a festa popular, por ssru

As vizinhas mais idosas dizem-nos que a ‘festa do santo’ já teve melhores dias, era um verdadeiro arraial do Povo. Dizem-no de boca cheia, mão no peito e um brilho de tristeza no olho.

Os festejos do nosso passado mais longínquo incluíam uma jogatina de futebol pela manhã entre clubes rivais, logo seguida do almoço montado na rua perfumada a sardinha e pimentos assados.

À tarde os ranchos folclóricos enchiam as ruas de música e dança, toda a gente dançava, até os padres e os políticos, os novos e velhos, homens e mulheres, mulheres e mulheres, crianças, todos.

Na Rua Arménia assistíamos a um jogo de cartas ou bilhar e havia uma peça de teatro no ‘S. Pedro de Miragaia’ e a festa não parava, comíamos aqui e ali, em todo o lado havia um fogareiro a assar e vizinhos a cantar alto.

Não ligamos tanto a este palco onde nos presenteiam a Ana Malhoa e a Mónica Sintra, e ‘aquelas coisas’ brasileiras que nada têm de são-joanino.

popular-01O fogo de artifício, esse é sempre bonito, mesmo quando passou a ser barómetro político e motivo de disputa entre cidades irmãs.

popular-02É verdade que já vimos famílias inteiras a subir e descer as ruas, de alho-porro na mão a provocar o nariz e o pescoço de quem cruza num e noutro sentido.

Mas a festa também é do alecrim e das fogueiras feitas para saltar de bairro em bairro, do balão acesso no ar, das rusgas, das cascatas (as verdadeiras) e dos banhos de mar ao nascer do dia.

O Porto nunca virou as costas a uma boa festa nem a uma boa briga.

No meio deste colorido pagão e agora que o S. João já se acabou, gostaríamos de vos falar de um desses gestos simples que mudam muita coisa, esses de que falamos de vez em quando e que custam relativamente pouco, mas que significam uma imensidão na vida das pessoas, capaz de perdurar por muito tempo.

Algo tão simples como o rosto estampado numa bandeirola, a enfeitar as ruas, quatro ou cinco ruas, muitos rostos de quem mora ou trabalha no coração da cidade e que abre a porta desconfiada, mas pronta a confiar…

Uma ovação em pé para a Dra. Ana Neto e a sua equipa, que soube tocar, não na vaidade, mas no orgulho e identidade das pessoas e fazê-las participar enquanto comunidade, num festejo de todos. Dá vontade a qualquer um de pertencer àquela rua e participar.

Lemos no artigo do JN: “(…)Era preciso conhecer as pessoas, convencê-las a cederem uma fotografia ou a serem retratadas para figurar em bandeirinhas de S. João que seriam colocadas nas ruas da Fonte Taurina e da Reboleira (na Ribeira) nas Galerias de Paris e Cândido dos Reis (aos Clérigos) e na Rua das Flores (entre o Largo de S. Domingos e a Fundação da Juventude). Inicialmente, pensaram em concentrar todas as fotografias dos moradores da Ribeira em apenas uma artéria, mas ninguém quis figurar na rua do vizinho. “Avisaram-me logo: eu? nessa rua, nem pensar”, conta Ana, rindo das dificuldades que iam surgindo. “Foram dois meses de contactos diários na Ribeira”. Mas depois da dona Odete, a gestora do projecto conheceu a dona Conceição, o Nando, o Naná, o Inácio, o sr. José e por aí fora. A ideia foi ganhando forma e, de repente, já tinham duas mil fotografias para tratar, imprimir em acetato, agrafar às bandeirinhas e pendurar nas ruas (…)”

O que fica deste pequeno gesto, que portas abriu, que continuidade se poderá dar a este tipo de projectos? Perguntas que a cidade poderia responder…

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o direito à indignação, por ssru

Todo o cidadão tem direito à indignação, tem o direito de denunciar aquilo que considera um ultraje ao seu património e ao da sua comunidade. Acrescentamos ainda que é obrigação de todos zelar pelo Bem Comum, até porque este nos pertence.

