram 15 minutos  longos que perdurarão para sempre enquanto a memória não nos abandonar à pior das sortes. Palavras que se insinuaram, instalaram-se sentadas no meio de nós, erguidas nos nossos sonhos, na roupa, na pele, na alma. Nada mais havendo a acrescentar, pedimos a todos que tenham a felicidade de as ler.

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“Viagem pela ideia da crise” – Opinião de João de Melo, in Público, 26 FEV 2014

Não sei há quantos anos ouço falar de crise – a ideológica, a religiosa, a sentimental, a artística, a literária; e também a social, a económica, a financeira, a laboral, a política, a mundial ou a universal. Uma crise sem paredes que circula entre todos os espaços em branco – esta espécie invasora que já não se detém no limiar de nenhuma fronteira; que não precisa de passaporte nem de santo e senha para entrar, insinuar-se, insurgir-se e instalar-se sentada no meio de nós, ou erguida no pavor sombrio dos nossos sonhos, na roupa, na pele, na alma (para quem ainda a possua ou nela creia, obviamente!).

Nenhuma ideia de felicidade nos pertence (seria no mínimo ridículo que um escritor ousasse confessar-se uma pessoa feliz). Nascemos portugueses, mas para sobreviver a um permanente e absoluto estado de crise, em Portugal. Aqui mesmo ao lado, em Paris, a cidade do exílio e dos mitos ideológicos de outrora, Jean-Paul Sartre morreu com as mesmas dúvidas que o levaram a inventar uma teoria para a angústia do homem moderno, à qual chamou “existencialismo”. Para mim, a única e verdadeira crise dá pelo nome de hiperidentidade – ao mesmo tempo individual e colectiva. Assistem-me portanto o direito e o dever de a invocar. Não sei que fazer de mim, do meu excesso de identidade. Sei muito bem quem sou, mas ignoro a minha missão e não sei em que morada deixei esquecida a chave do meu próximo destino.

Nenhuma possibilidade de se ser feliz em Portugal? Seja pelo facto de nada de bom ou de extremamente mau nos acontecer, seja porque em Portugal simplesmente já não acontece nada. Falamos pouco, mas ouvimos muito. Come-se mal, bebe-se melhor. O resto é uma chaga, uma deriva, um sentimento de que nada aqui nos pertence. Não sei quem veio de fora, nem por que motivo as coisas deixaram de ser nossas – mas voga por aí uma presença estranha, o rosto invisível e absoluto de um qualquer ocupante estrangeiro. Ele mudou o nome das coisas e a precisão doméstica dos nossos sítios. Tomou conta dos lugares públicos. Aquartelou-se nas casas, nas tribunas e nos templos. E agora impõe-nos uma ordem social e espiritual que nunca foi nossa: ou seja, uma religião sem princípios, a confraria da imoralidade, o coro, as matinas, as vésperas de um convento para as almas. E uma sabatina histórica que não nos deixa regras nem palavras. Mas se de facto não acontece nada, tudo porém se vai fazendo em nome de uma imensa maioria silenciosa, a mesma que dá sustento e legitimidade aos diques de que é feita a conjura, digo, a conjuntura do medo e do regime.

Hoje, em Portugal, é Deus quem parte e reparte com o Diabo, ficando este com a melhor parte. São populares e risonhos os amanuenses e os ditadores do país onde já não acontece nada. Basta-nos, para que isto ainda exista, haver lá no alto um cardeal primeiro-ministro, alguns bispos e curas nos ministérios e uns quantos noviços por secretários de Estado – mantendo-se assim a nossa ilusão acerca da existência do país. Bastam-lhe os lugares sentados no Parlamento e um talentoso orador a gritar ao povo; bastam-lhe dois escritores e meio para falar por todos; doze actores de teatro e cinema, dez polícias e um general, um maestro de batuta erguida ante as cinquenta e duas cabeças de uma orquestra, zero vírgula um arrependidos políticos confessos, dois vírgula zero seis professores e sindicalistas, três médicos e meio engenheiro, um cantor de fados e treze guarda-costas, um agricultor e oito industriais, um futebolista e três quartos de outro, um careca idoso e outro careca que ainda exibe o cartão jovem ou o título de novo empreendedor – e fica completo o comício.

Não posso nem devo queixar-me de um país que já não existe. Lamento tudo aquilo que aqui me cerca: este território de ocupação e de gente possuída, este novo “silêncio do mar” de que falou um dia o proscrito Vercors, e o tempo de agora que parece eterno enquanto dura, como diria o poeta Vinícius; o tempo em que, em silêncio oficial, vão morrendo (indignados, desgostosos) mulheres e homens de cultura, gente honrada que assistiu à nova invasão dos Hunos e à sua barbárie e que ainda assim permaneceu honrada. Vão-se os homens desta terra que em tudo deixou de valer a pena desde que sua alma se fez pequena. Vão-se os anéis e os dedos, os pomares e as vinhas, as searas de trigo e os pinhos, os pássaros e o milho – e calam-se pouco a pouco as vozes e os sinos. Já tudo foi dito e escrito, ó André Gide; mas, visto que a memória é tão breve, deve-se escrever e dizer tudo de novo. E aprender no vento os nomes de tudo aquilo que agora é e que dantes não estava aqui. Havia a agricultura e os campos, o canto e a lida (Fernando Pessoa), a poesia e o sonho, os barcos, as veredas e as sombras. Havia algo por que ainda fosse possível e preciso gritar. Não este silêncio e este sepulcro, nem este desmazelo prepotente, nem esta arte de que usam e abusam eles, os ocupantes, para nos fazerem calar a boca e ter paciência. O caso é que eu aprendi a revolução e a história na escola primária. Vivi-as no gesto largo dos heróis, colhi-as como as flores do mal e do vinho em Baudelaire. Não vim para assistir a isto de chegar uma gente sem idade nem memória de nada e obrigar-me a crer que tudo aquilo que vivi e amei não passou afinal de uma ficção ou de uma mentira. No meu tempo, havia livros escritos só para que os comessem os subalimentados do sonho, ó Natália Correia, e não esta gente que nos vira a cara, que cospe para o lado e diz entre dentes que a cultura é cega surda e muda como a pedra, como a “mula da cooperativa” (canção da ilha da Madeira, onde também vibram e morrem alguns dos sonhos que nos foram comuns).

Uma breve história de logros. A história súbita, devassada e oprimida dos meus logros portugueses. De pouco adianta escrevê-la: ninguém ma leria, querido Eça de Queirós. Não devo sequer contá-la: não há quem ouça. Fosse eu um príncipe com orelhas de burro (ou burro com orelhas de príncipe) e com mãos ou patas abriria a terra, a única confidente portuguesa, para a ela contar a longa relação dos logros lusitanos. Quem sou eu, porém, para duvidar da evidência e mesmo da certeza, da versão oficial e do comunicado semanal do conselho de ministros, das notícias do bloqueio e daquele que foi eleito para não ter dúvidas – no país onde já um dia vi passar ciências sociais e humanas como a Filosofia, a Geografia, a Historiografia, a Literatura, a História Universal da Infâmia, Jorge Luis Borges, a ditadura, a guerra colonial, o golpe de estado, a revolução; neste mesmo país onde hoje já não se é nem se está vivo pelos próprios meios da inteligência e da vontade; onde pouco ou nada vale a pena, e cuja consciência nos dói – mas onde já nem a consciência disso vale a pena ou a paixão?

A crise é uma viagem pelo tempo acima – e esta a minha crónica dela. Penso-a e vivo-a com palavras. As sempre belas e amadas palavras. Amo-as tanto como às mulheres e às nuvens brancas que pairam sobre o azul plano e luminoso do mar. Porque eu gosto dos amores secretos que também a mim me escondem da evidência em pleno campo de batalha. Mas a minha guerra não defende o rei. Armei-me contra a crise que levou daqui a alma e trouxe consigo o exército estrangeiro. Atacar o ocupante, mandar prender o rei e o eleito na ilha mais distante de todas as ilhas, fora do coração do povo, para que um e outro vejam e provem deste mesmo exílio; e morram ambos, como nós morremos, do nosso desgosto de sabermos quem somos – e afinal termos perdido o navio do regresso a casa, à terra dos nossos pais, ao mar que um dia já foi só nosso e agora, definitivamente, não nos pertence.

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o fan do porto, por ssru

Brilha em cada um de nós o génio de um grandessíssimo “FdP – Fan do Porto”. Dentro da nossa caixa torácica, bate um coração cego e apaixonado pela melhor cidade do MUNDO. Turistas em casa própria, olhamos o Porto como os pais adoram os filhos – com toda a beleza e todos os defeitos. Só quem vive e percorre as ruas da cidade, do centro histórico, é capaz de identificar as suas virtudes e as suas fraquezas. Ficamos felizes por sermos capazes de o fazer tão bem…

esta beleza sem fim

 Turistas em ca(u)sa própriaOpinião de António Barroso, in Porto 24, 19 Fev 2014.

“Letra & Música #004. Não há cego mais cego que um apaixonado. Dito assim, ou com outros floreados, a verdade é que a intensidade da paixão quase nunca nos deixa ver além do desejo, da posse, da conquista…”

O Porto conquistou – diz-se e partilha-se com vivas e hurras – o título de “Melhor Destino Europeu 2014”. Conquistou? Bem, esta pequena aldeia com a alma de certos e determinados gauleses quase faz com que o céu lhe caia sobre a cabeça, de tão ceguinhos estarmos (na primeira pessoa do plural, sublinhe-se) pelo amor e paixão à nossa cidade.

Não há ninguém que goste mais do Porto do que eu. Podem até gostar tanto como eu, mas mais do que eu não gostam.

Nem há ninguém que se orgulhe tanto com as nossas pequenas coisas como eu. Pequenas coisas que são enormes, para mim, quando fazem sentido.

Porém, custa-me ganhar um título de “Melhor Destino Europeu” para turistas quando a maior parte dos que votaram (comigo incluído) no “candidato” Porto são… portuenses.

O prémio – o verdadeiro prémio! – foi perceber que, quando nos juntamos, somos imbatíveis.

A verdade é que o estatuto é atribuído por uma publicação (não menorizo o título nem o promotor, confesso) cujos critérios “mui liberais” da votação permitiram que nos juntássemos todos, em catadupa, massivamente, com o orgulho embandeirado e a força cujo segredo só nós conhecemos – foi o druida Panoramix que o desvendou em “Asterix & Viriato em Portus Cale” (hei-de conseguir escrever o argumento disto, hei-de).

Assim, e motivados por tudo e por todos, muitos portuenses, cada um muito mais do que uma vez, foram à net votar no melhor destino europeu para turistas: a sua própria cidade!

Eu acho que já perceberam o meu ponto. O que nós fizemos foi uma bela de uma batota, justificada pela “mui nobre” e genuína capacidade de nos transformarmos, um a um, em pedra bruta, sólida e invicta da Muralha Fernandina.

E isto é bonito. É lindo, é belo, é força e é Porto. Mas é batota. Bem, até pode dizer-se que não é batota porque os belgas também podiam ter votado em Brugges, os espanhóis em Madrid e os catalães em Barcelona, os italianos em Florença ou Veneza e até os suíços numa qualquer gruta dos Alpes, nem que para isso comprassem os votos dos emigras que lá não querem.

Foi mui nobre, mas não foi mui leal. E a nobreza do Porto sem a lealdade para com os seus próprios princípios é uma coisa que me incomoda.

Incomoda e muito, mesmo que essa lealdade não seja susceptível do mais rápido e eficaz marketing turístico. Mesmo que essa lealdade não seja compatível com o conceito de “mais valem 15 minutos de fama”.