Muitos concordam com esta visão da forma de intervirmos, enquanto cidadãos da mesma rua, do nosso bairro, da nossa cidade…

A Dr.a Maria José Morgado parece ser da mesma opinião, reforçando que não cabe ao cidadão provar nada, esclarecendo desta forma qual deve ser o papel da sociedade civil:

  • “(…) eu vou dizer isto numa palavra que pode parecer brutal, mas é, denunciar, denunciar, denunciar, e as pessoas não se deixarem impressionar com as exigências de “concretize, diga nomes, prove”, provar é no tribunal, provar é no tribunal, instrução dos processos e recolha de prova é no tribunal, as denúncias as pessoas podem e devem fazê-las caracterizando os fenómenos, não é ofender o bom nome de ninguém mas é caracterizar os fenómenos. Aliás nós vivemos no maravilhoso mundo da presunção de inocência, a presunção de inocência é só, só, tão só uma regra de apreciação das provas para os senhores juízes utilizarem quando estão a decidir um caso ou seja quando alguém é presente em julgamento só pode ser condenado se os factos se provarem para além de toda e qualquer dúvida e é isso que se chama a presunção de inocência, mas a presunção de inocência não serve para eu ser desonesto e me manter no lugar e não permitir que ninguém me critique ou não permitir que a opinião pública se indigne com o resultado da minha actuação. A presunção de inocência é uma regra técnica, é uma regra de apreciação de provas, não é uma regra de substituição da ética e da honestidade dos cargos públicos, e portanto quando eu digo denunciar, denunciar, denunciar, é denunciar a desonestidade, a falta de decência no desempenho dos cargos, isso as pessoas têm direito a denunciar e não são obrigadas a apresentar provas(…)”

A maior parte da correspondência que recebemos é enviada por concidadãos que se identificam não só com este projecto que coordenamos, como com o anonimato que prezamos, denunciando os inúmeros atentados, o desprezo e maus tratos ao nosso património e por isso à nossa Identidade e à nossa Memória.

Ainda que com alguma insuficiência, tem sido possível, no todo ou em parte, utilizar as informações e sugestões dos nossos leitores e articulá-las neste sítio, faltando ainda tanto para dizer e fazer.

Transcrevemos um desses sugestivos exemplos de alguém que exprime a sua revolta perante o anunciado projecto de transformação do Palácio de Cristal e dos seus jardins. Omitimos apenas o nome do autor, conforme nos é solicitado:

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“Ex.mos Senhores, Utilizo este meio para solicitar a atenção da SSRU para uma situação que me deixa preocupado.

Se consultarem o site da CMPorto verificam que foi divulgado, há pouco tempo, um projecto para reabilitação do Pavilhão Rosa Mota e sua envolvente. Este lançamento foi efectuado, tal como tantos outros em que o Sr. Rui Rio se envolveu, sem os serviços do IGESPAR ter aprovado o projecto e perante um parecer negativo de alguns serviços a uma das partes do projecto.

Aqui está a minha preocupação: querem transformar um dos poucos exemplares que ainda sobram do projectista Emile David, o lago, e transformá-lo num espelho de água.

O arquitecto José Carlos Loureiro que me desculpe, o projecto dele pode ser muito interessante, mas tal como tantos arquitectos que consideram todos os projectos “seus” e não gostam que os modifiquem, poderiam pensar duas vezes em fazê-lo a exemplares raros.

Depois da desgraça que fizeram a outro exemplar de Emile David, o Jardim da Cordoaria (como é conhecido), vejam em que estado colocaram aquele lindo jardim, espero que não continue a acontecer.

Todos os jardins particulares têm sido substituídos um a um por prédios, os públicos são arrasados. Tenho receio que mais um desapareça.

Os serviços da Câmara, neste caso, a Cultura não tem peso nenhum e os seus directores só se interessam por festas e dinheiro, o Urbanismo só pretende encher os cofres da Câmara.

Um dos poucos organismos que poderiam salvar a situação, o IGESPAR, não é nada mais que um peão movimentado ao sabor dos interesses económicos.

No meio desta desgraça, a vossa voz surge com as palavras que todos os que se preocupam sentem, mas não podem exprimir.

Neste caso, penso que só a população poderá fazer algo, pois as eleições aproximam-se.

Não sei se o caso tem interesse para vocês, mas fica a minha revolta.

Por várias razões, prefiro não me identificar.

Espero que me compreendam e desculpem a escrita atrapalhada e apressada.

Atentamente”

Embora o Palácio de Cristal e os seus jardins não façam parte integrante do Centro Histórico classificado e delimitado pela antiga Muralha Fernandina, nem por isso deixaremos de referir o seu valor patrimonial e a negligência a que é sujeito de forma sistemática e, quem sabe, propositada.