Mesmo que essa lealdade não sirva os propósitos de políticos de algibeira (ou de mão estendida, escolham!).

Mesmo que essa lealdade não sirva as folhas de Excel para ferramenta dos agentes turísticos no terreno, cujas soluções começam a ser iguais para todos os territórios… diferentes.

Uma vitória – ou a sensação dela – entre gentes que se orgulham de vencer contra ventos e centralismos tem que ser leal para assumir-se como nobre.

E não fomos leais. Não fomos leais para com aqueles que votaram nos destinos turísticos que não eram as suas próprias cidades. E isso – nem que isso seja só uma sensação minha – não me faz vencedor de nada.

Não servirá, também, como cortina de embelezamento, que irá tapar as realidades anacrónicas de uma cidade que, institucionalmente, quase nada fez para ter o turismo que tem?

Foram, até agora, as suas gentes, as poupanças privadas e uma vontade muito própria de dar a “volta a isto” que transformaram o Porto num destino turístico. Isso e a “sorte” da presença companhias aéreas low cost.

Sim, confesso que é belíssimo ver-nos felizes, pois não conheço orgulho que brilhe tanto nos olhos como o nosso. Mas há tanto para ser feito, tanto para fazer e assegurar até um dia sermos, de facto, a escolha dos turistas e não a de nós próprios.

Creio que não ganhámos nada de muito relevante com esse título de “Melhor Destino” para turistas. O que fizemos foi um manifesto de boas-vindas. Votámos na ideia de que os recebemos bem e que nos amamos, a nós próprios, por isso mesmo. Já para não falar da vontade e da necessidade de ver entrar divisas pelas “fronteiras” mais a Norte…

gigantes da ponte pênsil

o melhor destino, por ssru

O Porto é o nosso melhor destino, o primeiro abrigo, a nossa paixão e alma, o fogo ardente, um contentamento descontente, o único amor. O amanhecer, o acordar, o viver e o anoitecer. O Porto é a nossa casa, é a nossa vida inteira. É uma cidade chamada Porto.

o doloso quociente, por ssru

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Ministra das Finanças dá bronca no Porto – in Jornal de Notícias, Política//25-01-2014

A MINISTRA das Finanças causou um profundo mal-estar quando, na passada terça-feira, sugeriu, perante duas ‘dezenas de empresários nortenhos, que a Associação Comercial do Porto se fundisse com a Associação de Comerciantes do Porto. Depois de Nuno Botelho, presidente da primeira, a ter acusado de “ignorância”, explicando-lhe que uma nada tem a ver com a outra, Maria Luís Albuquerque, já irritada, arranjou alternativa: então que se juntem a Associação de Comerciantes com a Associação Empresários de Portugal (AEP).

A ministra participava numa sessão de trabalho num hotel do Porto marcada pela Distrital do Porto do PSD. Já no final do encontro e à laia dos cortes que o país terá que continuar a fazer, considerou que o país tem associações a mais e que gasta com elas dinheiro a mais. A ACP não é subsidiada pelo Estado, por exemplo.

“Criou-se um clima de mal-estar por causa da ignorância da ministra”; disse um dos presentes ao JN. “É uma atitude reveladora do pior centralismo, uma falta de consideração pelo Porto”, acrescentou outro dos convidados. Antes, já a ministra deferira um violento ataque contra a Sociedade de Reabilitação Urbana, na senda da guerra que mantém com a Câmara do Porto. “O Estado não vai entregar nem mais um euro à SRU”, terá dito. Contactado pelo JN, Nuno Botelho, presidente da ACP, ficou-se por um “não confirmo nem desminto”. P. F.

Convidada pela distrital do PSD (?), a ministra das finanças conseguiu no Porto, provar tudo aquilo que dizemos acerca das qualidades políticas desta gente que nos desgoverna. A notícia acima (que só encontramos no JN em papel e no clip da ACP, curiosamente) revela uma governante cujo quociente de inteligência roça a ignorância pura, como também é doloso, uma vez que atinge um entranhado ressabiamento disparado em várias direcções. Conseguir, num dado momento da sua parda vida, confundir as diferentes instituições da Cidade e ainda atacar violentamente a única SRU que tem as contas bem feitas, é obra. E desrespeito…

A revelação mais importante a reter é que o comportamento do Governo em relação ao Porto é, ao mesmo tempo, premeditado e abstruso. Assim se percebe por actos vis como o aumento brutal das rendas nos bairros do IHRU e na recusa dos benefícios fiscais para imóveis classificados do Centro Histórico. Por quanto tempo mais teremos de carregar nos nossos ombros o peso do mal que grassa neste País?

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a cidade inquieta #12, por ssru

Esta é a cidade de uma gente austera, de um povo que trabalha incessantemente, que fura o cinto à cintura quando a vida aperta e se aconchega do frio quando a noite chega… mas, visto assim de repente, parece casa de gente rica ou então, uma terra de tolos!  [Centro Histórico do Porto - Dezembro de 2013]

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o futuro sequestrado, por ssru

As últimas notícias dizem-nos que, em breve, será tomada a decisão sobre o futuro da Porto Vivo, a sociedade anónima de capitais exclusivamente públicos criada por Rui Rio para reabilitar urbanisticamente a Baixa do Porto. A data apontada pelo Público é o dia 28 de Fevereiro mas, como todos se lembram, este rosário já vem de muito longe, pois tal oportunidade já surgiu, pelo menos, umas três ou quatro vezes antes. Chega a ser inexplicável o estado a que estas coisas chegam. E um filme que já vimos passar nos ecrãs desta cidade diversas vezes. A Porto Vivo tem o seu Presente embargado e o seu Futuro sequestrado.

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O impasse foi suscitado pela ascensão do Governo de Passos Coelho e pela nomeação de um novo director para presidir ao IHRU, sócio maioritário da SRU, que trouxeram à reabilitação urbana da cidade um embargo total, sobretudo motivado pela falta de dinheiro à discrição, pois “casa onde não há pão, trancas à porta”, já lá diz o ditado. As dúvidas do accionista do Estado começaram a surgir, principalmente, a partir da saída do Dr. Joaquim Branco da Presidência da Comissão Executiva da Porto Vivo em 2008, coincidindo com o estrondo da crise mundial e nacional, fazendo-se notar com o avolumar acentuado dos prejuízos da SRU nos anos seguintes, fruto das opções de investimento que o seu novo Conselho de Administração decidiu tomar, nomeadamente com as intervenções no Corpo da Guarda e nas Cardosas.

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Ignorando a nossa sugestão de mandar realizar uma auditoria que aferisse essas opções nos gastos e na direcção dada à reabilitação urbana – uma reconversão gentrificada – o IHRU limitou-se a auditar a contabilidade (por não poder mais, ou não querer), o que se revelou um tiro no pé pois, ao que tudo indica, não parece difícil fazer contas de subtrair. Aliás Marques Mendes encarregou-se disso quando nomeou para o lugar de Directora Financeira da SRU, uma técnica do Partido lá dos lados da Anadia (mas também com outros atributos, como administradora de insolvências, por ex.), a Dra. Vera Lúcia Ladeira Rodrigues de Sá Couto. As contas da Porto Vivo estão bem e recomendam-se. Têm prejuízo, é certo, mas estão bem feitas. Aliás é o que se extrai da auditoria que a Inspecção Geral de Finanças efectuou e cujo relatório é completamente inócuo quanto a qualquer outro assunto senão à contabilidade e que podem consultar aqui [IGF].

O que não vem escrito neste relatório e que as autoras devem ter percebido é algo mais do género: a Porto Vivo é uma instituição partidarizada; a auditoria foi uma jogada política do Governo e que não teve os resultados esperados; o resultado foi guardado para depois das eleições porque era desfavorável ao Governo; a SRU tem uma Administradora Executiva de referência que imprime regras de eficácia e transparência; a SRU tem alguém com interesses no BCP e no BPI, o que levou a contrair um empréstimo incómodo e dispendioso; a Porto Vivo necessita de um novo rumo. Por tudo isto e muito mais, dizemos que a Porto Vivo tem o Presente embargado.

Pelo facto de nos seus quadros encontrarmos aquilo a que chamamos “agentes políticos”, a Porto Vivo tem o seu Futuro sequestrado. E o que é um “agente político” perguntam-nos vocês entusiasmados? O “Agente Políticoé um indivíduo suficientemente mau como técnico para não ser bom político; e mau político o suficiente para nunca ser bom técnico. É o fiel representante de um partido político em todo o tipo de lugar que envolva dinheiro do Estado, dos contribuintes, portanto, nosso. Preferencialmente e em traços rápidos, alguém que antes de se poder considerar “gente”, possui um “currículo invejável” [ironia] como: presidente de uma associação de estudantes; filiado desde cedo num dos partidos do “arco da governação”; curso técnico ou superior tirado numa dessas “universidades relvas ou socráticas” e que nunca ou mal exerceu; MBA’s ou pós-graduações dos mesmos sítios e por equivalência; acção de formação da treta, só para encher páginas de CV; interesse na direcção da associação pública profissional, Ordem Profissional ou outra do género; sócio de uma empresa (ou várias) que actua na mesma área de interesses que a instituição pública que representa (devendo milhões à Banca); membro da assembleia municipal da zona; deputado da Assembleia da República ou perto de o ser/ter sido; membro de um clube recreativo ou rancho folclórico; e é maçon. Sim, ser maçon também está na moda para este agente, de preferência numa loja dessas mais modernas e sem grande história.

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a maçónica avenida dos aliados

E a SRU tem lá deste tipo de “erva daninha” que se infiltra em todo o lado, até na maçonaria (cujos princípios de base são respeitosos e elevados). O nosso diagnóstico já vinha feito antes quando escrevemos: “(…) empregando pessoal não especializado, que nada sabe (ainda!) de reabilitação, mas indicado pelos diversos responsáveis dos partidos do poder; com um modelo de financiamento com poucos resultados noutras cidades da Europa e que, como podemos agora constatar, não é à prova de crises económicas ou políticas, ao contrário do modelo que existia [mais lento ou mais rápido conforme os orçamentos, mas sedimentado porque incluía os residentes (autóctones) no seu planeamento]; porque vive do expediente, do negóciozinho com este ou aquele investidor a quem tudo se permite para não o perder, mesmo que isso signifique fechar os olhos às atrocidades que ele comete em matéria de reabilitação, com intervenções destrutivas e incompreensíveis; porque é forte com os fracos e vice-versa (…)”. O “agente político” é o negociador, o facilitador, o tipo que abre ou fecha portas, que mesmo não tendo um cargo definido ou útil na instituição, vai-se mantendo presente e por vezes incómodo, às vezes conspirando contra a própria entidade de abrigo, não se sabendo até que ponto é capaz de vender as facilidades que fabrica, com um valor acrescentado a seu favor.

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Num jantar o Dr. Joaquim Branco confidenciou-nos que desejou um dia despedir todos os funcionários da Porto Vivo para começar de novo e que não o deixaram. Para alguns deles a “porta da rua” é a serventia da casa, mas ao contrário. Só de imaginar o “agente” a guardar as notas num compartimento secreto do seu aventalinho bordado… ui, ui!

o sabor do sangue, por ssru

Há muito que o Monstro sentiu o nosso cheiro e saboreia o sangue que este povo derrama nas praias do Atlântico. A dívida não é nossa, nós não vivemos no vosso nível de vida! Velhacos.