Aliás, já o fizemos anteriormente num artigo que pretendia explicar “o modus operandi” dos políticos medíocres, deixando degradar o património para depois se tornar mais fácil a sua substituição.

Hoje não só reforçamos esta visão do modo perverso de actuação, como também a inatingível questão das prioridades da despesa pública.

Está anunciado que um “(…)investimento de 19 milhões de euros, comparticipado pelo QREN, vai permitir que, para além das actividades desportivas, exposições, grandes concertos, festas, espectáculos de circo e pista de gelo, se realizem congressos com capacidade até seis mil pessoas e seminários ou reuniões de menor dimensão(…)”, tudo isto para ajudar a projectar (reparem bem!!!) a marca “Porto, Cidade de Ciência” (?[só se for com os espectáculos de circo]?), que é algo que não compreendemos!

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O Pavilhão dos Desportos é um edifício lindíssimo e merece ser salvaguardado, mas também o seu antecessor merecia e esse já não existe. Se analisarmos bem o que está a mais é o actual (que bem poderia estar noutro qualquer local da cidade), uma vez que todo o jardim romântico e restante envolvente permite uma inserção urbana de recorte mais clássica, com um impacte negativo menos óbvio que o existente.

Como isso já não é possível, pretende-se ‘desclassificar’ o jardim e o lago que está transformado num “CHARCO”, possibilitando a sua substituição por um “ESPELHO D’ÁGUA”!?

E agora, mais uma vez desenganem-se os distraídos, nós não somos contra este investimento de 19 M€, nem contra a melhoria deste equipamento de cidade que bem precisamos. Nem tudo se resume a uma simples troca de calcário por granito, como na Avenida dos Aliados. Aquilo que perdemos foi muito mais do que as flores e os canteiros que davam muito trabalho e prejuízo a arranjar. Perdemos Memória e Identidade.

É tudo uma questão de prioridades, pois quando tudo fazia crer que seria a “reabilitação da Baixa e do seu Centro Histórico” uma prioridade máxima, sabemos agora que, perante o fracasso redondo dos tempos de execução dos projectos, será necessário apregoar os chamados investimentos de “encaixe rápido”.

Querem substituir? Pelo menos procurem fazer melhor. Mas comecem antes, por tudo aquilo que é prioritário!

Se não souberem por onde começar, peçam ajuda…

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a exposição temática, por ssru

O mestre designer Vitor Tavares, Artista por quem esta equipa nutre um grande apreço, enviou-nos um convite para uma exposição sobre os lugares de cidade à espera de serem revividos, ou melhor, como ele bem diz:

“A reflexão sobre os não-lugares, é e deverá ser sempre o ponto de partida para essa mudança de percepção das imagens (numa espécie de missão social colectiva), na qual a estratégia encontrada na criação/ordenação do espaço público, possa recuperar o sentido de urbanidade e de cidadania…

Por conseguinte, nunca é demais realçar a ideia que, acima de tudo, somos cidadãos! Somos cidadãos da nossa rua, do nosso bairro, da nossa cidade, do nosso país, enfim cidadãos do mundo.”

n-lugares-01Esta é uma exposição sobre nós enquanto Povo, sobre um estilo de vida e, sem dúvida, mais um convite especial a não perder, no CPF de 27junho/02agosto2009.

projecto-investigação: www.nao-lugares.com
blog: http://naolugaresnoporto.blogspot.com

o direito de resposta, por ssru

A SSRU recebeu um mail, que nos foi dirigido pela Associação de Bares da Zona Histórica do Porto e que enquadramos no ‘Direito de Resposta’, passando a transcrevê-lo na íntegra:

“APRESENTAÇÃO DE QUEIXA NAS AUTORIDADES JUDICIAIS

O silêncio dos caluniados não se aplica à ABZHP, que tudo vai fazer no sentido de desmascarar os indivíduos, que se escondem atrás do anonimato para caluniar tudo e todos, os quais se identificam, como, ressabiados de algo, descarregando todas as suas frustrações no ataque a pessoas e instituições, de forma cobarde, utilizando para o efeito ferramentas dentro da net.