GOLDMAN SACHS – O MONSTRO QUE DIRIGE O MUNDO | até que tudo arda!!!

a sala das visitas, por ssru

A cidade do Porto foi sempre reconhecida, ao longo dos tempos, por saber receber bem quem a visita e quem a estima. Os tripeiros são amiúde referidos, às vezes com pejoro, por serem demasiado solícitos sempre que alguém pára a pedir indicações ou sugestões, aparecem logo 3 ou 4 e cada um a dar a sua opinião, pois isso está no código do nosso ADN. E em relação ao turista estrangeiro não é diferente, os portuenses recebem tão bem um dos nossos como um “camone”, até porque estes, normalmente, vêm com a carteira mais recheada do que os outros.

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No entanto a realidade tem vindo a modificar-se: a globalização e a massificação do turismo a baixo custo têm trazido muito mais gente, diferente deste estereotipo, de visita à nossa cidade. Aquele que melhor parece ter percebido essa mudança do paradigma foi precisamente o actual Presidente da Câmara, o Dr. Rui Moreira, enquanto o seu antecessor adormecia aos acordes de guerras fratricidas. Foi durante os seus mandatos como Presidente da Associação Comercial do Porto que o Palácio da Bolsa, sede e propriedade da associação, se tornou sem contestação no mais visitado monumento da cidade. A estratégia utilizada foi irrepreensível, abrangente e deu os seus frutos em prazo curto.

Ao contrário da política municipal empregue nos restantes monumentos e espaços de referência da cidade que se fecham num casulo, a equipa da ACP soube trazer para a ribalta o melhor do palácio e da própria cidade, com produtos turísticos, com publicações novas e/ou históricas, com eventos – do vinho ou de moda, com concertos, com um restaurante de renome, com visitas programadas e guiadas, com a reabilitação do próprio edifício e dos seus espaços carismáticos, como é o caso do salão árabe. A cidade por sua vez pinta-se com pinceladas desoladas:

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Boa tarde: Vivo no centro do Porto e tenho acompanhado o seu blogue. Deixo-lhe aqui os parabéns pela iniciativa e pela qualidade da escrita.

Não sei se já abordou este tema, mas seria interessante um artigo acerca deste assunto.

Milhares de turistas são despejados nesta cidade todos os fins-de-semana.

Mas pouco ou nada o Porto tem para lhes oferecer. Animação cultural muito pontual, nem iniciativas públicas que mostrem ao turista a nossa Cultura nas mais variadas facetas.

E o que é o turista “leva” daqui? “Leva” com porta na cara sempre que quiser ver qualquer coisa, comprar qualquer coisa durante o fim-de-semana.

Sim. O Porto, a partir da tarde de Sábado até Segunda-feira, está fechado ao público! O Majestic fecha ao Domingo, aliás como 90% dos estabelecimentos no Centro.

Eu até podia não ter razão, mas note-se esta história exemplar:

- Nos dias 8 e 9 de Junho de 2012 houve um festival no Parque da cidade que juntou perto de 30.000 pessoas, metade das quais oriundas do estrangeiro. Ora… como os espectáculos ocorreram numa 6ª e Sábado, a maioria dos turistas decidiu ficar mais um dia para conhecer a cidade. Só que, azar o deles e o nosso, o Domingo era o feriado de 10 de Junho!! Ou seja, os turistas encontram TUDO encerrado: cafés, restaurantes, museus, galerias de arte, salas de espectáculo, igrejas, monumentos… tudo! Eu próprio falei com um casal holandês que “jantou” umas coca-colas e uns croissants secos, comprados no Minipreço!

Resultado? O festival deste ano teve uma quebra brutal de assistência estrangeira, pois as gentes do Porto pensam que os turistas regressam às suas casas e não contam estas histórias a ninguém.

Porto, a cidade do trabalho? Acredito. Mas encerrado ao fim-de-semana.

Teixeira Moita (Agosto de 2013)

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A cidade do Porto está neste momento numa baixa de afluência, situação ideal para preparar a chegada próxima dos novos visitantes ou dos que por amores se perderão de novo pelas nossas ruas, Falamos de turistas que estão habituados a visitar as cidades capitais dos Países, ou as segundas cidades capitais da sua região. Cidades cosmopolitas que não dormem (ou dormem muito pouco) como é o caso de Barcelona e Valencia, Veneza e Florença, Marselha e Lyon, Birmingham e Manchester, etc.

Está na hora de aplicar uma boa receita e tirar partido da publicidade gratuita que nos foi dada pela eleição de “melhor destino turístico da Europa” e começar por acreditar que a melhor oferta desta cidade não são as inúmeras “tascas e alojamentos pé-descalço” ilegais que se abriram por todo o lado como cogumelos. Começar por manter um posto de informação turística aberto despois do almoço de sábado, no Centro Histórico, pois não é o caso da Praça do Infante D. Henrique, nem mesmo em pleno Verão. Depois do nosso quarto com vistas (que se mantém) não queiramos a nossa sala de visitas fechada às visitas, na “antiga, mui nobre, sempre leal e invicta cidade do Porto”.

o velho novo ano, por ssru

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Neste raiar de um novo ano, gostaríamos que o Dr. Rui Moreira soubesse que ainda acreditamos que ele possa protagonizar uma mudança sincera nesta cidade, mas existem alguns sinais que nos deixam preocupados, como os que vemos no seu facebook ou no da Câmara. Para que não perca o norte em vãs vaidades (vaidade q.b. pode ser bom) relembramos-lhe o discurso, na Assembleia da República, do Dr. José António Pinto, assistente social da freguesia mais empobrecida do Porto – Campanhã – que nos remete para aquilo que realmente merece a nossa atenção e em quem vale a pena investir – as pessoas.

(…) Eu troco esta medalha por outro modelo de desenvolvimento económico. Deixo ficar esta medalha no Parlamento se os senhores deputados me prometerem que, futuramente, as leis aprovadas nesta casa não vão causar mais estragos na vida daqueles que, por terem deixado de dar lucro, são hoje considerados descartáveis.

Eu não quero medalhas. Quero emprego com direitos para criar riqueza, quero que a dignidade do homem seja mais valorizada do que os mercados, quero que o interesse colectivo e o bem comum tenham mais força do que os interesses de meia dúzia de privilegiados.

Quero que os cidadãos do meu País hipotecado realizem os seus sonhos. Quero que estes governantes estanquem imediatamente este processo de retrocesso civilizacional, que ilumina palácios, mas ao mesmo tempo enche a cidade de pessoas a dormir na rua.

Não quero medalhas, quero que os cidadãos deste país protestem livremente e de forma digna dentro desta casa e quando reivindicam os seus direitos por uma vida melhor não sejam expulsos pela polícia destas galerias. (…)

José António Pinto, Dezembro de 2013 – Assembleia da República

a carta aberta, por ssru

Nesta quadra festiva renovamos os nossos votos e preces, aproveitando o momento para reforça-los e desta vez dirigidos ao Pai Natal e a mais algumas Estrelas do Norte, apesar de nem sempre obtermos as melhores respostas dos nossos Entes Queridos.

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O alvo das nossas súplicas, neste ano de 2013/14 da graça de Nossa Senhora, é o incontornável Mercado do Bolhão, edifício poderoso e carismático desta cidade, símbolo de inúmeras “batalhas” – as lutas do dia-a-dia na guerra pela sobrevivência de um povo. No Bolhão sempre se respirou o ar mais puro da natureza tripeira.

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Como está muito na moda, o suporte desejado para a nossa narrativa é a Carta Aberta, na vaga protagonizada pelo Dr. Rui Rio quando este se dirigiu ao Governo de Portugal (que não lhe ligou patavina) a propósito da SRU e que recolheu a assinatura de muitos outros intervenientes com consciência pesada por efectivamente nada fazerem pela cidade. Cá vai!

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Carta Aberta ao Pai Natal
e aos outros Notáveis do Norte
Não vamos perder tempo a fazer introduções dengosas sobre o estado do País e da Cidade que sempre terminam atribuindo as culpas à Troika ou ao nosso modo de viver acima das nossas possibilidades (como na carta aberta do Ex-Autarca). Adiante…
Querido Pai Natal, o pedido que lhe dirigimos não é nada de extraordinário para alguém tão importante e uma vez que nos portámos muito bem este ano passado, gostaríamos de receber de prenda alguma clarividência para os nossos políticos e um incentivo financeiro que caia do céu e que contribua para o arranque das obras do Mercado do Bolhão! É que estamos muito necessitados de uma ajuda sua, para darmos início à empreitada de reabilitação do edifício, que tem vindo a ser adiada década após década, sem que se anteveja um final feliz. Repare que mesmo o novo Presidente já começou a ver os escolhos no caminho antes de ver um programa adequado para o edifício, pois anda perturbado com aquela coisa de colocar habitação onde ainda só cabe um uso comercial,,, E vós:
Caros Notáveis do Norte, Estrelas do Firmamento Nortenho, vocês que assinaram a carta aberta do Dr. Rui Rio, têm agora a oportunidade de fazer algo realmente importante e palpável a favor do Povo que têm vindo a explorar (de uma forma ou de outra), em vez dessa conversa fiada do costume. Reuniram-se ali num hotel de luxo para assinarem uma cartita, falaram aos microfones, cumprimentaram-se onanisticamente uns aos outros e foram-se embora até sempre!
Uma vez que não existe no horizonte outro meio de financiamento externo e já que o Dr. Rui Moreira mostrou abertura para a inclusão de privados na reabilitação do mercado, queremos propor-vos “que se cheguem à frente” para que o edifício continue a fazer parte do Património da Cidade, tal como ele é. É tudo muito simples, basta fazerem um donativo a favor do Mercado e a CMP e a DRCN organizam a execução da obra que deverá ser apenas a necessária, a mais eficaz e sustentável para um espaço temporal de 25 anos, por exemplo. Com este acto singelo evitam a degradação acelerada do esplendoroso edifício e diminuem drasticamente as hipóteses de passar para as mãos de privados através de uma concessão ruinosa ou uma PPP dantesca.
Para a realização das obras de reabilitação patrimonial do edifício do Mercado do Bolhão serão precisos uns meros 10 M de euros (ou menos), segundo uma avaliação “a olho” que realizamos tendo em conta o seguinte “caderno de encargos”, não perdendo de vista o projecto original de António Coreia da Silva: 1- não prevemos a necessidade de esventrar o edifício ou realizar qualquer outra magia supérflua para dotá-lo de estacionamento, pois como diz o Dr. Rui Moreira e diz o Dr. Manuel Pizarro, o Silo-auto é já ali e só precisa de ter preços mais justos para ser rentável, ao que acrescentamos o caminho maravilhoso pela ecléctica Rua de Sá da Bandeira para lá chegar; 2- sim, uma cobertura na nave central (não precisa ser muito rebuscada) dava imenso jeito a quem usufrui do espaço – vendedores e clientes – e podemos aproveitá-la para recolha das águas pluviais que abasteceriam o edifício, o que aumentaria a nossa pegada ecológica se juntássemos mais uns painéis solares nas empenas interiores da cobertura, viradas a Sul, para colectarem energia; 3- revisão e reparação geral da estrutura degradada, substituindo o que não seja viável, reparando o restante; 4- correcção das fachadas exteriores uniformizando-as e retirando os elementos dissonantes como os reclamos, aparelhos de ar-condicionado, estores e toldos, revestimentos estranhos ao edifício e reposição de elementos primitivos; 5- melhoramento geral das instalações interiores, impondo-se a utilização de materiais com boa resposta ao uso intensivo e menor desgaste; 6- reorganização de espaços dedicados à comercialização de produtos frescos, lojas e bancas, com possível inclusão de cafetarias/bares e similares no piso superior da galeria Sul; 7- gestão participada do espaço, com atribuição real de competências.
Em troca do vosso altruísmo ímpar (para além de uma consciência mais limpinha) existe todo um mundo de mais-valias. Desde logo o vosso nome poder ficar ligado à reabilitação de um edifício tão marcante na história da Cidade; toda a publicidade que lhe está inerente directa ou indirecta; a possibilidade de terem uma representação no local da forma que melhor se convencionar; e todo um capítulo no Estatuto dos Benefícios Fiscais dedicado a vós, Mecenas (não é massenas!).
«Por tudo isto, os subscritores apelam ao Pai Natal e aos Notáveis do Norte que ponderem toda a Vossa actuação nesta Cidade, que não permaneçam insensíveis à falência do mercado, que contribuam para a sua reabilitação, que colaborem activamente no projecto de reabilitação da Baixa portuense e de animação da actividade económica e que não desconsiderem o Porto – a Cidade não tolera desconsiderações, como historicamente sempre aconteceu.»

Às práticas terroristas que procuram justificação para a destruição do Mercado do Bolhão, a resposta é um banho de realidade – o mercado está vivo e cheio de gente. Até lá vamos todos rezando à Nossa Senhora da Conceição, Padroeira de Portugal, para que vá fazendo um Milagre todos os dias!

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a ruína e o milagre, por ssru

A Ruína e o Milagre são dois apaixonados que se passeiam abraçando as ruas do Centro Histórico do Porto. Apenas o Desastre os separa e impede de se transformarem num exuberante monumento à indigência, formando um triângulo amoroso de difícil compreensão para quem coabita com tão obstinado trio. Falar-vos nestas personagens deste conto de terror, tornou-se um acto banal e, mal comparando, esta é a nossa “Banalização do Mal”.

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Contrariando um reputado jornalista que escreve no JN – Daniel Deusdado – o verdadeiro Milagre opera-se quando constatamos que os edifícios do Centro Histórico permanecem em pé, orgulhosos, mesmo depois de tantos maus-tratos pela falta de manutenção, depois de acumularem patologias com as infiltrações que corroem os materiais, depois de inesperados incêndios que lhes destroem a essência e das técnicas de combate ao fogo que lhes lava a alma em rescaldo, depois da razia protectora dos civis que lhes amputa partes despregadas do corpo, deixados à deriva das intempéries e do clima do Norte. Mesmo assim, eles insistem em permanecer de pé, estoicamente. Até ao próximo Desastre.

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Se tivermos como certo aquilo que diz o Arq. Rui Loza, “que cada caso é um caso”, este caso que vos queremos apresentar, é exemplar. Trata-se de um edifício de 1680, que está instalado numa parcela alongada com fachadas desniveladas entre a Rua de Belomonte e as Escadas da Vitória (que o circundam), o primeiro do lado par da rua. A tipologia é a comum nas edificações da burguesia comercial portuense, com um primeiro lanço de escadas longitudinal (encostado a uma das paredes de meação para libertar o espaço comercial do piso térreo), que depois se transforma numa escadaria transversal em madeira com 2 lanços paralelos por piso, iluminados superiormente por uma clarabóia (entretanto, substituída por uma trapeira). Os andares superiores tinham uma função habitacional que destacava as cozinhas para o lado Norte das antigas Escadas da Esnoga.

Em tempos teve um restaurante no rés-do-chão que nos fazia sentir em casa de tão acolhedor – a Casa Mariazinha. Numa noite de passagem de ano alguém lhe pegou o fogo, aproveitando a ausência do casal de inquilinos idosos do último andar e que foram à aldeia pelo Natal. Diz-se por aqui que tudo se deveu a uma altercação entre o dono do restaurante e os autóctones vizinhos de um outro tasco, que em resultado da acumulação de graves querelas, assim resolveram em chamas. Só por Milagre não morreu ninguém!

Os sinais estão lá todos, numa acumulação sucessiva de degradação: edifício destelhado e chuva a entrar nas paredes portantes, pelo topo e faces; deformação notória e grave da parede lateral para as escadas, sobretudo ao nível do 1º e 2º andares; vigas de travamento dos pisos e paredes ao relento e a apodrecerem, especialmente nas entregas à parede; parede lateral parcialmente demolida; elementos de fecho como as cornijas com deslocamentos; deslocamentos de padieiras e ombreiras dos vãos; fissuração grave das paredes; destacamentos de revestimentos como os azulejos na fachada principal e o reboco nas restantes. Mais grave é a manutenção desta situação por tempo indeterminado.

Se desde 2003 que a CMP realiza vistorias de salubridade e segurança a este edifício e após arder totalmente na passagem de ano de 2006 para 2007 (ou seja, há quase 7 anos e é provável que dure mais 7 assim), esgotados que estão todos os prazos para a realização de obras impostas pelos diversos organismos oficiais, interrogamo-nos por que razão a Câmara ainda não deu o passo seguinte: tomar posse administrativa do prédio e realizar as obras necessárias à sua salubridade e segurança de pessoas e bens, impondo ao proprietário todos os custos obtidos, acrescidos de multa pela sua inoperância, agravando-lhe ainda o IMI.

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E vocês respondem “ah, e tal, é porque a proprietária é a D. Aida Nunes, uma querida e a mais longínqua farmacêutica do burgo e que o seu filho único, o António Abel, foi o assessor de Rui Rio para a mobilidade e está na Porto Lazer a tomar conta do Circuito da Boavista”. ERRADO!

Até pode haver algum favorecimento no alargar dos prazos ou isso… mas, na verdade a CMP e a Porto Vivo não sabem bem o que fazer e vão tomando decisões avulsas que em nada contribuem para o estancar do problema. Isto para não falar também na passiva DRCN, que tem a sua quota-parte de responsabilidade na preservação do bem classificado como Monumento Nacional.

Mas imaginem que o problema se resolve integrando os esforços dos diversos departamentos e serviços camarários, mais os da Porto Vivo (que agora gere esta zona)! Seria lógico que houvesse comunicação entre todos eles, que partilhassem informação, os modos de executar os procedimentos, a economia dos meios ao dispor, para não se registarem nem excessos nem falhas nas respostas a dar aos problemas. Agora, imaginem um bando de elefantes trombudos que arrastam as largas patas de um lado para o outro, deixando cair a melhor faiança que existe nesta loja de louças que é o Centro Histórico do Porto. Verão que é isso que tem estado a acontecer, inexoravelmente.

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O que o Daniel Deusdado não sabe, ou sequer se importou saber (em vez do sound-bite), é que com 20 milhões (nunca são só 20) é possível reabilitar 100 edifícios como este, ou seja, 100 espaços comerciais no rés-do-chão (melhorando o aspecto ao nível da rua) e 500 habitações para 500 famílias, alojando um total de 2000 pessoas, todas elas a mudar de vida e a contribuir de forma decisiva para a reabitação do centro da cidade e, isso sim, contribuindo para o seu desenvolvimento sustentável. O grande MILAGRE é o prédio ainda não ter caído em cima de ninguém e a escultórica RUÍNA se manter ali de pé para turista ver.

a arquitectura milagreira, por ssru

Outubro corria calmo. O mês da arquitectura festeja-se com umas festas e umas exposições e um concurso de ideias e mais uma iniciativa anual da Ordem dos Arquitectos a lembrar que não se esqueceu da sua função de dignificar a arquitectura e as condições de trabalho dos arquitectos, com uma campanha muito pertinente – “Olhe à sua volta – ainda acha que não precisa de um arquitecto”. A campanha tem piada pois apela ao sentido de avaliação e do bom gosto dos portugueses que, ao lerem o cartaz e ao olharem em volta constatarão que afinal estes 40 anos que passam desde o decreto-lei 73/73 deixaram-nos a todos muito mais pobres.

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E a pacatez acaba quando, ainda antes de percebermos quem tinha ganho o Concurso de Ideias do Quarteirão da Companhia Aurifícia, em grande estrondo circula pela comunicação social uma proposta estapafúrdia, penúltima classificada em 12.º lugar, de relocalização da Ponte Maria Pia, no interior, no centro geográfico do terreno em estudo. Perguntamos ao Bandeira, “então pá, o que é isso?! Ah, não ligues, é gozo …foi só uma brincadeira!”. Espera lá…!

Mas ó Bandeira, até as brincadeiras têm um preço! Uma coisa é “a gente espirrarmos” uma parede na Rua da Sofia (que fica lá quase na mouraria) e pormos todos aos pinotes a bater palmas e o gabinete a fazer horas extras. Outra coisa é vires pr’aqui gozar com o nosso património, que já é tão difícil de manter intacto e com a nossa cara, que por acaso não tem rosto. Ou melhor dito por um grande arquitecto, de nome José Gigante (o nosso Gigas): “com todo o respeito pelos meus dois colegas arquitectos, acho a ideia disparatada, própria de quem teima em dissociar a obra de arte do contexto onde se fundamenta a sua forma. Mais uma vez é a exploração de um filão para deliciar “basbaques”…e admiradores da “esperteza saloia”. E aproveito para citar os Jáfumega: ‘A ponte é uma passagem p’rá outra margem…’”

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Pois é, a nossa querida comunicação social ávida de basbaquices para fazer páginas de notícias, encontra na vossa proposta um manancial de reality-show e vocês começam a dar as entrevistas e a cair na esparrela e a quantificar a solução e a tornar a coisa fazível como se o que ali está, fosse um objecto inútil como diz a jornalista na peça. Morreu. Kaput. Foi a indigência que a tornou inactiva. E o nosso silêncio…

E depois um gaijo que a gente até curte ler de vez em quando, diz: “10 milhões para se adquirir o terreno da Companhia Aurifícia e 10 milhões para desmontar a ponte e reconstruí-la, ali, magnífica e bela, no meio da minha cidade. Diria, de olhos fechados, que o investimento se pagaria rapidamente com o turismo. Que este projeto reforçaria um tema da campanha eleitoral – a do Porto como grande cidade da arquitetura. E que, tendo nós Eiffel – entre Nasoni, Siza Vieira, Souto de Moura, Rem Koolhaas (e muitos outros) – não devíamos deixar escapar entre os dedos do convencional um milagre da imaginação. Esta ideia é um milagre de uma nova geração. Irreal tolice populista!

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Uma má proposta é sempre MÁ, qualquer que seja a conjuntura económica, mas esta é tão só criminosa e irresponsável. É que, ainda por cima, tu és professor na UM e o Ramalho é parente de grandes arquitectos como o Pedro, que foi professor na escola e o Luis, que é um génio e um espectáculo de pessoa. Já viste a bandeira que estás a dar aos teus alunos, dizendo-lhes que podem c_g_r, assim como tu, no valor patrimonial das coisas. Fazias um milagre se agregasses ali todo o pessoal que se quisesse atirar da ponte abaixo e sem eles saberem colocavas uns ‘airbags’ no fundo, que ao menos já evitavas a mortandade que se passa em baixo no rio e que ninguém quer falar.

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Na nossa gíria técnica equipamentos como esta ponte, viadutos e afins, costumamos chamar de “obras de arte”. Mas se querias plantar ali uma obra de arte escultórica porque não pegaste numa coisa como a do Cutileiro e colocavas ali, com o esplendor do colorido a ouro (aurifícia) e com uns 100 metros de altura. Era só “charters” de turistas a aterrar no aeroporto… Chega a ser doloroso, imaginar que foi aqui nesta encosta sobre a Ponte Maria Pia, que tu começaste a dar os primeiros passos na aprendizagem da arte da arquitectura. Para nada, ou para isto!

a vida enlatada, por ssru

A conclusão a que chegamos é que Portugal é um País que enferma de uma estupidez endémica! No mesmo dia podemos ler duas notícias tão diferentes mas tão intimamente ligadas, a começar por esta:

“Governo sorteia carros para quem pedir fatura”

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A ‘lotaria de faturas’ arranca em janeiro e, para já, vai sortear automóveis. O sorteio será semanal e destina-se a incentivar os consumidores a pedirem faturas com o seu número de contribuinte. (…) Para ficar habilitado tem que pedir para incluir o número de identificação fiscal no ‘recibo’. Todo o tipo de compras (em qualquer sector de atividade) são válidas e habilitam para o sorteio.