A ABZHP, está aqui a dar a cara, não se esconde, pelo contrario até se expõe sem confrangimentos, para o bem e para o mal, isto é, nunca utilizou subterfúgios para fazer chegar a sua msg, como também, nunca fugiu a “discutir” fosse com quem fosse, ideias e projectos, sejam elas, de carácter social, sendo que, nesta área tem provas dadas e comprovadas, em acções que tem desenvolvido no terreno, no entanto não é essa a sua obrigação estatutária, contudo nunca foi impedimento, factos relevantes e que leva a ABZHP, a ter algumas pistas dos autores das injurias.

A ABZHP, não tem sócios só na zona Histórica, mas sim em todo o País, como por exemplo, Lisboa, Montijo, Braga, Barcelos, P.Ferreira, Vila da Feira, Espinho, Matosinhos, Maia, Vila Nova de Gaia, Povoa do Varzim, Guimarães, Gondomar, Marco e etc., quanto à nova zona d vida nocturna no Porto, só quem anda distraído é que não se apercebeu, que a ABZHP, está lá representada em termos efectivos com sócios desde a primeira hora, que contrariamente às afirmações caluniosas, eles não fugiram de ribeira, mas sim procuraram alternativas de espaços, que na ribeira não existem. A ABZHP, trabalha no terreno com esses empresários na solução de problemas, de forma a evitar situações, que coloquem em causa o desenvolvimento da revitalização da baixa, mas adiantar mais pormenores é dar demasiada importância a quem se esconde para caluniar.

Resta a ABZHP, anunciar, que vai apresentar queixa nas autoridades judiciais competentes, como também, vai convidar todas as instituições e pessoas que eventualmente, tenham ou estejam as ser vitimas das investidas da SSRU.”

Conforme se obriga na sua Declaração de Princípios, a SSRU reconhece a todos aqueles que se sintam lesados, a possibilidade de comunicarem a esta administração os motivos de indignação ou prejuízo causado, de modo a que, analisada a questão, se proceda de imediato à sua reparação.

Com efeito, no nosso artigo “o convite especial”, reconhecemos um excesso na utilização de figuras de estilo e embora não fosse nossa intenção atingir a associação visada, pelo menos não da forma como foi entendido, desde já, LAMENTAMOS o sucedido.

Desnecessária a ligação metafórica uma vez que corrigido o texto, a mensagem mantém a sua integridade, sem que fosse premente ultrapassar a fronteira a que nos propusemos.

No entanto, reconhecemos o direito à indignação de qualquer pessoa ou instituição quando nos excedemos, não reconheceremos nunca a CENSURA ou o direito seja de quem for a calarem-nos apenas porque incomodamos. Duvidamos que qualquer tribunal o faça, mesmo neste País onde coisas esquisitas acontecem com tanta frequência.

Assim e mais uma vez reconhecendo a nossa falta, prontamente reparamos o lapso, mantendo o espírito do artigo publicado.

resposta-01Com alguma dificuldade imaginamos que o apelo da ABZHP a outras pessoas ou instituições possa obter o eco desejado, uma vez que o insulto e a ofensa, ou mesmo a calúnia, se encontram banidos desde Sítio, ainda que, como já admitimos, involuntariamente possamos incorrer em erro.

Percebemos que seja mais aliciante, instintivo, perseguir e atacar um perfil editorial como o nosso (mesmo escolhendo cautelosamente as palavras), que opta pelo anonimato, ao invés de tantos outros que de forma diferente têm a ‘permissão’ de dizer tudo o que pensam.

Mas a Internet foi desenhada e construída na senda do anonimato e ele é uma extensão desta ferramenta. Conscientes das opções, será justo considerar que nos encontremos minimamente preparados para definir a nossa defesa.

Por esses motivos, em troca do anunciado conflito, fazemos antes um convite construtivo à ABZHP, que certamente nenhum tribunal lhe propulsionará, mesmo que obtenha uma sentença favorável: a oportunidade de expor, explicar, poder dispor do espaço que entender neste Sítio para demonstrar que estamos equivocados, que as questões sociais (não estatutárias) não se tratam de uma repentina e recente preocupação, ou então que o problema tem sido de facto, alguma má comunicação que tem impedido a ABZHP de transmitir para a opinião pública o seu verdadeiro trabalho. Terão da nossa parte toda a colaboração possível.