“Uma em cada 5 famílias deixou de comprar carne ou peixe por falta de dinheiro”

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Uma em cada cinco famílias portuguesas, mais precisamente 22,8%, inquiridas num estudo da Direcção-Geral da Saúde (DGS) admite não ter tido dinheiro para comprar alimentos como carne ou peixe nos últimos três meses de 2012. (…).O estudo da DGS acrescenta ainda que quase 30% dos agregados familiares confirmaram ter mudado de hábitos alimentares no período em análise, motivo pelo qual deixaram de comprar alimentos que consideram essenciais.

Abram alas para o enlatado da vida…

a lei fundamental, por ssru

Segundo a Lei Fundamental do País, “a República Portuguesa é um Estado de direito democrático, baseado na soberania popular, no pluralismo de expressão e organização política democráticas, no respeito e na garantia de efectivação dos direitos e liberdades fundamentais e na separação e interdependência de poderes, visando a realização da democracia económica, social e cultural e o aprofundamento da democracia participativa”. Quer isto dizer que há, aqui neste rectângulo, um lugar para todos, desde o mais simples e cumpridor cidadão ao mais abjecto e viscoso indigente cidadão. Isto acontece porque a soberania é una e indivisível e reside no Povo, seja ele qual for.

Ora, este Estado de direito democrático só o é se se subordinar à Lei Fundamental e se fundar na legalidade democrática, leis essas que só serão válidas se estiverem em conformidade com a própria Constituição. Foi por isso que o Povo Unido, conhecedor de si próprio, criou o Tribunal Constitucional, para garantir que não andavam uns viscosos a dar cabo disto tudo e a ficarem com a melhor parte do pernil.

Um dos direitos fundamentais previstos na Lei Fundamental é a liberdade de expressão, ou seja, a possibilidade de dizermos o que pensamos sem que por trás apareçam uns tipos cinzentos que nos levam para um quarto escuro e nos deixem cheios de nódoas negras. Em Portugal toda a gente critica toda a gente, pois desde que não se ultrapassem os limites previstos na Lei e não se chame palhaço ao Presidente da República, tudo o resto é permitido.

É por isso que qualquer cão, gato ou rato diz mal do Tribunal Constitucional e até mesmo nós, formiguinhas obreiras, já criticamos o porquê do TC ter permitido que o Estado roubasse o nosso salário, no ano passado, admitindo ao mesmo tempo que havia inconstitucionalidade naquele roubo. Foi uma coisa assim do género: “Ah, os meninos viscosos estão a roubar o lanche aos vossos colegas mas como já comeram metade da santocha, vá… comam lá o resto, s.f.f.! Mas para o próximo recreio não o repitam, está bem?!” O nosso grande problema é que eles repetiram, ano após ano têm repetido os mesmos actos infâmes de violar a Constituição da República Portuguesa e não há ninguém que os castigue. Crucificaram a Manela quando ela sugeriu que se suspendesse a democracia por seis meses e agora já andamos nisto há dois anos e meio. Pensarão eles que tudo é aceitável só porque levaram o Estado à falência e ainda nos ameaçam com a falta de dinheiro para pagarem os ordenados. Austeridade e mais austeridade… Dizem eles que a Lei tem que ser mudada e que foi feita num tempo diferente e que não se adapta a esta crise que vivemos e o TC também não faz falta nenhuma porque não sabe olhar para a realidade do País e que vivemos durante muito tempo acima das nossas possibilidades… Mas afinal a quem é que eles se referem, a que País e a que Povo?

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foto @ google

Criticar é fixe. As críticas podem sempre ser aproveitadas, as boas e as más, para modificarmos alguma coisa para melhor. O que não suportamos é esta ideia de permitirmos que nada acontece àqueles que juraram defender a Lei e a violam ou deixam violar constantemente, a troco de umas 30 moedas ou menos. Aqui, verdadeiramente, não há palhaços, só há traidores!

“Juro por minha honra desempenhar fielmente as funções em que fico investido e defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República Portuguesa”, disse ele!

a república avessa, por ssru

Foi há um ano atrás, lembram-se? Até hoje ainda não nos recompusemos!

apenas conseguimos endireitar a bandeira portuguesa

apenas conseguimos endireitar a bandeira portuguesa !

Cento e dois anos de vida ainda podem trazer episódios insólitos? Podem. A República Portuguesa cumpriu-os ontem e viu o Presidente hastear o seu símbolo oficial ao contrário. Cavaco Silva só se apercebeu depois, a bandeira foi endireitada (já por outras mãos), mas o mal estava feito. Mesmo que na sua intervenção Cavaco tenha evitado lançar mais achas para a fogueira da crise política e social, preferindo centrar-se num tema tão consensual como a formação dos jovens, o último dia 5 de Outubro celebrado como feriado encontrou sozinho uma imagem ajustada ao momento.

(…) Ao contrário do que fez em anos anteriores na mesma data, Cavaco Silva preferiu passar ao lado da crise ou do Orçamento do Estado para o próximo ano, evitando agravar o actual contexto social e político que considera mais grave que nos últimos anos. Nesta cautela calculada, o Presidente explicou que “deve situar-se numa posição suprapartidária, acima de controvérsias políticas que marcam o dia-a-dia” e o mais longe que foi em termos de recados foi dizer que o “sacrifício tem de ter um propósito, um sentido, uma razão de ser”.

República de pernas para o ar e com cautelas do Presidente, no Jornal i

o “primus inter pares”, por ssru

Quem assistiu às suas aulas, recorda com saudade o colossal génio de um homem carinhoso. A nossa última aula permanece ainda gravada na memória colectiva, sobretudo aquela ovação final da sala em pé, que estremeceu todos os corpos vivos. Ter tido o privilégio de entrar em sua casa foi quase deambular num santuário onde se respirava a verdade do Universo. O Mestre Fernando Távora era tudo isto e muito mais!

O mês de Outubro é o tempo de celebrar a arquitectura e relembrar Távora. Os Arquitectos Portugueses reconhecem a sua genialidade, a Universidade do Porto considera-o uma Figura Eminente, mas o Porto ainda lhe deve o tributo merecido. Como ele escreveu: “Deixar morrer a cidade portuguesa, como vem acontecendo no nosso quotidiano, é um acto de suicídio colectivo”.

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“Fernando Távora Homenageado como Figura Eminente 2013”, in UPORTO Alumni 18

Anualmente, a U.Porto celebra um dos seus primus inter pares. Alguém que pelas suas excecionais qualidades humanas, pedagógicas e científicas se distinguiu na história da Universidade e contribuiu de forma indelével para o seu engrandecimento. A homenagem pressupõe a atribuição do título de Figura Eminente à personalidade escolhida, bem como a organização de um ciclo de iniciativas lembrando a sua vida e obra.

O arquiteto Fernando Távora é a Figura Eminente da U.Porto 2013, pelo que, até ao final do ano, o seu legado pessoal, académico e profissional inspirará encontros científicos, instalações expositivas, edições de livros, entre outras iniciativas. “Desta forma estaremos, seguramente, a promover a valorização histórica do homenageado e a transmitir o seu exemplo às novas gerações”, diz o reitor da Ll.Porto, Marques dos Santos, para quem Fernando Távora é uma “referência maior, não apenas da arquitetura nacional, mas também da cultura portuguesa e da sua capacidade de se projetar no mundo”.

A celebração da Figura Eminente 2013 teve início a 23 de maio último, no Salão Nobre da Reitoria, com uma sessão que incluiu a leitura de textos do arquiteto pelo encenador Jorge Silva Melo, a projeção de um filme sobre o homenageado e a-apresentação da publicação “Fernando Távora – ‘Minha casa’, Fasciculo 1, Prólogo”. No dia seguinte, a figura, o pensamento e a ação de Fernando Távora serviram de mote a um encontro de investigadores, que reuniu, também na Reitoria, vários especialistas em arquitetura e urbanismo.

O programa da Figura Eminente 2013 prosseguiu, a 4 de junho, com a inauguração, na Fundação Instituto Arquiteto José Marques da Silva (instituída pela Universidade em 2008 e sita na Praça do Marquês de Pombal, nº 30), da exposição “Fernando Távora: uma porta pode ser um romance”. De resto, o conjunto de iniciativas desta homenagem está muito centrado no arquivo documental que a família do arquiteto cedeu à Fundação em 2011, sob regime de comodato.

A homenagem deverá conhecer novo momento alto com a abertura da programada instalação-exposição sobre a obra de Fernando Távora, que estará patente, de novembro a dezembro, no Museu Nacional Soares dos Reis (MNSR). Até ao final do ano, vão ter ainda lugar dois ciclos de conferências em que se cruzarão as histórias de vida e os livros que inspiraram Távora.

Fernando Távora (Porto, 1923 – Matosinhos, 2005) é considerado o “pai da escola do Porto”, na medida em que formou e influenciou fortemente muitos dos grandes arquitetos que integram o movimento pedagógico, cultural, artístico e arquitetónico que nasceu na Escola Superior de Belas Artes do Porto (ESBAP) e prosseguiu na FAUP e na FBAUP. Diplomado justamente pela ESBAP, em 1952, Távora dividiu a sua carreira entre a arquitetura e a docência, em particular na FAUP – instituição de que foi presidente da Comissão Instaladora, professor catedrático e figura tutelar.

Entre as principais obras de Távora, destacam-se o Mercado Municipal de Santa Maria da Feira, a Casa de Férias no Pinhal de Ofir (Fão), a reabilitação do Centro Histórico de Guimarães, a ampliação das instalações da Assembleia da República, o restauro do Palácio do Freixo (Porto), a expansão do MNSR e a remodelação do Círculo Universitário do Porto.

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“Esquissos de Viagem”, Álvaro Siza – Porto 1988

a ebulição das freguesias, por ssru

Após a esperada fusão do núcleo, o estado físico seguinte só poderá ser o da ebulição, onde aquele se evapora no ar dos tempos, ou, caso os fregueses acordem, onde o processo começará finalmente a ferver e a agitar a vida desta cidade anestesiada. Por conta de uma legislação ordenada por um desclassificado ministro, todo o País terá que cortar em freguesias, mesmo que isso não resolva problema nenhum (pelo contrário), nem represente qualquer poupança aos cofres do Estado, ou seja, aos bolsos dos cidadãos. A discussão no Porto também se faz, certamente, mas com calminha…

Após uma breve interjeição, em que, boquiabertos, nos deparamos com um novo Mapa Organizativo da Cidade do Porto, impossível de decifrar apenas com os argumentos apontados pelas forças políticas mandantes, decidimos embrenhar-nos melhor no assunto para encontrarmos as verdadeiras razões para tão abstrusa imposição.

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Em traços largos, interessa saber que Portugal tem uma das organizações administrativas mais complexas, mas apenas nas divisões de primeiro nível, da responsabilidade do Estado, pois as de segundo e terceiros níveis são bastante simples, agrupando, respectivamente, os 308 municípios (também chamados concelhos) e as 4260 freguesias em que estes se dividem. Apesar de a Constituição estabelecer que o território só se divide administrativamente em regiões autónomas e administrativas, coexistem ainda, principalmente no território continental, várias divisões administrativas cujas áreas se sobrepõem às de outras divisões, provocando tantas vezes uma duplicação de serviços. São as CCDR, as áreas metropolitanas, as comunidades urbanas, as comunidades intermunicipais, unidades NUTS I, II e III, etc. Exceptuando o caso das NUTS, a maioria desta parafernália de entidades foram criadas em 2003, num processo que ficou conhecido como a “Reforma Relvas”, por ter sido planeado por Miguel Relvas, na altura Secretário de Estado da Administração Local, durante o governo de Durão Barroso.

Esta imaginação criativa de fazer proliferar os tachos e panelinhas para os correligionários dos partidos deve-se sobretudo à falta de coragem política (dito de outra forma, ao crime politico) da classe política portuguesa, incapaz de instituir as regiões administrativas previstas desde que a Constituição foi aprovada, ou seja, desde 1976, vindo a ser sucessivamente adiado pelos vários governos. Este processo de criação das regiões administrativas é popularmente conhecido por Regionalização.

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Chegamos, então, a este ponto em que nos perguntamos como é que permitimos que os mesmos incompetentes voltem a tomar conta da organização do País, começando a alterar e a evaporar, precisamente aquilo que é mais fácil gerir e que melhor funciona – as freguesias portuguesas? Um terço das freguesias do País optou pela fusão e isto é maravilhoso e válido, como o oposto o é para as restantes populações que só querem ser deixadas em paz.

O caso do Porto – a cidade rejeitou a fusão das suas freguesias, algumas delas, lugares de origem da nacionalidade, com o voto contra por maioria da Assembleia Municipal. O executivo camarário, presidido por Rui Rio, CAG_ _ no voto contra da assembleia e enviou à Unidade Técnica da Reforma Administrativa (criada para impor a fusão de freguesias que se recusassem a fazê-lo de livre vontade), um estudo mandado elaborar ao Gabinete de Estudos e Planeamento (GEP) municipal, que incorporou as propostas do PSD e do CDS, acabado de ser rejeitado pela Assembleia Municipal. A Unidade Técnica limitou-se a escolher a proposta que o estudo indicava como preferencial e mais nada…

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O resultado é um plano que funde as 4 antigas freguesias do Centro Histórico – Sé, São Nicolau, Vitória e Miragaia – com duas freguesias vizinhas, Cedofeita e Santo Ildefonso. Dá-se o caso de se tratar de uma reforma tão insegura que o nome escolhido foi “União das Freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória”. Como ainda não estavam muito certos, no dia 5 deste mês é publicado um diploma que “simplifica” (?) o seu nome para “Cedofeita, Ildefonso, Sé, Miragaia, Nicolau, Vitória”. Repararam que caíram os santos do altar e ficaram o Ildefonso e o Nicolau apeados? Que grande cambada de mentecaptos. De que buraco saiu esta gente. Ah, é verdade, da Universidade Relvas!

A fusão é feita “custe o que custar”, sem ter em conta as características do território, a sua história, a sua população, etc.. Vejam, se todas as habitações devolutas do Centro Histórico estivessem ocupadas com as pessoas que enxotaram para os concelhos vizinhos, provavelmente não haveria a necessidade de as fundir com mais nenhuma freguesia. Mas, por vício, a desertificação só acontece à conta da incompetência dos mesmos políticos que impõem este estado totalitário aos seus cidadãos. Olhando assim de soslaio para este novo mapa [dando de barato que roubarem a paria fluvial a Miragaia foi só mais uma das muitas burrices] dá a ideia que os chicos-espertos pretendem ganhar autarquias na secretaria, aglutinando as que têm cor política diferente da sua, com aquelas que lhes garantam a eleição. Acabassem em primeiro lugar com a chuchadeira das múltiplas entidades do primeiro nível e tudo se entenderia melhor.

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A única justificação que parece permanecer depois de todas as outras se esvaziarem é a “massa crítica” e o “ganhar escala”, algo que consideramos ser possível com a simples união de esforços das diferentes freguesias, em vez de as fundirem e com isso as fazerem desaparecer como identidades próprias.

Sobra ainda o caso de Campanhã e como se explica segundo a nossa teoria de aglutinação na secretaria? Bem, é que Campanhã é um caso perdido, é a freguesia mais empobrecida dos últimos anos, aquela onde se investiu pela última vez em 2004, aquela onde a CMP pratica a maior segregação política de que há memória.

a cidade inquieta #11, por ssru

Procurámos sem cessar uma imagem que ilustrasse os 12 anos da desastrosa gestão autárquica de Rui Rio e encontrámos tudo reunido num só edifício do Centro Histórico do Porto: (+) desertificação; (+) degradação urbana; (+) tráfico de droga; (+) desprotecção social; (+) desigualdade social; (+) paisagem poluída (+) graffitis repintados (e que graffiti!); (+) poluição automóvel; (+) problemas de estacionamento; (+) campeonatos para o FCP. Quando abrir a boca para se gabar, lembre-se destes moradores que lhe resistem! [Rua do Corpo da Guarda - Setembro de 2013]

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a destilaria do berto, por ssru

O leitor abaixo, num primeiro momento, apresentou-se com uma citação, expressando um testemunho de desagrado para com a SSRU (sítio e membros). O problema das citações é sempre o mesmo: tem as suas regras! Desde logo o conteúdo deve fazer sentido (para todos, claro); depois deve revelar-se apropriado ao tema em tratamento; e a sua proveniência, o seu autor, representar alguém/algo que mereça admiração e reconhecida aclamação geral, de preferência, alguém que mereça substituir quem o cita. Não foi esse o caso do Berto das Taipas que citou um tal de “agaga…toytó…” (?) que não percebemos nada. Em resposta moderada lançamos um desafio com uma citação de um filósofo alemão (bastante apropriado) que viveu entre 1724 e 1804, Emmanuel Kant, que disse: “É no problema da educação que assenta o grande segredo do aperfeiçoamento da humanidade.” Não, não é à educação do Povo que nos referíamos.

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Berto das Taipas, comentou em testemunhos, 30 de Julho de 2013, ás 19:54

Saudações

Não era suposto regressar tão breve, mas não resisti à resposta célere da vossa “super” secreta sociedade.

No comentário que emiti anteriormente, não era suposto tocar em nenhum “nervo” específico, caso optasse por isso teria que deambular por todo o tecido nervoso obrigando a um movimento peristáltico que me impediria de fazer o “kilo” e debater-me com perturbações do aparelho digestivo, o que muito me incomodaria.

A justificação para o anonimato da vossa organização é sem dúvida recheada de argumentos repletos de covardia sendo esta como se sabe, uma corrupção da prudência! Verdadeiros guerrilheiros camuflados, quiçá “Xananas” descendo pelo morro da Sé, em prol da libertação de uma cidade a ferro e fogo, debatendo-se com vilões, malvados, bandidos e agiotas que destroem a todo o custo o resta do casco histórico. Desgraçadas taipas carunchosas!

Ainda os ilustres colaboradores – admira-me a cobardia assumida e a atitude hipócrita no dia-a-dia nos seus modestos empreguinhos, o que não condiz nada com a frontalidade dos textos aqui produzidos. Parece que os estou a ver : Cenário hilariante – de noite congeminam ataques mortíferos, de dia lambem as botifarras aos dirigentes da Câmara, provavelmente não só para que não sejam despedidos, como referiram (o dinheirinho faz muita falta, não faz?), mas também para obterem um merecido “excelente”, superando assim os objetivos impostos pelo Siadap, os mesmos que na prática, são criticados ferozmente aqui nesta página. Um pleno sem dúvida! Cautela com as reportagens fotográficas, pois poderá, um dia destes, ainda descobrir-se o casulo das formiguinhas obreiras que ferozmente trabalham na tarefa árdua da denúncia sistemática. Se me permitem, duas sugestões:

- Porque não criarem uma sede desta sociedade secreta (passando naturalmente a ser des-secretizada!) num espaço aberto à cidade, com um balcãozinho de reclamações? Por certo teriam matérias infindáveis para valorizarem ainda mais e mais, esta montra de vómitos que definitivamente parece vos atrair tanto. Não me venham com aquela que o Porto está no vosso coração, e que por isso têm que agir na clandestinidade face aos monstros que a dirigem. Já agora aproveito para vos relembrar que daqui a nada, estão aí as eleições e quem sabe o futuro Presidente (seja ele qual for) poderá ceder-vos um espaço à borla, para as vossas atividades. Então? Quem é amiguinho, quem é?

- Denunciar (com belas imagens) a chamada Casa dos 24, edifício construído em 2002, com 22 metros de altura e a 7 metros da Sé do Porto, da autoria do Mestre Fernando Távora. As obras de construção que à data custaram 858 mil euros, + os trabalhos a mais, (portas em bronze e teto folhado a ouro, no tempo em que ainda se gastava à fartazana!) têm sido alvo de denúncias à Unesco e críticas da população que contesta sistematicamente sua existência. (o povo é inculto, é um “problema de educação”, eu sei!).

As formiguinhas da Câmara ainda não relataram este caso? ou será que não é arquitetonicamente correto mexer no assunto? A sociedade age no anonimato, ninguém vos vai recriminar pela denúncia. Vá lá força, tenham coragem! Não custa nada! A longo prazo sairão beneficiados.

Como diria Rui Ramos Loza, que vocês tão bem citam no início, “podes até, querer demolir a Torre dos Clérigos, desde que no seu lugar consigas propor algo melhor”. Aposto que, num hipotético cenário de demolição da Torre dos Clérigos (que violência!), a substituição da mesma, por uma torre contemporânea, da autoria de um dos Mestres que vos guiam nos vossos pensamentos maliciosos, seria por certo bem-vinda, aplaudida, e acarinhada pela Sociedade Secreta de Reabilitação Urbana. Quem sabe mesmo, uma obra candidata a um Premio Pritzker ¡ Querem apostar?

“O que o moralista mais odeia nos pecados dos outros é a suspeita acusação de covardia por não ter coragem de os cometer.” Vergílio Ferreira

Atenciosamente

Berto das Taipas (não sou vosso “vizinho” nem nunca serei)

[os erros ortográficos foram corrigidos pela ssru]

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Vocês que nos seguem desde sempre, poderão pensar ser desnecessário responder a um comentário assim. Nós, pelo contrário, aproveitamos todas as oportunidades para fazer pedagogia e transformámos o comentário do Berto das Taipas num artigo, esclarecendo o nosso querido leitor e agradecendo-lhe ter aparecido. Cá vai:

- Sempre nos apresentamos anónimos como o nosso voto em urna, no dia de eleições;

- Sempre nos consideramos mais “cavaleiros do apocalipse”, em demanda do santo graal, do que propriamente uns “Xananas (?) a descer o morro da sé”;

- Sempre o dissemos, o nosso propósito é defender o Centro Histórico do Porto de um bando de desqualificados, cujas habilitações lhes permite mais depressa serem Deputados da Nação, do que profissionais competentes ao serviço da sociedade;

- Sempre o admitimos, para quem quiser acreditar, que não somos funcionários públicos e não estamos ao serviço da Câmara, da Porto Vivo, nem nenhuma outra instituição com relevância pública, situação que conflituaria com a nossa consciência – dizer o que dizemos do sítio onde trabalhamos;

- Sempre que podemos, lembramos que o subtítulo deste sítio é uma frase utilizada pela SSRU de forma irónica, realmente dita por Rui Loza e que só alguém como ele o poderia dizer, sendo que o consideramos co-responsável pelo estado lastimável em que o CHP se encontra. Pudesse o génio ser hereditário e encontrar nele uma réstia do Arménio, que tudo seria diferente!