O tempo, na sua inevitabilidade, se encarregará de nos facultar todos os factos.

a análise seguinte, por ssru

Gostaríamos de poder escrutinar todas as justificações, todos os argumentos, para além dos nossos, que estiveram no sentido de voto deste segundo inquérito, cujo tema se prende com a implantação de uma ponte pedestre na principal zona das ribeiras de Gaia e do Porto.

Mas para além de tudo isso sobrou apenas a seguinte pergunta:

Considera necessária a ponte para peões, a ligar as duas margens da Ribeira do Douro?

Também neste inquérito se impunha uma intencionalidade não revelada e que desejamos trazer à discussão, sobretudo porque julgamos ser esse o melhor caminho: a discussão pública dos grandes projectos, cujo impacte seja relevante para a comunidade!

Este escrutínio, esta auscultação da opinião pública, quando existe é apenas quando os dirigentes políticos julgam que com ela irão lucrar alguma coisa e grande maioria das vezes resultam em violentos fracassos, não só políticos como também alguns bons projectos que se perdem.

analise-01Há muitos anos atrás discutimos na televisão pública a intervenção do arquitecto João Carreira na Fortaleza de Sagres, com o Adriano Cerqueira como moderador e uma plateia cheia de figuras públicas onde se incluía Mário Soares (que como sabemos, já nessa altura falava muito…).

Mais recentemente, a intervenção do arquitecto Adalberto Dias para o Castelo de S. Jorge em Lisboa, mereceu a sua intrincada e acesa ‘opinião pública’, com holofotes e câmaras.

Entre nós, a proposta de requalificação da Rua de 31 de Janeiro, do arquitecto Carlos Prata, ou o projecto de Álvaro Siza para a Avenida da Ponte e o Museu da Cidade, mereceram igualmente a ‘melhor atenção’ dos políticos da altura, que com isso julgavam estar a marcar pontos.

Estávamos todos enquanto comunidade, mas eles não podiam dar-se ao luxo de perder votos nas urnas e de boas intenções…

Se a memória não vos faltar, saberão que estamos a falar de projectos que nunca se realizaram, pelo menos na totalidade. E dizemos nós: que excelentes projectos que se perderam, sem verem a luz do dia!

Agora, depois de preparado o caminho com leis à medida, (como diz o bastonário, feitas por grandes escritórios de advogados cujos intervenientes depois lucram com elas – como esteve para acontecer com Júdice e a frente ribeirinha de Lisboa) que permitem o ajuste directo de projectos e obras onde se esgotam os recursos de todos nós, ficamos assim, à mercê de pessoas mal formadas e outras mal orientadas, que sem escrúpulos produzem na nossa paisagem e na nossa vida, danos irreversíveis.

Poderíamos encontrar algures um porto seguro, que servisse de filtro a todos estes disparates, como por exemplo o IGESPAR, mas já sabemos que não é assim. Até porque os nossos ‘guardiões’ também têm os seus problemas para resolver.

Um desses problemas é o constante ataque e pressão nas decisões das entidades licenciadoras, que determinados grupos com interesses económicos lançam para as páginas dos jornais, numa verborreia sem limite. Exemplo disso é esta notícia que dá conta que a culpa do agravamento do custo das obras do teleférico de Gaia será na ordem dos 2,2 milhões e é toda do IGESPAR.

Não é por causa de um mau projecto que ninguém conhece nem discute, não é por causa das renegociações das clausulas do contrato cujos custos serão como sempre suportados pelos contribuintes, é porque “(…) a empresa alega a subida do custo da construção devido às imposições do IGESPAR para solicitar a mudança do acordo.(…)” e por isso “(…) a empresa pediu (e foi aceite) para estar mais anos sem pagar renda ao Município, argumentando com o custo inesperado das expropriações na Calçada da Serra face à mudança da estação do Jardim do Morro para a encosta, imposta pelo Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (IGESPAR). Agora, solicita nova mexida no contrato.(…)”. Bolas!

analise-02Para uma amostra de 100 votos registámos os seguintes resultados:

  • não, considero supérflua! ……………………..……………………………… 85%
  • sim, considero necessária! ……………………………..….…………….…… 14%
  • não sei, ando desatento! ……………………………………………………… 1%

E assim, cá estamos nós, cidadãos minimamente atentos, usando as tecnologias ao dispor, mostrando o caminho, para que não existam desculpas.

Sabemos que não vai ser fácil mudar, pelo menos enquanto as asneiras forem pagas por nós e não do bolso de quem as comete.