- Sempre fomos fieis à nossa herança e respeitamos os nossos melhores arquitectos – Alfredo Viana de Lima, Agostinho Ricca, Nuno Teotónio Pereira, Fernando Távora, Álvaro Siza Vieira, Alexandre Alves Costa, Eduardo Souto Moura, etc. – algo que nunca nos impediu de os criticar sempre que necessário. O que mais lhes criticamos (aos vivos, claro) é o SILÊNCIO perante aquilo que assistimos diariamente no CHP, como o “caso de polícia” das Cardosas.

- Sempre nos pareceu que o escrutínio era algo difícil de engolir a certo tipo de pessoas…

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Foi na destilaria do Berto que voltamos a erguer o Santo Graal. Num sentido último, o Graal simboliza a plenitude interior, o renascimento e o conhecimento do homem e da sua evolução. Só por isso poderemos estar-lhe gratos.

Mais ainda, lembrá-lo que a ameaça que faz “às formiguinhas obreiras” tem um reverso: é que ao serem descobertas, deixando de ser anónimas, a SSRU passa a ter rostos e nomes. Isso significa que tudo o que vem aqui escrito passa a ser admissível no Ministério Público, claramente em desfavor dos visados. Estes, os visados, poderão sempre mostrar que estamos errados para lhes pedirmos públicas desculpas e se for caso de sermos presos ou condenados a uma indemnização, faremos uma colecta ou um “crowdfunding”. Quem são os amigos, quem são?

a hipocrisia institucional, por ssru

Parece-nos óbvio que, num momento em que Rui Moreira se prepara para receber o apoio eleitoral de Rui Rio, capitalizado pela incorporação dos vereadores deste na sua lista e atendendo ao seu passado recente como Presidente da Porto Vivo por sugestão do actual Presidente da Câmara, a cumplicidade entre ambos seja notória e indiscutível. Tal como Rui Rio, também Rui Moreira falhou em matéria de reabilitação urbana.

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Daí que não estranhemos que o anterior Presidente da SRU alguma vez tenha contestado, em público ou em privado, a actuação dos membros da instituição que dirigia, ainda que, como figura “decorativa”. Atitudes como as que relatámos no artigo anterior têm um impacte real na credibilidade, na eficácia e no esforço de toda a cidade em se regenerar, mas também atinge a viabilidade económica da própria Porto Vivo. Saber por que razão não existe na SRU nenhum funcionário que tenha sido escolhido ou seleccionado por concurso público, como se exige a uma instituição que é paga por dinheiros públicos, é assunto que merece uma reflexão mais aturada. Facilmente chegaremos à conclusão que no lugar de políticos encontraremos maus técnicos e no lugar dos técnicos estarão os piores políticos, o refugo do restolho. Como é o caso do responsável pela Fiscalização de Obras, cuja falta de qualificação e experiência lhe permite planar, ausente, num mar de obras ilegais sem qualquer tipo de fiscalização. Desta forma quando, pressionado, pretende mostrar serviço, só faz asneira.

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O que resulta da sua incompetência é esta panela de pressão, pronta a estourar as relações com os munícipes que o vêm a dar instruções aos fiscais para embargar obras em certos casos patéticos e nos outros a obrigá-los a atravessarem a rua e olharem para o outro lado, como se ali não estivessem sentados aqueles elefantes brancos a partir a louça toda. Vejam o caso quentinho do BBVA (elefante branco, perceberam?) na Avenida do Aliados: pensam que alguém vai lá perguntar pela licença de obras ou como conseguem ocupar a via pública daquela forma?! Acham que o Autarca não a vê da varanda do seu gabinete?! Julgam que eles são cegos e não veem o mesmo que nós – o Dr. Rio, o Dr. Moreira, os Administradores ou o Fiscal-Mor da SRU? É claro que estamos a falar de pessoas que se conhecem bem, tratam-se por “tu”, dão umas festas juntos e cantam abraçados o “ne me quite pas”.

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A hipocrisia avoluma-se quando o accionista IHRU se coloca numa posição distanciada em relação à gestão da instituição, actuando só como financiador, mandando auditar apenas as contas sem se importar com os actos de gestão que arruínam o balancete. Poderá o Arq. Vítor Reis continuar a criticar a administração da Porto Vivo se a sua representante assistir às reuniões do conselho apenas para assinar uns papéis e nada questionar? Pelo menos como nós aqui o fazemos!

Imaginem agora que o pessoal do Villa Porto descobre que o Dr. Rui Rio actuou com desigualdade em relação ao estabelecimento nocturno que lhes mandou fechar, ali à Rua do Dr. Magalhães Lemos (e que também relatámos no artigo anterior), ao arrepio do que mandam as leis e os direitos e garantias dos administrados. É verdade, soubemos posteriormente que o caso anda em tribunal e que as férias que se anunciam na fachada da “disco do roçanço” estão para durar até o assunto se resolver.

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A questão é que o “Princípio da Igualdade” não é o mesmo para todos. Lembram-se do HARD CLUB, certo? Está agora a comemorar três anos que reabriu, não está? Recordam-se destas fotos do site da CMP onde vemos o Autarca a cortar as fitas, como bom corta-fitas que é, hein?

O que diriam se até hoje o Hard Club não tivesse ainda obtido o necessário e fundamental “Alvará de Utilização” para poder laborar e dar aqueles espectáculos todos e abrir um restaurante e ter aquela esplanada (ilegal, claro) tipo aquário “parada leitão” (mas mais soft). Como foi possível o 1º Autarca embarcar numa ilegalidade dessas com uns e depois fazer com os outros, o VILLA PORTO, aquilo que está correcto mandando fechar. Será que é possível contestar tal decisão?

Bom, na verdade qualquer acção judicial alegando os argumentos da “desigualdade” não teria grande sucesso, pois obras ilegais não dão qualquer direito a ninguém e, quer a Pipas quer o Villa Porto, não iriam muito longe por aqui, para verem reduzidas/suspensas as “penas” que lhes foram aplicadas com o embargo. No entanto, tratando-se de uma jornalista e de uma empresa ligada aos espectáculos, imaginem os estragos que não fariam se, na primeira pessoa, divulgassem as suas histórias de hipocrisia instituída, este conto moderno do “Triunfo dos Porcos”.

a época de caça, por ssru

Está oficialmente aberta a época venatória 2013/2014 de caça ao político português, na subespécie cinegética de nome científico “relvas”, melhor conhecido em certas ZCM’s como “ladrão” e “aldrabão”. Trata-se de uma acção programada com vista a obter o controlo da proliferação desta subespécie invasiva, cuja reprodução se opera por equivalência e que tem dizimado o sistema produtivo nacional, a nossa organização territorial, os bens públicos e privados, a nossa cultura e a sanidade mental do Povo Português. As reservas de caça foram alargadas, uma vez que ZCM passou a designar a Zona de Caça Mundial.

o embargo redentor, por ssru

A Porto Vivo realizou, o mês passado, o seu primeiro embargo de uma obra ilegal. [foguetes]

Contrariando o modo de operar destes seus nove anos de vida, em que assumiu uma postura facilitadora no que se refere ao cumprimento das regras urbanísticas (chegando a ter um especialista que orienta as pessoas a contornarem as regras), com vista a obter resultados mais rápidos que pudessem contrariar o declarado fracasso do Autarca em matéria de reabilitação urbana, dizíamos, a SRU embargou pela primeira vez uma obra ilegal.

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Cremos não ser por nossa causa, pois desde que este sítio existe que temos vindo a denunciar essas intervenções (algumas catastróficas e irreversíveis) e só agora é que aconteceu o arrependimento da SRU. Poderá ter mais a ver com a intervenção do sócio maioritário que tem vindo a pressionar esta administração, obrigando-os a mostrar resultados e expondo as suas fraquezas.

E se grande é o pecado maior deveria ser o arrependimento. Por isso estaríamos à espera que o alvo escolhido pela Porto Vivo para aplicar tal redenção, fosse uma intervenção que, pelas suas características e prejuízo para o património da cidade, merecesse um castigo exemplar. Tal exemplo seria propagador e pedagógico. Mas não!

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A escolhida foi uma amiga e vizinha nossa, a Filipa (Pipa), que para além de já morar no CHP, tem um negócio de sandes na Rua dos Caldeireiros e decidiu realizar obras numa casa da Travessa do Ferraz, nº 26, as quais foram agora embargadas. Não é por ser nossa amiga que as obras deixaram de ser ilegais, aliás, nós até avisámos para não avançar assim, pois poderia acontecer o que lhe aconteceu. E do que vem acusada a Pipa, afinal: da realização de obras interiores, nomeadamente a execução de tectos falsos, carpintarias e pinturas, sem que tivesse sido emitido o respectivo alvará. Carago, pá!

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Ora, por que razão estamos aqui a vociferar? Porque estávamos à espera que a Porto Vivo andasse a gastar os cartuchos (e o nosso dinheiro) em obras representativas, aquelas cujo significado merecesse tamanho castigo, como é um embargo (que implica registo na Conservatória do Registo Predial, EDP, EDPgás, Águas do Porto, etc.). Vamos aos exemplos pois é disso que estão à espera!

Caso 1 – Tal como a senhoria da Pipa, também o vizinho, Arq. Joaquim Massena, tem andado calmamente a realizar obras ilegais na Rua dos Caldeireiros, nº 61, as quais já vos tínhamos dado notícia há dois anos atrás. Nessa altura a ARU do Centro Histórico ainda não tinha sido delimitada, mas agora que está sob alçada da Porto Vivo, será que ainda não houve tempo para irem lá obrigar o senhor a fazer o licenciamento como todos os outros cidadãos? Será por medo, por se tratar de um arquitecto, por ele ter trabalhado na CMP, estar envolvido com o Meneses, o que é? Temos curiosidade em saber!

Caso 2- Uma actividade que se desenrola à vista de todos desde há muitos meses e que tem lugar após a realização de obras ilegais, num edifício situado num Quarteirão Prioritário, sob gestão da Porto Vivo, mas que esta não embargou (quer as obras, quer a actividade) fica ali na Rua Dr. Magalhães Lemos, nº 109. Trata-se do VILLA PORTO, uma boate/discoteca que, pelo facto de não ter licença, se encontra ilegal, pondo assim em risco a segurança e a saúde públicas.

Caso 3 – Um edifício que pertencia (?) à família “Braga da Cruz”, onde no rés-do-chão existia a bem conhecida “Drogaria Moura”, tem estado a sofrer obras profundas no interior e alterações do exterior, claro está, sem a respectiva licença ou controlo prévio. È esquisito pois este caso parece ser um daqueles que teve a intervenção do “agente facilitador” da SRU, pois os trolhas trabalham à socapa e removem entulhos fora de horas, etc. Trata-se de um edifício de arquitectura comum, mas onde se exercia uma actividade de grande valor para a cidade. Tem lá instalado provisoriamente a “Araújo & Sobrinho”. Esta obra, pela sua localização e em Quarteirão Estratégico, merecia ser embargada e por razões insondáveis não o foi!

Caso 4 – Na Rua de Mouzinho da Silveira, nº 160, desenrola-se uma intervenção em dois prédios contíguos. Um tem placa a informar que tem alvará, mas o outro simplesmente nada diz. O primeiro começou a obra muito antes de obter a respectiva licença e o segundo foi adquirido à CMP. A reabilitação em conjunto vem prevista no Documento Estratégico do quarteirão, tal como a manutenção da fachada, as cores, etc. O promotor da obra tem realizado outras intervenções no CHP dentro da tipologia turística à qual esta também se destinará. Talvez por esse motivo ou por vidas passadas, tem obtido os maiores favores da CMP e da SRU, motivo pelo qual não haveria a necessidade de intervir ilegalmente.

Caso 5 – Por falar em falta de necessidade, convém não esquecer a situação do Eng. Rui Quelhas, que como sabem é administrador da Porto Vivo, ou seja, é ele que assina o seu próprio alvará de construção e por isso não tinha a necessidade de executar obras de alteração e ampliação sem a respectiva licença. Ainda mais, para fazer na cobertura aquele cogumelo horrível, cuja inserção na envolvente apenas acrescenta mais ‘ruído’. Como “à mulher de César não bastará ser séria, terá também que parecer”, parece-nos que o primeiro exemplo que a Porto Vivo deveria ter escolhido era o seu, o próprio.

o inferno a arder, por ssru

Parece que foi ainda ontem que o País ardeu todo e, no entanto, hoje continua em chamas este inferno onde a gente vive. Parece que arde mais em ano de eleições, porque as ordens são para não “escorraçar os votos” com as cartas que obrigam os proprietários a limpar as matas. Limpeza que era necessária quando ainda tínhamos agricultura, pois os produtos da mata serviam para o gado e para o estrume e para aquecimento e outras serventias que a natureza agradecia. Agora, todos os anos, entre festas de verão e banhos de mar, o País vai ardendo.

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Homens grandes em lágrimas infantis, a soluçar nas mãos vazias o trabalho de uma vida; mulheres que gritam desvairadas, com ganas de raiva, a apontarem a mangueira do jardim para o inferno desigual, que lhes lavra atrás das casas; bombeiros e bombeiras empoleirados numa corda bamba, aguardando as ordens de “comandantes” que desconhecem e que os mandam para uma frente de guerra, apenas protegidos pela causa que abraçam, que os mata por vezes; aviões e helicópteros que sobrevoam as chamas mesmo ali, ao alcance das câmaras das televisões e que nos custam a todos muitos centos de euro à hora.

os ladrões do tempo, por ssru

Há quase dois séculos atrás, em 1819, Benjamin Constant apresentou aos seus pares, numa conferência memorável, o texto intitulado “Da Liberdade dos Antigos Comparada à dos Modernos”. Ali desvelaria algumas considerações que pretendia submeter ao julgamento dos restantes e que colocava em confronto a liberdade colectiva dos povos antigos, onde os cidadãos tinham um peso preponderante nas decisões políticas, mas cuja vida privada não controlavam; e por outro lado, a liberdade pessoal dos povos modernos, cujo indivíduo é dono da sua vontade mas cujo peso político é quase nulo. Do seu longo e profético texto detemo-nos em algumas conclusões:

“(…) O perigo da liberdade moderna está em que, absorvidos pelo gozo da independência privada e na busca de interesses particulares, renunciemos demasiado facilmente ao nosso direito de participar do poder político.

Os depositários da autoridade não deixam de exortar-nos a isso. Estão sempre dispostos a poupar-nos de toda a espécie de cuidados, excepto os de obedecer e de pagar! Eles nos dirão; “Qual é, no fundo, o objetivo de todos os vossos esforços, o motivo de vosso trabalho, o objeto de vossas esperanças? Não é a felicidade? Pois bem, essa felicidade, aceitai e nós nos encarregaremos dela.” Não, Senhores, não aceitemos. Por mais tocante que seja um interesse tão delicado, rogai à autoridade de permanecer em seus limites. Que ela se limite a ser justa; nós nos encarregaremos de ser felizes.(…)”

Dê-se o caso dos representantes desta nossa jovem Democracia, entenderem ser necessária uma expiação para que a Liberdade dos cidadãos deste País seja salva e, num futuro preferencialmente próximo, começarem a falar VERDADE e aí nós poderemos entender o rumo que estamos a dar às nossas vidas. A Verdade é, pois, o pilar fundamental da Justiça e com esta será possível sermos felizes.

Só uma Justiça de olhos bem abertos, permitirá que possamos perceber em que momento da nossa vida democrática nos tornamos num País de ladrões, de políticos profissionais sem escrúpulos, de decisores desqualificados… Pois, infelizmente o Tempo não está a nosso favor!

Quem se julga esta gente? | Nicolau Santos | Expresso, 2 de agosto de 2013

O caso BPN continua a queimar as mãos de muita gente. Tanto que, quando alguém que esteve ligado ao banco vai para um lugar público e tem de divulgar o seu curriculum, elimina cuidadosamente essa atividade do seu passado.

Foi isto que fez Rui Machete, foi isto que fez Franquelim Alves, passando aos jornalistas um atestado de incompetência e aos cidadãos, um atestado de estupidez.

Não está em causa a compra ou venda de ações de uma instituição bancária. Mas está em causa saber 1) se toda a gente podia comprar ações do BPN; 2) se toda a gente que comprou as viu recompradas pelo dobro ou pelo triplo do seu valor original; 3) se esses ganhos assentavam na atividade normal do banco.

Ora para quem não se lembra, o BPN não estava cotado em bolsa. Por isso, só comprava ações do banco quem a administração convidava para tal. Foi assim com Cavaco Silva, que comprou e vendeu ações do BPN tratando diretamente do assunto com o presidente da instituição, Oliveira Costa.

Depois, a compra de ações de ações pelo banco por valores muito superiores aos que as tinha vendido não resultava do livre funcionamento do mercado – mas de uma decisão da administração e, em particular, de Oliveira Costa.

Quer isto dizer que o presidente do BPN beneficiou quem quis – e beneficiou seguramente os seus amigos. Não por acaso, todos (ou a esmagadora maioria) os beneficiados com a venda de ações altamente valorizadas ou com vultuosos empréstimos não reembolsados são membros ou simpatizantes do PSD. E suponho que não é preciso dizer os nomes.

Por isso, se tudo fosse tão normal e transparente, Rui Machete não teria eliminado do seu curriculum as funções que ocupou no BPN. Por isso, também não devia ter dito que isto revelava a podridão da sociedade portuguesa.

É que se este caso revela alguma coisa é a podridão com que altas figuras do PSD ligadas ao Estado ganharam muito dinheiro com um banco fantasma que era liderado por um grupo de malfeitores.

E é esse dinheiro fácil que está agora a ser pago, com língua de palmo, por todos os contribuintes. Mais de 4 mil milhões de euros dos nossos impostos servem para pagar as mais-valias e os empréstimos não reembolsados que o BPN concedeu.

Por isso, seria de muito bom-tom que todos os que lucraram com o BPN se calassem e que não nos tentassem convencer que tudo foi limpo e transparente no dinheiro que ganharam. É que, como de costume, os senhores privatizaram os lucros. E deixaram para os contribuintes a socialização dos imensos prejuízos. Haja vergonha!

o quarto com vistas, por ssru

A Cidade do Porto, na sua insondável resiliência, foi novamente agraciada, este ano de 2013, com a distinção de melhor destino turístico europeu, desta vez pela Lonely Planet, mundialmente conceituada editora de guias de viagem. Segundo Helena Gonçalves (directora executiva da Associação de Turismo do Porto) ao Jornal de Notícias: “Nesta sua selecção, a Lonely Planet privilegiou as cidades que, tal como o Porto, oferecem cultura, história e aventuras outdoor, fora do circuito das cidades mais populares europeias e é para nós um enorme orgulho ver o Porto e a região do Douro figurar em primeiro lugar na lista”, informou.

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Seria assim de esperar que o Autarca estivesse a explorar a situação até à exaustão, promovendo a cidade (e a si próprio) como o lugar ideal para se visitar, pelo menos este ano, oferecendo a cultura, a história, a aventura de contactar um povo ‘sui generis’ como é o povo tripeiro. Esperaríamos, por exemplo, que nos ‘outdoors’ de propaganda do executivo, em vez de porquinhos cor-de-rosa a contar uma meia-verdade (ou meia-mentira), estivesse uma fotografia do Porto dando um abraço ao Mundo.

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Mas como sabemos, nem tudo o que desejamos pode ser concretizado. Enquanto o Autarca vai carpindo os seus ódios bafientos, enquanto o seu executivo procura um lugar ao sol para si e para os seus parentes e amigos, enquanto a Porto Vivo se entretém a brincar às obras ilegais, enquanto os políticos em campanha se vão esquecendo de prometer ao Povo um Mundo melhor, enquanto tudo isso, a cidade faz o que pode para se regenerar, sozinha.

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Entregue aos nascer e pôr do sol, a cidadania vai-se esquecendo de quem realmente interessa – as pessoas. Este caso que vos trazemos hoje, poderá ter algumas semelhanças com um outro que atingiu o topo da popularidade neste sítio, sobretudo à custa de um comentário do TAF e publicação na Baixa do Porto, onde a comunicação social normalmente se mune de assuntos para desenvolver.

Quem não gostaria de possuir um auto-quarto, com vistas privilegiadas para um dos maiores ‘ex-libris’ do Porto, no melhor destino turístico da Europa?

Depois de Mouzinho da Silveira, por detrás do Mercado de São Sebastião e com vistas para a Sé Catedral, encontra-se estacionado um Opel Corsa preto, em mau estado de conservação (como os edifícios), mas com gente dentro. No entanto, o caso parece diferente do anterior, pelo seguinte: existe alguém lá a dormir mas não vemos vestígios de consumo de droga; os vidros que subsistem têm uma espécie de ‘blackout’ para usar de noite; e o ocupante mostra sinais de ser o proprietário ou alguém que perdeu a casa onde morar… Logo ali ao lado de tanta casa vazia no famoso e devoluto “Corpo da Guarda”!

E vocês que não são nenhuns “Bertos” e até gostam da vossa cidade, perguntam:

- Mas onde é que anda o Presidente e os seus Vereadores, o do Turismo, a da Habitação, a da Coesão Social, o da Mobilidade, etc.? E onde está a Administração da Porto Vivo e os seus Gestores, o da Área Urbana, e o do Programa do Morro da Sé, o do Plano de Gestão do Centro Histórico do Porto, etc.? Mas o que é que esta gentinha toda anda a fazer, no melhor destino turístico europeu? Será turismo?

nota a 25 Agosto 2010, aqui: O que mais nos apavora é que, até certo ponto, todos os sinais de alarme de uma sociedade civil saudável foram activados. Uns chamaram a polícia, outros ligaram para a CMP, os agentes e os técnicos apareceram, mas a partir daqui nada mais foi feito. Um agente da polícia chegou a dizer que se não tivesse matrícula (o carro) poderiam actuar, assim não! Este sentimento de insegurança e impotência que a falta de resposta das autoridades nos transmite é avassalador.

o “checkpoint” CHP, por ssru

Happy Anniversary! You registered on WordPress.com 5 years ago! Thanks for flying with us. Keep up the good blogging!
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O pessoal da WordPress foram os primeiros a dar sinal deste dia 14 de Julho, Ano V, da Graça de Nossa Senhora do Ó. Ao longo deste caminho encontramos muitos amigos e fomos deixando para trás um rasto de descontentes. Na verdade, os amigos superam em número e em qualidade as inimizades, talvez porque o nosso objectivo não é atingir ninguém em particular, mas mudar o mundo, um gesto de cada vez. Relembramos aquilo que dissemos à passagem do último ano: “acreditamos que defender o local onde pertencemos, não é direito reservado de ninguém, mas um dever de todos.”
Daí que, desejando contar com a vossa inestimável contribuição e para poderem dizer o que vos vai na gana, ou simplesmente ajudarem a SSRU a ser melhor do que isto, deixamos a caixa de comentários deste artigo aberta. Disparem à vontade!
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